O que tem de paradoxal a ignorância é que tem que se saber para se saber que não se sabe.
Quando Sócrates, o genuíno, não este que temos por cá, terá dito “Só sei que nada sei” não o fez como uma mera figura de estilo, disse apenas a verdade que adquiriu com a sua reflexão.
Só sabendo, como Sócrates sabia do seu universo, se pode tomar consciência de como o nosso conhecimento é limitado face ao todo que há para saber, e esse saber limitado comparado com o praticamente infinito que se desconhece pode, legitimamente, inferir-se que será como nada.
Há pois uma ignorância esclarecida e uma outra, aquela a que vulgarmente chamamos de ignorância, que não tem consciência de si própria.
Vem isto a propósito de um filme que circula na net, e que eu, por ignorância, não reproduzo aqui, com o final da participação de uma jovem e bonita loira americana, no concurso homólogo do nosso “Eu não sei mais do que uma criança de 10 anos”:
Perguntam-lhe a pergunta de 25000 Dólares:
- Budapeste é a capital de que país ?
A rapariga só “sabe” que lá se fala francês mas será a França um país? a Europa sim, é um país, isso sabe ela bem, mas a França o que será ?
O diálogo hilariante continua neste registo, até que ela decide “copiar”. O apresentador dá-lhe a resposta certa: “Hungary”.
A jovem fica estupefacta e pergunta “hungry” (esfomeado) ? há um país com este nome? nunca ouvi falar!
Para seu espanto o miúdo de 10 anos tinha acertado a resposta e ela ganhou os 25000 Dólares.
Um dos pontos de reflexão que este filme me sugeriu, foi o facto de ele vir intitulado, no e-mail que a minha sobrinha Inês me mandou, como “loira burra” isto porque é, de facto, vulgar confundir-se ignorância com falta de inteligência, quando na realidade nada têm a ver.
Aquela loira não foi nada burra, lidou com a situação de forma racional, conseguiu até ganhar de forma expedita o prémio que estava em jogo e com é bem bonita, arranjará certamente um noivo endinheirado que a fará talvez feliz, saberá até, possivelmente, capitalizar com o sucesso internacional do espectáculo da sua monumental ignorância sem corar de vergonha.
Porque o que ela claramente é: é profundamente ignorante do segundo tipo, do tipo dos que não têm consciência da sua própria ignorância.
Ora o mundo está cheio desta gente e infelizmente muitos até são inteligentes, mas disto falarei talvez depois.
2008-02-08
2008-02-07
É bem verdade
Em muitos homens é já uma falta de vergonha dizer eu.
In Th. W. Adorno “Minima Moralia”, aforismo 29, Frutinha
In Th. W. Adorno “Minima Moralia”, aforismo 29, Frutinha
2008-02-04
Resolvi contribuir para que não se percam 3% do PIB
Sexta feira ouvi na telefonia um Sr. Professor Economista, cujo nome não retive, assegurar que segundo os seus estudos as "pontes" em Portugal são responsáveis pela perda de 3% do PIB.
Não vi o tal estudo embora suspeite que o Sr. professor considere que os dias de ponte são dias a mais de lazer, como aliás serão no caso dele e de alguns mais que lhes basta dizer “hoje não vou trabalhar para fazer ponte”.
Infelizmente para a larga maioria dos trabalhadores os dias de "ponte" são deduzidos nas férias ou compensados por outros dias ou horas em que seria suposto não trabalhar ficando no fim do ano tudo na mesma.
Por outro lado, na mesma óptica do Professor, se trabalharmos mais horas semanais, sei lá, uma 60 horas o PIB deve subir como o caraças, espero que o Sócrates não se lembre disso.
Na dúvida, não quis arcar com essa responsabilidade. O PIB poderá não crescer mas ninguém poderá dizer que eu tenho culpa nisso.
Não vi o tal estudo embora suspeite que o Sr. professor considere que os dias de ponte são dias a mais de lazer, como aliás serão no caso dele e de alguns mais que lhes basta dizer “hoje não vou trabalhar para fazer ponte”.
Infelizmente para a larga maioria dos trabalhadores os dias de "ponte" são deduzidos nas férias ou compensados por outros dias ou horas em que seria suposto não trabalhar ficando no fim do ano tudo na mesma.
Por outro lado, na mesma óptica do Professor, se trabalharmos mais horas semanais, sei lá, uma 60 horas o PIB deve subir como o caraças, espero que o Sócrates não se lembre disso.
Na dúvida, não quis arcar com essa responsabilidade. O PIB poderá não crescer mas ninguém poderá dizer que eu tenho culpa nisso.
2008-02-01
Eu gosto muito do Sócrates
Mas é do outro, do Grego, porque este que cá temos deixa muito a desejar.
E de tanto que se pode criticar à sua acção nefasta, mecânica, robotizada, sem coração, os jornalistas só sabem pegar-lhe naquilo que ele tem de mais humano.
Assinar um projecto não significa necessariamente ter feito esse projecto, significa apenas que se assume a responsabilidade por ele, pode ser até um acto nobre:
Se um bom projecto é feito por alguém que sabe fazer bons projectos mas não tem a “coisa”, no sentido de Max Stirner, ou seja aquilo que faz falta para que a sociedade o aceite (o alvará, o dinheiro, a aparência, o título, enfim, a “coisa”) alguém que tem essa “coisa”, neste caso o título de engenheiro, assina o projecto e com este acto assume o risco inerente à responsabilidade, responde por ele se algo correr mal e isto será certamente um acto nobre de confiança.
Se por outro lado, o projecto foi roubado a alguém e abusivamente outro põe sobre ele a sua assinatura, cometerá um acto torpe e desprezível.
Ter assinado projectos que não terá feito é apenas irrelevante.
Neste caso são os jornalistas que se estão a comportar tipo ASAE.
E de tanto que se pode criticar à sua acção nefasta, mecânica, robotizada, sem coração, os jornalistas só sabem pegar-lhe naquilo que ele tem de mais humano.
Assinar um projecto não significa necessariamente ter feito esse projecto, significa apenas que se assume a responsabilidade por ele, pode ser até um acto nobre:
Se um bom projecto é feito por alguém que sabe fazer bons projectos mas não tem a “coisa”, no sentido de Max Stirner, ou seja aquilo que faz falta para que a sociedade o aceite (o alvará, o dinheiro, a aparência, o título, enfim, a “coisa”) alguém que tem essa “coisa”, neste caso o título de engenheiro, assina o projecto e com este acto assume o risco inerente à responsabilidade, responde por ele se algo correr mal e isto será certamente um acto nobre de confiança.
Se por outro lado, o projecto foi roubado a alguém e abusivamente outro põe sobre ele a sua assinatura, cometerá um acto torpe e desprezível.
Ter assinado projectos que não terá feito é apenas irrelevante.
Neste caso são os jornalistas que se estão a comportar tipo ASAE.
