2008-06-30

Ontem Marcelo lavou-me a alma

Logo depois da minha crónica abaixo sobre o Ministro da Agricultura, Marcelo Rebelo de Sousa foi ainda mais longe do que eu.
O Sr .Ministro da Agricultura, tem a filosofia do Zé Povinho, só ele Ministro é honesto e trabalhador, todos ou quase todos os agricultores e pescadores são uns párias da sociedade, vivem à custa duns subsídios de Bruxelas, que ele gere, e não querem fazer nenhum.
A sua receita permanente a sua visão política a sua filosofia é: “vão trabalhar malandros”.
Imagine o leitor que o seu banco, aumento para o dobro o seu serviço de dívida, de um dia para o outro, e quando o leitor protesta e tenta uma renegociação da dívida lhe diz assim: “amanhe-se, vá trabalhar à noite se for preciso, aumente a sua competitividade seu caloteiro”, penso que o leitor não gostava, mas é exactamente como este hipotético banco que o Sr. Ministro tem actuado perante a sua clientela de agricultores e pescadores.
Os funcionários não são diferentes dos agricultores e pescadores, é tudo a mesma corja e toca a disponibilizar a torto e a direito sem considerar o que é ou não necessário fazer.
É com esta visão iluminada que o Sr. Ministro tem conduzido o Ministério e foi talvez por isso que Marcelo Rebelo de Sousa, ontem, meses depois do seu medíocre menos, lhe baixa a nota até ao nível da nulidade, o Ministro mais incompetente que já se viu, disse.
Entretanto o Sr Ministro já se queixou à comunicação social, já disse “Oh senhora, aquele menino bateu-me!”

Viva a Espanha

Finalmente o coração conseguiu bater o cérebro.
Nós e os Turcos fomos vingados.

2008-06-27

Mais vale tarde do que nunca

A realidade é que os media nem se apercebem de que existem Ministros da Agricultura e estes lá vão sobrevivendo sem grande esforço e não obstante serem ou não minimamente competentes. Agricultura e desenvolvimento rural ? Who cares !
Jaime Silva tem sido um desastre ambulante, veio com o rótulo de bom e experiente técnico de Bruxelas que ninguém se preocupou em confirmar. Na realidade nem sequer compreende minimamente os objectivos e as medidas da chamada Política Agrícola Comum, PAC em cuja a restruturação agora participa representando Portugal.
A máquina do Ministério tem sido tão bem afinada que já nem funciona minimamente.
Mesmo quando Marcelo Rebelo de Sousa, nas suas notas, lhe deu medíocre menos, ninguém ligou.
Todavia após uma desastrosa carreira, foi apenas a partir de um pequeno “lapsus linguae” que as atenções se voltaram para ele e começaram ver nele um homem a abater.
Antes assim, mais vale tarde do que nunca

2008-06-23

A viagem

Eu adoro as tecnologias modernas, elas, enfim..., toleram-me. É um pouco como algumas mulheres jovens e bonitas que casam com velhos endinheirados: eles enchem-nas de mimos e atenções, elas são-lhes agradáveis mas não perdem uma ou outra ocasião para lhes ir fazendo sentir que já não têm pedalada para elas e o que lhes interessa mesmo é simplesmente o seu dinheiro e a vida que ele proporciona, são casamentos de interesse, assim é o meu com as NTI.
Nesta viagem fui guiado por GPS e cumpri fielmente as suas indicações mesmo as que me pareciam absurdas, isto até um certo ponto, é claro.
Depois de muitos saltos em Espanha, de autovia para autovia de autovia para autopista e de autopista para autopista e para autovia, sem nunca perceber bem onde estava, foi com satisfação que vi pela primeira vez uma placa que dizia “Francia”, pois foi precisamente aí que o meu GPS me mandou mudar de rumo.
Pensei para comigo “devem haver outras fronteiras para França, talvez o GPS saiba melhor” e obedeci.
Depois de mais autovias e autopistas, vi, de novo, o sinal prometedor “Francia” e, também de novo o GPS me mandou mudar de rumo. Voltei a fazê-lo e tudo se repetiu ainda outra vez até que a comecei a ter, com nitidez, a estranha sensação de “déjà vu”. Foi só depois de pela quarta vez ver a placa que dizia “Francia”, e ver a mesma torre de igreja à direita e tudo o resto igual que percebi finalmente. “o GPS estava a gozar comigo !” estava a manter-me num círculo infernal.
Desobedeci finalmente e segui o letreiro da estrada e é só graças a isso que estou hoje aqui a contar a história, se tivesse sido fiel até ao fim ainda agora estaria às voltas de autovia para autovia.

