Grande clarividência
Cristiano Ronaldo e Maniche dizem que Portugal não pode perder mais pontos no apuramento para o mundial.
Por acaso também acho!
A “silly season”
Nunca percebi porque se chama “silly season” (estação pateta) ao Verão, onde os políticos andam quase todos de férias, quando na verdade tempos mesmo “silly” só surgem quando eles estão ao serviço!
João de Deus Pinheiro
Definiu hoje o perfil que deverá ter o responsável europeu pela luta anti-terrorista.
Disse praticamente tudo, só lhe faltou dizer que também é importante saber jogar golf !
Porque será ?
Que fiquei mais feliz com a derrota portuguesa no mundial de rugby por 56-10 contra a Escócia do que com o empate a 2-2 contra a Polónia no apuramento para o mundial de futebol.
Eu vi e ouvi com os meus olhos e os meus ouvidos
A Sky News disse que, segundo informação da polícia local, os novos resultados das análises ao fluido encontrado na bagageira do carro alugado pelos MacCann 25 dias depois do desaparecimento de Maddie mostravam um “perfect match” com o ADN da criança.
Até acrescentaram que a coincidência de cerca de 80% anteriormente obtida poderia já ser considerada como um forte indício embora os novos resultados excluissem todas as dúvidas.
Entretanto os media portugueses entretêm-se a discutir que 100% não existe (como se alguém tivesse falado de 100%) e que a nossa Polícia desmentia que tivessem chegado novos resultados (como se a nossa polícia fosse a polícia local da Sky News).
2007-09-11
2007-09-10
O que me surpreendeu na Hungria
Dentro da minha classificação simplista dos povos da Europa, a Hungria estava lá para cima, não sendo eslava, andava por lá próximo dos grupos de Rus e Czech, porque também há eslavos no Sul, nos Balcãs (um dia ainda contarei esta interessante lenda eslava de Lech Czech e Rus).
Mas adiante. De facto a Hungria é já um país de transição entre o Norte e o Sul da Europa, da trilogia mediterrânica do pão, vinho e azeite a Hungria não tem azeite mas tem bom pão e bom vinho, muito para além do lendário Tocai.
Na gastronomia há já um toque do Sul: os refugados, as tomatadas, os enchidos de porco temperados com pimentão, a tão húngara paprica. O leczo, prato tão típico como os famosos golaches, lembra muito uma tomatada alentejana.
A maneira de ser do povo magiar está mais próxima de nós, nos seus valores e estilos de vida.
Foi uma alegre surpresa este sentir-me tão em casa na Hungria.
Mas adiante. De facto a Hungria é já um país de transição entre o Norte e o Sul da Europa, da trilogia mediterrânica do pão, vinho e azeite a Hungria não tem azeite mas tem bom pão e bom vinho, muito para além do lendário Tocai.
Na gastronomia há já um toque do Sul: os refugados, as tomatadas, os enchidos de porco temperados com pimentão, a tão húngara paprica. O leczo, prato tão típico como os famosos golaches, lembra muito uma tomatada alentejana.
A maneira de ser do povo magiar está mais próxima de nós, nos seus valores e estilos de vida.
Foi uma alegre surpresa este sentir-me tão em casa na Hungria.
2007-09-08
2007-09-06
Pavarotti
Pavarotti era para mim o melhor tenor da actualidade.
Para mim, porque entre os seus pares havia aquele misto de respeito e de desprezo, talvez pela sua postura menos convencional, a sua cedência ao êxito fácil, aos media e ao dinheiro, sacrificando a arte pela arte.
Para mim, também não sei bem porquê, embora suspeite que as vibrações do seu timbre e a sua interpretação em articulação com um qualquer gene que eu tenha, e que será muito comum porque a admiração é quase universal, provocam uma descarga de qualquer caldo químico que envolve o meu corpo de prazer e de emoção e chega a trazer-me lágrimas aos olhos.
Das reportagens que vi sobre ele, a última das quais hoje na RTP 1, retenho, entre outras duas passagens:
Uma foi vê-lo a mostrar aquela música popular italiana, do tipo da que ouvimos em filmes sobre a mafia, cantar também mas dizendo com naturalidade “eu não sei cantar isto” e não sabia, assim como não saberia cantar fado, cantaria bem mas não era aquilo.