Marinho Pinto
Começa a incomodar muita gente.
Já deve ter uma série de agentes a vasculhar-lhe o passado à procura de algo mais escuro.
Creio que não conseguirá bater o sistema mas, pelo menos, a sua expressão feliz e muito certeira já ficou gravada:
“Temos uma justiça forte para os fracos e fraca para os fortes !”
Espero que nunca se parta o seu bastão.
Já deve ter uma série de agentes a vasculhar-lhe o passado à procura de algo mais escuro.
Creio que não conseguirá bater o sistema mas, pelo menos, a sua expressão feliz e muito certeira já ficou gravada:
“Temos uma justiça forte para os fracos e fraca para os fortes !”
Espero que nunca se parta o seu bastão.
2008-01-31
A minha difícil relação com a Filosofia
Tinha eu 17 anos, no velhinho 6º ano do liceu (hoje chamar-se-á 11º ano unificado) quando tive o meu primeiro contacto oficial com a matéria da Filosofia.
Tive um excelente mestre, sei-o hoje, na altura não lhe ligávamos nenhuma. Era um professor madeirense, que sempre que dizia Filosofia pronunciava algo que nós ouvíamos como filhosofia.
Poderão imaginar como, aos 17 anos, aquela involuntária e muito tortuosa conotação erótica, era uma fonte de risos e piadas permanente: “ele ensina filhosofia mas não nos diz nada sobre como ter filhos, deveria haver aulas práticas !”
Enfim essa simples diferença de pronúncia fazia desvalorizar tudo aquilo que ele ensinava mas mesmo assim retive, até hoje, um aforismo que aprendi com ele e que equilibrei dentro de mim:
“A Filosofia não se ensina nem se aprende, pratica-se, ensinar Filosofia é apenas ensinar um vocabulário”
Como isto é verdade, todos somos filósofos de facto, o que nos pode faltar é o vocabulário próprio, as referências e o correcto enquadramento de diversas categorias filosóficas já amplamente pensadas e discutidas por grandes pensadores desde a mais remota antiguidade e que nos permitirá expressar melhor o que pensamos.
Como aluno fui excelente, participava muito nas aulas, punha questões filosóficas de tal nível que depressa ganharam o estatuto de “jordanadas”, eram questões, ingénuas umas, profundas outras, notáveis todas.
O professor chamava-me sofista.
No exame nacional do 7º e último ano do ensino secundário, obtive um notável 18 em Filosofia, entre outras questões defendendo ideias do abade Berkeley (hoje, ficou-me o nome na memória mas já não sei bem que ideias eram embora saiba que era suposto na altura o aluno refutá-las).
Depois a formação universitária no âmbito técnico e o contacto directo com matérias filosóficas quase desapareceu.
Mais recentemente voltou-me um enorme interesse em recordar e reforçar esse vocabulário de que falava o velho professor, porque filosofar, com os parcos meios que tinha, sempre o fiz toda a vida.
Graças a Deus que hoje temos o Google, que não havia na altura, e que nos permite ganhar muito tempo.
Filosofem pois também, que vale a pena !
Tive um excelente mestre, sei-o hoje, na altura não lhe ligávamos nenhuma. Era um professor madeirense, que sempre que dizia Filosofia pronunciava algo que nós ouvíamos como filhosofia.
Poderão imaginar como, aos 17 anos, aquela involuntária e muito tortuosa conotação erótica, era uma fonte de risos e piadas permanente: “ele ensina filhosofia mas não nos diz nada sobre como ter filhos, deveria haver aulas práticas !”
Enfim essa simples diferença de pronúncia fazia desvalorizar tudo aquilo que ele ensinava mas mesmo assim retive, até hoje, um aforismo que aprendi com ele e que equilibrei dentro de mim:
“A Filosofia não se ensina nem se aprende, pratica-se, ensinar Filosofia é apenas ensinar um vocabulário”
Como isto é verdade, todos somos filósofos de facto, o que nos pode faltar é o vocabulário próprio, as referências e o correcto enquadramento de diversas categorias filosóficas já amplamente pensadas e discutidas por grandes pensadores desde a mais remota antiguidade e que nos permitirá expressar melhor o que pensamos.
Como aluno fui excelente, participava muito nas aulas, punha questões filosóficas de tal nível que depressa ganharam o estatuto de “jordanadas”, eram questões, ingénuas umas, profundas outras, notáveis todas.
O professor chamava-me sofista.
No exame nacional do 7º e último ano do ensino secundário, obtive um notável 18 em Filosofia, entre outras questões defendendo ideias do abade Berkeley (hoje, ficou-me o nome na memória mas já não sei bem que ideias eram embora saiba que era suposto na altura o aluno refutá-las).
Depois a formação universitária no âmbito técnico e o contacto directo com matérias filosóficas quase desapareceu.
Mais recentemente voltou-me um enorme interesse em recordar e reforçar esse vocabulário de que falava o velho professor, porque filosofar, com os parcos meios que tinha, sempre o fiz toda a vida.
Graças a Deus que hoje temos o Google, que não havia na altura, e que nos permite ganhar muito tempo.
Filosofem pois também, que vale a pena !
2008-01-30
Especialização
Quando me comecei a interessar por gastronomia, procurava os bons restaurantes, ao alcance da minha bolsa.
Depois passei para os pratos, mais do que um bom restaurante procurava um bom prato, as melhores confecções desta ou daquela receita.
Agora dedico-me à demanda da garfada sublime. Garfada é uma maneira de dizer, pode ser colherada ou um bocado de pão ensopado, procuro os sublimes conjuntos de alimentos que por vezes entram simultaneamente na nossa boca.
Depois passei para os pratos, mais do que um bom restaurante procurava um bom prato, as melhores confecções desta ou daquela receita.
Agora dedico-me à demanda da garfada sublime. Garfada é uma maneira de dizer, pode ser colherada ou um bocado de pão ensopado, procuro os sublimes conjuntos de alimentos que por vezes entram simultaneamente na nossa boca.
2008-01-29
Eu, não sei mais do que um miúdo de 5 anos !
No recente concurso da RTP 1 “Eu não sei mais do que um miúdo de 10 anos” é pedido aos concorrentes perdedores, certamente para os punir e humilhar, que refiram a frase “Eu não sei mais do que um miúdo de 10 anos !”.
Felizmente todos os concorrentes, que tenho visto, repetem a expressão sem o mínimo constrangimento ou atrapalhação. Eu também o faria.
O curioso é que das matérias de que constam as questões colocadas nesse concurso, eu tenho muito mais informação do que um miúdo de 10 anos, mesmo sobre as que não acerto, pudera tive muito mais tempo para aprender do que um miúdo de 10 anos, mas como a declaração é genérica, “eu não sei mais ...” não tenho qualquer dúvida de que é verdadeira, não sei de facto mais do que um miúdo de 10 anos, nem sequer do que um miúdo de 3 anos, o que sei é coisas diferentes, muitas das que eles sabem nunca experimentei ou já foram banidas do meu cérebro. Todos os dia aprendo muito com os meus netos.
