Eu, que não sou nada festivaleiro e dizia para comigo “só vou quando vier o Bob Dylan”, afinal ele veio e eu também não fui!
Mas ontem fui ver Leonard Cohen, nos seus 74 anos cheios de força e talento, que fizeram esquecer o desconforto de estar de pé, 3 horas, sem ter sequer uma parede para me encostar.
A música já a conhecia, sublime, a poesia linda, os músicos que o acompanharam, todos de alto nível e ele em grande forma.
Todo o concerto foi notável com um ponto fortíssimo: a interpretação de Hallelujah, como nunca a tinha ouvido, apesar de conhecer excelentes interpretações (disponíveis muitas no you tube) como as do próprio Cohen, de Jeff Bucley, de KD Lang, de John Cale e de Allison Crow. A de ontem superou todas.
Para que fique um cheirinho do que se passou ontem deixo aqui o poema de “Bird on the Wire” que ouvi ontem e, em baixo, em vídeo, uma interpretação de “Partisan” que não ouvi ontem mas cujo o tempo e o modo estão mais próximos do concerto de ontem.
“Bird on the Wire”
Like a bird on the wire,
Like a drunk in a midnight choir
I have tried in my way to be free.
Like a worm on a hook,
Like a knight from some old fashioned book
I have saved all my ribbons for thee.
If i, if I have been unkind,
I hope that you can just let it go by.
If i, if I have been untrue
I hope you know it was never to you.
Like a baby, stillborn,
Like a beast with his horn
I have torn everyone
who reached out for me.
But I swear by this song
And by all that I have done wrong
I will make it all up to thee.
I saw a beggar leaning on his wooden crutch,
He said to me, you must not ask for so much.
And a pretty woman leaning in her darkened door,
She cried to me, hey, why not ask for more?
Oh like a bird on the wire,
Like a drunk in a midnight choir
have tried in my way to be free.
2008-07-20
2008-07-17
O discurso de Manuela Ferreira Leite
Do que eu me apercebi dos breves trechos do discurso que me deram a conhecer via rádio a mensagem essencial foi a seguinte:
1. Este governo só faz merda.
2. Quando eu for governo vou fazer igual !?
Como Manuela parece ser uma pessoa sensata, presumo que será também merda mas de alta qualidade.
1. Este governo só faz merda.
2. Quando eu for governo vou fazer igual !?
Como Manuela parece ser uma pessoa sensata, presumo que será também merda mas de alta qualidade.
2008-07-16
Brincando com palavras
Eu, com o meu par, pari, Paris.
Onde plúmbeos pombos pontuam,
Cenário onde o Sena encena a cena,
E a torre torra ao sol.
Paris, Paris, paraíso para isto, para ir
Onde plúmbeos pombos pontuam,
Cenário onde o Sena encena a cena,
E a torre torra ao sol.
Paris, Paris, paraíso para isto, para ir
2008-07-15
O canto da sereia
Fale-me de milhões, doutor
Afague a minha pele com um canto doce
Que me adormeça.
E não precisa atar-me ao mastro,
O canto dessa sereia
Não me desperta o desejo,
Apenas me adormece.
Fale-me de milhões doutor
Transporte-me para a dimensão da fantasia
Porque eu nem sei contar
Estou apenas nesse quotidiano morno
Navegando águas serenas de tédio.
Ouvindo o seu embalo.
Nuno Jordão
Afague a minha pele com um canto doce
Que me adormeça.
E não precisa atar-me ao mastro,
O canto dessa sereia
Não me desperta o desejo,
Apenas me adormece.
Fale-me de milhões doutor
Transporte-me para a dimensão da fantasia
Porque eu nem sei contar
Estou apenas nesse quotidiano morno
Navegando águas serenas de tédio.
Ouvindo o seu embalo.
Nuno Jordão
2008-07-13
Parafraseando Fernando Pessoa
Ao ler o poste abaixo, senti a tentação de me comentar a mim próprio, usando palavras que Fernando Pessoa dirigiu à condição de Major Reformado, no Livro do Desassossego.
Assim eu diria:
“Ser Deputado Europeu parece-me uma coisa ideal. É pena não se poder ter sido eternamente apenas Deputado Europeu.”
Assim eu diria:
“Ser Deputado Europeu parece-me uma coisa ideal. É pena não se poder ter sido eternamente apenas Deputado Europeu.”
2008-07-11
Insensatez
Os Senhores Deputados Europeus, são naturalmente pessoas que viajam muito por toda a Europa, de país para país, seja de avião, seja de carro e naturalmente é nesse viajar que eles sentem um poucochinho dos problemas que o cidadão comum enfrenta em muitos domínios.
Falam muito ao telemóvel de uns para os outros e aperceberam-se que se paga couro e cabelo por chamadas em roaming, daí foram lestos em tomar medidas para que esses custos baixassem e fizeram bem, embora a nós esse problema só nos afectasse de tempos a tempos quando podíamos passear como eles.
Também as tarifas de avião lhes doem e também por isso já se mexeram para tentar baixar as tarifas dentro da Europa e eu também apoio embora pouco me toque.
Mas o creio que um Sr. Deputado exagerou bastante:
Queria ele estabelecer um imposto de 5 cêntimos/Km para todos os pesados que circulam em auto-estrada, não disse mas eu suspeito que esse senhor deputado se sente incomodado quando viaja no seu bólide pelas auto-estradas da Europa com tanto camião a empatar-lhe o caminho e propõe logo tirá-los do caminho, mandá-los para as estrada secundárias, sem se incomodar com os danos económicos que a sua medida provocaria.
Mas nós bem vimos recentemente como o transporte terrestre é actualmente o sangue vital que sustenta a Europa, “se você tem, um camião o trouxe” dizia verdadeiramente um cartaz que há tempos se via nas auto-estradas de França.
Se os pusermos a andar a 20Km/hora, uns atrás dos outros por essa Europa fora, o Sr. Deputado maneja melhor o seu bólide mas a Europa é capaz de morrer de trombose.
Falam muito ao telemóvel de uns para os outros e aperceberam-se que se paga couro e cabelo por chamadas em roaming, daí foram lestos em tomar medidas para que esses custos baixassem e fizeram bem, embora a nós esse problema só nos afectasse de tempos a tempos quando podíamos passear como eles.
Também as tarifas de avião lhes doem e também por isso já se mexeram para tentar baixar as tarifas dentro da Europa e eu também apoio embora pouco me toque.
Mas o creio que um Sr. Deputado exagerou bastante:
Queria ele estabelecer um imposto de 5 cêntimos/Km para todos os pesados que circulam em auto-estrada, não disse mas eu suspeito que esse senhor deputado se sente incomodado quando viaja no seu bólide pelas auto-estradas da Europa com tanto camião a empatar-lhe o caminho e propõe logo tirá-los do caminho, mandá-los para as estrada secundárias, sem se incomodar com os danos económicos que a sua medida provocaria.