Outra foi hoje quando referiu que sabia o que eram bombas explicando “o que são bombas só se sabe sentindo-as cair sobre a nossa cidade, não atirando-as nas cidades dos outros”.
Era também porque dizia estas coisas que eu gostava de Pavarotti.
Para mim, porque entre os seus pares havia aquele misto de respeito e de desprezo, talvez pela sua postura menos convencional, a sua cedência ao êxito fácil, aos media e ao dinheiro, sacrificando a arte pela arte.
Para mim, também não sei bem porquê, embora suspeite que as vibrações do seu timbre e a sua interpretação em articulação com um qualquer gene que eu tenha, e que será muito comum porque a admiração é quase universal, provocam uma descarga de qualquer caldo químico que envolve o meu corpo de prazer e de emoção e chega a trazer-me lágrimas aos olhos.
Das reportagens que vi sobre ele, a última das quais hoje na RTP 1, retenho, entre outras duas passagens:
Uma foi vê-lo a mostrar aquela música popular italiana, do tipo da que ouvimos em filmes sobre a mafia, cantar também mas dizendo com naturalidade “eu não sei cantar isto” e não sabia, assim como não saberia cantar fado, cantaria bem mas não era aquilo.
Outra foi hoje quando referiu que sabia o que eram bombas explicando “o que são bombas só se sabe sentindo-as cair sobre a nossa cidade, não atirando-as nas cidades dos outros”.
Era também porque dizia estas coisas que eu gostava de Pavarotti.
Para além do médico de família
Deveríamos ter também, pelo menos, um advogado de família, e um técnico informático de família.
Mas como nem o consagrado médico o Estado me consegue atribuir, apesar dos longos anos de esforço, bem posso esperar sentado.
Mas como nem o consagrado médico o Estado me consegue atribuir, apesar dos longos anos de esforço, bem posso esperar sentado.
2007-09-02
Rákóczifalva
Sabe o que é ? É uma pequena vila Húngara, junto à cidade de Solnok, onde passei esta última semana.
Foi a minha primeira visita de trabalho à Hungria, as impressões colhidas foram muitas e muito ricas, penso que alguns futuros postes serão, de algum modo, ligados à Hungria.
Por agora deixo apenas a minha impressão geral:
Os magiares partilham connosco, portugueses, uma profunda nostalgia por um passado glorioso!
Foi a minha primeira visita de trabalho à Hungria, as impressões colhidas foram muitas e muito ricas, penso que alguns futuros postes serão, de algum modo, ligados à Hungria.
Por agora deixo apenas a minha impressão geral:
Os magiares partilham connosco, portugueses, uma profunda nostalgia por um passado glorioso!
2007-08-24
O crédito aos estudantes
Sócrates anunciou ontem, com pompa, a nova linha de crédito bonificado para os estudantes universitários.
Funciona assim: o estudante sustenta-se com o crédito enquanto estiver a estudar, uma vez licenciado e após um ano de carência começa a amortizar o empréstimo.
Do jeito que as coisas estão, essa amortização será muito provavelmente feita com o subsídio de desemprego, se o arranjar é claro.
Funciona assim: o estudante sustenta-se com o crédito enquanto estiver a estudar, uma vez licenciado e após um ano de carência começa a amortizar o empréstimo.
Do jeito que as coisas estão, essa amortização será muito provavelmente feita com o subsídio de desemprego, se o arranjar é claro.
2007-08-22
Reflexão sobre alguns comentários
Certamente já têm reparado que os postes deste blogue têm suscitado poucos comentários.
Sendo um blogue, modesto, de certo modo, intimista, que reflecte mais as questões que me ocupam o espírito e que naturalmente não despertam paixões nem porventura suscitaram ainda grande reflexão por parte da generalidade dos visitantes, considero o facto como normal.
Imaginem então o meu espanto quando vejo que os meus 2 postes sobre Pedro Abrunhosa, aqui e também aqui, onde simplesmente digo e procuro explicar porque não gosto do “artista” em questão, tem atraído progressivamente a atenção de alguns visitantes inconformados e ávidos de demonstrar que é a minha tacanhez de espírito, pobreza intelectual, frustrações e grande atrevimento que me permitem exprimir tal opinião iconoclasta.
