Um dos efeitos nefastos da chamada globalização é o da humanidade que nos é roubada.
Na sociedade global somos apenas números, estatísticas, vivemos, trabalhamos, comemos, adoecemos em percentagens. Pertencemos ao n porcento que mora em tal parte, ao m porcento dos que vêm tal programa de TV, l porcento dos que têm determinada doença crónica, e assim por aí fora.
O nosso contacto com os senhores do castelo ou com os seus agentes (os senhores do castelo são invisíveis e surdos e mudos) estabelece-se a partir de um número, de cliente, de beneficiário, de contribuinte, de identificação, de código ou outro, mas sempre um número, os nomes são praticamente irrelevantes nas relações com o “sistema”.
Mas o “sistema” é fantástico: ao ter um problema com o meu GPS, contacto um número telefónico que me liga à Holanda e onde me atende uma simpática menina brasileira, trocamos e-mails, o problema persiste, mas já tenho uma pista sobre o passo a dar a seguir, embora saiba que isso me irá fazer perder mais tempo e dinheiro.
É o admirável mundo novo!
Depois há o outro lado, o dos meus próximos e aí felizmente permaneço eu.
Ontem fui levar uma familiar à estação do comboio do Pragal e do alto da plataforma vi instalada uma daquelas “feiras do livro” que em boa hora decidiram ocupar temporariamente estações de comboio e de metropolitano. Desenhei os meus passos seguintes: após a saída do comboio que levou o meu familiar, decidi ir perder-me entre aqueles livros de venda difícil, onde tenho encontrado pérolas por pouco dinheiro.
Desci então para a “feira” coberta de paredes de plástico transparente e onde podia ver vários montes de livros. Lá estavam “O Processo” de Kafka, “O Livro do Desassossego” de Pessoa, e milhares de outros, só que não podia entrar, as portas estavam fechadas, e onde há poucos minutos tinha visto alguma agitação agora só via os livros, inacessíveis para mim.
Comecei a ficar irritado, li um letreiro com um horário e não havia dúvidas, àquele horário, cerca das 3h da tarde deveria estar aberto, fico mesmo irado procurando em volta um responsável, até que distingo, junto à porta, uma pequena cartolina manuscrita com os seguintes dizeres:
“Volto Já – Almoço”.
A humanidade daquela simples mensagem, venceu completamente a minha ira..
Que diabo, todos devemos almoçar, de facto!
Saí já bem disposto pensando simplesmente: “não tem importância, fica para outra vez!”
2008-12-10
2008-12-08
A relevância da relevância
No tempo histórico actual, complexo, denso de informação que jorra a rodos, de todo o lugar, onde tudo é medido com o mesmo peso, a mesma importância, o mesmo estatuto espectacular, seja a notícia de uma nova cria de golfinho nascida no zoomarine, a neve que cai no Marão, o assalto “terrorista” em Bombaim, o frio que faz, o aquecimento global que fará, a eleição nos EUA, os acidentes que se verificaram hoje na A24, o debate no parlamento, a nova “gaffe”, ou talvez não, de Manuela Ferreira Leite, tudo debatido e escalpelizado por especialistas reputados, coloca na ordem do dia a questão da relevância.
Uma magna questão.
O que é de facto relevante?
Um grande professor que tive, chamado John O´Shaugnessy, dizia que o sentido da relevância não se ensina, adquire-se com a experiência, é o que faz um médico experiente distinguir entre uma miríade de sintomas que lhe possamos descrever o que é que realmente conta e indicia uma doença ou um velho mecânico de automóveis (raça em extinção) distingue entre um chiado irritante do carro que nos assusta mas que não tem importância, um suave, grunhido que, esse sim, impõe uma cirurgia urgente no carburador do carro.
E é assim que não conseguimos ver claro no complexo de informação que nos chega.
Entre os muitos exemplos que poderia dar, falo agora dos 10 anos da célebre decisão de Guterres de não construir uma barragem em Foz Côa para salvar as gravuras milenares, consideradas pela Unesco como de grande importância mundial.
Todavia, gravuras que avós nossos terão desenhado nas rochas há 10 000 anos, são para o mundo de hoje, para os media, apenas fontes possíveis de dinheiro.
Ele é o museu, os espectáculos de luz e som, os imaginários milhões de visitantes a pagar bilhetes e a comprar lembranças, é para isso que, para os media, servem as gravuras, foi para isso que visionários nossos antepassados capitalistas as desenharam há 10 000 anos.
Mas como, passados 10 anos esse novo quadro ainda não existe, e os sonhados euros ainda não correm, já questionam a decisão de Guterres:
Assim, mais valia construir a barragem, as gravuras que se lixem, dizem.
Eu, já visitei algumas dessas gravuras, deslocando-me num jipe desconfortável e suportando um calor de 50 graus. A impressão que me causaram, jamais a esquecerei, senti-me ligado a esses meus antepassados de há 10 000 anos, que buscavam a caça, para sobreviverem, com o mesmo afinco que os de agora buscam os Euros e terão desenhado essa caça para mobilizar forças ocultas que os ajudassem a encontrá-la ou talvez simplesmente para as contemplar e sentir o poder da criação artística.
Sinto-me feliz por saber que essa marca ainda ali permanece após tantos milénios.
Para mim é óbvio que o museu, os turistas, o dinheiro que não se gerou em 10 anos é completamente irrelevante no contexto dos 10 000 anos destas gravuras.
Uma magna questão.
O que é de facto relevante?
Um grande professor que tive, chamado John O´Shaugnessy, dizia que o sentido da relevância não se ensina, adquire-se com a experiência, é o que faz um médico experiente distinguir entre uma miríade de sintomas que lhe possamos descrever o que é que realmente conta e indicia uma doença ou um velho mecânico de automóveis (raça em extinção) distingue entre um chiado irritante do carro que nos assusta mas que não tem importância, um suave, grunhido que, esse sim, impõe uma cirurgia urgente no carburador do carro.
E é assim que não conseguimos ver claro no complexo de informação que nos chega.
Entre os muitos exemplos que poderia dar, falo agora dos 10 anos da célebre decisão de Guterres de não construir uma barragem em Foz Côa para salvar as gravuras milenares, consideradas pela Unesco como de grande importância mundial.
Todavia, gravuras que avós nossos terão desenhado nas rochas há 10 000 anos, são para o mundo de hoje, para os media, apenas fontes possíveis de dinheiro.
Ele é o museu, os espectáculos de luz e som, os imaginários milhões de visitantes a pagar bilhetes e a comprar lembranças, é para isso que, para os media, servem as gravuras, foi para isso que visionários nossos antepassados capitalistas as desenharam há 10 000 anos.
Mas como, passados 10 anos esse novo quadro ainda não existe, e os sonhados euros ainda não correm, já questionam a decisão de Guterres:
Assim, mais valia construir a barragem, as gravuras que se lixem, dizem.
Eu, já visitei algumas dessas gravuras, deslocando-me num jipe desconfortável e suportando um calor de 50 graus. A impressão que me causaram, jamais a esquecerei, senti-me ligado a esses meus antepassados de há 10 000 anos, que buscavam a caça, para sobreviverem, com o mesmo afinco que os de agora buscam os Euros e terão desenhado essa caça para mobilizar forças ocultas que os ajudassem a encontrá-la ou talvez simplesmente para as contemplar e sentir o poder da criação artística.
Sinto-me feliz por saber que essa marca ainda ali permanece após tantos milénios.
Para mim é óbvio que o museu, os turistas, o dinheiro que não se gerou em 10 anos é completamente irrelevante no contexto dos 10 000 anos destas gravuras.
2008-12-06
Efeitos da LIBERDADE
Este novo estado de liberdade que a aposentação me concedeu está a transformar-me deveras.
Nunca estive tão activo, posso dizer, fazer, o que verdadeiramente me apetece ou quase.
Das máscaras sociais que temos de usar diariamente, várias nas diferentes rotinas pessoais, três no trabalho, uma para os chefes, esta com diferentes adereços conforme o grau de poder do interlocutor, outra para os colegas, outra ainda neutra para estranhos, pude livrar-me de quase todas, só me resta aquela que me está colada à cara.