Mas nós bem vimos recentemente como o transporte terrestre é actualmente o sangue vital que sustenta a Europa, “se você tem, um camião o trouxe” dizia verdadeiramente um cartaz que há tempos se via nas auto-estradas de França.
Se os pusermos a andar a 20Km/hora, uns atrás dos outros por essa Europa fora, o Sr. Deputado maneja melhor o seu bólide mas a Europa é capaz de morrer de trombose.
2008-07-07
O Conselho de Justiça da FPF
Ou, "a brincadeira de crianças"
7 meninos vão jogar à bola mas, por uma questão de amizades, 5 jogam de um lado contra os outros 2 da outra equipa.
Só que um desses 2 é o dono da bola.
Começa o jogo e os 5 dominam de forma avassaladora.
Que fazer ? pensa o dono da bola, “pelo menos um dos cinco não pode jogar” e assim determina que saia um, os outros opõem-se e gera-se a confusão.
Não vendo saída o dono da bola decide, “a bola é minha e não há jogo para ninguém” e sai com o seu colega de equipe levando a bola.
Os que ficam , raivosos, fazem uma bola de trapos, jogam e ganham sem qualquer oposição..
“Assim não vale” diz o dono da bola, “Vale sim senhor” respondem os outros.
E nós vamos pensando de que meninos gostamos mais e, assim opinamos se valeu ou não.
Para mim valeu.
7 meninos vão jogar à bola mas, por uma questão de amizades, 5 jogam de um lado contra os outros 2 da outra equipa.
Só que um desses 2 é o dono da bola.
Começa o jogo e os 5 dominam de forma avassaladora.
Que fazer ? pensa o dono da bola, “pelo menos um dos cinco não pode jogar” e assim determina que saia um, os outros opõem-se e gera-se a confusão.
Não vendo saída o dono da bola decide, “a bola é minha e não há jogo para ninguém” e sai com o seu colega de equipe levando a bola.
Os que ficam , raivosos, fazem uma bola de trapos, jogam e ganham sem qualquer oposição..
“Assim não vale” diz o dono da bola, “Vale sim senhor” respondem os outros.
E nós vamos pensando de que meninos gostamos mais e, assim opinamos se valeu ou não.
Para mim valeu.
2008-07-04
O jogo
Ontem nos telejornais, tanto na SIC como na TVI e não sei se mais, falou-se e debateu-se o jogo da bolha ou da roda e que mais não é do que uma das milhentas variantes do jogo dos postais.
Em resumo trata-se da formação de uma cadeia contínua em que os novos jogadores vão pagando aos que já lá estão na expectativa de virem a receber dos que entrarem depois.
Este sistema resulta sempre na medida em que haja novos entrantes mas como a população humana é finita, mesmo teoricamente, o sistema nunca pode ser sustentável e haverá sempre um momento em que não haverá novos entrantes e os que entrarem próximo deste final, presumivelmente muitos dado que o crescimento é em progressão geométrica, apenas pagam e não recebem nada.
O único risco está na previsão deste final, deste rebentar da bolha, até lá é lucro garantido.
As regras são portanto conhecidas, o risco calculado e não pode afectar senão a quem jogar.
Todavia, por qualquer razão estranha, quem costuma acabar com o jogo antes que ele desenvolva todo o seu potencial é geralmente a polícia.
Porquê ? não faço ideia, mas eles lá arranjam maneira de considerar isto ilegal, embora não tenha qualquer diferença de qualquer outro investimento especulativo, como os que se fazem na bolsa de valores e nos mercados de futuros, e costumam sempre estragar a festa antes do seu fim, tornando-se assim os maiores especuladores e os mais desonestos, porque têm a capacidade de determinar o fim que é o único elemento de incerteza a ser gerido.
Foi assim com a D. Branca. Eu ganhei com a D. Branca porque tive informações fidedignas sobre o final que se adivinhava pela introdução da polícia e me fez tomar a decisão perfeita de retirar o investimento no momento exacto, o mesmo já se não passou na bolsa de valores onde foi só perder.
Hoje não ligo a estes jogos de risco.
A minha questão é apenas uma: "Perigoso é, sem dúvida mas ilegal porquê ?"
Em resumo trata-se da formação de uma cadeia contínua em que os novos jogadores vão pagando aos que já lá estão na expectativa de virem a receber dos que entrarem depois.
Este sistema resulta sempre na medida em que haja novos entrantes mas como a população humana é finita, mesmo teoricamente, o sistema nunca pode ser sustentável e haverá sempre um momento em que não haverá novos entrantes e os que entrarem próximo deste final, presumivelmente muitos dado que o crescimento é em progressão geométrica, apenas pagam e não recebem nada.
O único risco está na previsão deste final, deste rebentar da bolha, até lá é lucro garantido.
As regras são portanto conhecidas, o risco calculado e não pode afectar senão a quem jogar.
Todavia, por qualquer razão estranha, quem costuma acabar com o jogo antes que ele desenvolva todo o seu potencial é geralmente a polícia.
Porquê ? não faço ideia, mas eles lá arranjam maneira de considerar isto ilegal, embora não tenha qualquer diferença de qualquer outro investimento especulativo, como os que se fazem na bolsa de valores e nos mercados de futuros, e costumam sempre estragar a festa antes do seu fim, tornando-se assim os maiores especuladores e os mais desonestos, porque têm a capacidade de determinar o fim que é o único elemento de incerteza a ser gerido.
Foi assim com a D. Branca. Eu ganhei com a D. Branca porque tive informações fidedignas sobre o final que se adivinhava pela introdução da polícia e me fez tomar a decisão perfeita de retirar o investimento no momento exacto, o mesmo já se não passou na bolsa de valores onde foi só perder.
Hoje não ligo a estes jogos de risco.
A minha questão é apenas uma: "Perigoso é, sem dúvida mas ilegal porquê ?"
2008-07-02
Breve reflexão sobre o poder na sociedade global
Ao procurar um equivalente em português para a expressão “empowerment”, actualmente corrente na problemática do desenvolvimento, o meu pensamento divagou sobre a noção de poder e as suas estruturas na sociedade contemporânea.
Depois reparei que havia alguma inovação na minha divagação e resolvi então resumir os seus aspectos essenciais e publicá-los aqui.
A sociedade humana sempre se organizou em relações de poder, entendendo-se por poder a capacidade de condicionar o comportamento de terceiros.
Quando convido alguém para jantar comigo e esse alguém aceita, posso dizer que tive poder sobre ele porque provoquei a alteração do seu comportamento e este tipo de relações é geralmente útil e desejável por todos dado que muitas vezes até procuramos que esse poder se exerça sobre nós, quando vamos, por exemplo, a um médico precisamente para que ele nos condicione fazendo-nos tomar medicamentos, fazer exames e até alterar rotinas de vida.
