Imaginem que um velho amigo vosso, daqueles que está em todos os jantares, que frequenta a casa com assiduidade, sem razão aparente, vos diz um dia:
- Eu, vou continuar com outros amigos mas à tua casa já não vou mais, pensei muito bem e tomei esta resolução.
Que pensariam vocês ? A mim caia-me mal, muito mal.
Mas é isto que tenho ouvido de vários jogadores de futebol no activo relativamente à selecção nacional. Cá e até em França como aconteceu recentemente com Zidane. Os média esperam até, com ansiedade, essa grosseria que dizem será assumida por Figo muito brevemente.
Então como é ? Sirvo ainda para jogar nos clubes mas servir na selecção não obrigado.
E parece que toda a gente acha isto normal ! Para mim é uma torpeza que demonstra uma arrogância desmedida. É óbvio que o que apetece responder é que nós é que não os queremos mais, seus filhos da puta.
É este facto, para mim, tão insólito, que me interrogo sobre a sua motivação. Só vejo uma:
Estando em fim de carreira, antes de passar pela humilhação de não ser convocado, deixa-me dizer que sou eu que não quero. Enfim, esperteza saloia.
Bom, mas como tudo isto parece ser encarado tão bem, deixem-me usar o mesmo tipo de esperteza, e deixar já aqui, publicamente a minha declaração solene:
Saiba a Selecção Nacional de Futebol que eu não estou disponível para ser seleccionado, bem podem suplicar de joelhos que eu não vou lá, já disse, é uma decisão tão irreversível como a de Santana Lopes de abandonar a política, não vou e pronto.
Agora se não me chamarem já sabem por que foi.
2004-08-17
2004-08-16
Trabalho estimulante
Leio:
"Within the scope of article 36 of the Treaty, State aid intended to provide additional finicing for rural development measures for wich Community support is granted, shall be notified by Member States and approved by th Commission in accordance with the provision of this Regulation as part of programming refered to in Article 15. The fist sentence of Article 88 (3) of the Treaty shall not apply to aid thus notified"
Interrompo momentaneamente a leitura para confidenciar no "blog" o sentimento que me invade: Ai como é bom analisar propostas de Regulamentos Comunitários !.
"Within the scope of article 36 of the Treaty, State aid intended to provide additional finicing for rural development measures for wich Community support is granted, shall be notified by Member States and approved by th Commission in accordance with the provision of this Regulation as part of programming refered to in Article 15. The fist sentence of Article 88 (3) of the Treaty shall not apply to aid thus notified"
Interrompo momentaneamente a leitura para confidenciar no "blog" o sentimento que me invade: Ai como é bom analisar propostas de Regulamentos Comunitários !.
2004-08-14
Podia ter sido escrito ontem
O partido não é mais do que um Estado dentro do Estado, e nesse pequeno Estado de abelhas deve haver “paz”, como no grande. São precisamente aqueles que mais reclamam uma oposição no Estado os que mais se insurgem contra qualquer divisão no partido.
De novo, Max Stirner: “O Único e a Sua Propriedade”
De novo, Max Stirner: “O Único e a Sua Propriedade”
2004-08-13
Buba
Começa a passar-se com os blogues o que se passa com tudo neste mundo global, já vão sendo muitos, mais do que as mães, já não há capacidade de processamento e começo a ter a sensação habitual de que estou a perder o melhor porque, como em todos os casos, o ser-se mais badalado não é nenhum sinal de qualidade.
Entretanto, nesta versão do meu blogue, não tenho linques; não que não os queira mas apenas porque ainda os não sei colocar e se, por qualquer acaso desta misteriosa "máquina divina" que é a "net", eu me visse forçado a colocar apenas 1 linque, não tenho qualquer dúvida sobre qual seria: O Buba.
É um blogue riquíssimo e notável. É lento no seu rítmo, mas prescutu-o diariamente, ansioso e, de vez em quando, lá surge uma crónica nova, geralmente longa, que nunca me desilude, são sempre, sempre "pérolas".
É notavelmente bem escrito, com rigor, profundidade e algum humor, ainda que por vezes temperado com alguma melancolia.
É livre e não admite censuras de nenhuma espécie, nem mesmo as mais poderosas que estão dentro de nós.
E escreve lucidamente sobre tudo o que o preocupa, seja este triste mundo e esta triste actualidade em que vivemos, sejam memórias longíquas daqueles factos, aparentemente simples e desinteressantes que todavia nos marcam a vida e, o mais espantoso é que o lemos e percebemos porquê, conseguimos ver aquilo que as palavras não conseguem dizer e apenas o coração ou o cérebro percebem. Tem a dimensão da arte.