E, mais estranho do que tudo, estão-me a crescer asas e sinto mesmo no meio das costas uma pequena bossa, que se desenvolve, e que me parece vir a ser um potente reactor que me projectará no espaço.
Estou atento, como sempre e, nos intervalos das minhas viagens espaciais vou voltando aqui, para vos contar o que vir do mundo deste ponto de vista sideral.
Nunca estive tão lúcido.
Nunca estive tão activo, posso dizer, fazer, o que verdadeiramente me apetece ou quase.
Das máscaras sociais que temos de usar diariamente, várias nas diferentes rotinas pessoais, três no trabalho, uma para os chefes, esta com diferentes adereços conforme o grau de poder do interlocutor, outra para os colegas, outra ainda neutra para estranhos, pude livrar-me de quase todas, só me resta aquela que me está colada à cara.
E, mais estranho do que tudo, estão-me a crescer asas e sinto mesmo no meio das costas uma pequena bossa, que se desenvolve, e que me parece vir a ser um potente reactor que me projectará no espaço.
Estou atento, como sempre e, nos intervalos das minhas viagens espaciais vou voltando aqui, para vos contar o que vir do mundo deste ponto de vista sideral.
Nunca estive tão lúcido.
2008-11-28
A esperança do Governo
Já que, há anos que Portugal não consegue agarrar a Europa, crescendo mais do que a média dos seus membros, Sócrates tem agora esperança que vindo mais depressa do que nós, a Europa nos agarre de marcha-atrás.
É uma boa maneira de olhar para a depressão.
É uma boa maneira de olhar para a depressão.
2008-11-25
Noções essenciais
O sentimento do ciúme, ao contrário do que muitas vezes se pensa erroniamente, não deriva do amor.
O sentimento do ciúme fundamenta-se, exclusivamente, no sentido da posse.
O sentimento do ciúme fundamenta-se, exclusivamente, no sentido da posse.
2008-11-24
Elogio à preguiça
Já aqui, falei de Juvenal Antunes e deixei a hipótese de publicar um dia o, talvez, seu mais famoso poema “Elogio da preguiça”
Aqui fica, hoje, dia em que este poema se identifica mais com o meu estado de espírito.
ELOGIO DA PREGUIÇA
(A mim mesmo)
Bendita sejas tu, Preguiça amada,
Que não consentes que eu me ocupe em nada!
Mas, queiras tu, Preguiça, ou tu não queiras,
Hei de dizer, em versos, quatro asneiras.
Não permuto por toda a humana ciência
Esta minha honestíssima indolência.
Lá está, na Bíblia, esta doutrina sã:
Não te importes com o dia de amanhã.
Para mim, já é um grande sacrifício
Ter de engolir o bolo alimentício.
Ó sábios, dai à luz um novo invento:
Para mim, já é um grande sacrifício
Todo trabalho humano em que se encerra?
Em, na paz, preparar a luta, a guerra!
Dos tratados, e leis, e ordenações,
Zomba a jurisprudência dos canhões!
Plantas a terra, lavrador? Trabalhas
Para atiçar o fogo das batalhas...
Cresce teu filho? É belo? É forte?
É louro?Mais uma rês votada ao matadouro!...
Pois, se assim é, se os homens são chacais,
Se preferem a guerra à doce paz,
Que arda, depressa, a colossal fogueira
E morra, assada, a humanidade inteira!
Não seria melhor que toda gente,
Em vez de trabalhar, fosse indolente?
Não seria melhor viver à sorte,
Se o fim de tudo é sempre o nada, a morte?
Queres riquezas, glórias e poder?...
Para quê, se, amanhã, tem de morrer?
Qual o mais feliz? – o mísero sendeiro,
Sob o chicote e as pragas do cocheiro,
Ou seus antepassados que, selvagens,
Viviam, livremente, nas pastagens?
Do trabalho por serem tão amigas,
Não sei se são felizes as formigas!
Talvez o sejam mais, vivendo em larvas,
As preguiçosas, pálidas cigarras!
Ó Laura, tu te queixas que eu, farsista,
Ontem faltei, à hora da entrevista,
E que, ingrato, volúvel e traidor,
Troquei o teu amor – por outro amor...
Ou que, receando a fúria marital,
Não quis pular o muro do quintal.
Que me não faças mais essa injustiça!...
Se ontem, não fui te ver – foi por preguiça.
Mas, Juvenal, estás a trabalhar!
Larga a caneta e vai dormir... sonhar...
Juvenal Antunes
(Poeta do Acre)
Aqui fica, hoje, dia em que este poema se identifica mais com o meu estado de espírito.
ELOGIO DA PREGUIÇA
(A mim mesmo)
Bendita sejas tu, Preguiça amada,
Que não consentes que eu me ocupe em nada!
Mas, queiras tu, Preguiça, ou tu não queiras,
Hei de dizer, em versos, quatro asneiras.
Não permuto por toda a humana ciência
Esta minha honestíssima indolência.
Lá está, na Bíblia, esta doutrina sã:
Não te importes com o dia de amanhã.
Para mim, já é um grande sacrifício
Ter de engolir o bolo alimentício.
Ó sábios, dai à luz um novo invento:
Para mim, já é um grande sacrifício
Todo trabalho humano em que se encerra?
Em, na paz, preparar a luta, a guerra!
Dos tratados, e leis, e ordenações,
Zomba a jurisprudência dos canhões!
Plantas a terra, lavrador? Trabalhas
Para atiçar o fogo das batalhas...
Cresce teu filho? É belo? É forte?
É louro?Mais uma rês votada ao matadouro!...
Pois, se assim é, se os homens são chacais,
Se preferem a guerra à doce paz,
Que arda, depressa, a colossal fogueira
E morra, assada, a humanidade inteira!
Não seria melhor que toda gente,
Em vez de trabalhar, fosse indolente?
Não seria melhor viver à sorte,
Se o fim de tudo é sempre o nada, a morte?
Queres riquezas, glórias e poder?...
Para quê, se, amanhã, tem de morrer?
Qual o mais feliz? – o mísero sendeiro,
Sob o chicote e as pragas do cocheiro,
Ou seus antepassados que, selvagens,
Viviam, livremente, nas pastagens?
Do trabalho por serem tão amigas,
Não sei se são felizes as formigas!
Talvez o sejam mais, vivendo em larvas,
As preguiçosas, pálidas cigarras!
Ó Laura, tu te queixas que eu, farsista,
Ontem faltei, à hora da entrevista,
E que, ingrato, volúvel e traidor,
Troquei o teu amor – por outro amor...
Ou que, receando a fúria marital,
Não quis pular o muro do quintal.
Que me não faças mais essa injustiça!...
Se ontem, não fui te ver – foi por preguiça.
Mas, Juvenal, estás a trabalhar!
Larga a caneta e vai dormir... sonhar...
Juvenal Antunes
(Poeta do Acre)
2008-11-22
Análise política
1 Manuela Ferreira Leite
Depois do silêncio a verborreia.
Manuela teve nas suas recentes alocuções um rácio de (falta-me o termo) talvez asneiras que entretiveram os comentadores do espectáculo.
Todas elas diferentes mas todas elas demonstrativas de que a sua melhor “performance” é o silêncio. Vejamos:
A generalidade são simples expressões mal fundamentadas, facilmente retiráveis do contexto e que fazem o gáudio dos jornalistas.
È neste rol que eu coloco a sua referência à suspensão, de 6 meses, da democracia, a declaração de que o aumento do salário mínimo roça a irresponsabilidade, de que as obras públicas só promovem o emprego de Cabo Verde e da Ucrânia e de que não deviam ser os jornalistas a definir as opções editoriais (com esta até concordo, na realidade deveria ser Eu).
Mas a mais grave, porque não traduz uma simples inabilidade para lidar com os media, foi a de que tinha propostas de medidas boas para o país mas que não as dizia para que o Primeiro-ministro as não copiasse e pusesse em prática!
