Estou a ler, com enorme prazer o livro do Prof Manuel Curado “Luz misteriosa – A consciência do mundo físico”.
A consciência pode ser estudada a muitos níveis, mas este livro trata do problema (aqui surge a dificuldade) essencial, principal, fundamental, eu sei lá, o problema da consciência mesmo, como diz o autor: “Se somos apenas constituídos por átomos e campos de forças, como é que seres que são desse modo podem sentir qualquer coisa? Afinal, os nossos automóveis, frigoríficos e computadores não sentem o que quer que seja? Por que razão nós sentimos?”.
Este problema em linguagem técnica é chamado “Consciousness: the Hard Problem”.
É assim que é reconhecido pela comunidade científica que se dedica a esta problemática.
Para traduzir para português, Manuel Curado usa a expressão “o problema duro”, e “hard” significa duro, sem dúvida, mas muito mais do que isso e também quer dizer difícil, que é a opção adoptada na própria lombada do livro “o problema mais difícil de todos”
Quando comecei a ler o livro esta questão colocou-se-me, o “duro” do Professor não me parecia correcto em português e difícil também me parecia pobre: “Hard é também trabalhoso, complicado, é muito rico semanticamente mas também muito difuso e pouco preciso.
Comecei então a meditar sobre as exactas palavras em português que expressassem melhor a ideia de “hard problem”, neste contexto, e ocorreram-me aquelas que já referi acima, “essencial”, “principal” etc. mas que também não me satisfaziam totalmente.
Conversando com o meu filho Adriano e explicando-lhe as nuanças semânticas que me preocupavam ele sugeriu-me a tradução, de facto perfeita em portugês, disse-me:
- Pai, isso é o “problema do caralho” e, acertou em cheio.
2008-05-25
2008-05-22
Para perceber Portugal 2
Há exactamente 200 anos, em termos de dias do Corpo de Deus, que se comemora hoje, mas não exactamente há 200 anos porque a festa é móvel e em 1808 caiu a 16 de Junho, Junot preparava-se para assistir à procissão do Corpo de Deus na varanda do seu palácio, na companhia das suas amantes, enquanto a bandeira tricolor estava hasteada em Portugal.
Entretanto a procissão não saía, S.Jorge não podia sair porque não tinha chapéu (o Duque do Cadaval tinha levado o chapéu de S.Jorge, incrustado de jóias para o Brasil) e o próprio Corpo de Deus recusava-se a sair do Sacrário !
O povo gritava “milagre”.
Junot ficou furibundo e teve de ir pessoalmente buscar o Santíssimo Sacramento à Igreja.
Este episódio de terrorismo poético foi o prenúncio da revolta popular que muito desorganizada e corajosamente irrompeu por todo o país e preparou o caminho para o desembarque das forças inglesas que finalmente expulsaram os franceses da nossa pátria.
Entretanto a procissão não saía, S.Jorge não podia sair porque não tinha chapéu (o Duque do Cadaval tinha levado o chapéu de S.Jorge, incrustado de jóias para o Brasil) e o próprio Corpo de Deus recusava-se a sair do Sacrário !
O povo gritava “milagre”.
Junot ficou furibundo e teve de ir pessoalmente buscar o Santíssimo Sacramento à Igreja.
Este episódio de terrorismo poético foi o prenúncio da revolta popular que muito desorganizada e corajosamente irrompeu por todo o país e preparou o caminho para o desembarque das forças inglesas que finalmente expulsaram os franceses da nossa pátria.
2008-05-20
Toda a política é ridícula
O que está a minar os Estados actuais, mais do que todos os tipos de terrorismo, é o crescente ridículo em que eles próprios incorrem.
Não falo só do lado histriónico e hilariante da política do qual temos Jardim, Santana Lopes e no mundo George Bush, Chavez e tantos outros, falo daquele ridículo mais subtil de quem se comporta como quem domina tudo e todos quando, na realidade, nem percebeu onde está e qual é o seu papel e não passa de um títere ainda que sem ninguém na outra ponta dos fios.
É tudo falso e oco.
Os Gatos Fedorentos entre nós, Jon Stewart nos EUA, e tantos outros que nem eu sei por esse mundo fora não têm já que vasculhar o lado cómico das coisas, é só replicar a realidade que assim, fora do contexto original, liberta do seu ridículo latente o perfume do cómico hilariante.
São simples caricaturistas, o humor já lá estava.
Não falo só do lado histriónico e hilariante da política do qual temos Jardim, Santana Lopes e no mundo George Bush, Chavez e tantos outros, falo daquele ridículo mais subtil de quem se comporta como quem domina tudo e todos quando, na realidade, nem percebeu onde está e qual é o seu papel e não passa de um títere ainda que sem ninguém na outra ponta dos fios.
