2008-03-09

O Movimento Esperança Portugal

Ouvi as entrevistas a Rui Marques sobre a fundação deste novo partido.
Ouvi e enquanto ouvia só me ocorria esta passagem do Apocalipse (3, 15-16)

“Conheço as tuas obras e sei que não és frio nem quente. Oxalá fosses frio ou quente! Mas como és morno e não és frio nem quente, vomitarte-ei da Minha boca”

2008-03-08

Navegando à volta de Shakespear

Shakespear é uma minha paixão antiga.
Aos 18 anos já tinha lido “Hamlet”, “Othelo” e “Macbeth” na língua original, com a peça numa mão e um dicionário na outra, dicionário que eu consultava quase linha a linha da peça.
Todavia li e percebi, pelo menos a meu modo. Sabia de cor vastas passagens, uma delas era a do famoso e magnífico solilóquio de Hamlet que começa assim: “To be, or not to be: that is the question...”.

Ontem, como tantas vezes actualmente, tive que me conformar (apenas com a retribuição de um sorriso irónico) com a arrogância ignorante que hoje enxameia a administração, hoje, pensei eu, não deve ser só de hoje, já Shakespear falou do assunto, recordo-me, mas onde ?
Primeiro ocorreu-me o discurso de Polónio a Laertes, de que me lembro vagamente mas depressa me ocorreu que não era ali, era no tal famoso solilóquio que já não sei de cor mas ainda sei de coração.
Procurei e achei, está nesta passagem onde Hamlet inumera os males do mundo:

“For who would bear the whips and scorns of time,
The oppressor’s wrong, the proud man’s contumely,
The pangs of despised love, the law’s delay,
The insolence of office, and the spurns
That patient merit of the unworthy takes,”


Lembrei-me então da eternidade desta afirmação, creio que traduz também o espírito dos professores que hoje se manifestam em Lisboa, na marcha da indignação, exigindo uma coisa simples: “respeito”.
Pelo mesmo respeito que quero atribuir aos visitantes deste blogue, procurei uma tradução em português desse trecho que sublinhei.
Aí começou a aventura que quero aqui contar.
Há dezenas de traduções de Shakespear, todas boas e todas más, dependendo de como a cada um tocou o significado das palavras.
Dou um exemplo: o célebre “to be or not to be, that is the question” está consagrado em português como “Ser ou não ser heis a questão”.
Consagrado, disse, mas não, também há quem o rejeite: “Ser ou não ser, esta é a questão” diz alguém e tem o seu ponto de vista, heis remete-nos para “uma revelação”, apareceu aqui, vinda não se sabe de onde, não é isso que Shakespear disse, o que ele disse é que “esta é a questão”.
Estimulado por este ponto de vista, fui ainda mais longe, a questão? será que “question” é a “questão” em português ?
Eu sei que nalguns contextos isso é verdade, mas a nossa “questão” é semanticamente mais vasta do que a “question” inglesa engloba significados que em Inglês nos exigiriam outras palavras, como “issue” por exemplo.
Para mim, a tradução mais fiel será: “Ser ou não ser, é esta a pergunta”, perde poesia, talvez, para mim, é mesmo isto que ele nos queria dizer, para outros talvez não, mas, de qualquer modo, demonstra um ponto: não há traduções fiéis!.
Esta horas que passei na net em volta de Shakespear levaram-me ainda mais longe, não são só as traduções que colocam problemas é o próprio texto de Shakespear.
A dramaturgia de Shakespear não foi feita para ser lida mas para ser representada, e parece que há várias versões, umas mais longas outras mais curtas, par serem usadas conforme as audiências ou a reacção dessas audiências, há achegas que não se sabe bem se são de Shakespear se de algum actor que as acrescentou. Há os “in-quartos” e os “in-fóleos”, sobre os quais se debruçam, até hoje, grandes estudiosos da matéria e os textos que temos impressos não são mais do que aquilo que se fixou como sendo de Shakespear, até alguém descobrir que não foi bem assim.

Com tudo isto derivei do tema essencial, o que eu queria deixar aqui era a tradução do pedaço do solilóquio que destaquei acima, aqui fica uma versão que me satisfaz:

“O abuso do poder e a humilhação
Que do indigno o valoroso sofre,”


No entanto esta deambulação por Sakespear levou-me ainda mais longe e por caminhos inesperados, disso falarei depois.

