2006-07-18

DESENVOLVIMENTO SUSTENTÁVEL

PEÇA EM 3 ACTOS

ACTO 1
Polónia, sala de aulas. Na mesa um professor, especialista internacional de desenvolvimento, acompanhado de uma jovem intérprete de francês para polaco. Na assistência 37 quadros médios polacos.
Professor - Le développement soutenible ....
Intérprete – roswój .. ah, ah (baixo para o Professor) Développent soutenible ? je ne connais pas...
Professor (baixo para a intérprete) – mais vous connaissez le verbe soutenir, non ?
Intérprete – Bien sure, mais développent soutenible je ne connais pas.

ACTO 2
Mesa de esplanada, o Professor e o seu colega francês, conversam tomando cervejas.
Professor – Mon interpretre ne connaissais pas le concept de développent soutenible.
Colega – mais bien sure, ça n`existe pas en français.
Professor – Mais il existe développement et le verbe soutenir, non ?
Colega – Oui mais il ne existe pas soutenible, c`est soutenable.
Professor – Ah, bon c`est développement soutenable, donc, je n`irais pas oublier.
Colega – Non, non, il y a développent et soutenable mais pas de développement soutenable, vos comprenez ? C´est développement durable.
Professor – Mais ça n´est pas la même chose, soutenable et durable.
(A conversa continua em volta destas noções de sustentável e durável e a sua adequação ao desenvolvimento)

ACTO 3
Quarto de hotel. O Professor, deitado na cama, continua a discorrer sobre o sustentável e o durável desprezando a “pobreza” da língua francesa.
Professor (pensando alto) – Sustentável pressupõe uma acção positiva para que se mantenha, durável pode ser qualquer coisa desde que aguente.
No entanto sustentou-se o Vale do Ave e tantos outros projectos de desenvolvimento que bem cedo chegaram ao seu fim, no fundo, no fundo, os franceses têm razão. o que é preciso é que seja durável, apenas, de qualquer forma.
Será ?
Nesse momento ocorreram-lhe as palavras de Pessoa no talvez melhor poema do mundo escrito no século XX: “Tabacaria”

...Mas o Dono da Tabacaria chegou à porta e ficou à porta.
Olho-o com o desconforto da cabeça mal voltada
E com o desconforto da alma mal-entendendo.
Ele morrerá e eu morrerei.
Ele deixará a tabuleta, eu deixarei os versos.
A certa altura morrerá a tabuleta também, os versos também.
Depois de certa altura morrerá a rua onde esteve a tabuleta,
E a língua em que foram escritos os versos.
Morrerá depois o planeta girante em que tudo isto se deu.
Em outros satélites de outros sistemas qualquer coisa como gente
Continuará fazendo coisas como versos e vivendo por baixo de coisas como tabuletas...”

2 comentários:

Anónimo disse...

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claudia disse...

Concordo com "anonimo" e agradeço suas historias :)