Neste tipo de relações todos nós temos momentos de poder sobre terceiros e outros momentos em que somos sujeitos ao poder de terceiros e é assim que vivemos em sociedade.
O problema surge apenas quando esse poder é exercido, sendo guiado exclusivamente pelos interesses do poderoso e contra os interesses do sujeito ao poder e quando se começa a estruturar, de forma, mais ou menos organizadas, em estruturas de poder.
Na sociedade actual há 4 estruturas dominantes de poder, a ver:
O 1º Poder é espiritual, transcendente, metafísico, apoia-se nas nossas crenças e temores, é apropriado por todas as igrejas seitas e religiões.
O 2º Poder provem da força é o do Estado e de todas as suas instituições, e aparelhos repressivos, inclui aquilo a que se chamam os poderes executivo, o legislativo e o judicial, que já foram considerados como poderes autónomos mas que não são mais do que articulações de um mesmo único poder, o poder dos Estados.
O 3º Poder provem do dinheiro e da capacidade económica e do controlo dos recursos, é o poder económico, cada vez mais prevalecente e dominador.
O 4º Poder fundamenta-se no domínio da informação, na formulação das agendas, é o poder dos “media”.
Todos eles têm as suas armas próprias, todos eles se degladiam ou cooperam, às vezes em alianças tácticas e estratégicas, procurando sempre, cada um deles, a hegemonia que quase alcançam por momentos em algumas zonas do mundo:
O 1º Poder é dominante em algumas sociedades, sobretudo islâmicas, o 2º Poder é hegemónico em algumas ditaduras militares, é o 3º poder que tende a controlar o mundo mas que sendo mais “low profile” exerce-se indirectamente, geralmente controlando os restantes poderes e, por último, o 4º poder sempre estrategicamente aliado ao terceiro mas com alguns momentos de independência e de afirmação própria.
A generalidade de nós está ao serviço de alguma destas estruturas de poder mas depois, temos uma vasta massa de deserdados sem poder algum, joguetes nas mãos dos diferentes poderes, utilizados por uns e por outros e por uns contra outros sem que eles próprios possam ter um mínimo de controlo das suas próprias vidas.
E é precisamente para estes que se inventou o tal ”empowerment”, termo muito em voga nas modernas correntes filosóficas do desenvolvimento e que até já tem uma tradução em português, já dicionarizada, pelo menos num dicionário, embora seja ainda ignorada pela maioria: ”empoderamento”.
Consiste afinal no ideal de proporcionar poder aos que não têm poder algum, de forma a permitir-lhes defenderem-se dos restantes poderes e serem assim mais senhores do seu próprio destino.
È uma ideia nobre e generosa, sem dúvida, mas parece apenas retórica, dado que ninguém empondera ninguém de livre vontade, excepto em situações pontuais e efémeras. Apenas em “zonas temporariamente autónomas”, os TAZ, teorizados por Akim Bay.
Por mim, resta-me esperar por um vácuo de poder porque também os há, ás vezes.
Depois reparei que havia alguma inovação na minha divagação e resolvi então resumir os seus aspectos essenciais e publicá-los aqui.
A sociedade humana sempre se organizou em relações de poder, entendendo-se por poder a capacidade de condicionar o comportamento de terceiros.
Quando convido alguém para jantar comigo e esse alguém aceita, posso dizer que tive poder sobre ele porque provoquei a alteração do seu comportamento e este tipo de relações é geralmente útil e desejável por todos dado que muitas vezes até procuramos que esse poder se exerça sobre nós, quando vamos, por exemplo, a um médico precisamente para que ele nos condicione fazendo-nos tomar medicamentos, fazer exames e até alterar rotinas de vida.
Neste tipo de relações todos nós temos momentos de poder sobre terceiros e outros momentos em que somos sujeitos ao poder de terceiros e é assim que vivemos em sociedade.
O problema surge apenas quando esse poder é exercido, sendo guiado exclusivamente pelos interesses do poderoso e contra os interesses do sujeito ao poder e quando se começa a estruturar, de forma, mais ou menos organizadas, em estruturas de poder.
Na sociedade actual há 4 estruturas dominantes de poder, a ver:
O 1º Poder é espiritual, transcendente, metafísico, apoia-se nas nossas crenças e temores, é apropriado por todas as igrejas seitas e religiões.
O 2º Poder provem da força é o do Estado e de todas as suas instituições, e aparelhos repressivos, inclui aquilo a que se chamam os poderes executivo, o legislativo e o judicial, que já foram considerados como poderes autónomos mas que não são mais do que articulações de um mesmo único poder, o poder dos Estados.
O 3º Poder provem do dinheiro e da capacidade económica e do controlo dos recursos, é o poder económico, cada vez mais prevalecente e dominador.
O 4º Poder fundamenta-se no domínio da informação, na formulação das agendas, é o poder dos “media”.
Todos eles têm as suas armas próprias, todos eles se degladiam ou cooperam, às vezes em alianças tácticas e estratégicas, procurando sempre, cada um deles, a hegemonia que quase alcançam por momentos em algumas zonas do mundo:
O 1º Poder é dominante em algumas sociedades, sobretudo islâmicas, o 2º Poder é hegemónico em algumas ditaduras militares, é o 3º poder que tende a controlar o mundo mas que sendo mais “low profile” exerce-se indirectamente, geralmente controlando os restantes poderes e, por último, o 4º poder sempre estrategicamente aliado ao terceiro mas com alguns momentos de independência e de afirmação própria.
A generalidade de nós está ao serviço de alguma destas estruturas de poder mas depois, temos uma vasta massa de deserdados sem poder algum, joguetes nas mãos dos diferentes poderes, utilizados por uns e por outros e por uns contra outros sem que eles próprios possam ter um mínimo de controlo das suas próprias vidas.
E é precisamente para estes que se inventou o tal ”empowerment”, termo muito em voga nas modernas correntes filosóficas do desenvolvimento e que até já tem uma tradução em português, já dicionarizada, pelo menos num dicionário, embora seja ainda ignorada pela maioria: ”empoderamento”.
Consiste afinal no ideal de proporcionar poder aos que não têm poder algum, de forma a permitir-lhes defenderem-se dos restantes poderes e serem assim mais senhores do seu próprio destino.
È uma ideia nobre e generosa, sem dúvida, mas parece apenas retórica, dado que ninguém empondera ninguém de livre vontade, excepto em situações pontuais e efémeras. Apenas em “zonas temporariamente autónomas”, os TAZ, teorizados por Akim Bay.
Por mim, resta-me esperar por um vácuo de poder porque também os há, ás vezes.
2008-06-30
Ontem Marcelo lavou-me a alma
Logo depois da minha crónica abaixo sobre o Ministro da Agricultura, Marcelo Rebelo de Sousa foi ainda mais longe do que eu.
