Eu não queria falar disto, até a palavra me incomoda, “bulling”.
No meu tempo de estudante e presumo que em todos os tempos de estudante, não havia “bulling” o que havia era porrada, andávamos muito à porrada e nesse jogos dá-se e leva-se, eu até fui um que levou bastante mas também deu alguma coisa.
E essa porrada não tinha sentido nenhum, no plano imediato, era, como julgo que agora, uma simples questão de afirmação de poder, na “alcateia”, a tentativa de estabelecer uma hierarquia.
Nesse jogo os mais fortes fisicamente levavam a melhor, e depois havia um séquito de fracos que adulavam os fortes e servindo-os escapavam, lamentavelmente, eram os fracos, independentes que apanhavam mais. Embora, mesmo para esses por vezes houvesse todo um jogo de alianças e de manhas, que minimizavam os danos, ainda que para alguns mais frágeis ficassem marcas profundas e um intenso sofrimento.
Aliás, no meu tempo, era na escola primária que isso se via mais, entre os 6 e os 10 anos, a partir daí a força física deixava de ser o único valor, o aspecto físico e a força económica ganhavam outro estatuto e a linguagem, o voto ao ostracismo, as pequenas sacanices levavam a melhor sobre a porrada.
Era duro, gerava medos e inseguranças mas sempre encarei tudo isso como uma parte do processo educativo, para nos preparar melhor para o “bulling” constante que enfrentamos na vida, a mesma agressividade gratuita, a mesma violência descabida.
Agora, com esta simples palavra em Inglês, ganhou, como tudo, o estatuto de espectáculo.
2010-03-26
2010-03-20
A globalização contada às crianças
Parte V
A globalização
Amiguinhos
A globalização é a civilização mas em grande, em tão grande que envolve o mundo inteiro.
Nós já falámos de como o ouro se tornou essencial para termos acesso às coisas e falámos também no papel moeda que faziam alguns homens a que chamamos bancos, que guardavam o ouro dos outros e escreviam num papel a quantidade de ouro que guardavam e que restituíam quando o papel lhes era dado de novo, menos um bocadito para pagar o seu trabalho.
A imaginação do homem continuou a inventar coisas, muitas coisas, até ao dia de hoje, onde já temos carros aviões, televisão, internet e telefones que permitem que os vários bandos de homens e os vários Estados rapidamente contactem uns com outros e comprem e vendam produtos.
Entretanto os tais bancos começaram a notar que o ouro que gastavam ficava lá muito tempo guardado, porque o papel permitia comprar tudo sem se ter o trabalho de carregar o tal ouro e, então, pensaram assim, eu posso passar mais papéis do que o ouro que tenho porque eles nunca vêm buscá-lo todos ao mesmo tempo.
Assim foram fazendo e ficando mais ricos mas por vezes havia problemas porque muitas pessoas queriam o ouro ao mesmo tempo e eles não tinham para lhes entregar.
Então os Estados tomaram em mão o fazer esses papéis e, assim, cada um decidiu fazer a sua própria moeda que correspondia ao ouro que tinham guardado.
Acontece que mesmo os Estados pensavam como os banqueiros e começaram a fazer mais moeda do que o ouro que tinham.
Para as pessoas tanto fazia, porque os papéis valiam como o ouro e toda a gente o aceitava em pagamentos mas aos poucos o dinheiro ia sendo mesmo aquilo que era, apenas papel, embora um papel simbólico.
Com a internet e os cartões e tudo o mais nem sequer era preciso o papel moeda, bastava o registo, bastava ficar escrito o dinheiro que cada um tinha.
Claro que isto era uma confusão global, alguns estados tinham muito ouro e a moeda correspondente e outros não.
Certa vez houve uma grande reunião em Brenton-Woods com todos os estados para tentarem pôr ordem nisto e ficou combinado que para o dinheiro que cada estado fazia, tinha que haver a mesma quantidade de ouro ou de “dolars” que era dinheiro dos Estados Unidos, e que se prontificou a que cada “dolar” correspondesse aos seu valor em ouro. Até se criou uma espécie de polícia para fiscalizar isto, que se chama FMI, mas com ou sem polícia tudo descambou outra vez, porque mesmo os Estados Unidos começaram a fazer moeda sem terem o ouro para isso.
Para as pessoas isto tanto fazia porque o dinheiro tem sido sempre aceite mas como cada vez vale menos os preços das coisa começaram sempre a subir,.
É a chamada inflação que se diz sempre que são as coisas a subir de preço mas que na verdade é apenas o dinheiro a perder valor, sempre, sempre.
No mundo global tudo gira em volta do dinheiro e todos querem ter muito dinheiro e assim os Estados vão fazendo mais dinheiro até que um dia todos os homens percebam que aquilo é só papel, é uma abstracção é uma ficção.
È mais um produto da imaginação do homem mas que enquanto vale não temos outro remédio senão o usar porque não podemos ter nada sem dinheiro e temos de esperar que não haja mais crises financeiras que surgem quando aqui e ali se verifica o óbvio, que afinal o dinheiro não vale nada.
Mas no mundo global os homens têm que ser todos como aquele soldados do filmezinho a baixo, têm que ser como máquinas, fazer tudo como o sistema manda se não, não têm dinheiro, não têm essa coisa que só vale porque as pessoas estão convencidas de que vale.
Houve um homem sábio chamado Freud que escreveu um texto chamado “O mal estar da civilização”.
Esse mal estar, que é geral e crescente vem da constatação de que o mundo global só é viável se todos os homens deixarem de pensar pela sua cabeça e todos fizerem tal qual como o tal mundo global quer, só assim podemos viver todos juntos.
Mas, alguns, muitos de nós, não gostamos de ser máquinas.
Ainda que máquinas bonitas e bem lubrificadas e com toda a assistência técnica.
Isso dá-nos mal-estar.
No fundo, o que eu vos queria dizer é que a globalização é inviável, como ireis ver.
FIM
A globalização
Amiguinhos
A globalização é a civilização mas em grande, em tão grande que envolve o mundo inteiro.
Nós já falámos de como o ouro se tornou essencial para termos acesso às coisas e falámos também no papel moeda que faziam alguns homens a que chamamos bancos, que guardavam o ouro dos outros e escreviam num papel a quantidade de ouro que guardavam e que restituíam quando o papel lhes era dado de novo, menos um bocadito para pagar o seu trabalho.
A imaginação do homem continuou a inventar coisas, muitas coisas, até ao dia de hoje, onde já temos carros aviões, televisão, internet e telefones que permitem que os vários bandos de homens e os vários Estados rapidamente contactem uns com outros e comprem e vendam produtos.
Entretanto os tais bancos começaram a notar que o ouro que gastavam ficava lá muito tempo guardado, porque o papel permitia comprar tudo sem se ter o trabalho de carregar o tal ouro e, então, pensaram assim, eu posso passar mais papéis do que o ouro que tenho porque eles nunca vêm buscá-lo todos ao mesmo tempo.
Assim foram fazendo e ficando mais ricos mas por vezes havia problemas porque muitas pessoas queriam o ouro ao mesmo tempo e eles não tinham para lhes entregar.
Então os Estados tomaram em mão o fazer esses papéis e, assim, cada um decidiu fazer a sua própria moeda que correspondia ao ouro que tinham guardado.
Acontece que mesmo os Estados pensavam como os banqueiros e começaram a fazer mais moeda do que o ouro que tinham.
Para as pessoas tanto fazia, porque os papéis valiam como o ouro e toda a gente o aceitava em pagamentos mas aos poucos o dinheiro ia sendo mesmo aquilo que era, apenas papel, embora um papel simbólico.
Com a internet e os cartões e tudo o mais nem sequer era preciso o papel moeda, bastava o registo, bastava ficar escrito o dinheiro que cada um tinha.
Claro que isto era uma confusão global, alguns estados tinham muito ouro e a moeda correspondente e outros não.
Certa vez houve uma grande reunião em Brenton-Woods com todos os estados para tentarem pôr ordem nisto e ficou combinado que para o dinheiro que cada estado fazia, tinha que haver a mesma quantidade de ouro ou de “dolars” que era dinheiro dos Estados Unidos, e que se prontificou a que cada “dolar” correspondesse aos seu valor em ouro. Até se criou uma espécie de polícia para fiscalizar isto, que se chama FMI, mas com ou sem polícia tudo descambou outra vez, porque mesmo os Estados Unidos começaram a fazer moeda sem terem o ouro para isso.
Para as pessoas isto tanto fazia porque o dinheiro tem sido sempre aceite mas como cada vez vale menos os preços das coisa começaram sempre a subir,.
É a chamada inflação que se diz sempre que são as coisas a subir de preço mas que na verdade é apenas o dinheiro a perder valor, sempre, sempre.
No mundo global tudo gira em volta do dinheiro e todos querem ter muito dinheiro e assim os Estados vão fazendo mais dinheiro até que um dia todos os homens percebam que aquilo é só papel, é uma abstracção é uma ficção.
È mais um produto da imaginação do homem mas que enquanto vale não temos outro remédio senão o usar porque não podemos ter nada sem dinheiro e temos de esperar que não haja mais crises financeiras que surgem quando aqui e ali se verifica o óbvio, que afinal o dinheiro não vale nada.
Mas no mundo global os homens têm que ser todos como aquele soldados do filmezinho a baixo, têm que ser como máquinas, fazer tudo como o sistema manda se não, não têm dinheiro, não têm essa coisa que só vale porque as pessoas estão convencidas de que vale.
Houve um homem sábio chamado Freud que escreveu um texto chamado “O mal estar da civilização”.
Esse mal estar, que é geral e crescente vem da constatação de que o mundo global só é viável se todos os homens deixarem de pensar pela sua cabeça e todos fizerem tal qual como o tal mundo global quer, só assim podemos viver todos juntos.
Mas, alguns, muitos de nós, não gostamos de ser máquinas.
Ainda que máquinas bonitas e bem lubrificadas e com toda a assistência técnica.
Isso dá-nos mal-estar.