2008-03-05

Cada vez estamos mais seguros

Diário de Notícias: O crime violento desceu 10% em Portugal
Jornal de notícias: A testemunha dos crimes da noite do Porto que morreu carbonizado num Ferrari há dias, afinal não foi assassinado, só foi vítima de um acidente.
Portugal Diário: o homem esfaqueado no Colombo, parece que foi suicídio.
Ainda o Portugal Diário: O crime violento desceu sim em Portugal mas foi 30%.

Não há dúvida que estamos no bom caminho, ainda vão ver que este ano em Portugal nem 1 crime violento aconteceu, quem diz o contrário são só os agitadores profissionais a soldo não sei de quem !

2008-03-04

Dois mundos

Há tempos, referi aqui como uma pequena conversa, com as palavras certas, pode condicionar tanto a nossa visão do mundo.
Agora, vi algumas reportagens na rádio e na televisão sobre as inundações em Moçambique, e constatei a total incompreensão do problema, o conhecimento dos dois mundos, na generalidade dos jornalistas que fazem a reportagem e colocam perguntas imbecis tais como:
- E agora como é que o Sr. come ?
Reduzindo aquela tragédia ao problema a que talvez já tenham vivido um dia na sua própria vida, quando às 9 horas da noite depois de telefonarem para 3 ou 4 restaurantes habituais, recebem a resposta de que já não há mesas livres e descobrem que começa a ser difícil o jantar sonhado.
Então fazem a mesma pergunta ao companheiro ou companheira:
- E agora como é que a gente come ?
É com enorme espanto que vejo aquela gente, em vez de mandar à merda a jornalista, responder em português (que não é a sua língua materna) qualquer coisa como esta.
- Agora, é no sacrifício !
De facto, estamos tão longe da carência que muitos de nós nem sonhamos o que ela é.
Eu, também não, claro, mas sinto.
Lembrei-me de um episódio que se passou há anos comigo.
Por um acaso da vida, participei num jantar de encerramento de um encontro de Secretários Gerais de Ministérios da Agricultura dos PALOP.
No fim do jantar, em cavaqueira informal, perguntei a um Secretário Geral de um PALOP africano qual era a sua impressão do encontro. Ele respondeu-me que sim que tinha sempre interesse essa troca de experiências mas que de qualquer modo havia dois mundos muito diferentes e as experiências eram incomparáveis, disse-me assim:
- Por exemplo enquanto aqui os grandes problemas que enfrenta um Secretário Geral são, por exemplo, a restruturação do Ministério, na minha terra, os grandes problemas que eu enfrento são quando se funde uma lâmpada num gabinete !
Ao ouvir isto vi completamente estes dois mundos.

2008-02-26

A ignorância esperta

O General Garcia Leandro já o disse (à General), a SEDES também já o disse (à SEDES), Marinho Pinto vai-o dizendo (à sua maneira) e eu também o vou dizer (à minha):
Alguma coisa está podre no reino da Dinamarca !
Para quem não nasceu em berço de ouro ou pelo menos dourado, e vê como uma vida bem sucedida uma vida com dinheiro, só tem duas vias disponíveis:
Uma é a do mundo espectacular dos media, ou dos desportos de massas e desde que se tenha um palmo de cara e um mínimo de jeito, não custa nada tentar e aí vemos os “castings” para concursos e novelas apinhados de gente, alguns, não muitos, lá conseguem.
Outra via é a do poder, e como o poder está nos partidos, é a via partidária.
Tanto faz ser o partido A ou B, existe uma teia transpartidária, começa-se, de preferência desde muito novo, a frequentar o meio, prestam-se serviços, aos estabelecidos, e se se tem algum talento, por isso a esperteza é importante, se se sabe falar, desempenhar uma tarefa sem cometer uma grande gafe, vai-se sendo notado e as oportunidades vão aparecendo.
Aqui, todavia é muito conveniente ser Dr. ou Eng, e isso dá algum trabalho e desvia a atenção do essencial mas ainda vai sendo importante e assim lá se procura obter essa coisa, que aliás agora começa a estar facilitada por muitas universidades privadas onde alguns deles já chegaram ao poder.
Sendo notado, começa a ganhar-se posições, velhos favores são retribuídos e a cada um segundo os seus talentos é-lhes dado lugares de nomeação, desde Chefe de Divisão na Administração até Director Geral ou Gestor Público, ou mesmo privados se se conseguiram os bons contactos e se serviram as pessoas certas.
Uma vez instalado só há uma preocupação manter-se no lugar ou se possível subir, a função que se desempenha é profundamente irrelevante.
A não ser para efeitos de salário que nalguns casos vão crescendo sempre até ao obsceno.
E então lá vemos muitos, dar cabo de um sector e quando isso se torna muito patente logo se passa para outro e outro e outro para não dar nas vistas.
É evidente que para se disfarçar, nos escalões mais baixos, existem concursos públicos, essa chatice legal, mas o que não existe é vergonha nenhuma, e eles ganham sempre, das formas mais tortuosas, algumas de bradar aos céus mas parece que nem os céus ouvem.
Todos este caminhos exigem esperteza e talento, o que lhes não dá é conhecimento da vida e das coisas e dos sectores em que supostamente têm “responsabilidade” (na prática nenhum deles responde nunca por coisa nenhuma) daí a ignorância.
Também não se lhes exige que façam grandes coisas, basta não causarem grandes embaraços e lá vão ficando e pagando favores também a jovens emergentes que os substituirão.
Tudo isto tem sido um processo lento que decorre já há vários anos só que aos poucos e a última geração que procurou trabalhar honesta e interessadamente já está quase desaparecida e o país está já quase na totalidade entregue a essa gente.
A mediocridade tomou o poder.
É daqui que vem o tal mal estar e a desconfiança do povo, que assiste a isto tudo impotente.
Até quando ?

