2010-07-14

O que é que o episódio de Alexandre Magno e do nó Górdio, poderá ter a ver com Sócrates e a golden share na PT (explicado às crianças).

PARTE IV e última
Pois é não foi amanhã como prometi no último episódio mas foi depois de amanhã.
Mas vamos ao que interessa:
Como vimos o Estado tem a seu cargo os chamados serviços essenciais, aqueles que não podem falhar sem grande dano para os cidadãos, como a recolha do lixo, de que já falei, mas também a distribuição de energia e de água, por exemplo, e isto para que se não caia no risco de em mãos privadas eles falharem em qualquer ponto simplesmente porque não dão lucro.
Estes serviços ,contudo, são provisionados pelo mercado, eu pago a electricidade e a água que consumo e como são produtos essenciais têm venda praticamente garantida e todos os privados querem negócios destes.
O Estado, por outro lado, dá-lhe jeito vender estes serviços, porque arrecada mais algum dinheiro e não tem o trabalho nem os custos para os manter.
Assim tudo se conjuga para que o Estado venda essas empresas aos privados, só que há um problema, é que quando vende já não é dele e assim não pode mandar.
Mas como o Estado é engenhoso inventou um processo.
Perguntou, não posso mandar porquê? Se eu não mandar os malandros dos privados ainda lhes vão faltar posso criar uma figura chamada “golden share” “acções douradas”.
A Opinião pública, os cidadãos, percebem isto, faltar a luz e a água é que não, pois que seja que o Estado a continuar a mandar.
Com a opinião pública favorável, os privados pensam assim: “que seja, já que os lucros continuam nossos”, se houver algum problema logo vemos.
E a tal “Golden Share” é criada e diz mais ou menos isto, o Estado não põe dinheiro nesta empresa mas pode mandar nela sempre que seja preciso.
O que é normal é que sejam os donos a mandar, mas o Estado entende que isso não está escrito em lado nenhum e manda a espadeirada como Alexandre Magno madou no nó górdio.
E tal como para o Alexandre resultou, foi assim que o Estado português mandou na PT mesmo que da PT só tenha um bocadinho equivalente às torneiras do lavatório.
Como já disse, na história do Alexandre Magno não apareceu nenhum juiz a acusá-lo de batota, mas no caso português já apareceu um Juiz da União Europeia a dizer isso mesmo.
Mas como diz o povo: “enquanto o pau vai e vem, folgam as costas” e estas pauladas vão ser a rítmo de caracol e no fim, mesmo que tudo corra mal, logo se inventa outra solução.
Para inventar os seres humanos são especialistas, essa é que é essa.

2010-07-12

O que é que o episódio de Alexandre Magno e do nó Górdio, poderá ter a ver com Sócrates e a golden share na PT (explicado às crianças).