Mas o que motivou esta crónica foi o fim do telejornal de ontem na SIC, que apanhei no final e de raspão pelo que não sei reproduzir o exacto contexto.
Tratava-se de qualquer acção ou experiência que punha em contacto crianças de 4 ou 5 anos com a pintura surrealista, viam, explicavam e as crianças pintavam.
Como ouvi Siza Vieira dizer, todas as crianças desenham e pintam bem, é precisamente a escola e os constrangimentos da técnica que lhes retiram essa capacidade, excepto para alguns mais talentosos.
A jornalista da reportagem, porém, não sabia nada disto, e perguntou a uma miúda, com a expressão de quem espera uma resposta hilariante pela sua ingenuidade:
- Sabes o que é o surrealismo ?
A criança não se atrapalhou minimamente e respondeu-lhe como o próprio Dali o poderia ter feito num contexto semelhante:
- Sei, é imaginar umas coisas e pô-las no papel.
Nem mais !, a seguir, decepcionada com esta resposta, perguntou a um miúdo:
- E tu eras capaz de fazer uma pintura surrealista ?
A resposta do rapaz foi ainda mais brilhante, pensou um pouco e disse:
- Se a minha mãe me deixar ...!
Não, eu de facto não sei mais do que uma criança de 5 anos !
Felizmente todos os concorrentes, que tenho visto, repetem a expressão sem o mínimo constrangimento ou atrapalhação. Eu também o faria.
O curioso é que das matérias de que constam as questões colocadas nesse concurso, eu tenho muito mais informação do que um miúdo de 10 anos, mesmo sobre as que não acerto, pudera tive muito mais tempo para aprender do que um miúdo de 10 anos, mas como a declaração é genérica, “eu não sei mais ...” não tenho qualquer dúvida de que é verdadeira, não sei de facto mais do que um miúdo de 10 anos, nem sequer do que um miúdo de 3 anos, o que sei é coisas diferentes, muitas das que eles sabem nunca experimentei ou já foram banidas do meu cérebro. Todos os dia aprendo muito com os meus netos.
Mas o que motivou esta crónica foi o fim do telejornal de ontem na SIC, que apanhei no final e de raspão pelo que não sei reproduzir o exacto contexto.
Tratava-se de qualquer acção ou experiência que punha em contacto crianças de 4 ou 5 anos com a pintura surrealista, viam, explicavam e as crianças pintavam.
Como ouvi Siza Vieira dizer, todas as crianças desenham e pintam bem, é precisamente a escola e os constrangimentos da técnica que lhes retiram essa capacidade, excepto para alguns mais talentosos.
A jornalista da reportagem, porém, não sabia nada disto, e perguntou a uma miúda, com a expressão de quem espera uma resposta hilariante pela sua ingenuidade:
- Sabes o que é o surrealismo ?
A criança não se atrapalhou minimamente e respondeu-lhe como o próprio Dali o poderia ter feito num contexto semelhante:
- Sei, é imaginar umas coisas e pô-las no papel.
Nem mais !, a seguir, decepcionada com esta resposta, perguntou a um miúdo:
- E tu eras capaz de fazer uma pintura surrealista ?
A resposta do rapaz foi ainda mais brilhante, pensou um pouco e disse:
- Se a minha mãe me deixar ...!
Não, eu de facto não sei mais do que uma criança de 5 anos !
2008-01-28
A ASAE e a PIDE
Mendes Bota comparou a ASAE à PIDE.
Eu não partilho desta opinião, embora reconheça que nalguns planos de análise a comparação possa ser legítima. Simplificando, eram de facto ambas polícias que defendiam os interesses estabelecidos, nos respectivos tempos históricos, contra os interesses do povo.
O que não faz sentido foi a resposta de Sócrates, e ao não fazer sentido acabou por reforçar a própria argumentação que queria combater.
Disse Sócrates:
- A comparação é absurda porque a ASAE actua no cumprimento da lei !
Foi mais ou menos isto que ele disse, esquecendo que a PIDE como todas as polícias, por definição de polícia, também actuava no cumprimento da lei, só que era outra lei.
Numa coisa tem razão, o mal não está na ASAE, está na lei.
Eu não partilho desta opinião, embora reconheça que nalguns planos de análise a comparação possa ser legítima. Simplificando, eram de facto ambas polícias que defendiam os interesses estabelecidos, nos respectivos tempos históricos, contra os interesses do povo.
O que não faz sentido foi a resposta de Sócrates, e ao não fazer sentido acabou por reforçar a própria argumentação que queria combater.
Disse Sócrates:
- A comparação é absurda porque a ASAE actua no cumprimento da lei !
Foi mais ou menos isto que ele disse, esquecendo que a PIDE como todas as polícias, por definição de polícia, também actuava no cumprimento da lei, só que era outra lei.
Numa coisa tem razão, o mal não está na ASAE, está na lei.
2008-01-27
Na minha Utopia
Na mesa ao meu lado de uma esplanada, 2 jovens discutiam sobre o futuro das suas carreiras académicas ponderando o que seria melhor estudar para conseguir arranjar um melhor emprego.
Pensei para comigo, na minha Utopia este diálogo não faz nenhum sentido, as pessoas não aprendem para arranjar emprego, aprendem apenas para ficarem a saber mais de tudo aquilo que lhes interessa!
Pensei para comigo, na minha Utopia este diálogo não faz nenhum sentido, as pessoas não aprendem para arranjar emprego, aprendem apenas para ficarem a saber mais de tudo aquilo que lhes interessa!
2008-01-24
Dois homens admiráveis
Quando há dias, morreu Bobby Fischer, não fiz ao facto nenhuma referência.
Senti que não era fácil falar de um homem tão notável e simultaneamente tão estranho.
Brilhante, inteligente, enorme jogador de xadrez, antipático, mimado, quezilento, caprichoso, livre.
Por outro lado, sempre que pensava em Bobby Fischer, por qualquer associação misteriosa estabelecida entre células do meu cérebro um outro nome me ocorria insistentemente à memória, o de Clive Sinclair, dizendo-me uma voz interior “não podes falar de um sem referir o outro”.
Revi então brevemente as minhas referências essenciais de um e de outro:
Bobby Fischer: O célebre “match” de 1972 entre Fischer e Spassky, o seu significado simbólico em termos da "guerra fria", a mediatização mundial a que foi sujeito, a qualidade do jogo, sobretudo de Fischer, as novidade teóricas que introduziu, os lances de génio, foram responsáveis por o meu crescente interesse por este jogo fascinante.
Em Portugal, e julgo que também na generalidade do mundo, na estação pública de televisão (única na altura) no primeiro canal, em horário nobre todos os jogos foram seguidos e comentados lance a lance por João Cordovil. Nunca isto tinha sido feito antes, com este desporto, nunca isto foi feito depois com o Xadrez.