No fundo, o que eu vos queria dizer é que a globalização é inviável, como ireis ver.
FIM
2010-03-18
A globalização contada às crianças
Parte IV
A civilização 2
Amiguinhos
Eu escrevo para vocês, meninos e meninas porque vocês vivem uma fase da vossa vida onde ainda estão próximos dos primeiros homens que povoaram a Terra.
Não têm de cuidar ainda do vosso sustento e de onde dormir, estão ricos de imaginação, que é o mais importante como dizia Einstein, só vos falta um pouco de conhecimento, que é o menos importante, mas requer que outros cuidem de vós.
Sei também que muitos de vós são maltratados e mal cuidados, por bem ou por mal, mas isso também acontecia a alguns dos primeiros homens.
No outro dia estive a observar com cuidado um grupo de meninos e meninas que se deslocavam da creche para uma piscina, acompanhados de 3 vigilantes adultos.
O comportamento era o que é de esperar de um grupo de seres humano, cada um diferente do outro e todos únicos.
Às vezes uns andavam mais depressa e saíam do grupo, e o vigilante tinha que os chamar, outros trocavam de posição, enfim vocês sabem como é que se deslocam em grupo. E já vi outros grupos de meninos, vestidos de igual, com bibes e dando as mãos, como lhes indicavam os vigilantes mas, mesmo assim, alguns corriam e passavam para a frente e outros paravam, por vezes.
È isto que se espera de homens livres e diferentes mas agora, olhem com atenção para este filmezinho e depois digam-me o que vêm.
Está visto, são soldados a marchar, coisa banal embora efectivamente estranha com seres humanos livres e diferentes, todos parecem um só, alinhados, vestidos de igual, até cada perna se levanta ao mesmo tempo.
Sabem o que tornou isto possível? Este comportamento hiper-disciplinado e perfeitamente inútil?
Foi precisamente a civilização.
Eles não se movem porque e como querem, andam assim porque são soldados e são supostos andarem assim. Não há outra razão.
A civilização 2
Amiguinhos
Eu escrevo para vocês, meninos e meninas porque vocês vivem uma fase da vossa vida onde ainda estão próximos dos primeiros homens que povoaram a Terra.
Não têm de cuidar ainda do vosso sustento e de onde dormir, estão ricos de imaginação, que é o mais importante como dizia Einstein, só vos falta um pouco de conhecimento, que é o menos importante, mas requer que outros cuidem de vós.
Sei também que muitos de vós são maltratados e mal cuidados, por bem ou por mal, mas isso também acontecia a alguns dos primeiros homens.
No outro dia estive a observar com cuidado um grupo de meninos e meninas que se deslocavam da creche para uma piscina, acompanhados de 3 vigilantes adultos.
O comportamento era o que é de esperar de um grupo de seres humano, cada um diferente do outro e todos únicos.
Às vezes uns andavam mais depressa e saíam do grupo, e o vigilante tinha que os chamar, outros trocavam de posição, enfim vocês sabem como é que se deslocam em grupo. E já vi outros grupos de meninos, vestidos de igual, com bibes e dando as mãos, como lhes indicavam os vigilantes mas, mesmo assim, alguns corriam e passavam para a frente e outros paravam, por vezes.
È isto que se espera de homens livres e diferentes mas agora, olhem com atenção para este filmezinho e depois digam-me o que vêm.
Está visto, são soldados a marchar, coisa banal embora efectivamente estranha com seres humanos livres e diferentes, todos parecem um só, alinhados, vestidos de igual, até cada perna se levanta ao mesmo tempo.
Sabem o que tornou isto possível? Este comportamento hiper-disciplinado e perfeitamente inútil?
Foi precisamente a civilização.
Eles não se movem porque e como querem, andam assim porque são soldados e são supostos andarem assim. Não há outra razão.
2010-03-15
A Globalização contada às crianças
Parte III
A Civilização
Amiguinhos
Onde é que tínhamos ficado? Ah, foi na propriedade, é verdade, a propriedade que mudou tudo.
Primeiro era preciso saber o que era de uns e outros, porque sempre havia gente a pôr isso em causa. Como os humanos, entretanto, descobriram a escrita passaram a poder fazer registos mas mais importante do que isso teve que aparecer uma autoridade que esclarecesse as questões e uma polícia para evitar os roubos e juizes para arbitrar disputas e mais tudo o que faz um Estado, passou a haver Estados.
Depois, enquanto dantes se eu queria uma maçã só tinha de ir apanhá-la numa macieira, agora havia alguém que me dizia:
- Essa macieira é minha, se queres uma maçã tens que me dar alguma coisa em troca.
Dar o quê? Talvez uma pulseira que eu tivesse feito ou uma cabra que fosse minha mas uma cabra era muito por uma maçã e se lhe desse só um bocado, tinha que matar a cabra e todos perdiam, teve-se de inventar algo diferente, uma coisa que toda agente quisesse e se pudesse dividir em porções.
A certa altura usou-se o sal e assim, por uma maçã talvez pudesse dar um punhado de sal, aliás é por isso que ainda hoje se chama salário ao que se paga pelo trabalho de uma pessoa.
Mas o sal também não dava muito jeito, era difícil carregar grandes quantidades para comprar uma quinta, por exemplo, alem de que se dissolvia na água.
Falei de uma quinta porque entretanto começou também a agricultura, em lugar de apanhar o que a natureza dava os humanos começaram a imitar a natureza e a criar aquilo que mais gostavam para ter sempre à mão.
Escolheram outra coisa, o ouro, o ouro dava muito jeito, podia-se dividir em porções muito pequenas e sobretudo, por alguma razão misteriosa, toda a gente queria ter ouro.
Entretanto o dono do pomar de macieiras pensava assim, “tenho as maçãs todas que quero e ganho muito ouro por aquelas que vendo, não preciso cuidar do pomar, vou dar um bocadinho do meu ouro para que alguém cuide do pomar por mim”.
E assim foi, criaram-se cidades e como nas cidades não havia agricultura, compravam os alimentos com ouro e mais tudo o que precisavam como os tachos e panelas e a roupa enquanto outros faziam essas coisas por ouro.
Entretanto o homem ia usando a sua imaginação e inventando sempre novas coisas.
Todavia outros bandos de homens começaram a inventar carros puxados por cavalos e armas de todo o tipo, como arcos e flechas, espadas e lanças e, mais tarde, espingardas e pistolas e pensaram assim” Nós escusamos de ter esforço a fazer coisas, vamos conquistar aquele Estado e ficamos com tudo o que era deles.
Assim começaram as guerras que duram até hoje.
Mas uma coisa tinha de mudar, o ouro é muito pesado, e se eu preciso de muito ouro, para comprar coisas, como é que eu aguento com o peso? e quando vou para a guerra tenho que deixar o meu ouro sujeito a ser roubado.
Assim apareceram outros humanos que disseram “eu guardo o ouro comigo e dou-vos um papel a dizer a quantidade de ouro que deixaram comigo e quando vocês vierem mostram-me o papel e eu devolvo-lhes o ouro, menos um bocadinho que é para o meu trabalho mas se precisarem de comprar alguma coisa podem entregar esse papel ao vendedor e ele depois vem ter comigo que eu dou-lhe o ouro”. Foram estes que inventaram os bancos que perduram até hoje e o papel moeda, que são as notas como as que hoje temos.
A todo este processo, que dura até hoje chamou-se civilização.
Um homem sábio que se chamava Almada Negreiros pensou assim: “A civilização é uma intrujice”.
E, de certa maneira tinha razão, porque os humanos deixaram de ser livres e tinham que depender uns dos outros e se tinham ouro, tudo bem, mas se não tinham só podiam trabalhar para ganhar algum para sobreviverem e isto só se lhes dessem trabalho.
A Civilização
Amiguinhos
Onde é que tínhamos ficado? Ah, foi na propriedade, é verdade, a propriedade que mudou tudo.
Primeiro era preciso saber o que era de uns e outros, porque sempre havia gente a pôr isso em causa. Como os humanos, entretanto, descobriram a escrita passaram a poder fazer registos mas mais importante do que isso teve que aparecer uma autoridade que esclarecesse as questões e uma polícia para evitar os roubos e juizes para arbitrar disputas e mais tudo o que faz um Estado, passou a haver Estados.
Depois, enquanto dantes se eu queria uma maçã só tinha de ir apanhá-la numa macieira, agora havia alguém que me dizia:
- Essa macieira é minha, se queres uma maçã tens que me dar alguma coisa em troca.
Dar o quê? Talvez uma pulseira que eu tivesse feito ou uma cabra que fosse minha mas uma cabra era muito por uma maçã e se lhe desse só um bocado, tinha que matar a cabra e todos perdiam, teve-se de inventar algo diferente, uma coisa que toda agente quisesse e se pudesse dividir em porções.
A certa altura usou-se o sal e assim, por uma maçã talvez pudesse dar um punhado de sal, aliás é por isso que ainda hoje se chama salário ao que se paga pelo trabalho de uma pessoa.
Mas o sal também não dava muito jeito, era difícil carregar grandes quantidades para comprar uma quinta, por exemplo, alem de que se dissolvia na água.
Falei de uma quinta porque entretanto começou também a agricultura, em lugar de apanhar o que a natureza dava os humanos começaram a imitar a natureza e a criar aquilo que mais gostavam para ter sempre à mão.
Escolheram outra coisa, o ouro, o ouro dava muito jeito, podia-se dividir em porções muito pequenas e sobretudo, por alguma razão misteriosa, toda a gente queria ter ouro.
Entretanto o dono do pomar de macieiras pensava assim, “tenho as maçãs todas que quero e ganho muito ouro por aquelas que vendo, não preciso cuidar do pomar, vou dar um bocadinho do meu ouro para que alguém cuide do pomar por mim”.
E assim foi, criaram-se cidades e como nas cidades não havia agricultura, compravam os alimentos com ouro e mais tudo o que precisavam como os tachos e panelas e a roupa enquanto outros faziam essas coisas por ouro.