É tudo falso e oco.
Os Gatos Fedorentos entre nós, Jon Stewart nos EUA, e tantos outros que nem eu sei por esse mundo fora não têm já que vasculhar o lado cómico das coisas, é só replicar a realidade que assim, fora do contexto original, liberta do seu ridículo latente o perfume do cómico hilariante.
São simples caricaturistas, o humor já lá estava.
2008-05-18
A situação no PSD
Afinal é mais simples de perceber do que parecia.
A instabilidade, a constante mudança de Líderes, as directas, tudo tem um único objectivo:
Que os sócios paguem o raio das quotas.
Já com Marques Mendes e Menezes tudo rodou em torno das quotas, o que é certo é que muita gente pagou então, fosse por si ou por interposta pessoa.
Foi eleito Menezes e tudo voltou ao ramerrão habitual, as dívidas voltaram a acumular-se, que fazer ?
Novas directas, obviamente, sai Menezes e vêm outros e, segundo nos informou Marcelo Rebelo de Sousa, o pagamento de quotas já disparou.
Com directas de 6 em 6 meses o PSD consegue, talvez, manter a colecta mais ou menos em dia.
A instabilidade, a constante mudança de Líderes, as directas, tudo tem um único objectivo:
Que os sócios paguem o raio das quotas.
Já com Marques Mendes e Menezes tudo rodou em torno das quotas, o que é certo é que muita gente pagou então, fosse por si ou por interposta pessoa.
Foi eleito Menezes e tudo voltou ao ramerrão habitual, as dívidas voltaram a acumular-se, que fazer ?
Novas directas, obviamente, sai Menezes e vêm outros e, segundo nos informou Marcelo Rebelo de Sousa, o pagamento de quotas já disparou.
Com directas de 6 em 6 meses o PSD consegue, talvez, manter a colecta mais ou menos em dia.
2008-05-16
Desta vez o Sócrates irritou-me
Quando há 2 ou 3 dias se falou do insólito cigarro ou cigarros de Sócrates no avião que o levou a Caracas, eu não fiz qualquer comentário. Para dizer a verdade até me agradou aquele traço de humanidade, tão inverosímil, naquele autómato patético.
Eu, quando um dia fretar um avião também hei de impor uma temporária lei do fumo. Aí mando eu, caraças !
Mesmo as “falsas” desculpas e o pio voto de ir deixar de fumar, ficou-lhe bem. Desculpem qualquer coisinha pá !
Agora, em vez de ficar caladinho, chamar aos seus críticos “terroristas calvinistas” passa todas as marcas, tal nível de hipocrisia apela em mim os mais baixos instintos.
Vá pó @#”!&/ seu ?$#&/§ e deixe de gozar connosco.
(não faço a tradução para evitar processos porque eu não ganho para indemnizações)
Eu, quando um dia fretar um avião também hei de impor uma temporária lei do fumo. Aí mando eu, caraças !
Mesmo as “falsas” desculpas e o pio voto de ir deixar de fumar, ficou-lhe bem. Desculpem qualquer coisinha pá !
Agora, em vez de ficar caladinho, chamar aos seus críticos “terroristas calvinistas” passa todas as marcas, tal nível de hipocrisia apela em mim os mais baixos instintos.
Vá pó @#”!&/ seu ?$#&/§ e deixe de gozar connosco.
(não faço a tradução para evitar processos porque eu não ganho para indemnizações)
2008-05-13
Para perceber Portugal
Este excelente livro de Raul Brandão relata, dia a dia, a triste página da nossa história que correspondeu à primeira invasão francesa.Aí se relata e fundamenta a vergonhosa atitude de colagem ao poder de facto, por parte da nobreza, que não acompanhou a corte na atabalhoada fuga para o Brasil.
Quando, por ordem de Junot, a bandeira nacional foi substituída pela francesa, o governo transitório, nomeado pelo Rei em fuga, participou na cerimónia, só o povo se enfureceu e respondeu com inúmeros motins.
Um notável nessa época era o Conde de Ega, conluiado com Espanha primeiro, enquanto valia o tratado secreto de Fontainebleau que partilhava Portugal e atribuía partes a nobres de Espanha, com os franceses depois, quando Napoleão rasgou esse tratado e pensou em ficar com todo o país no seu domínio.