Depois, o abandono to título mundial, a progressiva desvinculação à sua pátria, cujo prestígio e honra tão brilhantemente tinha defendido, afastamento que terminou em ódio desproporcionado.
No 11 de Setembro o comentário de Bobby Fischer ao ataque terrorista foi mais violento do que este “Um dia maravilhoso mas foram só duas torres, lamento que os EUA não tenham sido completamente banidos do mapa”.
Tudo isto está profusamente documentado na net, com artigos filmes e declarações do mesmo.
Clive Sinclair: Talvez no século XX ninguém tenha influenciado tanto o sentido do vertiginoso desenvolvimento tecnológico e tenha influenciado tanto as nossas vidas de hoje como Clive Sinclair.
A primeira calculadora electrónica que vi na minha vida foi no ano de 1969, tinha-a um colega meu de vastas posses, comprada nos EUA por 18 contos (nesse ano eu almoçava por mais ou menos 15$00) fazia as 4 operações de forma rápida e eficiente.
Quatro anos depois eu tinha a minha própria calculadora, oferecida pelo meu irmão Zé Manel, (estava portanto ao alcance da sua bolsa que não era então muito recheada) e alem das 4 operações extraía raízes quadradas e fazia ainda outras habilidades de que já não me recordo.
Quem tornou isto possível foi Clive Sinclair !
Por esses anos (1970) deslocámo-nos em visita de estudo à Fundação Gulbenkian para ver um monstro caríssimo que era um da meia dúzia dos computadores que existiam em Portugal, fazia cálculos terríveis e a grande velocidade. Feliz o país e a instituição suficientemente poderosa para ter um.
Alguns, poucos, anos depois, tinha já eu um computador em minha casa, tão poderoso como o “monstro” da Gulbenkian e comprado a partir do meu parco salário, o célebre 4K e pouco depois o magnífico e potentíssimo ZX-spectrum.
Quem tornou isso possível foi Clive Sinclair !
Depois, toda a gente seguiu os seus passos e ele parou, ainda se falou de que ia fazer o mesmo aos automóveis e pô-los ao preço dos amendoins, mas por uma razão ou outra, não vimos nada disso, pelo contrário, hoje dedica-se a jogar poker, parece que também muito bem, como tudo o que faz.
Reflectindo um pouco consigo perceber o que Bobby Fisher e Clive Sinclair têm em comum:
Ambos foram mentes brilhantes, ambos estiveram mesmo no centro do “main stream” com os holofotes sobre eles e ambos escolheram marginalizar-se, fazer o que lhes apetecia e dizer ao mundo “fuck you !”
Bem hajam !
Senti que não era fácil falar de um homem tão notável e simultaneamente tão estranho.
Brilhante, inteligente, enorme jogador de xadrez, antipático, mimado, quezilento, caprichoso, livre.
Por outro lado, sempre que pensava em Bobby Fischer, por qualquer associação misteriosa estabelecida entre células do meu cérebro um outro nome me ocorria insistentemente à memória, o de Clive Sinclair, dizendo-me uma voz interior “não podes falar de um sem referir o outro”.
Revi então brevemente as minhas referências essenciais de um e de outro:
Bobby Fischer: O célebre “match” de 1972 entre Fischer e Spassky, o seu significado simbólico em termos da "guerra fria", a mediatização mundial a que foi sujeito, a qualidade do jogo, sobretudo de Fischer, as novidade teóricas que introduziu, os lances de génio, foram responsáveis por o meu crescente interesse por este jogo fascinante.
Em Portugal, e julgo que também na generalidade do mundo, na estação pública de televisão (única na altura) no primeiro canal, em horário nobre todos os jogos foram seguidos e comentados lance a lance por João Cordovil. Nunca isto tinha sido feito antes, com este desporto, nunca isto foi feito depois com o Xadrez.
Depois, o abandono to título mundial, a progressiva desvinculação à sua pátria, cujo prestígio e honra tão brilhantemente tinha defendido, afastamento que terminou em ódio desproporcionado.
No 11 de Setembro o comentário de Bobby Fischer ao ataque terrorista foi mais violento do que este “Um dia maravilhoso mas foram só duas torres, lamento que os EUA não tenham sido completamente banidos do mapa”.
Tudo isto está profusamente documentado na net, com artigos filmes e declarações do mesmo.
Clive Sinclair: Talvez no século XX ninguém tenha influenciado tanto o sentido do vertiginoso desenvolvimento tecnológico e tenha influenciado tanto as nossas vidas de hoje como Clive Sinclair.
A primeira calculadora electrónica que vi na minha vida foi no ano de 1969, tinha-a um colega meu de vastas posses, comprada nos EUA por 18 contos (nesse ano eu almoçava por mais ou menos 15$00) fazia as 4 operações de forma rápida e eficiente.
Quatro anos depois eu tinha a minha própria calculadora, oferecida pelo meu irmão Zé Manel, (estava portanto ao alcance da sua bolsa que não era então muito recheada) e alem das 4 operações extraía raízes quadradas e fazia ainda outras habilidades de que já não me recordo.
Quem tornou isto possível foi Clive Sinclair !
Por esses anos (1970) deslocámo-nos em visita de estudo à Fundação Gulbenkian para ver um monstro caríssimo que era um da meia dúzia dos computadores que existiam em Portugal, fazia cálculos terríveis e a grande velocidade. Feliz o país e a instituição suficientemente poderosa para ter um.
Alguns, poucos, anos depois, tinha já eu um computador em minha casa, tão poderoso como o “monstro” da Gulbenkian e comprado a partir do meu parco salário, o célebre 4K e pouco depois o magnífico e potentíssimo ZX-spectrum.
Quem tornou isso possível foi Clive Sinclair !
Depois, toda a gente seguiu os seus passos e ele parou, ainda se falou de que ia fazer o mesmo aos automóveis e pô-los ao preço dos amendoins, mas por uma razão ou outra, não vimos nada disso, pelo contrário, hoje dedica-se a jogar poker, parece que também muito bem, como tudo o que faz.
Reflectindo um pouco consigo perceber o que Bobby Fisher e Clive Sinclair têm em comum:
Ambos foram mentes brilhantes, ambos estiveram mesmo no centro do “main stream” com os holofotes sobre eles e ambos escolheram marginalizar-se, fazer o que lhes apetecia e dizer ao mundo “fuck you !”
Bem hajam !
2008-01-21
A semiótica dos dísticos da Lei 37/2007

Uma situação insólita que merece ser estudada a vários níveis é a dos dísticos (Anexo I da Lei 37/2007) obrigatórios para assinalar os locais onde se pode e onde não se pode fumar, sobretudo o referente à proibição.
