Tendo-me sido levantadas dúvidas sobre a expressão utilizada entre aspas, na crónica abaixo esclareço o seguinte:
Ketchup, é uma receita tradicional malaia, cujas diversas imitações industriais são designadas em Inglês pelas transliterações KETCHUP ou CATCHUP.
Catch up, como eu escrevi, é uma expressão coloquial da língua inglesa com o significado de “despacha-te; aproxima-te; chega até nós” dita a alguém que se atrasa.
É desta semelhança fónica que provem o humor de uma significativa anedota contada numa cena do filme “Pulp Fiction” que passo a recordar a quem viu o filme:
Dois tomates caminhavam na rua mas um foi espezinhado. O que passou volta-se para o primeiro e diz “Catch up”.
O que ao ouvido tanto significa “despacha-te” como “ficaste reduzido a Catchup”, ambos os significados apropriados àquela situação tão insólita.
Infelizmente, por uma pequena sondagem que fiz, já quase ninguém se lembra da anedota tendo eu, aparentemente, falhado o efeito que queria obter ao usar a mesma expressão, referindo-me ao ketchup a que Cristiano Ronaldo assimilou os golos que marcaria e, simultaneamente desejando que ele se despache a metê-los.
De preferência já contra a Espanha
2010-06-27
2010-06-21
A Coreia do nosso contentamento
De frágil e timorato que Portugal tem sido, desde a fase de apuramento para esta fase final do Campeonato do Mundo de Futebol, até ao primeiro jogo desta fase, contra a Costa do Marfim, algo parece ter mudado hoje.
7-0 à Coreia, é obra notável e fez renascer alguma esperança no coração dos portugueses.
Tudo correu bem desde a invulgar hora do jogo que permitiu aos portugueses associarem dois dos seus maiores prazeres, o almoço e o futebol.
Ao fim da sopa um golito a prometer uma boa digestão, depois entre as dentadas no bacalhau, seguem mais quatro fazendo com que tudo soubesse melhor, por fim, com a bica e o bagaço, lá vêm mais dois, um dos quais que permitiu a Ronaldo abrir o “Catch up” sem contudo ter tido já tempo de estragar o bacalhau com aquele gosto “Yanky” homogeneizador.
Foi tudo perfeito, num dos fora, desta tarde, alguns participantes referiram: foi o melhor almoço da minha vida.
Também acho.
7-0 à Coreia, é obra notável e fez renascer alguma esperança no coração dos portugueses.
Tudo correu bem desde a invulgar hora do jogo que permitiu aos portugueses associarem dois dos seus maiores prazeres, o almoço e o futebol.
Ao fim da sopa um golito a prometer uma boa digestão, depois entre as dentadas no bacalhau, seguem mais quatro fazendo com que tudo soubesse melhor, por fim, com a bica e o bagaço, lá vêm mais dois, um dos quais que permitiu a Ronaldo abrir o “Catch up” sem contudo ter tido já tempo de estragar o bacalhau com aquele gosto “Yanky” homogeneizador.
Foi tudo perfeito, num dos fora, desta tarde, alguns participantes referiram: foi o melhor almoço da minha vida.
Também acho.
2010-06-20
Porque será?
Que alguns portugueses vivem em Londres e não em London, enquanto, para a generalidade dos jornalistas Saramago vivia em Lanzarote e não em Lançarote.
2010-06-15
O que me irrita mais na Vuvuzela é não conseguir comprar uma
A Vuvuzela é um instrumento irritante, emite urros de elefante que fazem bulir qualquer nervo ancestral da nossa estrutura nervosa que nos irrita, pelo menos à maioria de nós, como as notícias e muitos blogues têm reportado.
Mas esse condão de causar irritação também tem o seu valor: afecta a moral dos adversários, tem o valor artístico de despertar emoções.
Daí que eu queria ter uma para utilizar em momentos especiais.
Engano meu, apesar da vastíssima publicidade, já a procurei em variedíssimos postos da GALP e nada, não há, havia sempre muitas ontém mas hoje nunca há.
Mas esse condão de causar irritação também tem o seu valor: afecta a moral dos adversários, tem o valor artístico de despertar emoções.
Daí que eu queria ter uma para utilizar em momentos especiais.
Engano meu, apesar da vastíssima publicidade, já a procurei em variedíssimos postos da GALP e nada, não há, havia sempre muitas ontém mas hoje nunca há.
2010-06-11
Inversão de papéis
Nestes dias passeei acompanhado de dois dos meus netos.
Nem tudo foi rosas, quando estava com os meus amigos, era frequente algum ou os dois, nos interromperem constantemente com as suas frivolidades.
Hoje vi na TV a situação inversa, num grande encontro promovido pela “LEGO”, algumas crianças estavam concentradas nas sua criações, enquanto os jornalistas os importunavam com perguntas idiotas e infantilizadas, do tipo “achas que tens peças suficientes?”, a que eles iam tentando responder com o mesmo enfado que eu sentia quando os meus netos me interrompiam.
É a TV que vamos tendo, a um nível mental que também não deixou ainda a infância.
Nem tudo foi rosas, quando estava com os meus amigos, era frequente algum ou os dois, nos interromperem constantemente com as suas frivolidades.
Hoje vi na TV a situação inversa, num grande encontro promovido pela “LEGO”, algumas crianças estavam concentradas nas sua criações, enquanto os jornalistas os importunavam com perguntas idiotas e infantilizadas, do tipo “achas que tens peças suficientes?”, a que eles iam tentando responder com o mesmo enfado que eu sentia quando os meus netos me interrompiam.