PARTE III
Meus amigos, deixemos a Frígia, há muito, muito tempo.
Abram as vossas asas, liguem os vossos reactores de imaginação e voem pelo espaço e pelo tempo até um cantinho no Ocidente da Europa, chamado Portugal, e posem no ano de 2010.
O que se vê e se vive é a chamada civilização.
Como sempre, nos locais civilizados, existe um Estado, com o seu governo e com todo um aparelho de administração, de serviços públicos e de polícia e existe um mundo, dito privado, de lojas, de fábricas, de escritórios, que também nos prestam serviços e nos vendem coisas.
Como sempre, é o dinheiro que domina tudo e que tudo permite mas também que tudo nos impede, o dinheiro é como se fosse o sangue da sociedade.
E isto é válido tanto para o Estado como para o mundo privado, mas há uma súbtil diferença, o mundo privado pretende sempre ganhar mais e mais dinheiro é só para isso que trabalha. O Estado é mais movido pelo poder, pela possibilidade de mandar, embora que sem dinheiro também não mande nada.
Outra diferença é como o mundo privado e o Estado ganham o seu dinheiro.
O mundo privado recebe-o de nós directamente sempre que nos vende alguma coisa ou no faz qualquer serviço. É provisionado pelo mercado, como dizem os especialistas que sabem destas coisas de dinheiro.
O Estado vai-nos fornecendo serviços e coisas gratuitas, como as ruas e os jardins e os parques infantis que faz, a escola e os hospitais para quando estamos doentes , e cobra tudo por junto através dos chamados impostos que, como o nome já diz, são mesmo impostos, à força, vêm do seu poder, do tal poder do Estado. Os especialistas chamam a esta maneira de cobrar dinheiro, provisão pública.
Isto foi assim pensado no princípio da civilização e tinha uma razão de ser, como os privados só pensam em ganhar dinheiro, por exemplo, podiam não estar para vir buscar o meu lixo, por ser muito longe para eles e eu não ter dinheiro para pagar todos os custos que teriam para o fazer, esse tipo de serviços essenciais, como a recolha do lixo, é, então, geralmente feito pelo Estado, que apenas cobra por grosso e de forma proporcional ao rendimento dos cidadãos (pelo menos teoricamente) permite fazer tudo por todos independentemente das condições de cada um.
Estas eram contudo regras não escritas e, como Alexadre Magno ao partir a corda do nó górdio, com a sua espada,porque ninguém lhe disse que assim era batota (lembram-se dele), muitos começaram a usar as falhas das regras para seu proveito, como se vai ver.
Hoje, à medida que a civilização evoluiu as coisa começaram a ser mais complicadas e misturadas, muitos privados começaram a usar provisão pública para ganharem o seu dinheiro, é o caso, por exemplo, da internet e da TV por cabo que eu pago todos os meses independentemente de usar a internet ou ver a TV muito pouco ou nada. Por outro lado o Estado começou a usar a provisão pelo mercado para ganhar o seu dinheiro, como, por exemplo nas portagens da auto-estrada e nas chamadas taxas moderadoras dos hospitais.
Hoje já é normal para o estado usar expressões tipo “utilizador pagador” e coisas semelhantes que lhe permite arrecadar dinheiro de forma mais expedita e isto para além dos impostos, é claro, porque esses nunca acabam, o nó górdio foi quebrado à espadeirada.
Por agora fico por aqui, amanhã lá chegarei à “golden share”, espero.

2010-07-11

O que é que o episódio de Alexandre Magno e do nó Górdio, poderá ter a ver com Sócrates e a golden share na PT (explicado às crianças).

PARTE II
Ainda se lembram da história que eu contei ontem?
Essa história, como todas as outras histórias antigas e que persistem até hoje na memória de muita gente, assim como muitas histórias infantis, como a do capuchinho vermelho e a da branca de neve, procuram dar-nos ensinamentos, têm geralmente aquilo a que se chama uma mensagem semi-oculta que temos de descobrir e que cada um vai descobrindo à sua maneira, têm aquilo a que se costuma chamar uma moral.
Vejamos a moral desta história.
Toda a gente pensava, naturalmente, que o difícil seria desatar aquele nó, com as mãos, com muita habilidade, compreendendo como a corda se entrelaçava e desfazendo esse entrelace.
Mas isso não estava explícito em regra nenhuma, porque não precisava estar, toda a gente entendia que teria que ser assim.
Mas para isso já havia 500 anos de pessoas a tentar e o certo é que ninguém tinha ainda conseguido.
Aliás é por essa razão que se dá hoje o nome de” nó górdio” a qualquer problema que ninguém consegue resolver.
Alexandre Magno, que já sabia isso tudo e sabia também que certamente, como todos os outros, também não conseguiria desatar o nó, mas que sentia também que era muito importante para ele porque lhe daria muito poder e que ninguém lhe tinha imposto regras e que a sua espada cortaria toda a corda com facilidade, escolheu esse caminho mais fácil, o único ao seu alcance.
Hoje, nessa história, admiramos Alexandre Magno que assim conseguiu o que queria e que aproveitou uma falha do sistema, tirando partido dela.
Na história, poderia ter aparecido um qualquer mago ou juiz que dissesse a Alexandre que o que ele fez foi batota e lhe tirasse o reino, mas de facto não apareceu e a moral da história ficou, mais ou menos, assim: que é justo usarmos toda a nossa habilidade e também a esperteza para conseguirmos vencer os obstáculos que nos são colocados.
Essa moral tem orientado, até hoje, muita gente no mundo em situaçõe reais.
Poderia talvez formular-se assim: se o objectivo é muito importante todos os meios, que ninguém ponha em causa com sussesso,poderão e deverão ser usados.
Os exemplos são muitíssimos no desporto, na guerra, na economia e nas finanças mas perderia muito tempo a apresentá-los aqui, neste momento.
Continuarei então amanhã.