O Sr .Ministro da Agricultura, tem a filosofia do Zé Povinho, só ele Ministro é honesto e trabalhador, todos ou quase todos os agricultores e pescadores são uns párias da sociedade, vivem à custa duns subsídios de Bruxelas, que ele gere, e não querem fazer nenhum.
A sua receita permanente a sua visão política a sua filosofia é: “vão trabalhar malandros”.
Imagine o leitor que o seu banco, aumento para o dobro o seu serviço de dívida, de um dia para o outro, e quando o leitor protesta e tenta uma renegociação da dívida lhe diz assim: “amanhe-se, vá trabalhar à noite se for preciso, aumente a sua competitividade seu caloteiro”, penso que o leitor não gostava, mas é exactamente como este hipotético banco que o Sr. Ministro tem actuado perante a sua clientela de agricultores e pescadores.
Os funcionários não são diferentes dos agricultores e pescadores, é tudo a mesma corja e toca a disponibilizar a torto e a direito sem considerar o que é ou não necessário fazer.
É com esta visão iluminada que o Sr. Ministro tem conduzido o Ministério e foi talvez por isso que Marcelo Rebelo de Sousa, ontem, meses depois do seu medíocre menos, lhe baixa a nota até ao nível da nulidade, o Ministro mais incompetente que já se viu, disse.
Entretanto o Sr Ministro já se queixou à comunicação social, já disse “Oh senhora, aquele menino bateu-me!”
O Sr .Ministro da Agricultura, tem a filosofia do Zé Povinho, só ele Ministro é honesto e trabalhador, todos ou quase todos os agricultores e pescadores são uns párias da sociedade, vivem à custa duns subsídios de Bruxelas, que ele gere, e não querem fazer nenhum.
A sua receita permanente a sua visão política a sua filosofia é: “vão trabalhar malandros”.
Imagine o leitor que o seu banco, aumento para o dobro o seu serviço de dívida, de um dia para o outro, e quando o leitor protesta e tenta uma renegociação da dívida lhe diz assim: “amanhe-se, vá trabalhar à noite se for preciso, aumente a sua competitividade seu caloteiro”, penso que o leitor não gostava, mas é exactamente como este hipotético banco que o Sr. Ministro tem actuado perante a sua clientela de agricultores e pescadores.
Os funcionários não são diferentes dos agricultores e pescadores, é tudo a mesma corja e toca a disponibilizar a torto e a direito sem considerar o que é ou não necessário fazer.
É com esta visão iluminada que o Sr. Ministro tem conduzido o Ministério e foi talvez por isso que Marcelo Rebelo de Sousa, ontem, meses depois do seu medíocre menos, lhe baixa a nota até ao nível da nulidade, o Ministro mais incompetente que já se viu, disse.
Entretanto o Sr Ministro já se queixou à comunicação social, já disse “Oh senhora, aquele menino bateu-me!”
2008-06-27
Mais vale tarde do que nunca
A realidade é que os media nem se apercebem de que existem Ministros da Agricultura e estes lá vão sobrevivendo sem grande esforço e não obstante serem ou não minimamente competentes. Agricultura e desenvolvimento rural ? Who cares !
Jaime Silva tem sido um desastre ambulante, veio com o rótulo de bom e experiente técnico de Bruxelas que ninguém se preocupou em confirmar. Na realidade nem sequer compreende minimamente os objectivos e as medidas da chamada Política Agrícola Comum, PAC em cuja a restruturação agora participa representando Portugal.
A máquina do Ministério tem sido tão bem afinada que já nem funciona minimamente.
Mesmo quando Marcelo Rebelo de Sousa, nas suas notas, lhe deu medíocre menos, ninguém ligou.
Todavia após uma desastrosa carreira, foi apenas a partir de um pequeno “lapsus linguae” que as atenções se voltaram para ele e começaram ver nele um homem a abater.
Antes assim, mais vale tarde do que nunca
Jaime Silva tem sido um desastre ambulante, veio com o rótulo de bom e experiente técnico de Bruxelas que ninguém se preocupou em confirmar. Na realidade nem sequer compreende minimamente os objectivos e as medidas da chamada Política Agrícola Comum, PAC em cuja a restruturação agora participa representando Portugal.
A máquina do Ministério tem sido tão bem afinada que já nem funciona minimamente.
Mesmo quando Marcelo Rebelo de Sousa, nas suas notas, lhe deu medíocre menos, ninguém ligou.
Todavia após uma desastrosa carreira, foi apenas a partir de um pequeno “lapsus linguae” que as atenções se voltaram para ele e começaram ver nele um homem a abater.
Antes assim, mais vale tarde do que nunca
2008-06-23
A viagem
Eu adoro as tecnologias modernas, elas, enfim..., toleram-me. É um pouco como algumas mulheres jovens e bonitas que casam com velhos endinheirados: eles enchem-nas de mimos e atenções, elas são-lhes agradáveis mas não perdem uma ou outra ocasião para lhes ir fazendo sentir que já não têm pedalada para elas e o que lhes interessa mesmo é simplesmente o seu dinheiro e a vida que ele proporciona, são casamentos de interesse, assim é o meu com as NTI.
Nesta viagem fui guiado por GPS e cumpri fielmente as suas indicações mesmo as que me pareciam absurdas, isto até um certo ponto, é claro.
Depois de muitos saltos em Espanha, de autovia para autovia de autovia para autopista e de autopista para autopista e para autovia, sem nunca perceber bem onde estava, foi com satisfação que vi pela primeira vez uma placa que dizia “Francia”, pois foi precisamente aí que o meu GPS me mandou mudar de rumo.
Pensei para comigo “devem haver outras fronteiras para França, talvez o GPS saiba melhor” e obedeci.
Depois de mais autovias e autopistas, vi, de novo, o sinal prometedor “Francia” e, também de novo o GPS me mandou mudar de rumo. Voltei a fazê-lo e tudo se repetiu ainda outra vez até que a comecei a ter, com nitidez, a estranha sensação de “déjà vu”. Foi só depois de pela quarta vez ver a placa que dizia “Francia”, e ver a mesma torre de igreja à direita e tudo o resto igual que percebi finalmente. “o GPS estava a gozar comigo !” estava a manter-me num círculo infernal.
Desobedeci finalmente e segui o letreiro da estrada e é só graças a isso que estou hoje aqui a contar a história, se tivesse sido fiel até ao fim ainda agora estaria às voltas de autovia para autovia.
Nesta viagem fui guiado por GPS e cumpri fielmente as suas indicações mesmo as que me pareciam absurdas, isto até um certo ponto, é claro.
Depois de muitos saltos em Espanha, de autovia para autovia de autovia para autopista e de autopista para autopista e para autovia, sem nunca perceber bem onde estava, foi com satisfação que vi pela primeira vez uma placa que dizia “Francia”, pois foi precisamente aí que o meu GPS me mandou mudar de rumo.