2008-06-20

Retorno à rotina

Terminou a aventura.
Dediquei estes poucos dias de férias à presença num casamento em Manosque, França mas não foi num casamento, como aqueles em que muitos portugueses participam, de descendentes de familiares em tempos emigrados, não, foi um casamento francês mesmo, da filha Cécile do meu amigo Bernard.
Em todo o caso, a presença permanente da diáspora portuguesa não me deixou esquecer o meu país.
Manosque fica na Provença, não muito longe da Suíça e da Itália, junto aos Alpes franceses e eu parti de Lisboa, de carro, o mais próximo que consegui do ir a pé, que é, para mim, a verdadeira maneira de viajar e de conhecer novas terras. De qualquer forma foi já suficiente para me proporcionar muitas experiências e fontes de reflexão interessantes, algumas das quais darei conta aqui futuramente.
Por agora limito-me a esta constatação da presença portuguesa permanente, na estrada em camiões e carros e nas povoações onde se viam bandeiras portuguesas mesmo nas terras mais insignificantes, suponho eu que devido ao Europeu de futebol, hoje já de saudosa memória, mas também, de forma mais permanente e estrutural. Em Andorra, conversando com uma das recepcionistas portuguesas do hotel, falávamos das línguas desse interessante Principado: dizia-me ela “aqui a língua oficial é o Catalão, a segunda o Castelhano e a terceira...”, “o francês ?”, perguntei-lhe eu, convencido da resposta, “não, a terceira é sem dúvida o português !”.
No casamento, entre os convidados do noivo, lá estava um senhor Martin, filho de um português e de uma mãe francesa que o proibiu sempre de falar português na sua infância (língua menor dos pobres deserdados, pensaria ela) todavia o Sr.Martin fala agora um português fluente, aprendido apenas nas visitas à família e, a sua filha ainda criança, começa já a falá-lo também.
É assim que mesmo maltratado e desprezado pelo poder e graças sobretudo também aos nossos irmãos do Brasil, que são muitos e também estão por todo o lado, o português permanece e fortalece-se enquanto o antes forte e muito apoiado francês mingua e perde terreno.

2008-06-08

Insólitos tecnológicos

Ontem, antecipando alguns dias de férias que se aproximam, resolvi tratar-me bem.
Acordei tarde, regulei a temperatura do termostato da torneira da banheira, abria-a, esperei calmamente que ela se enchesse, deitei umas gotas de essência de lavanda, entrei no banho, carreguei no botão que liga a hidro-massagem, noutro botão regulei a intensidade para forte, estendi-me na banheira para sentir a massagem, olhar o turbilhão que se gerou, libertando o aroma da lavanda e relaxar.
Foi curto esse prazer, de repente vejo a debater-se com as águas uma mancha castanha, concentro a atenção e destingo mesmo o cadáver de uma enorme barata, das grandes, das californianas, com uns 3 cm de comprimento.
Salto do banho e vejo a água cheia de pequenos resíduos negros, certamente vestígios de lautas refeições deixados pela barata em prejuízo da conservação das borrachas e sei lá que mais que mantem aquele sistema a funcionar.
Descartei-me do cadáver, esvaziei a banheira e limitei-me a tomar um duche rápido reflectindo que é certo que todo o meu plano foi destruído mas a minha vingança foi terrível como a ira de “deus”.
Aquela barata, lutando pela vida, como todos nós, naqueles seus aposentos dentro da canalização da minha hidro-massagem, sofreu, sem sobreviver a um terrível “tsunami” que ficaria na história das baratas se houvesse essa história.