Ou seja, ela até tem uma solução para os problemas que nos afectam mas receia que essas soluções sejam postas em prática, tirando-lhe o brilho.
Está certo, Manuela Ferreira Leite, primeiro e depois o país, se não for ela a fazê-las, o país que se lixe.
Não há dúvidas que temos uma oposição ao nível.
2. Dias Loureiro
Quem fala verdade?
Não sei mas em termos de verosimilhança as coisas parecem-me claras.
Dias Loureiro diz que pediu uma audiência com António Marta, do Banco de Portugal, para lhe dizer qualquer coisa (não ponho as palavras exactas porque elas evoluíram ao longo do dia) como o seguinte:
- Eu não tenho nenhuma prova nem sequer nenhuma suspeita mas parecia-me bem que o Banco de Portugal investigasse, um pouco mais o que se passa com o BPN.
António Marta é mais claro e diz:
- Dias Loureiro ou está confuso ou mente, o que ele me falou foi a questionar o banco de Portugal porque estava demasiado atento ao BPN.
Ouvindo os dois, sem mais informações, para mim, António Marta parece-me bem mais verosímil.
Depois do silêncio a verborreia.
Manuela teve nas suas recentes alocuções um rácio de (falta-me o termo) talvez asneiras que entretiveram os comentadores do espectáculo.
Todas elas diferentes mas todas elas demonstrativas de que a sua melhor “performance” é o silêncio. Vejamos:
A generalidade são simples expressões mal fundamentadas, facilmente retiráveis do contexto e que fazem o gáudio dos jornalistas.
È neste rol que eu coloco a sua referência à suspensão, de 6 meses, da democracia, a declaração de que o aumento do salário mínimo roça a irresponsabilidade, de que as obras públicas só promovem o emprego de Cabo Verde e da Ucrânia e de que não deviam ser os jornalistas a definir as opções editoriais (com esta até concordo, na realidade deveria ser Eu).
Mas a mais grave, porque não traduz uma simples inabilidade para lidar com os media, foi a de que tinha propostas de medidas boas para o país mas que não as dizia para que o Primeiro-ministro as não copiasse e pusesse em prática!
Ou seja, ela até tem uma solução para os problemas que nos afectam mas receia que essas soluções sejam postas em prática, tirando-lhe o brilho.
Está certo, Manuela Ferreira Leite, primeiro e depois o país, se não for ela a fazê-las, o país que se lixe.
Não há dúvidas que temos uma oposição ao nível.
2. Dias Loureiro
Quem fala verdade?
Não sei mas em termos de verosimilhança as coisas parecem-me claras.
Dias Loureiro diz que pediu uma audiência com António Marta, do Banco de Portugal, para lhe dizer qualquer coisa (não ponho as palavras exactas porque elas evoluíram ao longo do dia) como o seguinte:
- Eu não tenho nenhuma prova nem sequer nenhuma suspeita mas parecia-me bem que o Banco de Portugal investigasse, um pouco mais o que se passa com o BPN.
António Marta é mais claro e diz:
- Dias Loureiro ou está confuso ou mente, o que ele me falou foi a questionar o banco de Portugal porque estava demasiado atento ao BPN.
Ouvindo os dois, sem mais informações, para mim, António Marta parece-me bem mais verosímil.
2008-11-18
A Sociedade Global
Se repararem na minha crónica sobre os Nirvana que está aqui em baixo e se clicarem no filme do You tube, vão ler “We’re sorry this vídeo is no longer available”, em português qualquer coisa como isto “Lamentamos mas este vídeo já não está disponível”.
Este facto, por si só, é um motivo de reflexão.
Eu: Porra! Eu não pedi nada ao “You Tube”, foi ele que se ofereceu e que me diz “podes pôr isto no teu blogue ou onde quiseres” e depois, dá o dito por não dito e tiram-me o tapete, quero dizer o vídeo. È uma grande sacanice seus “talibans” iconoclastas.
You tube: O estimado utilizador não me pagou nada, prestei-lhe um serviço momentâneo e ainda se põe com exigências?
Eu: Mas você estragou-me o post e nem me avisou. Se queria dinheiro tivesse me dito.
Para a próxima roubo-lhe o vídeo, o que posso fazer facilmente com um programa que comprei, penso que legal porque o paguei. Só fico é com o problema de um servidor que o arquive depois, mas talvez o “blogspot” me conceda isso.
Estou tentado a pedir uma indemnização, de milhões, mas arranjar um advogado que pegue nisto sai tão caro!
Este facto, por si só, é um motivo de reflexão.
Eu: Porra! Eu não pedi nada ao “You Tube”, foi ele que se ofereceu e que me diz “podes pôr isto no teu blogue ou onde quiseres” e depois, dá o dito por não dito e tiram-me o tapete, quero dizer o vídeo. È uma grande sacanice seus “talibans” iconoclastas.
You tube: O estimado utilizador não me pagou nada, prestei-lhe um serviço momentâneo e ainda se põe com exigências?
Eu: Mas você estragou-me o post e nem me avisou. Se queria dinheiro tivesse me dito.
Para a próxima roubo-lhe o vídeo, o que posso fazer facilmente com um programa que comprei, penso que legal porque o paguei. Só fico é com o problema de um servidor que o arquive depois, mas talvez o “blogspot” me conceda isso.
Estou tentado a pedir uma indemnização, de milhões, mas arranjar um advogado que pegue nisto sai tão caro!
2008-11-17
Reflexões sobre a avaliação dos professores
Agora que está na opinião pública o problema da avaliação dos professores, sugiro a quem me lê que reflicta neste tema.
Qual será o bom professor?
Quem já sabe daquela minha dificuldade em discernir o bom do mau, excepto naquilo que é bom ou mau para mim, porque isso, eu sei ou vou sabendo, compreenderá que avaliar, professores ou o que seja, não será nunca uma tarefa fácil.
Por exemplo, eu como funcionário, já tenho sido excelente, muito bom e bom, e note-se que na função pública o bom está próximo do medíocre, mas quando olho para mim, vejo-me sempre igual, sou apenas eu, sempre eu.
O que muda então? A resposta é simples: a situação e o avaliador.
Com o mesmo direito com que eles me avaliam posso eu dizer que tenho tido avaliadores excelentes, muito bons ou bons e, esses bons, como aqui não preciso de ter pruridos, direi mesmo medíocres, maus e péssimos.
Em princípio, cada um de nós é a medida de todas as coisas.
Para sairmos deste ciclo sem virtude, só vejo uma saída, só poderemos avaliar alguém face a um objectivo concreto, por exemplo, em termos de física das partículas, dou-me uma nota de medíocre menos e, apenas não de mau porque sei existem muitos piores do que eu mas, em termos de desenvolvimento rural e até de avaliação de programas e projectos, avalio-me como, muito bom.
Voltando aos professores e aplicando este princípio, concluiremos que qualquer avaliação só permite avaliar os professore face à sua função de ensinar os jovens.
Mas aqui se levanta outra questão que não está também bem resolvida.
Em que consiste ensinar bem os jovens?
Criar autómatos bons repetidores de ciência?
Criar bons cidadãos, responsáveis?
Criar homens e mulheres bem socializados, bem inseridos na sociedade?
Criar especialistas competentes?
Talvez seja mais simples e útil avaliar quem faz passar melhor a mensagem do programa curricular de cada dia, transmitindo igualmente a noção de que tudo não é mais do que a simples passagem curricular de cada dia.
Qual será o bom professor?
Quem já sabe daquela minha dificuldade em discernir o bom do mau, excepto naquilo que é bom ou mau para mim, porque isso, eu sei ou vou sabendo, compreenderá que avaliar, professores ou o que seja, não será nunca uma tarefa fácil.
Por exemplo, eu como funcionário, já tenho sido excelente, muito bom e bom, e note-se que na função pública o bom está próximo do medíocre, mas quando olho para mim, vejo-me sempre igual, sou apenas eu, sempre eu.
O que muda então? A resposta é simples: a situação e o avaliador.