É neste aspecto que mais gosto do Buba, porque tenho a noção clara de que a nossa ideosincrasia é construída a partir de um somatório de pequenas referências, pequenos episódios que vivemos, pequenas frases que lêmos ou ouvimos em determinado momento e que se transformam em grandes e sólidas pedras que utilizamos na construção de nós próprios.
Mas essa transformação é feita, por vezes, por subtis razões: porque tocava aquela música, porque a luz incidia de determinada maneira, porque o episódio determinante se relaciona com um outro ou outros insignificantes e de que já nos esquecemos, cuja função foi apenas a de realçar aquele que se tornou determinante.
Quando tentamos descrever essas experiências a alguém, sem a música e sem a luz, torna-se difícil que nos compreendam na plenitude, o Buba, no entanto, consegue sempre transmitir tudo isso, pelo menos a mim.
Entretanto, nesta versão do meu blogue, não tenho linques; não que não os queira mas apenas porque ainda os não sei colocar e se, por qualquer acaso desta misteriosa "máquina divina" que é a "net", eu me visse forçado a colocar apenas 1 linque, não tenho qualquer dúvida sobre qual seria: O Buba.
É um blogue riquíssimo e notável. É lento no seu rítmo, mas prescutu-o diariamente, ansioso e, de vez em quando, lá surge uma crónica nova, geralmente longa, que nunca me desilude, são sempre, sempre "pérolas".
É notavelmente bem escrito, com rigor, profundidade e algum humor, ainda que por vezes temperado com alguma melancolia.
É livre e não admite censuras de nenhuma espécie, nem mesmo as mais poderosas que estão dentro de nós.
E escreve lucidamente sobre tudo o que o preocupa, seja este triste mundo e esta triste actualidade em que vivemos, sejam memórias longíquas daqueles factos, aparentemente simples e desinteressantes que todavia nos marcam a vida e, o mais espantoso é que o lemos e percebemos porquê, conseguimos ver aquilo que as palavras não conseguem dizer e apenas o coração ou o cérebro percebem. Tem a dimensão da arte.
É neste aspecto que mais gosto do Buba, porque tenho a noção clara de que a nossa ideosincrasia é construída a partir de um somatório de pequenas referências, pequenos episódios que vivemos, pequenas frases que lêmos ou ouvimos em determinado momento e que se transformam em grandes e sólidas pedras que utilizamos na construção de nós próprios.
Mas essa transformação é feita, por vezes, por subtis razões: porque tocava aquela música, porque a luz incidia de determinada maneira, porque o episódio determinante se relaciona com um outro ou outros insignificantes e de que já nos esquecemos, cuja função foi apenas a de realçar aquele que se tornou determinante.
Quando tentamos descrever essas experiências a alguém, sem a música e sem a luz, torna-se difícil que nos compreendam na plenitude, o Buba, no entanto, consegue sempre transmitir tudo isso, pelo menos a mim.
2004-08-12
"The Glory road"
“Quem para nada tem jeito vai para Direito”, referiu, com humor, Mário de Carvalho, numa entrevista a Ana Sousa Dias.
Eu acrescentaria: e daí para para Director Geral e para o Governo.
Eu acrescentaria: e daí para para Director Geral e para o Governo.
2004-08-11
Charadas
I9 é claramente inove
K7 não pode ser outra coisa diferente de capacete, isto independentemente de ser pirata ou não
K7 não pode ser outra coisa diferente de capacete, isto independentemente de ser pirata ou não
2004-08-10
A Democracia é o pior sistema tirando todos os outros
Ora aqui está uma frase, penso que proferida por Churchill e que de tempos a tempos é citada pelos nossos analistas políticos.
Mas é uma frase perigosa, não obstante a sua aparente eloquência, não serve para mais nada que não seja rebater liminarmente qualquer crítica ao sistema, de forma alarve e panfletária, sem qualquer fundamentação e "justificar" todos os abusos ditos democráticos:
- É mau e injusto, certamente, mas o que se há de fazer, não existe sistema melhor.
Eu responderei:
- Há sim, há sempre sistema melhor, tu, que dizes isso, é que talvez fiques pior.
E depois, chama-se democracia a tudo o que tenha votos. Até Salazar construiu em Portugal uma democracia, como dizia a Constituição de 33, se bem me lembro da velhinha OPAN: uma democracia orgânica ! e até tinha votos.
Aquela, claramente, não servia mas a nossa democracia actual também ainda deixa muito a desejar.
Consideremos um pequeno exemplo para reflexão:
Eu disse, uns postes abaixo: "Quando for grande quero ser Deputado da Nação" mas bem posso esperar sentado e contentar-me em ser deputedo como o amigo do meu amigo citado no comentário ao mesmo.
