“Depressa fiquei com a sensação de que ele, tal como o recordava, estava a penetrar em toda a parte, a infectar com a sua presença a maneira de pensar e a vida quotidiana de todas as pessoas, de tal forma que a sua mediocridade, o seu tédio, os hábitos cinzentos se tornavam a própria vida do meu país. E finalmente a lei por ele estabelecida – a implacável força da maioria, o incessante sacrifício ao ídolo da maioria – perdeu todo o significado sociológico, pois a maioria era ele.”
Vladimir Nabokov “Tiranos derrubados” in Contos completos
2007-11-28
2007-11-21
Uma tarde no parque
Voltei ao parque infantil do Alvito, com os meus netos, 50 anos depois de lá ter estado eu próprio, várias vezes, de bibe e pião.
Trepar por umas gaiolas de ferro, que já não existem (certamente a UE deu-se conta de que elas matavam e baniu-as), era a minha brincadeira favorita, agora é o “barco dos piratas”, em madeira e cordas, que mais atrai as crianças.
Na popa do “barco dos piratas”, com vento de feição, viajava eu enquanto Pedro corria de uma ponta a outra do “barco”; “é ágil o meu neto”, pensava, quando senti o telemóvel vibrar-me no bolso. Quem seria àquela hora ?
Era o Adriano, meu filho e companheiro de blogue, onde já não escreve porque perdeu a “password”, e que me diz assim:
- Pai, ouve esta quadra !
A ligação estava péssima.
- Que quadra?
- Está no livro do Luiz Pacheco.
- É uma quadra do Luiz Pacheco ?
- Não, vem citada no livro dele mas é do Fernando Pessoa, ouve só
Pareceu-me ouvir o seguinte:
Sento-me frente a frente
E sei quem sou
Sou louco, obviamente
Mas que louco sou ?
Já procurei, em vão, se será mesmo de Fernando Pessoa e se será assim como a ouvi.
É que o meu filho acha que ela tem muito que ver comigo e eu, por acaso, também não deixo de achar.
Trepar por umas gaiolas de ferro, que já não existem (certamente a UE deu-se conta de que elas matavam e baniu-as), era a minha brincadeira favorita, agora é o “barco dos piratas”, em madeira e cordas, que mais atrai as crianças.
Na popa do “barco dos piratas”, com vento de feição, viajava eu enquanto Pedro corria de uma ponta a outra do “barco”; “é ágil o meu neto”, pensava, quando senti o telemóvel vibrar-me no bolso. Quem seria àquela hora ?
Era o Adriano, meu filho e companheiro de blogue, onde já não escreve porque perdeu a “password”, e que me diz assim:
- Pai, ouve esta quadra !
A ligação estava péssima.
- Que quadra?
- Está no livro do Luiz Pacheco.
- É uma quadra do Luiz Pacheco ?
- Não, vem citada no livro dele mas é do Fernando Pessoa, ouve só
Pareceu-me ouvir o seguinte:
Sento-me frente a frente
E sei quem sou
Sou louco, obviamente
Mas que louco sou ?
Já procurei, em vão, se será mesmo de Fernando Pessoa e se será assim como a ouvi.
É que o meu filho acha que ela tem muito que ver comigo e eu, por acaso, também não deixo de achar.
2007-11-19
2007-11-16
O Desbaste pelo alto, sempre ele
No Ministério da agricultura há pouquíssimos Directores Gerais dignos dessa função.
Digo pouquíssimos para não dizer 2 porque há um ou outro que não conheço e não quero cometer uma injustiça.
Hoje passou a haver pouquíssimos menos 1.
Parece que o Sr. Director Geral das Florestas não tinha a confiança do Sr. Ministro.
Presumo que confiará nos outros !
Digo pouquíssimos para não dizer 2 porque há um ou outro que não conheço e não quero cometer uma injustiça.
Hoje passou a haver pouquíssimos menos 1.
Parece que o Sr. Director Geral das Florestas não tinha a confiança do Sr. Ministro.
Presumo que confiará nos outros !
É minha intenção
Restringir o acesso a este blogue.
Só a minha falta de domínio informático e de HTML me tem travado mas eu vou lá chegar um dia, faço assim:
Ao acederem à página vão encontrar a seguinte mensagem:
Este blogue pode fazer mal a espíritos menos esclarecidos.
Para sua protecção e para que não perca o seu precioso tempo inutilmente peço-lhe que opte por uma das 5 respostas às seguintes 3 questões.
Se as suas respostas não coincidirem com as que nós entendemos como correctas a leitura deste blogue não lhe trará nenhum benefício, por favor regresse ao seu trabalho para merecer o salário que ganha.
As questões colocadas serão as seguintes:
A palavra Kafka associa-a a quê ?
1. Jogador do Bayern de Munich que marcou, com um pontapé de bicicleta um golo imortal que deu a este clube o título de Campeão Europeu de 1984.
2. Cientista sueco, prémio Nobel da medicina em 1942 que descobriu os mecanismos de propagação da herpes.
3, Escritor checo-eslovaco do século XX que escreveu entre outras obras os seguintes romances: “O processo” e “A metamorfose”.
4. Nada disto.
5. Tudo isto.
Unabomber será ?
1. Nome dado pelos americanos à bomba atómica lançada sobre Hiroshima no final da segunda Guerra Mundial. ?
2. Uma conhecida marca de bombas para encher pneus de bicicleta. ?
3. O nome porque ficou conhecido Theodor Kaczinski depois de matar 3 pessoas e tentar matar diversas outras através de dispositivos explosivos enviados pelo correio, a fim de denunciar e chamar a atenção pública para o que Almada Negreiros chamou, entre muitos outros, a “intrujice da civilização” ?
4. Nome porque ficou conhecida Linda Bart após ganhar o título de Miss Universo em 1987 ?
5. Uma marca de comida para bebés altamente saudável e energética ?
Osama Bin Laden é:
1. Uma expressão hebraica que significa “Os cães ladram mas a caravana passa” ?
2. Uma expressão árabe significando “Nem tudo o que luz é ouro” ?
3. Juramento maçónico, utilizado na Grande Loja do Oriente Lusitano ?
4. Fundador da “AL Qaeda” ?
5. Aventureiro, originário da Arábia Saudita, que colaborou com a CIA na libertação da ocupação soviética do Afeganistão.