Com o mesmo direito com que eles me avaliam posso eu dizer que tenho tido avaliadores excelentes, muito bons ou bons e, esses bons, como aqui não preciso de ter pruridos, direi mesmo medíocres, maus e péssimos.
Em princípio, cada um de nós é a medida de todas as coisas.
Para sairmos deste ciclo sem virtude, só vejo uma saída, só poderemos avaliar alguém face a um objectivo concreto, por exemplo, em termos de física das partículas, dou-me uma nota de medíocre menos e, apenas não de mau porque sei existem muitos piores do que eu mas, em termos de desenvolvimento rural e até de avaliação de programas e projectos, avalio-me como, muito bom.
Voltando aos professores e aplicando este princípio, concluiremos que qualquer avaliação só permite avaliar os professore face à sua função de ensinar os jovens.
Mas aqui se levanta outra questão que não está também bem resolvida.
Em que consiste ensinar bem os jovens?
Criar autómatos bons repetidores de ciência?
Criar bons cidadãos, responsáveis?
Criar homens e mulheres bem socializados, bem inseridos na sociedade?
Criar especialistas competentes?
Talvez seja mais simples e útil avaliar quem faz passar melhor a mensagem do programa curricular de cada dia, transmitindo igualmente a noção de que tudo não é mais do que a simples passagem curricular de cada dia.
2008-11-15
Um indicador de civilização
Definir a civilização não é tarefa fácil.
Há muitos cérebros a queimar neurónios para encontrar um número que permita traduzir esse conceito.
Já tenho lido que um bom indicador poderá ser o da “energia consumida per capita” e a correlação parece boa: quanto mais modernos e civilizados mais energia consumimos. Mas levantam-se problemas operacionais, como se mede essa energia? A electricidade mais a gasolina e o gás consumidos? Darão talvez uma boa aproximação mas não sei se é perfeito, ultimamente a civilização tem evoluído para sistemas de poupança de energia e, nesse caso a curva tem um pico e decrescerá depois, quando nos civilizarmos ainda mais.
Face a esta dificuldade deixo aqui uma nova linha de investigação à comunidade científica:
Lixo produzido per capita.
Numa primeira aproximação parece-me um excelente indicador, quanto mais civilizados mais “merda”, produzimos.
E esta lei afigura-se-me inexorável.
Há muitos cérebros a queimar neurónios para encontrar um número que permita traduzir esse conceito.
Já tenho lido que um bom indicador poderá ser o da “energia consumida per capita” e a correlação parece boa: quanto mais modernos e civilizados mais energia consumimos. Mas levantam-se problemas operacionais, como se mede essa energia? A electricidade mais a gasolina e o gás consumidos? Darão talvez uma boa aproximação mas não sei se é perfeito, ultimamente a civilização tem evoluído para sistemas de poupança de energia e, nesse caso a curva tem um pico e decrescerá depois, quando nos civilizarmos ainda mais.
Face a esta dificuldade deixo aqui uma nova linha de investigação à comunidade científica:
Lixo produzido per capita.
Numa primeira aproximação parece-me um excelente indicador, quanto mais civilizados mais “merda”, produzimos.
E esta lei afigura-se-me inexorável.
2008-11-13
O que o Ministério da Educação pensa
1. É preciso facilitar a vida aos alunos para que todos, por igual, possam progredir.
2. É preciso dificultar a vida aos professores e avaliar para que os maus sejam expurgados do sistema e apenas fiquem os bons.
O que o Ministério esquece é que está assim a formar, nos alunos, apenas aqueles futuros professores que abomina!
80% de professores na rua, não chega.
Ovos partidos nos carros do Secretário de Estado, não chegam.
Que mais será preciso fazer para que o Ministério veja a evidência?
2. É preciso dificultar a vida aos professores e avaliar para que os maus sejam expurgados do sistema e apenas fiquem os bons.
O que o Ministério esquece é que está assim a formar, nos alunos, apenas aqueles futuros professores que abomina!
80% de professores na rua, não chega.
Ovos partidos nos carros do Secretário de Estado, não chegam.
Que mais será preciso fazer para que o Ministério veja a evidência?
2008-11-09
Bem prega Frei Tomás …
Em resposta à impressionante manifestação dos professores, Sócrates apela à honra dos sindicatos.
Ouviram bem? À honra dos sindicatos!
Eh Eh Eh !
Ouviram bem? À honra dos sindicatos!
Eh Eh Eh !
2008-11-04
Eleições nos EUA
Pela primeira vez, posso dizer, que simpatizo com os dois candidatos elegíveis.
Com Obama, pelo seu sonho, pela sua determinação, pela sua combatividade e pela sua inexperiência, que pode conduzi-lo à inovação criadora.
Com McCain pelo seu bom senso, pela sua coragem pela sua combatividade e pela sua experiência que pode conduzi-lo à lucidez.
De uma maneira ou de outra tenho a convicção que os EUA ficarão melhor liderados e o mundo mais seguro.
Com Obama, pelo seu sonho, pela sua determinação, pela sua combatividade e pela sua inexperiência, que pode conduzi-lo à inovação criadora.
Com McCain pelo seu bom senso, pela sua coragem pela sua combatividade e pela sua experiência que pode conduzi-lo à lucidez.
De uma maneira ou de outra tenho a convicção que os EUA ficarão melhor liderados e o mundo mais seguro.
2008-11-03
O BPN faz evoluir o português
Antigamente, as transacções económicas chamavam-se tratos, daí o ainda usado termo contrato, e quem as praticava era chamado tratante.
Com o tempo os tratantes deram mau nome à sua profissão ao ponto de transformarem o seu nome num insulto: Dizer “você é um tratante!” já não é nada simpático para ninguém.
Para fugir a isto passamos a chamar negócios aos tratos, e a quem os pratica demos o nome de negociante.
Mas o problema persiste, há qualquer coisa na actividade económica que o português comum despreza e a palavra negociante começou também a desvalorizar-se.
Há as negociatas, nada transparentes, e chamar a alguém negociante já sugere algumas reservas.
O Banco Português de Negócios (BPN) acaba de dar mais uma machadada na credibilidade da palavra negócio, são uns verdadeiros tratantes estes negociantes.
Já vamos ficando sem palavras para designar as transacções honestas, se é que existem.
Creio que é por isso que temos que ir, nesta área, pedindo palavras emprestadas ao Inglês.
Enfim é tudo “Business, as usual”
Com o tempo os tratantes deram mau nome à sua profissão ao ponto de transformarem o seu nome num insulto: Dizer “você é um tratante!” já não é nada simpático para ninguém.
Para fugir a isto passamos a chamar negócios aos tratos, e a quem os pratica demos o nome de negociante.
Mas o problema persiste, há qualquer coisa na actividade económica que o português comum despreza e a palavra negociante começou também a desvalorizar-se.
Há as negociatas, nada transparentes, e chamar a alguém negociante já sugere algumas reservas.
O Banco Português de Negócios (BPN) acaba de dar mais uma machadada na credibilidade da palavra negócio, são uns verdadeiros tratantes estes negociantes.
Já vamos ficando sem palavras para designar as transacções honestas, se é que existem.
Creio que é por isso que temos que ir, nesta área, pedindo palavras emprestadas ao Inglês.
Enfim é tudo “Business, as usual”
2008-10-28
Isto de estar reformado dá muito trabalho
Agora que eu pensava que ia ter tempo de sobra para encher o blog de novas “bocas” foi puro engano, afinal ando mais ocupado do que nunca.
Espero sinceramente que seja apenas uma fase passageira e que nunca volte a ter saudades do “dolce far niente” do meu trabalho diário.
Espero sinceramente que seja apenas uma fase passageira e que nunca volte a ter saudades do “dolce far niente” do meu trabalho diário.
2008-10-22
Nova vida
De há uns dias para cá que tenho andado ocupado naqueles pequenos mas importantes afazeres que me permitam levar os anos que me restam da melhor maneira possível.
Reformei-me da função pública, há novas rotinas a construir, não é o fim nem o princípio, é apenas uma nova etapa.