É a TV que vamos tendo, a um nível mental que também não deixou ainda a infância.
2010-06-01
Caçar baratas e invadir navios de ajuda humanitária
Quando uma ou outra barata me invade a casa, a sua eliminação, transforma-se numa das minhas ocupações dos meses quentes.
Até agora, tenho confrontado esta intrusão 3 a 4 vezes por ano.
Tenho guerra aberta contra as baratas, estudei a sua biologia e sei que alguma, mais corajosa, que consiga subir a um terceiro andar e penetrar no meu reino, pode ser macho ou fémea e, se fémea, pode estar grávida ou não.
A minha ciência ainda não consegue detectar esse facto com um simples olhar.
Apenas me resta esperar que não, e, pelo sim, pelo não, procuro matá-las logo.
Aprendi que uma barata grávida, com a capacidade de pôr ovos, muitos, muitíssimos, se deixada em paz, pode encher a minha casa de, para cima de 200, em pouco tempo. Desiquilibrando as forças.
E eu não quero, procura-as, persigua-as, tento matá-las, antes que seja tarde.
Porém, há um problema:
Elas sabem que não são benvindas, têm nos seus genes esta consciência, e lutam pela sua sobrevivência,com uma energia admirável, fogem, correm a uma velocidade alucinante e escondem-se em recantos inacessíveis.
Mas eu, que sou humano e, mais do que as minhas habilidades físicas, posso mobilizar, meios químicos, ardilosos, que só os humanos sabem conceber, uso todos os meios au meu dispôr.
Até agora, tenho ganho estas batalhas sempre, embora o inimigo não descance, nunca.
Esta reflexão particular também se aplica a Israel e ao criminoso assalto a um navio de ajuda humanitária para a facha de gaza.
Os terroristas palestinianos, são as baratas deles ou, como as baratas são para mim, formas de vida a eliminar de qualquer jeito, seja como for.
Quando houvi hoje a notícia, e filmes probatórios, de que militares Israelitas que abordaram o barco, todos artilhados com metralhadoras, coletes e capacetes protectores e tudo, se queixaram que llhes atiraram com cadeiras e paus, achei um pouco ridículo.
Eu também me queixo de que as baratas me fogem! Ora essa!, deviam estar ali submissas, e deixarem-se trucidar para o bem da humanidade.
O meu mundo seria melhor.
Até agora, tenho confrontado esta intrusão 3 a 4 vezes por ano.
Tenho guerra aberta contra as baratas, estudei a sua biologia e sei que alguma, mais corajosa, que consiga subir a um terceiro andar e penetrar no meu reino, pode ser macho ou fémea e, se fémea, pode estar grávida ou não.
A minha ciência ainda não consegue detectar esse facto com um simples olhar.
Apenas me resta esperar que não, e, pelo sim, pelo não, procuro matá-las logo.
Aprendi que uma barata grávida, com a capacidade de pôr ovos, muitos, muitíssimos, se deixada em paz, pode encher a minha casa de, para cima de 200, em pouco tempo. Desiquilibrando as forças.
E eu não quero, procura-as, persigua-as, tento matá-las, antes que seja tarde.
Porém, há um problema:
Elas sabem que não são benvindas, têm nos seus genes esta consciência, e lutam pela sua sobrevivência,com uma energia admirável, fogem, correm a uma velocidade alucinante e escondem-se em recantos inacessíveis.
Mas eu, que sou humano e, mais do que as minhas habilidades físicas, posso mobilizar, meios químicos, ardilosos, que só os humanos sabem conceber, uso todos os meios au meu dispôr.
Até agora, tenho ganho estas batalhas sempre, embora o inimigo não descance, nunca.
Esta reflexão particular também se aplica a Israel e ao criminoso assalto a um navio de ajuda humanitária para a facha de gaza.
Os terroristas palestinianos, são as baratas deles ou, como as baratas são para mim, formas de vida a eliminar de qualquer jeito, seja como for.
Quando houvi hoje a notícia, e filmes probatórios, de que militares Israelitas que abordaram o barco, todos artilhados com metralhadoras, coletes e capacetes protectores e tudo, se queixaram que llhes atiraram com cadeiras e paus, achei um pouco ridículo.
Eu também me queixo de que as baratas me fogem! Ora essa!, deviam estar ali submissas, e deixarem-se trucidar para o bem da humanidade.
O meu mundo seria melhor.
2010-05-31
2010-05-30
Enquanto o tempo passa
Uma torneiras aberta, por homens, no fundo do Atlântico, jorra, continuamente petróleo para o mar, que enche, enche e vai chegando a terra.
Não é, não tem nada que ver, com petroleiros afundados, a diferença é que isto não tem fim à vista, é petróleo a jorrar, sempre.
Eu sei, que qualquer dia a BP, ajudada pelo governo dos EUA, vão encontrar uma solução espectacular que a vai compensar dos milhões de “ouro negro” atirado a porcos.
Mas um imenso mal fica feito.
È um novo “Chernobil”, desta feita do lado de cá, dos “bons”.
Não é, não tem nada que ver, com petroleiros afundados, a diferença é que isto não tem fim à vista, é petróleo a jorrar, sempre.
Eu sei, que qualquer dia a BP, ajudada pelo governo dos EUA, vão encontrar uma solução espectacular que a vai compensar dos milhões de “ouro negro” atirado a porcos.
Mas um imenso mal fica feito.
È um novo “Chernobil”, desta feita do lado de cá, dos “bons”.
2010-05-23
2010-05-22
Interpretação das sondagens
Ontem vieram publicadas novas sondagens sobre o ambiente socio-políticaportuguês.