Entretanto também sucumbi ao sentimento da obsolescência psicológica:
Aquele meu velho computador, que ia cumprindo com esforço o seu papel, mas cumprindo sempre, embora já com próteses, e que me lembrava já uma vacaria, troquei‑o pelo painel de controlo de uma nave espacial.
Tem sido uma odisseia a repor todos os programas, endereços, mensagens, vícios, esquisitices que me são já essenciais. Uma grande luta foi com o “pop3” do “gmail”. Queria trazer de novo o “gmail” para o “outlook express”, após várias horas de luta consegui mas qual não foi o meu espanto quando - não, não me saiu uma barata pelos altifalantes- apenas o outlook começou a vomitar todos, mesmo todos, os e-mails que recebi e que enviei desde 2005 e que estavam escondidos nalgum canto escuro do imenso “server” do “gmail”. São vários milhares, debitados em pacotes de aproximadamente 200 de cada vez, neste momento ainda estou em Março de 2007.
Ainda comecei a apagar tudo à medida que chegavam mas depressa me cansei e, depois veio-me a nostalgia de relembrar trocas de e-mails perdidas no tempo.
Alguns que já tinha apagado e esquecido, voltaram agora à minha presença.
Vai-me dar muito trabalho nestas minhas férias mas sabe-me bem esta 2ª oportunidade de reviver o passado, que me foi proporcionada.

2008-06-07

A clarividência de Vasco Pulido Valente

O brilhantismo de Vasco Pulido Valente chega sempre à mesma conclusão:
São todos meio imbecis e nada serve para nada.
Já sabíamos, obrigado.

2008-06-03

O dinheiro dos nossos impostos

É comum ouvir-se as pessoas referirem-se ao dinheiro do tesouro nacional como o nosso dinheiro.
É falso.
Eu não tenho capacidade para aplicar um cêntimo desse dinheiro em qualquer coisa de útil, não é meu.
Não o confiei ao Estado, livremente para que ele o gerisse por mim, como quem estabelece um contrato do tipo, “eu pago-te isto e tu tapas os buracos que se vão abrindo na minha rua”, não há qualquer contrato ou compromisso associado, não tenho nada a ver com esse dinheiro, foi-me tirado há força no montante e no momento que me impuseram.
Qualquer argumentação que envolva ideias como a de um contrato socialmente implícito, não colhe, não existe qualquer liberdade contratual, não posso nem sequer não aderir, ninguém perguntou a minha opinião nem se eu queria.
A legitimidade do imposto não reside no direito mas na força e é por isso mesmo que se chama “imposto”.
Para quê manter então essa falsa ilusão de que é o nosso dinheiro que está ali a ser (mal) gerido. Uns pensam ingenuamente que com essa chamada de atenção, essa lembrança de que esse dinheiro já foi nosso um dia, comova o governo e o torne conscencioso. Santa ingenuidade, é como pedir ao ladrão que nos rouba: “Sr. ladrão lembre-se que o que o Sr. aí leva é o meu dinheiro, use-o muito bem !”, não creio que o faça.
O pior é que essa argumentação não nos serve para nada, serve os governos, no seu propósito de o gastar a seu bel-prazer. Podem sempre invocar que sim que é muito importante fazer qualquer coisa que me é necessária mas tenho de compreender que esse dinheiro é de todos os portugueses, que há outras prioridades, enfim, que nunca é para o que eu preciso.
Ainda ontem, no “Prós e Contras”, Judite de Sousa cometeu esse erro, lembrar aos pescadores que a justa ajuda que eles reivindicam é paga com o “nosso” dinheiro. È claro que o Secretário de Estado abriu um sorriso de orelha a orelha, nesse momento o problema deixou de ser dele e passou a ser de todos os portugueses, safa !
Argumentos desses só têm uma resposta possível:
Ah O dinheiro é seu D. Judite ? então faça a Sra. o favor de resolver o meu problema.

2008-05-31

A derrota de Santana Lopes

Com a derrota de Santana Lopes perdemos a esperança de almejar a possibilidade de, num tempo razoável, vir a ter o governo que mais se aproxima do ideal anarquista.
Estamos condenados a Sócrates, seja por ele ou por interposta pessoa, por Manuela Ferreira Leite, e com eles cada vez mais nos tornaremos peças descartáveis da terrível máquina que trabalha arduamente na urgente tarefa de não fazer nada.

2008-05-30

O verdadeiro caminho

O verdadeiro caminho passa por uma corda esticada não em altura, mas um pouco acima do solo. Parece destinada a fazer tropeçar, não a ser ultrapassada.
Franz Kafka, in “aforismos”

2008-05-28

O pensamento mágico

Manuela Ferreira Leite repetiu, como todos os autómatos repetem, até já com um pouco de enfado e é apenas nesse enfado que não é autómato, que “os tempos do emprego para vida já acabaram, agora estamos no tempo da precaridade !”
“Então e a insegurança e o planeamento do futuro das nossas vidas ?” perguntamos nós,
“paciência, é o destino, é a vontade do “Deus economicus” a que temos de nos submeter, têm de se habituar”
Parece que o mundo e estas as regras não fomos nós homens que o construímos.
Parece que não está na nossa mão fazer melhor.
Só nos resta então rezar para que a desgraça não se abata sobre nós!