2010-07-10

O que é que o episódio de Alexandre Magno e do nó Górdio, poderá ter a ver com Sócrates e a golden share na PT (explicado às crianças).

PARTE I
Amiguinhos, começo por uma história antiga.
Conta-se que há muitos, muitos anos na Frígia havia um rei que estando a morrer sem ter deixado sucessor, anunciou que o próximo rei chegaria num carro de bois.
Certo dia chegou à Frígia um camponês, chamado Górdio, num carro de bois, tal como dizia a a professia e que assim conseguiu herdar o trono.
Górdio foi então Rei e como foi o facto de ter chegado nesse carro de bois que lhe deu o reinado, resolveu atar esse carro, com umas cordas, tão apertado e tão bem feito, “não fosse o diabo tecê-las”, que ninguém conseguia desatar.
Muitos tentaram, tanto mais que se começou a dizer que quem desatasse esse nó viria a ser o novo rei.
E, durante 500 anos, ninguém conseguiu desatar o tal nó Górdio (ou o nó do Górdio, mais propriamente).
Como a Frígia viveu sem rei todos estes anos, não me perguntem, porque a história não reza, mas presumo que viveram muito bem e felizes.
Mas certo dia chegou Alexadre Magno ou o Grande, que é o que “magno” também quer dizer.
Alexandre Magno era um pouco o que agora chamamos: chico esperto, não queria saber de regras, como muitos de vocês amiguinhos, mais a mais não havia normas escritas,”desatar o nó o que é? É soltar o carro evidentemente, com um golpe de espada parto estas cordas todas e pronto”.
E assim fez, cortou as cordas com a sua espada e ficou Rei.
Esta história ficou desde aí, até à memória de hoje como um hino à “chico espertice”Alexandre Magno foi Rei da Frígia e de grande parte da Ásia Menor (esta parte já não é estória, é mesmo história).

2010-07-07

Notícias

Ontem e ainda hoje, um pouco, os media ocuparam vários minutos dos telejornais para nos dizer e demonstrar com factos e entrevistas que está muito calor, que a proximidade à água ajuda, que temos de beber muito, àgua, de preferência, mas umas minis também têm muita àgua e também podem ajudar.
O ar condicionado sabe bem mas os táxi não têm porque sai muito caro e sem aumentar as tarifas, não dá.
Ficámos todos muito informados e esclarecidos.
Como viveríamos sem esta maravilha da tecnologia.
Ainda morríamos para aí de calor sem mesmo darmos por isso.

2010-07-01

As SCUT

Sempre me intrigou esta expressão.
Não que eu não ouvisse a interpretação, para os media sempre foi simples: “Sem custos para o utilizador”.
Eu pensava: “O S dá para sem, o C, dá para custos, mesmo o U sugere utilizador mas onde estará o P para para e aquele T o que quererá dizer ?
Fui consultar o “site” do ciberdúvidas e lá estava, a propósito do plural, SCUT é um acrónimo que significa “Sem custos para o utilizador”, não tem plural com s, naturalmente, uma SCUT, duas SCUT.
A dúvida persistiu, será que o T é a segunda letra de utilizador?
Consulto “acrónimo”e leio textualmente: “significa o seguinte: palavra formada pelas letras iniciais de várias outras palavras que constituem uma denominação e que se pronuncia como uma palavra normal.”
Formada por iniciais, dizia o meu velho e excelente mestre: José Neves Henriques, que acrescenta, como é seu apanágio, a explicação etimológica, vem do Grego “akron” que significa “extremidade.
O T das SCUT persiste misterioso, não é extremidade de nada.
Agora, com a nova política de Sócrates, começo a perceber.
SCUT deve ser mesmo: “Sem Custos, Uma Treta.”
Fiquei confortado por ter finalmente uma luz de compreenção.