Diversos analistas fizeram as suas análises e interpretações, complicando coisas simples, como geralmente fazem.
Eu vou dar aqui a minha leitura dos pontos mais significativos:
POLÍTICA
PS mantêm-se ou desce pouco, porquê?
Porque, como o povo pensa: para melhor, está bem, está bem, para pior já basta assim.
O PSD sobe um pouco, porquê?
Porque Pedro Passos Coelho poderá ser uma luz ao fim do túnel.
MEDIDAS FINANCEIRAS
Os portugueses concordam com o aumento de impostos, porquê?
Porque todos os dias lhe lavam o cérebro dizendo-lhes que ou isso ou a desgraça total.
Os portugueses preferiam outras alterações fiscais, porquê?
Porque, já que se tem de pagar mais impostos, que , ao menos, sejam aqueles impostos que só os outros pagam.
Diversos analistas fizeram as suas análises e interpretações, complicando coisas simples, como geralmente fazem.
Eu vou dar aqui a minha leitura dos pontos mais significativos:
POLÍTICA
PS mantêm-se ou desce pouco, porquê?
Porque, como o povo pensa: para melhor, está bem, está bem, para pior já basta assim.
O PSD sobe um pouco, porquê?
Porque Pedro Passos Coelho poderá ser uma luz ao fim do túnel.
MEDIDAS FINANCEIRAS
Os portugueses concordam com o aumento de impostos, porquê?
Porque todos os dias lhe lavam o cérebro dizendo-lhes que ou isso ou a desgraça total.
Os portugueses preferiam outras alterações fiscais, porquê?
Porque, já que se tem de pagar mais impostos, que , ao menos, sejam aqueles impostos que só os outros pagam.
2010-05-19
A confissão de Sócrates
Como Sócrates confesou ser dono da estratégia económica em Portugal passámos todos a saber, de fonte insuspeita, quem é o culpado.
2010-05-17
Assim vai a educação em Portugal
Há dias, no programa “Eixo inclinado”, dedicado às nossas misérias, o Prof Nuno Crato mostrou duas perguntas utilizadas em testes do 6º ano de escolaridade (crianças de aproximadamente 12 anos):
Pergunta 1
Entre as 12 horas e as 12 horas e 25, quantos minutos há de diferença?
Claro que para ajudar a difícil resposta, havia apoio gráfico, com relógios analógicos (daí a dificuldade certamente).
Pergunta 2
Quantos são 8 a dividir por 4?
Utilizando, bocados de chocolate desenhados, para pôr o jovem em contexto (fundamental na moderna didática)
Como curioso, que sou, por estas coisas testei estas perguntas no meu neto Pedro de 5 anos.
Respondeu correctamente à primeira e não soube responder à segunda.
Teria metade da cotação, será que o meu neto é génio?
Não sei se feliz ou infelizmente julgo que não, o Pedro não é génio, o que talvez se passe é que os pedagogos de serviço no Ministério da Educação serão talvez imbecis.
Será?
Pergunta 1
Entre as 12 horas e as 12 horas e 25, quantos minutos há de diferença?
Claro que para ajudar a difícil resposta, havia apoio gráfico, com relógios analógicos (daí a dificuldade certamente).
Pergunta 2
Quantos são 8 a dividir por 4?
Utilizando, bocados de chocolate desenhados, para pôr o jovem em contexto (fundamental na moderna didática)
Como curioso, que sou, por estas coisas testei estas perguntas no meu neto Pedro de 5 anos.
Respondeu correctamente à primeira e não soube responder à segunda.
Teria metade da cotação, será que o meu neto é génio?
Não sei se feliz ou infelizmente julgo que não, o Pedro não é génio, o que talvez se passe é que os pedagogos de serviço no Ministério da Educação serão talvez imbecis.
Será?
A Promulgação do Casamento Gay
A declaração ao país do Presidente da República sobre o casamento homosexual, recordou-me uma história passada, de um Despacho de um antigo Secretário de Estado a propósito de qualquer coisa de que já não me recordo:
“Despacho
Concordo, contrariado
Seguia a assinatura”
“Despacho
Concordo, contrariado
Seguia a assinatura”
2010-05-14
Mateus 18-19 (por exemplo)
Ontem ouvi uma peregrina, em Fátima, dizer que se queria aproximar do Papa para poder estar mais próxima de Jesus.Se a reflexão dessa peregrina se dedicasse mais à doutrina de Jesus do que ao “espectáculo” da Igreja, saberia que, naquele momento, Jesus estava precisamente ao seu lado.
2010-05-12
Gastar dinheiro
Todos nós, comuns mortais, individuais e organizações, sabemos o que a expressão significa, as opções a fazer, a gestão de um bem escasso.
Todavia os analistas económicos e financeiros que deveriam ver a economia como um todo como um todo global, deveriam ver que cada euro que eu pago, pago-o a alguém ou a alguma coisa que o recebe e quando eu fico mais pobre num euro, alguém ou alguma coisa fica mais rica nesse mesmo euro.
Visto de cima, gastar dinheiro é, simplesmente, fazê-lo circular, mudar de mãos, é uma mera questão de distribuição da riqueza e se a riqueza não flui, tal como se o sangue não flui no nosso corpo, é a morte que ocorre, do nosso corpo num caso ou da sociedade no outro.
Sendo evidente, há muitos especialistas que ainda o não perceberam.
Todavia os analistas económicos e financeiros que deveriam ver a economia como um todo como um todo global, deveriam ver que cada euro que eu pago, pago-o a alguém ou a alguma coisa que o recebe e quando eu fico mais pobre num euro, alguém ou alguma coisa fica mais rica nesse mesmo euro.