Pensei para comigo “devem haver outras fronteiras para França, talvez o GPS saiba melhor” e obedeci.
Depois de mais autovias e autopistas, vi, de novo, o sinal prometedor “Francia” e, também de novo o GPS me mandou mudar de rumo. Voltei a fazê-lo e tudo se repetiu ainda outra vez até que a comecei a ter, com nitidez, a estranha sensação de “déjà vu”. Foi só depois de pela quarta vez ver a placa que dizia “Francia”, e ver a mesma torre de igreja à direita e tudo o resto igual que percebi finalmente. “o GPS estava a gozar comigo !” estava a manter-me num círculo infernal.
Desobedeci finalmente e segui o letreiro da estrada e é só graças a isso que estou hoje aqui a contar a história, se tivesse sido fiel até ao fim ainda agora estaria às voltas de autovia para autovia.
2008-06-20
Retorno à rotina
Terminou a aventura.
Dediquei estes poucos dias de férias à presença num casamento em Manosque, França mas não foi num casamento, como aqueles em que muitos portugueses participam, de descendentes de familiares em tempos emigrados, não, foi um casamento francês mesmo, da filha Cécile do meu amigo Bernard.
Em todo o caso, a presença permanente da diáspora portuguesa não me deixou esquecer o meu país.
Manosque fica na Provença, não muito longe da Suíça e da Itália, junto aos Alpes franceses e eu parti de Lisboa, de carro, o mais próximo que consegui do ir a pé, que é, para mim, a verdadeira maneira de viajar e de conhecer novas terras. De qualquer forma foi já suficiente para me proporcionar muitas experiências e fontes de reflexão interessantes, algumas das quais darei conta aqui futuramente.
Por agora limito-me a esta constatação da presença portuguesa permanente, na estrada em camiões e carros e nas povoações onde se viam bandeiras portuguesas mesmo nas terras mais insignificantes, suponho eu que devido ao Europeu de futebol, hoje já de saudosa memória, mas também, de forma mais permanente e estrutural. Em Andorra, conversando com uma das recepcionistas portuguesas do hotel, falávamos das línguas desse interessante Principado: dizia-me ela “aqui a língua oficial é o Catalão, a segunda o Castelhano e a terceira...”, “o francês ?”, perguntei-lhe eu, convencido da resposta, “não, a terceira é sem dúvida o português !”.
No casamento, entre os convidados do noivo, lá estava um senhor Martin, filho de um português e de uma mãe francesa que o proibiu sempre de falar português na sua infância (língua menor dos pobres deserdados, pensaria ela) todavia o Sr.Martin fala agora um português fluente, aprendido apenas nas visitas à família e, a sua filha ainda criança, começa já a falá-lo também.
É assim que mesmo maltratado e desprezado pelo poder e graças sobretudo também aos nossos irmãos do Brasil, que são muitos e também estão por todo o lado, o português permanece e fortalece-se enquanto o antes forte e muito apoiado francês mingua e perde terreno.
Dediquei estes poucos dias de férias à presença num casamento em Manosque, França mas não foi num casamento, como aqueles em que muitos portugueses participam, de descendentes de familiares em tempos emigrados, não, foi um casamento francês mesmo, da filha Cécile do meu amigo Bernard.
Em todo o caso, a presença permanente da diáspora portuguesa não me deixou esquecer o meu país.
Manosque fica na Provença, não muito longe da Suíça e da Itália, junto aos Alpes franceses e eu parti de Lisboa, de carro, o mais próximo que consegui do ir a pé, que é, para mim, a verdadeira maneira de viajar e de conhecer novas terras. De qualquer forma foi já suficiente para me proporcionar muitas experiências e fontes de reflexão interessantes, algumas das quais darei conta aqui futuramente.
Por agora limito-me a esta constatação da presença portuguesa permanente, na estrada em camiões e carros e nas povoações onde se viam bandeiras portuguesas mesmo nas terras mais insignificantes, suponho eu que devido ao Europeu de futebol, hoje já de saudosa memória, mas também, de forma mais permanente e estrutural. Em Andorra, conversando com uma das recepcionistas portuguesas do hotel, falávamos das línguas desse interessante Principado: dizia-me ela “aqui a língua oficial é o Catalão, a segunda o Castelhano e a terceira...”, “o francês ?”, perguntei-lhe eu, convencido da resposta, “não, a terceira é sem dúvida o português !”.
No casamento, entre os convidados do noivo, lá estava um senhor Martin, filho de um português e de uma mãe francesa que o proibiu sempre de falar português na sua infância (língua menor dos pobres deserdados, pensaria ela) todavia o Sr.Martin fala agora um português fluente, aprendido apenas nas visitas à família e, a sua filha ainda criança, começa já a falá-lo também.
É assim que mesmo maltratado e desprezado pelo poder e graças sobretudo também aos nossos irmãos do Brasil, que são muitos e também estão por todo o lado, o português permanece e fortalece-se enquanto o antes forte e muito apoiado francês mingua e perde terreno.
2008-06-08
Insólitos tecnológicos
Ontem, antecipando alguns dias de férias que se aproximam, resolvi tratar-me bem.
Acordei tarde, regulei a temperatura do termostato da torneira da banheira, abria-a, esperei calmamente que ela se enchesse, deitei umas gotas de essência de lavanda, entrei no banho, carreguei no botão que liga a hidro-massagem, noutro botão regulei a intensidade para forte, estendi-me na banheira para sentir a massagem, olhar o turbilhão que se gerou, libertando o aroma da lavanda e relaxar.
Foi curto esse prazer, de repente vejo a debater-se com as águas uma mancha castanha, concentro a atenção e destingo mesmo o cadáver de uma enorme barata, das grandes, das californianas, com uns 3 cm de comprimento.
Salto do banho e vejo a água cheia de pequenos resíduos negros, certamente vestígios de lautas refeições deixados pela barata em prejuízo da conservação das borrachas e sei lá que mais que mantem aquele sistema a funcionar.
Descartei-me do cadáver, esvaziei a banheira e limitei-me a tomar um duche rápido reflectindo que é certo que todo o meu plano foi destruído mas a minha vingança foi terrível como a ira de “deus”.
Aquela barata, lutando pela vida, como todos nós, naqueles seus aposentos dentro da canalização da minha hidro-massagem, sofreu, sem sobreviver a um terrível “tsunami” que ficaria na história das baratas se houvesse essa história.
Entretanto também sucumbi ao sentimento da obsolescência psicológica:
Aquele meu velho computador, que ia cumprindo com esforço o seu papel, mas cumprindo sempre, embora já com próteses, e que me lembrava já uma vacaria, troquei‑o pelo painel de controlo de uma nave espacial.