É desta fase que transcrevo esta passagem exemplar de Raul Brandão:
Ega porém, escreve ainda para a província, para se formularem representações favoráveis a Junot. Isto explica-se por esta única palavra – dinheiro. sente-se, palpita ainda nos seus papéis essa suprema aflição. As letras são aos centos, aos maços; saltam de entre os documentos. São de judeus de Tanger, deste, daquele: não têm conta, não têm fim. Em toda a sua vida há esta ânsia, arranjar dinheiro. Recebeu-o decerto dos espanhóis, recebeu-o dos franceses. Para o obter não recua: a mulher é um meio – vende-a. Vende o Rei, o país, vende o pai, vendia, se pudesse o próprio diabo. Esta nota é dolorosa mas necessária: se o Ega se vende a troco de dinheiro, os outros vendem-se por comodidade. Só no povo – porque o frade é povo também – os franceses encontram resistência. É que os ricos são materialistas, e o pobre esse não hesita – que lhe vale a vida? – e salva-nos. O rico curva-se, roja-se para não perder o gozo e as honras; o pobre é de instinto espiritualista ferrenho. Estranho povo este: mais fundo, mais humilde, melhor. Um pouco de oiro enlameia-o. A massa obscura tem uma grandeza de espanto: logo que dela se destaca, o homem perverte-se.
2008-05-10
Ao que chegámos
O único político que ergue as minhas bandeiras, contra o ministro da agricultura e contra a ASAE é:
Paulo Portas !
Paulo Portas !
2008-05-09
E se houvesse um país governado por uma súcia de Josef Fritzls ?
Assim como este cidadão austríaco é tão destituído de ressonância psicológica que chega ao ponto de encarar a sua própria filha como muitos de nós encaramos um canário que mantemos numa gaiola para nosso deleite, o que seria de um governo que encara o seu povo com menos interesse do que nós atribuímos a uma manada de vacas ?
Mas o pior é que esse governo existe, é o da Birmânia !
Mas o pior é que esse governo existe, é o da Birmânia !
2008-05-06
Alípio Ribeiro
O Director da Polícia Judiciária, Alípio Ribeiro,é uma pessoa que se vê, fala com esforço, tudo nele é lento e pesado, o seu discurso é lento e pesado, o emitir 3 palavras articuladas, exige-lhe montões de desgastantes “disparos” pelas sinapses do seu cérebro.
Mesmo assim deu toda uma entrevista ao Diário Económico.
Precisava de compreender bem o que lhe perguntavam, seleccionar as mais apropriadas palavras de resposta e a sua ordem mais conveniente, entre centenas de combinações possíveis, mesmo assim lá conseguiu, mas a que preço ?
Ficou exausto !
Não teve outra solução se não sair do lugar pelo cansaço.
Descanse em paz, desejo-lhe eu.
Mesmo assim deu toda uma entrevista ao Diário Económico.
Precisava de compreender bem o que lhe perguntavam, seleccionar as mais apropriadas palavras de resposta e a sua ordem mais conveniente, entre centenas de combinações possíveis, mesmo assim lá conseguiu, mas a que preço ?
Ficou exausto !
Não teve outra solução se não sair do lugar pelo cansaço.
Descanse em paz, desejo-lhe eu.
2008-05-04
A vingança de Malthus
Na passagem do 18º para o 19º séculos Malthus afirmou que havia um problema básico para a humanidade, o crescimento da população, em progressão geométrica, e o crescimento dos produtos alimentares, em progressão aritmética. Chegaria em breve um momento de ruptura.
Resumindo, embora mais motivado por razões religiosos, para Malthus a civilização não tinha futuro.
O que é certo é que o tempo foi passando e as previsões de Malthus foram quase esquecidas, a civilização respondeu com uma impressionante revolução verde que fez progredir a alimentação ao ritmo necessário até que, em algumas partes do chamado 1º mundo, se verificou mesmo um excesso alimentar.
Aldoux Huxley escreveu mesmo, um dia do século XX, a propósito de Malthus, qualquer coisa como isto:
Nunca antes, um espírito tão brilhante como o de Thomas Malthus, tinha sido tão claramente desmentido pela história.
Mas isto foi até há mais ou menos um mês, agora o fantasma de Malthus voltou a afrontar-nos com o inesperado e brutal galope dos preços dos cereais, incluindo o arroz.
Malthus deve-se rir no seu túmulo ou, quem sabe, a civilização dá outro golpe de rins.
Resumindo, embora mais motivado por razões religiosos, para Malthus a civilização não tinha futuro.
O que é certo é que o tempo foi passando e as previsões de Malthus foram quase esquecidas, a civilização respondeu com uma impressionante revolução verde que fez progredir a alimentação ao ritmo necessário até que, em algumas partes do chamado 1º mundo, se verificou mesmo um excesso alimentar.