Para todos os que profissionalmente conviveram comigo ao longo dos anos escrevi uma carta que já enviei para todos os e-mail que consegui encontrar e continuarei a fazê-lo, mas sei que não vai chegar a toda a gente que eu queria.
Deixo então a carta aqui para que chegue também a alguns colegas e amigos que por vezes consultam este blogue e dos quais eu já perdi o contacto.
Caros colegas e amigos
Escrevo para vos dizer que atingi aquele estatuto que me coloca mais próximo do “sonho português”, a vida gratuita.
Pois é, o Estado concedeu-me agora a pensão definitiva de aposentação.
Acabou ! terminaram 36 anos de convivência, na prosperidade e na pobreza, na saúde e na doença, por entre tempestades e calmarias que me trouxeram prazeres e dores, mais prazeres do que dores, felizmente, e que eu recordo já com saudade.
Tudo começou na Missão de Extensão Rural de Angola, nos serviços mais bem organizados onde alguma vez trabalhei e onde me senti a contribuir para uma obra e onde uma obra se começou a fazer em mim, aprendi muito lá.
Depois vieram os anos do “PREC” e da reforma agrária que me ensinaram também muito, mais sobre a história e a condição humana, visto que me permitiram viver um período único e dificilmente repetível.
Vieram então os anos de formação profissional, onde pude conhecer grande parte dos técnicos do Ministério, corri todo o país, e onde um pequeno grupo de técnicos entre os quais eu, iniciámos as acções de formação em gestão para dirigentes cooperativos, acção inovadora no momento, com um grande impacto e enorme sucesso.
Uns anos se seguiram em Trá-os-Montes, aí como dirigente, anos que me deram oportunidade de contribuir ou, pelo menos, não empatar demasiado o que foi um período de ouro do seu desenvolvimento.
Por fim o LEADER, o programa mais belo e utópico que a Comissão Europeia concebeu.
Aprendi imenso aí também e, sinto orgulho de ter levado a missão a bom porto, sem cair na facilidade de desistir do sonho e deixar o tempo e a “realidade” fazer o inevitável: Pôr a utopia no seu lugar que é nenhum.
Por todos estes lados fiz amigos, muitíssimos, e alguns inimigos também, mas estes poucos.
Nesta vida em comum sinto que dei mais ao Estado do que do que ele me deu a mim, mas não tenho ressentimentos, fui recompensado de muitas outras maneiras, cresci bastante.
Estava disposto a continuar, não fosse o Estado se ter cansado de mim.
Aceitei o divórcio por mútuo acordo.
Começo uma nova vida.
A todos que tanto me ajudaram e me ensinaram, o meu muito obrigado e, podem ter a certeza de que não me esqueço de ninguém, nem mesmo dos que já não estão presentes na minha memória.
Continuarei sempre à disposição.
Até sempre.
Nuno Jordão
Reformei-me da função pública, há novas rotinas a construir, não é o fim nem o princípio, é apenas uma nova etapa.
Para todos os que profissionalmente conviveram comigo ao longo dos anos escrevi uma carta que já enviei para todos os e-mail que consegui encontrar e continuarei a fazê-lo, mas sei que não vai chegar a toda a gente que eu queria.
Deixo então a carta aqui para que chegue também a alguns colegas e amigos que por vezes consultam este blogue e dos quais eu já perdi o contacto.
Caros colegas e amigos
Escrevo para vos dizer que atingi aquele estatuto que me coloca mais próximo do “sonho português”, a vida gratuita.
Pois é, o Estado concedeu-me agora a pensão definitiva de aposentação.
Acabou ! terminaram 36 anos de convivência, na prosperidade e na pobreza, na saúde e na doença, por entre tempestades e calmarias que me trouxeram prazeres e dores, mais prazeres do que dores, felizmente, e que eu recordo já com saudade.
Tudo começou na Missão de Extensão Rural de Angola, nos serviços mais bem organizados onde alguma vez trabalhei e onde me senti a contribuir para uma obra e onde uma obra se começou a fazer em mim, aprendi muito lá.
Depois vieram os anos do “PREC” e da reforma agrária que me ensinaram também muito, mais sobre a história e a condição humana, visto que me permitiram viver um período único e dificilmente repetível.
Vieram então os anos de formação profissional, onde pude conhecer grande parte dos técnicos do Ministério, corri todo o país, e onde um pequeno grupo de técnicos entre os quais eu, iniciámos as acções de formação em gestão para dirigentes cooperativos, acção inovadora no momento, com um grande impacto e enorme sucesso.
Uns anos se seguiram em Trá-os-Montes, aí como dirigente, anos que me deram oportunidade de contribuir ou, pelo menos, não empatar demasiado o que foi um período de ouro do seu desenvolvimento.
Por fim o LEADER, o programa mais belo e utópico que a Comissão Europeia concebeu.
Aprendi imenso aí também e, sinto orgulho de ter levado a missão a bom porto, sem cair na facilidade de desistir do sonho e deixar o tempo e a “realidade” fazer o inevitável: Pôr a utopia no seu lugar que é nenhum.
Por todos estes lados fiz amigos, muitíssimos, e alguns inimigos também, mas estes poucos.
Nesta vida em comum sinto que dei mais ao Estado do que do que ele me deu a mim, mas não tenho ressentimentos, fui recompensado de muitas outras maneiras, cresci bastante.
Estava disposto a continuar, não fosse o Estado se ter cansado de mim.
Aceitei o divórcio por mútuo acordo.
Começo uma nova vida.
A todos que tanto me ajudaram e me ensinaram, o meu muito obrigado e, podem ter a certeza de que não me esqueço de ninguém, nem mesmo dos que já não estão presentes na minha memória.
Continuarei sempre à disposição.
Até sempre.
Nuno Jordão
2008-10-15
Ainda a crise financeira
Eu sei que depois da intensa campanha de informação que eu tenho proporcionado neste blogue a este respeito, julgo que já ninguém terá dúvidas sobre a natureza do problema.
Deixo aqui mais um esclarecimento que, infelizmente, está só em inglês e sem legendas.
Com as minhas desculpas a quem tem, talvez a felicidade, de não entender o Inglês deixo aqui para os outros a mesma explicação, só que agora em Inglês que nestas questões financeiras soa sempre melhor.
Vejam atentamente até ao fim.
Deixo aqui mais um esclarecimento que, infelizmente, está só em inglês e sem legendas.
Com as minhas desculpas a quem tem, talvez a felicidade, de não entender o Inglês deixo aqui para os outros a mesma explicação, só que agora em Inglês que nestas questões financeiras soa sempre melhor.
Vejam atentamente até ao fim.
2008-10-12
A crise financeira 2
Como bem me lembrou o Adriano, hoje vemos nos telejornais e em quem devia ter vergonha, falar da actual crise financeira mundial usando uma linguagem mais forte do que a que estávamos habituados a ver em literatura anarquista de circulação limitada.
Termos como casino, produtos tóxicos, realidade virtual, para designar a actividade financeira entraram finalmente no “main stream”, espero que não sejam só palavras mas que conduzam a alguma meditação.
Para continuar a chamar os bois pelos nomes, deixo-vos aqui a versão de Chico Buarque, já escrita há anos:
O malandro/Na dureza
Senta à mesa/Do café
Bebe um gole/De cachaça
Acha graça/E dá no pé
O garçom/No prejuízo
Sem sorriso/Sem freguês
De passagem/Pela caixa
Dá uma baixa/No português
O galego/Acha estranho
Que o seu ganho/Tá um horror
Pega o lápis/Soma os canos
Passa os danos/Pro distribuidor
Mas o frete/Vê que ao todo
Há engodo/Nos papéis
E pra cima/Do alambique
Dá um trambique/De cem mil réis
O usineiro/Nessa luta
Grita(ponte que partiu)
Não é idiota/Trunca a nota
Lesa o Banco/Do Brasil
Nosso banco/Tá cotado
'Tá cotado
No mercado/Exterior
Então taxa/A cachaça
A um preço/Assutador
Mas os ianques/Com seus tanques
Têm bem mais o/Que fazer
E proíbem/Os soldados
Aliados/De beber
A cachaça/Tá parada
Rejeitada/No barril
O alambique/Tem chilique
Contra o Banco/Do Brasil
O usineiro/Faz barulho
Com orgulho/De produtor
Mas a sua/Raiva cega
Descarrega/No carregador
Este chega/Pro galego
Nega arrego/Cobra mais
A cachaça/Tá de graça
Mas o frete/Como é que faz?