2008-02-25

3 Livros obrigatórios – 3

Huxley no seu ensaio “Regresso ao Admirável Mundo Novo”, refere que há 2 formas de dominação numa sociedade, duas formas de assegurar o conformismo:
A força, o estado policial, apoiado na intensa vigilância dos cidadãos, com a punição de qualquer comportamento desviante, como no mundo de “1984”
Ou
A persuasão, convencer os cidadãos de que o conformismo é o melhor para eles, fazendo-os amar a sua própria servidão, como no mundo de “Brave New World”.
Saindo dos romances e passando à realidade, que vivemos nas nossas democracias ocidentais, podemos observar elementos destas duas formas, o que nos faz parecer que há de facto uma terceira via que reúne um misto das duas referidas por Huxley.
Relativamente ao “Brave New World”, é certo que não temos ainda, na realidade, a manipulação genética, mas podemos ver vários sinais do seu avanço provável. Não temos ainda o “soma” a droga mítica referida no “Brave New World” mas temos o tabaco, o álcool, e o prozac no “main stream” e outras substâncias psico-activas um pouco mais na margem mas também temos os bares as discotecas, os concertos e o futebol, para tantos elevado a aspecto primordial da vida e ainda a televisão claro, cada vez mais omnipresente.
Temos ainda o culto da juventude eterna, embora ainda muito à base de botox e silicone, actuando na forma e não do conteúdo mas já com alguns passos dados pela ciência no sentido desejável.
Quanto a “1984”, também estão a aparecer sintomas preocupantes.
A manipulação da realidade: Como ainda vimos recentemente como os mesmos números relativos ao desemprego serviram para provar simultaneamente a sua diminuição e o seu aumento, conforme as conveniências e isto como se a matemática já não fosse uma ciência exacta, exemplos destes são permanentes, com os números da economia e doutras estatísticas.
O refazer do passado: Por exemplo, constatamos agora que nunca Cavaco Silva disse a célebre frase “nunca me engano e raramente tenho dúvidas”, parece que não há registos, embora eu possa dizer ao modo de Galileu, nunca disse isso, não senhor, mas no entanto disse-o que eu ouvi. E não é que o “jamais” de Mário Lino, que todos ouvimos também já parece que não foi dito ?
A vigilância e o estado policial: Pé ante pé, lá vamos vendo a delação e a força crescendo, já temos os “bufos”, já temos uma polícia de costumes, a ASAE, e mais o que o futuro nos reserva se não ficarmos bem atentos e se não dissermos não.

