No debate que ouvi, ver post abaixo, António Macedo falava que aquele concerto era irrepetível pela qualidade dos músicos que intervieram.
Perguntava mesmo, “Como poderíamos organizar hoje um concerto de tal nível ?”.
Não é verdade, os grandes nomes do momento não estiveram lá. Os Beatles, os Doors, e mesmo Bob Dylan, que até vivia em Woodstock, não estiveram lá.
Como também alguém disse, nesse debate, qualquer dos muitos festivais de verão que hoje se fazem em Portugal, têm um nível idêntico, alguns nomes famosos e uma quantidade de outros que tentam se mostrar.
Nomes sonantes na altura estiveram Janis Jopling, Jimi Hendrix, Joan Baez , the Band e Ravi Shankar, depois estrelas ascendentes e ilustres desconhecidos como Joe Cocker, Crosby Still and Nash, Santana, Reachie Heavens, que são hoje famosos precisamente por terem lá estado.
E ainda outros, que mesmo tendo lá estado, pouca gente se lembra deles, não obstante a sua enorme qualidade, como Swami Satchidananda.
Isto tudo entre outros nas diversas categorias.
Seria talvez por ter sido um concerto ao ar livre?
Também não, naquele tempo havia outros festivais assim, com êxito moderado, como o de Monterrey em 1967 entre vários outros.
Não, não foi nenhum pormenor de organização que tornou aquele concerto memorável, pelo contrário, foi precisamente a desorganização o caos que transformaram aquele evento num ícon.
Parece que foram vendidos cerca de 184 000 bilhetes mas estiveram lá para cima de meio milhãode pessoas, à borla, entraram e pronto.
Cada um se safou como quis e pôde.
O mundo organizado, perdeu o controlo, não houve polícia a regular, a chatear e a fazer rusgas, todo o mundo esteve temporariamente livre.
Woodstock foi um TAZ (Temporary Autonomous Zone) Zona Autónoma Temporária, um ZAT em português.
Este conceito, que eu já tenho referido neste blogue, foi tipificado por Akim bay que o considera como a única via verdadeiramente revolucionária para nos libertarmos das amarras e do sufoco da civilização.
Infelizmente são sempre momentos efémeros vividos em maior ou menor escala.
Evidentemente o mundo não suporta os TAZ, tenta sempre incorporá-los, quando não os pode vencer, como está tentando fazer com Woodstock ou então destruí-los para fazer renascer a velha ordem.
Viva Woodstock livre!
O TAZ contaminou tudo e os próprios músicos se transcenderam e tiveram “performances” únicas.
O que se lá passou está, felizmente, documentado em filme, em registos sonoros e em muitos escritos, mas julgo que nada poderá transmitir exactamente o que terá sido aquela vivência ou as múltiplas vivências de cada um que lá esteve.
Podemos apenas imaginar.
Eu imagino a força daquela primeira actuação, na abertura no dia 15, onde o jovem Reachie Heavens, tremendo de nervos, como nos confessa hoje, entrando naquele palco e cantando uma adaptação de um velho Gospel, gritando na sua voz rouca: “freedom”, “liberdade”.
Imaginem-se então neste momento, entre aquele meio milhão de homens e mulheres belos e jovens e temporariamente livres, exorcizando, naquele momento o fantasma de então, que os esperava, a estúpida guerra do Vietname.
E isto foi apenas o começo de um paraíso que durou 3 dias.
2009-08-16
2009-08-15
Cheguei!
Agora já me é mais fácil postar.
Tinha já planeado falar aqui dalguns factos significativos das minhas férias na praia, no Algarve, mas a minha viagem de regresso ocorreu hoje, acompanhando na rádio a efeméride desse festival memorável que decorreu em Woodstock, entre 15 e 17 de Agosto de 1969, tinha eu 20 anos.
Pelo que ouvi, a grande questão será: O que terá feito de Woodstock um acontecimento memorável, ainda hoje? E aventaram respostas erradas.
Na verdade eu, que não estive lá, sei muito bem a resposta mas só falarei disso amanhã ou depois.
Aguardem pois.
Tinha já planeado falar aqui dalguns factos significativos das minhas férias na praia, no Algarve, mas a minha viagem de regresso ocorreu hoje, acompanhando na rádio a efeméride desse festival memorável que decorreu em Woodstock, entre 15 e 17 de Agosto de 1969, tinha eu 20 anos.
Pelo que ouvi, a grande questão será: O que terá feito de Woodstock um acontecimento memorável, ainda hoje? E aventaram respostas erradas.
Na verdade eu, que não estive lá, sei muito bem a resposta mas só falarei disso amanhã ou depois.
Aguardem pois.
2009-08-07
Estou de férias
Que tal as férias?
É a expressão que os meus colegas ainda no activo costumam usar quando me vêem, no dia a dia sem as obrigações comuns que a vida activa exige.
No seu imaginário a reforma que ambicionam é, sobretudo, férias, não fazer nada, de “papo para o ar”, como se isso, por si só, fosse a felicidade.
Não é!
As minhas férias, como a de muitas pessoas em muitas situações, são apenas uma alteração da rotina, a adaptação a um espaço estranho, que se vai descobrindo e tentando moldar à nossa imagem.
A presença constante dos meus netos, ora gratificante e cheia de surpresas, ora perturbante e quase insuportável.
O uso do computador portátil, o toque das teclas, a mania irritante de me dobrar os aa que escrevo, a Internet intermitente e lenta, tudo isso são pequenas dificuldades que contrariam a minha escrita.
Entretanto, em Belgrado, alguma equipa de jovens muito activos debruçam-se sobre vários currículos, entre os quais o meu, para escolher a pessoa ideal para ajudar o Governo Sérvio a definir a estratégia para a implementação da abordagem LEADER para o desenvolvimento rural, naquele país.
É-me evidente que sou eu a pessoa indicada, só que eles não sabem disso, ainda.
Aguardo ansiosamente a decisão.
A pressa com que me pedem, como pediram alguns esclarecimentos adicionais, é só necessária para mim, eles ,como sempre, são lentos, lentíssimos nas suas decisões.
Iremos ver o resultado.
Iremos ver se este blogue irá ter ou não algumas cartas de Belgrado.
Entretanto vou continuando a viver e tentando gozar o melhor possível as minhas férias.
É a expressão que os meus colegas ainda no activo costumam usar quando me vêem, no dia a dia sem as obrigações comuns que a vida activa exige.
No seu imaginário a reforma que ambicionam é, sobretudo, férias, não fazer nada, de “papo para o ar”, como se isso, por si só, fosse a felicidade.
Não é!
As minhas férias, como a de muitas pessoas em muitas situações, são apenas uma alteração da rotina, a adaptação a um espaço estranho, que se vai descobrindo e tentando moldar à nossa imagem.
A presença constante dos meus netos, ora gratificante e cheia de surpresas, ora perturbante e quase insuportável.
O uso do computador portátil, o toque das teclas, a mania irritante de me dobrar os aa que escrevo, a Internet intermitente e lenta, tudo isso são pequenas dificuldades que contrariam a minha escrita.
Entretanto, em Belgrado, alguma equipa de jovens muito activos debruçam-se sobre vários currículos, entre os quais o meu, para escolher a pessoa ideal para ajudar o Governo Sérvio a definir a estratégia para a implementação da abordagem LEADER para o desenvolvimento rural, naquele país.
É-me evidente que sou eu a pessoa indicada, só que eles não sabem disso, ainda.
Aguardo ansiosamente a decisão.
A pressa com que me pedem, como pediram alguns esclarecimentos adicionais, é só necessária para mim, eles ,como sempre, são lentos, lentíssimos nas suas decisões.
Iremos ver o resultado.
Iremos ver se este blogue irá ter ou não algumas cartas de Belgrado.
Entretanto vou continuando a viver e tentando gozar o melhor possível as minhas férias.