Visto de cima, gastar dinheiro é, simplesmente, fazê-lo circular, mudar de mãos, é uma mera questão de distribuição da riqueza e se a riqueza não flui, tal como se o sangue não flui no nosso corpo, é a morte que ocorre, do nosso corpo num caso ou da sociedade no outro.
Sendo evidente, há muitos especialistas que ainda o não perceberam.
2010-05-11
A Festa do Benfica
De forma penosa mas muito meritória o Benfica lá conseguiu ganhar o Campeonato Nacional de Futebol.
A festa foi como o esperado, euforia dos adeptos em todo o mundo, que tem durado até hoje.
Até a bolsa entrou em euforia e subiu espectacularmente e por mais que os especialistas arranjem outras explicações, não me restam dúvidas de que foi graças ao Benfica.
Só teve uma mancha que resulta dos preparativos da vinda do Papa, os coletes reflectores, ostensivamente verdes, que por toda a cidade, a polícia envergava.
Até a mim, que sou sportinguista, aquele verde destoou na onda vermelha.
Porque será que os coletes têm que ser obrigatoriamente verdes?
Se eu fosse do Benfica refilava.
A festa foi como o esperado, euforia dos adeptos em todo o mundo, que tem durado até hoje.
Até a bolsa entrou em euforia e subiu espectacularmente e por mais que os especialistas arranjem outras explicações, não me restam dúvidas de que foi graças ao Benfica.
Só teve uma mancha que resulta dos preparativos da vinda do Papa, os coletes reflectores, ostensivamente verdes, que por toda a cidade, a polícia envergava.
Até a mim, que sou sportinguista, aquele verde destoou na onda vermelha.
Porque será que os coletes têm que ser obrigatoriamente verdes?
Se eu fosse do Benfica refilava.
2010-05-09
Aventura na Feira do Livro – Parte 2
Lá passei para o lado Ocidental, e comecei descendo a primeira ala.
Não sei já se nessa descida ou depois encontrei, em saldo, 3€, um livro que deveria ser obrigatório: “Vivermos e Pensarmos como Porcos” de Giles Chatelet, matemático e filósofo francês, que se suicidou uns tempos depois de publicar este livro e que apresenta uma crítica feroz ao pensamento único e ao pós-modernismo, ainda por cima mal assimilado, que enferma a nossa actual cultura global.
Já o tinha, mas por 3€ era imperdível, comprei de novo para dar a alguém que o leia, é claramente uma pérola no meio do lixo.
Chegando abaixo, voltei para cima pela segunda ala da parte ocidental.
A princípio muitas editoras religiosa, explorando a próxima visita do Papa a Portugal, aqui e além literatura infantil, fui passando mais rápido até que mais em cima me atrai uma montra cheia de George Orwell. Era a Antígona.
Procurei nas minhas referências (Orwell, obviamente está lá com alta cotação) e por uma razão ou outra comprei:
“Na penúria em Paris e Londres”
e “Livros e cigarros”
Ambos de Orwell, passei depois a Corsery (outra referência altamente cotada) e comprei a sua obra principal: “Mendigos e Altivos”.
Estava já no topo da feira com tudo visto.
Quando me preparava já para me ir embora, veio-me à cabeça um grito silencioso semelhante àquele grito de Cruges, no regresso de Sintra descrito por Eça de Queirós, nos Maia: “Esqueceram-me as queijadas!”. Só que o meu grito foi mais: “esquecera-me a Viúva Grávida!.
Se bem leram o post anterior esse era o meu primeiro motivo para visitar a Feira mas após uma visita cuidada e atenta não tinha descoberto onde ele estava.
Na Apel lá me informaram e tive que voltar, de novo para baixo até que numa das associadas da Bertrand lá consegui comprar “A Viúva Grávida” de Martin Amis.
Voltei então feliz para casa.
Não sei já se nessa descida ou depois encontrei, em saldo, 3€, um livro que deveria ser obrigatório: “Vivermos e Pensarmos como Porcos” de Giles Chatelet, matemático e filósofo francês, que se suicidou uns tempos depois de publicar este livro e que apresenta uma crítica feroz ao pensamento único e ao pós-modernismo, ainda por cima mal assimilado, que enferma a nossa actual cultura global.
Já o tinha, mas por 3€ era imperdível, comprei de novo para dar a alguém que o leia, é claramente uma pérola no meio do lixo.
Chegando abaixo, voltei para cima pela segunda ala da parte ocidental.
A princípio muitas editoras religiosa, explorando a próxima visita do Papa a Portugal, aqui e além literatura infantil, fui passando mais rápido até que mais em cima me atrai uma montra cheia de George Orwell. Era a Antígona.
Procurei nas minhas referências (Orwell, obviamente está lá com alta cotação) e por uma razão ou outra comprei:
“Na penúria em Paris e Londres”
e “Livros e cigarros”
Ambos de Orwell, passei depois a Corsery (outra referência altamente cotada) e comprei a sua obra principal: “Mendigos e Altivos”.
Estava já no topo da feira com tudo visto.
Quando me preparava já para me ir embora, veio-me à cabeça um grito silencioso semelhante àquele grito de Cruges, no regresso de Sintra descrito por Eça de Queirós, nos Maia: “Esqueceram-me as queijadas!”. Só que o meu grito foi mais: “esquecera-me a Viúva Grávida!.
Se bem leram o post anterior esse era o meu primeiro motivo para visitar a Feira mas após uma visita cuidada e atenta não tinha descoberto onde ele estava.