Vão-se pois treinando
Só a minha falta de domínio informático e de HTML me tem travado mas eu vou lá chegar um dia, faço assim:
Ao acederem à página vão encontrar a seguinte mensagem:
Este blogue pode fazer mal a espíritos menos esclarecidos.
Para sua protecção e para que não perca o seu precioso tempo inutilmente peço-lhe que opte por uma das 5 respostas às seguintes 3 questões.
Se as suas respostas não coincidirem com as que nós entendemos como correctas a leitura deste blogue não lhe trará nenhum benefício, por favor regresse ao seu trabalho para merecer o salário que ganha.
As questões colocadas serão as seguintes:
A palavra Kafka associa-a a quê ?
1. Jogador do Bayern de Munich que marcou, com um pontapé de bicicleta um golo imortal que deu a este clube o título de Campeão Europeu de 1984.
2. Cientista sueco, prémio Nobel da medicina em 1942 que descobriu os mecanismos de propagação da herpes.
3, Escritor checo-eslovaco do século XX que escreveu entre outras obras os seguintes romances: “O processo” e “A metamorfose”.
4. Nada disto.
5. Tudo isto.
Unabomber será ?
1. Nome dado pelos americanos à bomba atómica lançada sobre Hiroshima no final da segunda Guerra Mundial. ?
2. Uma conhecida marca de bombas para encher pneus de bicicleta. ?
3. O nome porque ficou conhecido Theodor Kaczinski depois de matar 3 pessoas e tentar matar diversas outras através de dispositivos explosivos enviados pelo correio, a fim de denunciar e chamar a atenção pública para o que Almada Negreiros chamou, entre muitos outros, a “intrujice da civilização” ?
4. Nome porque ficou conhecida Linda Bart após ganhar o título de Miss Universo em 1987 ?
5. Uma marca de comida para bebés altamente saudável e energética ?
Osama Bin Laden é:
1. Uma expressão hebraica que significa “Os cães ladram mas a caravana passa” ?
2. Uma expressão árabe significando “Nem tudo o que luz é ouro” ?
3. Juramento maçónico, utilizado na Grande Loja do Oriente Lusitano ?
4. Fundador da “AL Qaeda” ?
5. Aventureiro, originário da Arábia Saudita, que colaborou com a CIA na libertação da ocupação soviética do Afeganistão.
Vão-se pois treinando
2007-11-15
Os fantasmas da história
O que me surpreende (ou não se pensarmos bem sobre o assunto) é que não obstante o mundo globalizado, o estonteante desenvolvimento tecnológico, as dicas e as tricas de cada dia que absorvem a nossa atenção e movem as nossas paixões, há um lastro de história, de cultura, de qualquer coisa, que se mantem presente, contamina a nossa racionalidade (ou dá-nos uma mais ampla racionalidade) e continua a condicionar as nossas opções e comportamentos mais simples.
Vi isto no Quebeque:
- « S`il vous plait, on va parler en français »
Vi isto na Bélgica flamenga:
- “I can speak French but please let’s talk in English”
Vi isto na Polónia, na Silésia, que até há poucas dezenas de anos era Alemã, vi-o no sorriso artificial dos empregados de hotel polacos para os hóspedes alemães que se transformava num temporário esgar depreciativo quando se voltavam para nós (não alemães) e comentavam “niemęc” (alemão) esboçando então um sorriso genuíno.
Vi isto na Hungria numa manifestação anti-judeus, que, segundo os organizadores, estão paulatinamente a recuperar o seu poder perdido na Hungria e vi também, por exemplo num mapa em pedra numa pequena aldeia húngara onde se desenhava a Hungria que somos, incluindo a vasta Tasmânia (hoje Romena) e outras áreas em mãos estrangeiras e, a Hungria que nos obrigam a ser com os limites oficiais actuais.
Vi isto em Israel onde parece que Moisés ainda os está guiando para a terra prometida.
Vi isto no meu amigo Bernard Ehrwein, francês de origem alsaciana que me dizia:
- Não suporto quando tiram o H ao meu nome.
E em Portugal, apesar dos seus 900 anos de fronteiras estáveis, vejo como chegou até nós o eco da humilhação nacional do mapa cor-de-rosa e mais recentemente, onde eu estive também, no espantoso grito por Timor que o mundo ouviu e respeitou.
O nosso Império foi construído sobre um monte de ignomínia, dizia lucidamente Eça de Queiroz mas a verdade é que foi o nosso império, feito por nós e é isso que conta.
E é assim que eu vejo o recente episódio do “Por qué no te callas” do Rei de Espanha:
Para a maioria dos espanhóis e dos portugueses, porque nisto somos irmãos do espanhóis, foi a resposta à altura dum grande da Europa, a um arrogante, malcriado e balofo índio mascarado de Presidente mas a quem falta a patine, muita corte e muito chá.
Para os muitos Venzuelanos afectos a Chavez (e deste nome Chavez e da língua que fala já não se liberta) foi mais uma prova da intolerável arrogância dos ex‑conquistadores, dos ex‑patrões para um valoroso Índio que tenta redimir a sua terra mãe de todas as humilhações passadas.
Não parece mas têm todos razão, as idiossincrasias é que são diferentes ! e ainda bem.
Vi isto no Quebeque:
- « S`il vous plait, on va parler en français »
Vi isto na Bélgica flamenga:
- “I can speak French but please let’s talk in English”
Vi isto na Polónia, na Silésia, que até há poucas dezenas de anos era Alemã, vi-o no sorriso artificial dos empregados de hotel polacos para os hóspedes alemães que se transformava num temporário esgar depreciativo quando se voltavam para nós (não alemães) e comentavam “niemęc” (alemão) esboçando então um sorriso genuíno.
Vi isto na Hungria numa manifestação anti-judeus, que, segundo os organizadores, estão paulatinamente a recuperar o seu poder perdido na Hungria e vi também, por exemplo num mapa em pedra numa pequena aldeia húngara onde se desenhava a Hungria que somos, incluindo a vasta Tasmânia (hoje Romena) e outras áreas em mãos estrangeiras e, a Hungria que nos obrigam a ser com os limites oficiais actuais.
Vi isto em Israel onde parece que Moisés ainda os está guiando para a terra prometida.
Vi isto no meu amigo Bernard Ehrwein, francês de origem alsaciana que me dizia:
- Não suporto quando tiram o H ao meu nome.
