2008-03-27

Dá-me o telemóvel já !

Este episódio, insólito e caricato, que se passou numa escola do Porto e que fez correr rios de tinta esta semana, fez-me reflectir sobre um fenómeno corrente, talvez fruto da globalização que consiste na perda sucessiva do conhecimento ou do respeito por regras não escritas que desde sempre têm regulado a convivência entre pessoas na sociedade.
Dou um exemplo:
Desde pequeno que interiorizei um procedimento que, julgo, não estava escrito em lado nenhum mas que via ser reconhecido por todos e que consistia em, numa escada ou tapete rolante, manter-se à direita quem apenas queria ser transportadas pela máquina e, querendo caminhar fazê-lo sempre pelo lado esquerdo.
Este procedimento dava imenso jeito porque permitia respeitar os desejos de todos sem prejudicar ninguém.
Curiosamente agora, que o uso das escadas e dos tapetes rolantes é muito mais comum do que no meu tempo de juventude, precisamente quando essa regra faz mais falta, o que vemos é que muitíssimas pessoas não a conhecem ou conhecendo-a não a praticam e lá temos que nos submeter à vontade de quem vai à nossa frente, seja à direita, à esquerda ou no meio, ou fazer um percurso em ziguezague cheio de encontrões e “com licenças”.
Estas regras fazem portanto falta e se não são ensinadas em casa deveriam sê-lo, talvez na escola, ou ser fruto de uma auto-aprendizagem, cada vez mais difícil precisamente na medida em que é menos utilizada.
Também, um aluno de 15 anos, tratar por tu a professora não me parece aceitável e estará mesmo na base de comportamentos que hoje se estão a tornar muito vulgares e tornam a vida mais difícil.
A este propósito recordo o que se passou há anos, por altura do escândalo que envolveu Bill Clinton e a estagiária Mónica Lowinsky. Nesse tempo, tentando cavalgar nessa onda mediática, um jornalista confrontou Nelson Mandela com os rumores da sua ligação à viúva de Samora Machel.
Mandela replicou assim: “isso são perguntas que um jovem da sua idade não faz a pessoas da minha idade!” com esta resposta, invocando uma mera questão de educação, Nelson Mandela conseguiu encerrar logo ali o assunto, embora julgue que apenas o fez porque estava na África do Sul, julgo que esse tipo de argumentação não teria qualquer sucesso nos EUA com Clinton.

2 comentários:

Eduardo Jordão disse...

Felizmente já algumas escadas e tapetes rolantes têm esse procedimento indicado por um sinal de informação na parte inferior do tapete ou escada.

Joana disse...

e em Londres está escrito "keep right" em todo o lado...