Há tempos que é comum uma simbologia própria dirigida aos actos de fumar e de não fumar:
Para o caso da proibição de fumar consiste numa representação gráfica de um cigarro aceso atravessada por um traço ou uma cruz, que na nossa cultura sugere negação ou então sem esse traço ou cruz para os casos em que fumar é autorizado.
Por vezes ainda se reforça essa ideia introduzindo a cor vermelha, que na nossa cultura sugere proibição, isto, nos casos em que fumar é proibido e deixando uma cor neutra para o caso em que é permitido.
Também é vulgar a inserção do sígno de proibição de fumar num circulo debruado a vermelho sugerindo a analogia aos sinais de trânsito de proibição.
Para se ser mais claro por vezes ainda se é mais explícito escrevendo um texto explicativo: qualquer coisa como “proibido fumar” nos sinais que indicam proibição ou contrariamente “permitido fumar”, “zona de fumo” ou outra expressão análoga para identificar locais onde fumar é permitido.
A Lei 37/2007 contudo não se satisfez com esta sinalética já consagrada e inequívoca, resolveu exigir algo novo e confuso, como de resto parece ser toda a lei.
Nos casos da proibição lá foi buscar o cigarro com a cruz, lá foi buscar o vermelho da proibição mas, o que é que resolveu lá escrever ? que é proíbido fumar ? zona, área ou estabelecimento onde não se pode fumar ? qualquer coisa que explicitasse que ali não se pode fumar ? não, espanto dos espantos, resolveu escrever “Não fumadores; no smokers; non fumeurs” dirigindo a sua mensagem não para o acto ilícito mas para as pessoas em si, induzindo a ideia que a questão não está em fumar ou não fumar mas em ser ou não ser fumador. O mal não é o acto o mal é a própria pessoa e, naquele ambiente vermelho proibitivo, só uma mensagem me ocorre ao espírito; ali não podem estar não fumadores, no smokers e non fumeurs ou seja que apenas poderão lá estar fumadores mas que no entanto não poderão fumar porque também lá está o cigarro com a cruzinha.
Ou será que a mensagem é: "aqui os não fumadores não podem fumar", sugerindo que desde que se seja fumador se poderá fumar à vontade !
Ou, pelo contrário quererá dizer que só os não fumadores podem lá estar e nunca um fumador, ainda que não fume !
Quem raio serão aqueles “não fumadores, no smokers, non fumeurs” ?
Uma coisa é certa, quem concebeu esta sinalética percebe muito pouco de semiótica ou tem algum transtorno mental que o fez confundir a luta anti tabágica com a luta anti fumadores.
Há tempos que é comum uma simbologia própria dirigida aos actos de fumar e de não fumar:
Para o caso da proibição de fumar consiste numa representação gráfica de um cigarro aceso atravessada por um traço ou uma cruz, que na nossa cultura sugere negação ou então sem esse traço ou cruz para os casos em que fumar é autorizado.
Por vezes ainda se reforça essa ideia introduzindo a cor vermelha, que na nossa cultura sugere proibição, isto, nos casos em que fumar é proibido e deixando uma cor neutra para o caso em que é permitido.
Também é vulgar a inserção do sígno de proibição de fumar num circulo debruado a vermelho sugerindo a analogia aos sinais de trânsito de proibição.
Para se ser mais claro por vezes ainda se é mais explícito escrevendo um texto explicativo: qualquer coisa como “proibido fumar” nos sinais que indicam proibição ou contrariamente “permitido fumar”, “zona de fumo” ou outra expressão análoga para identificar locais onde fumar é permitido.
A Lei 37/2007 contudo não se satisfez com esta sinalética já consagrada e inequívoca, resolveu exigir algo novo e confuso, como de resto parece ser toda a lei.
Nos casos da proibição lá foi buscar o cigarro com a cruz, lá foi buscar o vermelho da proibição mas, o que é que resolveu lá escrever ? que é proíbido fumar ? zona, área ou estabelecimento onde não se pode fumar ? qualquer coisa que explicitasse que ali não se pode fumar ? não, espanto dos espantos, resolveu escrever “Não fumadores; no smokers; non fumeurs” dirigindo a sua mensagem não para o acto ilícito mas para as pessoas em si, induzindo a ideia que a questão não está em fumar ou não fumar mas em ser ou não ser fumador. O mal não é o acto o mal é a própria pessoa e, naquele ambiente vermelho proibitivo, só uma mensagem me ocorre ao espírito; ali não podem estar não fumadores, no smokers e non fumeurs ou seja que apenas poderão lá estar fumadores mas que no entanto não poderão fumar porque também lá está o cigarro com a cruzinha.
Ou será que a mensagem é: "aqui os não fumadores não podem fumar", sugerindo que desde que se seja fumador se poderá fumar à vontade !
Ou, pelo contrário quererá dizer que só os não fumadores podem lá estar e nunca um fumador, ainda que não fume !
Quem raio serão aqueles “não fumadores, no smokers, non fumeurs” ?
Uma coisa é certa, quem concebeu esta sinalética percebe muito pouco de semiótica ou tem algum transtorno mental que o fez confundir a luta anti tabágica com a luta anti fumadores.
2008-01-17
17 de Janeiro de 2016
Circulo no meu carro numa estrada isolada, ao fundo começo a desvendar indícios de uma brigada de controlo misto da GNR e da ASAE.
Lá estão as metralhadoras, as máscaras encobrindo o rosto, os fatos de ninja dos polícias da ASAE e a velha farda cinzenta dos GNR.
Fico tenso: “diabos, onde vou eu esconder o cigarro ? se o deito pela janela eles vêem, o carro não tem cinzeiro, desde que foram proibidos”. Cuspo para o cigarro para o apagar, atiro-o para o chão e com os pés meto-o de baixo do tapete.
Entretanto estou já próximo da brigada fazem-me já sinais para encostar à direita.
Encosto e paro, dirige-se para mim um GNR. A 2 metros, 4 agentes ninjas da ASAE rodeiam o carro empunhando as metralhadoras.
Abro o vidro:
- Bom dia Sr. Guarda !
- Bom dia, os seus documentos.
Pediu-me o GNR, enquanto os olhos percorrem o interior da viatura e o nariz procura sinais de fumo.
Um pouco atarantado lá tiro do porta luvas o documento único da viatura e, da carteira, o meu documento único.
O GNR examina o “chip” com o seu leitor de “chips”.
- Parece estar tudo em ordem mas o Sr. esteve aqui a fumar !
- Eu ? Sr Guarda. Nem pensar nisso, há anos que não fumo.
- Tá bem, dê-me então o seu certificado de “jogging”.
Rebusco a carteira e lá encontro o papel já em mau estado de tanto uso, entrego-lho.
O GNR examina-o e diz-me:
- Falta aqui o carimbo de “jogging” da semana do Natal.
- Oh Sr. Guarda, eu fiz o “jogging” mas com a pressa das prendas esqueci-me de ir pôr o carimbo.