E é esse facto em si que se torna interessante para mim:
Primeiro, porque se um dia me passar pela cabeça querer aumentar a audiência deste blogue, já tenho uma pista válida (confesso que já me tinha lembrado, para o efeito, de colocar estrategicamente “tags” do tipo “sexo anal”, “gajas boas” ou então falar mais de futebol e da perseguição do famigerado “sistema” ao meu impoluto Sporting, mas dizer mal do Abrunhosa, não, nunca me tinha ocorrido).
Depois, porque desmente cabalmente a sabedoria popular quando diz “gostos não se discutem”, é mentira, é precisamente o que mais se discute.
Por último, dou graças a Deus por não ter dito ali toda a verdade em relação ao Pedro Abrunhosa ou o meu amor próprio já teria sido completamente arrasado, é que o homem, além do mais, não sabe cantar !
Sendo um blogue, modesto, de certo modo, intimista, que reflecte mais as questões que me ocupam o espírito e que naturalmente não despertam paixões nem porventura suscitaram ainda grande reflexão por parte da generalidade dos visitantes, considero o facto como normal.
Imaginem então o meu espanto quando vejo que os meus 2 postes sobre Pedro Abrunhosa, aqui e também aqui, onde simplesmente digo e procuro explicar porque não gosto do “artista” em questão, tem atraído progressivamente a atenção de alguns visitantes inconformados e ávidos de demonstrar que é a minha tacanhez de espírito, pobreza intelectual, frustrações e grande atrevimento que me permitem exprimir tal opinião iconoclasta.
E é esse facto em si que se torna interessante para mim:
Primeiro, porque se um dia me passar pela cabeça querer aumentar a audiência deste blogue, já tenho uma pista válida (confesso que já me tinha lembrado, para o efeito, de colocar estrategicamente “tags” do tipo “sexo anal”, “gajas boas” ou então falar mais de futebol e da perseguição do famigerado “sistema” ao meu impoluto Sporting, mas dizer mal do Abrunhosa, não, nunca me tinha ocorrido).
Depois, porque desmente cabalmente a sabedoria popular quando diz “gostos não se discutem”, é mentira, é precisamente o que mais se discute.
Por último, dou graças a Deus por não ter dito ali toda a verdade em relação ao Pedro Abrunhosa ou o meu amor próprio já teria sido completamente arrasado, é que o homem, além do mais, não sabe cantar !
2007-08-20
A Guarda vermelha e a Guarda verde
A revolução cultural chinesa teve a sua Guarda vermelha impondo a sua verdade a bem ou a mal.
Agora, à escala global mas também já neste cantinho, começa a aparecer a Guarda verde impondo a sua verdade a bem ou a mal.
Só a cor mudou, os homens e as mulheres são os mesmos.
Agora, à escala global mas também já neste cantinho, começa a aparecer a Guarda verde impondo a sua verdade a bem ou a mal.
Só a cor mudou, os homens e as mulheres são os mesmos.
2007-08-16
Maddie
Se o sangue encontrado no quarto que foi dos Mc Cann, não for de Madie como diz o “The Times”, a PJ não fica num beco sem saída, fica é num beco com demasiadas saídas.
2007-08-14
Fiz um poema
Chamei-lhe “esquizofrenia”
É assim:
Esquizofrenia
Meu nome é pseudónimo embora tenha vida,
Tem passado, presente e futuro provável.
O sobrenome é de rio da terra prometida,
O nome é de luso herói, de condestável.
Como Nuno Jordão assino as minhas obras,
Nome de guerra para enfrentar manobras.
É nome armadura e traje de passeio,
Com ele represento o dia a dia,
Com ele exprimo a verdade e com ele falseio,
Até que um dia desça à terra fria.
Mas outro é o meu nome verdadeiro,
Outro é o cerne do meu ser primeiro,
Chamo-me Pentalomino de Arifante,
Trago nobreza no meu sangue ardente,
Tenho braços de leão e coração de amante,
Senhor de mim, maior que toda a gente.
Já enfrentei D. Quixote, perdido no tempo,
Com o meu exército de moinhos de vento.