Pois é, ainda que pertença inequivocamente ao "demos" não me deixam sequer submeter-me a votos, a não ser que me filie numa dessas coisas a que chamam partidos, ou seja, a não ser que eu deixe de ser e de pensar como eu. E esta hem ?
Mas é uma frase perigosa, não obstante a sua aparente eloquência, não serve para mais nada que não seja rebater liminarmente qualquer crítica ao sistema, de forma alarve e panfletária, sem qualquer fundamentação e "justificar" todos os abusos ditos democráticos:
- É mau e injusto, certamente, mas o que se há de fazer, não existe sistema melhor.
Eu responderei:
- Há sim, há sempre sistema melhor, tu, que dizes isso, é que talvez fiques pior.
E depois, chama-se democracia a tudo o que tenha votos. Até Salazar construiu em Portugal uma democracia, como dizia a Constituição de 33, se bem me lembro da velhinha OPAN: uma democracia orgânica ! e até tinha votos.
Aquela, claramente, não servia mas a nossa democracia actual também ainda deixa muito a desejar.
Consideremos um pequeno exemplo para reflexão:
Eu disse, uns postes abaixo: "Quando for grande quero ser Deputado da Nação" mas bem posso esperar sentado e contentar-me em ser deputedo como o amigo do meu amigo citado no comentário ao mesmo.
Pois é, ainda que pertença inequivocamente ao "demos" não me deixam sequer submeter-me a votos, a não ser que me filie numa dessas coisas a que chamam partidos, ou seja, a não ser que eu deixe de ser e de pensar como eu. E esta hem ?
2004-08-09
Os “boys”
De tempos a tempos, desde o primeiro Governo de Guterres, ouve-se periodicamente falar dos “boys”, nomeados aos milhares por essa administração pública fora, encarnando a crescente mediocridade que a domina.
E são de todos os tipos, jovens, menos jovens, homens, mulheres, competentes até, muito poucos, (os mais perigosos) e mais ou menos totalmente irrelevantes a maioria, nem bons nem maus, tentam manter-se sem fazer muitas ondas.
Mas há um equívoco que urge esclarecer, não são, como a maioria dos média quer fazer crer, parceiros de partido, podem-no ser mas não é esse o factor determinante, são simplesmente os amigos, da tasca e dos copos nalguns casos, das exposições e concertos noutros casos, das férias conjuntas e das visitas mútuas ou simplesmente velhos colegas de escola e de antigas aventuras.
A fidelidade partidária pode ser um meio que facilite a nomeação mas nunca é um factor determinante.
Na realidade já ninguém quer saber do partido em si ou da sua ideologia, o que é isso ? e dá tanto jeito responder a quem ataca quem os nomeou: que não, que não são “boys”, a maioria até é independente e muitos até são da oposição.
Serão, sim senhor, mas ainda assim, na verdade, não deixam de ser “boys”.
E são de todos os tipos, jovens, menos jovens, homens, mulheres, competentes até, muito poucos, (os mais perigosos) e mais ou menos totalmente irrelevantes a maioria, nem bons nem maus, tentam manter-se sem fazer muitas ondas.
Mas há um equívoco que urge esclarecer, não são, como a maioria dos média quer fazer crer, parceiros de partido, podem-no ser mas não é esse o factor determinante, são simplesmente os amigos, da tasca e dos copos nalguns casos, das exposições e concertos noutros casos, das férias conjuntas e das visitas mútuas ou simplesmente velhos colegas de escola e de antigas aventuras.
A fidelidade partidária pode ser um meio que facilite a nomeação mas nunca é um factor determinante.
Na realidade já ninguém quer saber do partido em si ou da sua ideologia, o que é isso ? e dá tanto jeito responder a quem ataca quem os nomeou: que não, que não são “boys”, a maioria até é independente e muitos até são da oposição.
Serão, sim senhor, mas ainda assim, na verdade, não deixam de ser “boys”.
2004-08-08
Crise criativa
Há dias em que fervilho de ideias que me parecem dignas de ser “postadas”, outros em que tudo me parece sem interesse, enfadonho e descabido..
Como não sou formiga não tendo a guardar do Verão de fartura para a o Inverno intelectual.
Estou num momento de crise criativa, mas como sou português consegui desenrascar-me, precisamente através de um link delicioso para uma entrada da Wikipedia, uma enciclopédia digital, que discorre seriamente, embora em inglês, sobre esse portuguesíssimo conceito do desenrascanço.
Ora façam o favor de ler: fica aqui.