Tem sido uma odisseia a repor todos os programas, endereços, mensagens, vícios, esquisitices que me são já essenciais. Uma grande luta foi com o “pop3” do “gmail”. Queria trazer de novo o “gmail” para o “outlook express”, após várias horas de luta consegui mas qual não foi o meu espanto quando - não, não me saiu uma barata pelos altifalantes- apenas o outlook começou a vomitar todos, mesmo todos, os e-mails que recebi e que enviei desde 2005 e que estavam escondidos nalgum canto escuro do imenso “server” do “gmail”. São vários milhares, debitados em pacotes de aproximadamente 200 de cada vez, neste momento ainda estou em Março de 2007.
Ainda comecei a apagar tudo à medida que chegavam mas depressa me cansei e, depois veio-me a nostalgia de relembrar trocas de e-mails perdidas no tempo.
Alguns que já tinha apagado e esquecido, voltaram agora à minha presença.
Vai-me dar muito trabalho nestas minhas férias mas sabe-me bem esta 2ª oportunidade de reviver o passado, que me foi proporcionada.
Acordei tarde, regulei a temperatura do termostato da torneira da banheira, abria-a, esperei calmamente que ela se enchesse, deitei umas gotas de essência de lavanda, entrei no banho, carreguei no botão que liga a hidro-massagem, noutro botão regulei a intensidade para forte, estendi-me na banheira para sentir a massagem, olhar o turbilhão que se gerou, libertando o aroma da lavanda e relaxar.
Foi curto esse prazer, de repente vejo a debater-se com as águas uma mancha castanha, concentro a atenção e destingo mesmo o cadáver de uma enorme barata, das grandes, das californianas, com uns 3 cm de comprimento.
Salto do banho e vejo a água cheia de pequenos resíduos negros, certamente vestígios de lautas refeições deixados pela barata em prejuízo da conservação das borrachas e sei lá que mais que mantem aquele sistema a funcionar.
Descartei-me do cadáver, esvaziei a banheira e limitei-me a tomar um duche rápido reflectindo que é certo que todo o meu plano foi destruído mas a minha vingança foi terrível como a ira de “deus”.
Aquela barata, lutando pela vida, como todos nós, naqueles seus aposentos dentro da canalização da minha hidro-massagem, sofreu, sem sobreviver a um terrível “tsunami” que ficaria na história das baratas se houvesse essa história.
Entretanto também sucumbi ao sentimento da obsolescência psicológica:
Aquele meu velho computador, que ia cumprindo com esforço o seu papel, mas cumprindo sempre, embora já com próteses, e que me lembrava já uma vacaria, troquei‑o pelo painel de controlo de uma nave espacial.
Tem sido uma odisseia a repor todos os programas, endereços, mensagens, vícios, esquisitices que me são já essenciais. Uma grande luta foi com o “pop3” do “gmail”. Queria trazer de novo o “gmail” para o “outlook express”, após várias horas de luta consegui mas qual não foi o meu espanto quando - não, não me saiu uma barata pelos altifalantes- apenas o outlook começou a vomitar todos, mesmo todos, os e-mails que recebi e que enviei desde 2005 e que estavam escondidos nalgum canto escuro do imenso “server” do “gmail”. São vários milhares, debitados em pacotes de aproximadamente 200 de cada vez, neste momento ainda estou em Março de 2007.
Ainda comecei a apagar tudo à medida que chegavam mas depressa me cansei e, depois veio-me a nostalgia de relembrar trocas de e-mails perdidas no tempo.
Alguns que já tinha apagado e esquecido, voltaram agora à minha presença.
Vai-me dar muito trabalho nestas minhas férias mas sabe-me bem esta 2ª oportunidade de reviver o passado, que me foi proporcionada.
2008-06-07
A clarividência de Vasco Pulido Valente
O brilhantismo de Vasco Pulido Valente chega sempre à mesma conclusão:
São todos meio imbecis e nada serve para nada.
Já sabíamos, obrigado.
São todos meio imbecis e nada serve para nada.
Já sabíamos, obrigado.
2008-06-03
O dinheiro dos nossos impostos
É comum ouvir-se as pessoas referirem-se ao dinheiro do tesouro nacional como o nosso dinheiro.
É falso.
Eu não tenho capacidade para aplicar um cêntimo desse dinheiro em qualquer coisa de útil, não é meu.
Não o confiei ao Estado, livremente para que ele o gerisse por mim, como quem estabelece um contrato do tipo, “eu pago-te isto e tu tapas os buracos que se vão abrindo na minha rua”, não há qualquer contrato ou compromisso associado, não tenho nada a ver com esse dinheiro, foi-me tirado há força no montante e no momento que me impuseram.
Qualquer argumentação que envolva ideias como a de um contrato socialmente implícito, não colhe, não existe qualquer liberdade contratual, não posso nem sequer não aderir, ninguém perguntou a minha opinião nem se eu queria.
A legitimidade do imposto não reside no direito mas na força e é por isso mesmo que se chama “imposto”.
Para quê manter então essa falsa ilusão de que é o nosso dinheiro que está ali a ser (mal) gerido. Uns pensam ingenuamente que com essa chamada de atenção, essa lembrança de que esse dinheiro já foi nosso um dia, comova o governo e o torne conscencioso. Santa ingenuidade, é como pedir ao ladrão que nos rouba: “Sr. ladrão lembre-se que o que o Sr. aí leva é o meu dinheiro, use-o muito bem !”, não creio que o faça.
O pior é que essa argumentação não nos serve para nada, serve os governos, no seu propósito de o gastar a seu bel-prazer. Podem sempre invocar que sim que é muito importante fazer qualquer coisa que me é necessária mas tenho de compreender que esse dinheiro é de todos os portugueses, que há outras prioridades, enfim, que nunca é para o que eu preciso.
Ainda ontem, no “Prós e Contras”, Judite de Sousa cometeu esse erro, lembrar aos pescadores que a justa ajuda que eles reivindicam é paga com o “nosso” dinheiro. È claro que o Secretário de Estado abriu um sorriso de orelha a orelha, nesse momento o problema deixou de ser dele e passou a ser de todos os portugueses, safa !
Argumentos desses só têm uma resposta possível:
Ah O dinheiro é seu D. Judite ? então faça a Sra. o favor de resolver o meu problema.
É falso.
Eu não tenho capacidade para aplicar um cêntimo desse dinheiro em qualquer coisa de útil, não é meu.
Não o confiei ao Estado, livremente para que ele o gerisse por mim, como quem estabelece um contrato do tipo, “eu pago-te isto e tu tapas os buracos que se vão abrindo na minha rua”, não há qualquer contrato ou compromisso associado, não tenho nada a ver com esse dinheiro, foi-me tirado há força no montante e no momento que me impuseram.
Qualquer argumentação que envolva ideias como a de um contrato socialmente implícito, não colhe, não existe qualquer liberdade contratual, não posso nem sequer não aderir, ninguém perguntou a minha opinião nem se eu queria.
A legitimidade do imposto não reside no direito mas na força e é por isso mesmo que se chama “imposto”.