2010-06-27

Catchup e Catch up

Tendo-me sido levantadas dúvidas sobre a expressão utilizada entre aspas, na crónica abaixo esclareço o seguinte:
Ketchup, é uma receita tradicional malaia, cujas diversas imitações industriais são designadas em Inglês pelas transliterações KETCHUP ou CATCHUP.
Catch up, como eu escrevi, é uma expressão coloquial da língua inglesa com o significado de “despacha-te; aproxima-te; chega até nós” dita a alguém que se atrasa.
É desta semelhança fónica que provem o humor de uma significativa anedota contada numa cena do filme “Pulp Fiction” que passo a recordar a quem viu o filme:
Dois tomates caminhavam na rua mas um foi espezinhado. O que passou volta-se para o primeiro e diz “Catch up”.
O que ao ouvido tanto significa “despacha-te” como “ficaste reduzido a Catchup”, ambos os significados apropriados àquela situação tão insólita.
Infelizmente, por uma pequena sondagem que fiz, já quase ninguém se lembra da anedota tendo eu, aparentemente, falhado o efeito que queria obter ao usar a mesma expressão, referindo-me ao ketchup a que Cristiano Ronaldo assimilou os golos que marcaria e, simultaneamente desejando que ele se despache a metê-los.
De preferência já contra a Espanha

2010-06-21

A Coreia do nosso contentamento

De frágil e timorato que Portugal tem sido, desde a fase de apuramento para esta fase final do Campeonato do Mundo de Futebol, até ao primeiro jogo desta fase, contra a Costa do Marfim, algo parece ter mudado hoje.
7-0 à Coreia, é obra notável e fez renascer alguma esperança no coração dos portugueses.
Tudo correu bem desde a invulgar hora do jogo que permitiu aos portugueses associarem dois dos seus maiores prazeres, o almoço e o futebol.
Ao fim da sopa um golito a prometer uma boa digestão, depois entre as dentadas no bacalhau, seguem mais quatro fazendo com que tudo soubesse melhor, por fim, com a bica e o bagaço, lá vêm mais dois, um dos quais que permitiu a Ronaldo abrir o “Catch up” sem contudo ter tido já tempo de estragar o bacalhau com aquele gosto “Yanky” homogeneizador.
Foi tudo perfeito, num dos fora, desta tarde, alguns participantes referiram: foi o melhor almoço da minha vida.
Também acho.

2010-06-20

Porque será?

Que alguns portugueses vivem em Londres e não em London, enquanto, para a generalidade dos jornalistas Saramago vivia em Lanzarote e não em Lançarote.

2010-06-15

O que me irrita mais na Vuvuzela é não conseguir comprar uma

A Vuvuzela é um instrumento irritante, emite urros de elefante que fazem bulir qualquer nervo ancestral da nossa estrutura nervosa que nos irrita, pelo menos à maioria de nós, como as notícias e muitos blogues têm reportado.
Mas esse condão de causar irritação também tem o seu valor: afecta a moral dos adversários, tem o valor artístico de despertar emoções.
Daí que eu queria ter uma para utilizar em momentos especiais.
Engano meu, apesar da vastíssima publicidade, já a procurei em variedíssimos postos da GALP e nada, não há, havia sempre muitas ontém mas hoje nunca há.

2010-06-11

Inversão de papéis

Nestes dias passeei acompanhado de dois dos meus netos.
Nem tudo foi rosas, quando estava com os meus amigos, era frequente algum ou os dois, nos interromperem constantemente com as suas frivolidades.
Hoje vi na TV a situação inversa, num grande encontro promovido pela “LEGO”, algumas crianças estavam concentradas nas sua criações, enquanto os jornalistas os importunavam com perguntas idiotas e infantilizadas, do tipo “achas que tens peças suficientes?”, a que eles iam tentando responder com o mesmo enfado que eu sentia quando os meus netos me interrompiam.
É a TV que vamos tendo, a um nível mental que também não deixou ainda a infância.