O galego/Tá apertado
Pro seu lado/Não tá bom
Então deixa/Congelada
A mesada/Do garçom
O garçom vê/Um malandro
Sai gritando/Pega ladrão
E o malandro/Autuado
É julgado e condenado culpado
Pela situação
Termos como casino, produtos tóxicos, realidade virtual, para designar a actividade financeira entraram finalmente no “main stream”, espero que não sejam só palavras mas que conduzam a alguma meditação.
Para continuar a chamar os bois pelos nomes, deixo-vos aqui a versão de Chico Buarque, já escrita há anos:
O malandro/Na dureza
Senta à mesa/Do café
Bebe um gole/De cachaça
Acha graça/E dá no pé
O garçom/No prejuízo
Sem sorriso/Sem freguês
De passagem/Pela caixa
Dá uma baixa/No português
O galego/Acha estranho
Que o seu ganho/Tá um horror
Pega o lápis/Soma os canos
Passa os danos/Pro distribuidor
Mas o frete/Vê que ao todo
Há engodo/Nos papéis
E pra cima/Do alambique
Dá um trambique/De cem mil réis
O usineiro/Nessa luta
Grita(ponte que partiu)
Não é idiota/Trunca a nota
Lesa o Banco/Do Brasil
Nosso banco/Tá cotado
'Tá cotado
No mercado/Exterior
Então taxa/A cachaça
A um preço/Assutador
Mas os ianques/Com seus tanques
Têm bem mais o/Que fazer
E proíbem/Os soldados
Aliados/De beber
A cachaça/Tá parada
Rejeitada/No barril
O alambique/Tem chilique
Contra o Banco/Do Brasil
O usineiro/Faz barulho
Com orgulho/De produtor
Mas a sua/Raiva cega
Descarrega/No carregador
Este chega/Pro galego
Nega arrego/Cobra mais
A cachaça/Tá de graça
Mas o frete/Como é que faz?
O galego/Tá apertado
Pro seu lado/Não tá bom
Então deixa/Congelada
A mesada/Do garçom
O garçom vê/Um malandro
Sai gritando/Pega ladrão
E o malandro/Autuado
É julgado e condenado culpado
Pela situação
2008-10-10
A Euribor lá cedeu
Parece que foi de propósito.
Mal acabei de publicar a minha crónica anterior a Euribor desceu um pouco a sua taxa.Apesar de ser um passo no bom caminho, eu continuo atento.
Mal acabei de publicar a minha crónica anterior a Euribor desceu um pouco a sua taxa.Apesar de ser um passo no bom caminho, eu continuo atento.
Falta de confiança ou golpada ?
O sistema é concebido assim:
O Banco central Europeu determina a taxa de juros de referência ou seja a taxa de juros que cobra à banca pelos empréstimos que faz.
Os Bancos naturalmente não se financiam todos e sempre no Banco Central, até porque há limites ao crédito que este fornece, mas antes uns com os outros a taxas negociadas entre si mas que, como é evidente, se forem muito acima das do Banco Central , lhes permite sempre dizer: “a essa taxa exagerada não quero vou antes ao Banco Central à taxa de referência” É assim como eu que tomo uma bica a 55 cêntimos no café à frente de casa mas não a tomaria se me cobrassem 1Euro porque dando mais uns passos a encontraria a 50 cêntimos.
A partir da média das taxas utilizadas em empréstimos interbancários, através de um algoritmo de cálculo, determinam-se as taxas Euribor que são a base utilizada pelos Bancos nos empréstimos aos seus clientes. Euribor mais um pouco, naturalmente, a que se chama “spread"
Esta é a lógica do sistema, naturalmente a Euribor deve ser ligeiramente superior à taxa de referência do Banco Central e a taxa real que nós clientes pagamos ligeiramente superior à Euribor.
Mas não é nada disto que se está a passar. Por falta de confiança dizem.
Ora uma gestão “chico-esperta” dos bancos o que é que pensa ?
“O melhor é eu financiar-me a uma taxa de referência, baixa, e emprestar a uma Euribor alta e mais “spread”, assim é que eu ganho bem”
Como se pode fazer isto ?
Financiando-me no Banco Central à taxa de referência (que é o que os analistas dizem que se está a passar dominantemente) e fazendo uns empréstimos “fantoches” entre bancos a uma taxa elevada para manipular o tal algoritmo de cálculo e fazer subir a taxa Euribor.
Não sei se é isto que se passa mas suspeito bem que sim, tanto mais que o Banco Central (certamente porque também desconfia que isto se está a passar) baixou os juros de referência e retirou ontem todos os limites que tinha aos créditos que concede, facilitando ainda mais o acesso dos Bancos, mas mesmo assim a Euribor subiu !
Falta de confiança dizem especialistas, a mim parece-me é que é confiança a mais.
O Banco central Europeu determina a taxa de juros de referência ou seja a taxa de juros que cobra à banca pelos empréstimos que faz.
Os Bancos naturalmente não se financiam todos e sempre no Banco Central, até porque há limites ao crédito que este fornece, mas antes uns com os outros a taxas negociadas entre si mas que, como é evidente, se forem muito acima das do Banco Central , lhes permite sempre dizer: “a essa taxa exagerada não quero vou antes ao Banco Central à taxa de referência” É assim como eu que tomo uma bica a 55 cêntimos no café à frente de casa mas não a tomaria se me cobrassem 1Euro porque dando mais uns passos a encontraria a 50 cêntimos.
A partir da média das taxas utilizadas em empréstimos interbancários, através de um algoritmo de cálculo, determinam-se as taxas Euribor que são a base utilizada pelos Bancos nos empréstimos aos seus clientes. Euribor mais um pouco, naturalmente, a que se chama “spread"
Esta é a lógica do sistema, naturalmente a Euribor deve ser ligeiramente superior à taxa de referência do Banco Central e a taxa real que nós clientes pagamos ligeiramente superior à Euribor.
Mas não é nada disto que se está a passar. Por falta de confiança dizem.
Ora uma gestão “chico-esperta” dos bancos o que é que pensa ?
“O melhor é eu financiar-me a uma taxa de referência, baixa, e emprestar a uma Euribor alta e mais “spread”, assim é que eu ganho bem”
Como se pode fazer isto ?
Financiando-me no Banco Central à taxa de referência (que é o que os analistas dizem que se está a passar dominantemente) e fazendo uns empréstimos “fantoches” entre bancos a uma taxa elevada para manipular o tal algoritmo de cálculo e fazer subir a taxa Euribor.
Não sei se é isto que se passa mas suspeito bem que sim, tanto mais que o Banco Central (certamente porque também desconfia que isto se está a passar) baixou os juros de referência e retirou ontem todos os limites que tinha aos créditos que concede, facilitando ainda mais o acesso dos Bancos, mas mesmo assim a Euribor subiu !
Falta de confiança dizem especialistas, a mim parece-me é que é confiança a mais.
2008-10-08
A crise financeira
Uma história exemplar
Há dias que dormia com dificuldade, devia 1000 Euros ao meu vizinho Baptista, que todos os dias me interpelava na escada:
“Então vizinho quando me paga os mil Euros? Sabe que eu também tenho os meus compromissos, preciso desse dinheiro para pagar ao meu primo Valdemar os mil Euros que ele me emprestou.”
Eu respondia-lhe já com a convicção de ser uma desculpa esfarrapada:
“Desculpe-me lá vizinho Baptista, o que tenho mal dá para viver mas não tarda nada a minha amiga Adelaide vai-me pagar 1000 Euros que me está devendo e assim que os receber vão logo para si”
Era isto, só que Adelaide se queixava do Valdemar que lhe devia 1000 Euros há um rôr de tempo e assim como é que ela me pagava ?