- Pois é, o carro cheira a fumo, o Sr. não leva o “jogging” a sério, e os contribuintes honestos é que têm de pagar para sua saúde enquanto o Sr. lhe vai dando cabo, sem nenhuma consideração pelos outros !
- Oh Sr. Guarda, nada disso, foi só um esquecimento, eu faço sempre os meus 5 quilómetros de jogging semanais.
- Bom, vá-se lá embora antes que os meus colegas da ASAE se apercebam, olhe que eles não perdoam e ainda o mandam para interrogatório, multa e curso de reabilitação cívica durante um mês, e se não passar no exame já sabe, fica sem carro e desconto no vencimento.
- Obrigado Sr. Guarda, vou ter o maior cuidado !
Lá segui o meu caminho em paz, o Governo zela por nós e graças a Deus ainda há um pouco de bom senso !
Lá estão as metralhadoras, as máscaras encobrindo o rosto, os fatos de ninja dos polícias da ASAE e a velha farda cinzenta dos GNR.
Fico tenso: “diabos, onde vou eu esconder o cigarro ? se o deito pela janela eles vêem, o carro não tem cinzeiro, desde que foram proibidos”. Cuspo para o cigarro para o apagar, atiro-o para o chão e com os pés meto-o de baixo do tapete.
Entretanto estou já próximo da brigada fazem-me já sinais para encostar à direita.
Encosto e paro, dirige-se para mim um GNR. A 2 metros, 4 agentes ninjas da ASAE rodeiam o carro empunhando as metralhadoras.
Abro o vidro:
- Bom dia Sr. Guarda !
- Bom dia, os seus documentos.
Pediu-me o GNR, enquanto os olhos percorrem o interior da viatura e o nariz procura sinais de fumo.
Um pouco atarantado lá tiro do porta luvas o documento único da viatura e, da carteira, o meu documento único.
O GNR examina o “chip” com o seu leitor de “chips”.
- Parece estar tudo em ordem mas o Sr. esteve aqui a fumar !
- Eu ? Sr Guarda. Nem pensar nisso, há anos que não fumo.
- Tá bem, dê-me então o seu certificado de “jogging”.
Rebusco a carteira e lá encontro o papel já em mau estado de tanto uso, entrego-lho.
O GNR examina-o e diz-me:
- Falta aqui o carimbo de “jogging” da semana do Natal.
- Oh Sr. Guarda, eu fiz o “jogging” mas com a pressa das prendas esqueci-me de ir pôr o carimbo.
- Pois é, o carro cheira a fumo, o Sr. não leva o “jogging” a sério, e os contribuintes honestos é que têm de pagar para sua saúde enquanto o Sr. lhe vai dando cabo, sem nenhuma consideração pelos outros !
- Oh Sr. Guarda, nada disso, foi só um esquecimento, eu faço sempre os meus 5 quilómetros de jogging semanais.
- Bom, vá-se lá embora antes que os meus colegas da ASAE se apercebam, olhe que eles não perdoam e ainda o mandam para interrogatório, multa e curso de reabilitação cívica durante um mês, e se não passar no exame já sabe, fica sem carro e desconto no vencimento.
- Obrigado Sr. Guarda, vou ter o maior cuidado !
Lá segui o meu caminho em paz, o Governo zela por nós e graças a Deus ainda há um pouco de bom senso !
2008-01-11
Alcochete
Se bem se recordam ou poderão rever aqui, já em Junho eu tinha muito poucas dúvidas de que o aeroporto iria para Alcochete e expliquei por quê.
Se bem se recordam também ou, se têm dúvidas, poderão consultar a imprensa próxima dessa data, a opinião prevalecente na época era a de que a hipótese Alcochete não passava de uma mera manobra de diversão do Governo para conduzir a Presidência da UE de forma mais descansada mas que logo que essa acabasse a Ota lá voltaria à ribalta.
Pois é, mas não voltou, como eu já então dizia, e nem há demissões de Ministros, nem Sócrates cora de vergonha, fica tudo como dantes e amanhã já ninguém se lembra do que se passou.
Na verdade não é que eu tenha qualidades divinatórias, uma perspicácia fora do comum ou que tenha sido beneficiado por um golpe de sorte a única razão para ter visto logo é que eu, já então, não andava enganado pelo “grande equívoco” de que falei uns postes abaixo.
Se bem se recordam também ou, se têm dúvidas, poderão consultar a imprensa próxima dessa data, a opinião prevalecente na época era a de que a hipótese Alcochete não passava de uma mera manobra de diversão do Governo para conduzir a Presidência da UE de forma mais descansada mas que logo que essa acabasse a Ota lá voltaria à ribalta.
Pois é, mas não voltou, como eu já então dizia, e nem há demissões de Ministros, nem Sócrates cora de vergonha, fica tudo como dantes e amanhã já ninguém se lembra do que se passou.
Na verdade não é que eu tenha qualidades divinatórias, uma perspicácia fora do comum ou que tenha sido beneficiado por um golpe de sorte a única razão para ter visto logo é que eu, já então, não andava enganado pelo “grande equívoco” de que falei uns postes abaixo.
2008-01-10
100% de mortalidade verificada entre população não fumadora
Estudo realizado pela universidade de Birskin em sete aldeias Europeias onde a totalidade da população era de não fumadores, demonstra inequivocamente que toda a população morreu, ao fim de poucos anos, revelando não ter grande resistência à doença e sobretudo à peste.
O Estudo incidiu sobre a população de 2 aldeias francesas, 2 escocesas, 2 gregas e 1 polaca, que viveu no século XIV (Segundo o Prof. Isac Morris que dirigiu este estudo, esta data foi criteriosamente escolhida de forma a assegurar a sua qualidade de não fumadores, impedindo a ocorrência de "falsos não fumadores" que poderiam enviesar os resultados). “Não podemos assegurar com toda certeza que a mortalidade foi de 100% mas temos uma vasta equipa de investigadores a procurar e a verdade é que até ao momento não foi possível detectar ainda um único caso de sobrevivência” afirmou-nos o Prof. Morris.
Este estudo tem estado a abalar a comunidade científica e o “lobby” anti-tabagista: “temos que rever alguns aspectos” disse Rick Norman, leader da Associação Internacional por uma Vida Saudável: “Somos obrigados a reconhecer que este estudo foi conduzido com a mesmo cuidado e competência que os nossos próprios estudos que têm demonstrado os malefícios provocados pelo fumo do cigarro entre a população de fumadores passivos”.
O Estudo incidiu sobre a população de 2 aldeias francesas, 2 escocesas, 2 gregas e 1 polaca, que viveu no século XIV (Segundo o Prof. Isac Morris que dirigiu este estudo, esta data foi criteriosamente escolhida de forma a assegurar a sua qualidade de não fumadores, impedindo a ocorrência de "falsos não fumadores" que poderiam enviesar os resultados). “Não podemos assegurar com toda certeza que a mortalidade foi de 100% mas temos uma vasta equipa de investigadores a procurar e a verdade é que até ao momento não foi possível detectar ainda um único caso de sobrevivência” afirmou-nos o Prof. Morris.
