2010-09-21

Agora, com Paulo Bento seleccionador nacional

Vamos muito provavelmente falhar a qualificação mas, pelo menos assim vai ser com muito mais tranquilidade

2010-09-15

Pior a emenda do que o soneto

Ao PSD faz-lhe confusão a expressão constitucional “despedimento por justa causa”, que ninguém sabe ao certo o que será mas tem, pelo menos, o condão de referir a justiça como a noção que deve orientar as decisões naquele domínio.
Para substituir propôs, o PSD, “razão atendível”, sem referir atendível como e atendível por quem, aumentado a dificuldade de interpretação.
Reconhecida a dificuldade sai-se com uma “pérola” pior: “legalmente atendível” ou seja atendível pela lei e quer isto escrito na constituição.
Como é sabido é a constituição que condiciona a lei, é para isso que existe, para definir princípios universais que devem se consagrados na lei e impor-lhe limites inconstitucionais.
Ao condicionar esta norma constitucional à lei, o PSD produziu uma aberração cheia de som e fúria mas significando nada.
Se a lei ocasionalmente disser que não se pode despedir em caso algum, ninguém é despedido, se, pelo contrário disser que se pode despedir quem tem olhos castanhos, isso passa a ser uma razão atendível.
A norma constitucional não serve absolutamente para nada.

2010-09-10

A estranha proposta de queimar o Alcorão

A proposta desmiolada do Pastor Terry Russel de efectuar uma queima pública do Alcorão para comemorar o 11 de Setembro, sugere-me a mesma observação que ouvi atribuída a Tony Blair:
“Em vez de o queimar fariam talvez melhor que tentassem, pelo menos, lê-lo”

2010-09-09

A propósito da política xenófoba de França

Para os Portugueses que estão integrados, como terão aprendido na escola, no mais antigo Estado da Europa, em condições históricas quase únicas para terem ainda algum sentido de pertença, podem não sentir este texto da mesma forma que os franceses, embora este seja um texto muito lúcido e que toca exactamente no âmago da questão.

O rebentar de uma explosão de riso seria a resposta adequada a todas as graves «questões» que a actualidade tanto gosta de levantar. A começar pela mais repisada de todas: a «questão da imigração», que não existe. Quem é que ainda cresce no mesmo sítio onde nasceu? Quem é que vive no mesmo sítio onde cresceu? Quem é que trabalha no mesmo sítio onde vive? Quem é que vive no mesmo sítio onde os seus antepassados viveram? E as crianças desta época são filhas de quem, da televisão ou dos pais? A verdade é que fomos, em massa, arrancados a toda e qualquer pertença, já não somos de lado nenhum, e que daí resulta, a par de uma inédita propensão para o turismo, um inegável sofrimento. A nossa história é a das colonizações, das migrações, das guerras, dos exílios, da destruição de qualquer enraizamento. Foi a história de tudo isso que fez de nós estrangeiros neste mundo, convidados na nossa própria família. Fomos expropriados da nossa língua pelo ensino, das nossas canções pelos espectáculos de variedades, da nossa carne pela pornografia de massa, da nossa cidade pela polícia, dos nossos amigos pelo trabalho assalariado. A isto junta-se, em França, o trabalho feroz e secular de individualização levado a cabo por um poder de Estado que regista, compara, disciplina e separa os seus cidadãos desde a mais tenra idade, que tritura instintivamente as solidariedades que lhe escapam, de modo a que não reste nada senão a cidadania, a pura pertença — fantasmática — à República. O francês, mais do que qualquer outra coisa, é o espoliado, o miserável. O ódio que tem ao estrangeiro funde-se com o ódio a si próprio enquanto estrangeiro. O misto de inveja e terror que sente em relação às «cités» revela apenas o seu ressentimento por tudo o que perdeu. Não consegue evitar invejar esses bairros ditos «problemáticos» onde ainda persiste um pouco de vida comum, alguns laços entre as pessoas, algumas solidariedades não-estatais, uma economia informal, uma organização que ainda não se separou daqueles que se organizam. Chegámos a um ponto tal de privação que a única maneira de nos sentirmos franceses é barafustarmos contra os imigrantes, contra aqueles que são mais visivelmente estrangeiros como eu. Os imigrantes ocupam neste país uma curiosa posição de soberania: se eles cá não estivessem, os franceses talvez já não existissem.