2009-07-28
A pena de morte é o que os espera
Na Sic, hoje deram a notícia de alguém, que tinha sido preso nos EUA.
Era um americano loirinho, mas muçulmano, e que tinha amigos tenebrosos, nada loirinhos, também presos.
Parece que o homem até tinha ido ao Kosovo com o intuito de colocar uma bomba (embora não o tivesse feito), que outra razão haverá para se ir dos EUA ao Kosovo?
E não ficou por aí, também já tinha ido à Jordânia.
Certamente pertencia à Alcaeda.
A notícia acabava dizendo que vai enfrentar a possibilidade de uma pena de morte.
Esta notícia só me fez lembrar esta velha canção de Tom Waits:
Era um americano loirinho, mas muçulmano, e que tinha amigos tenebrosos, nada loirinhos, também presos.
Parece que o homem até tinha ido ao Kosovo com o intuito de colocar uma bomba (embora não o tivesse feito), que outra razão haverá para se ir dos EUA ao Kosovo?
E não ficou por aí, também já tinha ido à Jordânia.
Certamente pertencia à Alcaeda.
A notícia acabava dizendo que vai enfrentar a possibilidade de uma pena de morte.
Esta notícia só me fez lembrar esta velha canção de Tom Waits:
2009-07-26
Reflexão sobre a volta à França
Para o ciclismo a Volta a França é hoje a “grande prova”, a prova das provas, capaz de fabricar “heróis”.
Hoje acompanhei, pela TV, um pouco dessa prova.
Os comentadores, como a transmissão, não é nada mais do que ver bastantes homens sobre bicicletas, têm a missão de nos dar conteúdo, dar-nos contexto, explicar quem é este ou aquele corredor e o drama que vive e também transmitir dados constantes sobre a importância e a seriedade da prova, valorizando aquilo que vemos.
Hoje a conversa incidiu sobre as medidas anti “doping”.
A organização é quase perfeita na detecção do “doping”, ao contrário, claro, de Portugal, embora às vezes também não seja assim: Marco Chagas (antigo ciclista e actual comentador) referiu-nos que em Portugal foi controlado em qualquer evento de veteranos, apesar de já ter 52 anos. As coisas estão a melhorar.
Depois falaram de qualquer peça da bicicleta a que chamaram extensores e que Marco Chagas lamentava não ter tido no seu tempo, embora alguns já a tivessem.
Eu, imaginando-me técnico de ciclismo e querendo que a minha equipa ganhe.
Só pensaria em duas coisas:
Ou o ciclista tem de correr mais, ter mais força muscular e cansar-se menos e isso consegue-se com os chamados bons ciclistas mas também com treino e com produtos químicos que ajudam a isso, alguns chamados “doping”, ou também, a bicicleta tem que andar mais por cada pedalada e também há produtos que ajudam a isso, talvez chamados extensores e quejandos.
São estas descobertas tecnológicas ou biológicas que fazem a humanidade avançar e dominar os problemas que se lhe colocam.
Os problemas que surgem é que a prova deixa de ter a ver com o ciclismo mas com o desenvolvimento tecnológico e com a eficácia de controlo.
Alguns ganharam provas apenas porque o seu método de “doping” ainda não era conhecido pelo controlo ou, de qualquer forma, conseguiram ultrapassar esse controlo.
Por isso eu penso que se queremos avaliar capacidade de homens, através do desporto, devemos seguir o exemplo da Grécia antiga e afastar toda a tecnologia.
Todos deveriam concorrer nus e descalços e mesmo assim não conseguiríam eliminar o “doping” de uma alimentação mais correcta para aquele fim.
Se queremos verificar o melhor em termos espectaculares, como é o caso de hoje, onde em causa estão homens mas também clubes e países e culturas, melhor seria deixar os homens e a sua cultura desenvolverem os “dopings” e a tecnologia que acham mais influente para a vitória.
O controlo “anti-doping” que quase todos acham fundamental, para mim, está a matar o desporto espectacular e a impedir o desenvolvimento científico.
Hoje acompanhei, pela TV, um pouco dessa prova.
Os comentadores, como a transmissão, não é nada mais do que ver bastantes homens sobre bicicletas, têm a missão de nos dar conteúdo, dar-nos contexto, explicar quem é este ou aquele corredor e o drama que vive e também transmitir dados constantes sobre a importância e a seriedade da prova, valorizando aquilo que vemos.
Hoje a conversa incidiu sobre as medidas anti “doping”.
A organização é quase perfeita na detecção do “doping”, ao contrário, claro, de Portugal, embora às vezes também não seja assim: Marco Chagas (antigo ciclista e actual comentador) referiu-nos que em Portugal foi controlado em qualquer evento de veteranos, apesar de já ter 52 anos. As coisas estão a melhorar.
Depois falaram de qualquer peça da bicicleta a que chamaram extensores e que Marco Chagas lamentava não ter tido no seu tempo, embora alguns já a tivessem.
Eu, imaginando-me técnico de ciclismo e querendo que a minha equipa ganhe.
Só pensaria em duas coisas:
Ou o ciclista tem de correr mais, ter mais força muscular e cansar-se menos e isso consegue-se com os chamados bons ciclistas mas também com treino e com produtos químicos que ajudam a isso, alguns chamados “doping”, ou também, a bicicleta tem que andar mais por cada pedalada e também há produtos que ajudam a isso, talvez chamados extensores e quejandos.
São estas descobertas tecnológicas ou biológicas que fazem a humanidade avançar e dominar os problemas que se lhe colocam.
Os problemas que surgem é que a prova deixa de ter a ver com o ciclismo mas com o desenvolvimento tecnológico e com a eficácia de controlo.
Alguns ganharam provas apenas porque o seu método de “doping” ainda não era conhecido pelo controlo ou, de qualquer forma, conseguiram ultrapassar esse controlo.
Por isso eu penso que se queremos avaliar capacidade de homens, através do desporto, devemos seguir o exemplo da Grécia antiga e afastar toda a tecnologia.
Todos deveriam concorrer nus e descalços e mesmo assim não conseguiríam eliminar o “doping” de uma alimentação mais correcta para aquele fim.
Se queremos verificar o melhor em termos espectaculares, como é o caso de hoje, onde em causa estão homens mas também clubes e países e culturas, melhor seria deixar os homens e a sua cultura desenvolverem os “dopings” e a tecnologia que acham mais influente para a vitória.
O controlo “anti-doping” que quase todos acham fundamental, para mim, está a matar o desporto espectacular e a impedir o desenvolvimento científico.
2009-07-23
Você sabe o que é caviar?
É assim que começa uma interessante canção brasileira.
Sem entrar em mais detalhes, podemos dizer, com verdade, que são simplesmente ovas de esturjão.
O problema transfere-se para o de saber o que será um esturjão.
E a resposta que se ouve é que é um peixe nativo do mar Cáspio e rios que aí desaguam e que está em risco de extinção porque é demasiado pescado porque as suas ovas, o tal caviar, são apreciadíssimas e caríssimas.
É este o conhecimento que eu tinha até ontem quando vi uma reportagem na SIC sobre a pesca no Tejo, pesca essa também em extinção, e vi relatos de pessoas idosas e fotografias de um esturjão pescado no Tejo, em meados do século XX.
Pareceu-me que esse facto, por si mereceria uma reportagem bem elaborada.
Como será que um esturjão terá vindo do mar Cáspio até ao Tejo passear?
A minha imaginação criativa começou logo a conceber uma história:
Talvez um refugiado da segunda grande guerra, talvez judeu, tenha trazido daquelas bandas um ou uns quantos esturjões, lançando-os no Tejo para posterior exploração comercial.
Mas como se trariam assim esturjões?
Uma consulta ao google mostrou uma história bem mais simples e triste.
Desde a mais remota antiguidade até ao Século XIX sempre houve esturjões no Tejo, Douro, Mondego, Sado e Guadiana (onde ainda parece que ocasionalmente aparecem) e por todos os rios da Europa.