Como não sou formiga não tendo a guardar do Verão de fartura para a o Inverno intelectual.
Estou num momento de crise criativa, mas como sou português consegui desenrascar-me, precisamente através de um link delicioso para uma entrada da Wikipedia, uma enciclopédia digital, que discorre seriamente, embora em inglês, sobre esse portuguesíssimo conceito do desenrascanço.
Ora façam o favor de ler: fica aqui.
2004-08-05
Quando eu for grande
Quero Poder lutar pela prosperidade e bem estar do meu povo.
Quero ser Deputado da Nação.
Quero ser Deputado da Nação.
2004-08-04
É tão confortável
Termos os nossos valoresinhos arrumados na cabeça:
Touradas não, é muito cruel para os pobres animais. Sado-masoquismo ? para mim não, mas entre adultos livres e esclarecidos porque não, eles lá sabem ? e não tenho pachorra para me questionar sobre a natureza do touro, se não será na luta que ele prefere morrer, já tenho a resposta, claro que não, o pobre animal é como eu ou um rato ou uma barata ou qualquer outro animal, o que quer é que não o incomodem.
A maternidade é uma função sagrada, qualquer mulher, Búlgara ou não, miserável ou não que vende o seu filho à nascença por 10 000 Euros é uma miserável desnaturada, Tirem-lhe os 10 000 Euros, se não há leis façam-nas, e deixem-na voltar para a sua miséria, vá trabalhar ou encerrem-na numa masmorra. O casal que compra a criança devia ter mais juízo, não faça isso outra vez. A criança “who cares” ? Volta para a mãe legítima, é claro. O quê ? para a miséria ? para a masmorra ? Ora, não encham a minha cabeça de confusão, dêem apoio psicológico a essa mãe doente.
É preciso é a retoma rápido, venha a minha promoção, já há dois anos que não tenho umas férias decentes. Há desemprego ? ora, a economia em estimulando vai empregar toda a gente com certeza, menos os preguiçosos que não querem trabalhar, só querem viver à custa dos subsídios que eu pago com os meus impostos, vão trabalhar malandros, eu não lhes arranjo emprego, era só o que faltava, mas a retoma vai resolver todos os problemas e se não o faz devia, é porque vocês não votam nos que merecem.
Touradas não, é muito cruel para os pobres animais. Sado-masoquismo ? para mim não, mas entre adultos livres e esclarecidos porque não, eles lá sabem ? e não tenho pachorra para me questionar sobre a natureza do touro, se não será na luta que ele prefere morrer, já tenho a resposta, claro que não, o pobre animal é como eu ou um rato ou uma barata ou qualquer outro animal, o que quer é que não o incomodem.
A maternidade é uma função sagrada, qualquer mulher, Búlgara ou não, miserável ou não que vende o seu filho à nascença por 10 000 Euros é uma miserável desnaturada, Tirem-lhe os 10 000 Euros, se não há leis façam-nas, e deixem-na voltar para a sua miséria, vá trabalhar ou encerrem-na numa masmorra. O casal que compra a criança devia ter mais juízo, não faça isso outra vez. A criança “who cares” ? Volta para a mãe legítima, é claro. O quê ? para a miséria ? para a masmorra ? Ora, não encham a minha cabeça de confusão, dêem apoio psicológico a essa mãe doente.
É preciso é a retoma rápido, venha a minha promoção, já há dois anos que não tenho umas férias decentes. Há desemprego ? ora, a economia em estimulando vai empregar toda a gente com certeza, menos os preguiçosos que não querem trabalhar, só querem viver à custa dos subsídios que eu pago com os meus impostos, vão trabalhar malandros, eu não lhes arranjo emprego, era só o que faltava, mas a retoma vai resolver todos os problemas e se não o faz devia, é porque vocês não votam nos que merecem.
2004-08-03
Sabedoria popular
Sábado, regressados das compras domésticas, acabados de nos estirar frente à toda poderosa TV, ouço a minha mulher murmurar:
- Céu cavado aos 3 dias é molhado.
- O quê ? pergunto eu, que não esperava, naquele momento, aquela tirada insólita.
Ela repete e explica que dizem no Alentejo que quando o céu está cavado, isto é, coberto de pequenas nuvens formando uma espécie de ondulação, passados 3 dias chove.
Fui à janela e confirmei o que ela queria dizer: o céu estava cavado, recorri ao teletexto da tv a verifiquei que no norte do país poderiam ocorrer aguaceiros mas nada para Lisboa onde se esperava a continuação do Verão radioso.
