2008-01-21

A semiótica dos dísticos da Lei 37/2007


Uma situação insólita que merece ser estudada a vários níveis é a dos dísticos (Anexo I da Lei 37/2007) obrigatórios para assinalar os locais onde se pode e onde não se pode fumar, sobretudo o referente à proibição.
Há tempos que é comum uma simbologia própria dirigida aos actos de fumar e de não fumar:
Para o caso da proibição de fumar consiste numa representação gráfica de um cigarro aceso atravessada por um traço ou uma cruz, que na nossa cultura sugere negação ou então sem esse traço ou cruz para os casos em que fumar é autorizado.
Por vezes ainda se reforça essa ideia introduzindo a cor vermelha, que na nossa cultura sugere proibição, isto, nos casos em que fumar é proibido e deixando uma cor neutra para o caso em que é permitido.
Também é vulgar a inserção do sígno de proibição de fumar num circulo debruado a vermelho sugerindo a analogia aos sinais de trânsito de proibição.
Para se ser mais claro por vezes ainda se é mais explícito escrevendo um texto explicativo: qualquer coisa como “proibido fumar” nos sinais que indicam proibição ou contrariamente “permitido fumar”, “zona de fumo” ou outra expressão análoga para identificar locais onde fumar é permitido.
A Lei 37/2007 contudo não se satisfez com esta sinalética já consagrada e inequívoca, resolveu exigir algo novo e confuso, como de resto parece ser toda a lei.
Nos casos da proibição lá foi buscar o cigarro com a cruz, lá foi buscar o vermelho da proibição mas, o que é que resolveu lá escrever ? que é proíbido fumar ? zona, área ou estabelecimento onde não se pode fumar ? qualquer coisa que explicitasse que ali não se pode fumar ? não, espanto dos espantos, resolveu escrever “Não fumadores; no smokers; non fumeurs” dirigindo a sua mensagem não para o acto ilícito mas para as pessoas em si, induzindo a ideia que a questão não está em fumar ou não fumar mas em ser ou não ser fumador. O mal não é o acto o mal é a própria pessoa e, naquele ambiente vermelho proibitivo, só uma mensagem me ocorre ao espírito; ali não podem estar não fumadores, no smokers e non fumeurs ou seja que apenas poderão lá estar fumadores mas que no entanto não poderão fumar porque também lá está o cigarro com a cruzinha.
Ou será que a mensagem é: "aqui os não fumadores não podem fumar", sugerindo que desde que se seja fumador se poderá fumar à vontade !
Ou, pelo contrário quererá dizer que só os não fumadores podem lá estar e nunca um fumador, ainda que não fume !
Quem raio serão aqueles “não fumadores, no smokers, non fumeurs” ?
Uma coisa é certa, quem concebeu esta sinalética percebe muito pouco de semiótica ou tem algum transtorno mental que o fez confundir a luta anti tabágica com a luta anti fumadores.


16 comentários:

Anónimo disse...

Segundo a minha leitura quer apenas dizer:
Aqui fumadores e nao fumadores "sao", "estao" ou "comportam-se como" nao fumadores.
Nao me parece muito complexo.
Nao e utilizado qualquer verbo, como ser ou estar, portanto clarissimo.

Nuno Jordão disse...

É uma leitura legítima caro anónimo.
A questão porém, para mim, coloca-se noutro nível,eu mesmo quando não fumo não me comporto como não fumador, comporto-me sempre como um fumador que não está a fumar (talvez só um fumador possa perceber isto).
É também evidente que todos dispomos de mais informação que nos permite saber qual o comportamento que o signo pretende comunicar, mas analisando-o de forma isolada, não me restam dúvidas que a sua mensagem é dúbia e que portanto, técnicamente, não é um bom signo, quando existem diversos tecnicamente mais bem concebidos para o mesmo efeito.
Para quê então complicar coisas simples ?
É a minha questão.

Raquel disse...

Tens toda a razão, Nuno, quem lê aquele aviso só pode achar que os fumadores, como tu, eu e tantos outros, não podem entrar nos locais que têm este sinal à porta.

Eu, em teoria e baseando-me no silnal, não posso entrar no bar da Faculdade e nem mesmo na própria Faculdade.

O legislador de facto não percebe nada de semiótica, de semântica, nem de morfologia pois não parece perceber a diferença entre um verbo (acção) e um nome (neste caso, o indivíduo)

Anónimo disse...

