2008-10-28
Isto de estar reformado dá muito trabalho
Espero sinceramente que seja apenas uma fase passageira e que nunca volte a ter saudades do “dolce far niente” do meu trabalho diário.
2008-10-22
Nova vida
Reformei-me da função pública, há novas rotinas a construir, não é o fim nem o princípio, é apenas uma nova etapa.
Para todos os que profissionalmente conviveram comigo ao longo dos anos escrevi uma carta que já enviei para todos os e-mail que consegui encontrar e continuarei a fazê-lo, mas sei que não vai chegar a toda a gente que eu queria.
Deixo então a carta aqui para que chegue também a alguns colegas e amigos que por vezes consultam este blogue e dos quais eu já perdi o contacto.
Caros colegas e amigos
Escrevo para vos dizer que atingi aquele estatuto que me coloca mais próximo do “sonho português”, a vida gratuita.
Pois é, o Estado concedeu-me agora a pensão definitiva de aposentação.
Acabou ! terminaram 36 anos de convivência, na prosperidade e na pobreza, na saúde e na doença, por entre tempestades e calmarias que me trouxeram prazeres e dores, mais prazeres do que dores, felizmente, e que eu recordo já com saudade.
Tudo começou na Missão de Extensão Rural de Angola, nos serviços mais bem organizados onde alguma vez trabalhei e onde me senti a contribuir para uma obra e onde uma obra se começou a fazer em mim, aprendi muito lá.
Depois vieram os anos do “PREC” e da reforma agrária que me ensinaram também muito, mais sobre a história e a condição humana, visto que me permitiram viver um período único e dificilmente repetível.
Vieram então os anos de formação profissional, onde pude conhecer grande parte dos técnicos do Ministério, corri todo o país, e onde um pequeno grupo de técnicos entre os quais eu, iniciámos as acções de formação em gestão para dirigentes cooperativos, acção inovadora no momento, com um grande impacto e enorme sucesso.
Uns anos se seguiram em Trá-os-Montes, aí como dirigente, anos que me deram oportunidade de contribuir ou, pelo menos, não empatar demasiado o que foi um período de ouro do seu desenvolvimento.
Por fim o LEADER, o programa mais belo e utópico que a Comissão Europeia concebeu.
Aprendi imenso aí também e, sinto orgulho de ter levado a missão a bom porto, sem cair na facilidade de desistir do sonho e deixar o tempo e a “realidade” fazer o inevitável: Pôr a utopia no seu lugar que é nenhum.
Por todos estes lados fiz amigos, muitíssimos, e alguns inimigos também, mas estes poucos.
Nesta vida em comum sinto que dei mais ao Estado do que do que ele me deu a mim, mas não tenho ressentimentos, fui recompensado de muitas outras maneiras, cresci bastante.
Estava disposto a continuar, não fosse o Estado se ter cansado de mim.
Aceitei o divórcio por mútuo acordo.
Começo uma nova vida.
A todos que tanto me ajudaram e me ensinaram, o meu muito obrigado e, podem ter a certeza de que não me esqueço de ninguém, nem mesmo dos que já não estão presentes na minha memória.
Continuarei sempre à disposição.
Até sempre.
Nuno Jordão
2008-10-15
Ainda a crise financeira
Deixo aqui mais um esclarecimento que, infelizmente, está só em inglês e sem legendas.
Com as minhas desculpas a quem tem, talvez a felicidade, de não entender o Inglês deixo aqui para os outros a mesma explicação, só que agora em Inglês que nestas questões financeiras soa sempre melhor.
Vejam atentamente até ao fim.
2008-10-12
A crise financeira 2
Termos como casino, produtos tóxicos, realidade virtual, para designar a actividade financeira entraram finalmente no “main stream”, espero que não sejam só palavras mas que conduzam a alguma meditação.
Para continuar a chamar os bois pelos nomes, deixo-vos aqui a versão de Chico Buarque, já escrita há anos:
O malandro/Na dureza
Senta à mesa/Do café
Bebe um gole/De cachaça
Acha graça/E dá no pé
O garçom/No prejuízo
Sem sorriso/Sem freguês
De passagem/Pela caixa
Dá uma baixa/No português
O galego/Acha estranho
Que o seu ganho/Tá um horror
Pega o lápis/Soma os canos
Passa os danos/Pro distribuidor
Mas o frete/Vê que ao todo
Há engodo/Nos papéis
E pra cima/Do alambique
Dá um trambique/De cem mil réis
O usineiro/Nessa luta
Grita(ponte que partiu)
Não é idiota/Trunca a nota
Lesa o Banco/Do Brasil
Nosso banco/Tá cotado
'Tá cotado
No mercado/Exterior
Então taxa/A cachaça
A um preço/Assutador
Mas os ianques/Com seus tanques
Têm bem mais o/Que fazer
E proíbem/Os soldados
Aliados/De beber
A cachaça/Tá parada
Rejeitada/No barril
O alambique/Tem chilique
Contra o Banco/Do Brasil
O usineiro/Faz barulho
Com orgulho/De produtor
Mas a sua/Raiva cega
Descarrega/No carregador
Este chega/Pro galego
Nega arrego/Cobra mais
A cachaça/Tá de graça
Mas o frete/Como é que faz?