2010-06-01

Caçar baratas e invadir navios de ajuda humanitária

Quando uma ou outra barata me invade a casa, a sua eliminação, transforma-se numa das minhas ocupações dos meses quentes.
Até agora, tenho confrontado esta intrusão 3 a 4 vezes por ano.
Tenho guerra aberta contra as baratas, estudei a sua biologia e sei que alguma, mais corajosa, que consiga subir a um terceiro andar e penetrar no meu reino, pode ser macho ou fémea e, se fémea, pode estar grávida ou não.
A minha ciência ainda não consegue detectar esse facto com um simples olhar.
Apenas me resta esperar que não, e, pelo sim, pelo não, procuro matá-las logo.
Aprendi que uma barata grávida, com a capacidade de pôr ovos, muitos, muitíssimos, se deixada em paz, pode encher a minha casa de, para cima de 200, em pouco tempo. Desiquilibrando as forças.
E eu não quero, procura-as, persigua-as, tento matá-las, antes que seja tarde.
Porém, há um problema:
Elas sabem que não são benvindas, têm nos seus genes esta consciência, e lutam pela sua sobrevivência,com uma energia admirável, fogem, correm a uma velocidade alucinante e escondem-se em recantos inacessíveis.
Mas eu, que sou humano e, mais do que as minhas habilidades físicas, posso mobilizar, meios químicos, ardilosos, que só os humanos sabem conceber, uso todos os meios au meu dispôr.
Até agora, tenho ganho estas batalhas sempre, embora o inimigo não descance, nunca.
Esta reflexão particular também se aplica a Israel e ao criminoso assalto a um navio de ajuda humanitária para a facha de gaza.
Os terroristas palestinianos, são as baratas deles ou, como as baratas são para mim, formas de vida a eliminar de qualquer jeito, seja como for.
Quando houvi hoje a notícia, e filmes probatórios, de que militares Israelitas que abordaram o barco, todos artilhados com metralhadoras, coletes e capacetes protectores e tudo, se queixaram que llhes atiraram com cadeiras e paus, achei um pouco ridículo.
Eu também me queixo de que as baratas me fogem! Ora essa!, deviam estar ali submissas, e deixarem-se trucidar para o bem da humanidade.
O meu mundo seria melhor.

2010-05-31

Macacos-Deuses, como sempre


O parlamento, segundo Banksy

2010-05-30

Enquanto o tempo passa

Uma torneiras aberta, por homens, no fundo do Atlântico, jorra, continuamente petróleo para o mar, que enche, enche e vai chegando a terra.
Não é, não tem nada que ver, com petroleiros afundados, a diferença é que isto não tem fim à vista, é petróleo a jorrar, sempre.
Eu sei, que qualquer dia a BP, ajudada pelo governo dos EUA, vão encontrar uma solução espectacular que a vai compensar dos milhões de “ouro negro” atirado a porcos.
Mas um imenso mal fica feito.
È um novo “Chernobil”, desta feita do lado de cá, dos “bons”.

2010-05-23

Post Dedicado a José Sócrates

Que também nos quer empurrar para um samba no escuro

2010-05-22

Interpretação das sondagens

Ontem vieram publicadas novas sondagens sobre o ambiente socio-políticaportuguês.
Diversos analistas fizeram as suas análises e interpretações, complicando coisas simples, como geralmente fazem.
Eu vou dar aqui a minha leitura dos pontos mais significativos:
POLÍTICA
PS mantêm-se ou desce pouco, porquê?
Porque, como o povo pensa: para melhor, está bem, está bem, para pior já basta assim.
O PSD sobe um pouco, porquê?
Porque Pedro Passos Coelho poderá ser uma luz ao fim do túnel.
MEDIDAS FINANCEIRAS
Os portugueses concordam com o aumento de impostos, porquê?
Porque todos os dias lhe lavam o cérebro dizendo-lhes que ou isso ou a desgraça total.
Os portugueses preferiam outras alterações fiscais, porquê?
Porque, já que se tem de pagar mais impostos, que , ao menos, sejam aqueles impostos que só os outros pagam.