Para quê manter então essa falsa ilusão de que é o nosso dinheiro que está ali a ser (mal) gerido. Uns pensam ingenuamente que com essa chamada de atenção, essa lembrança de que esse dinheiro já foi nosso um dia, comova o governo e o torne conscencioso. Santa ingenuidade, é como pedir ao ladrão que nos rouba: “Sr. ladrão lembre-se que o que o Sr. aí leva é o meu dinheiro, use-o muito bem !”, não creio que o faça.
O pior é que essa argumentação não nos serve para nada, serve os governos, no seu propósito de o gastar a seu bel-prazer. Podem sempre invocar que sim que é muito importante fazer qualquer coisa que me é necessária mas tenho de compreender que esse dinheiro é de todos os portugueses, que há outras prioridades, enfim, que nunca é para o que eu preciso.
Ainda ontem, no “Prós e Contras”, Judite de Sousa cometeu esse erro, lembrar aos pescadores que a justa ajuda que eles reivindicam é paga com o “nosso” dinheiro. È claro que o Secretário de Estado abriu um sorriso de orelha a orelha, nesse momento o problema deixou de ser dele e passou a ser de todos os portugueses, safa !
Argumentos desses só têm uma resposta possível:
Ah O dinheiro é seu D. Judite ? então faça a Sra. o favor de resolver o meu problema.
2008-05-31
A derrota de Santana Lopes
Com a derrota de Santana Lopes perdemos a esperança de almejar a possibilidade de, num tempo razoável, vir a ter o governo que mais se aproxima do ideal anarquista.
Estamos condenados a Sócrates, seja por ele ou por interposta pessoa, por Manuela Ferreira Leite, e com eles cada vez mais nos tornaremos peças descartáveis da terrível máquina que trabalha arduamente na urgente tarefa de não fazer nada.
Estamos condenados a Sócrates, seja por ele ou por interposta pessoa, por Manuela Ferreira Leite, e com eles cada vez mais nos tornaremos peças descartáveis da terrível máquina que trabalha arduamente na urgente tarefa de não fazer nada.
2008-05-30
O verdadeiro caminho
O verdadeiro caminho passa por uma corda esticada não em altura, mas um pouco acima do solo. Parece destinada a fazer tropeçar, não a ser ultrapassada.
Franz Kafka, in “aforismos”
Franz Kafka, in “aforismos”
2008-05-28
O pensamento mágico
Manuela Ferreira Leite repetiu, como todos os autómatos repetem, até já com um pouco de enfado e é apenas nesse enfado que não é autómato, que “os tempos do emprego para vida já acabaram, agora estamos no tempo da precaridade !”
“Então e a insegurança e o planeamento do futuro das nossas vidas ?” perguntamos nós,
“paciência, é o destino, é a vontade do “Deus economicus” a que temos de nos submeter, têm de se habituar”
Parece que o mundo e estas as regras não fomos nós homens que o construímos.
Parece que não está na nossa mão fazer melhor.
Só nos resta então rezar para que a desgraça não se abata sobre nós!
“Então e a insegurança e o planeamento do futuro das nossas vidas ?” perguntamos nós,
“paciência, é o destino, é a vontade do “Deus economicus” a que temos de nos submeter, têm de se habituar”
Parece que o mundo e estas as regras não fomos nós homens que o construímos.
Parece que não está na nossa mão fazer melhor.
Só nos resta então rezar para que a desgraça não se abata sobre nós!
2008-05-27
O arroz do Lidl
Ontem os media saíram-se com uma piada:
A cadeia Lidl tinha decidido “racionar” a venda de arroz a 10kg por pessoa e dia !
Parece evidente que chamar a isto um racionamento não faz qualquer sentido, quem se sentirá limitado no seu legítimo direito de comer arroz com esta limitação a 10Kg dia ?
O Lidl aliás explicou que o que se estava a passar era alguma especulação por parte de algumas pessoas que estavam a comprar arroz para revenda, aproveitando uma relação favorável de preço e, como o Lidl é retalhista naturalmente pretendeu evitar esta subversão especulativa limitando a venda de montantes impróprios de uma venda a retalho, simples medida de gestão portanto e nada de racionamento.
Mas o Ministro é da mesma raça dos jornalistas e não analisa os números nem os contextos, para ele também foi racionamento e toca de chamar a administração do Lidl e fazer parar a justa limitação.
Para o comum dos cidadãos isto nem aqueceu nem arrefeceu, não passaram a comprar nem mais nem menos arroz.
Para os especuladores foi ouro sobre azul. Grande ministro dirão eles.
A cadeia Lidl tinha decidido “racionar” a venda de arroz a 10kg por pessoa e dia !
Parece evidente que chamar a isto um racionamento não faz qualquer sentido, quem se sentirá limitado no seu legítimo direito de comer arroz com esta limitação a 10Kg dia ?
O Lidl aliás explicou que o que se estava a passar era alguma especulação por parte de algumas pessoas que estavam a comprar arroz para revenda, aproveitando uma relação favorável de preço e, como o Lidl é retalhista naturalmente pretendeu evitar esta subversão especulativa limitando a venda de montantes impróprios de uma venda a retalho, simples medida de gestão portanto e nada de racionamento.
Mas o Ministro é da mesma raça dos jornalistas e não analisa os números nem os contextos, para ele também foi racionamento e toca de chamar a administração do Lidl e fazer parar a justa limitação.
Para o comum dos cidadãos isto nem aqueceu nem arrefeceu, não passaram a comprar nem mais nem menos arroz.
Para os especuladores foi ouro sobre azul. Grande ministro dirão eles.
2008-05-25
O problema do caralho
Estou a ler, com enorme prazer o livro do Prof Manuel Curado “Luz misteriosa – A consciência do mundo físico”.
A consciência pode ser estudada a muitos níveis, mas este livro trata do problema (aqui surge a dificuldade) essencial, principal, fundamental, eu sei lá, o problema da consciência mesmo, como diz o autor: “Se somos apenas constituídos por átomos e campos de forças, como é que seres que são desse modo podem sentir qualquer coisa? Afinal, os nossos automóveis, frigoríficos e computadores não sentem o que quer que seja? Por que razão nós sentimos?”.
Este problema em linguagem técnica é chamado “Consciousness: the Hard Problem”.
É assim que é reconhecido pela comunidade científica que se dedica a esta problemática.
Para traduzir para português, Manuel Curado usa a expressão “o problema duro”, e “hard” significa duro, sem dúvida, mas muito mais do que isso e também quer dizer difícil, que é a opção adoptada na própria lombada do livro “o problema mais difícil de todos”
Quando comecei a ler o livro esta questão colocou-se-me, o “duro” do Professor não me parecia correcto em português e difícil também me parecia pobre: “Hard é também trabalhoso, complicado, é muito rico semanticamente mas também muito difuso e pouco preciso.