As barragens expulsaram-nos de todo o lado e, agora, só resistem no Mar Cáspio os últimos esturjões.
Esta história que mostra como com as barragens perdemos o que poderia ser um negócio de milhões, ou, mais do que isso, uma iguaria a que a nossa bolsa dificilmente permite chegar, recorda-me a polémica actual sobre a barragem do Sabor:
Esta prevista barragem, vai destruir o talvez único rio selvagem que corre na Europa, e, como alguém dizia, ganhamos alguns kilowats, mas nem sonhamos o que podemos perder.
Eu já chorava pelas ostras do Tejo (consideradas as melhores ostras do mundo) passo agora a chorar também pelos esturjões do Tejo.
Sem entrar em mais detalhes, podemos dizer, com verdade, que são simplesmente ovas de esturjão.
O problema transfere-se para o de saber o que será um esturjão.
E a resposta que se ouve é que é um peixe nativo do mar Cáspio e rios que aí desaguam e que está em risco de extinção porque é demasiado pescado porque as suas ovas, o tal caviar, são apreciadíssimas e caríssimas.
É este o conhecimento que eu tinha até ontem quando vi uma reportagem na SIC sobre a pesca no Tejo, pesca essa também em extinção, e vi relatos de pessoas idosas e fotografias de um esturjão pescado no Tejo, em meados do século XX.
Pareceu-me que esse facto, por si mereceria uma reportagem bem elaborada.
Como será que um esturjão terá vindo do mar Cáspio até ao Tejo passear?
A minha imaginação criativa começou logo a conceber uma história:
Talvez um refugiado da segunda grande guerra, talvez judeu, tenha trazido daquelas bandas um ou uns quantos esturjões, lançando-os no Tejo para posterior exploração comercial.
Mas como se trariam assim esturjões?
Uma consulta ao google mostrou uma história bem mais simples e triste.
Desde a mais remota antiguidade até ao Século XIX sempre houve esturjões no Tejo, Douro, Mondego, Sado e Guadiana (onde ainda parece que ocasionalmente aparecem) e por todos os rios da Europa.
As barragens expulsaram-nos de todo o lado e, agora, só resistem no Mar Cáspio os últimos esturjões.
Esta história que mostra como com as barragens perdemos o que poderia ser um negócio de milhões, ou, mais do que isso, uma iguaria a que a nossa bolsa dificilmente permite chegar, recorda-me a polémica actual sobre a barragem do Sabor:
Esta prevista barragem, vai destruir o talvez único rio selvagem que corre na Europa, e, como alguém dizia, ganhamos alguns kilowats, mas nem sonhamos o que podemos perder.
Eu já chorava pelas ostras do Tejo (consideradas as melhores ostras do mundo) passo agora a chorar também pelos esturjões do Tejo.
2009-07-17
O que eu hoje mais queria era apanhar a gripe A, já
Nesta guerra, até agora, o vírus da gripe A está a levar a melhor.
Estamos num ponto em que, apesar do clima aqui estar muito desfavorável ao vírus, ele progride, em passos lentos, como os mais terríveis monstros do cinema.
102 casos em Portugal, para os 10 milhões que dizem que habitam aqui, é ainda muito pouco, mas sobe todos os dias uns pontos e “devagar se vai ao longe”.
A OMS, já disse que vai parar os seus relatórios sobre o número de novos contágios (perdeu já o controlo).
Portugal comprou já 3 000 000 de vacinas que ainda não existem, (talvez para Novembro ou Dezembro).
Com esta força, no tempo das vacas magras (para o vírus), quando o frio vier vai ser o caos.
Há quem preveja um terço da população portuguesa com gripe, talvez lá para Novembro.
Eu, não duvido, já vi este filme com a asiática, quando não tive nenhum amigo ou conhecido que não a tivesse apanhado embora agora os humanos tenham outros recursos.
O que penso é o seguinte, quando chegar a minha vez, se chegar, vai estar tudo à rasca, vacinas ainda não haverão ou se houverem não vão chegar para mim ou quando chegarem já é tarde porque eu já tenho a gripe.
Tendo a gripe vou querer “tamiflu” mas aí vai ser difícil porque toda a gente vai querer; ainda acabo por não o ter e ter de contar exclusivamente com o meu sistema imunológico para curar a gripe em 6 dias.
Se apanhasse a gripe HOJE já tudo seria diferente:
Aos primeiros sintomas, telefonava para o 808242424, seria bem atendido, faziam-me análise à borla e davam-me “tamiflu” a mim e a toda a família.
Ao fim de uma semana, estaria são como um pêro e, sobretudo, IMUNIZADO e protegido para o período da confusão, isto mesmo sem vacina nenhuma, “porque a natureza está muito bem feita”.
O problema é que não conheço ninguém com gripe para me chegar perto.
Estamos num ponto em que, apesar do clima aqui estar muito desfavorável ao vírus, ele progride, em passos lentos, como os mais terríveis monstros do cinema.
102 casos em Portugal, para os 10 milhões que dizem que habitam aqui, é ainda muito pouco, mas sobe todos os dias uns pontos e “devagar se vai ao longe”.
A OMS, já disse que vai parar os seus relatórios sobre o número de novos contágios (perdeu já o controlo).
Portugal comprou já 3 000 000 de vacinas que ainda não existem, (talvez para Novembro ou Dezembro).
Com esta força, no tempo das vacas magras (para o vírus), quando o frio vier vai ser o caos.
Há quem preveja um terço da população portuguesa com gripe, talvez lá para Novembro.
Eu, não duvido, já vi este filme com a asiática, quando não tive nenhum amigo ou conhecido que não a tivesse apanhado embora agora os humanos tenham outros recursos.
O que penso é o seguinte, quando chegar a minha vez, se chegar, vai estar tudo à rasca, vacinas ainda não haverão ou se houverem não vão chegar para mim ou quando chegarem já é tarde porque eu já tenho a gripe.
Tendo a gripe vou querer “tamiflu” mas aí vai ser difícil porque toda a gente vai querer; ainda acabo por não o ter e ter de contar exclusivamente com o meu sistema imunológico para curar a gripe em 6 dias.
Se apanhasse a gripe HOJE já tudo seria diferente:
Aos primeiros sintomas, telefonava para o 808242424, seria bem atendido, faziam-me análise à borla e davam-me “tamiflu” a mim e a toda a família.
Ao fim de uma semana, estaria são como um pêro e, sobretudo, IMUNIZADO e protegido para o período da confusão, isto mesmo sem vacina nenhuma, “porque a natureza está muito bem feita”.
O problema é que não conheço ninguém com gripe para me chegar perto.
2009-07-15
Curiosidades
A fábrica de sapatos Investvar ou o maior grupo português de calçado, decidiu acabar ou foi corrida, para o caso é irrelevante, da ligação que detinha com a multinacional americana que gere a marca “aerosoles”.
Agora é exclusivamente portuguesa e para o provar vai lançar a nova marca muitíssimo portuguesa que é a “MoovON”.
Pelo nome vemos logo que agora vai ser tudo muito mais português.
Agora é exclusivamente portuguesa e para o provar vai lançar a nova marca muitíssimo portuguesa que é a “MoovON”.
Pelo nome vemos logo que agora vai ser tudo muito mais português.
2009-07-14
Parece que a ASAE é inconstitucional
Oxalá!
A ASAE é a Santa inquisição do século XXI.
Enquanto a Inquisição, espalhava o terror e cometia crimes contra a humanidade para salvar as nossas almas, a ASAE faz o mesmo para salvar os nossos corpos.
Uma e outra não salvam nada, só destroem e têm a tendência para eliminar o talento e o que de melhor há no nosso país.