2010-05-19

A confissão de Sócrates

Como Sócrates confesou ser dono da estratégia económica em Portugal passámos todos a saber, de fonte insuspeita, quem é o culpado.

2010-05-17

Assim vai a educação em Portugal

Há dias, no programa “Eixo inclinado”, dedicado às nossas misérias, o Prof Nuno Crato mostrou duas perguntas utilizadas em testes do 6º ano de escolaridade (crianças de aproximadamente 12 anos):

Pergunta 1
Entre as 12 horas e as 12 horas e 25, quantos minutos há de diferença?
Claro que para ajudar a difícil resposta, havia apoio gráfico, com relógios analógicos (daí a dificuldade certamente).

Pergunta 2
Quantos são 8 a dividir por 4?
Utilizando, bocados de chocolate desenhados, para pôr o jovem em contexto (fundamental na moderna didática)

Como curioso, que sou, por estas coisas testei estas perguntas no meu neto Pedro de 5 anos.

Respondeu correctamente à primeira e não soube responder à segunda.
Teria metade da cotação, será que o meu neto é génio?
Não sei se feliz ou infelizmente julgo que não, o Pedro não é génio, o que talvez se passe é que os pedagogos de serviço no Ministério da Educação serão talvez imbecis.
Será?

A Promulgação do Casamento Gay

A declaração ao país do Presidente da República sobre o casamento homosexual, recordou-me uma história passada, de um Despacho de um antigo Secretário de Estado a propósito de qualquer coisa de que já não me recordo:
“Despacho
Concordo, contrariado
Seguia a assinatura”

2010-05-14

Mateus 18-19 (por exemplo)

Ontem ouvi uma peregrina, em Fátima, dizer que se queria aproximar do Papa para poder estar mais próxima de Jesus.Se a reflexão dessa peregrina se dedicasse mais à doutrina de Jesus do que ao “espectáculo” da Igreja, saberia que, naquele momento, Jesus estava precisamente ao seu lado.

2010-05-12

Gastar dinheiro

Todos nós, comuns mortais, individuais e organizações, sabemos o que a expressão significa, as opções a fazer, a gestão de um bem escasso.
Todavia os analistas económicos e financeiros que deveriam ver a economia como um todo como um todo global, deveriam ver que cada euro que eu pago, pago-o a alguém ou a alguma coisa que o recebe e quando eu fico mais pobre num euro, alguém ou alguma coisa fica mais rica nesse mesmo euro.
Visto de cima, gastar dinheiro é, simplesmente, fazê-lo circular, mudar de mãos, é uma mera questão de distribuição da riqueza e se a riqueza não flui, tal como se o sangue não flui no nosso corpo, é a morte que ocorre, do nosso corpo num caso ou da sociedade no outro.
Sendo evidente, há muitos especialistas que ainda o não perceberam.

2010-05-11

A Festa do Benfica

De forma penosa mas muito meritória o Benfica lá conseguiu ganhar o Campeonato Nacional de Futebol.
A festa foi como o esperado, euforia dos adeptos em todo o mundo, que tem durado até hoje.
Até a bolsa entrou em euforia e subiu espectacularmente e por mais que os especialistas arranjem outras explicações, não me restam dúvidas de que foi graças ao Benfica.
Só teve uma mancha que resulta dos preparativos da vinda do Papa, os coletes reflectores, ostensivamente verdes, que por toda a cidade, a polícia envergava.
Até a mim, que sou sportinguista, aquele verde destoou na onda vermelha.
Porque será que os coletes têm que ser obrigatoriamente verdes?
Se eu fosse do Benfica refilava.