Entretanto o homem ia usando a sua imaginação e inventando sempre novas coisas.
Todavia outros bandos de homens começaram a inventar carros puxados por cavalos e armas de todo o tipo, como arcos e flechas, espadas e lanças e, mais tarde, espingardas e pistolas e pensaram assim” Nós escusamos de ter esforço a fazer coisas, vamos conquistar aquele Estado e ficamos com tudo o que era deles.
Assim começaram as guerras que duram até hoje.
Mas uma coisa tinha de mudar, o ouro é muito pesado, e se eu preciso de muito ouro, para comprar coisas, como é que eu aguento com o peso? e quando vou para a guerra tenho que deixar o meu ouro sujeito a ser roubado.
Assim apareceram outros humanos que disseram “eu guardo o ouro comigo e dou-vos um papel a dizer a quantidade de ouro que deixaram comigo e quando vocês vierem mostram-me o papel e eu devolvo-lhes o ouro, menos um bocadinho que é para o meu trabalho mas se precisarem de comprar alguma coisa podem entregar esse papel ao vendedor e ele depois vem ter comigo que eu dou-lhe o ouro”. Foram estes que inventaram os bancos que perduram até hoje e o papel moeda, que são as notas como as que hoje temos.
A todo este processo, que dura até hoje chamou-se civilização.
Um homem sábio que se chamava Almada Negreiros pensou assim: “A civilização é uma intrujice”.
E, de certa maneira tinha razão, porque os humanos deixaram de ser livres e tinham que depender uns dos outros e se tinham ouro, tudo bem, mas se não tinham só podiam trabalhar para ganhar algum para sobreviverem e isto só se lhes dessem trabalho.
2010-03-14
A globalização contada às crianças
PARTE II
O amanhecer da humanidade
Amiginhos
Tínhamos ficado no ponto em que os homens e, naturalmente, as mulheres, apareceram na Terra, neste planeta que é o terceiro em volta do Sol que, por sua vez, pertence à Via Láctea e esta, como tudo, pertence ao Universo.
Naquele tempo os homens viviam mais ou menos como os seus primos macacos, em pequenos bandos de base familiar, comendo a fruta e as plantas que apanhavam e caçando e pescando os animais que comiam.
Não tinham horário de trabalho, nem havia polícia para os multar nem escolas para frequentarem, nada dessas coisas que hoje nos complicam a vida.
Mas como os homens tinham imaginação e falavam uns com os outros, lá foram inventando utensílios que o ajudavam a colher as plantas, a caçar, a pescar, a preparar os alimentos a cobrirem-se quando estava frio a abrigarem-se do mau tempo e dos animais ferozes, enfim a tornar a sua vida mais fácil e também faziam desenhos nas paredes das suas cavernas e em grandes pedras e faziam também colares, pulseiras outros adornos para andarem mais bonitos. Já eram artistas.
Vivia cada bando no seu sítio, sítio que era de todos e não era de ninguém.
Alguns bandos partiram para outros locais, alguns bem distantes e, aos poucos, acabaram por ocupar todo o planeta.
Por vezes havia disputas, por um fruto mais suculento ou porque uns arranjavam o melhor sítio para dormir e outros também queriam esse sítio e lá iam resolvendo essas questões como podiam, com palavras ou com lutas mas sem polícia, que não havia.
Aliás não havia propriedade, era tudo de todos e cada um só tinha o que conseguia arranjar ou fazer, aquilo que precisava para si e conseguia manter.
E assim passou muito tempo com os homens nesta boa vida, e de tal modo que os bandos foram crescendo.
Havia muita gente e alguns mais espertalhões, certo dia começaram a apropriar-se de lugares e de coisa que passaram a dizer que era só deles ou da sua família e não dividiam com os outros.
Quer dizer, inventaram assim a propriedade e partes do planeta passaram a ser só deles.
Foi por isso que muitos anos mais tarde, mais próximo do nosso tempo, outro homem sábio chamado Proudhon disse assim:
“A propriedade é um roubo”.
As pessoas que, no tempo de Proudhon, como agora, tinham todas as suas coisas, compradas a alguém ou herdadas e não as queriam perder, e se queriam comer fruta não tinham outro remédio se não comprá-la ao dono da fruta, diziam que Proudhon era maluco, e revolucionário.
Mas vocês, amiguinhos, já sabem que ele não estava a sonhar com um novo mundo para a frente, como fazem os revolucionários, estava apenas a meditar sobre os tempos antigos em que tudo era de todos até que alguns se apropriaram de terra e de coisas que, de facto, roubaram aos outros, enfim.
O amanhecer da humanidade
Amiginhos
Tínhamos ficado no ponto em que os homens e, naturalmente, as mulheres, apareceram na Terra, neste planeta que é o terceiro em volta do Sol que, por sua vez, pertence à Via Láctea e esta, como tudo, pertence ao Universo.
Naquele tempo os homens viviam mais ou menos como os seus primos macacos, em pequenos bandos de base familiar, comendo a fruta e as plantas que apanhavam e caçando e pescando os animais que comiam.
Não tinham horário de trabalho, nem havia polícia para os multar nem escolas para frequentarem, nada dessas coisas que hoje nos complicam a vida.
Mas como os homens tinham imaginação e falavam uns com os outros, lá foram inventando utensílios que o ajudavam a colher as plantas, a caçar, a pescar, a preparar os alimentos a cobrirem-se quando estava frio a abrigarem-se do mau tempo e dos animais ferozes, enfim a tornar a sua vida mais fácil e também faziam desenhos nas paredes das suas cavernas e em grandes pedras e faziam também colares, pulseiras outros adornos para andarem mais bonitos. Já eram artistas.
Vivia cada bando no seu sítio, sítio que era de todos e não era de ninguém.
Alguns bandos partiram para outros locais, alguns bem distantes e, aos poucos, acabaram por ocupar todo o planeta.
Por vezes havia disputas, por um fruto mais suculento ou porque uns arranjavam o melhor sítio para dormir e outros também queriam esse sítio e lá iam resolvendo essas questões como podiam, com palavras ou com lutas mas sem polícia, que não havia.
Aliás não havia propriedade, era tudo de todos e cada um só tinha o que conseguia arranjar ou fazer, aquilo que precisava para si e conseguia manter.
E assim passou muito tempo com os homens nesta boa vida, e de tal modo que os bandos foram crescendo.
Havia muita gente e alguns mais espertalhões, certo dia começaram a apropriar-se de lugares e de coisa que passaram a dizer que era só deles ou da sua família e não dividiam com os outros.
Quer dizer, inventaram assim a propriedade e partes do planeta passaram a ser só deles.
Foi por isso que muitos anos mais tarde, mais próximo do nosso tempo, outro homem sábio chamado Proudhon disse assim:
“A propriedade é um roubo”.
As pessoas que, no tempo de Proudhon, como agora, tinham todas as suas coisas, compradas a alguém ou herdadas e não as queriam perder, e se queriam comer fruta não tinham outro remédio se não comprá-la ao dono da fruta, diziam que Proudhon era maluco, e revolucionário.
Mas vocês, amiguinhos, já sabem que ele não estava a sonhar com um novo mundo para a frente, como fazem os revolucionários, estava apenas a meditar sobre os tempos antigos em que tudo era de todos até que alguns se apropriaram de terra e de coisas que, de facto, roubaram aos outros, enfim.
2010-03-13
A Globalização contada às crianças
PARTE I
O princípio
Meus amiguinhos:
No princípio havia a Terra mas só no princípio que nos interessa mais, porque antes, muito antes, já tinha havido o “Big Bang”, ou coisa parecida, que libertou muito fumo e muita poeira que com o tempo se foram juntando, formando estrelas e planetas a rodarem à sua volta e cometas e por aí fora, além doutras coisa que não vemos mas já aprendemos como buracos negros que puxavam tudo para si e que assim juntaram as estrelas e os seus planetas em volta, em grupinhos que se chamam galáxias.
Mas como tudo isto é muito complicado e na verdade não explica nada nem nos diz nada sobre o que existia antes do tal “Big Bang”, se é que existia coisa alguma, e se não existia que coisa havia? È tudo muito complicado, alguns homens resolveram o problema dessa complicação com uma palavra e um conceito: Deus ou deuses que fizeram tudo, porque sim, e pronto é uma explicação como outra qualquer.
Cabe a vocês descobrirem o resto.
Mas vamos ao que interessa.
Numa galáxia chamada “Via Láctea”, uma pequena estrela dessa galáxia, que se chamava Sol e que tinha alguns planetas à sua volta, tinha um, que era o terceiro mais longe de si e que se chamava Terra e que parecia diferente dos outros, tinha ou ganhou muita água e ar o que lhe permitiu a formação de uma coisa nova a que se chamou Vida.
A Vida são todos os bichos e plantas que vocês vêm que nascem, vivem, reproduzem-se e morrem deixando material que vai alimentar a nova vida que vai nascendo, mas são também bichos e plantas ou coisa parecida que vocês não vêm, porque são minúsculos e os nossos olhos não vêm, mas estão por todo o lado, até nas nossas mãos e por todo o nosso corpo e, como os bichos grandes, também estes às vezes nos ajudam outras vezes nos fazem mal, chamamo-lhes “micróbios” e há muitos e de todos os tamanhos e feitios.
Ora, parece que toda esta vida apareceu antes de uma outra forma de vida, muito especial, que somos nós e vós e a que chamamos Seres Humanos.
Tão especiais que há quem diga que fomos feitos explicitamente por ideia do tal conceito, Deus, mas outros, que não acreditam nessas coisas, dizem que não, que aparecemos como os outros bichos, por evolução, por resposta ao ambiente porque nos adaptamos melhor, porque por mero acaso enfim, adquirimos características que nos fazem viver bem neste mundo e nos tem permitido sobreviver com sucesso
O que é certo é que somos muito diferentes dos outros bichos:
Quais serão essas diferenças ?
Na realidade, no fundamental, somos como todas as outras formas de vida, nascemos vivemos reproduzimo-nos e morremos um dia.