L`insurrection que vienne – Comité Invisible

Livro, excelente, publicado em França em 2007, foi agora traduzido e editado em português pelas “Edições Antipáticas”.
O texto global pode e deve ser descarregado em PDF
aqui, site onde pode ainda descarregar outras pérolas filosófico-literárias.

2010-09-08

Bom dia

Hoje ouvi nas notícias que o INE tinha revisto em alta o crescimento desta nossa nação.
O crescimento homólogo não é de 1,4% como atrás parecem ter dito, mas antes
1, 5% .
Ficámos todos muito felizes.

O trágico acidente de viação entre Ceuta e Tetuão.

Hoje, nas notícias, ouvi um, parece que Secretário de Estado, que tem alguma coisa a ver com este tipo de acidentes, que o acidente ocorreu entre Ceuta e uma cidade que se designa “Tetouan” ou talvez “Tetuan”.
Na altura chamou-me a atenção uso desse termo: “que se designa por …”.
Será que se fosse Paris ele diria: “uma cidade que se designa por Paris”?
Mas Tetuão, como praticamente todas as cidades marroquinas, são-nos familiares, há séculos.
Eu, em miúdo, fui obrigado a decorar a cantilena das praças portuguesas em Marrocos das quais só permaneceram no meu consciente “Arzila” e “Marzagão”, mas que em Marrocos os próprios marroquinos me fizeram recordar com orgulho e escrevem nas suas ruas a toponímia portuguesa.
Algumas até têm, mesmo hoje designações portuguesas que os marroquinos conservam com orgulho e respeito como “Mogador” que é afinal, em Árabe, Essaouíra, na transliteração francesa ou Essauíra, na transliteração portuguesa e que os portugueses, infelizmente, vão esquecendo.

O caso Carlos Queirós

Só tenho duas palavras: “Uma vergonha!”.

2010-09-04

A sentença do Processo Casa Pia

Ludwig Vittgenstein, terá dito que “não há verdade nem mentira, apenas certeza e dúvida”.
A sensação que tenho relativa à sentença sobre o Processo Casa Pia é que ela traduz a certeza de muitos, a dúvida de muitos outros mas a verdade de ninguém.

2010-08-25

David e Golias

Os únicos combates que me interessam hoje são os combates entre David e Golias onde Golias ganha quase sempre.
Mas há vezes raras em que os deuses no Olimpo se conjugam para que David ganhe e são esses os momentos raros e únicos que valem e fazem suportar a permanente desilusão.
Ontem foi assim com o Braga: David bateu Golias.
Foi um momento raríssimo e, como tal, todos os adeptos exultaram, “fizemos o quase impossível!”.
Quem não gosta destes momentos raros é o sistema, a polícia, a ordem, que não suporta a felicidade dos outros.
Por um acaso, assisti em directo à chegada ao Porto da equipa do Braga, perto das 2 horas da matina. Foi um momento em que a felicidade de todos transbordava.
Só a polícia destoava, batia e punia o mínimo “excesso”, estragava a festa.
Hoje, nas notícias punha a capa de santa e dizia, “ninguém ficou detido”.
Eu digo “è mentira, ficou detido e maltratado um adepto do Braga, que eu vi, detido no pior momento, num momento em que estava eufórico de alegria, detido por quase toda a vida, portanto”.