Hoje, enquanto almoço, olho pela janela e vejo cair a chuva, ora leve ora de forma mais intensa. Aquele episódio voltou-me à memória. Telefonei para a Fátima e confirmei: a conversa do céu cavado foi no Sábado, passou Domigo, Segunda, Terça e zás, o dia está molhado.
Foi uma feliz coincidência, claro, mas contribuem para alimentar as minhas dúvidas:
Dizem que o clima está a mudar pela acção humana. Será ? ou é a nossa vida que é demasiado curta para compreender os ciclos cósmicos que a memória colectiva ainda vai conservando ?
- Céu cavado aos 3 dias é molhado.
- O quê ? pergunto eu, que não esperava, naquele momento, aquela tirada insólita.
Ela repete e explica que dizem no Alentejo que quando o céu está cavado, isto é, coberto de pequenas nuvens formando uma espécie de ondulação, passados 3 dias chove.
Fui à janela e confirmei o que ela queria dizer: o céu estava cavado, recorri ao teletexto da tv a verifiquei que no norte do país poderiam ocorrer aguaceiros mas nada para Lisboa onde se esperava a continuação do Verão radioso.
Hoje, enquanto almoço, olho pela janela e vejo cair a chuva, ora leve ora de forma mais intensa. Aquele episódio voltou-me à memória. Telefonei para a Fátima e confirmei: a conversa do céu cavado foi no Sábado, passou Domigo, Segunda, Terça e zás, o dia está molhado.
Foi uma feliz coincidência, claro, mas contribuem para alimentar as minhas dúvidas:
Dizem que o clima está a mudar pela acção humana. Será ? ou é a nossa vida que é demasiado curta para compreender os ciclos cósmicos que a memória colectiva ainda vai conservando ?
2004-08-02
A menina do anúncio do Actimel
É um pouco como eu, também não tenho nenhum feitio para estar doente.
2004-07-31
Noite dos bombos
Uma zona autónoma temporária, no sentido de Akim Bey, que se repete anualmente desde há vários anos e onde a generalidade das regras comuns são momentaneamente esquecidas.
Não se pode descrever, apenas viver, é única.
Foi ontem em Mirandela, repetir-se-á no próximo ano.
Não se pode descrever, apenas viver, é única.
Foi ontem em Mirandela, repetir-se-á no próximo ano.
2004-07-30
Manuel Alegre
Mais um candidato à liderança do PS entrevistado por Judite de Sousa.
Com este não brinco, tenho-o por homem sério, com um percurso de vida notável ao serviço da sua razão temperada com uma notável sensibilidade poética..
Apenas lamento que no seu discurso permaneça a fidelidade ao fantasma denominado esquerda, sempre ocupado na luta contra o outro fantasma chamado direita e com uma fé inquebrantável noutro fantasma chamado "democracia".
Enquanto se degladia com fantasmas outros irão manipular instrumentos de carne e osso e tudo continuará com Manuel Alegre no Olimpo, respeitado sim, mas significando nada.
Com este não brinco, tenho-o por homem sério, com um percurso de vida notável ao serviço da sua razão temperada com uma notável sensibilidade poética..
Apenas lamento que no seu discurso permaneça a fidelidade ao fantasma denominado esquerda, sempre ocupado na luta contra o outro fantasma chamado direita e com uma fé inquebrantável noutro fantasma chamado "democracia".
Enquanto se degladia com fantasmas outros irão manipular instrumentos de carne e osso e tudo continuará com Manuel Alegre no Olimpo, respeitado sim, mas significando nada.
2004-07-29
Mensagens
Já nem reparo naquelas mensagens doentias que a lei manda pôr nos maços de cigarro.
Ontem porém, reparei numa mensagem, para mim, nova que dizia o seguinte:
“O fumo contem benzeno, nitrosaminas, formaldeído e cianeto de hidrogénio”
Creio que pouca gente sabe interpretar o significado profundo da presença dessas substâncias no fumo do tabaco mas conhecendo o objectivo desmobilizador dessas mensagens, presumo que serão tudo venenos de alto calibre.
Só uma coisa me sossegou: pelo menos o fumo parece não conter os tenebrosos bífidos activos, os glutões verdes ou o sinistro ómega 3 que estão presentes noutros produtos que se vendem impunemente no mercado.
Ontem porém, reparei numa mensagem, para mim, nova que dizia o seguinte:
“O fumo contem benzeno, nitrosaminas, formaldeído e cianeto de hidrogénio”
Creio que pouca gente sabe interpretar o significado profundo da presença dessas substâncias no fumo do tabaco mas conhecendo o objectivo desmobilizador dessas mensagens, presumo que serão tudo venenos de alto calibre.