Este estudo tem estado a abalar a comunidade científica e o “lobby” anti-tabagista: “temos que rever alguns aspectos” disse Rick Norman, leader da Associação Internacional por uma Vida Saudável: “Somos obrigados a reconhecer que este estudo foi conduzido com a mesmo cuidado e competência que os nossos próprios estudos que têm demonstrado os malefícios provocados pelo fumo do cigarro entre a população de fumadores passivos”.
2008-01-08
O grande equívoco
Antes de Galileu o mundo também pensava que era o sol que se movia em torno da terra e custou a perceber que era ao contrário que as coisas se passavam.
Agora, a generalidade dos analistas também pensa que é o Governo que no seu jogo partidário procura manipular a banca e os grandes grupos económicos.
Puro engano, a instância política é um mero pião manipulado no grande “jogo” do capital e servindo os seus interesses. Como a comunicação social aliás.
O equívoco mantêm-se apenas porque isso convêm aos “jogadores”: “É tão bom ter as leis desenhadas para defender os meus interesses enquanto todos pensam que eu não tenho nada a ver com isso”
Agora, a generalidade dos analistas também pensa que é o Governo que no seu jogo partidário procura manipular a banca e os grandes grupos económicos.
Puro engano, a instância política é um mero pião manipulado no grande “jogo” do capital e servindo os seus interesses. Como a comunicação social aliás.
O equívoco mantêm-se apenas porque isso convêm aos “jogadores”: “É tão bom ter as leis desenhadas para defender os meus interesses enquanto todos pensam que eu não tenho nada a ver com isso”
2008-01-06
Morreu Luiz Pacheco
Talvez tenha sido necessário este sacrifício para que todos possamos finalmente ler os seus livros
2008-01-04
O Sr. Ministro da Saúde já explicou tudo
Tive o cuidado de Levar Sr. Presidente da Câmara da Anadia até à Andaluzia onde lhe mostrei um hospital magnífico com todas as valências e mais alguma e disse-lhe.
- Sr. Presidente, tudo isto será seu se não se opuser ao fecho nocturno do hospital da Anadia.
Não é que o ingrato não quis ? foi praticamente o único, assim não dá
- Sr. Presidente, tudo isto será seu se não se opuser ao fecho nocturno do hospital da Anadia.
Não é que o ingrato não quis ? foi praticamente o único, assim não dá
2008-01-02
Fiquei mais animado
Eu que sou um fumador militante.
Que os meus instantes de felicidade, estão muitas vezes associados àqueles momentos diários a que eu chamo “momentos de nicotina, cafeína e álcool”, como há alguns anos já expliquei aqui.
Eu que trabalho diariamente num pequeno gabinete individual de um Serviço público, com janela, extracção de ar e uma excelente vista sobre Lisboa.
Comecei há já algum tempo a planear a minha acção de “desobediência cívil” que me permita sobreviver incólume até que o cigarro e apenas esse me mate.
Estudei a famigerada Lei anti-tabágica e vi que era difícil, os inimigos estão por todo o lado.
A ajuda veio de onde menos esperava, do General inimigo, do próprio Presidente da ASAE.
Diz ele que nos casinos é permitido, releio a lei e não me restam dúvidas, está lá escarrapachado que é proibido, de várias formas e em diversos pontos mas é certo, a palavra casino não consta !
O DG da Saúde reagiu logo, mas aos poucos foi-se encolhendo e os casinos rejubilaram.
E há mais tantas palavras que lá não constam !
Abriu-se uma enorme brecha de segurança.
Renasceu-me uma esperança.
Que os meus instantes de felicidade, estão muitas vezes associados àqueles momentos diários a que eu chamo “momentos de nicotina, cafeína e álcool”, como há alguns anos já expliquei aqui.
Eu que trabalho diariamente num pequeno gabinete individual de um Serviço público, com janela, extracção de ar e uma excelente vista sobre Lisboa.
Comecei há já algum tempo a planear a minha acção de “desobediência cívil” que me permita sobreviver incólume até que o cigarro e apenas esse me mate.
Estudei a famigerada Lei anti-tabágica e vi que era difícil, os inimigos estão por todo o lado.
A ajuda veio de onde menos esperava, do General inimigo, do próprio Presidente da ASAE.
Diz ele que nos casinos é permitido, releio a lei e não me restam dúvidas, está lá escarrapachado que é proibido, de várias formas e em diversos pontos mas é certo, a palavra casino não consta !
O DG da Saúde reagiu logo, mas aos poucos foi-se encolhendo e os casinos rejubilaram.
E há mais tantas palavras que lá não constam !
Abriu-se uma enorme brecha de segurança.
Renasceu-me uma esperança.
2007-12-30
O fascínio da neve
Agora que muita gente procura usufruir desse prazer simples de brincar com a neve que é tão escassa no nosso país, permitindo-nos extrair desse meteoro natural apenas os seus aspectos agradáveis, recordo-me da Polónia no Inverno e em como a neve aí é uma presença constante e incómoda talvez como, para nós, a chuva no dia a dia. É chato, mas tem que ser e sabemos que faz falta.
Na formação que lá fiz falava-lhes como um exemplo de valorização dos recursos locais, falava-lhes do fluxo turístico, que anualmente, em Fevereiro, percorrem Trás os Montes para ver o espectáculo deslumbrante das amendoeiras em flor.
Todos sentiam como natural e belo esse espectáculo, só se riam com uma gargalhada franca quando eu referia:
- É que toda aquela mancha de flores brancas nos lembra a neve !
Na formação que lá fiz falava-lhes como um exemplo de valorização dos recursos locais, falava-lhes do fluxo turístico, que anualmente, em Fevereiro, percorrem Trás os Montes para ver o espectáculo deslumbrante das amendoeiras em flor.
Todos sentiam como natural e belo esse espectáculo, só se riam com uma gargalhada franca quando eu referia:
- É que toda aquela mancha de flores brancas nos lembra a neve !
2007-12-29
Armando Vara
Há quem diga que foi meteórica a carreira de Armando Vara, que não tem curriculum suficiente para integrar a administração do BCP.
Vejamos:
Armando Vara, há mais ou menos 20 anos, era um discreto empregado duma remota agência bancária e, já então, uma “estrela” ascendente na estrutura regional do PS.
Seguiu a “glory road” laboriosamente, talentosamente. Há muitos que o tentam fazer sem o conseguir (a maioria) mas Vara sim, sabendo avançar quando era possível e retroceder também quando necessário.
O partido proporcionou-lhe a escada que precisava e lá foi subindo, degrau a degrau sem cair prematuramente.