2010-08-10

Ser único

Um dos valores que a sociedade global valoriza e procura é precisamente aquela que parece tornar-se escassa: a qualidade da diferença, da unicidade.
Por isso se festejam os campeões, os primeiros a fazer algo, os que se inscrevem no “Guiness Book of Records”.
Todavia e felizmente ainda é essa unicidade que caracteriza cada um de nós.
Todos os dias somos únicos e primeiros a fazer alguma coisa.
Cada dia vejo e oiço coisas que só eu vejo e oiço, e que mais ninguém vê e ouve. Cada dia tenho pensamentos únicos, só meus, e que a mais ninguém são sugeridos. Cada dia sou um campeão de mim mesmo.
Só me falta o espectáculo global e o reconhecimento público, é verdade.
Mas. para mim, é precisamente isso que me torna mais único e diferente.
Esta reflexão foi-me sugerida pela notícia de alguém do mundo global (não retive o nome, no mundo global todas as proezas também são efémeras) que desceu a pé o rio amazonas da Venezuela até à foz, no Brasil. Na notícia diziam que foi sempre acompanhado e muito ajudado por um guia local e que sem ele, o tal guia, a proeza não seria conseguida.
Todavia, esse guia que possivelmente já fez essa proeza várias vezes e que provavelmente ganha a vida acompanhando cidadãos do mundo global nessas viagens, não teve o nome inscrito nesta história e apenas se viu o seu rosto, por detrás da imagem do “herói” global na entrevista final da sua apoteose.

2010-08-09

Afinal não são só os “bárbaros”

Há dias ouvi a notícia de que a Arábia Saudita tinha proibido os telemóveis “Blackberry” no país.
Hoje, de manhã, ouvi a notícia de que a Alemanha tinha proibido os telemóveis “Blackberry” na administração pública alemã.
Que raio terão aqueles telefones que começam a assustar governos ?

2010-08-08

Não há Rosa como ela

Há dias acordei ouvindo esta canção de João Gil na telefonia e passei todo o dia bem-disposto.
Tem toda a simplicidade profunda da poesia popular.

2010-07-29

A importância estratégica

Agora já sabemos qual era a importância estratégica fundamental para o país, que Sócrates referiu para usar a sua polémica “golden share” na PT.
Valia precisamente 350 000 Euros!

2010-07-25

O mercado divino

Harvey Cox é um professor de religião, de Harvard, agora aposentado.
Como ele próprio refere, foi com surpresa que ao se dedicar a analisar o mundo da finança e da economia “the real world”, o mundo real, como lhe diziam, não encontrou mais do que uma variante do seu mundo habitual de especialidade, as religiões.
E aí detectou o “deus mercado”, com todos os atributos dos outros deuses: a omnipresença, a omnisciência e a omnipotência, os seus sacerdotes, os seus locais de culto, os seus milagres e as suas punições.
Está tudo neste artigo, em Inglês, que não tive pachorra para traduzir, embora valha a pena ler.
É uma artigo pleno de sabedoria e de clarividência.
A quem domine minimamente o inglês, recomendo a sua leitura vivamente

2010-07-14

O que é que o episódio de Alexandre Magno e do nó Górdio, poderá ter a ver com Sócrates e a golden share na PT (explicado às crianças).