2008-02-24

3 livros obrigatórios - 2

"Animal Farm"

“O triunfo dos porcos” é uma fábula e usa toda a técnica da fábula.
Nos diferentes animais da quinta que se revoltam contra o homem nós revemos diferentes homens: engenhosos, ardilosos, apaixonados, pragmáticos, honestos, interesseiros, verdadeiros, enganadores todos profundamente humanos e todos se conjugam na transformação do sonho numa realidade triste e opressiva.
Vemos aí como o poder corrompe, como em nome dos valores mais nobres se constrói a opressão, como os interesses de alguns prevalecem sobre os interesses de todos.
Simbolicamente, como sempre, são os porcos que triunfam, neste caso representados pelos animais com esse mesmo nome.
Se “Brave New World” destrui as utopias, “Animal Farm” destrui as revoluções como caminhos da esperança.

“1984”

O mundo de “1984”, contrariamente ao de “Brave New world” é um mundo tenebroso e opressivo, mais do que na repressão bruta, que também existe, é na alienação que o poder se sustenta.
O mundo torna-se virtual, a realidade não existe apenas o presente fabricado. O futuro e o passado são permanentemente refeitos par servir o presente.
As palavras de ordem do regime simbolizam a destruição de valores, anula-os a partir da sua inversão ou a assimilação de contrários:
GUERRA É PAZ
LIBERDADE É ESCRAVIDÃO
IGNORÂNCIA É FORÇA
Não está lá explícito, por ser demasiado óbvio, mas ali A VERDADE É MENTIRA e a MENTIRA É VERDADE.
Neste mundo virtual, como árbitro supremo omnipresente, existe o “big brother” que “vela” e “zela” por todos
Apresentados assim sumariamente estes 3 livros, que certamente a maioria dos visitantes deste blogue já leu, deixarei para mais tarde uma pequena reflexão que procurará deitar luz sobre esta questão: “Afinal o que é que estes livros têm a ver connosco ?”

2008-02-23

3 Livros obrigatórios

Na minha utopia há 3 livros que seriam de leitura “obrigatória”, usei as aspas porque na minha utopia, obviamente, ninguém obriga nada a ninguém
Refiro-me às duas obras de George Orwell: “Animal Farm” (O Triunfo dos Porcos) e "1984" (1984), e à obra de Aldous Huxley “Brave new World” (O Admirável Mundo Novo).
Os 3 relatam as angustias dos 2 autores ingleses sobre o devir do mundo que se adivinhava na primeira metade do século XX, de formas muito diferentes uns dos outros mas os 3 como que mostrando 3 faces de uma mesma realidade.
As datas em que foram escritos têm o seu significado (nenhum autor se consegue libertar do seu tempo): “Brave new world” foi o primeiro, escrito em 1932. no rescaldo do período mais “luminoso” do século XX, os chamados anos 20, os outros 2, de Orwell, foram escritos nos anos 40, “Animal Farm” em 1945 e “1984” em 1948 (anos esperançosos mas ainda negros do século XX), curiosamente Huxley, no seu prefácio a uma nova edição feita em 1946 diz de “Brave new World”: “hoje teria feito outro livro”, eu digo: “ainda bem que o não fez”.
Mas vejamos o que na minha idiossincrasia releva destes 3 livros:

“Brave New World”
O mais interessante deste livro, para mim o melhor dos 3, é que ele descreve um mundo sedutor (o Portugal moderno com que sonha o nosso Primeiro Ministro Sócrates) um mundo de gente feliz, sem constrangimentos financeiros, com saúde para todos, sempre jovens, com espectáculo permanente e até “sex, drugs and rock and roll” sem os inconvenientes para a saúde e bem estar e sem a sanção social que esse tipo de vida hoje nos traria.
Quem não gostaria de viver assim ? para Huxley, ninguém !
E é o “selvagem” pobre, subnutrido, sujeito à doença que se transforma no “herói” da história.
Huxley leva o leitor a perceber como todos os personagens do “brave new world” são de “plástico”, não vivem, sobrevivem "felizes".
Só o “selvagem” tem o bem maior: É livre !
“Livre, para quê” ? Pergunta-lhe Mustafá Mond, um dos Senhores do maravilhoso mundo novo, “para ter o direito de envelhecer, de ficar feio e impotente, o direito de ter síflis e o cancro, o direito de não ter de comer, o direito de ter piolhos, o direito de viver no temor constante do que poderá acontecer amanhã, o direito de apanhar febre tifóide, o direito de ser torturado por indizíveis dores de todas as espécies ?”
“Reclamo todos esses direitos !”, responde-lhe o “selvagem”.
É esta dicotomia, a essência das noções de felicidade e de liberdade, que se tece e se aprofunda no admirável “Admirável Mundo Novo”
Mas como este poste já vai longo, mais tarde falarei dos outros 2 livros.