Li o poema mas não gostei, via-o recitado num salão dos Gouvarinhos, ou algo assim, recitado por um jovem bacharel bexigoso, com ênfase discursiva e provocando tremuras de emoção em muitas belas damas, escondendo o seu rubor por trás de um leque.
Sublime, diriam !
Mas eu estou no século XXI, o poema é anacrónico, tenho que ser um homem do meu tempo, vou voltar a escrevê-lo.
Saíu isto:
Esquizofrenia
O meu nome não é nome,
Apenas pseudónimo utilitário,
Como Pessoa dei-lhe vida e horóscopo,
Tem ressonâncias de herói,
Desfaz-se em água por fim.
Nuno Jordão, nome banal para assinar papéis
E assim desafiar os infiéis.
É nome de combate e de recreio,
Anda sempre comigo,
Serve-me para a verdade e para a mentira,
Assim será para sempre certamente.
Mas eu não sou apenas Eu,
Sou mais o outro que também sou eu.
Sou Pentalomino de Arifante,
Herói de fábula e pleno de nobreza,
Tenho comigo a força do sonho,
E sou gigante, olho de cima a natureza.
Já combati D. Quixote numa Mancha imaginária,
Levando comigo os meus moinhos guerreiros
Meu Deus, ainda não é isto, parece-me que não envergonha mas não tem génio !
Tentei então uma versão tipo Abrunhosa, sempre é mais fácil e alguns visitantes deste blogue parecem gostar do estilo.
Aqui está ela:
Esquizofrenia
O meu nome é uma quimera que percorre a cidade,
Sou um fantasma da noite que afronta a liberdade,
Não sou o meu nome, apenas a saudade.
Vivo no punho da minha espada alada
Enfrento exércitos de luz e nada
Eu sou só a realidade !
Não, não sou capaz, vou limitar-me à essência e disfarço a minha incapacidade de dizer o indizível, com esta expressão maliciosa: “se não compreenderem que se lixem !”
Esquizofrenia
Não sei quem sou.
A realidade é um sonho !
O sonho é a realidade !
O meu nome é apenas um instrumento do espectáculo.
O meu nome é um pseudónimo.
Talvez eu seja de facto, e só, o meu pseudónimo.
Desculpem-me, não tento mais, desisto !
Ou talvez o meu poema seja todo este poste !
É assim:
Esquizofrenia
Meu nome é pseudónimo embora tenha vida,
Tem passado, presente e futuro provável.
O sobrenome é de rio da terra prometida,
O nome é de luso herói, de condestável.
Como Nuno Jordão assino as minhas obras,
Nome de guerra para enfrentar manobras.
É nome armadura e traje de passeio,
Com ele represento o dia a dia,
Com ele exprimo a verdade e com ele falseio,
Até que um dia desça à terra fria.
Mas outro é o meu nome verdadeiro,
Outro é o cerne do meu ser primeiro,
Chamo-me Pentalomino de Arifante,
Trago nobreza no meu sangue ardente,
Tenho braços de leão e coração de amante,
Senhor de mim, maior que toda a gente.
Já enfrentei D. Quixote, perdido no tempo,
Com o meu exército de moinhos de vento.
Li o poema mas não gostei, via-o recitado num salão dos Gouvarinhos, ou algo assim, recitado por um jovem bacharel bexigoso, com ênfase discursiva e provocando tremuras de emoção em muitas belas damas, escondendo o seu rubor por trás de um leque.
Sublime, diriam !
Mas eu estou no século XXI, o poema é anacrónico, tenho que ser um homem do meu tempo, vou voltar a escrevê-lo.
Saíu isto:
Esquizofrenia
O meu nome não é nome,
Apenas pseudónimo utilitário,
Como Pessoa dei-lhe vida e horóscopo,
Tem ressonâncias de herói,
Desfaz-se em água por fim.
Nuno Jordão, nome banal para assinar papéis
E assim desafiar os infiéis.
É nome de combate e de recreio,
Anda sempre comigo,
Serve-me para a verdade e para a mentira,
Assim será para sempre certamente.
Mas eu não sou apenas Eu,
Sou mais o outro que também sou eu.
Sou Pentalomino de Arifante,
Herói de fábula e pleno de nobreza,
Tenho comigo a força do sonho,
E sou gigante, olho de cima a natureza.