O mundo globalizado, evidentemente tem os seus perigos e necessita controlo. Em cada frasquinho ou latinha que compro muitas podem e, algumas vezes têm, adjuvantes químicos e toda a espécie de venenos que matam aos milhares. Mas quando isso acontece a indústria diz “woops”, finge que chora pelos mortos que causou, dá-nos a suposta paz retirando todo o lote do mercado e continua o “business as usual” como se nada se tivesse passado.
A ASAE não quer saber disto o seu inimigo é o Sr. Zé e a D. Maria que usam os tomates da sua horta: vê, cheira, pede os papéis e arruína-lhes a vida, a deles e a nossa que gostamos dos tomates.
Morra a ASAE morra, Pim.
A Santa Inquisição tirou-nos Espinosa, Joseph de La Vega e tantos outros espíritos brilhantes que tiveram que ir brilhar para Amsterdão.
A Santa ASAE tira-nos a bola de Berlim nas praias e a ginginha que não têm para onde ir brilhar.
Morra a ASAE morra Pim.
A ASAE é a Santa inquisição do século XXI.
Enquanto a Inquisição, espalhava o terror e cometia crimes contra a humanidade para salvar as nossas almas, a ASAE faz o mesmo para salvar os nossos corpos.
Uma e outra não salvam nada, só destroem e têm a tendência para eliminar o talento e o que de melhor há no nosso país.
O mundo globalizado, evidentemente tem os seus perigos e necessita controlo. Em cada frasquinho ou latinha que compro muitas podem e, algumas vezes têm, adjuvantes químicos e toda a espécie de venenos que matam aos milhares. Mas quando isso acontece a indústria diz “woops”, finge que chora pelos mortos que causou, dá-nos a suposta paz retirando todo o lote do mercado e continua o “business as usual” como se nada se tivesse passado.
A ASAE não quer saber disto o seu inimigo é o Sr. Zé e a D. Maria que usam os tomates da sua horta: vê, cheira, pede os papéis e arruína-lhes a vida, a deles e a nossa que gostamos dos tomates.
Morra a ASAE morra, Pim.
A Santa Inquisição tirou-nos Espinosa, Joseph de La Vega e tantos outros espíritos brilhantes que tiveram que ir brilhar para Amsterdão.
A Santa ASAE tira-nos a bola de Berlim nas praias e a ginginha que não têm para onde ir brilhar.
Morra a ASAE morra Pim.
2009-07-12
2009-07-10
A comunicação social não tem a noção de dose.
A noção de dose é fundamental, eu já tentei explicar isto aqui.
Reportagens que envolvam: “Cristiano Ronaldo”, Michael Jackson” ou o “pequeno Martim”, que continuam a servir-nos diariamente, são já insuportáveis.
São “overdose”.
Reportagens que envolvam: “Cristiano Ronaldo”, Michael Jackson” ou o “pequeno Martim”, que continuam a servir-nos diariamente, são já insuportáveis.
São “overdose”.
2009-07-08
Uma aventura na estrada
Ou
“Como o capital encarnou e habita entre nós”
O meu carro, agora, é um Megane cheio de mariquices que eu gosto.
Acende os faróis sozinho quando ele acha que não se vê, fecha os vidros abertos, quando o abandonamos, como que dizendo “Estás a ver, que serias tu sem mim? Deixavas-me a saque!”.
Apesar de ter já uns anos e quase 100 000 Km de rodagem, é um carro já do “admirável mundo novo”.
Tem um computador de bordo que me avisa em português correcto, quanto gasóleo ainda tenho, quantos quilómetros posso ainda andar, que está na hora da revisão ou de mudar o óleo e também quando não se sente bem, embora aí seja parco em palavras.
Há poucos dias, quando entrava na ponte Vasco da Gama, vindo do Sul, o carro dá dois soluços súbitos e grita-me no computador: “STOP”.
Eu, encostei-me na margem e parei logo.
Pensei falar com ele, deixá-lo descansar um pouco e continuar para casa.
Mas ele, amuou, não me respondia, não me dizia nada, para alem de uma breve mensagem “problemas na injecção”.
O motor nunca mais trabalhou mas ele mantinha-se vivo, de luzes acesas que não se desligavam e surdo a todas as minhas ordens.
O que se seguiu foi a sociedade moderna, no seu melhor.
Ainda eu tentava chamá-lo à razão, já um reboque ao serviço da ponte (que certamente me tinha visto encostar, pelas múltiplas televisões que nos observam) se aproximava para me ajudar ou para desembaraçar o trânsito, talvez mais isto.
Sem gastar nada, logo deixei tudo arrumado, o carro a caminho da oficina e eu, de táxi, a caminho de casa.
A sociedade cumpriu o seu papel comigo, embora eu soubesse que o meu calvário individual estava apenas a começar.
E assim foi, no dia seguinte telefona-me o mecânico dizendo:
“Tem que cá vir rápido, o motor está todo partido, isto vai ser um bocado caro”.
Na minha cabeça, essas palavras: “partido” e "dinheirão”, associadas a "problema na injecção" ficaram a ressoar na minha cabeça, lembraram-me logo da praga dos gasolineiros, contra os combustíveis brancos: “Poupas na gasolina vais pagar muito mais no mecânico!”.
De facto, eu tenho alimentado o meu carro sempre a gasóleo de saldo. E sei que as ameaças que se ouvem não são mais que o jogo de diferentes tentáculos do polvo capitalista, tentando extorquir-me sempre mais: “Ou enches o meu ventre voraz, na bomba de gasolina ou no mecânico, mas vais enchê-lo sempre.
Mas é nesta luta entre os tentáculos do polvo que nós vamos sobrevivendo,
A verdade é que o gasóleo ou a gasolina “branca”, é legal, não pode estragar carros assim. E a experiência dos milhares que fazem como eu e estão pacientemente na “fila” (para os meus leitores do Brasil) ou na “bicha” (para os de Portugal) para poupar na gasolina não consta que estejam a “partir” motores com essa facilidade.
Foi então que me lembrei de uma vivência recente no campo do vídeo, os velhos aparelhos, pirateavam tudo mas os modernos já não porque os “tentáculos do polvo capitalista” se harmonizaram e têm “ordens de “software” para não permitir a cópia, nem ver os vídeos de outra região e todas essas invenções do capital para nos roubar.
Será que as “mariquices” do meu carro já teriam inclusas instruções para detectar a gasolina branca e “partir” o motor em conformidade?
Era muito verosímil.
Fiquei apreensivo e a delinear estratégia para não baixar os braços nesta luta.
Felizmente a minha ida ao mecânico sossegou-me neste domínio.
O mal foi de uma correia que, supostamente, tem que ser mudada de 90 000 em 90 000Km e que não tendo sido trocada, se partiu e, a partir daí, rapidamente seguiram-se os “pistons” e não sei que mais.
Porque não mudei então essa correia no devido tempo? Perguntará o leitor.
A resposta é simples: porque a porra do computador de bordo que é tão esperto para as coisas simples, nunca me avisou disto que era uma questão vital.
O capital ganha sempre mas, pelo menos vou continuar a usar gasóleo branco, que se lixa!.
“Como o capital encarnou e habita entre nós”
O meu carro, agora, é um Megane cheio de mariquices que eu gosto.
Acende os faróis sozinho quando ele acha que não se vê, fecha os vidros abertos, quando o abandonamos, como que dizendo “Estás a ver, que serias tu sem mim? Deixavas-me a saque!”.
Apesar de ter já uns anos e quase 100 000 Km de rodagem, é um carro já do “admirável mundo novo”.
Tem um computador de bordo que me avisa em português correcto, quanto gasóleo ainda tenho, quantos quilómetros posso ainda andar, que está na hora da revisão ou de mudar o óleo e também quando não se sente bem, embora aí seja parco em palavras.
Há poucos dias, quando entrava na ponte Vasco da Gama, vindo do Sul, o carro dá dois soluços súbitos e grita-me no computador: “STOP”.
Eu, encostei-me na margem e parei logo.
Pensei falar com ele, deixá-lo descansar um pouco e continuar para casa.