Interagimos com os outros seres vivos, que nos ajudam, uns e nos prejudicam outros ou noutras ocasiões os mesmos mas temos armas que mais nenhum tem:
A chamada inteligência, seja lá o que isso é, a fala, que nos permite comunicar uns com os outros de forma muito precisa, e, sobretudo a imaginação.
Um homem sábio chamado Einstein, parece que disse um dia:
“A imaginação é mais importante do que o conhecimento”.
Ele percebeu bem a essência do homem, é só a imaginação, por exemplo, que vos permite ver na tela do monitor do computador estas manchas coloridas de formas estranhas a que chamamos letras, e atribuir-lhes um significado.
Nenhum outro ser vivo, que conheçamos, é capaz de fazer isto, é capaz de ver mais do que dizia um outro sábio chamado Fernando Pessoa:
“Livros são papéis pintados com tinta”.
São-no para todos os seres vivos e eram para nós seres humanos, ao princípio mas a imaginação e muita evolução de que falaremos aqui depois, até chegarmos ao que somos hoje, permitiu-nos dar um sentido a toda essa tinta.
2010-03-09
A calamidade da Madeira
Como já disse aqui, há tempos, Alberto João Jardim, independentemente do seu estilo informal e livre que por vezes raia a má criação, tem todavia uma virtude singular que é rara de ver na classe política: Encara o governo como um serviço à população que governa.
Alberto João procura resolver os problemas das pessoas e preocupa-se com o seu bem-estar.
Nestas horas difíceis que assolaram a Madeira, ele esteve sempre na primeira linha como mesmo os seus tradicionais inimigos reconheceram.
Eu, em caso de calamidade, gostaria bem de ter um Alberto João Jardim ao comando e na reconstrução.
Um pormenor importante foi o de não permitir a declaração de calamidade pública.
A princípio disseram os media que isso impediria ou limitaria a ajuda da UE, o que não é verdade, com já se viu, e não fazia qualquer sentido e também que tinha a vantagem de não prejudicar a imagem da Madeira e a sua principal actividade económica o Turismo, o que sim, faz sentido.
De qualquer forma, hoje já sei do verdadeira efeito da decisão de Jardim: Permitir que as companhias de seguro paguem os danos dos privados o que não fariam em caso de calamidade pública.
Isto é bem Jardim.
Alberto João procura resolver os problemas das pessoas e preocupa-se com o seu bem-estar.
Nestas horas difíceis que assolaram a Madeira, ele esteve sempre na primeira linha como mesmo os seus tradicionais inimigos reconheceram.
Eu, em caso de calamidade, gostaria bem de ter um Alberto João Jardim ao comando e na reconstrução.
Um pormenor importante foi o de não permitir a declaração de calamidade pública.
A princípio disseram os media que isso impediria ou limitaria a ajuda da UE, o que não é verdade, com já se viu, e não fazia qualquer sentido e também que tinha a vantagem de não prejudicar a imagem da Madeira e a sua principal actividade económica o Turismo, o que sim, faz sentido.
De qualquer forma, hoje já sei do verdadeira efeito da decisão de Jardim: Permitir que as companhias de seguro paguem os danos dos privados o que não fariam em caso de calamidade pública.
Isto é bem Jardim.
2010-03-07
2010-02-28
Como se cria um poema
Saíamos dum restaurante e aguardávamos debaixo do alpendre de uma vasta esplanada que os carros parassem à porta.
Chovia muito e alguns voluntários corajosos ofereceram-se para ir buscar os carros ao estacionamento.
Enquanto aguardávamos, Carolina explicava aos primos que a chuva eram as nuvens a chorar.
A notícia não causou nenhum espanto àquelas crianças, devia ser de facto, tinha toda a lógica apenas faltava o motivo, porque chorariam as nuvens?
Pedro saiu logo desse impasse, era óbvio, choravam porque não havia sol!
Eu, que assisti calado a esta discussão vi logo o poema que ali se desenhou:
Chuva
Chove, quando as nuvens choram
Pelo sol que não há.
Carolina Maria Jordão Martins, 6 anos, (minha sobrinha neta)
Pedro Jordão Freire, 5 anos, (meu neto)
Chovia muito e alguns voluntários corajosos ofereceram-se para ir buscar os carros ao estacionamento.
Enquanto aguardávamos, Carolina explicava aos primos que a chuva eram as nuvens a chorar.
A notícia não causou nenhum espanto àquelas crianças, devia ser de facto, tinha toda a lógica apenas faltava o motivo, porque chorariam as nuvens?
Pedro saiu logo desse impasse, era óbvio, choravam porque não havia sol!
Eu, que assisti calado a esta discussão vi logo o poema que ali se desenhou:
Chuva
Chove, quando as nuvens choram
Pelo sol que não há.
Carolina Maria Jordão Martins, 6 anos, (minha sobrinha neta)
Pedro Jordão Freire, 5 anos, (meu neto)
2010-02-25
A arte de copiar
No pensamento único, como generalização homogeneizada do pensamento anglo-saxónico, o acto de copiar é encarado como praticamente um crime, um roubo, a obtenção desonesta de uma vantagem, à custa do esforço de um terceiro.
Até certo ponto, pode ser visto assim, de facto.
Todavia sem a cópia nunca haveria nenhum progresso na espécie humana:
As crianças, desde a mais tenra idade, aprendem precisamente copiando, imitando e a ciência só progride aos ombros uns dos outros, como dizia, salvo erro, Newton.
Nos meus tempos de jovem estudante copiar nos testes e exames era perseguido mas não moralmente reprovado.
Havia muita arte e engenho nas formas de copiar, de criar cábulas à prova de detecção e ao criá-las acabávamos por estudar um pouco, não sei se do mais importante mas, pelo menos, daquilo que pensávamos que iria sair e, como Deus é grande, geralmente saía.
Para os professores era também um estímulo e uma dificuldade, a missão ingrata de procurar detectar quem é que deveras sabia e quem é que trouxera o conhecimento consigo, no bolso das calças ou na aba do casaco.
E este processo vinha já de longe, lembro-me de o meu pai contar um episódio, certamente imaginado, da sua juventude onde perante duas provas exactamente iguais na justeza das respostas, o professor classificou uma delas altamente e anulou a outra.
Revoltado, o autor da prova anulada foi pedir explicações,
- Porque o senhor copiou tudo.
Justificou-se o professor.
- Copiei? Eu? Como é que o senhor sabe isso? Tanto quanto sei as provas estão quase iguais, quem lhe disse que não foi o meu colega que copiou por mim?
- É muito simples, na questão 3 o seu colega respondeu, “não sei” e na sua prova, na mesma questão, o que consta é “Também não”!
Passado anos fui eu próprio professor na Universidade de Évora e recordo-me do mal-estar que senti quando, em lugar da minha argúcia, foi um dos meus alunos que me denunciou um seu colega pelo crime de ter copiado.
A vontade que me deu foi a de louvar o infractor e punir o denunciante. Nos meus tempos de estudante, essa denúncia era impensável, só o mais reles e miserável dos alunos poderia ter o desplante de denunciar um colega.
Foi um dos momentos em que me apercebi como o mundo estava mudado.
Até certo ponto, pode ser visto assim, de facto.
Todavia sem a cópia nunca haveria nenhum progresso na espécie humana:
As crianças, desde a mais tenra idade, aprendem precisamente copiando, imitando e a ciência só progride aos ombros uns dos outros, como dizia, salvo erro, Newton.
Nos meus tempos de jovem estudante copiar nos testes e exames era perseguido mas não moralmente reprovado.
Havia muita arte e engenho nas formas de copiar, de criar cábulas à prova de detecção e ao criá-las acabávamos por estudar um pouco, não sei se do mais importante mas, pelo menos, daquilo que pensávamos que iria sair e, como Deus é grande, geralmente saía.
Para os professores era também um estímulo e uma dificuldade, a missão ingrata de procurar detectar quem é que deveras sabia e quem é que trouxera o conhecimento consigo, no bolso das calças ou na aba do casaco.
E este processo vinha já de longe, lembro-me de o meu pai contar um episódio, certamente imaginado, da sua juventude onde perante duas provas exactamente iguais na justeza das respostas, o professor classificou uma delas altamente e anulou a outra.
Revoltado, o autor da prova anulada foi pedir explicações,
- Porque o senhor copiou tudo.
Justificou-se o professor.
- Copiei? Eu? Como é que o senhor sabe isso? Tanto quanto sei as provas estão quase iguais, quem lhe disse que não foi o meu colega que copiou por mim?
- É muito simples, na questão 3 o seu colega respondeu, “não sei” e na sua prova, na mesma questão, o que consta é “Também não”!
Passado anos fui eu próprio professor na Universidade de Évora e recordo-me do mal-estar que senti quando, em lugar da minha argúcia, foi um dos meus alunos que me denunciou um seu colega pelo crime de ter copiado.
A vontade que me deu foi a de louvar o infractor e punir o denunciante. Nos meus tempos de estudante, essa denúncia era impensável, só o mais reles e miserável dos alunos poderia ter o desplante de denunciar um colega.
Foi um dos momentos em que me apercebi como o mundo estava mudado.
2010-02-17
O traseiro do Governo
Há dias, num dos debates da TVI24, ouvi a um analista político, cujo nome, infelizmente, não retive, a explicação mais lúcida que alguma vez foi dita ou escrita sobre esta crise das escutas.
Citando Eça sobre a metáfora do manto diáfano da fantasia que cobre a nudez crua da verdade disse: o manto foi rasgado, agora todos podem ver o traseiro do governo.
É bem verdade, não há diferença entre Sócrates e todos os anteriores governos, neste domínio, o uso dos circuitos informais, do dito tráfego de influência, sempre foi uma medida utilizada por todos os governos para defenderem os seus pequenos e grandes interesses, só que tudo isto era feito debaixo do manto diáfano da fantasia que agora se rasgou.