O galego/Tá apertado
Pro seu lado/Não tá bom
Então deixa/Congelada
A mesada/Do garçom
O garçom vê/Um malandro
Sai gritando/Pega ladrão
E o malandro/Autuado
É julgado e condenado culpado
Pela situação
2008-10-10
A Euribor lá cedeu
Mal acabei de publicar a minha crónica anterior a Euribor desceu um pouco a sua taxa.Apesar de ser um passo no bom caminho, eu continuo atento.
Falta de confiança ou golpada ?
O Banco central Europeu determina a taxa de juros de referência ou seja a taxa de juros que cobra à banca pelos empréstimos que faz.
Os Bancos naturalmente não se financiam todos e sempre no Banco Central, até porque há limites ao crédito que este fornece, mas antes uns com os outros a taxas negociadas entre si mas que, como é evidente, se forem muito acima das do Banco Central , lhes permite sempre dizer: “a essa taxa exagerada não quero vou antes ao Banco Central à taxa de referência” É assim como eu que tomo uma bica a 55 cêntimos no café à frente de casa mas não a tomaria se me cobrassem 1Euro porque dando mais uns passos a encontraria a 50 cêntimos.
A partir da média das taxas utilizadas em empréstimos interbancários, através de um algoritmo de cálculo, determinam-se as taxas Euribor que são a base utilizada pelos Bancos nos empréstimos aos seus clientes. Euribor mais um pouco, naturalmente, a que se chama “spread"
Esta é a lógica do sistema, naturalmente a Euribor deve ser ligeiramente superior à taxa de referência do Banco Central e a taxa real que nós clientes pagamos ligeiramente superior à Euribor.
Mas não é nada disto que se está a passar. Por falta de confiança dizem.
Ora uma gestão “chico-esperta” dos bancos o que é que pensa ?
“O melhor é eu financiar-me a uma taxa de referência, baixa, e emprestar a uma Euribor alta e mais “spread”, assim é que eu ganho bem”
Como se pode fazer isto ?
Financiando-me no Banco Central à taxa de referência (que é o que os analistas dizem que se está a passar dominantemente) e fazendo uns empréstimos “fantoches” entre bancos a uma taxa elevada para manipular o tal algoritmo de cálculo e fazer subir a taxa Euribor.
Não sei se é isto que se passa mas suspeito bem que sim, tanto mais que o Banco Central (certamente porque também desconfia que isto se está a passar) baixou os juros de referência e retirou ontem todos os limites que tinha aos créditos que concede, facilitando ainda mais o acesso dos Bancos, mas mesmo assim a Euribor subiu !
Falta de confiança dizem especialistas, a mim parece-me é que é confiança a mais.
2008-10-08
A crise financeira
Há dias que dormia com dificuldade, devia 1000 Euros ao meu vizinho Baptista, que todos os dias me interpelava na escada:
“Então vizinho quando me paga os mil Euros? Sabe que eu também tenho os meus compromissos, preciso desse dinheiro para pagar ao meu primo Valdemar os mil Euros que ele me emprestou.”
Eu respondia-lhe já com a convicção de ser uma desculpa esfarrapada:
“Desculpe-me lá vizinho Baptista, o que tenho mal dá para viver mas não tarda nada a minha amiga Adelaide vai-me pagar 1000 Euros que me está devendo e assim que os receber vão logo para si”
Era isto, só que Adelaide se queixava do Valdemar que lhe devia 1000 Euros há um rôr de tempo e assim como é que ela me pagava ?
E assim fomos vivendo em sobressalto com discussões diárias, desculpas sem nexo e noites mal dormidas.
E quando ia assim, pensando nos meus problemas, sem saber como os resolver, a providência interveio.
Ali no chão, à minha frente, encontro uma carteira esquecida, apanho-a e vejo lá dentro, para além dos cartões do dono, 10 notas de 100 Euros, precisamente os mil Euros que eu precisava para pagar ao Baptista.
No dia seguinte quando encontrei o Baptista foi a primeira coisa que fiz: “Sr. Baptista, como vê sou uma pessoa de palavra, tome lá os 1000 Euros que eu lhe devo”, “Muito obrigado caro amigo agora já posso pagar ao Valdemar”, respondeu-me ele.
No outro dia quando estou com a Adelaide diz-me ela: “O Valdemar finalmente pagou-me o que me devia, toma lá os teus 1000 Euros.”
Agradeci, peguei nos 1000 Euros e voltei a metê-los na carteira achada, telefonei ao dono (o contacto estava escrito num cartão de visita que também constava da carteira).
O dono ficou radiante, já tinha perdido a esperança de encontrar a carteira, ainda por cima com o dinheiro dentro, quis-me dar alvíssaras mas eu disse-lhe logo:
“Não se preocupe, o Sr. nem imagina o problema que me resolveu”, daí a bocado batia à minha porta para levar a carteira que prontamente lhe entreguei.
Daí para a frente, nunca mais dormi mal.
2008-10-07
É isto Portugal
É um ponto onde desembocam 5 vias e há carros de todas elas que querem ir para todas elas.
Se quiserem podem ver o filme abaixo que dá uma ideia de como tudo se passa nas horas de maior movimento, vai-se fluindo assim: “com licença, com licença, desculpe lá !”
Nas horas de menor trânsito o problema é ainda maior, o cuidado é menos, a velocidade é mais e ninguém controla simultaneamente todas as 5 vias.
Quando passo próximo dou voltas complicadas apenas para não me arriscar ali.