Comecei então a meditar sobre as exactas palavras em português que expressassem melhor a ideia de “hard problem”, neste contexto, e ocorreram-me aquelas que já referi acima, “essencial”, “principal” etc. mas que também não me satisfaziam totalmente.
Conversando com o meu filho Adriano e explicando-lhe as nuanças semânticas que me preocupavam ele sugeriu-me a tradução, de facto perfeita em portugês, disse-me:
- Pai, isso é o “problema do caralho” e, acertou em cheio.
A consciência pode ser estudada a muitos níveis, mas este livro trata do problema (aqui surge a dificuldade) essencial, principal, fundamental, eu sei lá, o problema da consciência mesmo, como diz o autor: “Se somos apenas constituídos por átomos e campos de forças, como é que seres que são desse modo podem sentir qualquer coisa? Afinal, os nossos automóveis, frigoríficos e computadores não sentem o que quer que seja? Por que razão nós sentimos?”.
Este problema em linguagem técnica é chamado “Consciousness: the Hard Problem”.
É assim que é reconhecido pela comunidade científica que se dedica a esta problemática.
Para traduzir para português, Manuel Curado usa a expressão “o problema duro”, e “hard” significa duro, sem dúvida, mas muito mais do que isso e também quer dizer difícil, que é a opção adoptada na própria lombada do livro “o problema mais difícil de todos”
Quando comecei a ler o livro esta questão colocou-se-me, o “duro” do Professor não me parecia correcto em português e difícil também me parecia pobre: “Hard é também trabalhoso, complicado, é muito rico semanticamente mas também muito difuso e pouco preciso.
Comecei então a meditar sobre as exactas palavras em português que expressassem melhor a ideia de “hard problem”, neste contexto, e ocorreram-me aquelas que já referi acima, “essencial”, “principal” etc. mas que também não me satisfaziam totalmente.
Conversando com o meu filho Adriano e explicando-lhe as nuanças semânticas que me preocupavam ele sugeriu-me a tradução, de facto perfeita em portugês, disse-me:
- Pai, isso é o “problema do caralho” e, acertou em cheio.
2008-05-22
Para perceber Portugal 2
Há exactamente 200 anos, em termos de dias do Corpo de Deus, que se comemora hoje, mas não exactamente há 200 anos porque a festa é móvel e em 1808 caiu a 16 de Junho, Junot preparava-se para assistir à procissão do Corpo de Deus na varanda do seu palácio, na companhia das suas amantes, enquanto a bandeira tricolor estava hasteada em Portugal.
Entretanto a procissão não saía, S.Jorge não podia sair porque não tinha chapéu (o Duque do Cadaval tinha levado o chapéu de S.Jorge, incrustado de jóias para o Brasil) e o próprio Corpo de Deus recusava-se a sair do Sacrário !
O povo gritava “milagre”.
Junot ficou furibundo e teve de ir pessoalmente buscar o Santíssimo Sacramento à Igreja.
Este episódio de terrorismo poético foi o prenúncio da revolta popular que muito desorganizada e corajosamente irrompeu por todo o país e preparou o caminho para o desembarque das forças inglesas que finalmente expulsaram os franceses da nossa pátria.
Entretanto a procissão não saía, S.Jorge não podia sair porque não tinha chapéu (o Duque do Cadaval tinha levado o chapéu de S.Jorge, incrustado de jóias para o Brasil) e o próprio Corpo de Deus recusava-se a sair do Sacrário !
O povo gritava “milagre”.
Junot ficou furibundo e teve de ir pessoalmente buscar o Santíssimo Sacramento à Igreja.
Este episódio de terrorismo poético foi o prenúncio da revolta popular que muito desorganizada e corajosamente irrompeu por todo o país e preparou o caminho para o desembarque das forças inglesas que finalmente expulsaram os franceses da nossa pátria.
2008-05-20
Toda a política é ridícula
O que está a minar os Estados actuais, mais do que todos os tipos de terrorismo, é o crescente ridículo em que eles próprios incorrem.
Não falo só do lado histriónico e hilariante da política do qual temos Jardim, Santana Lopes e no mundo George Bush, Chavez e tantos outros, falo daquele ridículo mais subtil de quem se comporta como quem domina tudo e todos quando, na realidade, nem percebeu onde está e qual é o seu papel e não passa de um títere ainda que sem ninguém na outra ponta dos fios.
É tudo falso e oco.
Os Gatos Fedorentos entre nós, Jon Stewart nos EUA, e tantos outros que nem eu sei por esse mundo fora não têm já que vasculhar o lado cómico das coisas, é só replicar a realidade que assim, fora do contexto original, liberta do seu ridículo latente o perfume do cómico hilariante.
São simples caricaturistas, o humor já lá estava.
Não falo só do lado histriónico e hilariante da política do qual temos Jardim, Santana Lopes e no mundo George Bush, Chavez e tantos outros, falo daquele ridículo mais subtil de quem se comporta como quem domina tudo e todos quando, na realidade, nem percebeu onde está e qual é o seu papel e não passa de um títere ainda que sem ninguém na outra ponta dos fios.
É tudo falso e oco.
Os Gatos Fedorentos entre nós, Jon Stewart nos EUA, e tantos outros que nem eu sei por esse mundo fora não têm já que vasculhar o lado cómico das coisas, é só replicar a realidade que assim, fora do contexto original, liberta do seu ridículo latente o perfume do cómico hilariante.
São simples caricaturistas, o humor já lá estava.
2008-05-18
A situação no PSD
Afinal é mais simples de perceber do que parecia.
A instabilidade, a constante mudança de Líderes, as directas, tudo tem um único objectivo:
Que os sócios paguem o raio das quotas.
Já com Marques Mendes e Menezes tudo rodou em torno das quotas, o que é certo é que muita gente pagou então, fosse por si ou por interposta pessoa.
Foi eleito Menezes e tudo voltou ao ramerrão habitual, as dívidas voltaram a acumular-se, que fazer ?
Novas directas, obviamente, sai Menezes e vêm outros e, segundo nos informou Marcelo Rebelo de Sousa, o pagamento de quotas já disparou.
Com directas de 6 em 6 meses o PSD consegue, talvez, manter a colecta mais ou menos em dia.
A instabilidade, a constante mudança de Líderes, as directas, tudo tem um único objectivo:
Que os sócios paguem o raio das quotas.
Já com Marques Mendes e Menezes tudo rodou em torno das quotas, o que é certo é que muita gente pagou então, fosse por si ou por interposta pessoa.
Foi eleito Menezes e tudo voltou ao ramerrão habitual, as dívidas voltaram a acumular-se, que fazer ?
Novas directas, obviamente, sai Menezes e vêm outros e, segundo nos informou Marcelo Rebelo de Sousa, o pagamento de quotas já disparou.
Com directas de 6 em 6 meses o PSD consegue, talvez, manter a colecta mais ou menos em dia.
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