Aldoux Huxley escreveu mesmo, um dia do século XX, a propósito de Malthus, qualquer coisa como isto:
Nunca antes, um espírito tão brilhante como o de Thomas Malthus, tinha sido tão claramente desmentido pela história.
Mas isto foi até há mais ou menos um mês, agora o fantasma de Malthus voltou a afrontar-nos com o inesperado e brutal galope dos preços dos cereais, incluindo o arroz.
Malthus deve-se rir no seu túmulo ou, quem sabe, a civilização dá outro golpe de rins.
2008-05-02
A reforma do Estado
Pedro Paços Coelho diz que o que é preciso é a reforma do Estado, suponho que se refere à “máquina” da administração e não ao Estado em si.
Mas se assim é a imaginação é pouca porque esse é o desejo de todos os Governos, ao ponto de o Estado se ter transformado desde há uns anos num permanente estaleiro de obras.
A precisar de qualquer coisa é de uma forma e não de uma reforma.
Mas se assim é a imaginação é pouca porque esse é o desejo de todos os Governos, ao ponto de o Estado se ter transformado desde há uns anos num permanente estaleiro de obras.
A precisar de qualquer coisa é de uma forma e não de uma reforma.
2008-04-26
A intrujice da civilização
Esta expressão de Almada Negreiros que eu de vez em quando vou utilizando aqui na esperança de que alguém ouça, está muito bem documentada neste vídeo.
É um pouco longo, mas penso que pode ser visto durante um intervalo de televisão.É muito difícil dizer tantas verdades em tão pouco tempo.
É um pouco longo, mas penso que pode ser visto durante um intervalo de televisão.É muito difícil dizer tantas verdades em tão pouco tempo.
2008-04-25
O acordo ortográfico
“A Egreja é uma architectura temerosa: opprime e esmaga – é esplendida”
Este pequeníssimo texto foi escrito em 1912 por Raul Brandão, não o deito fora de jeito nenhum, entendo-o perfeitamente mas em 11 palavras teria hoje 4 erros de ortografia.
Que importância terá mais este futuro acordo ortográfico ?
Este pequeníssimo texto foi escrito em 1912 por Raul Brandão, não o deito fora de jeito nenhum, entendo-o perfeitamente mas em 11 palavras teria hoje 4 erros de ortografia.
Que importância terá mais este futuro acordo ortográfico ?
Pensamentos á volta de umas imagens
Ao ver as imagens abaixo vários pensamentos acorreram ao meu consciente:
Um famoso, para mim famoso, texto de Francisco Sousa Tavares pai de Miguel, escrito pouco tempo antes de morrer, a propósito da restituição de alguns “direitos” a ex-PIDES e da vergonhosa recusa em o fazer relativamente à viúva de Salgueiro Maia.
Foi um texto violento e certeiro, pançudos foi um dos adjectivos que usou para qualificar as altas patentes militares.
Ao ver a dignidade de Carme Chacon tomando o lugar daqueles pançudos, notei a ironia daquela cena, há pançudos de displicência, de ignomínia mas há também pançudos, neste caso pançuda de generosidade e de esperança.
Também ocorreu ao meu espírito a Secretária de Estado da Defesa, acho que era este o título, do governo de Durão Barroso, explicar a sua competência para o cargo com o facto de ser neta de um General !?
Um famoso, para mim famoso, texto de Francisco Sousa Tavares pai de Miguel, escrito pouco tempo antes de morrer, a propósito da restituição de alguns “direitos” a ex-PIDES e da vergonhosa recusa em o fazer relativamente à viúva de Salgueiro Maia.
Foi um texto violento e certeiro, pançudos foi um dos adjectivos que usou para qualificar as altas patentes militares.
Ao ver a dignidade de Carme Chacon tomando o lugar daqueles pançudos, notei a ironia daquela cena, há pançudos de displicência, de ignomínia mas há também pançudos, neste caso pançuda de generosidade e de esperança.
Também ocorreu ao meu espírito a Secretária de Estado da Defesa, acho que era este o título, do governo de Durão Barroso, explicar a sua competência para o cargo com o facto de ser neta de um General !?
2008-04-23
As directas do PPD-PSD 2
Os média babam como lobos em volta de uma presa, sôfregos de duas candidaturas que tardam e que iriam alimentar as vendas e fazer correr rios de tinta::
A de Alberto João Jardim e a de Pedro Santana Lopes.
Estes vão saltitando e esquivando-se sem se aperceberem que são presas e que só o que querem deles é uma dentada suculenta na sua inverosimilhança.
Palhaços !
A de Alberto João Jardim e a de Pedro Santana Lopes.
Estes vão saltitando e esquivando-se sem se aperceberem que são presas e que só o que querem deles é uma dentada suculenta na sua inverosimilhança.
