2006-03-03

As línguas

Quando observo o caos da organização social e dos sistemas jurídicos e políticos que procuram, sem sucesso, regular este mundo globalizado e verifico que se tratam de concepções e realizações de cérebros supostamente iluminados, educados, inteligentes, reconhecidos por quase todos como espíritos brilhantes, não deixo de me surpreender com a espantosa conquista social, espontânea, criada por todos e por ninguém, presente em todas as sociedades, das mais primitivas às mais “civilizadas” e que se chama “a lingua”.
Criar a língua, a partir do nada, ou apenas do choro e do riso, não foi tarefa nada simples, definir um sistema de códigos simbólicos que relacionam sons produzidos pela boca, organizados de forma lógica, fonemas, com significados concretos e abstractos e de forma que são reconhecidos por todos dentro de um determinado grupo significativo, “imposto” sem lei nem escola mas espontaneamente em auto-organização, foi uma tarefa quase impossível de conceber concluída pela humanidade com um tremendo sucesso.
E não foi um sistema, foram milhares, cada um válido no seu contexto. Com cambiantes próprios adaptados às situações específicas, instrumentos poderosos de interacção mas também de exclusão e de afirmação de identidades.
Ninguém planeou as línguas, são uma conquista verdadeiramente democrática e popular. Penso aliás que é precisamente por isso que se tornou realidade.
Viva a humanidade e os seus sistemas linguísticos.

1 comentário:

joana disse...

E o esperanto, planeado, poucas conquistas fez.