E assim fomos vivendo em sobressalto com discussões diárias, desculpas sem nexo e noites mal dormidas.
E quando ia assim, pensando nos meus problemas, sem saber como os resolver, a providência interveio.
Ali no chão, à minha frente, encontro uma carteira esquecida, apanho-a e vejo lá dentro, para além dos cartões do dono, 10 notas de 100 Euros, precisamente os mil Euros que eu precisava para pagar ao Baptista.
No dia seguinte quando encontrei o Baptista foi a primeira coisa que fiz: “Sr. Baptista, como vê sou uma pessoa de palavra, tome lá os 1000 Euros que eu lhe devo”, “Muito obrigado caro amigo agora já posso pagar ao Valdemar”, respondeu-me ele.
No outro dia quando estou com a Adelaide diz-me ela: “O Valdemar finalmente pagou-me o que me devia, toma lá os teus 1000 Euros.”
Agradeci, peguei nos 1000 Euros e voltei a metê-los na carteira achada, telefonei ao dono (o contacto estava escrito num cartão de visita que também constava da carteira).
O dono ficou radiante, já tinha perdido a esperança de encontrar a carteira, ainda por cima com o dinheiro dentro, quis-me dar alvíssaras mas eu disse-lhe logo:
“Não se preocupe, o Sr. nem imagina o problema que me resolveu”, daí a bocado batia à minha porta para levar a carteira que prontamente lhe entreguei.
Daí para a frente, nunca mais dormi mal.
Há dias que dormia com dificuldade, devia 1000 Euros ao meu vizinho Baptista, que todos os dias me interpelava na escada:
“Então vizinho quando me paga os mil Euros? Sabe que eu também tenho os meus compromissos, preciso desse dinheiro para pagar ao meu primo Valdemar os mil Euros que ele me emprestou.”
Eu respondia-lhe já com a convicção de ser uma desculpa esfarrapada:
“Desculpe-me lá vizinho Baptista, o que tenho mal dá para viver mas não tarda nada a minha amiga Adelaide vai-me pagar 1000 Euros que me está devendo e assim que os receber vão logo para si”
Era isto, só que Adelaide se queixava do Valdemar que lhe devia 1000 Euros há um rôr de tempo e assim como é que ela me pagava ?
E assim fomos vivendo em sobressalto com discussões diárias, desculpas sem nexo e noites mal dormidas.
E quando ia assim, pensando nos meus problemas, sem saber como os resolver, a providência interveio.
Ali no chão, à minha frente, encontro uma carteira esquecida, apanho-a e vejo lá dentro, para além dos cartões do dono, 10 notas de 100 Euros, precisamente os mil Euros que eu precisava para pagar ao Baptista.
No dia seguinte quando encontrei o Baptista foi a primeira coisa que fiz: “Sr. Baptista, como vê sou uma pessoa de palavra, tome lá os 1000 Euros que eu lhe devo”, “Muito obrigado caro amigo agora já posso pagar ao Valdemar”, respondeu-me ele.
No outro dia quando estou com a Adelaide diz-me ela: “O Valdemar finalmente pagou-me o que me devia, toma lá os teus 1000 Euros.”
Agradeci, peguei nos 1000 Euros e voltei a metê-los na carteira achada, telefonei ao dono (o contacto estava escrito num cartão de visita que também constava da carteira).
O dono ficou radiante, já tinha perdido a esperança de encontrar a carteira, ainda por cima com o dinheiro dentro, quis-me dar alvíssaras mas eu disse-lhe logo:
“Não se preocupe, o Sr. nem imagina o problema que me resolveu”, daí a bocado batia à minha porta para levar a carteira que prontamente lhe entreguei.
Daí para a frente, nunca mais dormi mal.
2008-10-07
É isto Portugal
É ali, na Alta de Lisboa que está o cruzamento da vergonha.
É um ponto onde desembocam 5 vias e há carros de todas elas que querem ir para todas elas.
Se quiserem podem ver o filme abaixo que dá uma ideia de como tudo se passa nas horas de maior movimento, vai-se fluindo assim: “com licença, com licença, desculpe lá !”
Nas horas de menor trânsito o problema é ainda maior, o cuidado é menos, a velocidade é mais e ninguém controla simultaneamente todas as 5 vias.
Quando passo próximo dou voltas complicadas apenas para não me arriscar ali.
E isto é conhecido há anos, há estudos feitos, há propostas, há reclamações permanentes, só não há acção, estão certamente à espera que alguém morra, porque é muito mais excitante.
No outro dia, um grupo de cidadãos, pela calada da noite, construíu a rotunda que se impunha e a ordem chegou ao lugar.
Há estudos que a recomendavam mas nem era preciso haver, a vantagem é óbvia, entra pelos olhos dentro, como se pode ver no outro filme que regista a curta vida desta rotunda popular.
O que se passou então: A Sra. Câmara, da inacção, da inércia, do empurra para a frente, do amanhã talvez, teve um surto de actividade, actuou, deu cabo da obra ao fim de 2 dias para dizer quem manda: “rotunda sim mas só quando eu quiser!”.
É por estas e por outras que eu também não voto, só quando me apetecer.
É um ponto onde desembocam 5 vias e há carros de todas elas que querem ir para todas elas.
Se quiserem podem ver o filme abaixo que dá uma ideia de como tudo se passa nas horas de maior movimento, vai-se fluindo assim: “com licença, com licença, desculpe lá !”
Nas horas de menor trânsito o problema é ainda maior, o cuidado é menos, a velocidade é mais e ninguém controla simultaneamente todas as 5 vias.
Quando passo próximo dou voltas complicadas apenas para não me arriscar ali.
E isto é conhecido há anos, há estudos feitos, há propostas, há reclamações permanentes, só não há acção, estão certamente à espera que alguém morra, porque é muito mais excitante.
No outro dia, um grupo de cidadãos, pela calada da noite, construíu a rotunda que se impunha e a ordem chegou ao lugar.
Há estudos que a recomendavam mas nem era preciso haver, a vantagem é óbvia, entra pelos olhos dentro, como se pode ver no outro filme que regista a curta vida desta rotunda popular.
O que se passou então: A Sra. Câmara, da inacção, da inércia, do empurra para a frente, do amanhã talvez, teve um surto de actividade, actuou, deu cabo da obra ao fim de 2 dias para dizer quem manda: “rotunda sim mas só quando eu quiser!”.
É por estas e por outras que eu também não voto, só quando me apetecer.
2008-10-04
Acabou o tempo
É tudo o que vejo e ouço na média.
- Acabou o tempo da facilidade, diz o nosso Sócrates
- Acabou o tempo do emprego para a vida, diz Ferreira Leite
- Acabou o tempo de se poder financiar apenas uma grande ideia, diz Daniel Beça.
- Acabou o tempo de … diz toda a gente.
E dizem tudo isto com um sorriso nos lábios, com a satisfação de quem sabe mais do que os outros, sem se envergonharem do seu próprio fracasso.
Eu espero o dia., que está para breve, em que poderemos dizer: “acabou o tempo de V. Exas !”.
- Acabou o tempo da facilidade, diz o nosso Sócrates
- Acabou o tempo do emprego para a vida, diz Ferreira Leite
- Acabou o tempo de se poder financiar apenas uma grande ideia, diz Daniel Beça.
- Acabou o tempo de … diz toda a gente.
E dizem tudo isto com um sorriso nos lábios, com a satisfação de quem sabe mais do que os outros, sem se envergonharem do seu próprio fracasso.
Eu espero o dia., que está para breve, em que poderemos dizer: “acabou o tempo de V. Exas !”.
2008-10-03
O estado do Estado
Depois de uns dias nas “ilhas esquecidas”, no meio do Atlântico, os Açores, volto a casa e vejo isto.
