2009-01-26

Nós e a Lei

Na Estrada Nacional 10 a que vai de Almada até Setúbal e que já existia antes de haver auto-estrada, a meio deste percurso, passa ao lado da nova cidade, feita pelo povo, a Quinta do Conde; por si só um caso notável para a reflexão entre o “urbanismo planeado”, agora corrente, e “Urbanismo espontâneo”, há séculos corrente.
Na entrada da Quinta do Conde havia um cruzamento com semáforos, depois uma rotunda mas com a pujança do crescimento espontâneo transformou-se num ponto de entrave à progressão. Há muita confluência de trânsito ali.
Tanta, que as autoridades resolveram fazer qualquer coisa, não sei bem o quê, mas até saber lá estão as obras e a sua respectiva confusão.
Agora não se pode entrar nesse ponto para ir para a Quinta do Conde, a entrada está vedada com blocos mas, no sentido oposto, para aceder à Macro a diversos outros centros de comércio e à auto-estrada e diversas vias rápidas sim, pode-se mas só a quem vem do Sul, para os outros que vêm do Norte têm que passar adiante e voltar atrás mais à frente para virem de Sul.
Entretanto ontem ao vir de Sul para Norte, confronto-me com os velhos traços pintados no chão no tempo da rotunda, quando activa. Por momentos hesitei mas logo percebi que tinha que pisar os velhos traços contínuos ou não poderia prosseguir na minha rota para a frente, como aliás toda a gente fazia.
Hoje vou em sentido contrário e querendo então virar para a esquerda, vejo, de facto um traço contínuo a impedir-me mas face à situação das obras pensei que seriam também restos do antigamente, se não, como fazer? Virei e com tanta confiança o fiz, que o próximo carro que vinha em sentido contrário era um da brigada de trânsito, bem identificado e que não me atemorizou, tão certo estava da minha razão.
Pois esse mesmo carro veio atrás de mim, mandou-me parar e questionou-me pelo meu acto.
“Se sabia para que eram os traços contínuos”, perguntou-me e disse-lhe que sim. “Se tinha a carta”, também lhe disse que sim. “ Porque virei então?”, só lhe disse que para mim aquelas obras estavam muito confusas. Como é que se conta ao polícia todos os meandros do processamento do meu cérebro? E como é que se explicam as contradições da lei?
Felizmente o polícia deixou-me ir em paz.

2 comentários:

Fábio disse...

É com alegria que vejo esboçada no seu blog o nome da terra onde resido desde que me lembro de mim próprio. As obras essas tenho que lhe dar toda a razão porque são o pânico total, e muito mais para quem não reside nestas imediações. A verdade é que todas estas obras vão dar lugar a uma passagem desnivelada que como dizem "vai ajudar em muito o trânsito", ora isso a ver vamos o que é certo é que antes de existir este caos retiraram os sinais luminosos e fizeram uma rotunda com grandes blocos de cimento, e a verdade é que tudo funcionou ás mil maravilhas, pois não havia trânsito com filas enormes na avenida principal da quinta do conde e também da recta que vem do sentido da makro e da entrada da autoestrada. A ver vamos se esta pasagem desnivelada vem (ou não) trazer melhor condições a um dos maiores locais de afluência de trânsito da margem sul.

Pianoman disse...

Se for realmente assim (e acredito que seja), creio que uma passagem desnivelada virá resolver o fluir do trânsito naquele actual cruzamento/rotunda. Como o amigo Fábio disse, sempre foi um local complicado, principalmente nas horas de ponta.

Já agora, parabéns pelo blogue, que sigo com frequência desde há alguns tempos.