Só uma coisa me sossegou: pelo menos o fumo parece não conter os tenebrosos bífidos activos, os glutões verdes ou o sinistro ómega 3 que estão presentes noutros produtos que se vendem impunemente no mercado.
2004-07-27
Não suporto mais
Ver ler e ouvir minutos a fio em todos os noticiários imagens do meu país a arder.
Ver ler e ouvir as estafadas explicações sobre a falta de limpeza das matas, as beatas deitadas dos carros e os foguetes das festas de aldeia.
O fogo faz parte do ecossistema mediterrâneo mas não é deste fogo ou destes fogos naturais que estamos a falar, o que vejo leio e ouço é um triste holocausto ao deus capital da indústria dos fogos, é outra escala, é outra coisa, não tem nada a ver.
As limpezas de mata, os foguetes, os cigarros (estes então têm as costas larguíssimas, conheço estudos que demonstram que é muito difícil atear um fogo em restolho seco com uma beata a arder, como sabe aliás quem já acendeu uma fogueira) aumentam o risco numa percentagem mas são incapazes de multiplicar por 5 ou por 10 a dimensão dos incêndios a que assistimos: estamos numa escala de loucura.
Não é preciso investigar para saber que fogos nesta escala, articulados, organizados, com várias frentes colossais, concentrando-se sucessivamente em zonas específicas a massacrar não nascem na natureza.
Ver ler e ouvir as estafadas explicações sobre a falta de limpeza das matas, as beatas deitadas dos carros e os foguetes das festas de aldeia.
O fogo faz parte do ecossistema mediterrâneo mas não é deste fogo ou destes fogos naturais que estamos a falar, o que vejo leio e ouço é um triste holocausto ao deus capital da indústria dos fogos, é outra escala, é outra coisa, não tem nada a ver.
As limpezas de mata, os foguetes, os cigarros (estes então têm as costas larguíssimas, conheço estudos que demonstram que é muito difícil atear um fogo em restolho seco com uma beata a arder, como sabe aliás quem já acendeu uma fogueira) aumentam o risco numa percentagem mas são incapazes de multiplicar por 5 ou por 10 a dimensão dos incêndios a que assistimos: estamos numa escala de loucura.
Não é preciso investigar para saber que fogos nesta escala, articulados, organizados, com várias frentes colossais, concentrando-se sucessivamente em zonas específicas a massacrar não nascem na natureza.
2004-07-26
2004-07-24
Sexta-feira negra
Para além de Paredes, como muitos blogues assinalam, morreu também ontem Serge Reggiani.
Também Sacha Distel nos deixou ontem, embora este me diga muito pouco.
Também Sacha Distel nos deixou ontem, embora este me diga muito pouco.
2004-07-23
João Soares tem a solução
Acabei de ver a entrevista de Judite de Sousa a João Soares como candidato a Secretário geral do PS.
Retive que João Soares tem uma ideia firme: defender o direito das mulheres, com ele o Governo terá 50% de mulheres.
Comprometeu-se mesmo nesse propósito com o povo português.
Penso que esta é a resposta correcta a Santana Lopes que colocou apenas algumas “santanetes” no Governo.
Com João Soares podemos estar certos que teremos um Governo cheio de “joanetes”
Retive que João Soares tem uma ideia firme: defender o direito das mulheres, com ele o Governo terá 50% de mulheres.
Comprometeu-se mesmo nesse propósito com o povo português.
Penso que esta é a resposta correcta a Santana Lopes que colocou apenas algumas “santanetes” no Governo.
Com João Soares podemos estar certos que teremos um Governo cheio de “joanetes”
Está descoberto o mistério
O critério para a desconcentração do Governo parece que é o da residência dos Secretários de Estado a deslocar que assim, aliás, não se deslocam, permitindo-lhes continuar a tomar a bica no café habitual e ter o prazer de ouvir o Sr. Fonseca perguntar:
- Quer a chávena escaldada Sr. Secretário de Estado ?
Os assuntos de Estado são deste modo tratados com muito mais amor e carinho.
É a tão desejada humanização da infernal máquina da governação.
- Quer a chávena escaldada Sr. Secretário de Estado ?
Os assuntos de Estado são deste modo tratados com muito mais amor e carinho.
É a tão desejada humanização da infernal máquina da governação.
2004-07-21
O nosso novo Primeiro Ministro
O nosso novo Primeiro Ministro tem um pequeno problema: espalha-se um bocadinho, quero dizer espalha-se um bocado, enfim, espalha-se muito, pronto, é a cada passo, já disse.
2004-07-20
A minha Pátria é a Língua Portuguesa
Vou-lhes contar uma pequena história passada em Szczecin, no Noroeste da Polónia, mais precisamente na chamada Pomerânia.