2008-02-22

Não sei se foi bem isto que o autor quiz escrever

Mas foi esta a ideia essencial que colhi no interessante livro de Paulo Morgado “O Corrupto e o Diabo”, diálogo às portas do 5º fosso do 8º inferno:
“A corrupção e o tráfego de influência faz parte integrante do sistema capitalista liberal em que vivemos”.
É praticamente inútil combatê-los, portanto.
Num sistema em que tudo se transacciona, porque não se haverá de transaccionar o favor, o privilégio, a virgula no sítio que me interessa ou leitura mais conveniente da lei.
Quando estudei “marketing industrial” foram-me transmitidos procedimentos como estes:
1. Identificar quem toma realmente a decisão de compra (chamando a atenção que nem sempre é quem institucionalmente é suposto ter essa função).
2. Identificar factores de motivação desse indivíduo decisor (aqui chamava-se a atenção que as pessoas se motivam pelas coisas mais diversas, para umas funciona o dinheiro, para outros os presentes vistosos, outros ainda perspectivas de sexo ou de viagens, etc)
3. Proceder de acordo com os pontos anteriores de forma a conseguir a decisão favorável.

Isto foi-me ensinado por insignes e impolutos mestres americanos mas que sempre me cheirou a uma fórmula equivalente a esta “seja corrupto mas consiga a venda”, lá isso é verdade.

2008-02-19

O Sr. Ministro do Ambiente

Lá conseguimos ver a cara do sr. Ministro do ambiente. O seu buraco meteu água e ele lá teve que sair.
Olhou espantado e disse “eu não tenho nada a ver com isto, são os outros, eu só trato do ambiente aqui do meu buraco”, e recolheu-se de novo !

2008-02-17

E agora Portugal ?

Estou curioso.
Reconheces o Kosovo ou não ?
Já não bastam bonitas palavras sobre o diálogo e o consenso, o que fizeste e o que não fizeste durante a presidência.
Agora é preto no branco, reconheces ou não ?
Tens que ver para onde se bandeia a maioria não é ?

2008-02-15

Onde está a ASAE quando precisamos dela ?

Quem mais me tem roubado são os “providers” de meios de comunicação, TV, net e telefone e isto não é só no mau serviço como falei atrás, é em tudo, tinha histórias para contar que só não o faço porque são muitas e creio que todos já as conhecem estas ou parecidas, a questão é que são uns euros aqui, outros euros ali e nenhum caso justifica o custo e a maçada de ir até ao fim.
Lá vamos suportando tudo, cantando e rindo.
Ora eu pensava que a ASAE era para isto.
Em vez de fechar pequenos cafés de familiares de aldeia, como tem feito, atirando famílias inteiras para situações dificílimas eu gostava de ver a ASAE a fechar a Vodafone ou a PT mas julgo que posso esperar sentado.Já vimos a MATEL distribuir por todo o mundo brinquedos com tinta envenenada e bastar-lhe pedir desculpa e dizer que recolhia tudo para que a questão fosse encerrada. Para a tenda do Sr. António é que desculpas não chegam, fecha e acabou !

2008-02-11

O roubo da banda

Hoje parece que é o dia Europeu da internet, este ano dedicado às questões da segurança on line.
Procurei ver a que se referiam e vi que era às queixas do costume, as más companhias que as crianças arranjam, o acesso à pornografia, os golpes nos cartões de crédito, enfim tudo coisas que há na internet tal qual como há fora dela.
O que não vi, para meu espanto, foi a referencia ao crime mais exclusivo da net, o crime que grande parte dos “providers” comete: o roubo da banda.
Fazem-nos pagar 10, 12 ou 20 Megas e fornecem-nos menos do que 1.
Eu já fui vítima deste crime e sinto-me completamente indefeso, nem sei a quem me queixar.

Será isto apenas um sonho ? Uma fabulosa manipulação dos media ?



It was a creed written into the founding documents that declared the destiny of a nation.

Yes we can.

It was whispered by slaves and abolitionists as they blazed a trail toward freedom.

Yes we can.

It was sung by immigrants as they struck out from distant shores and pioneers who pushed westward against an unforgiving wilderness.

Yes we can.