E em Portugal, apesar dos seus 900 anos de fronteiras estáveis, vejo como chegou até nós o eco da humilhação nacional do mapa cor-de-rosa e mais recentemente, onde eu estive também, no espantoso grito por Timor que o mundo ouviu e respeitou.
O nosso Império foi construído sobre um monte de ignomínia, dizia lucidamente Eça de Queiroz mas a verdade é que foi o nosso império, feito por nós e é isso que conta.
E é assim que eu vejo o recente episódio do “Por qué no te callas” do Rei de Espanha:
Para a maioria dos espanhóis e dos portugueses, porque nisto somos irmãos do espanhóis, foi a resposta à altura dum grande da Europa, a um arrogante, malcriado e balofo índio mascarado de Presidente mas a quem falta a patine, muita corte e muito chá.
Para os muitos Venzuelanos afectos a Chavez (e deste nome Chavez e da língua que fala já não se liberta) foi mais uma prova da intolerável arrogância dos ex‑conquistadores, dos ex‑patrões para um valoroso Índio que tenta redimir a sua terra mãe de todas as humilhações passadas.
Não parece mas têm todos razão, as idiossincrasias é que são diferentes ! e ainda bem.
2007-11-10
Morreu um homem lúcido
Há quem diga que eu não gosto de americanos, não é verdade, do que não gosto é da América e do que ela hoje significa. Dos americanos apenas lastimo esse seu “handicap” natural que torna mais difícil o seu crescimento.
Manter a lucidez sendo nado e criado nos EUA é um facto notável, Norman Mailer, que hoje morreu, pertencia a essa categoria escassa embora também, felizmente, inesgotável.
Manter a lucidez sendo nado e criado nos EUA é um facto notável, Norman Mailer, que hoje morreu, pertencia a essa categoria escassa embora também, felizmente, inesgotável.
Dilema
Hoje, durante o almoço, conversávamos sobre aquela agressão violenta e absurda de um jovem a uma, ainda mais jovem, passageira de um metro que há alguns dias se passou.
Foi em Espanha mas com a ajuda dos vídeos de vigilância e a multiplicação pelos media passou-se de facto em todo o lado onde foi notícia.
Do que falávamos, foi da passividade dos outros passageiros, que assistiram a tudo “in loco” sem que tenham tido um gesto para neutralizar o acto bárbaro como vai sendo corrente em situações similares.
Está alguma coisa podre no reino da Dinamarca, sem dúvida, o que será isto ? esta total insensibilidade ? esta ausência de sentido de justiça e de solidariedade ?
Será que por qualquer acaso se juntaram naquele dia, naquele momento, naquela carruagem do metro, uma série de homens e mulheres, todos, sem o mínimo caracter ?
Foi essa a conclusão que aparentemente extraímos dos factos durante o almoço.
Mais tarde tornou-se-me evidente que não, a razão tem que ser forçosamente outra.
Pensei mesmo no que faria eu se lá estivesse e sinceramente não sei o que faria, actuaria talvez ou talvez desculpasse a minha inércia fazendo-me pensar que acto tão insólito poderia ser qualquer iniciativa do espectáculo, qualquer “apanhados” enfim qualquer situação que não me dizia respeito e onde não teria o direito de intervir.
Era uma realidade feia de mais e este mundo aliena-nos tanto !
Foi em Espanha mas com a ajuda dos vídeos de vigilância e a multiplicação pelos media passou-se de facto em todo o lado onde foi notícia.
Do que falávamos, foi da passividade dos outros passageiros, que assistiram a tudo “in loco” sem que tenham tido um gesto para neutralizar o acto bárbaro como vai sendo corrente em situações similares.
Está alguma coisa podre no reino da Dinamarca, sem dúvida, o que será isto ? esta total insensibilidade ? esta ausência de sentido de justiça e de solidariedade ?
Será que por qualquer acaso se juntaram naquele dia, naquele momento, naquela carruagem do metro, uma série de homens e mulheres, todos, sem o mínimo caracter ?
Foi essa a conclusão que aparentemente extraímos dos factos durante o almoço.
Mais tarde tornou-se-me evidente que não, a razão tem que ser forçosamente outra.
Pensei mesmo no que faria eu se lá estivesse e sinceramente não sei o que faria, actuaria talvez ou talvez desculpasse a minha inércia fazendo-me pensar que acto tão insólito poderia ser qualquer iniciativa do espectáculo, qualquer “apanhados” enfim qualquer situação que não me dizia respeito e onde não teria o direito de intervir.
Era uma realidade feia de mais e este mundo aliena-nos tanto !
2007-11-04
2 histórias (reais ?)
História 1 – A Mãe Assassina
Na Madeira, há uma rapariga, egoísta, preguiçosa, que não quer trabalhar mas apenas cuida do seu prazer.
A sua vida dissoluta e a sua irresponsabilidade, (a pílula, toda a gente conhece) deu-lhe uma filha que não podia cuidar.
Ela, espertalhona, bem tentou sacar subsídios e apoios do Estado, que vendo bem a sua irresponsabilidade e muito bem, lhe recusou tudo, sem descurar todavia o problema da menina.
Ela (a mãe), que se lixasse, que continuasse o seu caminho para a perdição ou então que trabalhasse porque tinha um bom corpinho, assim ela o quisesse, mas a pobre menina teria que ser poupada aos maus tratos dessa mãe irresponsável, seria acudida pela sociedade numa instituição.
Incrivelmente a valdevina, raivosa foi à instituição e, sobre o pretexto de lhe dar uma laranjada, envenenou cruelmente a sua própria filha, que morreu, assassinada pela própria mãe (se é que se pode dar esse nome a esta criminosa).
Vendo que não tinha saída com a justiça, nem com a sua vida, em boa hora a mãe bebeu também do mesmo veneno e só não morreu (porque todos os diabos têm sorte) ou porque a sociedade a acudiu prontamente, mas há-de pagá-las mais tarde, se Deus quiser.
História 2 – A Desamparada
Na Madeira, ao Deus dará, vivia uma menina que, como todo o ser humano, lutava pela vida.
Todas as portas se lhe fechavam, e o único bálsamo para a sua vida só o encontrava entre os amigos e companheiros de infortúnio, até que um dia nasceu-lhe uma criança.
Então sentiu que nesse bebé estaria o seu tesouro, e todo o sentido para a sua vida.