2008-05-27

O arroz do Lidl

Ontem os media saíram-se com uma piada:
A cadeia Lidl tinha decidido “racionar” a venda de arroz a 10kg por pessoa e dia !
Parece evidente que chamar a isto um racionamento não faz qualquer sentido, quem se sentirá limitado no seu legítimo direito de comer arroz com esta limitação a 10Kg dia ?
O Lidl aliás explicou que o que se estava a passar era alguma especulação por parte de algumas pessoas que estavam a comprar arroz para revenda, aproveitando uma relação favorável de preço e, como o Lidl é retalhista naturalmente pretendeu evitar esta subversão especulativa limitando a venda de montantes impróprios de uma venda a retalho, simples medida de gestão portanto e nada de racionamento.
Mas o Ministro é da mesma raça dos jornalistas e não analisa os números nem os contextos, para ele também foi racionamento e toca de chamar a administração do Lidl e fazer parar a justa limitação.
Para o comum dos cidadãos isto nem aqueceu nem arrefeceu, não passaram a comprar nem mais nem menos arroz.
Para os especuladores foi ouro sobre azul. Grande ministro dirão eles.

2008-05-25

O problema do caralho

Estou a ler, com enorme prazer o livro do Prof Manuel Curado “Luz misteriosa – A consciência do mundo físico”.
A consciência pode ser estudada a muitos níveis, mas este livro trata do problema (aqui surge a dificuldade) essencial, principal, fundamental, eu sei lá, o problema da consciência mesmo, como diz o autor: “Se somos apenas constituídos por átomos e campos de forças, como é que seres que são desse modo podem sentir qualquer coisa? Afinal, os nossos automóveis, frigoríficos e computadores não sentem o que quer que seja? Por que razão nós sentimos?”.
Este problema em linguagem técnica é chamado “Consciousness: the Hard Problem”.
É assim que é reconhecido pela comunidade científica que se dedica a esta problemática.
Para traduzir para português, Manuel Curado usa a expressão “o problema duro”, e “hard” significa duro, sem dúvida, mas muito mais do que isso e também quer dizer difícil, que é a opção adoptada na própria lombada do livro “o problema mais difícil de todos”
Quando comecei a ler o livro esta questão colocou-se-me, o “duro” do Professor não me parecia correcto em português e difícil também me parecia pobre: “Hard é também trabalhoso, complicado, é muito rico semanticamente mas também muito difuso e pouco preciso.
Comecei então a meditar sobre as exactas palavras em português que expressassem melhor a ideia de “hard problem”, neste contexto, e ocorreram-me aquelas que já referi acima, “essencial”, “principal” etc. mas que também não me satisfaziam totalmente.
Conversando com o meu filho Adriano e explicando-lhe as nuanças semânticas que me preocupavam ele sugeriu-me a tradução, de facto perfeita em portugês, disse-me:
- Pai, isso é o “problema do caralho” e, acertou em cheio.

2008-05-22

Para perceber Portugal 2

Há exactamente 200 anos, em termos de dias do Corpo de Deus, que se comemora hoje, mas não exactamente há 200 anos porque a festa é móvel e em 1808 caiu a 16 de Junho, Junot preparava-se para assistir à procissão do Corpo de Deus na varanda do seu palácio, na companhia das suas amantes, enquanto a bandeira tricolor estava hasteada em Portugal.
Entretanto a procissão não saía, S.Jorge não podia sair porque não tinha chapéu (o Duque do Cadaval tinha levado o chapéu de S.Jorge, incrustado de jóias para o Brasil) e o próprio Corpo de Deus recusava-se a sair do Sacrário !
O povo gritava “milagre”.
Junot ficou furibundo e teve de ir pessoalmente buscar o Santíssimo Sacramento à Igreja.
Este episódio de terrorismo poético foi o prenúncio da revolta popular que muito desorganizada e corajosamente irrompeu por todo o país e preparou o caminho para o desembarque das forças inglesas que finalmente expulsaram os franceses da nossa pátria.