As novas tecnologias de informação, as chamadas NTI, os telemóveis, os FAX, a Internet, tudo isso, é um mundo novíssimo que coloca problemas também novos.
Eu, no meu escasso tempo de vida, testemunhei essa mudança, lembro-me de assistir a acções de divulgação que nos falavam desse mundo novo da Internet mas que exigia ter um computador, caríssimo, que talvez algum dia pudesse vir a comprar e de ter, de serviço, um dos primitivos telemóveis, que exigiam uma enorme caixa na mala do carro mas que me permitiram, algures, no anos 80 do século passado, telefonar de uma zona perdida de França para a família e, imaginem, sem pagar um tostão. O próprio capital ainda não se tinha apropriado do meio, só a investigação funcionava e queria mostrar as suas conquistas.
Lentamente ou melhor rapidissimamente, tudo entrou no nosso quotidiano e tudo mudou.
Depois vimos já Aznar, em Espanha ser “distituído”, por manifestações convocadas por SMS, podemos saber das coisas mais recônditas, em blogs, nos twitter e nos face book. Vemos a China e outros países, apanhados de surpresa, a tentar lutar contra o google e a internet para que o seus cidadãos não espreitem debaixo do manto diáfano.
Meditei também sobre como e se Salazar conseguiria hoje manter o seu lápis azul da censura prévia, bastando para isso, ver este episódio Mário Crespo, que, à antiga, viu recusadad a publicação da sua crónica mas, à moderna, a publicou com mais alarido por outra via digital agora à sua disposição.
É verdadeiramente um mundo novo, os governos ainda não sabem viver nele.
Até que uma nova ordem se estabilize (se é que alguma vez vai estabilizar) nós passaremos sempre a ver o traseiro do governo, a ver o rei nu, como na história.
Sócrates e os outros todos que se aguentem.
Citando Eça sobre a metáfora do manto diáfano da fantasia que cobre a nudez crua da verdade disse: o manto foi rasgado, agora todos podem ver o traseiro do governo.
É bem verdade, não há diferença entre Sócrates e todos os anteriores governos, neste domínio, o uso dos circuitos informais, do dito tráfego de influência, sempre foi uma medida utilizada por todos os governos para defenderem os seus pequenos e grandes interesses, só que tudo isto era feito debaixo do manto diáfano da fantasia que agora se rasgou.
As novas tecnologias de informação, as chamadas NTI, os telemóveis, os FAX, a Internet, tudo isso, é um mundo novíssimo que coloca problemas também novos.
Eu, no meu escasso tempo de vida, testemunhei essa mudança, lembro-me de assistir a acções de divulgação que nos falavam desse mundo novo da Internet mas que exigia ter um computador, caríssimo, que talvez algum dia pudesse vir a comprar e de ter, de serviço, um dos primitivos telemóveis, que exigiam uma enorme caixa na mala do carro mas que me permitiram, algures, no anos 80 do século passado, telefonar de uma zona perdida de França para a família e, imaginem, sem pagar um tostão. O próprio capital ainda não se tinha apropriado do meio, só a investigação funcionava e queria mostrar as suas conquistas.
Lentamente ou melhor rapidissimamente, tudo entrou no nosso quotidiano e tudo mudou.
Depois vimos já Aznar, em Espanha ser “distituído”, por manifestações convocadas por SMS, podemos saber das coisas mais recônditas, em blogs, nos twitter e nos face book. Vemos a China e outros países, apanhados de surpresa, a tentar lutar contra o google e a internet para que o seus cidadãos não espreitem debaixo do manto diáfano.
Meditei também sobre como e se Salazar conseguiria hoje manter o seu lápis azul da censura prévia, bastando para isso, ver este episódio Mário Crespo, que, à antiga, viu recusadad a publicação da sua crónica mas, à moderna, a publicou com mais alarido por outra via digital agora à sua disposição.
É verdadeiramente um mundo novo, os governos ainda não sabem viver nele.
Até que uma nova ordem se estabilize (se é que alguma vez vai estabilizar) nós passaremos sempre a ver o traseiro do governo, a ver o rei nu, como na história.
Sócrates e os outros todos que se aguentem.
2010-02-12
Citizen Kane
Hoje, enquanto almoçava, ouvia o som da televisão nas minhas costas, o som de vozes zangadas com esta suposta cabala do governo e de quem lhe está próximo para controlar os media.
São vários poderes em luta, a justiça, a política, a polícia os media, regidos por um único árbitro, o poder económico.
Veio-me à memória o excelente filme de Orson Wells “Citizen Kane”, para muitos o melhor filme alguma vez feito.
Como me lembro de cor (ou como o meu coração se lembra) em Citizen Kane todos se intrigavam com as últimas palavras, no leito de morte, do magnata da informação, Kane: “Rosebud”.
Que mistério encobriria? Que segredo tão zelosamente guardado e certamente tão valioso e potente?
Perto do final, Orson Wells mostra-nos a criança Kane, deslizando na neve de trenó, e mais tarde vê-se esse trenó ardendo.
A câmara aproxima-se e podemos ainda ler as letras nele gravadas: “ROSEBUD”.
Levantei-me da mesa e saí pensando que se alguém me pedisse, naquele momento, uma opinião sobre a crise das escutas, responderia apenas: “Rosebud”.
Infelizmente receio que ninguém me entendesse.
São vários poderes em luta, a justiça, a política, a polícia os media, regidos por um único árbitro, o poder económico.
Veio-me à memória o excelente filme de Orson Wells “Citizen Kane”, para muitos o melhor filme alguma vez feito.
Como me lembro de cor (ou como o meu coração se lembra) em Citizen Kane todos se intrigavam com as últimas palavras, no leito de morte, do magnata da informação, Kane: “Rosebud”.
Que mistério encobriria? Que segredo tão zelosamente guardado e certamente tão valioso e potente?
Perto do final, Orson Wells mostra-nos a criança Kane, deslizando na neve de trenó, e mais tarde vê-se esse trenó ardendo.
A câmara aproxima-se e podemos ainda ler as letras nele gravadas: “ROSEBUD”.
Levantei-me da mesa e saí pensando que se alguém me pedisse, naquele momento, uma opinião sobre a crise das escutas, responderia apenas: “Rosebud”.
Infelizmente receio que ninguém me entendesse.
2010-02-08
O caso Sócrates
Ouvindo os fora de debate sobre este caso, que Sócrates apelidou de “Jornalismo de buraco de fechadura” a opinião dominante dos analistas profissionais, não tanto do público anónimo, é que Sócrates se deveria explicar.
Santa ingenuidade!
Explicar o quê? Que não tem nada a ver com o assunto e que é apenas imaginação delirante dos media e de alguma justiça que lhe quer ver máculas? Como tem dito sempre e ninguém ouve nem acredita.
Não, o que os analistas querem é que ele confesse que organizou uma cabala para controlar toda a comunicação social.
Está-se a ver que é o que ele vai fazer, não está? Com uma corda ao pescoço como Egas Moniz.
Santa ingenuidade!
Explicar o quê? Que não tem nada a ver com o assunto e que é apenas imaginação delirante dos media e de alguma justiça que lhe quer ver máculas? Como tem dito sempre e ninguém ouve nem acredita.
Não, o que os analistas querem é que ele confesse que organizou uma cabala para controlar toda a comunicação social.
Está-se a ver que é o que ele vai fazer, não está? Com uma corda ao pescoço como Egas Moniz.
2010-01-31
Caladunum, um Post do coração
Caladunum era o nome romano da actual cidade de Mirandela, nome que atesta a sua existência milenar.
Obteve foral por D. Afonso III a 25 de Maio de 1250.
Foi elevada a cidade apenas a 28 de Julho de 1984.
Em 1919, por Publicação de um Decreto governamental, foi conferida à Vila de Mirandela o oficialato da Ordem da Torre e espada, do Valor, Lealdade e Mérito.
Tudo isto, são dados que recolhi hoje, numa breve pesquisa no Google.
Porquê esta pesquisa? Eu conto:
Acto I
Na minha infância, pelos anos 50 do passado século, nas histórias que ouvia contar a meu pai sobre os seus tempos de estudante, havia um nome de um colega, companheiro de pândegas, que na minha memória ficou assim: “Alberrto Maurrício Carrvalho Neto”.
Os duplos rr são propositados. Na minha memória o nome era esse, porque era assim que o meu pai o pronunciava, talvez recordando interiormente qualquer história privada da sua vida.
Acto II
Em 1986 fui viver para Mirandela e conheci a personagem: Alberto Maurício Carvalho Neto.
Era um homem já idoso, da idade que o meu pai teria se ainda fosse vivo, agricultor abastado de Valbom dos Figos, com muita descendência, entre a qual, alguns meus colegas de trabalho, e mesmo netos que se cruzaram com os meus filhos na vida de estudante.
Significava isto que, por um mero acaso da sorte, 3 gerações de Jordões e de Carvalhos Neto se cruzaram na vida.
Para meu espanto Alberto Maurício, não carregava nos rr, embora reconhecesse razão de ser e não estranhasse essa pronúncia que o meu pai usava. Eles lá sabiam porquê.
Enquanto lá estive, em Mirandela, visitou-me muitas vezes, trazendo-me fruta, couves e outros produtos da terra.
Embora fosse um homem abastado, trajava simplesmente e usava um carro bastante velho, com a chapa corrompida e já furado no chão (para travar com o pé, como me dizia com humor).
A minha empregada dizia-me, muitas vezes quando chegava a casa: “Esteve cá o Sr. da fruta”, O Sr. da fruta, para ela, era Alberto Maurício.
Alberto Maurício foi o meu primeiro professor de Mirandela, cidade notável, um enclave burguês, de comerciantes, numa vastidão de território dominado por uma aristocracia rural.
Essa característica curiosa burguesa da identidade Mirandelense, tem vindo a ser a ser confirmada na minha própria reflexão.
Explica, por exemplo a fama das alheiras ditas de Mirandela, como pólo comercial de belíssimas alheiras de uma região muito mais vasta, tal como o vinho dito do Porto ganha o seu nome pelo centro que o comerciava para o mundo.