E isto é conhecido há anos, há estudos feitos, há propostas, há reclamações permanentes, só não há acção, estão certamente à espera que alguém morra, porque é muito mais excitante.
No outro dia, um grupo de cidadãos, pela calada da noite, construíu a rotunda que se impunha e a ordem chegou ao lugar.
Há estudos que a recomendavam mas nem era preciso haver, a vantagem é óbvia, entra pelos olhos dentro, como se pode ver no outro filme que regista a curta vida desta rotunda popular.
O que se passou então: A Sra. Câmara, da inacção, da inércia, do empurra para a frente, do amanhã talvez, teve um surto de actividade, actuou, deu cabo da obra ao fim de 2 dias para dizer quem manda: “rotunda sim mas só quando eu quiser!”.
É por estas e por outras que eu também não voto, só quando me apetecer.
2008-10-04
Acabou o tempo
- Acabou o tempo da facilidade, diz o nosso Sócrates
- Acabou o tempo do emprego para a vida, diz Ferreira Leite
- Acabou o tempo de se poder financiar apenas uma grande ideia, diz Daniel Beça.
- Acabou o tempo de … diz toda a gente.
E dizem tudo isto com um sorriso nos lábios, com a satisfação de quem sabe mais do que os outros, sem se envergonharem do seu próprio fracasso.
Eu espero o dia., que está para breve, em que poderemos dizer: “acabou o tempo de V. Exas !”.
2008-10-03
O estado do Estado
Na questão do casamento homossexual, o PS não dá liberdade de voto aos seus deputados e exige o “não” por falta de oportunidade.
A questão está bem, percebem, só que agora não é oportuno, talvez mais pela tardinha.
Como dizia Eça de Queirós, sobre a reforma da carta constitucional, ainda vamos ver no Borda de Àgua: dizer qualquer coisa como isto: em Outubro planta o repolho mas não aproves o casamento homosexual, espera pelas chuvas de Inverno e por uma noite de lua cheia”.
E, para estas razões tão sérias é claro que não pode haver liberdade de voto, não vá o diabo tecê-las, embora, se a disciplina de voto é a regra, como parece, e se compreende (quem quer ver aquelas luminárias a pensar pela própria cabeça ? e que perigos daí poderiam vir?) o que não se percebe é para quê elegermos tantos deputados, bastava um com um número de votos proporcional à votação, seria muito mais barato e transparente.
2008-09-26
NIRVANA
Os Nirvana foram um efémero incêndio criativo que lavrou de 1987 a 1994, ano em que morreu, com uma aura de mistério, Kurt Cobain, seu vocalista e criador.
Para mim, era um grupo notável, um pequeno oásis de qualidade num deserto de mediocridade.
Com um mínimo de interesse, por aquele tempo, de entre os grupos de rock, mediáticos, apenas me recordo dos The Cure e dos Simple Minds, certamente haveria outros que não me ocorrem.
Como já referi aqui, a minha noção de arte, tem a ver com a comunicação do indizível, o tentar despertar em nós sensações ou sentimentos que pertencem apenas ao nosso imaginário e não se explicam ou transmitem, só através da arte, se tivermos o necessário talento.
A música dos Nirvana transmite-me, faz-me sentir, aquele mal-estar de que falava duas crónicas abaixo, toda a música ou todas as músicas. Ironicamente sempre chamei a todas elas a música dos Nirvana, no singular, por me parecerem todas a mesma, neste contexto, independentemente das diferenças melódicas, rítmicas, de nomes e das letras, em todas elas, sempre aquele mal-estar, aquele absurdo, aquele incómodo, as repetições de palavras ou de frases curtas até à exaustão numa postura quase autista e alienada: stay away, stay away, stay away, stay away …
"In bloom", serve de exemplo como poderia ser qualquer outra, no vídeo torna-se tudo ainda mais aparente, a adesão dos ou das fans, exageradíssima, desproporcionada, idiota e sem sentido e em toda a performance, aquela misturada de ambientes com apelos a diferentes épocas e diferentes contextos, onde tudo está errado, toda aquela sensação de que as coisas não jogam independentemente de tudo funcionar, com um resultado, virtual, quase cómico se não anunciasse a tragédia, aligeirando-a assim, banalizando-a.
A letra é quase uma só ideia repetida várias vezes. Realcei os últimos versos que são todavia iguais a quase todos os outros versos mas a mensagem está lá, repetida, repetida sempre.
In Bloom
Sell the kids for food
Weather changes moods
Spring is here again
Pray for darker grounds
He's the one
He likes all our pretty songs
And he likes to sing along
And he likes to shoot his gun
But he don't know what it means
Don't know what it means
And I say
He's the one
He likes all our pretty songs
And he likes to sing along
And he likes to shoot his gun
But he don't know what it means
Don't know what it means
And I say yea
We can have some more
Nature is a whore
Who's is on a prude (?)
Tender age in bloom
He's the one
He likes all our pretty songs
And he likes to sing along
And he likes to shoot his gun
But he don't know what it means
Don't know what it means
And I say
He's the one
He likes all our pretty songs
And he likes to sing along
And he likes to shoot his gun
But he don't know what it means
Don't know what it means
And I say yea
He's the one
He likes all our pretty songs
And he likes to sing along
And he likes to shoot his gun
But he don't know what it means
Don't know what it means
And I say
He's the one
He likes all our pretty songs
And he likes to sing along
And he likes to shoot his gun
But he don't know what it means
Don't know what it means
Don't know what it means
Don't know what it means
And I say Yea
2008-09-25
Declarações de Sócrates, ontem na assembleia
Estas declarações, demonstraram a sua argúcia (ganância, quem diria ?) e têm a eficácia de quem diz ao leão que o ataca:
- Sr. Leão, por favor, tem que ser menos agressivo !