Mas ele, amuou, não me respondia, não me dizia nada, para alem de uma breve mensagem “problemas na injecção”.
O motor nunca mais trabalhou mas ele mantinha-se vivo, de luzes acesas que não se desligavam e surdo a todas as minhas ordens.
O que se seguiu foi a sociedade moderna, no seu melhor.
Ainda eu tentava chamá-lo à razão, já um reboque ao serviço da ponte (que certamente me tinha visto encostar, pelas múltiplas televisões que nos observam) se aproximava para me ajudar ou para desembaraçar o trânsito, talvez mais isto.
Sem gastar nada, logo deixei tudo arrumado, o carro a caminho da oficina e eu, de táxi, a caminho de casa.
A sociedade cumpriu o seu papel comigo, embora eu soubesse que o meu calvário individual estava apenas a começar.
E assim foi, no dia seguinte telefona-me o mecânico dizendo:
“Tem que cá vir rápido, o motor está todo partido, isto vai ser um bocado caro”.
Na minha cabeça, essas palavras: “partido” e "dinheirão”, associadas a "problema na injecção" ficaram a ressoar na minha cabeça, lembraram-me logo da praga dos gasolineiros, contra os combustíveis brancos: “Poupas na gasolina vais pagar muito mais no mecânico!”.
De facto, eu tenho alimentado o meu carro sempre a gasóleo de saldo. E sei que as ameaças que se ouvem não são mais que o jogo de diferentes tentáculos do polvo capitalista, tentando extorquir-me sempre mais: “Ou enches o meu ventre voraz, na bomba de gasolina ou no mecânico, mas vais enchê-lo sempre.
Mas é nesta luta entre os tentáculos do polvo que nós vamos sobrevivendo,
A verdade é que o gasóleo ou a gasolina “branca”, é legal, não pode estragar carros assim. E a experiência dos milhares que fazem como eu e estão pacientemente na “fila” (para os meus leitores do Brasil) ou na “bicha” (para os de Portugal) para poupar na gasolina não consta que estejam a “partir” motores com essa facilidade.
Foi então que me lembrei de uma vivência recente no campo do vídeo, os velhos aparelhos, pirateavam tudo mas os modernos já não porque os “tentáculos do polvo capitalista” se harmonizaram e têm “ordens de “software” para não permitir a cópia, nem ver os vídeos de outra região e todas essas invenções do capital para nos roubar.
Será que as “mariquices” do meu carro já teriam inclusas instruções para detectar a gasolina branca e “partir” o motor em conformidade?
Era muito verosímil.
Fiquei apreensivo e a delinear estratégia para não baixar os braços nesta luta.
Felizmente a minha ida ao mecânico sossegou-me neste domínio.
O mal foi de uma correia que, supostamente, tem que ser mudada de 90 000 em 90 000Km e que não tendo sido trocada, se partiu e, a partir daí, rapidamente seguiram-se os “pistons” e não sei que mais.
Porque não mudei então essa correia no devido tempo? Perguntará o leitor.
A resposta é simples: porque a porra do computador de bordo que é tão esperto para as coisas simples, nunca me avisou disto que era uma questão vital.
O capital ganha sempre mas, pelo menos vou continuar a usar gasóleo branco, que se lixa!.
2009-07-04
Análise semiológica do gesto do Ex. Ministro Pinho
O contexto é mais ou menos conhecido.
O resultado (demissão do Ministro) é sabido.
O gesto foi este:

Há 3 questões que me parecem fundamentais.
1. O que quereria o Sr. Ministro dizer?
2. Porque é que aquela forma de expressão se mostrou intolerável?
3. Porque escolheu Manuel Pinho aquele gesto?
Quanto à primeira questão poderemos aceitar as explicações do próprio ex-Ministro, (ninguém mente naquela situação, após um acto suicida) ele quis retaliar no mesmo grau, a ofensa e a humilhação que sentiu. Algo de que ele se orgulhava muito estava ali a ser desvalorizado e distorcido, qualquer argumentação era mal compreendida ou negada, portanto inútil.
Como expressar então esse facto? Manuel Pinho escolheu uma forma de acção: o gesto acima.
Quanto à segunda questão a resposta parece também clara, o gesto foi insólito, único, nunca utilizado naquele ambiente nem de forma mitigada.
Foi estranho, inopinado, portanto inaceitável.
A terceira questão porém é a que me parece mais difícil.
Manuel Pinho simbolizou cornos, que nos remetem para duas referência fundamentais:
A força, a tenacidade, a bravura de um touro ou a conotação moral da vítima de infidelidade sexual, o “corno” ou o “encornado”.
Há gestos de mãos que nos remetem para estes campos de significado.
Encolher todos os dedos com excepção do mínimo e do indicador remetendo o gesto para o terceiro tem um significado duplo e inequívoco.
Quere-se dizer: “com a bravura e a tenacidade de um touro eu digo-te, tu és um “corno” (fraco, humilhado, enganado, pouco viril), os dedos mostram os cornos, a mão investe para o adversário, dizendo-lhe “tu és isto”.
O singular, neste caso é que Manuel Pinho colocou os cornos simbólicos na sua própria cabeça, dizendo mais “cuidado que eu sou um touro” mas o contexto não permite esta interpretação, Pinho não queria dar notícia da sua força, queria ofender com a mesma ou maior profundidade do que a com que se sentia ofendido.
Entre o povo ouvi que todos perceberam que a mensagem era importante, embora o significado real tivesse várias interpretações, algumas negativas (Manuel pinho estava a ser toureado e a entregar-se ao deboche).
Este tipo de “linguagem” com múltiplas referências e múltiplas interpretações que gera nos observadores impressões as mais diversas, é típica da linguagem poética.
Manuel pinho, com aquele gesto fez um poema.
Segundo as últimas notícias Joe Berardo (amante das artes) gostou do poema e já convidou Pinho para Administrador da sua fundação.
O resultado (demissão do Ministro) é sabido.
O gesto foi este:

Há 3 questões que me parecem fundamentais.
1. O que quereria o Sr. Ministro dizer?
2. Porque é que aquela forma de expressão se mostrou intolerável?
3. Porque escolheu Manuel Pinho aquele gesto?
Quanto à primeira questão poderemos aceitar as explicações do próprio ex-Ministro, (ninguém mente naquela situação, após um acto suicida) ele quis retaliar no mesmo grau, a ofensa e a humilhação que sentiu. Algo de que ele se orgulhava muito estava ali a ser desvalorizado e distorcido, qualquer argumentação era mal compreendida ou negada, portanto inútil.
Como expressar então esse facto? Manuel Pinho escolheu uma forma de acção: o gesto acima.
Quanto à segunda questão a resposta parece também clara, o gesto foi insólito, único, nunca utilizado naquele ambiente nem de forma mitigada.
Foi estranho, inopinado, portanto inaceitável.
A terceira questão porém é a que me parece mais difícil.
Manuel Pinho simbolizou cornos, que nos remetem para duas referência fundamentais:
A força, a tenacidade, a bravura de um touro ou a conotação moral da vítima de infidelidade sexual, o “corno” ou o “encornado”.
Há gestos de mãos que nos remetem para estes campos de significado.
Encolher todos os dedos com excepção do mínimo e do indicador remetendo o gesto para o terceiro tem um significado duplo e inequívoco.
Quere-se dizer: “com a bravura e a tenacidade de um touro eu digo-te, tu és um “corno” (fraco, humilhado, enganado, pouco viril), os dedos mostram os cornos, a mão investe para o adversário, dizendo-lhe “tu és isto”.
O singular, neste caso é que Manuel Pinho colocou os cornos simbólicos na sua própria cabeça, dizendo mais “cuidado que eu sou um touro” mas o contexto não permite esta interpretação, Pinho não queria dar notícia da sua força, queria ofender com a mesma ou maior profundidade do que a com que se sentia ofendido.