PARTE IV e última
Pois é não foi amanhã como prometi no último episódio mas foi depois de amanhã.
Mas vamos ao que interessa:
Como vimos o Estado tem a seu cargo os chamados serviços essenciais, aqueles que não podem falhar sem grande dano para os cidadãos, como a recolha do lixo, de que já falei, mas também a distribuição de energia e de água, por exemplo, e isto para que se não caia no risco de em mãos privadas eles falharem em qualquer ponto simplesmente porque não dão lucro.
Estes serviços ,contudo, são provisionados pelo mercado, eu pago a electricidade e a água que consumo e como são produtos essenciais têm venda praticamente garantida e todos os privados querem negócios destes.
O Estado, por outro lado, dá-lhe jeito vender estes serviços, porque arrecada mais algum dinheiro e não tem o trabalho nem os custos para os manter.
Assim tudo se conjuga para que o Estado venda essas empresas aos privados, só que há um problema, é que quando vende já não é dele e assim não pode mandar.
Mas como o Estado é engenhoso inventou um processo.
Perguntou, não posso mandar porquê? Se eu não mandar os malandros dos privados ainda lhes vão faltar posso criar uma figura chamada “golden share” “acções douradas”.
A Opinião pública, os cidadãos, percebem isto, faltar a luz e a água é que não, pois que seja que o Estado a continuar a mandar.
Com a opinião pública favorável, os privados pensam assim: “que seja, já que os lucros continuam nossos”, se houver algum problema logo vemos.
E a tal “Golden Share” é criada e diz mais ou menos isto, o Estado não põe dinheiro nesta empresa mas pode mandar nela sempre que seja preciso.
O que é normal é que sejam os donos a mandar, mas o Estado entende que isso não está escrito em lado nenhum e manda a espadeirada como Alexandre Magno madou no nó górdio.
E tal como para o Alexandre resultou, foi assim que o Estado português mandou na PT mesmo que da PT só tenha um bocadinho equivalente às torneiras do lavatório.
Como já disse, na história do Alexandre Magno não apareceu nenhum juiz a acusá-lo de batota, mas no caso português já apareceu um Juiz da União Europeia a dizer isso mesmo.
Mas como diz o povo: “enquanto o pau vai e vem, folgam as costas” e estas pauladas vão ser a rítmo de caracol e no fim, mesmo que tudo corra mal, logo se inventa outra solução.
Para inventar os seres humanos são especialistas, essa é que é essa.

2010-07-12

O que é que o episódio de Alexandre Magno e do nó Górdio, poderá ter a ver com Sócrates e a golden share na PT (explicado às crianças).

PARTE III
Meus amigos, deixemos a Frígia, há muito, muito tempo.
Abram as vossas asas, liguem os vossos reactores de imaginação e voem pelo espaço e pelo tempo até um cantinho no Ocidente da Europa, chamado Portugal, e posem no ano de 2010.
O que se vê e se vive é a chamada civilização.
Como sempre, nos locais civilizados, existe um Estado, com o seu governo e com todo um aparelho de administração, de serviços públicos e de polícia e existe um mundo, dito privado, de lojas, de fábricas, de escritórios, que também nos prestam serviços e nos vendem coisas.
Como sempre, é o dinheiro que domina tudo e que tudo permite mas também que tudo nos impede, o dinheiro é como se fosse o sangue da sociedade.
E isto é válido tanto para o Estado como para o mundo privado, mas há uma súbtil diferença, o mundo privado pretende sempre ganhar mais e mais dinheiro é só para isso que trabalha. O Estado é mais movido pelo poder, pela possibilidade de mandar, embora que sem dinheiro também não mande nada.
Outra diferença é como o mundo privado e o Estado ganham o seu dinheiro.
O mundo privado recebe-o de nós directamente sempre que nos vende alguma coisa ou no faz qualquer serviço. É provisionado pelo mercado, como dizem os especialistas que sabem destas coisas de dinheiro.
O Estado vai-nos fornecendo serviços e coisas gratuitas, como as ruas e os jardins e os parques infantis que faz, a escola e os hospitais para quando estamos doentes , e cobra tudo por junto através dos chamados impostos que, como o nome já diz, são mesmo impostos, à força, vêm do seu poder, do tal poder do Estado. Os especialistas chamam a esta maneira de cobrar dinheiro, provisão pública.
Isto foi assim pensado no princípio da civilização e tinha uma razão de ser, como os privados só pensam em ganhar dinheiro, por exemplo, podiam não estar para vir buscar o meu lixo, por ser muito longe para eles e eu não ter dinheiro para pagar todos os custos que teriam para o fazer, esse tipo de serviços essenciais, como a recolha do lixo, é, então, geralmente feito pelo Estado, que apenas cobra por grosso e de forma proporcional ao rendimento dos cidadãos (pelo menos teoricamente) permite fazer tudo por todos independentemente das condições de cada um.
Estas eram contudo regras não escritas e, como Alexadre Magno ao partir a corda do nó górdio, com a sua espada,porque ninguém lhe disse que assim era batota (lembram-se dele), muitos começaram a usar as falhas das regras para seu proveito, como se vai ver.
Hoje, à medida que a civilização evoluiu as coisa começaram a ser mais complicadas e misturadas, muitos privados começaram a usar provisão pública para ganharem o seu dinheiro, é o caso, por exemplo, da internet e da TV por cabo que eu pago todos os meses independentemente de usar a internet ou ver a TV muito pouco ou nada. Por outro lado o Estado começou a usar a provisão pelo mercado para ganhar o seu dinheiro, como, por exemplo nas portagens da auto-estrada e nas chamadas taxas moderadoras dos hospitais.
Hoje já é normal para o estado usar expressões tipo “utilizador pagador” e coisas semelhantes que lhe permite arrecadar dinheiro de forma mais expedita e isto para além dos impostos, é claro, porque esses nunca acabam, o nó górdio foi quebrado à espadeirada.
Por agora fico por aqui, amanhã lá chegarei à “golden share”, espero.