2008-05-20

Toda a política é ridícula

O que está a minar os Estados actuais, mais do que todos os tipos de terrorismo, é o crescente ridículo em que eles próprios incorrem.
Não falo só do lado histriónico e hilariante da política do qual temos Jardim, Santana Lopes e no mundo George Bush, Chavez e tantos outros, falo daquele ridículo mais subtil de quem se comporta como quem domina tudo e todos quando, na realidade, nem percebeu onde está e qual é o seu papel e não passa de um títere ainda que sem ninguém na outra ponta dos fios.
É tudo falso e oco.
Os Gatos Fedorentos entre nós, Jon Stewart nos EUA, e tantos outros que nem eu sei por esse mundo fora não têm já que vasculhar o lado cómico das coisas, é só replicar a realidade que assim, fora do contexto original, liberta do seu ridículo latente o perfume do cómico hilariante.
São simples caricaturistas, o humor já lá estava.

2008-05-18

A situação no PSD

Afinal é mais simples de perceber do que parecia.
A instabilidade, a constante mudança de Líderes, as directas, tudo tem um único objectivo:
Que os sócios paguem o raio das quotas.
Já com Marques Mendes e Menezes tudo rodou em torno das quotas, o que é certo é que muita gente pagou então, fosse por si ou por interposta pessoa.
Foi eleito Menezes e tudo voltou ao ramerrão habitual, as dívidas voltaram a acumular-se, que fazer ?
Novas directas, obviamente, sai Menezes e vêm outros e, segundo nos informou Marcelo Rebelo de Sousa, o pagamento de quotas já disparou.
Com directas de 6 em 6 meses o PSD consegue, talvez, manter a colecta mais ou menos em dia.

2008-05-16

Desta vez o Sócrates irritou-me

Quando há 2 ou 3 dias se falou do insólito cigarro ou cigarros de Sócrates no avião que o levou a Caracas, eu não fiz qualquer comentário. Para dizer a verdade até me agradou aquele traço de humanidade, tão inverosímil, naquele autómato patético.
Eu, quando um dia fretar um avião também hei de impor uma temporária lei do fumo. Aí mando eu, caraças !
Mesmo as “falsas” desculpas e o pio voto de ir deixar de fumar, ficou-lhe bem. Desculpem qualquer coisinha pá !
Agora, em vez de ficar caladinho, chamar aos seus críticos “terroristas calvinistas” passa todas as marcas, tal nível de hipocrisia apela em mim os mais baixos instintos.
Vá pó @#”!&/ seu ?$#&/§ e deixe de gozar connosco.
(não faço a tradução para evitar processos porque eu não ganho para indemnizações)

2008-05-13

Para perceber Portugal

Este excelente livro de Raul Brandão relata, dia a dia, a triste página da nossa história que correspondeu à primeira invasão francesa.
Aí se relata e fundamenta a vergonhosa atitude de colagem ao poder de facto, por parte da nobreza, que não acompanhou a corte na atabalhoada fuga para o Brasil.
Quando, por ordem de Junot, a bandeira nacional foi substituída pela francesa, o governo transitório, nomeado pelo Rei em fuga, participou na cerimónia, só o povo se enfureceu e respondeu com inúmeros motins.
Um notável nessa época era o Conde de Ega, conluiado com Espanha primeiro, enquanto valia o tratado secreto de Fontainebleau que partilhava Portugal e atribuía partes a nobres de Espanha, com os franceses depois, quando Napoleão rasgou esse tratado e pensou em ficar com todo o país no seu domínio.
É desta fase que transcrevo esta passagem exemplar de Raul Brandão:

Ega porém, escreve ainda para a província, para se formularem representações favoráveis a Junot. Isto explica-se por esta única palavra – dinheiro. sente-se, palpita ainda nos seus papéis essa suprema aflição. As letras são aos centos, aos maços; saltam de entre os documentos. São de judeus de Tanger, deste, daquele: não têm conta, não têm fim. Em toda a sua vida há esta ânsia, arranjar dinheiro. Recebeu-o decerto dos espanhóis, recebeu-o dos franceses. Para o obter não recua: a mulher é um meio – vende-a. Vende o Rei, o país, vende o pai, vendia, se pudesse o próprio diabo. Esta nota é dolorosa mas necessária: se o Ega se vende a troco de dinheiro, os outros vendem-se por comodidade. Só no povo – porque o frade é povo também – os franceses encontram resistência. É que os ricos são materialistas, e o pobre esse não hesita – que lhe vale a vida? – e salva-nos. O rico curva-se, roja-se para não perder o gozo e as honras; o pobre é de instinto espiritualista ferrenho. Estranho povo este: mais fundo, mais humilde, melhor. Um pouco de oiro enlameia-o. A massa obscura tem uma grandeza de espanto: logo que dela se destaca, o homem perverte-se.