Já combati D. Quixote numa Mancha imaginária,
Levando comigo os meus moinhos guerreiros
Meu Deus, ainda não é isto, parece-me que não envergonha mas não tem génio !
Tentei então uma versão tipo Abrunhosa, sempre é mais fácil e alguns visitantes deste blogue parecem gostar do estilo.
Aqui está ela:
Esquizofrenia
O meu nome é uma quimera que percorre a cidade,
Sou um fantasma da noite que afronta a liberdade,
Não sou o meu nome, apenas a saudade.
Vivo no punho da minha espada alada
Enfrento exércitos de luz e nada
Eu sou só a realidade !
Não, não sou capaz, vou limitar-me à essência e disfarço a minha incapacidade de dizer o indizível, com esta expressão maliciosa: “se não compreenderem que se lixem !”
Esquizofrenia
Não sei quem sou.
A realidade é um sonho !
O sonho é a realidade !
O meu nome é apenas um instrumento do espectáculo.
O meu nome é um pseudónimo.
Talvez eu seja de facto, e só, o meu pseudónimo.
Desculpem-me, não tento mais, desisto !
Ou talvez o meu poema seja todo este poste !
2007-08-12
Ainda Miguel Torga
Coimbra, 29 de Junho de 1990
Já não tem remédio. As minhas relações com os governantes hão-de ser sempre uma confrontação crispada. Mesmo quando uma real simpatia nos aproxima, o diálogo nunca é naturalmente cordial. Há nele, subjacente, não sei que mútua reticência. O mais vulgar cidadão e ocasional interlocutor mantêm-se nossos semelhantes para além da condição social. Mas o político, só pelo facto de o ser, é sempre um estranho ao pé de nós. Tem qualquer coisa de um predador humano, que ameaça dia e noite a paz dos demais viventes da selva. É pelo menos o que sinto. Quero abrir-lhes o coração, e não consigo. Não sei que instinto de conservação tolhe-me o impulso de sinceridade e acirra-me a vontade de o defrontar. Sei que só um objectivo o move na vida: o poder. Que por ele de tudo é capaz, diga o que disser, pareça o que pareça. Ora nesse desejo obstinado de mando, de domínio, vejo, não sei porquê, potencialmente comprometida a minha liberdade. E retraio-me. É como se o soubesse caladamente armado contra mim.
Miguel Torga, in “Diário XVI”
Já não tem remédio. As minhas relações com os governantes hão-de ser sempre uma confrontação crispada. Mesmo quando uma real simpatia nos aproxima, o diálogo nunca é naturalmente cordial. Há nele, subjacente, não sei que mútua reticência. O mais vulgar cidadão e ocasional interlocutor mantêm-se nossos semelhantes para além da condição social. Mas o político, só pelo facto de o ser, é sempre um estranho ao pé de nós. Tem qualquer coisa de um predador humano, que ameaça dia e noite a paz dos demais viventes da selva. É pelo menos o que sinto. Quero abrir-lhes o coração, e não consigo. Não sei que instinto de conservação tolhe-me o impulso de sinceridade e acirra-me a vontade de o defrontar. Sei que só um objectivo o move na vida: o poder. Que por ele de tudo é capaz, diga o que disser, pareça o que pareça. Ora nesse desejo obstinado de mando, de domínio, vejo, não sei porquê, potencialmente comprometida a minha liberdade. E retraio-me. É como se o soubesse caladamente armado contra mim.
Miguel Torga, in “Diário XVI”
O poeta telúrico
Faria hoje, faz ?, 100 anos Miguel Torga.
Certo dia escreveu o seguinte:
Montalegre, 1 de Setembro de 1990
Eram jovens, abordaram-me, gostavam do que escrevi, e queriam saber coisas de mim. Qual era o meu segredo ?
- Ser idêntico em todos os momentos e situações. Recusar-me a ver o mundo pelos olhos dos outros e nunca pactuar com o lugar comum.
in “diário XVI
Certo dia escreveu o seguinte:
Montalegre, 1 de Setembro de 1990
Eram jovens, abordaram-me, gostavam do que escrevi, e queriam saber coisas de mim. Qual era o meu segredo ?