Para provar esta característica burguesa de Mirandela, Albeto Maurício contou-me a história heróica do papel de Mirandela ao suster a contra-revolução monárquica (apoiada pela aristocracia rural), junto à estação de comboios, com meia dúzia de GNR e muitos, muitíssimos populares, que acorreram a suster, à pedrada, à gadanhada, à machadada, como puderam, a chamada Monarquia do Norte.
Essa vitória de Mirandela, em 1919, foi decisiva e reconhecida, foi o que deu origem à condecoração da então Vila com o Oficialato da Torre e Espada, Valor, Lealdade e Mérito, que referi acima.
Acto III
Hoje, no ano da graça de 2010, comemoramos os 100 anos de república, comemorou-se hoje mesmo o 31 de Janeiro no Porto como acontecimento precursor de 1891.
Eu creio que seria de toda a justiça que Mirandela comemorasse e mostrasse ao país e ao mundo o seu papel heróico na defesa dessa mesma república em 1919.
Infelizmente, mesmo muitíssimos mirandelenses não sabem disto ainda.
Fica aqui o meu apelo a Mirandela “Conta esta história!” e à sua Câmara Municipal “Exibe com orgulho esta medalha!”, que deve estar esquecida nalgum caixote ou no fundo de algum baú.
Obteve foral por D. Afonso III a 25 de Maio de 1250.
Foi elevada a cidade apenas a 28 de Julho de 1984.
Em 1919, por Publicação de um Decreto governamental, foi conferida à Vila de Mirandela o oficialato da Ordem da Torre e espada, do Valor, Lealdade e Mérito.
Tudo isto, são dados que recolhi hoje, numa breve pesquisa no Google.
Porquê esta pesquisa? Eu conto:
Acto I
Na minha infância, pelos anos 50 do passado século, nas histórias que ouvia contar a meu pai sobre os seus tempos de estudante, havia um nome de um colega, companheiro de pândegas, que na minha memória ficou assim: “Alberrto Maurrício Carrvalho Neto”.
Os duplos rr são propositados. Na minha memória o nome era esse, porque era assim que o meu pai o pronunciava, talvez recordando interiormente qualquer história privada da sua vida.
Acto II
Em 1986 fui viver para Mirandela e conheci a personagem: Alberto Maurício Carvalho Neto.
Era um homem já idoso, da idade que o meu pai teria se ainda fosse vivo, agricultor abastado de Valbom dos Figos, com muita descendência, entre a qual, alguns meus colegas de trabalho, e mesmo netos que se cruzaram com os meus filhos na vida de estudante.
Significava isto que, por um mero acaso da sorte, 3 gerações de Jordões e de Carvalhos Neto se cruzaram na vida.
Para meu espanto Alberto Maurício, não carregava nos rr, embora reconhecesse razão de ser e não estranhasse essa pronúncia que o meu pai usava. Eles lá sabiam porquê.
Enquanto lá estive, em Mirandela, visitou-me muitas vezes, trazendo-me fruta, couves e outros produtos da terra.
Embora fosse um homem abastado, trajava simplesmente e usava um carro bastante velho, com a chapa corrompida e já furado no chão (para travar com o pé, como me dizia com humor).
A minha empregada dizia-me, muitas vezes quando chegava a casa: “Esteve cá o Sr. da fruta”, O Sr. da fruta, para ela, era Alberto Maurício.
Alberto Maurício foi o meu primeiro professor de Mirandela, cidade notável, um enclave burguês, de comerciantes, numa vastidão de território dominado por uma aristocracia rural.
Essa característica curiosa burguesa da identidade Mirandelense, tem vindo a ser a ser confirmada na minha própria reflexão.
Explica, por exemplo a fama das alheiras ditas de Mirandela, como pólo comercial de belíssimas alheiras de uma região muito mais vasta, tal como o vinho dito do Porto ganha o seu nome pelo centro que o comerciava para o mundo.
Para provar esta característica burguesa de Mirandela, Albeto Maurício contou-me a história heróica do papel de Mirandela ao suster a contra-revolução monárquica (apoiada pela aristocracia rural), junto à estação de comboios, com meia dúzia de GNR e muitos, muitíssimos populares, que acorreram a suster, à pedrada, à gadanhada, à machadada, como puderam, a chamada Monarquia do Norte.
Essa vitória de Mirandela, em 1919, foi decisiva e reconhecida, foi o que deu origem à condecoração da então Vila com o Oficialato da Torre e Espada, Valor, Lealdade e Mérito, que referi acima.
Acto III
Hoje, no ano da graça de 2010, comemoramos os 100 anos de república, comemorou-se hoje mesmo o 31 de Janeiro no Porto como acontecimento precursor de 1891.
Eu creio que seria de toda a justiça que Mirandela comemorasse e mostrasse ao país e ao mundo o seu papel heróico na defesa dessa mesma república em 1919.
Infelizmente, mesmo muitíssimos mirandelenses não sabem disto ainda.
Fica aqui o meu apelo a Mirandela “Conta esta história!” e à sua Câmara Municipal “Exibe com orgulho esta medalha!”, que deve estar esquecida nalgum caixote ou no fundo de algum baú.
2010-01-26
A teoria da conspiração
Quando alguém não se sente satisfeito com o pensamento único e o questiona, é vulgarmente rebatido com este argumento simplista e, injustamente, demolidor: “isso é teoria da conspiração” e assim se pensa reduzir as fundamentadas dúvidas e questões à categoria de mero pensamento delirante e fora da realidade.
Já assim foi com Copérnico e Galileu, quando questionaram o pensamento único de então.
Hoje, já não há a santa Inquisição e o poder da Igreja mas existe outro poder não menos poderoso e eficaz que elimina toda a contestação com esta frase que nada rebate e nada significa, tudo o que o questione é chamado de teoria da conspiração.
Mas há momentos em que as incoerências do pensamento único falam tão alto que se torna difícil não lhes dar atenção.
È o que se tem passado com esta famosa gripe A.
Hoje uma importante figura do Parlamento Europeu levantou a questão ao mundo, pediu explicações e limitou-se a expor factos indiscutíveis: Alarmismo excessivo da OMS e um ganho desproporcionado de alguma indústria farmacêutica.
Os filmes que seguem estão há meses no you tube, e explicam factos preocupantes desta realidade numa voz calma e supostamente sabedora.
A quem quiser conhecer a outra face da gripe aconselho a que veja este 6 filmes, se é que os não viu já.
Para quem quiser ir mais longe ainda, na tal teoria da conspiração, pode procurar no mesmo you tube algumas entrevistas a Jane Burgemeister.
E julgue, neste caso e noutros, pela sua própria cabeça.
Já assim foi com Copérnico e Galileu, quando questionaram o pensamento único de então.
Hoje, já não há a santa Inquisição e o poder da Igreja mas existe outro poder não menos poderoso e eficaz que elimina toda a contestação com esta frase que nada rebate e nada significa, tudo o que o questione é chamado de teoria da conspiração.
Mas há momentos em que as incoerências do pensamento único falam tão alto que se torna difícil não lhes dar atenção.
È o que se tem passado com esta famosa gripe A.
Hoje uma importante figura do Parlamento Europeu levantou a questão ao mundo, pediu explicações e limitou-se a expor factos indiscutíveis: Alarmismo excessivo da OMS e um ganho desproporcionado de alguma indústria farmacêutica.
Os filmes que seguem estão há meses no you tube, e explicam factos preocupantes desta realidade numa voz calma e supostamente sabedora.
A quem quiser conhecer a outra face da gripe aconselho a que veja este 6 filmes, se é que os não viu já.
Para quem quiser ir mais longe ainda, na tal teoria da conspiração, pode procurar no mesmo you tube algumas entrevistas a Jane Burgemeister.
E julgue, neste caso e noutros, pela sua própria cabeça.
2010-01-22
Uma lufada de ar fresco
No “fórum” de hoje da RDP e da RTPN discutiu-se a situação do PSD e a candidatura à liderança de Pedro Passos Coelho.
Como era de se esperar havia vozes contra e a favor.
A generalidade das opiniões a favor valorizava o aspecto inovador, novo, talvez diferente que seria a gestão de Pedro Passos Coelho, “é uma lufada de ar fresco” disseram alguns.
Eu também acho que sim, Passos Coelho seria uma lufada de ar fresco, sem dúvida, e daí o meu receio:
Será que essa lufada não nos irá constipar, ou pior ainda, dar uma pneumonia a nós todos?
Safa!
Como era de se esperar havia vozes contra e a favor.
A generalidade das opiniões a favor valorizava o aspecto inovador, novo, talvez diferente que seria a gestão de Pedro Passos Coelho, “é uma lufada de ar fresco” disseram alguns.
Eu também acho que sim, Passos Coelho seria uma lufada de ar fresco, sem dúvida, e daí o meu receio:
Será que essa lufada não nos irá constipar, ou pior ainda, dar uma pneumonia a nós todos?
Safa!
2010-01-16
O terrível sismo no Haiti
1. A potestade que lá no Olimpo está encarregada de, de quando em vez, soltar a fúria dos elementos, não tem demonstrado nenhum bom senso ou sentido de justiça.
Bem podia arrasar wall street ou coisa que o valha, punindo aqueles financeiros todos que andaram a gozar connosco, mas não, logo vai escolher um dos povos mais pobres e martirizados do mundo, vai bater no ceguinho.
Razão tem a canção: “Deus é um cara gozador, adora a brincadeira…”
2. Os media surpreendem-se sempre muito com aquilo que acontece sempre, a onda maciça de solidariedade que calamidades destas geram sempre a todos os níveis.
Os seres humanos, na generalidade, são assim mesmo, independentemente de nacionalidade, raça ou cultura, comovem-se com a desgraça alheia e injusta quando a vêm. O que é triste, mas não incómoda os media, é a insensibilidade geral perante as pequenas calamidades do dia a dia que vão destruindo vidas igualmente, como o desemprego e a miséria crescente.