Na Apel lá me informaram e tive que voltar, de novo para baixo até que numa das associadas da Bertrand lá consegui comprar “A Viúva Grávida” de Martin Amis.
Voltei então feliz para casa.
2010-05-08
Aventura na Feira do Livro
Abriu a Feira do Livro de Lisboa, como sempre, é uma bela oportunidade para comprar livros um pouco mais baratos e ver tudo o que aparece.
Com as ligeiras limitações que a minha doença vai impondo, planeei percorrê-la em duas etapas.
O plano foi este, almocei no Botequim do Rei, mesmo em cima do Parque e da Feira, num “self-Service” relativamente económico e mergulhei nos livros já de barriga cheia, na ala oriental mesmo por baixo do restaurante.
Tinha um livro em mente: “A viúva Grávida” de Martin Amis, que saiu há dias, editado por uma qualquer Editora, tinha ouvido a notícia na TV.
O meu interesse por Martin Amis, nasceu de uma entrevista que passou na TV e que me interessou, numa pesquisa na internet que aumentou o meu interesse e na leitura do único livro de Amis até então traduzido em português e que é o “Money”, grande livro que recomendo a todos.
Mas a Feira tem os seus encantos, tem o lixo e as pérolas e o que nos guia na busca dos tesouros, são as referências que temos, nomes que ouvimos a quem confiamos ou que lemos em livros que gostamos ou que de qualquer modo nos despertam a atenção e a curiosidade. È um mundo privado de referências que vamos construindo ao longo da vida e também de preconceitos que nos fazem fugir a sete pés.
Logo há entrada deparei com uma dessas referências: Akim Bey, e a sua TAZ “Temporary Autonomous Zone” que já tinha lido, extraído da net, na língua original mas que agora via em português, editado pela frenesi, “Zona Autónoma Temporária” e apenas por 5 Euros. Comprei 2 exemplares, um para mim e outro, a ver vamos.
Depois, logo a seguir havia um espaço dos Açores onde perguntei, mais uma vez, em vão, pelas “Ilhas Encantadas” de Raúl Brandão.
Eu nunca li as “Ilhas Encantadas” de Raúl Brandão mas já li de Raúl Brandão o “Húmus”, “El-Rei Jounot” e “Sonhos”, o suficiente para perceber que é um dos maiores escritores da nossa língua, injustamente esquecido. È um prosador-poeta, estou certo de que não haverá melhor livro sobre o arquipélago Açoriano do que “As ilhas Encantadas”. Todavia nem nos Açores nem aqui o consigo encontrar. Porquê?
Como um miúdo numa loja de doces ou de brinquedos, continuei feliz a minha busca.
Mais adiante encontro o mais belo poema do século XX, a “Tabacaria” de Fernando Pessoa ou melhor, de Álvaro de Campos, com a versão original do poema e ainda as versões francesas, castelhana, italiana e inglesa.
Comprei esse livro.
Lembrei-me da história de António Tabuchi que mudou a sua vida e aprendeu português, apenas por ter lido a versão francesa da “Tabacaria”, “Bureau de Tabac”, a impressão que essa leitura lhe causou fê-lo querer sentir esse poema na língua original.
Quando estive em Belgrado conheci Remy, um Sérvio que falava de Fernando Pessoa, talvez lhe envie agora a versão inglesa, embora já a deva ter.
Já no fim dessa ala, estava o pavilhão dos pequenos editores e lá comprei mais um livro, referência militante, da editora Via Óptima, “A História de B” de Daniel Quinn, para oferecer, cumprindo uma promessa.
Chegando abaixo rodei para cima pela segunda ala oriental.
A feira este ano está mais rica em farturas, café e cerveja e pequenas esplanadas onde parei para uma pausa e um cigarro.
Numa banca da Alfaguara, foquei a atenção num romance Valter Hugo Mãe.
Quem é Valter Hugo Mãe? Para mim é uma referência breve de uma ou duas vezes em que o ouvi falar da sua obra, é um jovem escritor, da nova geração a quem tenho de dar o benefício da dúvida, além de que o título me atraía “A máquina de fazer espanhóis”.
Comprei-o para o ler um dia e promovê-lo na minha lista de rederências ou, eventualmente bani-lo de vez.
Cheguei finalmente ao topo da segunda ala oriental, metade da feira estava vista seria aí o suposto fim da primeira visita.
Porém sentia-me bem, a doença, ELA, parecia que me tinha abandonado transitoriamente, resolvi prosseguir para a primeira ala do lado Ocidental
Mas como o relato vai longo, depois contarei o resto
Com as ligeiras limitações que a minha doença vai impondo, planeei percorrê-la em duas etapas.
O plano foi este, almocei no Botequim do Rei, mesmo em cima do Parque e da Feira, num “self-Service” relativamente económico e mergulhei nos livros já de barriga cheia, na ala oriental mesmo por baixo do restaurante.
Tinha um livro em mente: “A viúva Grávida” de Martin Amis, que saiu há dias, editado por uma qualquer Editora, tinha ouvido a notícia na TV.
O meu interesse por Martin Amis, nasceu de uma entrevista que passou na TV e que me interessou, numa pesquisa na internet que aumentou o meu interesse e na leitura do único livro de Amis até então traduzido em português e que é o “Money”, grande livro que recomendo a todos.
Mas a Feira tem os seus encantos, tem o lixo e as pérolas e o que nos guia na busca dos tesouros, são as referências que temos, nomes que ouvimos a quem confiamos ou que lemos em livros que gostamos ou que de qualquer modo nos despertam a atenção e a curiosidade. È um mundo privado de referências que vamos construindo ao longo da vida e também de preconceitos que nos fazem fugir a sete pés.