It was the call of workers who organized; women who reached for the ballots; a President who chose the moon as our new frontier; and a King who took us to the mountaintop and pointed the way to the Promised Land.

Yes we can to justice and equality.

Yes we can to opportunity and prosperity.

Yes we can heal this nation.

Yes we can repair this world. Yes we can.

We know the battle ahead will be long, but always remember that no matter what obstacles stand in our way, nothing can stand in the way of the power of millions of voices calling for change.

We have been told we cannot do this by a chorus of cynics...they will only grow louder and more dissonant ...

We've been asked to pause for a reality check. We've been warned against offering the people of this nation false hope.

But in the unlikely story that is America, there has never been anything false about hope.

Now the hopes of the little girl who goes to a crumbling school in Dillon are the same as the dreams of the boy who learns on the streets of LA; we will remember that there is something happening in America; that we are not as divided as our politics suggests; that we are one people; we are one nation; and together, we will begin the next great chapter in the American story with three words that will ring from coast to coast; from sea to shining sea.

Yes. We. Can.

Pergunto a mim próprio

Se os velhos egípcios já dominassem a ciência económica, partilhassem connosco a obsessão do crescimento do PIB, do controlo da inflação e do défice, será que teriam construído as pirâmides ?

2008-02-08

Reflexão sobre a ignorância

O que tem de paradoxal a ignorância é que tem que se saber para se saber que não se sabe.
Quando Sócrates, o genuíno, não este que temos por cá, terá dito “Só sei que nada sei” não o fez como uma mera figura de estilo, disse apenas a verdade que adquiriu com a sua reflexão.
Só sabendo, como Sócrates sabia do seu universo, se pode tomar consciência de como o nosso conhecimento é limitado face ao todo que há para saber, e esse saber limitado comparado com o praticamente infinito que se desconhece pode, legitimamente, inferir-se que será como nada.
Há pois uma ignorância esclarecida e uma outra, aquela a que vulgarmente chamamos de ignorância, que não tem consciência de si própria.
Vem isto a propósito de um filme que circula na net, e que eu, por ignorância, não reproduzo aqui, com o final da participação de uma jovem e bonita loira americana, no concurso homólogo do nosso “Eu não sei mais do que uma criança de 10 anos”:
Perguntam-lhe a pergunta de 25000 Dólares:
- Budapeste é a capital de que país ?
A rapariga só “sabe” que lá se fala francês mas será a França um país? a Europa sim, é um país, isso sabe ela bem, mas a França o que será ?
O diálogo hilariante continua neste registo, até que ela decide “copiar”. O apresentador dá-lhe a resposta certa: “Hungary”.
A jovem fica estupefacta e pergunta “hungry” (esfomeado) ? há um país com este nome? nunca ouvi falar!
Para seu espanto o miúdo de 10 anos tinha acertado a resposta e ela ganhou os 25000 Dólares.
Um dos pontos de reflexão que este filme me sugeriu, foi o facto de ele vir intitulado, no e-mail que a minha sobrinha Inês me mandou, como “loira burra” isto porque é, de facto, vulgar confundir-se ignorância com falta de inteligência, quando na realidade nada têm a ver.
Aquela loira não foi nada burra, lidou com a situação de forma racional, conseguiu até ganhar de forma expedita o prémio que estava em jogo e com é bem bonita, arranjará certamente um noivo endinheirado que a fará talvez feliz, saberá até, possivelmente, capitalizar com o sucesso internacional do espectáculo da sua monumental ignorância sem corar de vergonha.
Porque o que ela claramente é: é profundamente ignorante do segundo tipo, do tipo dos que não têm consciência da sua própria ignorância.
Ora o mundo está cheio desta gente e infelizmente muitos até são inteligentes, mas disto falarei talvez depois.

2008-02-07

É bem verdade

Em muitos homens é já uma falta de vergonha dizer eu.