Pediu ajuda, sabia que a sociedade podia ajudar em situações como esta, até tinha uma filha para criar (não há até o rendimento mínimo ou lá o que é ?) mas não, não era para ela, afinal era só para outros.
Não podia sobreviver nem dar à sua filha o futuro que merecia, diferente do dela.
Incrivelmente, a única resposta da sociedade foi tirar-lhe a criança, a sua própria vida.
Desesperada, sentindo que já nada fazia sentido, tomou a única decisão possível:
- Se a vida não nos quer, saímos nós !
Dirigiu-se à instituição onde estava a sua filha e ambas partilharam uma laranjada envenenada.
A sua filha morreu logo, ela, infelizmente, sobreviveu, até aí falhou !
Estas histórias, misturadas, ouvia-as na comunicação social, a história verdadeira, receio bem que nunca a saberemos.
Na Madeira, há uma rapariga, egoísta, preguiçosa, que não quer trabalhar mas apenas cuida do seu prazer.
A sua vida dissoluta e a sua irresponsabilidade, (a pílula, toda a gente conhece) deu-lhe uma filha que não podia cuidar.
Ela, espertalhona, bem tentou sacar subsídios e apoios do Estado, que vendo bem a sua irresponsabilidade e muito bem, lhe recusou tudo, sem descurar todavia o problema da menina.
Ela (a mãe), que se lixasse, que continuasse o seu caminho para a perdição ou então que trabalhasse porque tinha um bom corpinho, assim ela o quisesse, mas a pobre menina teria que ser poupada aos maus tratos dessa mãe irresponsável, seria acudida pela sociedade numa instituição.
Incrivelmente a valdevina, raivosa foi à instituição e, sobre o pretexto de lhe dar uma laranjada, envenenou cruelmente a sua própria filha, que morreu, assassinada pela própria mãe (se é que se pode dar esse nome a esta criminosa).
Vendo que não tinha saída com a justiça, nem com a sua vida, em boa hora a mãe bebeu também do mesmo veneno e só não morreu (porque todos os diabos têm sorte) ou porque a sociedade a acudiu prontamente, mas há-de pagá-las mais tarde, se Deus quiser.
História 2 – A Desamparada
Na Madeira, ao Deus dará, vivia uma menina que, como todo o ser humano, lutava pela vida.
Todas as portas se lhe fechavam, e o único bálsamo para a sua vida só o encontrava entre os amigos e companheiros de infortúnio, até que um dia nasceu-lhe uma criança.
Então sentiu que nesse bebé estaria o seu tesouro, e todo o sentido para a sua vida.
Pediu ajuda, sabia que a sociedade podia ajudar em situações como esta, até tinha uma filha para criar (não há até o rendimento mínimo ou lá o que é ?) mas não, não era para ela, afinal era só para outros.
Não podia sobreviver nem dar à sua filha o futuro que merecia, diferente do dela.
Incrivelmente, a única resposta da sociedade foi tirar-lhe a criança, a sua própria vida.
Desesperada, sentindo que já nada fazia sentido, tomou a única decisão possível:
- Se a vida não nos quer, saímos nós !
Dirigiu-se à instituição onde estava a sua filha e ambas partilharam uma laranjada envenenada.
A sua filha morreu logo, ela, infelizmente, sobreviveu, até aí falhou !
Estas histórias, misturadas, ouvia-as na comunicação social, a história verdadeira, receio bem que nunca a saberemos.
Referendo
A participação, por vezes, permite melhorar a qualidade das decisões a tomar mas pode ter também uma função na legitimação das decisões tomadas.
Digamos que há uma razão honesta para apelar para um referendo mas também uma razão manipulativa.
É exclusivamente esta versão interesseira que tem guiado os “opinion makers” no debate sobre a oportunidade do referendo ao tratado Europeu.
Até ao momento não vi ninguém, mesmo ninguém, que demostrasse uma genuína vontade em conhecer o que pensam realmente os portugueses sobre o assunto.
Assim não preciso de referendo nenhum.
Digamos que há uma razão honesta para apelar para um referendo mas também uma razão manipulativa.
É exclusivamente esta versão interesseira que tem guiado os “opinion makers” no debate sobre a oportunidade do referendo ao tratado Europeu.
Até ao momento não vi ninguém, mesmo ninguém, que demostrasse uma genuína vontade em conhecer o que pensam realmente os portugueses sobre o assunto.
Assim não preciso de referendo nenhum.
Adjectivos certeiros
A escolha das palavras certas nem sempre é tarefa fácil.
Por isso admirei Bagão Félix pelo seu acerto ao classificar a proposta de orçamento do Governo:
É um orçamento manhoso, disse.
Também António Lobo Antunes numa das entrevistas abaixo citadas, resumiu certeiramente a condição do povo português:
Desamparados referiu, os portugueses vivem desamparados.
Acho que é de facto assim que nos sentimos.
Por isso admirei Bagão Félix pelo seu acerto ao classificar a proposta de orçamento do Governo:
É um orçamento manhoso, disse.
Também António Lobo Antunes numa das entrevistas abaixo citadas, resumiu certeiramente a condição do povo português:
Desamparados referiu, os portugueses vivem desamparados.
Acho que é de facto assim que nos sentimos.
2007-10-28
James Whatson
Não faço ideia, nem tampouco me importa muito, saber se a raça negra é mais ou menos inteligente que a orgulhosa raça caucasiana, até porque a inteligência tal como nós geralmente a vemos e tentamos medir nos testes de QI tem uma marca cultural vincada, é feita á nossa imagem e semelhança.
Depois este modelo civilizacional que criámos não abona muito pela inteligência da raça branca, talvez se fossemos um pouco mais burros as coisas tivessem corrido melhor.
Por último os homens não se medem nem aos palmos, nem aos QI, nem a nenhum atributo de que tenha sido dotado sem que tenha contribuído nada para ele.
Despedir o Sr. Whatson de um dos seus empregos e crucificá-lo na praça pública por dizer que pensa que os pretos são menos inteligentes do que os brancos é que não demonstra, de facto, muita inteligência.
Depois este modelo civilizacional que criámos não abona muito pela inteligência da raça branca, talvez se fossemos um pouco mais burros as coisas tivessem corrido melhor.
Por último os homens não se medem nem aos palmos, nem aos QI, nem a nenhum atributo de que tenha sido dotado sem que tenha contribuído nada para ele.