Talvez seja de facto so uma questao que os fumadores compreendam.
Creio que o Sr is (verbo ser) um homem. is (verbo ser) pai e avo. Esses estados da sua existencia nao podem ser alterados e sao inerentes a sua existencia.
No entanto o sr is (verbo estar) um fumador. Portanto um estado nao inerente ao seu ser e transeunte.

mas tem razao, para que complicar aquilo que e simples.
Coloque-se apenas signos onde e permitido fumar.
Ficando assim o mundo livre de proibicoes e apenas permissoes.

Anónimo disse...

raquel
nao pode entrar na faculdade
antes podia??????
Desculpem o meu espanto e zanga, mas
ainda ha algum cidadao portugues que defenda

fumo nas creches, escolas, faculdades?
fumo nos hospitais, centros de saude...?
fumo nos elevadores, areas comuns de condominios, ...?

Eduardo disse...

Ninguém defende o fumo em lado nenhum. Os peçonhentos, como eu, o Nuno e a Raquel que se arranjem!Que neste mundo todos têm direitos iguais, pelo menos é a ideia que me querem vender à força.
"Todos os animais são iguais, mas alguns são mais iguais que outros" Parece-me óbvio. :)

Fábio Rosa disse...

Tema polémico como é certoe depois cada um puxa a brasa á sua sardinha como é custume mas vamos la clarificar, como o eduardo disse e bem, os peçonhentos que se arranjem até aqui certo, não fumar em escolas, hospitais, elevadores? certissimo! mas agora em cafés? aqui não concordo, pois a ultima palavra devia caber ao proprietario e não em normas de m2. é neste aspecto que aí sim é verdades que "alguns são mais iguais que outros", mas como e obvio,para nosso bem, pois o bem de um café com menos de 100 m2 nao sei se será igual ao de um de mais de 100m2 mas neste aspecto não sou engenheiro nem ambientalista, apenas um mero cidadão fumador que concorda com a lei... até certos pontos

Anónimo disse...

Ainda bem que e pacifica a questao dos elevadores, escolas, hospitais, faculdades, locais de trabalho, areas comuns de condominios...
quanto aos cafes, suponho que os fumadores acreditam que os nao fumadores so tem direito a um cafe, uma musica ao vivo, uns dedos de conversa se abdicarem da sua saude respiratoria.ok!!!!!!

Eduardo disse...

Uma coisa é certa, nunca nenhum anónimo tirou um curso numa Faculdade. Suponho que os não fumadores acreditam que os fumadores só têm direito a um café, uma música ao vivo, uns dedos de conversa se abdicarem da saúde respiratória dos outros, acontece que os fumadores não são criminosos, porque ao fumar, estão simplemente a efectuar um acto que não é proibido por lei, e a maior parte têm muito mais consciência social do que os anónimos. Ok!!!!!!

Anónimo disse...

eduardo
o meu nome e ana. tirei um e apenas um curso numa faculdade. Sou a anonima que se tem entretido a discutir a questao da nova lei 37/2007 aqui.
nao considero que uma pessoa por estar a fumar seja criminosa.
Nao considero que pessoas que fumam sejam "peconhentas".
Gostaria apenas de ter direito a ...
um abraco

Eduardo disse...

Então estamos todos de acordo, então. Claro que tem o direito, assim como os fumadores também o deveriam ter. Assim viveriamos em paz e alegria.

Shana disse...

Depois de tudo o que se tem dito sobre a proibição de fumar, creio que continuam todos a fazer ouvidos de mercador quanto à causa principal da proibição. Os não fumadores não sabem recorrer ao melhor argumento e os fumadores fogem dele como o diabo da cruz.

Ora vejamos! Vocês fumadores continuam a repisar o argumento de que têm os vossos direito e que têm o direito de se envenenarem e matarem como muito bem entenderem. Até aqui tudo bem! Acho até que o Governo deveria obrigar os fumadores a fumar uns 10 maços por dia e com uma concentração de nicotina, alcatrão, acetona e outros produtos químicos muito superior à actual. O que está em causa não é a vossa liberdade para fumar! Querem fumar, fumem! Rebentem com fumar! Fumem10 ou 20 maços por dia! Ninguém quer privá-los desse "prazer" de se envenenarem. Ninguém os quer privar dos cancros, dos AVC's, das bronquites e enfisemas, das doenças vasculares, das complicações maternas e fetais na gravidez, das úlcera do aparelho digestivo, das infecções respiratórias, e do extenso rol de malefícios que vocês estão dispostos a adquirir. O problema não é esse! O problema é vocês querem obrigar os não fumadores a inalarem o ar poluido, mal cheiroso e nojento, resultante do vosso vício. Esse é que é o problema!
Portanto não venham com esse argumento esfarrapado de que "Querem tirar-me a liberdade de fumar" ou ainda pior "Eu tenho os mesmos direitos que os não fumadores". Não, não têm! E não têm pela simples razão de que os não fumadores não vos prejudicam a saúde pelo facto de não fumarem, mas vocês prejudicam a saúde de toda a gente sempre que fumam em locais frequentados por outras pessoas.