Palhaços !
O peso das palavras
Durante anos viajei num comboio que ostentava à sua frente estas palavras:
“Destino Rato”.
Nunca vi naquele Rato o velho largo de Lisboa para onde o comboio se dirigia.
Nunca vi tampouco o animal peludo e irrequieto que se chama rato.
Aquele rato, no comboio, sempre foi, para mim, um atributo que classificava aquele seu destino de viver uma vida obscura, percorrendo túneis, correndo, correndo sempre sem destino ou com um destino rato, até morrer um dia.
Agora, já só raramente tomo esse comboio.
Agora soo dirigir-me para “Roma-Arieiro”.
Conforme os dias e o estado de espírito ora desembarco na cidade imperial soterrada por uma duna gigantesca, ora na imaginária praia, que Roma e todas as cidades têm por baixo da calçada.
“Destino Rato”.
Nunca vi naquele Rato o velho largo de Lisboa para onde o comboio se dirigia.
Nunca vi tampouco o animal peludo e irrequieto que se chama rato.
Aquele rato, no comboio, sempre foi, para mim, um atributo que classificava aquele seu destino de viver uma vida obscura, percorrendo túneis, correndo, correndo sempre sem destino ou com um destino rato, até morrer um dia.
Agora, já só raramente tomo esse comboio.
Agora soo dirigir-me para “Roma-Arieiro”.
Conforme os dias e o estado de espírito ora desembarco na cidade imperial soterrada por uma duna gigantesca, ora na imaginária praia, que Roma e todas as cidades têm por baixo da calçada.
2008-04-22
As directas do PPD-PSD
Todo este assunto não passava de tricas de comadres até aparecer na história Manuela Ferreira Leite.
A mais valia de Manuela Ferreira Leite é que mais valia ter ficado quietinha no seu eterno papel de fantasma competente.
A competência de Manuela Ferreira Leite é assustadora.
Ela vai e faz mesmo.
Na Educação deu-nos as propinas, nas Finanças a presunção: “ganhaste ou não, não quero saber, paga”, “não foste tu foi o teu pai, paga”.
E nós pagamos!
Manuela Ferreira Leite é um Sócrates feminino mas em pior e o pior é que é bem capaz de ganhar as directas.
A mais valia de Manuela Ferreira Leite é que mais valia ter ficado quietinha no seu eterno papel de fantasma competente.
A competência de Manuela Ferreira Leite é assustadora.
Ela vai e faz mesmo.
Na Educação deu-nos as propinas, nas Finanças a presunção: “ganhaste ou não, não quero saber, paga”, “não foste tu foi o teu pai, paga”.
E nós pagamos!
Manuela Ferreira Leite é um Sócrates feminino mas em pior e o pior é que é bem capaz de ganhar as directas.
2008-04-20
Coco Rosie
Provando que para se fazer arte não são precisos meios sofisticados, basta ter a arte consigo.
2008-04-19
Things have changed
Almoçando com a minha filha Joana, falei-lhe do poste abaixo que acabava de publicar e sobretudo do facto a que ele se referia.
Joana ainda não tinha visto o anúncio mas lembrou-me aquela música mais recente de Bob Dylan, feita para o filme “Wonder Boys” e que até ganhou o Oscar de melhor música: “I used to care but things have changed”, diz ele aí.
Lembro-me que ao receber esse Oscar, através de vídeo porque Bob Dylan, naturalmente não esteve na cerimónia, disse que agradecia mas estranhava, certamente não tinham compreendido a música.
Fui reler a letra e penso que a compreendi, talvez esteja aqui de facto a resposta à questão que levantei.
A letra está aqui:
Things have changed
A worried man with a worried mind
No one in front of me and nothing behind
There's a woman on my lap and she's drinking champagne
Got white skin, got assassin's eyes
I'm looking up into the sapphire tinted skies
I'm well dressed, waiting on the last train
Standing on the gallows with my head in a noose
Any minute now I'm expecting all hell to break loose
People are crazy and times are strange
I'm locked in tight, I'm out of range
I used to care, but things have changed
This place ain't doing me any good
I'm in the wrong town, I should be in Hollywood
Just for a second there I thought I saw something move
Gonna take dancing lessons do the jitterbug rag
Ain't no shortcuts, gonna dress in drag
Only a fool in here would think he's got anything to prove
Lot of water under the bridge, Lot of other stuff too
Don't get up gentlemen, I'm only passing through
People are crazy and times are strange
I'm locked in tight, I'm out of range
I used to care, but things have changed
I've been walking forty miles of bad road
If the bible is right, the world will explode
I've been trying to get as far away from myself as I can
Some things are too hot to touch
The human mind can only stand so much
You can't win with a losing hand
Feel like falling in love with the first woman I meet
Putting her in a wheel barrow and wheeling her down the street
People are crazy and times are strange
I'm locked in tight, I'm out of range
I used to care, but things have changed
I hurt easy, I just don't show it
You can hurt someone and not even know it
The next sixty seconds could be like an eternity
Gonna get low down, gonna fly high
All the truth in the world adds up to one big lie
I'm in love with a woman who don't even appeal to me
Mr. Jinx and Miss Lucy, they jumped in the lake
I'm not that eager to make a mistake
People are crazy and times are strange
I'm locked in tight, I'm out of range
I used to care, but things have changed
Podem ver a interpretação no You tube, visto que foi negada a possibilidade de o transpor para aqui.