Entre o povo ouvi que todos perceberam que a mensagem era importante, embora o significado real tivesse várias interpretações, algumas negativas (Manuel pinho estava a ser toureado e a entregar-se ao deboche).
Este tipo de “linguagem” com múltiplas referências e múltiplas interpretações que gera nos observadores impressões as mais diversas, é típica da linguagem poética.
Manuel pinho, com aquele gesto fez um poema.
Segundo as últimas notícias Joe Berardo (amante das artes) gostou do poema e já convidou Pinho para Administrador da sua fundação.
2009-06-30
A voz do povo
Numa excelente reportagem sonora, que a TSF apresentou esta manhã, sobre pastores de cabras comunitários, pastoriadas em parceiradas, como explicavam, da zona de S. Pedro do Sul, dizia um velho pastor que não tinha televisão nem rádio “para quê?” perguntava.
“Então não sabe o que vai pelo mundo e quem nos governa” respondia o jornalista, “vou sabendo pelo que ouço os outros falar”, respondia o pastor, “mas os nomes ouço-os e logo esqueço”.
O jornalista, preocupado com tanto desinteresse procurou ensiná-lo: “Então, o Cavaco é o nosso Presidente e o Primeiro-Ministro é Sócrates”.
“Sócras? Já ouvi falar muito, dizem que governa muito mal!”
Foi esta a voz do povo. Há quem diga que é também a voz de Deus.
“Então não sabe o que vai pelo mundo e quem nos governa” respondia o jornalista, “vou sabendo pelo que ouço os outros falar”, respondia o pastor, “mas os nomes ouço-os e logo esqueço”.
O jornalista, preocupado com tanto desinteresse procurou ensiná-lo: “Então, o Cavaco é o nosso Presidente e o Primeiro-Ministro é Sócrates”.
“Sócras? Já ouvi falar muito, dizem que governa muito mal!”
Foi esta a voz do povo. Há quem diga que é também a voz de Deus.
2009-06-28
Reflexões sobre uma elaboração caseira de croquetes.
Enquanto eu terminava a minha refeição, com o meu “cocktail” favorito de nicotina, cafeína e álcool, em metade da mesa (a outra metade era minha) a minha mulher e a minha sogra preparavam croquetes.
Croquetes, palavra estranha, que nos remete para o francês, indiciando que não será uma velha tradição gastronómica portuguesa, contudo, à pequena dimensão da minha vida de 60 anos, é uma palavra comum, bem conhecida, que ouço já desde a minha infância.
A minha mulher começou, inovando, fazendo pequenas bolas de carne, porque lhe dava mais jeito. Protestei: “isso não são croquetes, serão “uma espécie de almôndegas”, disse eu, pensando se almôndega seria o termo correcto, (almôndega, palavra, começada com “al” supostamente importada do árabe, há muitos mais anos do que o croquete).
E há tantas maneiras variadas e excelentes de fazer almôndegas, “meat balls” como lhe chamam os ingleses, mais “terra à terra”, que me questionei sobre a importância da forma sobre o valor do produto.
Será que uns croquetes esféricos me saberão diferente dos tradicionais rolinhos “toros”?
A especulação entrou por aí, a minha sogra, mais tradicionalista, apoiou-me, “croquetes são rolinhos!”.
E eu pensei “será?”.
Fiz um propósito: quando a função terminar vou fazer uma prova “cega” (o croquete é um produto muito civilizado, recorre à reciclagem de uma matéria prima, elaborada, mudada de forma, passada em farinha (e que farinha?), ovo e pão ralado e finalmente frita e em cada uma destas passagens quantas questões se colocam, quantos recipientes se utilizam, quantas manipulações intermédias, quantos factores determinam o que será um bom ou mau croquete).
Depois lembrei-me ainda: talvez que os sensores tácteis da minha boca, consigam distinguir a forma original e associar essa informação às minhas papilas gustativas que eu queria aí como únicos juízes.
Desisti da ideia e conclui com o que já sabia:
O mundo é muitíssimo complexo! Vou limitar-me a dizer, quando os comer: “ estavam bons! ou, estavam assim-assim ou uma “merda”! mas disto que Deus me livre.
Croquetes, palavra estranha, que nos remete para o francês, indiciando que não será uma velha tradição gastronómica portuguesa, contudo, à pequena dimensão da minha vida de 60 anos, é uma palavra comum, bem conhecida, que ouço já desde a minha infância.
A minha mulher começou, inovando, fazendo pequenas bolas de carne, porque lhe dava mais jeito. Protestei: “isso não são croquetes, serão “uma espécie de almôndegas”, disse eu, pensando se almôndega seria o termo correcto, (almôndega, palavra, começada com “al” supostamente importada do árabe, há muitos mais anos do que o croquete).
E há tantas maneiras variadas e excelentes de fazer almôndegas, “meat balls” como lhe chamam os ingleses, mais “terra à terra”, que me questionei sobre a importância da forma sobre o valor do produto.
Será que uns croquetes esféricos me saberão diferente dos tradicionais rolinhos “toros”?
A especulação entrou por aí, a minha sogra, mais tradicionalista, apoiou-me, “croquetes são rolinhos!”.
E eu pensei “será?”.
Fiz um propósito: quando a função terminar vou fazer uma prova “cega” (o croquete é um produto muito civilizado, recorre à reciclagem de uma matéria prima, elaborada, mudada de forma, passada em farinha (e que farinha?), ovo e pão ralado e finalmente frita e em cada uma destas passagens quantas questões se colocam, quantos recipientes se utilizam, quantas manipulações intermédias, quantos factores determinam o que será um bom ou mau croquete).
Depois lembrei-me ainda: talvez que os sensores tácteis da minha boca, consigam distinguir a forma original e associar essa informação às minhas papilas gustativas que eu queria aí como únicos juízes.
Desisti da ideia e conclui com o que já sabia:
O mundo é muitíssimo complexo! Vou limitar-me a dizer, quando os comer: “ estavam bons! ou, estavam assim-assim ou uma “merda”! mas disto que Deus me livre.
2009-06-27
Uma questão de bom-senso
Hoje a final do campeonato nacional de futebol de juniores, final entre o Sporting e o Benfica realizava-se, onde?
No centro de formação do Sporting em Alcochete.
Eu que até sou sportinguista, hoje apetecia-me ser do Benfica e atirar pedras contra tamanha falta de bom-senso.
Pode ser um excelente campo, mas fazer aí uma final de campeonato entre os eternos rivais, mesmo no coração do leão, parece-me uma decisão disparatada e impensável.
Claro que o jogo nem chegou ao fim.
No centro de formação do Sporting em Alcochete.
Eu que até sou sportinguista, hoje apetecia-me ser do Benfica e atirar pedras contra tamanha falta de bom-senso.
Pode ser um excelente campo, mas fazer aí uma final de campeonato entre os eternos rivais, mesmo no coração do leão, parece-me uma decisão disparatada e impensável.
Claro que o jogo nem chegou ao fim.
2009-06-26
A minha homenagem a Michael Jakson
Na verdade eu nunca gostei de Michael Jackson, ou melhor da sua música, mas quando o mundo se curva, temos que nos questionar se será que o mundo está errado e nós não?
De facto tenho de reconhecer que alguma qualidade, para mim oculta, deverá estar lá.
Temos paródias de qualidade e só as obras notáveis sugerem paródias, no sentido original da palavra: obras construídas sobre outras obras.
Deixo pois aqui uma paródia sobre a canção Billie Jean de Michael Jacson, paródia essa, para mim, bem mais interessante do que o original:
Trata-se da versão dos Lost Fingers, grupo canadiano do Quebec que um dia há-de morrer sem que ninguém se lembre deles.
De facto tenho de reconhecer que alguma qualidade, para mim oculta, deverá estar lá.
Temos paródias de qualidade e só as obras notáveis sugerem paródias, no sentido original da palavra: obras construídas sobre outras obras.