2008-09-24
A propósito da matança na Finlândia
Não sei se não será o tal mal-estar da civilização que Freud teorizou.
Mas o que é mais triste é constatar como esse sentimento de revolta, profundamente individual, arrasta estes jovens para liquidação, liminar e gratuita de muitos dos seus pares. Os outros.
É como se para esse "Eu", qualquer "Não Eu" se representa como um agente do mundo opressor cuja eliminação, ainda que simbólica, redime.
E é esta alienação total, "só eu existo", esta perda de irmandade com os outros que urge combater a todo os custo.
Deveria estar entranhado nos genes, que nunca, nunca, nunca se pode matar voluntariamente um nosso semelhante, salvo em situações extremas e raras, para evitar a morte de nós próprios ou de outros nossos semelhantes.
Mas como se entranha este valor quando vemos a leviandade com que os próprios Estados com o apoio da opinião pública, aceita essas barbaridades, indignas dos seres humanos racionais que somos e que se chamam “guerra” e “pena de morte”.
Não mais me esqueci de um desses jovens assassinos, ex-militar, declarar na altura da sua prisão.
“Já matei muita gente e fui aplaudido pela sociedade e condecoraram-me por isso, agora que matei pouca gente, condenam-me, porquê ?”
Eu, de facto, também não sei !
2008-09-17
2008-09-16
Afinal a economia é uma ciência oculta
Esses iniciados são os administradores públicos e que por isso mesmo são regiamente pagos, e tem reformas chorudas ao fim de poucos anos.
Nós nem suspeitamos, da concentração, do esforço e do sacrifício que todos aqueles rituais iniciáticos comportam para lhes proporcionar o acesso à luz.
De vez em quando, porém, há uns que se descaem e revelam parte dos seus segredos.
Eu tive a sorte de presenciar um desses momentos de fraqueza de Ferreira de Oliveira, Presidente Executivo da GALP. Muito instado pelos ignorantes jornalistas que na sua pequenez pensavam que sendo a gasolina petróleo refinado, o preço deste iria condicionar o da gasolina.
Ferreira de Oliveira, muito enfadado com toda aquela ignorância nossa de comuns mortais, lá deixou descair parte do segredo revelado e explicou-nos:
Isto do preço do petróleo e o da gasolina não têm nada a ver um com o outro, só um néscio ignorante pode pensar uma coisa destas, é muito natural até que descendo o petróleo, como tem descido, já para baixo da barreira dos 100 Dólares/barril, a gasolina tenha de subir.
E nós que pensávamos que não era assim, temos que dar graças a Deus, de ter nestes lugares quem verdadeiramente sabe destas coisas.
Se calhar nós baixávamos a gasolina e o mundo ainda era capaz de desabar, safa!
2008-09-14
Sobre o conceito de valor 2

Savarin é um nome mítico na comunidade gastronómica, não obstante ter publicado este livro em 1826, há quem veja nele um percursor da ultra moderna cozinha molecular na qual pontua actualmente Ferran Adrià e, por todo o mundo muitos discípulos, entre os quais o nosso excelente Luís Baena, entre outros.
Nesse livro vem narrada uma pequena história que pode suscitar múltiplas reflexões sobre esta questão central: o conceito de valor.
Passo a transcrever, até porque é deliciosa:
“Um dia viajei com duas damas, acompanhando-as até Melun.
Não havíamos partido muito cedo, e chegámos a Montgeron com um apetite que ameaçava destruir tudo.
Vã ameaça: a estalagem onde parámos, embora de boa aparência, esgotara as provisões: três diligências e duas carruagens de correio tinham passado e, como os gafanhotos do Egipto, devorado tudo.
Isto foi o que disse o chef.
No entanto, vi a assar no fogo uma apetitosa perna de carneiro e à qual as senhoras, por hábito, lançavam olhares muito coquette.
Infelizmente, os seus olhares eram mal dirigidos. A perna de carneiro pertencia a três ingleses que a tinham trazido e esperavam sem impaciência que assasse enquanto bebiam champagne.
“Mas pelo menos”, disse eu num tom meio tristonho, meio suplicante, “o senhor podia misturar uns ovos com molho da carne desse carneiro. “Contentávamo-nos com esses ovos e uma chávena de café”. “Com certeza, não há problema” respondeu o chef , “o molho da carne é propriedade nossa por direito, e vou providenciar o que me pede”. E pôs-se logo a abrir os ovos com cuidado.
Quando o vi ocupado, aproximei-me do lume e, tirando do bolso uma faca de viagem, desferi na perna do carneiro proibido uma dúzia de profundos cortes, por onde o suco haveria de escoar até à última gota.
Tive então o cuidado de observar a cozedura dos ovos, para que nenhuma distracção nos viesse prejudicar. Quando estavam no ponto, peguei neles e levei-os para a mesa que nos haviam preparado.
E ali nos regalámos e rimos como loucos, pois na realidade devorámos o substancial da perna de carneiro, deixando aos nossos amigos ingleses apenas o trabalho de mastigar o resíduo.”