2010-05-09

Aventura na Feira do Livro – Parte 2

Lá passei para o lado Ocidental, e comecei descendo a primeira ala.
Não sei já se nessa descida ou depois encontrei, em saldo, 3€, um livro que deveria ser obrigatório: “Vivermos e Pensarmos como Porcos” de Giles Chatelet, matemático e filósofo francês, que se suicidou uns tempos depois de publicar este livro e que apresenta uma crítica feroz ao pensamento único e ao pós-modernismo, ainda por cima mal assimilado, que enferma a nossa actual cultura global.
Já o tinha, mas por 3€ era imperdível, comprei de novo para dar a alguém que o leia, é claramente uma pérola no meio do lixo.
Chegando abaixo, voltei para cima pela segunda ala da parte ocidental.
A princípio muitas editoras religiosa, explorando a próxima visita do Papa a Portugal, aqui e além literatura infantil, fui passando mais rápido até que mais em cima me atrai uma montra cheia de George Orwell. Era a Antígona.
Procurei nas minhas referências (Orwell, obviamente está lá com alta cotação) e por uma razão ou outra comprei:
“Na penúria em Paris e Londres”
e “Livros e cigarros”
Ambos de Orwell, passei depois a Corsery (outra referência altamente cotada) e comprei a sua obra principal: “Mendigos e Altivos”.
Estava já no topo da feira com tudo visto.
Quando me preparava já para me ir embora, veio-me à cabeça um grito silencioso semelhante àquele grito de Cruges, no regresso de Sintra descrito por Eça de Queirós, nos Maia: “Esqueceram-me as queijadas!”. Só que o meu grito foi mais: “esquecera-me a Viúva Grávida!.
Se bem leram o post anterior esse era o meu primeiro motivo para visitar a Feira mas após uma visita cuidada e atenta não tinha descoberto onde ele estava.
Na Apel lá me informaram e tive que voltar, de novo para baixo até que numa das associadas da Bertrand lá consegui comprar “A Viúva Grávida” de Martin Amis.
Voltei então feliz para casa.