Deixo pois aqui uma paródia sobre a canção Billie Jean de Michael Jacson, paródia essa, para mim, bem mais interessante do que o original:
Trata-se da versão dos Lost Fingers, grupo canadiano do Quebec que um dia há-de morrer sem que ninguém se lembre deles.
2009-06-23
2009-06-21
Esquerda e Direita
Como se sabe, em termos políticos, esta dicotomia nasceu com a revolução francesa, pela posição física que ocupavam nas assembleias daí nascidas, com os mais próximos do “ ancien régime”, à direita e os mais próximos da revolução, à esquerda.
Isto dá-nos uma ideia de direita conservadora e de esquerda revolucionária.
Com o sucesso das revoluções, sobretudo nos regimes inspirados no marxismo-leninismo, depois de instalados, esta dicotomia é abalada, aí eram os ditos de esquerda que eram os conservadores e os que queriam a mudança, a revolução, eram considerados de direita.
Hoje em dia a baralhação é tanta que os termos de esquerda e direita perderam quase totalmente o seu significado, ou pior têm muitos significados.
A política social europeia, tão apoiada pela esquerda, foi implementada, sobretudo por governos chamados de direita, o liberalismo que já foi uma bandeira da esquerda é hoje conotada à direita, sobretudo os neo-liberais que nos têm lixado a vida.
E assim quem é que sabe se será de esquerda ou de direita?
Poderemos ainda talvez dizer que a direita é pelo capital e a esquerda anti capitalista mas como Mário Tronti intuiu os partidos comunistas actuais, assim como os sindicatos (estruturas ditas de esquerda) são hoje meros instrumentos do capital, necessários à sua preservação moderna.
E aqui se toca na essência da dicotomia prevalente hoje em dia, e para a qual não temos ainda um nome incontroverso.
Por um lado há quem defenda as pessoas, na sua individualidade nas suas iniciativas, nas suas “mono manias”, e, por outro lado, há quem defenda uma sociedade moderna, eficiente, sem desemprego nem dor mas apenas com homens-máquina, cada um no seu papel, feliz e bem comportado, comendo apenas o que estiver escrito na lei no “codex alimentarius”, em construção, e vidrando os olhos na televisão que temos.
Uma sociedade tipo “admirável mundo novo” embora sem Bokanowskisação e sem “soma”.
Nesta dicotomia eu considero-me indiscutivelmente “selvagem”.
Isto dá-nos uma ideia de direita conservadora e de esquerda revolucionária.
Com o sucesso das revoluções, sobretudo nos regimes inspirados no marxismo-leninismo, depois de instalados, esta dicotomia é abalada, aí eram os ditos de esquerda que eram os conservadores e os que queriam a mudança, a revolução, eram considerados de direita.
Hoje em dia a baralhação é tanta que os termos de esquerda e direita perderam quase totalmente o seu significado, ou pior têm muitos significados.
A política social europeia, tão apoiada pela esquerda, foi implementada, sobretudo por governos chamados de direita, o liberalismo que já foi uma bandeira da esquerda é hoje conotada à direita, sobretudo os neo-liberais que nos têm lixado a vida.
E assim quem é que sabe se será de esquerda ou de direita?
Poderemos ainda talvez dizer que a direita é pelo capital e a esquerda anti capitalista mas como Mário Tronti intuiu os partidos comunistas actuais, assim como os sindicatos (estruturas ditas de esquerda) são hoje meros instrumentos do capital, necessários à sua preservação moderna.
E aqui se toca na essência da dicotomia prevalente hoje em dia, e para a qual não temos ainda um nome incontroverso.
Por um lado há quem defenda as pessoas, na sua individualidade nas suas iniciativas, nas suas “mono manias”, e, por outro lado, há quem defenda uma sociedade moderna, eficiente, sem desemprego nem dor mas apenas com homens-máquina, cada um no seu papel, feliz e bem comportado, comendo apenas o que estiver escrito na lei no “codex alimentarius”, em construção, e vidrando os olhos na televisão que temos.
Uma sociedade tipo “admirável mundo novo” embora sem Bokanowskisação e sem “soma”.
Nesta dicotomia eu considero-me indiscutivelmente “selvagem”.
2009-06-16
Culturas
Enquanto os franceses não conseguem encontrar uma caixa que grita debaixo do oceano, desenhada para ser encontrada, apesar de usarem meios ditos capazes de ouvir sussurros a mais de 6000 metros de profundidade, os brasileiros, apenas com esforço e dedicação e tecnologia quanto baste, vão achando o que verdadeiramente interessa, corpos e destroços do avião.
2009-06-13
Homenagem ao DDT
O meu neto Pedro, como imensas crianças da sua geração, ultrapassou há dias um ataque de piolhos na cabeça.
Antes dele, noutra geração, a sua mãe e minha filha tinha vivido, em criança, como muitas crianças do seu tempo, o mesmo problema.
Todavia, ainda mais atrás, na minha infância, nunca contactei nem vi, nem ouvi falar de nenhuma criança com piolhos na cabeça,
Sabia que existia essa praga, ouvia histórias aos meus pais e avós sobre piolhos, que se combatiam então essencialmente com meios físicos e mezinhas caseiras, com lavagens e com o “pente fino” ou “pente dos piolhos” mas isso era passado, as crianças da minha geração, em Portugal, não tiveram piolhos, foram, como se diria agora mais ou menos “piolhos free”.
Hoje a minha filha Joana referiu-me que alguém sabedor explicava o facto chamando à minha geração a geração DDT.
É bem verdade, eu vivi a epopeia gloriosa do DDT.
O DDT foi um verdadeiro milagre da civilização, que sobretudo nos anos da II Guerra Mundial e seguintes, colocou a favor da humanidade, na sua eterna luta contra diversos insectos, uma arma de respeito.
O DDT permitiu eliminar a malária de vários países do mundo inclusive Portugal, onde antes era endémica.
Durante a guerra as cabeças dos soldados eram frequentemente polvilhadas com DDT para combater precisamente os piolhos e combateu-os deveras, na minha infância, como referi, os piolhos eram apenas uma história passada e triste.
Foi já como estudante da universidade que contactei com vozes anti-DDT, anti a droga milagreira.
Foi então que li o famosíssimo livro “Silent Spring” que a bióloga Rachel Carson publicou em 1962, lançando a primeira pedra do movimento “verde” mundial e onde se apontavam os danos do DDT e se referia que até no corpo de pinguins inóspitos se tinham encontrado vestígios de DDT.
Os problemas eram de duas ordens:
A acumulação permanente de um veneno.
A perturbação ecológica que causava esta alteração tão drástica de relação de forças.
O DDT matava insectos em pequenas doses mas não era bio-degradável e a tendência era para a sua acumulação permanente e, em doses maiores, os danos eram maiores e estaria a causar um desequilíbrio biológico perigosíssimo.
Na realidade o mundo ouviu Rachel Carson e o DDT foi proibido em todo o mundo, e a comunidade científica e de investigação percebeu a importância da lei de Lavoisier, que ao referir que na natureza tudo se transforma, não fazia apenas uma constatação de um facto mas estabelecia um dos princípios básicos da natureza, chave da sua sustentabilidade.
Teve assim, felizmente, uma vida curta o DDT, mas a humanidade pagou o preço de ter de sofrer outra vez a praga de piolhos e quejandos.
O saldo todavia, porque essa vida foi curta, está ainda a crédito dessa substância: o DDT salvou muito mais vidas humanas do que as que prejudicou.
Permitiu à humanidade aprender uma grande lição que todavia vai sendo, de novo, progressivamente esquecida.
Antes dele, noutra geração, a sua mãe e minha filha tinha vivido, em criança, como muitas crianças do seu tempo, o mesmo problema.