Logo há entrada deparei com uma dessas referências: Akim Bey, e a sua TAZ “Temporary Autonomous Zone” que já tinha lido, extraído da net, na língua original mas que agora via em português, editado pela frenesi, “Zona Autónoma Temporária” e apenas por 5 Euros. Comprei 2 exemplares, um para mim e outro, a ver vamos.
Depois, logo a seguir havia um espaço dos Açores onde perguntei, mais uma vez, em vão, pelas “Ilhas Encantadas” de Raúl Brandão.
Eu nunca li as “Ilhas Encantadas” de Raúl Brandão mas já li de Raúl Brandão o “Húmus”, “El-Rei Jounot” e “Sonhos”, o suficiente para perceber que é um dos maiores escritores da nossa língua, injustamente esquecido. È um prosador-poeta, estou certo de que não haverá melhor livro sobre o arquipélago Açoriano do que “As ilhas Encantadas”. Todavia nem nos Açores nem aqui o consigo encontrar. Porquê?
Como um miúdo numa loja de doces ou de brinquedos, continuei feliz a minha busca.
Mais adiante encontro o mais belo poema do século XX, a “Tabacaria” de Fernando Pessoa ou melhor, de Álvaro de Campos, com a versão original do poema e ainda as versões francesas, castelhana, italiana e inglesa.
Comprei esse livro.
Lembrei-me da história de António Tabuchi que mudou a sua vida e aprendeu português, apenas por ter lido a versão francesa da “Tabacaria”, “Bureau de Tabac”, a impressão que essa leitura lhe causou fê-lo querer sentir esse poema na língua original.
Quando estive em Belgrado conheci Remy, um Sérvio que falava de Fernando Pessoa, talvez lhe envie agora a versão inglesa, embora já a deva ter.
Já no fim dessa ala, estava o pavilhão dos pequenos editores e lá comprei mais um livro, referência militante, da editora Via Óptima, “A História de B” de Daniel Quinn, para oferecer, cumprindo uma promessa.
Chegando abaixo rodei para cima pela segunda ala oriental.
A feira este ano está mais rica em farturas, café e cerveja e pequenas esplanadas onde parei para uma pausa e um cigarro.
Numa banca da Alfaguara, foquei a atenção num romance Valter Hugo Mãe.
Quem é Valter Hugo Mãe? Para mim é uma referência breve de uma ou duas vezes em que o ouvi falar da sua obra, é um jovem escritor, da nova geração a quem tenho de dar o benefício da dúvida, além de que o título me atraía “A máquina de fazer espanhóis”.
Comprei-o para o ler um dia e promovê-lo na minha lista de rederências ou, eventualmente bani-lo de vez.
Cheguei finalmente ao topo da segunda ala oriental, metade da feira estava vista seria aí o suposto fim da primeira visita.
Porém sentia-me bem, a doença, ELA, parecia que me tinha abandonado transitoriamente, resolvi prosseguir para a primeira ala do lado Ocidental
Mas como o relato vai longo, depois contarei o resto
2010-05-02
Interpretações
O que mais admiro num intérprete é essa noção difusa, indefinível a que se chama precisamente a interpretação, a forma como consegue transmitir as emoções contidas na obra que interpreta.
Para exemplificar esta noção escolhi uma obra bastante conhecida, pelo menos pelos da minha geração, e que é “Just like a rolling Stone” de Bob Dylan.
Curiosamente de Bob Dylan que é ele próprio conhecido por nunca interpretar duas vezes da mesma maneira a mesma canção e impediu-me de encontrar a sua interpretação original que ficou mais conhecida pela gravação em disco.
O poema relata-nos a história de alguém bem sucedido na sociedade, orgulhoso e confiante, desprezando toda a marginalidade e que se vê subitamente caído, ele próprio, nessa marginalidade
A interpretação de BobDylan, traduz aquele misto de escárnio e superioridade moral por aquela lição de vida tão justa e apropriada.
No fundo procura dizer bem feita e foi desta mesma forma que os diversos intérpretes dessa mesma canção a têm interpretado, como Mick Jagger e os Rolling Stones a interpretam no filme que segue.
E é uma excelente interpretação digna da igualmente excelente interpretação original de Dylan.
Mas há dias conheci uma abordagem diferente ao mesmo poema, à mesma história.
Trata-se da interpretação de Barb Jungr, a quem o poema apenas lhe transmitiu tristeza simpatia e solidariedade e é precisamente esse sentimento que transmite aqui também excelentemente.
Quase que parece outra música
Por ultimo fica uma interpretação mais recente desta mesma música por um Bob Dylan muito mais velho e que se apresenta de forma muito diferente da original.
Aqui também já uma certa tristeza pela situação se começa a vislumbrar.
De qualquer forma são 3 excelentes interpretações, todas diferentes e todas brilhantes.
Para exemplificar esta noção escolhi uma obra bastante conhecida, pelo menos pelos da minha geração, e que é “Just like a rolling Stone” de Bob Dylan.
Curiosamente de Bob Dylan que é ele próprio conhecido por nunca interpretar duas vezes da mesma maneira a mesma canção e impediu-me de encontrar a sua interpretação original que ficou mais conhecida pela gravação em disco.
O poema relata-nos a história de alguém bem sucedido na sociedade, orgulhoso e confiante, desprezando toda a marginalidade e que se vê subitamente caído, ele próprio, nessa marginalidade
A interpretação de BobDylan, traduz aquele misto de escárnio e superioridade moral por aquela lição de vida tão justa e apropriada.