In Th. W. Adorno “Minima Moralia”, aforismo 29, Frutinha

2008-02-04

Resolvi contribuir para que não se percam 3% do PIB

Sexta feira ouvi na telefonia um Sr. Professor Economista, cujo nome não retive, assegurar que segundo os seus estudos as "pontes" em Portugal são responsáveis pela perda de 3% do PIB.
Não vi o tal estudo embora suspeite que o Sr. professor considere que os dias de ponte são dias a mais de lazer, como aliás serão no caso dele e de alguns mais que lhes basta dizer “hoje não vou trabalhar para fazer ponte”.
Infelizmente para a larga maioria dos trabalhadores os dias de "ponte" são deduzidos nas férias ou compensados por outros dias ou horas em que seria suposto não trabalhar ficando no fim do ano tudo na mesma.
Por outro lado, na mesma óptica do Professor, se trabalharmos mais horas semanais, sei lá, uma 60 horas o PIB deve subir como o caraças, espero que o Sócrates não se lembre disso.
Na dúvida, não quis arcar com essa responsabilidade. O PIB poderá não crescer mas ninguém poderá dizer que eu tenho culpa nisso.

2008-02-01

Eu gosto muito do Sócrates

Mas é do outro, do Grego, porque este que cá temos deixa muito a desejar.
E de tanto que se pode criticar à sua acção nefasta, mecânica, robotizada, sem coração, os jornalistas só sabem pegar-lhe naquilo que ele tem de mais humano.
Assinar um projecto não significa necessariamente ter feito esse projecto, significa apenas que se assume a responsabilidade por ele, pode ser até um acto nobre:
Se um bom projecto é feito por alguém que sabe fazer bons projectos mas não tem a “coisa”, no sentido de Max Stirner, ou seja aquilo que faz falta para que a sociedade o aceite (o alvará, o dinheiro, a aparência, o título, enfim, a “coisa”) alguém que tem essa “coisa”, neste caso o título de engenheiro, assina o projecto e com este acto assume o risco inerente à responsabilidade, responde por ele se algo correr mal e isto será certamente um acto nobre de confiança.
Se por outro lado, o projecto foi roubado a alguém e abusivamente outro põe sobre ele a sua assinatura, cometerá um acto torpe e desprezível.
Ter assinado projectos que não terá feito é apenas irrelevante.
Neste caso são os jornalistas que se estão a comportar tipo ASAE.

Marinho Pinto

Começa a incomodar muita gente.
Já deve ter uma série de agentes a vasculhar-lhe o passado à procura de algo mais escuro.
Creio que não conseguirá bater o sistema mas, pelo menos, a sua expressão feliz e muito certeira já ficou gravada:
“Temos uma justiça forte para os fracos e fraca para os fortes !”
Espero que nunca se parta o seu bastão.

2008-01-31

A minha difícil relação com a Filosofia

Tinha eu 17 anos, no velhinho 6º ano do liceu (hoje chamar-se-á 11º ano unificado) quando tive o meu primeiro contacto oficial com a matéria da Filosofia.
Tive um excelente mestre, sei-o hoje, na altura não lhe ligávamos nenhuma. Era um professor madeirense, que sempre que dizia Filosofia pronunciava algo que nós ouvíamos como filhosofia.
Poderão imaginar como, aos 17 anos, aquela involuntária e muito tortuosa conotação erótica, era uma fonte de risos e piadas permanente: “ele ensina filhosofia mas não nos diz nada sobre como ter filhos, deveria haver aulas práticas !”
Enfim essa simples diferença de pronúncia fazia desvalorizar tudo aquilo que ele ensinava mas mesmo assim retive, até hoje, um aforismo que aprendi com ele e que equilibrei dentro de mim:
“A Filosofia não se ensina nem se aprende, pratica-se, ensinar Filosofia é apenas ensinar um vocabulário”
Como isto é verdade, todos somos filósofos de facto, o que nos pode faltar é o vocabulário próprio, as referências e o correcto enquadramento de diversas categorias filosóficas já amplamente pensadas e discutidas por grandes pensadores desde a mais remota antiguidade e que nos permitirá expressar melhor o que pensamos.
Como aluno fui excelente, participava muito nas aulas, punha questões filosóficas de tal nível que depressa ganharam o estatuto de “jordanadas”, eram questões, ingénuas umas, profundas outras, notáveis todas.
O professor chamava-me sofista.
No exame nacional do 7º e último ano do ensino secundário, obtive um notável 18 em Filosofia, entre outras questões defendendo ideias do abade Berkeley (hoje, ficou-me o nome na memória mas já não sei bem que ideias eram embora saiba que era suposto na altura o aluno refutá-las).
Depois a formação universitária no âmbito técnico e o contacto directo com matérias filosóficas quase desapareceu.
Mais recentemente voltou-me um enorme interesse em recordar e reforçar esse vocabulário de que falava o velho professor, porque filosofar, com os parcos meios que tinha, sempre o fiz toda a vida.
Graças a Deus que hoje temos o Google, que não havia na altura, e que nos permite ganhar muito tempo.
Filosofem pois também, que vale a pena !