3. A ajuda humanitária tem demonstrado uma total insensibilidade e inépcia, com algumas poucas excepções.
Num país arrasado, população sem teto, com fome sede e mortos pela rua aguardam dias e dias para que a água e alimentos amontoados no aeroporto, sejam canalizados para quem deles precisa de forma bem planeada e bem gerida.
Depois estranham que pessoas desesperadas lutem pela sobrevivência a todo o custo gerando o que chamam de saques e desacatos.
Há situações em que a assistência tem de ser já. Esta é uma delas.
Bem podia arrasar wall street ou coisa que o valha, punindo aqueles financeiros todos que andaram a gozar connosco, mas não, logo vai escolher um dos povos mais pobres e martirizados do mundo, vai bater no ceguinho.
Razão tem a canção: “Deus é um cara gozador, adora a brincadeira…”
2. Os media surpreendem-se sempre muito com aquilo que acontece sempre, a onda maciça de solidariedade que calamidades destas geram sempre a todos os níveis.
Os seres humanos, na generalidade, são assim mesmo, independentemente de nacionalidade, raça ou cultura, comovem-se com a desgraça alheia e injusta quando a vêm. O que é triste, mas não incómoda os media, é a insensibilidade geral perante as pequenas calamidades do dia a dia que vão destruindo vidas igualmente, como o desemprego e a miséria crescente.
3. A ajuda humanitária tem demonstrado uma total insensibilidade e inépcia, com algumas poucas excepções.
Num país arrasado, população sem teto, com fome sede e mortos pela rua aguardam dias e dias para que a água e alimentos amontoados no aeroporto, sejam canalizados para quem deles precisa de forma bem planeada e bem gerida.
Depois estranham que pessoas desesperadas lutem pela sobrevivência a todo o custo gerando o que chamam de saques e desacatos.
Há situações em que a assistência tem de ser já. Esta é uma delas.
2010-01-10
Pano para mangas
O matrimónio Gay, já aprovado, na generalidade, na Assembleia da República, ainda nos trás alguns pontos de reflexão para além do que já escrevi no poste abaixo.
Em primeiro lugar a ideia da adopção, que até ao momento está excluída da proposta aprovada, estúpida e inexplicavelmente.
Qualquer cidadão homossexual, pode se candidatar a adoptar uma criança, porque será que dois cidadãos homossexuais unidos em matrimónio não o poderão fazer?
Isto apenas demonstra com o PS avançou para esta proposta sem qualquer convicção ou reflexão, sem saber o que fazia, em suma.
Casamento sim, porque é moderno e bonito mas adopção não porque não nos parece bem, nem ás pessoas, sei lá, é melhor deixar assim, depois se verá.
O que O PS não considerou, nem lhe passou pela cabeça, é que com esta alteração semântica do significado de casamento não consegue, mesmo assim ultrapassar a diferença biológica que faz com que só as mulheres tenham o dom de gerar uma nova vida. Assim um casal gay feminino pode sempre recorrer à reprodução assistida e gerar uma criança, o que os casais gays masculinos estão impossibilitados de fazer, pelas leis da natureza que o PS, para seu desgosto, ainda não conseguiu alterar e assim, como estes casais não podem também adoptar uma criança, estarão legalmente e inelutavelmente excluídos da função de criar um novo ser humano.
Espero que não se lembrem de proibir que as mulheres gay gerem filhos. Seria uma medida contra a corrente, contra o espírito do tempo, contra o “Zeitgeist”, não o farão, certamente.
Um outro aspecto paralelo e marginal é a aberração da disciplina de voto que foi exigida nesta votação como tem sida noutras.
Que sentido fará nós votarmos e elegermos centenas de deputados se depois eles podem ser proibidos de utilizar a sua própria cabeça e o seu próprio juízo nas tomadas de decisões.
A disciplina de voto é um insulto a quem colabora neste sistema de representação.
Contudo, estranhamente, mesmo quando sopra um vento de liberdade e de tolerância, a disciplina de voto, a proibição de pensar diferente, é combatida e punida ao modo Talibã e os media e a opinião publicada em geral apoiam isto como se fosse uma coisa natural.
Aqui tenho que perguntar como o Rui Santos: Mas afinal que raio de democracia é esta?
Em primeiro lugar a ideia da adopção, que até ao momento está excluída da proposta aprovada, estúpida e inexplicavelmente.
Qualquer cidadão homossexual, pode se candidatar a adoptar uma criança, porque será que dois cidadãos homossexuais unidos em matrimónio não o poderão fazer?
Isto apenas demonstra com o PS avançou para esta proposta sem qualquer convicção ou reflexão, sem saber o que fazia, em suma.
Casamento sim, porque é moderno e bonito mas adopção não porque não nos parece bem, nem ás pessoas, sei lá, é melhor deixar assim, depois se verá.
O que O PS não considerou, nem lhe passou pela cabeça, é que com esta alteração semântica do significado de casamento não consegue, mesmo assim ultrapassar a diferença biológica que faz com que só as mulheres tenham o dom de gerar uma nova vida. Assim um casal gay feminino pode sempre recorrer à reprodução assistida e gerar uma criança, o que os casais gays masculinos estão impossibilitados de fazer, pelas leis da natureza que o PS, para seu desgosto, ainda não conseguiu alterar e assim, como estes casais não podem também adoptar uma criança, estarão legalmente e inelutavelmente excluídos da função de criar um novo ser humano.
Espero que não se lembrem de proibir que as mulheres gay gerem filhos. Seria uma medida contra a corrente, contra o espírito do tempo, contra o “Zeitgeist”, não o farão, certamente.
Um outro aspecto paralelo e marginal é a aberração da disciplina de voto que foi exigida nesta votação como tem sida noutras.
Que sentido fará nós votarmos e elegermos centenas de deputados se depois eles podem ser proibidos de utilizar a sua própria cabeça e o seu próprio juízo nas tomadas de decisões.
A disciplina de voto é um insulto a quem colabora neste sistema de representação.
Contudo, estranhamente, mesmo quando sopra um vento de liberdade e de tolerância, a disciplina de voto, a proibição de pensar diferente, é combatida e punida ao modo Talibã e os media e a opinião publicada em geral apoiam isto como se fosse uma coisa natural.
Aqui tenho que perguntar como o Rui Santos: Mas afinal que raio de democracia é esta?
2010-01-07
Divagações sobre o “casamento” homossexual
A quem se interesse por analisar a política como desentendimento, esta polémica proporciona-nos um verdadeiro estudo de caso.
A questão essencial parece ser a do reconhecimento social de outros tipos de uniões de afecto, que permitam a cada membro de uma parelha homossexual ser reconhecido como tal, tendo todos os direitos inerentes, direito de visita em caso de doença ou prisão de um do membros, direito de partilha de bens, de herança, enfim de todos os direitos que estão, até agora, salvaguardados para os membros de um casal.
E esta reivindicação é justíssima, ninguém, com sentido de justiça, poderá discordar dela.
Como sempre o problema surge apenas com as palavras e o seu significado.
Daí que se discuta:
Dizem uns que se os direitos perseguidos são idênticos aos dos casais, basta alargar o conceito de casal e de casamento, a pares do mesmo sexo.
Parece simples e dá uma resposta de facto ao problema inicial, acontece porém que isso que fere a sensibilidade de muitos de nós, casamento e casal têm um valor semântico preciso e envolve um par constituído por 2 indivíduos de sexo diferente, quando o sexo é irrelevante falamos de pares e parelhas não de casais e de casamento.
A este propósito conto uma história real: Tenho um amigo que em certo momento se dedicou à criação de perdizes para repovoamento e, para iniciar a actividade, encomendou x casais de perdizes. De início teve algum prejuízo porque o fornecedor não lhe vendeu casais, devidamente compostos de uma perdiz e um perdigão, mas apenas pares do mesmo sexo, o certo é que a produção não arrancou ali, não nasceram os esperados perdigotos.
O caso foi comentado entre os amigos como quase anedótico, hoje porém se o caso fosse à justiça uma atenta defesa do fornecedor pudesse invocar essa alteração semântica da palavra casal e justificar assim o seu erro clamoroso.
Mas quem defende o casamento homossexual rebate este problema semântico aumentando a confusão semântica e referindo que ao que nós chamamos casamento deveríamos apenas chamar matrimónio. Uma consulta ao dicionário aponta todavia matrimónio e casamento como palavras sinónimas, defender o casamento homossexual é exactamente o mesmo do que defender o matrimónio homossexual.
A questão complica-se com a discussão do referendo. Como é mais do que expectável que um referendo chumbaria a questão, o debate sobre o casamento homossexual transfere-se para o debate sobre o referendo, os que são contra apoiam o referendo e os que são a favor combatem o referendo e ninguém discute seriamente se se justifica ou não o refendo.
Eu, por exemplo, que sou favorável ao reconhecimento de um qualquer instituto que legitime a união homossexual embora seja contra o casamento homossexual, pelas razões que referi, sou igualmente contra o referendo mas por razões específicas desta figura constitucional.
Há tempos quando se discutiu o eventual reconhecimento do direito à eutanásia, ouvi uma declaração de uma tetraplégica que defendia a eutanásia comentar assim os debates que se desenvolviam sobre o assunto: “o que é que eles sabem disto? Como vão decidir algo sobre o qual não têm a mínima ideia?”. Estas palavras sábias inspiraram-me a que eu fosse contra o presente referendo também, de facto o que é que eu ou qualquer dos votantes heterossexuais sabe do assunto sobre o que vai decidir?
Não me parece justo referendar o que deverão ser os direitos de um grupo particular.
Por último acho interessante como se invoca o direito constitucional à não descriminação para defender este alargamento semântico da palavra casamento e pergunto a mim mesmo se não se terá de aceitar, pelas mesma razões constitucionais, um cego que queira ser árbitro de futebol?
Afinal de contas a questão parece descabida pois essa profissão já tem muitos ceguinhos ou pelo menos é o que parece às vezes.