Na questão do casamento homossexual, o PS não dá liberdade de voto aos seus deputados e exige o “não” por falta de oportunidade.
A questão está bem, percebem, só que agora não é oportuno, talvez mais pela tardinha.
Como dizia Eça de Queirós, sobre a reforma da carta constitucional, ainda vamos ver no Borda de Àgua: dizer qualquer coisa como isto: em Outubro planta o repolho mas não aproves o casamento homosexual, espera pelas chuvas de Inverno e por uma noite de lua cheia”.
E, para estas razões tão sérias é claro que não pode haver liberdade de voto, não vá o diabo tecê-las, embora, se a disciplina de voto é a regra, como parece, e se compreende (quem quer ver aquelas luminárias a pensar pela própria cabeça ? e que perigos daí poderiam vir?) o que não se percebe é para quê elegermos tantos deputados, bastava um com um número de votos proporcional à votação, seria muito mais barato e transparente.
Na questão do casamento homossexual, o PS não dá liberdade de voto aos seus deputados e exige o “não” por falta de oportunidade.
A questão está bem, percebem, só que agora não é oportuno, talvez mais pela tardinha.
Como dizia Eça de Queirós, sobre a reforma da carta constitucional, ainda vamos ver no Borda de Àgua: dizer qualquer coisa como isto: em Outubro planta o repolho mas não aproves o casamento homosexual, espera pelas chuvas de Inverno e por uma noite de lua cheia”.
E, para estas razões tão sérias é claro que não pode haver liberdade de voto, não vá o diabo tecê-las, embora, se a disciplina de voto é a regra, como parece, e se compreende (quem quer ver aquelas luminárias a pensar pela própria cabeça ? e que perigos daí poderiam vir?) o que não se percebe é para quê elegermos tantos deputados, bastava um com um número de votos proporcional à votação, seria muito mais barato e transparente.
2008-09-26
NIRVANA
Ainda a propósito do massacre finlandês.
Os Nirvana foram um efémero incêndio criativo que lavrou de 1987 a 1994, ano em que morreu, com uma aura de mistério, Kurt Cobain, seu vocalista e criador.
Para mim, era um grupo notável, um pequeno oásis de qualidade num deserto de mediocridade.
Com um mínimo de interesse, por aquele tempo, de entre os grupos de rock, mediáticos, apenas me recordo dos The Cure e dos Simple Minds, certamente haveria outros que não me ocorrem.
Como já referi aqui, a minha noção de arte, tem a ver com a comunicação do indizível, o tentar despertar em nós sensações ou sentimentos que pertencem apenas ao nosso imaginário e não se explicam ou transmitem, só através da arte, se tivermos o necessário talento.
A música dos Nirvana transmite-me, faz-me sentir, aquele mal-estar de que falava duas crónicas abaixo, toda a música ou todas as músicas. Ironicamente sempre chamei a todas elas a música dos Nirvana, no singular, por me parecerem todas a mesma, neste contexto, independentemente das diferenças melódicas, rítmicas, de nomes e das letras, em todas elas, sempre aquele mal-estar, aquele absurdo, aquele incómodo, as repetições de palavras ou de frases curtas até à exaustão numa postura quase autista e alienada: stay away, stay away, stay away, stay away …
"In bloom", serve de exemplo como poderia ser qualquer outra, no vídeo torna-se tudo ainda mais aparente, a adesão dos ou das fans, exageradíssima, desproporcionada, idiota e sem sentido e em toda a performance, aquela misturada de ambientes com apelos a diferentes épocas e diferentes contextos, onde tudo está errado, toda aquela sensação de que as coisas não jogam independentemente de tudo funcionar, com um resultado, virtual, quase cómico se não anunciasse a tragédia, aligeirando-a assim, banalizando-a.
A letra é quase uma só ideia repetida várias vezes. Realcei os últimos versos que são todavia iguais a quase todos os outros versos mas a mensagem está lá, repetida, repetida sempre.
In Bloom
Sell the kids for food
Weather changes moods
Spring is here again
Pray for darker grounds
He's the one
He likes all our pretty songs
And he likes to sing along
And he likes to shoot his gun
But he don't know what it means
Don't know what it means
And I say
He's the one
He likes all our pretty songs
And he likes to sing along
And he likes to shoot his gun
But he don't know what it means
Don't know what it means
And I say yea
We can have some more
Nature is a whore
Who's is on a prude (?)
Tender age in bloom
He's the one
He likes all our pretty songs
And he likes to sing along
And he likes to shoot his gun
But he don't know what it means
Don't know what it means
And I say
He's the one
He likes all our pretty songs
And he likes to sing along
And he likes to shoot his gun
But he don't know what it means
Don't know what it means
And I say yea
He's the one
He likes all our pretty songs
And he likes to sing along
And he likes to shoot his gun
But he don't know what it means
Don't know what it means
And I say
He's the one
He likes all our pretty songs
And he likes to sing along
And he likes to shoot his gun
But he don't know what it means
Don't know what it means
Don't know what it means
Don't know what it means
And I say Yea
Os Nirvana foram um efémero incêndio criativo que lavrou de 1987 a 1994, ano em que morreu, com uma aura de mistério, Kurt Cobain, seu vocalista e criador.
Para mim, era um grupo notável, um pequeno oásis de qualidade num deserto de mediocridade.
Com um mínimo de interesse, por aquele tempo, de entre os grupos de rock, mediáticos, apenas me recordo dos The Cure e dos Simple Minds, certamente haveria outros que não me ocorrem.
Como já referi aqui, a minha noção de arte, tem a ver com a comunicação do indizível, o tentar despertar em nós sensações ou sentimentos que pertencem apenas ao nosso imaginário e não se explicam ou transmitem, só através da arte, se tivermos o necessário talento.
A música dos Nirvana transmite-me, faz-me sentir, aquele mal-estar de que falava duas crónicas abaixo, toda a música ou todas as músicas. Ironicamente sempre chamei a todas elas a música dos Nirvana, no singular, por me parecerem todas a mesma, neste contexto, independentemente das diferenças melódicas, rítmicas, de nomes e das letras, em todas elas, sempre aquele mal-estar, aquele absurdo, aquele incómodo, as repetições de palavras ou de frases curtas até à exaustão numa postura quase autista e alienada: stay away, stay away, stay away, stay away …
"In bloom", serve de exemplo como poderia ser qualquer outra, no vídeo torna-se tudo ainda mais aparente, a adesão dos ou das fans, exageradíssima, desproporcionada, idiota e sem sentido e em toda a performance, aquela misturada de ambientes com apelos a diferentes épocas e diferentes contextos, onde tudo está errado, toda aquela sensação de que as coisas não jogam independentemente de tudo funcionar, com um resultado, virtual, quase cómico se não anunciasse a tragédia, aligeirando-a assim, banalizando-a.
A letra é quase uma só ideia repetida várias vezes. Realcei os últimos versos que são todavia iguais a quase todos os outros versos mas a mensagem está lá, repetida, repetida sempre.
In Bloom
Sell the kids for food
Weather changes moods
Spring is here again
Pray for darker grounds
He's the one
He likes all our pretty songs
And he likes to sing along
And he likes to shoot his gun
But he don't know what it means
Don't know what it means
And I say
He's the one
He likes all our pretty songs
And he likes to sing along
And he likes to shoot his gun
But he don't know what it means
Don't know what it means
And I say yea
We can have some more
Nature is a whore
Who's is on a prude (?)
Tender age in bloom
He's the one
He likes all our pretty songs
And he likes to sing along
And he likes to shoot his gun
But he don't know what it means
Don't know what it means
And I say
He's the one
He likes all our pretty songs
And he likes to sing along
And he likes to shoot his gun
But he don't know what it means
Don't know what it means
And I say yea
He's the one
He likes all our pretty songs
And he likes to sing along
And he likes to shoot his gun
But he don't know what it means
Don't know what it means
And I say
He's the one
He likes all our pretty songs
And he likes to sing along
And he likes to shoot his gun
But he don't know what it means
Don't know what it means
Don't know what it means
Don't know what it means
And I say Yea
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