2010-07-11

O que é que o episódio de Alexandre Magno e do nó Górdio, poderá ter a ver com Sócrates e a golden share na PT (explicado às crianças).

PARTE II
Ainda se lembram da história que eu contei ontem?
Essa história, como todas as outras histórias antigas e que persistem até hoje na memória de muita gente, assim como muitas histórias infantis, como a do capuchinho vermelho e a da branca de neve, procuram dar-nos ensinamentos, têm geralmente aquilo a que se chama uma mensagem semi-oculta que temos de descobrir e que cada um vai descobrindo à sua maneira, têm aquilo a que se costuma chamar uma moral.
Vejamos a moral desta história.
Toda a gente pensava, naturalmente, que o difícil seria desatar aquele nó, com as mãos, com muita habilidade, compreendendo como a corda se entrelaçava e desfazendo esse entrelace.
Mas isso não estava explícito em regra nenhuma, porque não precisava estar, toda a gente entendia que teria que ser assim.
Mas para isso já havia 500 anos de pessoas a tentar e o certo é que ninguém tinha ainda conseguido.
Aliás é por essa razão que se dá hoje o nome de” nó górdio” a qualquer problema que ninguém consegue resolver.
Alexandre Magno, que já sabia isso tudo e sabia também que certamente, como todos os outros, também não conseguiria desatar o nó, mas que sentia também que era muito importante para ele porque lhe daria muito poder e que ninguém lhe tinha imposto regras e que a sua espada cortaria toda a corda com facilidade, escolheu esse caminho mais fácil, o único ao seu alcance.
Hoje, nessa história, admiramos Alexandre Magno que assim conseguiu o que queria e que aproveitou uma falha do sistema, tirando partido dela.
Na história, poderia ter aparecido um qualquer mago ou juiz que dissesse a Alexandre que o que ele fez foi batota e lhe tirasse o reino, mas de facto não apareceu e a moral da história ficou, mais ou menos, assim: que é justo usarmos toda a nossa habilidade e também a esperteza para conseguirmos vencer os obstáculos que nos são colocados.
Essa moral tem orientado, até hoje, muita gente no mundo em situaçõe reais.
Poderia talvez formular-se assim: se o objectivo é muito importante todos os meios, que ninguém ponha em causa com sussesso,poderão e deverão ser usados.
Os exemplos são muitíssimos no desporto, na guerra, na economia e nas finanças mas perderia muito tempo a apresentá-los aqui, neste momento.
Continuarei então amanhã.