Despedir o Sr. Whatson de um dos seus empregos e crucificá-lo na praça pública por dizer que pensa que os pretos são menos inteligentes do que os brancos é que não demonstra, de facto, muita inteligência.
2007-10-24
Portugal, um país sem Norte
Portugal nunca teve Norte, o que tem tido sempre é Minho, Trás-os-Montes e Douro.
Não sei que luminária descobriu o Norte em Portugal:
Primeiro, timidamente foi introduzindo a CCRN (Comissão de Coordenação da Região Norte, suponho), depois a doença passou para a agricultura e criou-se a Direcção Regional de Agricultura do Norte, onde dantes haviam as de Entre o Douro e Minho e de Trás-os-Montes.
Agora quer fazer o mesmo com as Regiões de Turismo: acaba o Minho, acaba o Douro, acaba Trás-os-Montes e fica o Norte.
Qualquer técnico de “marketing” sabe que a segmentação é a “core strategy” a estratégia central, o segredo do sucesso, mas os sucessivos governos vão entendendo que o ideal é caldear tudo: vinha de enforcado, recortes verdes na paisagem, o berço de Portugal, Guimarães, o Reino Suevo, o vinho verde, as escarpas do Douro, as vinhas em mortórios e socalcos, o vinho do Porto, os rabelos, os pauliteiros de Miranda, as alheiras, os folares, os castinçais, Gerês, e por aí fora é tudo a mesma coisa, para não dizer o que realmente pensam: é tudo a mesma merda.
Viva o Norte homogeneizado!
Não sei que luminária descobriu o Norte em Portugal:
Primeiro, timidamente foi introduzindo a CCRN (Comissão de Coordenação da Região Norte, suponho), depois a doença passou para a agricultura e criou-se a Direcção Regional de Agricultura do Norte, onde dantes haviam as de Entre o Douro e Minho e de Trás-os-Montes.
Agora quer fazer o mesmo com as Regiões de Turismo: acaba o Minho, acaba o Douro, acaba Trás-os-Montes e fica o Norte.
Qualquer técnico de “marketing” sabe que a segmentação é a “core strategy” a estratégia central, o segredo do sucesso, mas os sucessivos governos vão entendendo que o ideal é caldear tudo: vinha de enforcado, recortes verdes na paisagem, o berço de Portugal, Guimarães, o Reino Suevo, o vinho verde, as escarpas do Douro, as vinhas em mortórios e socalcos, o vinho do Porto, os rabelos, os pauliteiros de Miranda, as alheiras, os folares, os castinçais, Gerês, e por aí fora é tudo a mesma coisa, para não dizer o que realmente pensam: é tudo a mesma merda.
Viva o Norte homogeneizado!
2007-10-20
Porreiro pá !
Lá conseguiste tirar a Europa do impasse em que se arrastava pá !
Foi um feito pá !
Tu, o Luis Amado, o Lobo Antunes e todos os outros, é preciso não esquecer os outros, lá conseguiram o tratado, ainda por cima o tratado de Lisboa e no fundo, vê bem, até foi mais fácil do que parecia.
Mas não te esqueças pá, que foram precisamente as qualidades que tu partilhas com os outros portugueses, as qualidades que tu mais desprezas e combates que te valeram agora.
Foi o vira do Minho, as palmadas nas costas, as anedotas privadas, o puxar o problemas para a sua real dimensão que te levaram ao sucesso.
Ainda bem, afinal isto também não é uma Nicarágua qualquer.
Assim vais lá e a cimeira com África também há-de ir, se Deus quiser
Foi um feito pá !
Tu, o Luis Amado, o Lobo Antunes e todos os outros, é preciso não esquecer os outros, lá conseguiram o tratado, ainda por cima o tratado de Lisboa e no fundo, vê bem, até foi mais fácil do que parecia.
Mas não te esqueças pá, que foram precisamente as qualidades que tu partilhas com os outros portugueses, as qualidades que tu mais desprezas e combates que te valeram agora.
Foi o vira do Minho, as palmadas nas costas, as anedotas privadas, o puxar o problemas para a sua real dimensão que te levaram ao sucesso.
Ainda bem, afinal isto também não é uma Nicarágua qualquer.
Assim vais lá e a cimeira com África também há-de ir, se Deus quiser
2007-10-16
Ainda o défice
O défice lá foi para baixo como eu já tinha dito aqui e, se não me engano, ainda vai ficar mais baixo do que os 3% quando o ano terminar, a ver vamos.
Os analistas dividem-se: foi a despesa que diminuiu ou foi a receita que aumentou ?
Como o mestre italiano das pizzas eu diria “foi tudo”.
È que a questão é outra: um corte brutal destes tem de fazer sangue, mas aonde ?
Os analistas, que na sua generalidade não são funcionários públicos e os que o são estão em escalões de excepção do funcionalismo, querem mais cortes no orçamento, pensam “os impostos aleijam a todos mas os cortes nas despesas correntes só aleijam esses parasitas dos funcionários, bem feita !”
Pois eu sou como todos, quero aumentos nos impostos que eu não pago e reduções naqueles que eu pago, e cortes nos salários dos outros pançudos porque o meu é bem pequeno e precisa é de subir.
Isto, pode não parecer, mas é fina análise económica espero que o Senhor Engenheiro Sócrates leia isto e aprenda.
(Nota à margem: o meu corrector ortográfico não aceita “Sócrates” e sugere-me “secreta”, ele lá saberá porquê!)
Os analistas dividem-se: foi a despesa que diminuiu ou foi a receita que aumentou ?
Como o mestre italiano das pizzas eu diria “foi tudo”.
È que a questão é outra: um corte brutal destes tem de fazer sangue, mas aonde ?
Os analistas, que na sua generalidade não são funcionários públicos e os que o são estão em escalões de excepção do funcionalismo, querem mais cortes no orçamento, pensam “os impostos aleijam a todos mas os cortes nas despesas correntes só aleijam esses parasitas dos funcionários, bem feita !”
Pois eu sou como todos, quero aumentos nos impostos que eu não pago e reduções naqueles que eu pago, e cortes nos salários dos outros pançudos porque o meu é bem pequeno e precisa é de subir.
Isto, pode não parecer, mas é fina análise económica espero que o Senhor Engenheiro Sócrates leia isto e aprenda.