No fundo procura dizer bem feita e foi desta mesma forma que os diversos intérpretes dessa mesma canção a têm interpretado, como Mick Jagger e os Rolling Stones a interpretam no filme que segue.
E é uma excelente interpretação digna da igualmente excelente interpretação original de Dylan.
Mas há dias conheci uma abordagem diferente ao mesmo poema, à mesma história.
Trata-se da interpretação de Barb Jungr, a quem o poema apenas lhe transmitiu tristeza simpatia e solidariedade e é precisamente esse sentimento que transmite aqui também excelentemente.
Quase que parece outra música
Por ultimo fica uma interpretação mais recente desta mesma música por um Bob Dylan muito mais velho e que se apresenta de forma muito diferente da original.
Aqui também já uma certa tristeza pela situação se começa a vislumbrar.
De qualquer forma são 3 excelentes interpretações, todas diferentes e todas brilhantes.
2010-04-30
Os Rankings
Portugal desce nas finanças mas sobe no futebol.
Decididamente o mundo acha que jogamos melhor à bola do que na bolsa.
Decididamente o mundo acha que jogamos melhor à bola do que na bolsa.
2010-04-27
Daqui para a frente vou viver sempre com ELA
É verdade, de papel passado e tudo.
ELA, é a Esclerose Lateral Amiotrófica.Não tocarei mais neste assunto, tão pouco interessante para o mundo, a não ser que nessa ocorrência, alguma experiência relevante mo sugira.
ELA, é a Esclerose Lateral Amiotrófica.Não tocarei mais neste assunto, tão pouco interessante para o mundo, a não ser que nessa ocorrência, alguma experiência relevante mo sugira.
2010-04-22
Assim vai a justiça
Esta absolvição de Domingos Névoa na segunda instância e, sobretudo as razões invocadas para essa absolvição, fez-me lembrar um caso que vivi há muitos anos:
Houve um fogo florestal e um jovem de boné foi visto em flagrante delito a atear esse fogo.
A população correu atrás dele e após uma atribulada perseguição lá conseguiram apanha-lo e traze-lo à autoridade.
A GNR libertou-o imediatamente visto que o autor do crime tinha boné e este rapaz que lhe apresentavam estava sem boné.
E não havia qualquer dúvida: estava mesmo sem boné.
Houve um fogo florestal e um jovem de boné foi visto em flagrante delito a atear esse fogo.
A população correu atrás dele e após uma atribulada perseguição lá conseguiram apanha-lo e traze-lo à autoridade.
A GNR libertou-o imediatamente visto que o autor do crime tinha boné e este rapaz que lhe apresentavam estava sem boné.
E não havia qualquer dúvida: estava mesmo sem boné.
2010-04-21
O muro
Ou a misteriosa essência da portugalidade
Hoje, no hospital de Santiago, em Setúbal, enquanto contornávamos o longo muro que nos impede a entrada e nos obriga a uma longa caminhada para chegar à porta, entabulei conversa com um outro utente sobre a irracionalidade desse muro.
Como em tantas situações veio-me à memória o poema de Torga que começa assim:
De seguro, só sei que havia um muro
Contra o qual arremeti a vida inteira.
E esse muro lá estava simbolizando todos os muros que, de seguro, existem na vida.
O tema da nossa pequena conversa foi a irracionalidade humana, portuguesa dizíamos porque para um português é só em Portugal que existe este muro omnipresente.
E era culpa de todos, de todos os portugueses com excepção de nós dois que falávamos e que naturalmente nunca poríamos ali aquele muro.
Partilhamos uma revolta honesta e pacífica e, para mim, ficou mais claro esta essência da portugalidade esta insatisfação com o nosso próprio país.
Somos todos Medinas Carreiras, velhos do Restelo, sempre insatisfeitos.
Mas é precisamente essa dimensão que nos enobrece, não nos contentamos com menos do que com um mundo perfeito, o V-Império.
Enquanto não o temos sonhamos com ele, sempre e lamentamos a nossa sorte.
Hoje, no hospital de Santiago, em Setúbal, enquanto contornávamos o longo muro que nos impede a entrada e nos obriga a uma longa caminhada para chegar à porta, entabulei conversa com um outro utente sobre a irracionalidade desse muro.
Como em tantas situações veio-me à memória o poema de Torga que começa assim:
De seguro, só sei que havia um muro
Contra o qual arremeti a vida inteira.
E esse muro lá estava simbolizando todos os muros que, de seguro, existem na vida.
O tema da nossa pequena conversa foi a irracionalidade humana, portuguesa dizíamos porque para um português é só em Portugal que existe este muro omnipresente.
E era culpa de todos, de todos os portugueses com excepção de nós dois que falávamos e que naturalmente nunca poríamos ali aquele muro.
Partilhamos uma revolta honesta e pacífica e, para mim, ficou mais claro esta essência da portugalidade esta insatisfação com o nosso próprio país.
Somos todos Medinas Carreiras, velhos do Restelo, sempre insatisfeitos.
Mas é precisamente essa dimensão que nos enobrece, não nos contentamos com menos do que com um mundo perfeito, o V-Império.
Enquanto não o temos sonhamos com ele, sempre e lamentamos a nossa sorte.
2010-04-19
Descendo à terra e a este cantinho
Entretanto, por aqui, parece que, há poucos dias foi finalmente cumprida a ordem do Supremo, qualquer coisa, de destruir os registos das conversas telefónicas entre Sócrates e Vara.
Neste mundo de registos digitais eu tenho dificuldade em perceber em que consistirá a destruição de registos.