Chegou quase ao topo, primeiro a uma direcção de serviços e depois à administração da CGD e não desiludiu, pelo contrário.
Agora dá mais um passo, para o BCP.
Um arrivista, dizem alguns, veio de pára-quedas.
A estes que falam pergunto eu e Paulo Azevedo, de onde veio ?
E, Rui Vilar, sem pôr em dúvida a sua competência, já provada entretanto , mas que passou quase directamente da licenciatura para o topo da administração privada, e tantos outros, quase todos os gestores de topo ?
Será que a escada das influencias e das relações familiares vale mais do que qualquer outra ?
Será que alguns que nascem já com curriculum feito é que têm competência genética ?
Como dizia um mestre “é pelos frutos que se conhecem as árvores”.
Critiquem Vara quando, e se, ele produzir maus frutos no BCP, para já, ainda é cedo, são meros preconceitos.
Vejamos:
Armando Vara, há mais ou menos 20 anos, era um discreto empregado duma remota agência bancária e, já então, uma “estrela” ascendente na estrutura regional do PS.
Seguiu a “glory road” laboriosamente, talentosamente. Há muitos que o tentam fazer sem o conseguir (a maioria) mas Vara sim, sabendo avançar quando era possível e retroceder também quando necessário.
O partido proporcionou-lhe a escada que precisava e lá foi subindo, degrau a degrau sem cair prematuramente.
Chegou quase ao topo, primeiro a uma direcção de serviços e depois à administração da CGD e não desiludiu, pelo contrário.
Agora dá mais um passo, para o BCP.
Um arrivista, dizem alguns, veio de pára-quedas.
A estes que falam pergunto eu e Paulo Azevedo, de onde veio ?
E, Rui Vilar, sem pôr em dúvida a sua competência, já provada entretanto , mas que passou quase directamente da licenciatura para o topo da administração privada, e tantos outros, quase todos os gestores de topo ?
Será que a escada das influencias e das relações familiares vale mais do que qualquer outra ?
Será que alguns que nascem já com curriculum feito é que têm competência genética ?
Como dizia um mestre “é pelos frutos que se conhecem as árvores”.
Critiquem Vara quando, e se, ele produzir maus frutos no BCP, para já, ainda é cedo, são meros preconceitos.
2007-12-27
Questão de números
A TVI ontem começou o seu noticiário nobre com o seguinte título:
“Crise, qual crise ?”
Depois explicava que milhares de Portugueses iriam passar o ano no Brasil, na Madeira e noutros destinos de “luxo”.
Só não percebeu que a resposta à sua questão estava contida nesse mesmo texto.
Para fora foram, de facto, milhares, só que nós somos milhões e ficámos em casa por causa da crise.
Para esclarecimento da TVI informo que, em Portugal, um milhão são mil milhares.
“Crise, qual crise ?”
Depois explicava que milhares de Portugueses iriam passar o ano no Brasil, na Madeira e noutros destinos de “luxo”.
Só não percebeu que a resposta à sua questão estava contida nesse mesmo texto.
Para fora foram, de facto, milhares, só que nós somos milhões e ficámos em casa por causa da crise.
Para esclarecimento da TVI informo que, em Portugal, um milhão são mil milhares.
A situação no BCP
A sabedoria popular já há muito enquadrou o que se está a passar com o BCP:
“Zangam-se as comadres, descobrem-se as verdades !”
“Zangam-se as comadres, descobrem-se as verdades !”
2007-12-23
Embora o mundo ainda não tenha percebido
Todas as regiões, lugares, são especiais, únicos, irrepetíveis !
Como estas que eu conheço:
Um conjunto de algumas aldeias portuguesas, no Sul no Centro, enfim em todos os pontos cardeais e colaterais, uma vasta zona de deserto em várias partes do mundo, um extenso complexo desportivo em ruínas, saudoso de velhas glórias, na Polónia, uma lixeira de resíduos tóxicos perigosos agora coberta de relva e com ovelhas a pastar, perto de mim, segundo me dizem.
Também como aquela insistentemente referida no “Meu nome é legião” de António Lobo Antunes:
"3 (três) edifícios inteiros mais ½ (metade) direita de um à esquerda e 2/5 (dois quintos) da esquerda de outro à direita."
É para dar esta notícia que é importante a noção de "marketing territorial".
É por isso que estou a escrever um livro sobre esta temática.
Como estas que eu conheço:
Um conjunto de algumas aldeias portuguesas, no Sul no Centro, enfim em todos os pontos cardeais e colaterais, uma vasta zona de deserto em várias partes do mundo, um extenso complexo desportivo em ruínas, saudoso de velhas glórias, na Polónia, uma lixeira de resíduos tóxicos perigosos agora coberta de relva e com ovelhas a pastar, perto de mim, segundo me dizem.
Também como aquela insistentemente referida no “Meu nome é legião” de António Lobo Antunes:
"3 (três) edifícios inteiros mais ½ (metade) direita de um à esquerda e 2/5 (dois quintos) da esquerda de outro à direita."
É para dar esta notícia que é importante a noção de "marketing territorial".
É por isso que estou a escrever um livro sobre esta temática.
2007-12-21
A questão do referendo
É uma questão simplicíssima.
Por coerência, por honestidade, por uma questão de sentido democrático, pela ilusão de que é ou deveria ser o povo quem mais ordena, por tudo isso e ainda muito mais se deveria referendar o tratado constitucional.
É óbvio.
Porque não se referenda então ?
Por uma questão matemática simples:
Se todos os 27 Estados Membros referendassem o tratado, o tratado não passaria nunca, nem este nem qualquer outro.
Mesmo que houvesse 90 % de probabilidades de o tratado ser ratificado em referendo em cada um dos Estados Membros, o que já por si é duvidoso, a probabilidade de que o mesmo fosse ratificado em todos os Estados Membros seria de apenas cerca de 5 %.
É isto que nos diz a estatística, com alguns pressupostos facilmente assumíveis.
Só há uma maneira de sair deste impasse, como alguém já propôs, fazer um único referendo europeu !
Por coerência, por honestidade, por uma questão de sentido democrático, pela ilusão de que é ou deveria ser o povo quem mais ordena, por tudo isso e ainda muito mais se deveria referendar o tratado constitucional.
É óbvio.
Porque não se referenda então ?
Por uma questão matemática simples:
Se todos os 27 Estados Membros referendassem o tratado, o tratado não passaria nunca, nem este nem qualquer outro.
Mesmo que houvesse 90 % de probabilidades de o tratado ser ratificado em referendo em cada um dos Estados Membros, o que já por si é duvidoso, a probabilidade de que o mesmo fosse ratificado em todos os Estados Membros seria de apenas cerca de 5 %.
É isto que nos diz a estatística, com alguns pressupostos facilmente assumíveis.
Só há uma maneira de sair deste impasse, como alguém já propôs, fazer um único referendo europeu !
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