Savarin sabia onde estava o valor da perna de carneiro e roubo-o aos ingleses. A história não relata mas, provavelmente, os ingleses, depois de tanto champanhe nem se aperceberam que a perna já tinha perdido o seu valor.
Também nesta questão do bom e do mau existe um efeito de placebo.
2008-09-11
O conceito de valor
O que é bom ou muito bom, o que é ser sofrível, mau, péssimo, por aí fora e isto na arte, nos bens materiais, nas pessoas, em tudo. Como se dá valores as coisas? Será algo universal, haverá o perfeito absoluto? Ou será antes uma mera questão individual de cada um de nós?
“Gostos não se discutem”, diz o povo, certamente porque sabe bem que não há juiz neste domínio, todavia há coisas de que toda ou quase toda a gente gosta e, vice-versa coisas que quase todos desgostamos. Será então uma questão estatística?
Hoje mesmo ouvi Manuel de Oliveira dizer que nem na sua obra, nem em nenhuma filmografia existe essa coisa a que se poderá chamar o filme perfeito, logo a seguir ouvi um admirador de Madona que considera muito próximo da perfeição qualquer coisa que recorde essa mulher, nem que seja uma velha lata de refrigerante com a sua imagem, coisa que eu deitaria para o lixo sem pestanejar. Ainda um pouco depois ou um pouco antes, falaram de umas cuecas de Michael Jackson que vão a leilão por uns milhões de dólares, enfim!
Resolvi então ir à raiz do problema e fui reler o Génesis para ver bem que raio de fruto comeram Eva e Adão arruinando a humanidade daí para diante e com bem poucas contrapartidas, não obstante Deus ter dito que agora, depois de comerem o fruto, eles se tornaram um de nós (DEUS).
Mas conta a bíblia que foi o fruto da árvore da ciência do bem e do mal e mesmo isso nós homens não aprendemos muito bem.
E eu que tinha esperança que fosse da árvore da ciência do bom e do mau, teria resolvido esta minha questão.
Se calhar não havia essa árvore no paraíso!
2008-09-08
A desonestidade intelectual pode chegar ao ponto do ridículo
E porquê ? (vou transcrever exactamente o que está na notícia porque as palavras contam) porque “para produzir 1 Kg de carne de vaca são precisos 9 kg de comida para alimentar o animal. Por isso, mudanças na nossa dieta podem ter um grande efeito na ocupação de terra e na criação de gado – ambos contribuintes importantes para as emissões de gases com efeito de estufa que estão a alterar a composição da atmosfera da terra”.
Compreenderam ?
Eu não, embora saiba que os seres vivos da terra, homens incluídos, são emissores de CO2, aliás se o mundo fosse um deserto sem vida, haveria muito menos ou nenhum CO2 e isto é uma verdade científica insofismável, deve ser o mundo sonhado pelo Sr Pachauri. Sobretudo extinguindo as vacas porque mesmo que nós as não comamos elas, para existirem, continuarão a comer os seus fatidicos 9Kg de comida para fazer um quilo do seu corpo.
Por esta óptica, um genocídio humano em larga escala também contribui para diminuir a emissão de gases com efeito de estufa.
Talvez o Sr. Karadzic possa usar este argumento em seu favor, no fundo no fundo, ainda se vai ver que foi tudo para o bem da humanidade.
2008-09-06
A cerimónia de abertura dos jogos Paraolímpicos
Primeiro aquele seguidismo, bacoco e pacóvia, à língua inglesa:
Em Inglês os jogos são “Paralympics” mas em português são Paraolimpicos ou, quando muito, Parolímpicos, para quem achar complicado as 2 vogais seguidas.
Sacrifique-se o “a” do prefixo e nunca o “o” da palavra principal.
Depois o profundo significado simbólico de toda a cerimónia, demonstrando a tese dos próprios jogos, que a noção de deficiência é relativa, que todos temos deficiências e talentos e há situações em que esse pequeno talento pode ser vital e suprir todas as outras limitações.
A cerimónia da chama paraolímpica foi comovente, no seu simbolismo ao ser conduzida por portadores, com vários tipos de deficiência diferentes, até à apoteose da subida, a pulso, de chama e cadeira de rodas até à pira olímpica (e é irrelevante todos os tipos de ajuda e de segurança tecnológica que terão sido usados) a mensagem simbólica estava lá patente.
O comentador porém só viu nisto um momento de enfado, interminável!
É claramente um comentador deficiente, espero que tenha outros talentos.
2008-09-04
Uma conservadora prafrentex
Mas depois descreviam vários traços biográficos que não me pareciam nada coerentes com as de um conservador empedernido, vejamos.
Ganhou em jovem um concurso de beleza.
Confessou em público que experimentou marijuana
É casada com um Esquimó
Exercia a actividade de pescadora juntamente com o marido
Tem uma filha de 17 anos que se encontra grávida.
Depois os supostos fortes argumentos conservadores:
É contra o aborto, dado que até tem um filho com trissomia 21 e até quis que nascesse apesar de saber que iria nascer assim e parece que diz a toda a gente: “o meu filho não é deficiente só tem um cromossoma a mais.
Defende a liberalização das armas.
A minha questão é a seguinte: será que ser anti-aborto e defender a liberalização do uso de armas é ser conservador ?
Para mim, longe disso, não se podem confundir posições tácticas partidárias, ditadas pela luta política, com meras questões de consciência pessoal que atravessam todo o espectro político.