De facto estamos longe do mundo em que se queimou a biblioteca de Alexandria, em que se podiam queimar e destruir papéis aos bocadinhos e mesmo que se conservassem as ideias aí expressas, e cópias dos textos, faltaria sempre o timbre, as assinaturas pessoais que atestavam o facto e que não se conservavam mais.
Mas agora, em que os ficheiros são bits, as cópias, perfeitos clones dos originais o que quererá dizer destruir?
Em princípio seria destruir toda e qualquer versão destes registos mas quem saberá onde eles estão?
Pelo que conheço da natureza humana, presumo que deverá já haver, em diversa mãos insuspeitas, diversas cópias electrónicas e transcrições dessas conversas.
O que se destruiu, com pompa e circunstância, foram apenas os DVD iniciais onde uns polícias gravaram tais conversas e que têm andando em bolandas de Juiz para Juiz e de funcionário para funcionário.
É certo que não se poderá usar nada em tribunal mas como a justiça hoje anda pela praça pública estou convencido que, dentro de algum tempo, estas conversas voltarão a aparecer para gáudio do povo.
Neste mundo de registos digitais eu tenho dificuldade em perceber em que consistirá a destruição de registos.
De facto estamos longe do mundo em que se queimou a biblioteca de Alexandria, em que se podiam queimar e destruir papéis aos bocadinhos e mesmo que se conservassem as ideias aí expressas, e cópias dos textos, faltaria sempre o timbre, as assinaturas pessoais que atestavam o facto e que não se conservavam mais.
Mas agora, em que os ficheiros são bits, as cópias, perfeitos clones dos originais o que quererá dizer destruir?
Em princípio seria destruir toda e qualquer versão destes registos mas quem saberá onde eles estão?
Pelo que conheço da natureza humana, presumo que deverá já haver, em diversa mãos insuspeitas, diversas cópias electrónicas e transcrições dessas conversas.
O que se destruiu, com pompa e circunstância, foram apenas os DVD iniciais onde uns polícias gravaram tais conversas e que têm andando em bolandas de Juiz para Juiz e de funcionário para funcionário.
É certo que não se poderá usar nada em tribunal mas como a justiça hoje anda pela praça pública estou convencido que, dentro de algum tempo, estas conversas voltarão a aparecer para gáudio do povo.
2010-04-17
A natureza diverte-se
A potestade que lá no Olimpo está encarregada de, de quando em vez, soltar a fúria dos elementos e que eu critiquei aqui por ter falta de senso, certamente leu este blog e, como potestade que é, aprendeu e superou mesmo todas as minhas expectativas.
Activou um vulcão na Islãndia, lançou uma nuvem de cinzas para a atmosfera.
Ainda a está a lançar e sabe que pode acelerar e ampliar este processo ou não, esta é uma parte do seu gozo, e bloqueou todo o tráfico aéreo em grande parte da Europa.
Não matou ninguém ou, julgo que quase ninguém, directamente, mas lixou o capital e perturbou a vida de centenas de milhares de pessoas.
Os PIGS odiados pela Europa arrogante, Portugal Itália, Grécia e Espanha foram precisamente os poupados, até ao momento, está bem assim, cruzes canhoto!
Mas está o caos para os que têm de viajar muito, numa vida hiperactiva.
A Sra Merckel está retida em Portugal sem poder resolver os grandes problemas da Alemanha, O nosso Presidente Cavaco tem estado retido em Praga sem poder resolver os grandes problemas portugueses e casos como estes deve haver às centenas.
As grandes companhias de aviação vêm milhões de “money” a escorrer pelo cano abaixo. Os transportes ferroviários vêm dias a que já não estavam acostumados, e da vida fácil de meia dúzia de passageiros diários passaram à grande procura e à incapacidade de dar resposta.
Apanharam muito “money” que escorria do cano da aviação mas não têm mãos suficientes para o apanhar. Que frustação!
Para o comum cidadão variam os casos, entre a felicidade por prolongar as boas férias, mantendo a compreensão dos patrões lá longe, e a infelicidade de ver e conviver com os amigos e família.
Isto sim, é uma calamidade digna de uma alta Potestade.
Os meus parabéns.
Activou um vulcão na Islãndia, lançou uma nuvem de cinzas para a atmosfera.
Ainda a está a lançar e sabe que pode acelerar e ampliar este processo ou não, esta é uma parte do seu gozo, e bloqueou todo o tráfico aéreo em grande parte da Europa.
Não matou ninguém ou, julgo que quase ninguém, directamente, mas lixou o capital e perturbou a vida de centenas de milhares de pessoas.
Os PIGS odiados pela Europa arrogante, Portugal Itália, Grécia e Espanha foram precisamente os poupados, até ao momento, está bem assim, cruzes canhoto!
Mas está o caos para os que têm de viajar muito, numa vida hiperactiva.
A Sra Merckel está retida em Portugal sem poder resolver os grandes problemas da Alemanha, O nosso Presidente Cavaco tem estado retido em Praga sem poder resolver os grandes problemas portugueses e casos como estes deve haver às centenas.
As grandes companhias de aviação vêm milhões de “money” a escorrer pelo cano abaixo. Os transportes ferroviários vêm dias a que já não estavam acostumados, e da vida fácil de meia dúzia de passageiros diários passaram à grande procura e à incapacidade de dar resposta.
Apanharam muito “money” que escorria do cano da aviação mas não têm mãos suficientes para o apanhar. Que frustação!
Para o comum cidadão variam os casos, entre a felicidade por prolongar as boas férias, mantendo a compreensão dos patrões lá longe, e a infelicidade de ver e conviver com os amigos e família.
Isto sim, é uma calamidade digna de uma alta Potestade.
Os meus parabéns.
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