Para um ou outro leitor menos familiarizado com o polaco adiantaria que o SZ se pronuncia mais ou menos como X em português, o CZ como TX (ou o CH transmontano) e o C como TS. Com estes pequenos rudimentos de informação penso que se torna pronunciável aquele arrazoado de consoantes que denomina a cidade de Szczecin.
Acabado de fazer o meu “check in” num hotel de Szczecin, telefono à minha mulher para lhe dar conta de que estava vivo e bem e, quando termino esta chamada, sou surpreendido pela simpática e bonita recepcionista que me pergunta com toada brasileira:
Fala português ?
Logo lhe disse que sim, naturalmente, dado que até era português como constava no passaporte que ele tinha acabado de consultar. O surpreendente mesmo é que ela o falasse com fluência, sendo polaca.
Logo me contou a história da sua vida, vivida parcialmente no Brasil, história essa que não obstante o seu interesse é totalmente irrelevante para o que quero dizer aqui.
O que importa é que desse momento em diante passei a ser VIP naquele hotel e era um imenso prazer, no meio dos franceses e polacos que me acompanhavam, poder ter aqueles momentos de privacidade no meio do público.
Mais do que a comunicação privilegiada que pude estabelecer o mais importante, para mim, foi a comunicação que se deixou de estabelecer com os meus companheiros, permitindo-me, pela primeira vez, estabelecer uns momentos de comunicação exclusiva, reservada e íntima.
Nestas férias que acabei de passar, durante o EURO, o local transbordava de estrangeiros das mais diferentes origens e muitas vezes tentei adivinhar curioso que comentários teceriam aqueles Suecos, Dinamarqueses ou Noruegueses, dado que nem esse pequeno segredo consegui desvendar ao certo.
Por outro lado o inglês que se ouvia por todo lado era transparente incapaz de esconder qualquer segredo, nunca aqueles anglófonos poderão sentir aquele pequeno prazer que eu senti em Szczecin.
Foi então que se me tornou mais clara a expressão de Pessoa que coloquei em título, a língua é de facto muito mais do que um código de comunicação está mesmo na essência da nossa identidade.
Tive então alguma pena dos ingleses, americanos etc pelo enorme esforço que fazem para dar a sua língua a todo o mundo mas, ao fazê-lo, é um pouco da sua identidade que oferecem também e que vão perdendo para si.
Para um ou outro leitor menos familiarizado com o polaco adiantaria que o SZ se pronuncia mais ou menos como X em português, o CZ como TX (ou o CH transmontano) e o C como TS. Com estes pequenos rudimentos de informação penso que se torna pronunciável aquele arrazoado de consoantes que denomina a cidade de Szczecin.
Acabado de fazer o meu “check in” num hotel de Szczecin, telefono à minha mulher para lhe dar conta de que estava vivo e bem e, quando termino esta chamada, sou surpreendido pela simpática e bonita recepcionista que me pergunta com toada brasileira:
Fala português ?
Logo lhe disse que sim, naturalmente, dado que até era português como constava no passaporte que ele tinha acabado de consultar. O surpreendente mesmo é que ela o falasse com fluência, sendo polaca.
Logo me contou a história da sua vida, vivida parcialmente no Brasil, história essa que não obstante o seu interesse é totalmente irrelevante para o que quero dizer aqui.
O que importa é que desse momento em diante passei a ser VIP naquele hotel e era um imenso prazer, no meio dos franceses e polacos que me acompanhavam, poder ter aqueles momentos de privacidade no meio do público.
Mais do que a comunicação privilegiada que pude estabelecer o mais importante, para mim, foi a comunicação que se deixou de estabelecer com os meus companheiros, permitindo-me, pela primeira vez, estabelecer uns momentos de comunicação exclusiva, reservada e íntima.
Nestas férias que acabei de passar, durante o EURO, o local transbordava de estrangeiros das mais diferentes origens e muitas vezes tentei adivinhar curioso que comentários teceriam aqueles Suecos, Dinamarqueses ou Noruegueses, dado que nem esse pequeno segredo consegui desvendar ao certo.
Por outro lado o inglês que se ouvia por todo lado era transparente incapaz de esconder qualquer segredo, nunca aqueles anglófonos poderão sentir aquele pequeno prazer que eu senti em Szczecin.
Foi então que se me tornou mais clara a expressão de Pessoa que coloquei em título, a língua é de facto muito mais do que um código de comunicação está mesmo na essência da nossa identidade.
Tive então alguma pena dos ingleses, americanos etc pelo enorme esforço que fazem para dar a sua língua a todo o mundo mas, ao fazê-lo, é um pouco da sua identidade que oferecem também e que vão perdendo para si.