O que este perfil me sugere é um espirito muito liberal e pouco conservador.
Creio até que Sarah Palin tem a maior virtude de todas e, tão rara que confunde os analistas que não lhe perdoam, não é autómato, pensa pela sua própria cabeça.
2008-09-03
Os políticos deveriam ser responsabilizados por aquilo que dizem
Eu bem sei, e a culpa é muito dele. Ao menos tenha a decência de não se vangloriar disso.
Nós queremos facilidades, cada vez mais facilidades, para dificuldades já bastam as que não se podem evitar.
2. José Eduardo dos Santos em Angola, a propósito das eleições disse que não era necessária alternância de partidos, bastava mudar as políticas erradas e remover os políticos que pensam mais nos seus interesses do que nos do país.
Depreendo que se irá demitir para dar lugar aos outros que põem Angola à frente dos seus interesses, se os houver, é claro.
2008-08-31
Carta de John Cleese à América
Deixo-vos, em primeiro lugar a minha tradução para português mas para que não corra o risco de trair alguma coisa e para que quem domine a lingua de Shakespear possa sentir o sabor original, a seguir segue o, suposto, original em Inglês.
É uma pérola de humor.
Carta à América
Dado a vossa incapacidade de escolher um Presidente dos EUA competente e, portanto de vos governardes, comunicamo-vos por este meio a revogação da vossa independência, com efeitos imediatos.
Sua Majestade Soberana a Rainha Isabel II assumirá os seus direitos reais sobre todos os Estados, comunidades e outros territórios (com excepção do Kansas que não lhe agrada muito) a partir da próxima segunda-feira em diante.
O vosso Primeiro-ministro Gordon Brown, nomeará um governador para a América, sem necessidade de mais eleições. O congresso e o Senado serão dissolvidos. No próximo ano poderá circular um inquérito para verificar se algum de vós notou alguma diferença.
Para facilitar a transição para a dependência da Coroa Britânica, serão introduzidas as seguintes leis que entrarão em vigor imediatamente:
1. Deverão verificar o significado da palavra “revogação” (“revocation”) no Oxford English Diccionary e seguidamente o da palavra “alumínio” (“aluminium”) e consultar um guia de pronúncia. Ficarão estupefactos ao verificar a forma incorrecta como as têm pronunciado.
2. A letra U será reintroduzida em palavras como “colour” “favour” e “neighbour”, também aprenderão a escrever “doughnut” sem desperdiçar metade das letras e o sufixo “ize” será substituído por “ise”.
3. Aprenderão que o sufixo “burgh” se pronuncia “bura”: no entanto poderão alterar a grafia de Pitsburgh para Pitsberg se acharem que a pronúncia correcta é demasiado complicada para vocês.
4. Em geral esperamos que o vosso vocabulário (consultar “vocabulário” - “vocabulary”) cresça para níveis minimamente aceitáveis. Usar as mesmas 27 palavras entremeadas de ruídos de preenchimento como “like” e “you know” é uma prática inaceitável e uma forma incorrecta de comunicação.
5. Não existe essa coisa chamada US-English . Informaremos a Microsoft do facto em vosso nome. O corrector ortográfico do Word será alterado de forma a contemplar a reintrodução do u e a supressão de ize.
6. Reaprenderão o vosso hino original “God Save the Queen” mas apenas após terem cumprido satisfatoriamente o artigo primeiro (ver acima)
7. O 4 de Julho deixará de ser celebrado como feriado. O 2 de Novembro será um novo feriado nacional, celebrado apenas em Inglaterra, será chamado “o dia da desforra”.
8. Aprenderão a resolver as vossas disputas sem utilizar armas, advogados ou psiquiatras. O facto de precisarem tanto de advogados e de psiquiatras mostra que não estão suficientemente maduros para a independência. As armas só devem ser usadas por adultos. Se vocês não são adultos para resolver as questões por vocês próprios sem processar alguém ou falar com um psi, então ainda não cresceram o suficiente para manusear armas.
9. Portanto não vos será mais permitido possuir ou utilizar qualquer coisa mais perigosa do que um descascador de fruta. Contudo ser-vos-á exigida uma licença para utilizar um descascador de fruta em público.
10. Todos os carros americanos serão banidos. São uma merda e isto é para o vosso bem. Quando vos mostrarmos carros alemães vocês perceberão do que estamos a falar.
11. Todos os cruzamentos serão substituídos por rotundas. E começarão imediatamente a conduzir pela esquerda. Também passarão para o sistema métrico imediatamente e sem a ajuda de tábuas de conversão. Quer as rotundas, quer o sistema métrico permitir-vos-á compreender o sentido de humor britânico.
12. Os ex-EUA adoptarão os preços de combustíveis (“petrol”, a que vocês chamam “gasoline”) do Reino Unido – aproximadamente 6 US dólares por um galão. Habituem-se.
13. Aprenderão a fazer autênticas batatas fritas (“chips”). Essa coisa a que chamam batatas fritas (“french fries”) não são autênticas batatas fritas e aquelas coisas a que insistem em chamar “potato chips” chamam-se de facto “crisps”. As verdadeiras batatas fritas são cortadas grossas, fritas em gordura animal e não se acompanham com maionese mas com vinagre.