Todavia, ainda mais atrás, na minha infância, nunca contactei nem vi, nem ouvi falar de nenhuma criança com piolhos na cabeça,
Sabia que existia essa praga, ouvia histórias aos meus pais e avós sobre piolhos, que se combatiam então essencialmente com meios físicos e mezinhas caseiras, com lavagens e com o “pente fino” ou “pente dos piolhos” mas isso era passado, as crianças da minha geração, em Portugal, não tiveram piolhos, foram, como se diria agora mais ou menos “piolhos free”.
Hoje a minha filha Joana referiu-me que alguém sabedor explicava o facto chamando à minha geração a geração DDT.
É bem verdade, eu vivi a epopeia gloriosa do DDT.
O DDT foi um verdadeiro milagre da civilização, que sobretudo nos anos da II Guerra Mundial e seguintes, colocou a favor da humanidade, na sua eterna luta contra diversos insectos, uma arma de respeito.
O DDT permitiu eliminar a malária de vários países do mundo inclusive Portugal, onde antes era endémica.
Durante a guerra as cabeças dos soldados eram frequentemente polvilhadas com DDT para combater precisamente os piolhos e combateu-os deveras, na minha infância, como referi, os piolhos eram apenas uma história passada e triste.
Foi já como estudante da universidade que contactei com vozes anti-DDT, anti a droga milagreira.
Foi então que li o famosíssimo livro “Silent Spring” que a bióloga Rachel Carson publicou em 1962, lançando a primeira pedra do movimento “verde” mundial e onde se apontavam os danos do DDT e se referia que até no corpo de pinguins inóspitos se tinham encontrado vestígios de DDT.
Os problemas eram de duas ordens:
A acumulação permanente de um veneno.
A perturbação ecológica que causava esta alteração tão drástica de relação de forças.
O DDT matava insectos em pequenas doses mas não era bio-degradável e a tendência era para a sua acumulação permanente e, em doses maiores, os danos eram maiores e estaria a causar um desequilíbrio biológico perigosíssimo.
Na realidade o mundo ouviu Rachel Carson e o DDT foi proibido em todo o mundo, e a comunidade científica e de investigação percebeu a importância da lei de Lavoisier, que ao referir que na natureza tudo se transforma, não fazia apenas uma constatação de um facto mas estabelecia um dos princípios básicos da natureza, chave da sua sustentabilidade.
Teve assim, felizmente, uma vida curta o DDT, mas a humanidade pagou o preço de ter de sofrer outra vez a praga de piolhos e quejandos.
O saldo todavia, porque essa vida foi curta, está ainda a crédito dessa substância: o DDT salvou muito mais vidas humanas do que as que prejudicou.
Permitiu à humanidade aprender uma grande lição que todavia vai sendo, de novo, progressivamente esquecida.
2009-06-10
10 de Junho
10 de Junho
Dia da raça
Que não existe
Dia da traça
Que persiste
Dia de Camões
Que vendeu o olho por dois tostões
Mas que vale milhões
Dia das comunidades
De todas as idades
Dia de Portugal
O tal …
Dia da raça
Que não existe
Dia da traça
Que persiste
Dia de Camões
Que vendeu o olho por dois tostões
Mas que vale milhões
Dia das comunidades
De todas as idades
Dia de Portugal
O tal …
2009-06-08
Rescaldo das eleições europeias
O que tenho ouvido nos fora e na generalidade dos comentadores foi:
1. “A vitória do PSD deveu-se sobretudo a Manuela Ferreira Leite”
ERRADO: “…deveu-se sobretudo a Rangel”
2. “A derrota do PS deveu-se sobretudo a Vital Moreira”
ERRADO: “… deveu-se sobretudo a Sócrates”
Pelo menos é assim que eu vejo.
1. “A vitória do PSD deveu-se sobretudo a Manuela Ferreira Leite”
ERRADO: “…deveu-se sobretudo a Rangel”
2. “A derrota do PS deveu-se sobretudo a Vital Moreira”
ERRADO: “… deveu-se sobretudo a Sócrates”
Pelo menos é assim que eu vejo.
2009-06-06
Telma Monteiro
Mais uma vez a glória, agora uma medalha de ouro na Taça do Mundo de Judo a decorrer em Almada.
Eu, orgulho-me de, há cinco anos como escrevi aqui, ter detectado o seu valor, olhando para além das medalhas, vendo apenas a “fibra” daquela miúda que já então era visível para olhos que vêm, mesmo sem medalhas.
Parabéns Telma.
Eu, orgulho-me de, há cinco anos como escrevi aqui, ter detectado o seu valor, olhando para além das medalhas, vendo apenas a “fibra” daquela miúda que já então era visível para olhos que vêm, mesmo sem medalhas.
Parabéns Telma.
2009-06-05
Mistérios da língua
A designação desta nova área de actividade, que consiste em incorporar nos bens utilitários não só a funcionalidade mas também a estética, até tinha uma palavra em português, bem antiga e bonita, que é a palavra “risco”, no sentido em que se pode dizer que isto ou aquilo tem bom ou mau risco.
Mas a palavra está um pouco esquecida e em desuso e por isso temos recorrido, como em muitos outros casos, ao termo inglês “design”.
O problema surge quando adaptamos esta palavra para o português em Portugal, onde quase toda a gente a pronuncia, como se fosse “desaine” com “e” aberto, enquanto em inglês se pronuncia como se fosse “disaine”, com “i” inicial, portanto, aportuguesámos a palavra mas de maneira estranha.
Poderíamos dizer como se leria à portuguesa “designe” mas poderia confundir-se com o presente do conjuntivo do verbo designar.
Resultado, lê-se metade à portuguesa “de” e outra metade à inglesa, o “sign”.
Como o povo é que é dono da língua não tenho outro remédio senão aceitar mas intriga-me como na palavra “media” se dá exactamente o fenómeno oposto.
Sendo uma palavra não inglesa mas latina: media, plural de medium, deveria ser pronunciada como é lida com o e aberto mas aí imitam-se os de língua inglesa e o i que falta no “design”, coloca-se no “media” dizendo “mídia”.
As ilhas Malucas, que são assim chamadas em árabe, que as nomearam e em indonésio, onde se situam e em português também, são escritas Molucas, em Inglês para que um Inglês aproxime a leitura do termo original Malucas mas os portugueses preferem rejeitar o seu próprio nome e ler o inglês como “Mulucas”.
Eu acho bem que se vão buscar termos ao inglês quando a nossa língua não os tem mas haja um critério minimamente coerente na sua conversão ou então deixem-nas como são ditas no original.
Mas a palavra está um pouco esquecida e em desuso e por isso temos recorrido, como em muitos outros casos, ao termo inglês “design”.
O problema surge quando adaptamos esta palavra para o português em Portugal, onde quase toda a gente a pronuncia, como se fosse “desaine” com “e” aberto, enquanto em inglês se pronuncia como se fosse “disaine”, com “i” inicial, portanto, aportuguesámos a palavra mas de maneira estranha.
Poderíamos dizer como se leria à portuguesa “designe” mas poderia confundir-se com o presente do conjuntivo do verbo designar.
Resultado, lê-se metade à portuguesa “de” e outra metade à inglesa, o “sign”.
Como o povo é que é dono da língua não tenho outro remédio senão aceitar mas intriga-me como na palavra “media” se dá exactamente o fenómeno oposto.
Sendo uma palavra não inglesa mas latina: media, plural de medium, deveria ser pronunciada como é lida com o e aberto mas aí imitam-se os de língua inglesa e o i que falta no “design”, coloca-se no “media” dizendo “mídia”.
As ilhas Malucas, que são assim chamadas em árabe, que as nomearam e em indonésio, onde se situam e em português também, são escritas Molucas, em Inglês para que um Inglês aproxime a leitura do termo original Malucas mas os portugueses preferem rejeitar o seu próprio nome e ler o inglês como “Mulucas”.
Eu acho bem que se vão buscar termos ao inglês quando a nossa língua não os tem mas haja um critério minimamente coerente na sua conversão ou então deixem-nas como são ditas no original.
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