A questão essencial parece ser a do reconhecimento social de outros tipos de uniões de afecto, que permitam a cada membro de uma parelha homossexual ser reconhecido como tal, tendo todos os direitos inerentes, direito de visita em caso de doença ou prisão de um do membros, direito de partilha de bens, de herança, enfim de todos os direitos que estão, até agora, salvaguardados para os membros de um casal.
E esta reivindicação é justíssima, ninguém, com sentido de justiça, poderá discordar dela.
Como sempre o problema surge apenas com as palavras e o seu significado.
Daí que se discuta:
Dizem uns que se os direitos perseguidos são idênticos aos dos casais, basta alargar o conceito de casal e de casamento, a pares do mesmo sexo.
Parece simples e dá uma resposta de facto ao problema inicial, acontece porém que isso que fere a sensibilidade de muitos de nós, casamento e casal têm um valor semântico preciso e envolve um par constituído por 2 indivíduos de sexo diferente, quando o sexo é irrelevante falamos de pares e parelhas não de casais e de casamento.
A este propósito conto uma história real: Tenho um amigo que em certo momento se dedicou à criação de perdizes para repovoamento e, para iniciar a actividade, encomendou x casais de perdizes. De início teve algum prejuízo porque o fornecedor não lhe vendeu casais, devidamente compostos de uma perdiz e um perdigão, mas apenas pares do mesmo sexo, o certo é que a produção não arrancou ali, não nasceram os esperados perdigotos.
O caso foi comentado entre os amigos como quase anedótico, hoje porém se o caso fosse à justiça uma atenta defesa do fornecedor pudesse invocar essa alteração semântica da palavra casal e justificar assim o seu erro clamoroso.
Mas quem defende o casamento homossexual rebate este problema semântico aumentando a confusão semântica e referindo que ao que nós chamamos casamento deveríamos apenas chamar matrimónio. Uma consulta ao dicionário aponta todavia matrimónio e casamento como palavras sinónimas, defender o casamento homossexual é exactamente o mesmo do que defender o matrimónio homossexual.
A questão complica-se com a discussão do referendo. Como é mais do que expectável que um referendo chumbaria a questão, o debate sobre o casamento homossexual transfere-se para o debate sobre o referendo, os que são contra apoiam o referendo e os que são a favor combatem o referendo e ninguém discute seriamente se se justifica ou não o refendo.
Eu, por exemplo, que sou favorável ao reconhecimento de um qualquer instituto que legitime a união homossexual embora seja contra o casamento homossexual, pelas razões que referi, sou igualmente contra o referendo mas por razões específicas desta figura constitucional.
Há tempos quando se discutiu o eventual reconhecimento do direito à eutanásia, ouvi uma declaração de uma tetraplégica que defendia a eutanásia comentar assim os debates que se desenvolviam sobre o assunto: “o que é que eles sabem disto? Como vão decidir algo sobre o qual não têm a mínima ideia?”. Estas palavras sábias inspiraram-me a que eu fosse contra o presente referendo também, de facto o que é que eu ou qualquer dos votantes heterossexuais sabe do assunto sobre o que vai decidir?
Não me parece justo referendar o que deverão ser os direitos de um grupo particular.
Por último acho interessante como se invoca o direito constitucional à não descriminação para defender este alargamento semântico da palavra casamento e pergunto a mim mesmo se não se terá de aceitar, pelas mesma razões constitucionais, um cego que queira ser árbitro de futebol?
Afinal de contas a questão parece descabida pois essa profissão já tem muitos ceguinhos ou pelo menos é o que parece às vezes.
2010-01-05
Morreu Llasa de Sela
Foi no passado dia 1, no primeiro dia do ano, mas a notícia só me chegou hoje pela TSF.
Llasa tinha 37 anos de idade e não resistiu a um cancro da mama.
Que dizer de Llasa ?
Era uma excelente e versátil compositora e interprete mas mais do que isso era um ser humano notável.
Lhasa era filha de um pai mexicano e de uma mãe americana, ambos hipies, não por moda mas por convicção, como ela afirmou numa notável entrevista de Carlos Vaz Marques no Programa Pessoal e Transmissível donde aliás retirei muito do que vou escrever aqui.
Teve uma educação informal, nunca andou numa escola, como nós, foi ensinada pelos seus pais e sobretudo pelos livros. Canta em Espanhol, Inglês, Francês, Português, e em línguas mais exóticas e a sua voz muda consoante a língua que usa. O seu sonho era cantar em árabe para um público americano, como um “statement”, “por razões políticas?”, perguntou-lhe Carlos,”não, o que me trava é precisamente o aproveitamento político que decerto farão, era apenas por razões humanitárias”, respondeu.
Não compreende o termo inimigo, “como é que um ser humano pode chamar inimigo a outro ser humano?”, perguntou.
Mas o melhor é ouvi-la.
Aqui fica graças ao youtube.
Llasa tinha 37 anos de idade e não resistiu a um cancro da mama.
Que dizer de Llasa ?
Era uma excelente e versátil compositora e interprete mas mais do que isso era um ser humano notável.
Lhasa era filha de um pai mexicano e de uma mãe americana, ambos hipies, não por moda mas por convicção, como ela afirmou numa notável entrevista de Carlos Vaz Marques no Programa Pessoal e Transmissível donde aliás retirei muito do que vou escrever aqui.
Teve uma educação informal, nunca andou numa escola, como nós, foi ensinada pelos seus pais e sobretudo pelos livros. Canta em Espanhol, Inglês, Francês, Português, e em línguas mais exóticas e a sua voz muda consoante a língua que usa. O seu sonho era cantar em árabe para um público americano, como um “statement”, “por razões políticas?”, perguntou-lhe Carlos,”não, o que me trava é precisamente o aproveitamento político que decerto farão, era apenas por razões humanitárias”, respondeu.
Não compreende o termo inimigo, “como é que um ser humano pode chamar inimigo a outro ser humano?”, perguntou.
Mas o melhor é ouvi-la.
Aqui fica graças ao youtube.
2010-01-03
Que ótimo
Parece que já entrou em vigor o novo acordo ortográfico.
Eu vou tentar adotar.
Albarde-se o burro à vontade do dono e espero que a média de erros cometidos se mantenha no nível, já elevado, habitual.
Eu vou tentar adotar.
Albarde-se o burro à vontade do dono e espero que a média de erros cometidos se mantenha no nível, já elevado, habitual.
2009-12-30
Questão de lógica número 1
Ouvi algures Sócrates dizer que não haveria aumento de impostos em 2010.
Ouvi algures a oposição dizer que o novo código retributivo representava um brutal aumento de impostos.
Ouvi algures o PS dizer que o novo código retributivo visava apenas a justiça fiscal, nada de aumento de impostos e blá, blá blá.
Vi que Cavaco promulgou o adiamento da entrada em vigor do novo código retributivo como propunha a oposição.
Ouvi o Governo dizer que esse adiamento iria fazer diminuir as receitas do Estado de uma forma brutal.
Mesmo sem ler o texto do novo código retributivo, e tendo como base as premissas acima referidas, responda por favor:
O novo código retributivo iria ou não aumentar os impostos?
A mim, por acaso, parece-me que sim, que Sócrates terá mentido. Quem diria?
Ouvi algures a oposição dizer que o novo código retributivo representava um brutal aumento de impostos.
Ouvi algures o PS dizer que o novo código retributivo visava apenas a justiça fiscal, nada de aumento de impostos e blá, blá blá.
Vi que Cavaco promulgou o adiamento da entrada em vigor do novo código retributivo como propunha a oposição.
Ouvi o Governo dizer que esse adiamento iria fazer diminuir as receitas do Estado de uma forma brutal.
Mesmo sem ler o texto do novo código retributivo, e tendo como base as premissas acima referidas, responda por favor:
O novo código retributivo iria ou não aumentar os impostos?
A mim, por acaso, parece-me que sim, que Sócrates terá mentido. Quem diria?
Terrorismo Poético
Este filme que me chegou por via de um meu amigo, autor deste magnífico blog agora renascido, ilustra um acontecimento magnífico que classifico de terrorismo poético.
Trata-se da interpretação insólita de algumas áreas de Verdi, inesperadamente, em pleno mercado de Valência.
Terrorismo, porque a deslocação do tempo e do espaço, e a reacção de intensa surpresa e prazer que gerou, foi mais eloquente do que um magnífico discurso sobre a insanidade monótona do quotidiano que nos fazem viver.
É um verdadeiro murro no estômago.
Poético porque o belo aconteceu ali.
Espero que tenham tanto prazer ao ver este pequeno filme quanto eu tive.
Trata-se da interpretação insólita de algumas áreas de Verdi, inesperadamente, em pleno mercado de Valência.
Terrorismo, porque a deslocação do tempo e do espaço, e a reacção de intensa surpresa e prazer que gerou, foi mais eloquente do que um magnífico discurso sobre a insanidade monótona do quotidiano que nos fazem viver.
É um verdadeiro murro no estômago.
Poético porque o belo aconteceu ali.
Espero que tenham tanto prazer ao ver este pequeno filme quanto eu tive.
2009-12-27
Notícia do dia
Hoje, um avião, rumo aos EUA, teve de aterrar de emergência porque um passageiro era nigeriano e esteve demasiado tempo na casa de banho.
Quando será que estes nigerianos, aprenderão a não ter distúrbios alimentares quando viajam?
É a paz do mundo civilizado que o exige!
Quando será que estes nigerianos, aprenderão a não ter distúrbios alimentares quando viajam?
É a paz do mundo civilizado que o exige!
2009-12-23
Para todos os meus leitores e outros amigos não leitores
Desejo:
Um Feliz Natal
Um Feliz Solstício
Um Bom ano novo.
E que o "Pai Natal" derrape na neve ou tropece numa nuvem e desapareça para sempre.
Um Feliz Natal
Um Feliz Solstício
Um Bom ano novo.
E que o "Pai Natal" derrape na neve ou tropece numa nuvem e desapareça para sempre.
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