Joana ainda não tinha visto o anúncio mas lembrou-me aquela música mais recente de Bob Dylan, feita para o filme “Wonder Boys” e que até ganhou o Oscar de melhor música: “I used to care but things have changed”, diz ele aí.
Lembro-me que ao receber esse Oscar, através de vídeo porque Bob Dylan, naturalmente não esteve na cerimónia, disse que agradecia mas estranhava, certamente não tinham compreendido a música.
Fui reler a letra e penso que a compreendi, talvez esteja aqui de facto a resposta à questão que levantei.
A letra está aqui:
Things have changed
A worried man with a worried mind
No one in front of me and nothing behind
There's a woman on my lap and she's drinking champagne
Got white skin, got assassin's eyes
I'm looking up into the sapphire tinted skies
I'm well dressed, waiting on the last train
Standing on the gallows with my head in a noose
Any minute now I'm expecting all hell to break loose
People are crazy and times are strange
I'm locked in tight, I'm out of range
I used to care, but things have changed
This place ain't doing me any good
I'm in the wrong town, I should be in Hollywood
Just for a second there I thought I saw something move
Gonna take dancing lessons do the jitterbug rag
Ain't no shortcuts, gonna dress in drag
Only a fool in here would think he's got anything to prove
Lot of water under the bridge, Lot of other stuff too
Don't get up gentlemen, I'm only passing through
People are crazy and times are strange
I'm locked in tight, I'm out of range
I used to care, but things have changed
I've been walking forty miles of bad road
If the bible is right, the world will explode
I've been trying to get as far away from myself as I can
Some things are too hot to touch
The human mind can only stand so much
You can't win with a losing hand
Feel like falling in love with the first woman I meet
Putting her in a wheel barrow and wheeling her down the street
People are crazy and times are strange
I'm locked in tight, I'm out of range
I used to care, but things have changed
I hurt easy, I just don't show it
You can hurt someone and not even know it
The next sixty seconds could be like an eternity
Gonna get low down, gonna fly high
All the truth in the world adds up to one big lie
I'm in love with a woman who don't even appeal to me
Mr. Jinx and Miss Lucy, they jumped in the lake
I'm not that eager to make a mistake
People are crazy and times are strange
I'm locked in tight, I'm out of range
I used to care, but things have changed
Podem ver a interpretação no You tube, visto que foi negada a possibilidade de o transpor para aqui.
“The times they are a-changin”
Desde sempre, mesmo no auge da sua carreira, Bob Dylan recusou que a sua música fosse utilizada em qualquer tipo de publicidade (excepto é claro na publicidade à sua própria obra) e, de facto, nunca vi, em nenhuma parte do mundo, um anúncio com um fundo musical de Bob Dylan.
Isto porém foi até ontem.
Estava no meu escritório, tendo entre os ruídos de fundo o som da televisão aberta noutra sala até que o voz excepcional (em sentido literal, voz de excepção e não de regra) de Bob Dylan se materializou a partir do ruído de fundo da TV, corri para ver o que era e, lá estava a voz de Bob Dylan num anúncio da GALP!
O que terá mudado ? Bob Dylan ? ou será que a GALP ou a agência que fez o anúncio não respeita o autor ?
Isto porém foi até ontem.
Estava no meu escritório, tendo entre os ruídos de fundo o som da televisão aberta noutra sala até que o voz excepcional (em sentido literal, voz de excepção e não de regra) de Bob Dylan se materializou a partir do ruído de fundo da TV, corri para ver o que era e, lá estava a voz de Bob Dylan num anúncio da GALP!
O que terá mudado ? Bob Dylan ? ou será que a GALP ou a agência que fez o anúncio não respeita o autor ?
2008-04-17
Nova legislação sobre o divórcio
Em princípio ao meu espírito libertário repugna-me a manutenção de qualquer situação à força.