(Nota à margem: o meu corrector ortográfico não aceita “Sócrates” e sugere-me “secreta”, ele lá saberá porquê!)
2007-10-14
A União Europeia
Cimentar a unidade entre a diferença, cultural e individual é o problema que sempre se enfrenta na construção de uma sociedade.
Geralmente usa-se a força para garantir a hegemonia de um grupo sobre outros ou então a doutrinação maciça que reprime diferenças, esmaga qualquer rasgo individual impondo a homogeneização social.
A União Europeia é um caso singular e único de tentativa de construir uma sociedade respeitando as diferenças.
Lenta, laboriosamente, com avanços e recuos lá vai dando os seus passos na construção dessa teia.
Como a calçada portuguesa é feita pedra a pedra, apenas burilando pequenos defeitos, vai-se estendendo e dando-nos um chão firme para caminharmos.
Sai bem mais cara do que o tapete de cimento é mais lenta de construir, cansa um pouco mais andar sobre ela mas é bem mais bonita.
Geralmente usa-se a força para garantir a hegemonia de um grupo sobre outros ou então a doutrinação maciça que reprime diferenças, esmaga qualquer rasgo individual impondo a homogeneização social.
A União Europeia é um caso singular e único de tentativa de construir uma sociedade respeitando as diferenças.
Lenta, laboriosamente, com avanços e recuos lá vai dando os seus passos na construção dessa teia.
Como a calçada portuguesa é feita pedra a pedra, apenas burilando pequenos defeitos, vai-se estendendo e dando-nos um chão firme para caminharmos.
Sai bem mais cara do que o tapete de cimento é mais lenta de construir, cansa um pouco mais andar sobre ela mas é bem mais bonita.
2007-10-12
Os Jornais gratuitos
Têm uma coisa boa, puseram a ler gente que, até aqui, o único contacto com as letras se limitava ao destino da carreira.
Vejo-os a ler, atentos, de dedo estendido para não perderem a linha, a ler, a ler.
Só por isso vale o Destak !
Vejo-os a ler, atentos, de dedo estendido para não perderem a linha, a ler, a ler.
Só por isso vale o Destak !
2007-10-07
Serenidade
Embora não seja habitual comigo, tenho estado a viver uns dias de intensa actividade profissional que me tem retirado tempo para postar.
Escrevo agora, apenas para assinalar o que foi, par mim, o facto mais assinalável dos últimos dias, refiro-me às duas entrevistas concedidas ao DN e á Visão por António Lobo Antunes.
Pode ler aqui a do DN e aqui a da Visão.
Escrevo agora, apenas para assinalar o que foi, par mim, o facto mais assinalável dos últimos dias, refiro-me às duas entrevistas concedidas ao DN e á Visão por António Lobo Antunes.
Pode ler aqui a do DN e aqui a da Visão.
2007-09-28
Birmânia - Um povo em armas
Apesar de lutar sem armas e contra armas !
O povo birmanês está a dar uma lição de coragem a um mundo adormecido e embriagado por um quotidiano tonto.
Visitar este blogue é já uma pequena ajuda.
O povo birmanês está a dar uma lição de coragem a um mundo adormecido e embriagado por um quotidiano tonto.
Visitar este blogue é já uma pequena ajuda.
2007-09-25
Como este mundo encara a vida
Não se conseguiu unanimidade para criar o dia europeu contra a pena de morte mas já existe o dia mundial da contracepção !
Parece até que é hoje.
Parece até que é hoje.
2007-09-24
Birmânia
Hoje, na Birmânia, estou a ver nitidamente esta pequenina luz.
Brilha.
Uma pequenina luz
Uma pequenina luz bruxuleante
não na distância brilhando no extremo da estrada
aqui no meio de nós e a multidão em volta
une toute petite lumière
just a little light
una picolla... em todas as línguas do mundo
uma pequena luz bruxuleante
brilhando incerta mas brilhando
aqui no meio de nós
entre o bafo quente da multidãoa
ventania dos cerros e a brisa dos mares
e o sopro azedo dos que a não vêem
só a adivinham e raivosamente assopram.
Uma pequena luz
que vacila exacta
que bruxuleia firme
que não ilumina apenas brilha.
Chamaram-lhe voz ouviram-na e é muda.
Muda como a exactidão como a firmeza
como a justiça.
Brilhando indeflectível.
Silenciosa não crepita
não consome não custa dinheiro.
Não é ela que custa dinheiro.
Não aquece também os que de frio se juntam.
Não ilumina também os rostos que se curvam.
Apenas brilha bruxuleia ondeia
indefectível próxima dourada.
Tudo é incerto ou falso ou violento: brilha.
Tudo é terror vaidade orgulho teimosia: brilha.
Tudo é pensamento realidade sensação saber: brilha.
Tudo é treva ou claridade contra a mesma treva: brilha.
Desde sempre ou desde nunca para sempre ou não:
brilha.
Uma pequenina luz bruxuleante e muda
como a exactidão como a firmeza
como a justiça.
Apenas como elas.
Mas brilha.
Não na distância. Aqui
no meio de nós.
Brilha
Jorge de Sena - uma pequena luz
Brilha.
Uma pequenina luz
Uma pequenina luz bruxuleante
não na distância brilhando no extremo da estrada
aqui no meio de nós e a multidão em volta
une toute petite lumière
just a little light
una picolla... em todas as línguas do mundo
uma pequena luz bruxuleante
brilhando incerta mas brilhando
aqui no meio de nós
entre o bafo quente da multidãoa
ventania dos cerros e a brisa dos mares
e o sopro azedo dos que a não vêem
só a adivinham e raivosamente assopram.
Uma pequena luz
que vacila exacta
que bruxuleia firme
que não ilumina apenas brilha.
Chamaram-lhe voz ouviram-na e é muda.
Muda como a exactidão como a firmeza
como a justiça.
Brilhando indeflectível.
Silenciosa não crepita
não consome não custa dinheiro.
Não é ela que custa dinheiro.
Não aquece também os que de frio se juntam.
Não ilumina também os rostos que se curvam.
Apenas brilha bruxuleia ondeia
indefectível próxima dourada.
Tudo é incerto ou falso ou violento: brilha.
Tudo é terror vaidade orgulho teimosia: brilha.
Tudo é pensamento realidade sensação saber: brilha.
Tudo é treva ou claridade contra a mesma treva: brilha.