2004-07-19
... Liberdade Política:
Que devemos entender por esta expressão ? A libertação do indivíduo em relação ao Estado e as suas leis ? Não, pelo contrário: a sujeição do indivíduo ao Estado e às suas leis. Porque razão se fala então de liberdade ?...
Max Stirner - “O Único e a Sua Propriedade” (finalmente uma edição em português, graças à Antígona)
Max Stirner - “O Único e a Sua Propriedade” (finalmente uma edição em português, graças à Antígona)
2004-07-18
Ninguém viu
A dança dos nomes dos ministérios atraíram algum interesse da comunicação social.
O espanto de Paulo Portas por saber, no exacto momento da posse, que era ministro não só da defesa mas também dos assuntos do mar, foi amplamente comentado. Quem discutia se era a baleia ou o tubarão branco o rei dos mares desiluda-se, agora o rei dos mares, que vela por todos os assuntos, é Paulo Portas e, diga-se de passagem, eu acho que é claríssimo que Paulo Portas é bem mais capaz para tratar desses assuntos do que qualquer tubarão pretensioso, foi uma decisão muito acertada de Santana Lopes.
Pacheco Pereira, na Quadratura do Circulo, disse que só uma mudança de nome de um ministério provoca custos desnecessários e uma enorme perturbação na máquina da administração: Está completamente enganado, são essas alterações orgânicas dos ministérios que justificam a máquina pesada da função pública, que se rebola de prazer, por ter qualquer coisa “importante” para se entreter.
Exercer finalmente os seus poderzinhos, rejeitar uma informação, laboriosamente construída, porque no cabeçalho não consta a família e a criança na Segurança Social, como é possível estar-se tão distraído ?
São estas mudanças que alimentam e deleitam “O Castelo”, preenchem enormes tempos de lazer, alimentam anedotas privadas, facilitam lutas contra a hierarquia, permitem remoques sobre a competência ou incompetência dos colegas.
Venham assim estas alterações que transforma uma penosa marcha para a frente numa interessante e divertida ginástica aeróbica ao som da música.
Essas mudanças, todavia, também têm outra função, dão sinais claros sobre a forma como se encara o país e as suas prioridades e é neste domínio que interpreto uma mudança de nome que não perturbou ninguém: a do Ministério da Agricultua Desenvolvimento Rural e Pescas que passa a Ministério da Agricultura, Pescas e Florestas.
O desenvolvimento rural, segundo pilar da PAC, de importância crescente na Europa, termina a sua lenta agonia em Portugal, já nem no nome fica, é a estocada final, caso não venha a UE trazer algum balão de oxigénio.
O espanto de Paulo Portas por saber, no exacto momento da posse, que era ministro não só da defesa mas também dos assuntos do mar, foi amplamente comentado. Quem discutia se era a baleia ou o tubarão branco o rei dos mares desiluda-se, agora o rei dos mares, que vela por todos os assuntos, é Paulo Portas e, diga-se de passagem, eu acho que é claríssimo que Paulo Portas é bem mais capaz para tratar desses assuntos do que qualquer tubarão pretensioso, foi uma decisão muito acertada de Santana Lopes.
Pacheco Pereira, na Quadratura do Circulo, disse que só uma mudança de nome de um ministério provoca custos desnecessários e uma enorme perturbação na máquina da administração: Está completamente enganado, são essas alterações orgânicas dos ministérios que justificam a máquina pesada da função pública, que se rebola de prazer, por ter qualquer coisa “importante” para se entreter.
Exercer finalmente os seus poderzinhos, rejeitar uma informação, laboriosamente construída, porque no cabeçalho não consta a família e a criança na Segurança Social, como é possível estar-se tão distraído ?
São estas mudanças que alimentam e deleitam “O Castelo”, preenchem enormes tempos de lazer, alimentam anedotas privadas, facilitam lutas contra a hierarquia, permitem remoques sobre a competência ou incompetência dos colegas.
Venham assim estas alterações que transforma uma penosa marcha para a frente numa interessante e divertida ginástica aeróbica ao som da música.
Essas mudanças, todavia, também têm outra função, dão sinais claros sobre a forma como se encara o país e as suas prioridades e é neste domínio que interpreto uma mudança de nome que não perturbou ninguém: a do Ministério da Agricultua Desenvolvimento Rural e Pescas que passa a Ministério da Agricultura, Pescas e Florestas.
O desenvolvimento rural, segundo pilar da PAC, de importância crescente na Europa, termina a sua lenta agonia em Portugal, já nem no nome fica, é a estocada final, caso não venha a UE trazer algum balão de oxigénio.
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