2008-05-10

Ao que chegámos

O único político que ergue as minhas bandeiras, contra o ministro da agricultura e contra a ASAE é:
Paulo Portas !

2008-05-09

E se houvesse um país governado por uma súcia de Josef Fritzls ?

Assim como este cidadão austríaco é tão destituído de ressonância psicológica que chega ao ponto de encarar a sua própria filha como muitos de nós encaramos um canário que mantemos numa gaiola para nosso deleite, o que seria de um governo que encara o seu povo com menos interesse do que nós atribuímos a uma manada de vacas ?
Mas o pior é que esse governo existe, é o da Birmânia !

2008-05-06

Alípio Ribeiro

O Director da Polícia Judiciária, Alípio Ribeiro,é uma pessoa que se vê, fala com esforço, tudo nele é lento e pesado, o seu discurso é lento e pesado, o emitir 3 palavras articuladas, exige-lhe montões de desgastantes “disparos” pelas sinapses do seu cérebro.
Mesmo assim deu toda uma entrevista ao Diário Económico.
Precisava de compreender bem o que lhe perguntavam, seleccionar as mais apropriadas palavras de resposta e a sua ordem mais conveniente, entre centenas de combinações possíveis, mesmo assim lá conseguiu, mas a que preço ?
Ficou exausto !
Não teve outra solução se não sair do lugar pelo cansaço.
Descanse em paz, desejo-lhe eu.

2008-05-04

A vingança de Malthus

Na passagem do 18º para o 19º séculos Malthus afirmou que havia um problema básico para a humanidade, o crescimento da população, em progressão geométrica, e o crescimento dos produtos alimentares, em progressão aritmética. Chegaria em breve um momento de ruptura.
Resumindo, embora mais motivado por razões religiosos, para Malthus a civilização não tinha futuro.
O que é certo é que o tempo foi passando e as previsões de Malthus foram quase esquecidas, a civilização respondeu com uma impressionante revolução verde que fez progredir a alimentação ao ritmo necessário até que, em algumas partes do chamado 1º mundo, se verificou mesmo um excesso alimentar.
Aldoux Huxley escreveu mesmo, um dia do século XX, a propósito de Malthus, qualquer coisa como isto:
Nunca antes, um espírito tão brilhante como o de Thomas Malthus, tinha sido tão claramente desmentido pela história.
Mas isto foi até há mais ou menos um mês, agora o fantasma de Malthus voltou a afrontar-nos com o inesperado e brutal galope dos preços dos cereais, incluindo o arroz.
Malthus deve-se rir no seu túmulo ou, quem sabe, a civilização dá outro golpe de rins.

2008-05-02

A reforma do Estado

Pedro Paços Coelho diz que o que é preciso é a reforma do Estado, suponho que se refere à “máquina” da administração e não ao Estado em si.
Mas se assim é a imaginação é pouca porque esse é o desejo de todos os Governos, ao ponto de o Estado se ter transformado desde há uns anos num permanente estaleiro de obras.
A precisar de qualquer coisa é de uma forma e não de uma reforma.

2008-04-26

A intrujice da civilização

Esta expressão de Almada Negreiros que eu de vez em quando vou utilizando aqui na esperança de que alguém ouça, está muito bem documentada neste vídeo.
É um pouco longo, mas penso que pode ser visto durante um intervalo de televisão.É muito difícil dizer tantas verdades em tão pouco tempo.

2008-04-25

O acordo ortográfico

“A Egreja é uma architectura temerosa: opprime e esmaga – é esplendida”
Este pequeníssimo texto foi escrito em 1912 por Raul Brandão, não o deito fora de jeito nenhum, entendo-o perfeitamente mas em 11 palavras teria hoje 4 erros de ortografia.
Que importância terá mais este futuro acordo ortográfico ?