14. Os empregados e empregadas de mesa serão treinados para serem mais agressivos para com os clientes.
15. Aquela coisa fria e sem gosto a que insistem em chamar cerveja, não tem nada a ver com cerveja. De ora em diante apenas a cerveja inglesa terá o nome de cerveja (“beer”). As cervejas europeias de famosas e reconhecidas procedências serão chamadas de “lager”. As cervejas americanas passarão a ser chamadas “urina de insecto quase congelada”, de forma a que tudo possa ser comercializado sem risco de maiores confusões.
16. A Hollywood será exigido que de vez em quando seleccionem actores ingleses para papéis de bom da fita. Também será exigido que Hollywood seleccione ingleses para representarem papéis de ingleses. Ver Andy McDowell tentar dialogar em inglês nos “4 casamentos e um funeral” foi uma experiência semelhante à de ter as orelhas removidas por um ralador de queijo.
17. Deixarão de jogar futebol americano. Só existe um tipo correcto de futebol; vocês chamam-lhe “soccer”. A alguns de vocês suficientemente corajosos será autorizado a que pratiquem rugby (que tem algumas semelhanças com o vosso futebol mas não implica paragens a cada 20 segundos nem vestir uma armadura de kevlar recobrindo todo o corpo como um bando de mariquinhas “jessies” calão inglês para paneleiros “big girls blouse”)
18. Ainda deixarão de jogar basebol. Não é razoável organizar um evento chamado “campeonato mundial” (“world séries”) para um jogo que não se joga fora da América. Como apenas 2,1% de vós sabe que existe um mundo para além das vossas fronteiras tal erro é compreensível e perdoável.
19. Têm que nos dizer afinal quem matou JFK, antes que fiquemos doidos.
20. Um agente interno das finanças (um cobrador de impostos) do Governo de Sua Majestade será enviado em breve de forma a garantir a cobrança de dívidas que remontam a 1776.
Grato pela vossa compreenção.
John Cleese
John Cleese's Letter to America
In view of your failure to elect a competent President of the USA andthus to govern yourselves, we hereby give notice of the revocation of your independence, effective immediately.
Her Sovereign Majesty, Queen Elizabeth II, will resume monarchicalduties over all states, commonwealths and other territories (exceptKansas , which she does not fancy), as from Monday next.
Your new prime minister, Gordon Brown, will appoint a governor forAmerica without the need for further elections. Congress and the Senatewill be disbanded. A questionnaire may be circulated next year todetermine whether any of you noticed.
To aid in the transition to a British Crown Dependency, the followingrules are introduced with immediate effect:
1. You should look up "revocation" in the Oxford English Dictionary.Then look up "aluminium," and check the pronunciation guide. You will beamazed at just how wrongly you have been pronouncing it.
2. The letter 'U' will be reinstated in words such as 'colour', 'favour'and 'neighbour.' Likewise, you will learn to spell 'doughnut' withoutskipping half the letters, and the suffix "ize" will be replaced by thesuffix "ise."
3. You will learn that the suffix 'burgh' is pronounced 'burra'; you mayelect to respell Pittsburgh as 'Pittsberg' if you find you simply can'tcope with correct pronunciation.
4. Generally, you will be expected to raise your vocabulary toacceptable levels (look up "vocabulary"). Using the same twenty-sevenwords interspersed with filler noises such as "like" and "you know" isan unacceptable and inefficient form of communication.
5. There is no such thing as "US English." We will let Microsoft know onyour behalf. The Microsoft spell-checker will be adjusted to takeaccount of the reinstated letter 'u' and the elimination of "-ize."
6. You will relearn your original national anthem, "God Save The Queen",but only after fully carrying out Task #1 (see above).
7. July 4th will no longer be celebrated as a holiday. November 2nd willbe a new national holiday, but to be celebrated only in England . Itwill be called "Come-Uppance Day."
8. You will learn to resolve personal issues without using guns, lawyersor therapists. The fact that you need so many lawyers and therapistsshows that you're not adult enough to be independent. Guns should onlybe handled by adults. If you're not adult enough to sort things outwithout suing someone or speaking to a therapist then you're not grownup enough to handle a gun.
9. Therefore, you will no longer be allowed to own or carry anythingmore dangerous than a vegetable peeler. A permit will be required if youwish to carry a vegetable peeler in public.
10. All American cars are hereby banned. They are crap and this is foryour own good. When we show you German cars, you will understand what wemean.
11. All intersections will be replaced with roundabouts, and you willstart driving on the left with immediate effect. At the same time, youwill go metric immediately and without the benefit of conversion tables..Both roundabouts and metrication will help you understand the Britishsense of humour.
12. The Former USA will adopt UK prices on petrol (which you have beencalling "gasoline") - roughly $6/US per gallon. Get used to it.
13. You will learn to make real chips. Those things you call Frenchfries are not real chips, and those things you insist on calling potatochips are properly called "crisps." Real chips are thick cut, fried inanimal fat, and dressed not with mayonnaise but with vinegar.
14. Waiters and waitresses will be trained to be more aggressive withcustomers.
15. The cold tasteless stuff you insist on calling beer is not actuallybeer at all. Henceforth, only proper British Bitter will be referred toas "beer," and European brews of known and accepted provenance will bereferred to as "Lager." American brands will be referred to as"Near-Frozen Gnat's Urine," so that all can be sold without risk offurther confusion.