E, como divórcio foi coisa que nunca me passou pela cabeça, não faço ideia dos detalhes da nova legislação, imaginando que, como sempre, nada será complicado para gente civilizada, agindo de boa fé e extremamente difícil para gente incivilizada e agindo de má fé mas, pelo menos talvez haja agora menos papelada e menos chatices e isso é sempre melhor.
O meu coração vacilou apenas quando ouvi Bagão Félix dizer na rádio:
- Agora é mais fácil pôr na rua a minha mulher do que a mulher a dias !
É forte, se é assim também acho que alguma coisa não está bem..
E, como divórcio foi coisa que nunca me passou pela cabeça, não faço ideia dos detalhes da nova legislação, imaginando que, como sempre, nada será complicado para gente civilizada, agindo de boa fé e extremamente difícil para gente incivilizada e agindo de má fé mas, pelo menos talvez haja agora menos papelada e menos chatices e isso é sempre melhor.
O meu coração vacilou apenas quando ouvi Bagão Félix dizer na rádio:
- Agora é mais fácil pôr na rua a minha mulher do que a mulher a dias !
É forte, se é assim também acho que alguma coisa não está bem..
2008-04-15
A verbalização do sonho
Os verbos em polaco, permitem exprimir o passado, o presente e o futuro, neste caso de forma composta com a ajuda do verbo ser (być).
Para cada verbo, para cada acção, existe um outro verbo perfectivo ou perfeito com a mesma estrutura geral de conjugação com uma diferença; como só pode ter havido perfeição, completude, no passado ou ainda vir a havê-la no futuro mas nunca no presente, nestes verbos perfeitos o passado é o passado mas o “presente” é de facto o futuro.
Confusos? É natural, o sistema é mesmo complicado, aliás, ainda mais complicado do que isto porque tem mais aspectos que não vou referir aqui para não ser ainda mais entediante.
Ora estava eu a lidar com esta confusão, a tentar exprimir coisas como “lia (imperfeito) o folheto, quando tocou (perfeito) o telefone” ou algo ligeiramente diferente “li (perfeito) o folheto, quando tocava (imperfeito) o telefone”, quando entrou a minha professora com um ar eufórico, dizendo:
- Compreendi o conjuntivo! finalmente consegui compreender o conjuntivo!
A minha professora de polaco é doutorada em literatura comparada e, para além de ensinar polaco, estuda ela própria o português.
No meio da confusão verbal em que estava envolvido, surpreendeu-me que alguém achasse complicado o meu tão familiar e simples conjuntivo e fui então investigar a origem da dificuldade da minha professora.
Descobri que o conjuntivo exprime o sonho, o desejo, o imaginário e ao tomar consciência desta realidade fiquei a amar ainda mais a nossa língua por até ter toda uma conjugação verbal apenas dedicada ao sonho !
Disto nem sonham os de língua inglesa e nem os Polacos se lembraram.
Para cada verbo, para cada acção, existe um outro verbo perfectivo ou perfeito com a mesma estrutura geral de conjugação com uma diferença; como só pode ter havido perfeição, completude, no passado ou ainda vir a havê-la no futuro mas nunca no presente, nestes verbos perfeitos o passado é o passado mas o “presente” é de facto o futuro.
Confusos? É natural, o sistema é mesmo complicado, aliás, ainda mais complicado do que isto porque tem mais aspectos que não vou referir aqui para não ser ainda mais entediante.
Ora estava eu a lidar com esta confusão, a tentar exprimir coisas como “lia (imperfeito) o folheto, quando tocou (perfeito) o telefone” ou algo ligeiramente diferente “li (perfeito) o folheto, quando tocava (imperfeito) o telefone”, quando entrou a minha professora com um ar eufórico, dizendo:
- Compreendi o conjuntivo! finalmente consegui compreender o conjuntivo!
A minha professora de polaco é doutorada em literatura comparada e, para além de ensinar polaco, estuda ela própria o português.
No meio da confusão verbal em que estava envolvido, surpreendeu-me que alguém achasse complicado o meu tão familiar e simples conjuntivo e fui então investigar a origem da dificuldade da minha professora.
Descobri que o conjuntivo exprime o sonho, o desejo, o imaginário e ao tomar consciência desta realidade fiquei a amar ainda mais a nossa língua por até ter toda uma conjugação verbal apenas dedicada ao sonho !
Disto nem sonham os de língua inglesa e nem os Polacos se lembraram.
2008-04-13
Quem haveria de dizer
Hoje ouvi na rádio a notícia, de manhã, há noite vi a reportagem no 60 minutos.
Dormir é essencial para a nossa saúde !