2008-01-30

Especialização

Quando me comecei a interessar por gastronomia, procurava os bons restaurantes, ao alcance da minha bolsa.
Depois passei para os pratos, mais do que um bom restaurante procurava um bom prato, as melhores confecções desta ou daquela receita.
Agora dedico-me à demanda da garfada sublime. Garfada é uma maneira de dizer, pode ser colherada ou um bocado de pão ensopado, procuro os sublimes conjuntos de alimentos que por vezes entram simultaneamente na nossa boca.

2008-01-29

Eu, não sei mais do que um miúdo de 5 anos !

No recente concurso da RTP 1 “Eu não sei mais do que um miúdo de 10 anos” é pedido aos concorrentes perdedores, certamente para os punir e humilhar, que refiram a frase “Eu não sei mais do que um miúdo de 10 anos !”.
Felizmente todos os concorrentes, que tenho visto, repetem a expressão sem o mínimo constrangimento ou atrapalhação. Eu também o faria.
O curioso é que das matérias de que constam as questões colocadas nesse concurso, eu tenho muito mais informação do que um miúdo de 10 anos, mesmo sobre as que não acerto, pudera tive muito mais tempo para aprender do que um miúdo de 10 anos, mas como a declaração é genérica, “eu não sei mais ...” não tenho qualquer dúvida de que é verdadeira, não sei de facto mais do que um miúdo de 10 anos, nem sequer do que um miúdo de 3 anos, o que sei é coisas diferentes, muitas das que eles sabem nunca experimentei ou já foram banidas do meu cérebro. Todos os dia aprendo muito com os meus netos.
Mas o que motivou esta crónica foi o fim do telejornal de ontem na SIC, que apanhei no final e de raspão pelo que não sei reproduzir o exacto contexto.
Tratava-se de qualquer acção ou experiência que punha em contacto crianças de 4 ou 5 anos com a pintura surrealista, viam, explicavam e as crianças pintavam.
Como ouvi Siza Vieira dizer, todas as crianças desenham e pintam bem, é precisamente a escola e os constrangimentos da técnica que lhes retiram essa capacidade, excepto para alguns mais talentosos.
A jornalista da reportagem, porém, não sabia nada disto, e perguntou a uma miúda, com a expressão de quem espera uma resposta hilariante pela sua ingenuidade:
- Sabes o que é o surrealismo ?
A criança não se atrapalhou minimamente e respondeu-lhe como o próprio Dali o poderia ter feito num contexto semelhante:
- Sei, é imaginar umas coisas e pô-las no papel.
Nem mais !, a seguir, decepcionada com esta resposta, perguntou a um miúdo:
- E tu eras capaz de fazer uma pintura surrealista ?
A resposta do rapaz foi ainda mais brilhante, pensou um pouco e disse:
- Se a minha mãe me deixar ...!
Não, eu de facto não sei mais do que uma criança de 5 anos !

2008-01-28

A ASAE e a PIDE

Mendes Bota comparou a ASAE à PIDE.
Eu não partilho desta opinião, embora reconheça que nalguns planos de análise a comparação possa ser legítima. Simplificando, eram de facto ambas polícias que defendiam os interesses estabelecidos, nos respectivos tempos históricos, contra os interesses do povo.
O que não faz sentido foi a resposta de Sócrates, e ao não fazer sentido acabou por reforçar a própria argumentação que queria combater.
Disse Sócrates:
- A comparação é absurda porque a ASAE actua no cumprimento da lei !
Foi mais ou menos isto que ele disse, esquecendo que a PIDE como todas as polícias, por definição de polícia, também actuava no cumprimento da lei, só que era outra lei.
Numa coisa tem razão, o mal não está na ASAE, está na lei.

2008-01-27

Na minha Utopia

Na mesa ao meu lado de uma esplanada, 2 jovens discutiam sobre o futuro das suas carreiras académicas ponderando o que seria melhor estudar para conseguir arranjar um melhor emprego.
Pensei para comigo, na minha Utopia este diálogo não faz nenhum sentido, as pessoas não aprendem para arranjar emprego, aprendem apenas para ficarem a saber mais de tudo aquilo que lhes interessa!