Desde sempre ou desde nunca para sempre ou não:
brilha.
Uma pequenina luz bruxuleante e muda
como a exactidão como a firmeza
como a justiça.
Apenas como elas.
Mas brilha.
Não na distância. Aqui
no meio de nós.
Brilha
Jorge de Sena - uma pequena luz
2007-09-20
Palinca
O álcool é uma presença habitual e estruturante, em quase todas as sociedades humanas. Mesmo no Islão, onde foi banido pelo Profeta, ele permanece presente ainda que apenas como fantasma
Sela contratos, assinala datas importantes, estimula o convívio social, inspira poetas, escritores e outros artistas.
As formas em que surge são as mais diversas:
Nos países mediterrânicos abençoados pela natureza, o álcool afirma-se no vinho e na bebida suprema, a aguardente vínica, saboreia-se lenta e pausadamente. O álcool em si é aqui um acompanhante, aparentemente secundário, entre uma miríade de sabores e aromas sublimes embora, no fundo, se venha sempre a revelar como o verdadeiro espírito da festa.
Noutros recantos do mundo, menos afortunados, o álcool procura-se em fermentados e destilados diversos, por vezes agradáveis como a cerveja, o whisky e tantos outros, por vezes quase intragáveis tendo que ser bebidos num trago (num “shot” como agora se diz) para que se chegue, mais depressa e sem distracções, ao seu espírito que é a sua única razão de existir.
Em todo o lado, mal ou bem, ganha o estatuto de bebida nacional e lá temos os vodkas, na fria Europa, as cachaças e os outros destilados de cana, nos países tropicais, o sake no imperial Japão e não sei que mais por esse mundo fora.
Na Hungria esse estatuto é desempenhado pela Palinca. Destilado de diferentes frutos e ervas que imprimem sabores e colorações diversas e permitem sempre a afirmação de que a minha Palinca é melhor do que a tua.
No fundo são todas mais ou menos iguais, valem pelo espírito que contêm.
Na Hungria bebi, em média, 9 Palincas diárias, de manhã até à noite, recusar podia ser considerado como má educação ou sinal de desprezo, até que ao 4º dia comecei a sentir que me começava a faltar sangue vital na minha corrente de Palinca.
Tive que dizer basta, invocando razões de saúde e religiosas para não ferir susceptibilidades e não cair no descrédito social e lá consegui baixar a dose para apenas 1 ou 2 por dia.
De qualquer forma, e estranhamente, o meu organismo suportou bem este excesso.
Não será impunemente que durante centenas ou milhares de anos os Húngaros aprenderam a dominar a sua técnica de fabrico e de consumo de forma a que ela cumpra a sua função social sem maiores danos para os utentes.
Sela contratos, assinala datas importantes, estimula o convívio social, inspira poetas, escritores e outros artistas.
As formas em que surge são as mais diversas:
Nos países mediterrânicos abençoados pela natureza, o álcool afirma-se no vinho e na bebida suprema, a aguardente vínica, saboreia-se lenta e pausadamente. O álcool em si é aqui um acompanhante, aparentemente secundário, entre uma miríade de sabores e aromas sublimes embora, no fundo, se venha sempre a revelar como o verdadeiro espírito da festa.
Noutros recantos do mundo, menos afortunados, o álcool procura-se em fermentados e destilados diversos, por vezes agradáveis como a cerveja, o whisky e tantos outros, por vezes quase intragáveis tendo que ser bebidos num trago (num “shot” como agora se diz) para que se chegue, mais depressa e sem distracções, ao seu espírito que é a sua única razão de existir.
Em todo o lado, mal ou bem, ganha o estatuto de bebida nacional e lá temos os vodkas, na fria Europa, as cachaças e os outros destilados de cana, nos países tropicais, o sake no imperial Japão e não sei que mais por esse mundo fora.
Na Hungria esse estatuto é desempenhado pela Palinca. Destilado de diferentes frutos e ervas que imprimem sabores e colorações diversas e permitem sempre a afirmação de que a minha Palinca é melhor do que a tua.
No fundo são todas mais ou menos iguais, valem pelo espírito que contêm.
Na Hungria bebi, em média, 9 Palincas diárias, de manhã até à noite, recusar podia ser considerado como má educação ou sinal de desprezo, até que ao 4º dia comecei a sentir que me começava a faltar sangue vital na minha corrente de Palinca.
Tive que dizer basta, invocando razões de saúde e religiosas para não ferir susceptibilidades e não cair no descrédito social e lá consegui baixar a dose para apenas 1 ou 2 por dia.
De qualquer forma, e estranhamente, o meu organismo suportou bem este excesso.
Não será impunemente que durante centenas ou milhares de anos os Húngaros aprenderam a dominar a sua técnica de fabrico e de consumo de forma a que ela cumpra a sua função social sem maiores danos para os utentes.
2007-09-17
Vingança
Eu confesso meio envergonhado que sou desse portugueses que, diariamente, vai assistindo na SIC, ao arrastar penoso da novela Vingança.
Ninguém me obriga, é certo, mas que querem ? a explicação tem que ser encontrada no fundo do meu cérebro, sinto talvez aquele prazer mórbido de quem vasculha o lixo.
E faço-o estoicamente embora ultimamente já comece ceder na luta contra o sono e a adormecer no sofá do meio da novela para a frente, mas vai ficando o essencial que é isto:
As histórias de vinganças têm tipicamente uma estrutura narrativa: o “heroi” fica “mad” com as maldades que lhe fazem, depois de mais maldades fica “real mad” e como estas continuam fica “real, real mad” e aí, quando diz chega !, já basta!, acabou! começa o processo de vingança.
O que se segue depois depende: se for num filme de Hollywood começa a partir tudo, à bomba e à metralhadora, se for num filme ou romance um pouco mais elaborado e interessante, concebe uma estratégia fina e inteligente que executa calmamente, com requinte, até recuperar a sua paz e punir os responsáveis.
“A vingança é um prato que se serve frio” disse alguém que sabia da coisa.
A solução que a SIC encontrou é porém inovadora, nem uma coisa nem outra, na verdade nem existe sequer vingança nenhuma.
O “herói” e os diferentes personagens vão-se mexendo ao sabor do vento, distraem-se com questões menores, arrastam-se tristemente com constantes mudanças de humor e tricas de namoricos de adolescente mas estão sempre a afirmar com um orgulho pateta que seguem um plano (que ninguém vê, nem eles) o famoso plano de Santiago Medina.