Esta ciência espectáculo que de tempos a tempos assola os nossos media nunca deixa de me espantar e recorda-me uma intervenção a que assisti num seminário sobre o azeite.
A palestrante, uma jovem professora que tinha desenvolvido um interessante estudo sobre o azeite e a sua acção no corpo humano, começou a sua intervenção referindo que nessa manhã, ao dizer à sua avó para onde ia ela lhe respondeu:
- Oh filha então tu vais dizer a esses senhores uma coisa que toda a gente já sabe, que o azeite faz bem a tudo ?
Pois é, toda a gente já sabia mas parece que se vai esquecendo.
Não quero com isto dizer que se não deve estudar o sono e o azeite e tudo o resto para procurar conhecer e compreender os mecanismos da sua acção, o que me espanta são os media e a alienação que reflectem ao apregoar com trombetas verdades evidentes ou, só porque é espectacular, a dar realce a pequenas parcelas desses estudos, truncadas dos seus contextos e que parecem negar essas mesmas evidências.
É por isto que eu confio muito mais em práticas e produtos que se utilizam há centenas de anos e que foram testados por sucessivas gerações (tudo aquilo que a ASAE persegue) do que qualquer mercadoria com bonitas embalagens e tudo explicado em letras pequeninas mas que na realidade não sabemos o que é.
Entretanto vão dormindo 7 ou 8 horitas por dia porque agora já sabemos que vão assim funcionar melhor amanhã, é um estudo científico que o garante.
Dormir é essencial para a nossa saúde !
Esta ciência espectáculo que de tempos a tempos assola os nossos media nunca deixa de me espantar e recorda-me uma intervenção a que assisti num seminário sobre o azeite.
A palestrante, uma jovem professora que tinha desenvolvido um interessante estudo sobre o azeite e a sua acção no corpo humano, começou a sua intervenção referindo que nessa manhã, ao dizer à sua avó para onde ia ela lhe respondeu:
- Oh filha então tu vais dizer a esses senhores uma coisa que toda a gente já sabe, que o azeite faz bem a tudo ?
Pois é, toda a gente já sabia mas parece que se vai esquecendo.
Não quero com isto dizer que se não deve estudar o sono e o azeite e tudo o resto para procurar conhecer e compreender os mecanismos da sua acção, o que me espanta são os media e a alienação que reflectem ao apregoar com trombetas verdades evidentes ou, só porque é espectacular, a dar realce a pequenas parcelas desses estudos, truncadas dos seus contextos e que parecem negar essas mesmas evidências.
É por isto que eu confio muito mais em práticas e produtos que se utilizam há centenas de anos e que foram testados por sucessivas gerações (tudo aquilo que a ASAE persegue) do que qualquer mercadoria com bonitas embalagens e tudo explicado em letras pequeninas mas que na realidade não sabemos o que é.
Entretanto vão dormindo 7 ou 8 horitas por dia porque agora já sabemos que vão assim funcionar melhor amanhã, é um estudo científico que o garante.
2008-04-11
Anúncio Solene
DECLARO QUE TAMBÉM NÃO VOU ESTAR PRESENTE NA CERIMÒNIA DE ABERTURA DOS JOGOS OLÍMPICOS DE PEQUIM
2008-04-10
A propósito do tornado em Santarém
“...Para mim, se considero, pestes, tormentas, guerras, são produtos da mesma força cega, operando uma vez através de micróbios inconscientes, outra vez através de raios e águas inconscientes, outra vez através de homens inconscientes. Um terramoto e um massacre não têm para mim diferença senão a que há entre assassinar com uma faca e assassinar com um punhal. O monstro imanente nas coisas tanto se serve – para seu bem ou o seu mal, que, ao que parece, lhe são indiferentes – da deslocação de um pedregulho na altura ou da deslocação do ciúme ou da cobiça num coração. O pedregulho cai, e mata um homem, a cobiça ou o ciúme armam um braço, e o braço mata um homem. Assim é o mundo, monturo de forças instintivas , que todavia brilha ao sol com tons palhetados de ouro claro e escuro....”
Se eu soubesse escrever teria escrito isto, mas como não sei, roubei o texto de um outro “blog” escrito num tempo em que não havia blogues, por Fernando Pessoa.
Chama-se “O livro do desassossego” composto por Bernardo Soares, ajudante de guarda-livros na cidade de Lisboa, o poste citado é o 133.
Se eu soubesse escrever teria escrito isto, mas como não sei, roubei o texto de um outro “blog” escrito num tempo em que não havia blogues, por Fernando Pessoa.
Chama-se “O livro do desassossego” composto por Bernardo Soares, ajudante de guarda-livros na cidade de Lisboa, o poste citado é o 133.
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