2010-07-10

O que é que o episódio de Alexandre Magno e do nó Górdio, poderá ter a ver com Sócrates e a golden share na PT (explicado às crianças).

PARTE I
Amiguinhos, começo por uma história antiga.
Conta-se que há muitos, muitos anos na Frígia havia um rei que estando a morrer sem ter deixado sucessor, anunciou que o próximo rei chegaria num carro de bois.
Certo dia chegou à Frígia um camponês, chamado Górdio, num carro de bois, tal como dizia a a professia e que assim conseguiu herdar o trono.
Górdio foi então Rei e como foi o facto de ter chegado nesse carro de bois que lhe deu o reinado, resolveu atar esse carro, com umas cordas, tão apertado e tão bem feito, “não fosse o diabo tecê-las”, que ninguém conseguia desatar.
Muitos tentaram, tanto mais que se começou a dizer que quem desatasse esse nó viria a ser o novo rei.
E, durante 500 anos, ninguém conseguiu desatar o tal nó Górdio (ou o nó do Górdio, mais propriamente).
Como a Frígia viveu sem rei todos estes anos, não me perguntem, porque a história não reza, mas presumo que viveram muito bem e felizes.
Mas certo dia chegou Alexadre Magno ou o Grande, que é o que “magno” também quer dizer.
Alexandre Magno era um pouco o que agora chamamos: chico esperto, não queria saber de regras, como muitos de vocês amiguinhos, mais a mais não havia normas escritas,”desatar o nó o que é? É soltar o carro evidentemente, com um golpe de espada parto estas cordas todas e pronto”.
E assim fez, cortou as cordas com a sua espada e ficou Rei.
Esta história ficou desde aí, até à memória de hoje como um hino à “chico espertice”Alexandre Magno foi Rei da Frígia e de grande parte da Ásia Menor (esta parte já não é estória, é mesmo história).

2010-07-07

Notícias

Ontem e ainda hoje, um pouco, os media ocuparam vários minutos dos telejornais para nos dizer e demonstrar com factos e entrevistas que está muito calor, que a proximidade à água ajuda, que temos de beber muito, àgua, de preferência, mas umas minis também têm muita àgua e também podem ajudar.
O ar condicionado sabe bem mas os táxi não têm porque sai muito caro e sem aumentar as tarifas, não dá.
Ficámos todos muito informados e esclarecidos.
Como viveríamos sem esta maravilha da tecnologia.
Ainda morríamos para aí de calor sem mesmo darmos por isso.

2010-07-01

As SCUT

Sempre me intrigou esta expressão.
Não que eu não ouvisse a interpretação, para os media sempre foi simples: “Sem custos para o utilizador”.
Eu pensava: “O S dá para sem, o C, dá para custos, mesmo o U sugere utilizador mas onde estará o P para para e aquele T o que quererá dizer ?
Fui consultar o “site” do ciberdúvidas e lá estava, a propósito do plural, SCUT é um acrónimo que significa “Sem custos para o utilizador”, não tem plural com s, naturalmente, uma SCUT, duas SCUT.
A dúvida persistiu, será que o T é a segunda letra de utilizador?
Consulto “acrónimo”e leio textualmente: “significa o seguinte: palavra formada pelas letras iniciais de várias outras palavras que constituem uma denominação e que se pronuncia como uma palavra normal.”
Formada por iniciais, dizia o meu velho e excelente mestre: José Neves Henriques, que acrescenta, como é seu apanágio, a explicação etimológica, vem do Grego “akron” que significa “extremidade.
O T das SCUT persiste misterioso, não é extremidade de nada.
Agora, com a nova política de Sócrates, começo a perceber.
SCUT deve ser mesmo: “Sem Custos, Uma Treta.”
Fiquei confortado por ter finalmente uma luz de compreenção.