2010-05-08

Aventura na Feira do Livro

Abriu a Feira do Livro de Lisboa, como sempre, é uma bela oportunidade para comprar livros um pouco mais baratos e ver tudo o que aparece.
Com as ligeiras limitações que a minha doença vai impondo, planeei percorrê-la em duas etapas.
O plano foi este, almocei no Botequim do Rei, mesmo em cima do Parque e da Feira, num “self-Service” relativamente económico e mergulhei nos livros já de barriga cheia, na ala oriental mesmo por baixo do restaurante.
Tinha um livro em mente: “A viúva Grávida” de Martin Amis, que saiu há dias, editado por uma qualquer Editora, tinha ouvido a notícia na TV.
O meu interesse por Martin Amis, nasceu de uma entrevista que passou na TV e que me interessou, numa pesquisa na internet que aumentou o meu interesse e na leitura do único livro de Amis até então traduzido em português e que é o “Money”, grande livro que recomendo a todos.
Mas a Feira tem os seus encantos, tem o lixo e as pérolas e o que nos guia na busca dos tesouros, são as referências que temos, nomes que ouvimos a quem confiamos ou que lemos em livros que gostamos ou que de qualquer modo nos despertam a atenção e a curiosidade. È um mundo privado de referências que vamos construindo ao longo da vida e também de preconceitos que nos fazem fugir a sete pés.
Logo há entrada deparei com uma dessas referências: Akim Bey, e a sua TAZ “Temporary Autonomous Zone” que já tinha lido, extraído da net, na língua original mas que agora via em português, editado pela frenesi, “Zona Autónoma Temporária” e apenas por 5 Euros. Comprei 2 exemplares, um para mim e outro, a ver vamos.
Depois, logo a seguir havia um espaço dos Açores onde perguntei, mais uma vez, em vão, pelas “Ilhas Encantadas” de Raúl Brandão.
Eu nunca li as “Ilhas Encantadas” de Raúl Brandão mas já li de Raúl Brandão o “Húmus”, “El-Rei Jounot” e “Sonhos”, o suficiente para perceber que é um dos maiores escritores da nossa língua, injustamente esquecido. È um prosador-poeta, estou certo de que não haverá melhor livro sobre o arquipélago Açoriano do que “As ilhas Encantadas”. Todavia nem nos Açores nem aqui o consigo encontrar. Porquê?
Como um miúdo numa loja de doces ou de brinquedos, continuei feliz a minha busca.
Mais adiante encontro o mais belo poema do século XX, a “Tabacaria” de Fernando Pessoa ou melhor, de Álvaro de Campos, com a versão original do poema e ainda as versões francesas, castelhana, italiana e inglesa.
Comprei esse livro.
Lembrei-me da história de António Tabuchi que mudou a sua vida e aprendeu português, apenas por ter lido a versão francesa da “Tabacaria”, “Bureau de Tabac”, a impressão que essa leitura lhe causou fê-lo querer sentir esse poema na língua original.
Quando estive em Belgrado conheci Remy, um Sérvio que falava de Fernando Pessoa, talvez lhe envie agora a versão inglesa, embora já a deva ter.
Já no fim dessa ala, estava o pavilhão dos pequenos editores e lá comprei mais um livro, referência militante, da editora Via Óptima, “A História de B” de Daniel Quinn, para oferecer, cumprindo uma promessa.
Chegando abaixo rodei para cima pela segunda ala oriental.
A feira este ano está mais rica em farturas, café e cerveja e pequenas esplanadas onde parei para uma pausa e um cigarro.
Numa banca da Alfaguara, foquei a atenção num romance Valter Hugo Mãe.
Quem é Valter Hugo Mãe? Para mim é uma referência breve de uma ou duas vezes em que o ouvi falar da sua obra, é um jovem escritor, da nova geração a quem tenho de dar o benefício da dúvida, além de que o título me atraía “A máquina de fazer espanhóis”.
Comprei-o para o ler um dia e promovê-lo na minha lista de rederências ou, eventualmente bani-lo de vez.
Cheguei finalmente ao topo da segunda ala oriental, metade da feira estava vista seria aí o suposto fim da primeira visita.
Porém sentia-me bem, a doença, ELA, parecia que me tinha abandonado transitoriamente, resolvi prosseguir para a primeira ala do lado Ocidental
Mas como o relato vai longo, depois contarei o resto

2010-05-02

Interpretações

O que mais admiro num intérprete é essa noção difusa, indefinível a que se chama precisamente a interpretação, a forma como consegue transmitir as emoções contidas na obra que interpreta.
Para exemplificar esta noção escolhi uma obra bastante conhecida, pelo menos pelos da minha geração, e que é “Just like a rolling Stone” de Bob Dylan.
Curiosamente de Bob Dylan que é ele próprio conhecido por nunca interpretar duas vezes da mesma maneira a mesma canção e impediu-me de encontrar a sua interpretação original que ficou mais conhecida pela gravação em disco.
O poema relata-nos a história de alguém bem sucedido na sociedade, orgulhoso e confiante, desprezando toda a marginalidade e que se vê subitamente caído, ele próprio, nessa marginalidade
A interpretação de BobDylan, traduz aquele misto de escárnio e superioridade moral por aquela lição de vida tão justa e apropriada.
No fundo procura dizer bem feita e foi desta mesma forma que os diversos intérpretes dessa mesma canção a têm interpretado, como Mick Jagger e os Rolling Stones a interpretam no filme que segue.



E é uma excelente interpretação digna da igualmente excelente interpretação original de Dylan.

Mas há dias conheci uma abordagem diferente ao mesmo poema, à mesma história.
Trata-se da interpretação de Barb Jungr, a quem o poema apenas lhe transmitiu tristeza simpatia e solidariedade e é precisamente esse sentimento que transmite aqui também excelentemente.
Quase que parece outra música





Por ultimo fica uma interpretação mais recente desta mesma música por um Bob Dylan muito mais velho e que se apresenta de forma muito diferente da original.
Aqui também já uma certa tristeza pela situação se começa a vislumbrar.




De qualquer forma são 3 excelentes interpretações, todas diferentes e todas brilhantes.