Vocês têm uma arma que mata, o "cigarro" e todos sabemos que o manuseamento de uma arma é perigoso. Como tal, brinquem com a arma lá em casa, apontem-na à família, à esposa, ao marido, aos filhos (pobres crianças) à sogra, mas por favor não a apontem a mim nem àqueles que são contra o vício das drogas. Sim, porque fumar tabaco, marijuana ou haxixe, não é mais do que consumir drogas. Para além disso ainda existe uma outra desvantagem: é que os outros drogados, fazem-no normalmente em grupos e longe dos olhares alheios (logo, só se prejudicam a eles) mas vocês fazem-no no meio de toda a gente sem se importarem com as nefastas consequências do vosso desgraçado vício.

Não me venham pois com igualdade de direitos. Quem quer igualdade de direitos tem que aceitar igualdade de obrigações e é isso que vocês não querem aceitar: a obrigação de não prejudicarem a saúde dos outros!

Nuno Jordão disse...

Shana
Colocando o problema assim como é que eu posso discordar de si ?
As nossas atitudes são construídas sobre os nossos sistemas de valores e de crenças, e penso que a Shana e eu partilhamos grande parte dos valores, prezamos, julgo que igualmente, a vida, a saúde, a liberdade individual, o respeito pelos outros entre muitos outros, o que temos seguramente muito diferente é o nosso sistema de crenças.
Eu, de facto não creio que o fumo seja tão nocivo para a generalidade dos não fumadores, não mais, pelo contrário, muito menos do que os escapes de automóveis por exemplo.
Essa crença como todas é baseada nas informação que disponho e nas experiências que vivi, pode evoluir, a partir de novas informações e experiências mas não é de um dia para o outro, só pelo que leio nos media.
É evidente que se a minha crença a este respeito fosse igual à sua a minha posição sobre o assunto seria bem diferente.

Shana disse...

Nuno,

Sou "o" Shana e não "a" Shana mas isso pouco interesse tem para a discussão do tema. É apenas um a questão de nome ou pseudónimo!

Diz o Nuno "Eu, de facto não creio que o fumo seja tão nocivo para a generalidade dos não fumadores..." e termina dizendo "É evidente que se a minha crença a este respeito fosse igual à sua a minha posição sobre o assunto seria bem diferente".
Ora a questão não está na quantificação da nocividade do fumo do tabaco. A questão está em que o fumo do tabaco é nocivo. Até pode nem ser tão nocivo como dizem, mas é nocivo e bastava esse facto para que os fumadores não se sentissem no direito de incomodar os não fumadores com a poluição do seu vício.

Há coisas menos nocivas ou mesmo nada nocivas e que certamente o Nuno ou qualquer outra pessoa não aceitaria que lhe fizessem.
Vou contar-lhe um caso que presenciei no ano passado num restaurante na serra de Monchique.
Almoçávamos num dos típicos restaurante de montanha, com a sala apinhada de gente. Numa das mesas, com uns 5 ou 6 clientes, assim que acabaram de almoçar, toda a gente acendeu os cigarros e como a sala até é pequena, a fumarada começou a espalhar-se por todo o lado e quem estava mais perto dos fumadores começou a sentir-se incomodado com a atitude desrespeitosa e prepotente daqueles clientes.
Numa mesa ao lado, alguém pediu que deixassem de fumar porque estavam a incomodar toda a gente em redor e imediatamente se ouviram gargalhadas e comentários menos felizes por parte dos fumadores que teimaram em continuar a fumar, alguns deles alegando que o fumo não faziam mal a ninguém e que quem estivesse mal que se mudasse.
Acontece que um dos indivíduos que lhes tinha pedido para pararem de fumar se levantou da mesa, chegou ao pé dos fumadores virou o rabo para o centro do grupo de fumadores e largou ali um estrondoso peido (desculpem o termo) alegando de seguida que o seu peido não era certamente mais nocivo do que o fumo dos cigarros.
Claro que aquilo degenerou numa enorme discussão que só não chegou à violência física porque os donos do restaurante conseguiram com muito trabalho acalmar os ânimos.

Tudo isto para provar que muitas vezes, não é só a nocividade do tabaco, mas também a atitude de pouco respeito dos fumadores para com aqueles que têm todo o direito de não serem obrigado a ingerir o fumo dos cigarros que não querem fumar.

Anónimo disse...

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Anónimo disse...

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