16. Hollywood will be required occasionally to cast English actors asgood guys. Hollywood will also be required to cast English actors toplay English characters. Watching Andie MacDowell attempt Englishdialogue in "Four Weddings and a Funeral" was an experience akin tohaving one's ear removed with a cheese grater.
17. You will cease playing American "football." There is only one kindof proper football; you call it "soccer". Those of you brave enoughwill, in time, will be allowed to play rugby (which has somesimilarities to American "football", but does not involve stopping for arest every twenty seconds or wearing full kevlar body armour like abunch of Jessies - English slang for "Big Girls Blouse").
18. Further, you will stop playing baseball. It is not reasonable tohost an event called the "World Series" for a game which is not playedoutside of America . Since only 2.1% of you are aware that there is aworld beyond your borders, your error is understandable and forgiven.
19. You must tell us who killed JFK. It's been driving us mad.20. An internal revenue agent (i.e. tax collector) from Her Majesty'sGovernment will be with you shortly to ensure the acquisition of allmonies due, backdated to 1776.Thank you for your co-operation.John Cleese
2008-08-29
Já me esquecia de contar
Não é que ela tinha uma Ossétia lindíssima, lustrosa e com muito pelo, embora arisca porque estava sempre a querer fugir.
O Medvedev estava de olho na Ossétia da prima, queria a todo o custo brincar com ela, mas ela não deixava e dizia-lhe sempre “tu já tens uma Ossétia, brinca com a tua”.
O Medvedev porém, certo dia, roubou-a à força e a prima Geórgia começou a chorar e a gritar, refilou à contínua, D. Europa, que estava já farta das brigas dos miúdos e foi-se queixar ao Bush.
Este facto, para além de brigas passadas, também fazia falta para se perceber melhor, o tal namoro do Bush com a Polónia, tudo só para irritar o Medvedev, claro, e o que é certo é que tem conseguido.
2008-08-28
A alta política internacional
Um chama-se Bush, outro era o Putin mas estava cansado ou a avó chamou-o para um bolicau e uns chocapits e ele deixou o amigo Medvedev a jogar por ele.
Depois havia mais meninos, eram o Iraque o Irão e duas meninas que davam pelo nome de Coreia do Norte e Polónia.
A Certa fase do jogo Bush disse com solenidade:
Os maus são o Iraque o Irão e a Coreia do Norte, não os suporto, chamou-lhes mesmo “eixo do mal”.
Depois, chateia o Iraque, deu-lhe mesmo uma chapada grande, e foi insultando a Coreia do Norte e o Irão, dizendo sempre “lá fora comes, tás a ouvir?” mas, no jogo quem ele teme mesmo é o Medvedev e com quem se alia é com a Polónia que já tinha sido amiga do Medvedev, e só para o chatear.
O Medevedev, ainda picado pelo Putin que vinha comendo a sua sandes, fica fulo e diz, “então tua andas a “namorar” a minha ex-namorada, em vez de bateres no Irão e na Coreia do Norte, pá? Espera aí que eu vou buscar a casa o meu míssil transcontinental Topol (que é um grande abafador, perto de um “papa mundo” que só se usa quando estamos irritados) e é para ver se gostas!”
E assim o jogo fica quente e tenso.
O que safa é que a mãe do Bush já o chamou também para o lanche, e o menino Obama e o menino McCain andam a tirar à sorte para ver quem o vai substituir.
E além disso já se está a fazer noite e daqui a pouco vai mas é tudo para a cama.
2008-08-27
Amazónia
É um verdadeiro e muito interessante documento histórico e sobre a condição humana.
A SIC apresentou-a como série semanal para os serões de Domingo, até que um qualquer deus das audiências a foi remetendo para horários cada vez mais tardios, estando agora a ser transmitida ainda aos Domingos, mas não todos, uma ou outra vez aos Sábados, entre as 4 e as 6 da madrugada.
É o que a SIC costuma fazer às melhores produções, é o mesmo que fez à excelente produção de uma TV holandesa “Beauty and Consolation”, só os muito interessados como eu e com meios para isso, vão procurando gravar os episódios, com grandes margens de tempo para garantir que o episódio lá fica, porque mesmo marcada por exemplo para as 4h 15m da manhã pode ser que comece às 4 ou às 4h 45. Nenhum respeito nem pela obra nem pelo espectador.
Espero que, pelo menos no Brasil, tenha sido tratada com maior respeito.
No entanto o que me sugeriu esta crónica é o facto de que um dos personagens que aparece na novela ser o, um pouco esquecido, boémio e poeta do Acre, Juvenal Antunes. Figura interessantíssima e excelente poeta, tal como vem retratado na novela mas também como pude descobrir na net.
O seu poema mais famoso é um notável elogio à preguiça que talvez transcreva aqui um outro dia, por ora deixo-vos este soneto também sábio:
Futilidade
Não me dirás, meu caro, o que é que ganhas
Em trabalhar assim, desde a alvorada,
- Larga a fronte de suores inundada -
Até que o sol se oculte entre as montanhas ?
A vida pode ser simbolizada
Pelo exemplo das moscas e das aranhas;
Ciência, amores, glórias e façanhas
Tudo termina em nada, nada e nada
O gato come o rato; o lobo a ovelha
Pelo micróbio mínimo e perverso,
O homem, que tudo come, é consumido
Nisso o grande ao pequeno se assemelha ...
E o destino de todos, no Universo,
Resume-se em comer e ser comido!
Juvenal Antunes