2010-06-27

Catchup e Catch up

Tendo-me sido levantadas dúvidas sobre a expressão utilizada entre aspas, na crónica abaixo esclareço o seguinte:
Ketchup, é uma receita tradicional malaia, cujas diversas imitações industriais são designadas em Inglês pelas transliterações KETCHUP ou CATCHUP.
Catch up, como eu escrevi, é uma expressão coloquial da língua inglesa com o significado de “despacha-te; aproxima-te; chega até nós” dita a alguém que se atrasa.
É desta semelhança fónica que provem o humor de uma significativa anedota contada numa cena do filme “Pulp Fiction” que passo a recordar a quem viu o filme:
Dois tomates caminhavam na rua mas um foi espezinhado. O que passou volta-se para o primeiro e diz “Catch up”.
O que ao ouvido tanto significa “despacha-te” como “ficaste reduzido a Catchup”, ambos os significados apropriados àquela situação tão insólita.
Infelizmente, por uma pequena sondagem que fiz, já quase ninguém se lembra da anedota tendo eu, aparentemente, falhado o efeito que queria obter ao usar a mesma expressão, referindo-me ao ketchup a que Cristiano Ronaldo assimilou os golos que marcaria e, simultaneamente desejando que ele se despache a metê-los.
De preferência já contra a Espanha

2010-06-21

A Coreia do nosso contentamento

De frágil e timorato que Portugal tem sido, desde a fase de apuramento para esta fase final do Campeonato do Mundo de Futebol, até ao primeiro jogo desta fase, contra a Costa do Marfim, algo parece ter mudado hoje.
7-0 à Coreia, é obra notável e fez renascer alguma esperança no coração dos portugueses.
Tudo correu bem desde a invulgar hora do jogo que permitiu aos portugueses associarem dois dos seus maiores prazeres, o almoço e o futebol.
Ao fim da sopa um golito a prometer uma boa digestão, depois entre as dentadas no bacalhau, seguem mais quatro fazendo com que tudo soubesse melhor, por fim, com a bica e o bagaço, lá vêm mais dois, um dos quais que permitiu a Ronaldo abrir o “Catch up” sem contudo ter tido já tempo de estragar o bacalhau com aquele gosto “Yanky” homogeneizador.
Foi tudo perfeito, num dos fora, desta tarde, alguns participantes referiram: foi o melhor almoço da minha vida.
Também acho.

2010-06-20

Porque será?

Que alguns portugueses vivem em Londres e não em London, enquanto, para a generalidade dos jornalistas Saramago vivia em Lanzarote e não em Lançarote.

2010-06-15

O que me irrita mais na Vuvuzela é não conseguir comprar uma

A Vuvuzela é um instrumento irritante, emite urros de elefante que fazem bulir qualquer nervo ancestral da nossa estrutura nervosa que nos irrita, pelo menos à maioria de nós, como as notícias e muitos blogues têm reportado.
Mas esse condão de causar irritação também tem o seu valor: afecta a moral dos adversários, tem o valor artístico de despertar emoções.
Daí que eu queria ter uma para utilizar em momentos especiais.
Engano meu, apesar da vastíssima publicidade, já a procurei em variedíssimos postos da GALP e nada, não há, havia sempre muitas ontém mas hoje nunca há.

2010-06-11

Inversão de papéis

Nestes dias passeei acompanhado de dois dos meus netos.
Nem tudo foi rosas, quando estava com os meus amigos, era frequente algum ou os dois, nos interromperem constantemente com as suas frivolidades.
Hoje vi na TV a situação inversa, num grande encontro promovido pela “LEGO”, algumas crianças estavam concentradas nas sua criações, enquanto os jornalistas os importunavam com perguntas idiotas e infantilizadas, do tipo “achas que tens peças suficientes?”, a que eles iam tentando responder com o mesmo enfado que eu sentia quando os meus netos me interrompiam.
É a TV que vamos tendo, a um nível mental que também não deixou ainda a infância.