A juíza então é uma figura patética, actriz que estamos habituados a ver vender “Pop Limão” ou algo assim, continua a vender “Pop Limão” mas na solenidade do sistema judiciário, uma tristeza.
Os actores oscilam entre o médio e o medíocre, com duas excepções:
Uma muito positiva, é a representada por Nuno Melo, que faz com imenso talento um papel muito difícil e consegue-nos dar a única imagem coerente, verosímil e interessante naquele amontoado de nulidades.
A outra excepção, esta muito negativa, é a que nos é dada por Diogo Morgado, chegamos a ter pena dos seus algozes por não terem tido a felicidade de o encerrar num cárcere em Marrocos até à sua destruição total.
Mostra-se psicologicamente instável, com birras de menino, com a arrogância dos fracos e ignorantes. Estraga tudo em que mexe e nem sequer tem capacidade para reflectir um mínimo nos seus fracassos, só tem “certezas”.
E depois é aquela forma ridícula de se vestir sempre com um enorme sobretudo negro e cintado mesmo quando toda agente à sua volta está de manga curta e ar desportivo.
Só há pouco tempo me apercebi onde se queria chegar com o sobretudo: à imagem do “Corvo”, meus amigos, como o cordeiro que veste a pele do lobo.
O segredo é este, referências fora de contexto, ao Conde Montecristo, para dar um ar sério, a Hollyood, às fúrias dos filmes de Steven Segal e ao “Corvo”, para atrair a juventude, e ás telenovelas para tentar dar um ar ecléctico, generalista.
Mas falta muito o talento e, a imagem final que fica é a de um deprimente ridículo.
Poderão dizer que a culpa não é dos actores mas do guionista que desenhou os personagens mas não é verdade, neste medium actores e personagens confundem-se e a prova é que Nuno Melo sendo bom e estando, com os outros, na mesma merda consegue produzir algo de bom enquanto Diogo Morgado que não serve para esta vida de actor torna tudo ainda mais penoso.
Ninguém me obriga, é certo, mas que querem ? a explicação tem que ser encontrada no fundo do meu cérebro, sinto talvez aquele prazer mórbido de quem vasculha o lixo.
E faço-o estoicamente embora ultimamente já comece ceder na luta contra o sono e a adormecer no sofá do meio da novela para a frente, mas vai ficando o essencial que é isto:
As histórias de vinganças têm tipicamente uma estrutura narrativa: o “heroi” fica “mad” com as maldades que lhe fazem, depois de mais maldades fica “real mad” e como estas continuam fica “real, real mad” e aí, quando diz chega !, já basta!, acabou! começa o processo de vingança.
O que se segue depois depende: se for num filme de Hollywood começa a partir tudo, à bomba e à metralhadora, se for num filme ou romance um pouco mais elaborado e interessante, concebe uma estratégia fina e inteligente que executa calmamente, com requinte, até recuperar a sua paz e punir os responsáveis.
“A vingança é um prato que se serve frio” disse alguém que sabia da coisa.
A solução que a SIC encontrou é porém inovadora, nem uma coisa nem outra, na verdade nem existe sequer vingança nenhuma.
O “herói” e os diferentes personagens vão-se mexendo ao sabor do vento, distraem-se com questões menores, arrastam-se tristemente com constantes mudanças de humor e tricas de namoricos de adolescente mas estão sempre a afirmar com um orgulho pateta que seguem um plano (que ninguém vê, nem eles) o famoso plano de Santiago Medina.
A juíza então é uma figura patética, actriz que estamos habituados a ver vender “Pop Limão” ou algo assim, continua a vender “Pop Limão” mas na solenidade do sistema judiciário, uma tristeza.
Os actores oscilam entre o médio e o medíocre, com duas excepções:
Uma muito positiva, é a representada por Nuno Melo, que faz com imenso talento um papel muito difícil e consegue-nos dar a única imagem coerente, verosímil e interessante naquele amontoado de nulidades.
A outra excepção, esta muito negativa, é a que nos é dada por Diogo Morgado, chegamos a ter pena dos seus algozes por não terem tido a felicidade de o encerrar num cárcere em Marrocos até à sua destruição total.
Mostra-se psicologicamente instável, com birras de menino, com a arrogância dos fracos e ignorantes. Estraga tudo em que mexe e nem sequer tem capacidade para reflectir um mínimo nos seus fracassos, só tem “certezas”.
E depois é aquela forma ridícula de se vestir sempre com um enorme sobretudo negro e cintado mesmo quando toda agente à sua volta está de manga curta e ar desportivo.
Só há pouco tempo me apercebi onde se queria chegar com o sobretudo: à imagem do “Corvo”, meus amigos, como o cordeiro que veste a pele do lobo.
O segredo é este, referências fora de contexto, ao Conde Montecristo, para dar um ar sério, a Hollyood, às fúrias dos filmes de Steven Segal e ao “Corvo”, para atrair a juventude, e ás telenovelas para tentar dar um ar ecléctico, generalista.
Mas falta muito o talento e, a imagem final que fica é a de um deprimente ridículo.
Poderão dizer que a culpa não é dos actores mas do guionista que desenhou os personagens mas não é verdade, neste medium actores e personagens confundem-se e a prova é que Nuno Melo sendo bom e estando, com os outros, na mesma merda consegue produzir algo de bom enquanto Diogo Morgado que não serve para esta vida de actor torna tudo ainda mais penoso.
2007-09-14
O desbaste pelo alto continua
Abel Mateus, Presidente da autoridade da concorrência, que visa defender a concorrência e combater os poderes dominantes do mercado, tem saída anunciada.
Porquê?
Porque tem, defendido a concorrência e combatido os poderes dominantes do mercado de forma demasiado eficiente.
O homem devia aprender com Scolari: pode dar murros mas não pode aleijar.
Porquê?
Porque tem, defendido a concorrência e combatido os poderes dominantes do mercado de forma demasiado eficiente.
O homem devia aprender com Scolari: pode dar murros mas não pode aleijar.
2007-09-13
Como eu queria ver a nossa selecção de futebol
Com a atitude da nossa selecção de rugby.
Com a qualidade técnica da nossa Vanessa Fernandes.
Com a qualidade técnica da nossa Vanessa Fernandes.
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