- Ser idêntico em todos os momentos e situações. Recusar-me a ver o mundo pelos olhos dos outros e nunca pactuar com o lugar comum.
in “diário XVI
2007-08-07
A infantilização global
Eu já sabia isto, muitos pensadores o têm referido de diversas formas, mas permanecia discretamente oculto no meu cérebro.
Só na conjugação de circunstâncias específicas, certas parcelas difusas do conhecimento podem surgir à luz do dia com uma enorme clareza.
Piaget chamava a este fenómeno a equilibração do conhecimento acumulado, o momento em que aprendemos de facto uma coisa.
Eu vou contar-lhes o que se passou comigo:
Nestes dias de férias na praia, levámos connosco o nosso neto Pedro de 2 anos e meio e encetámos a delicada tarefa de lhe retirar o uso das fraldas.
Pedro, não obstante a sua tenra idade, como todas as crianças começa a desenvolver um sentido moral, tem já uma noção difusa mas efectiva do bem e do mal, há palavras chave que lhe impõem respeito: a palavra “perigoso”, por exemplo. Ele evita o perigoso, e para ele é perigoso tudo o que nós, pais e avós lhe dizemos que é perigoso de uma forma insistente e coerente. Também não gosta de ser apelidado de “porcalhão” é, para ele, claramente uma palavra insultuosa.
Foi manipulando este sentido moral que lhe fomos inculcando o comportamento que entendemos correcto:
- Não toques na tomada Pedro, é perigoso e podes morrer !
A ameaça da morte não parece convencê-lo mas o perigoso sim, e para nós tanto nos faz, a realidade é que ele evita mexer nos artigos eléctricos.
Mais tarde Pedro irá crescer, saber que nós não somos deuses e não temos o monopólio da sabedoria, que há coisas perigosas que se podem mexer, sim, em determinadas circunstâncias. Enfim, vai-se tornar adulto e fazer as suas próprias escolhas de acordo com a sua própria análise, conhecimentos, sentido do risco etc.
Ontem, na SIC, ouço qualquer coisa como isto: nenhuma praia fluvial do Douro está reconhecida por, não sei quem que deve fazer esse reconhecimento, não estão vigiadas e já morreram este ano 2 banhistas.
Eu, que sei o que é um rio, que já tomei banho em muitos e nunca senti falta da vigilância, que até já apanhei ultravioletas em períodos de enorme irradiação sem sequer saber quanto era, que já saí à rua em dias verdes laranjas e encarnados de calor, porque eles ainda não me diziam de que cor eram e consegui sobreviver a isso tudo, senti claramente que falavam comigo como eu falo com o Pedro, como se eu fosse uma criança sem o mínimo discernimento.
- Não vás a uma praia fluvial no Douro, Nuno, olha que é "perigoso" !
Depois entrevistaram veraneantes nessas praias e, felizmente, estavam todos felizes da vida e nada preocupados.
Preocupada só a “avózinha” jornalista.
É isto que os média procuram fazer: infantilizar-nos.
Assim poderemos ser todos manipulados tal como eu manipulo o meu neto.
Só na conjugação de circunstâncias específicas, certas parcelas difusas do conhecimento podem surgir à luz do dia com uma enorme clareza.
Piaget chamava a este fenómeno a equilibração do conhecimento acumulado, o momento em que aprendemos de facto uma coisa.
Eu vou contar-lhes o que se passou comigo:
Nestes dias de férias na praia, levámos connosco o nosso neto Pedro de 2 anos e meio e encetámos a delicada tarefa de lhe retirar o uso das fraldas.
Pedro, não obstante a sua tenra idade, como todas as crianças começa a desenvolver um sentido moral, tem já uma noção difusa mas efectiva do bem e do mal, há palavras chave que lhe impõem respeito: a palavra “perigoso”, por exemplo. Ele evita o perigoso, e para ele é perigoso tudo o que nós, pais e avós lhe dizemos que é perigoso de uma forma insistente e coerente. Também não gosta de ser apelidado de “porcalhão” é, para ele, claramente uma palavra insultuosa.
Foi manipulando este sentido moral que lhe fomos inculcando o comportamento que entendemos correcto:
- Não toques na tomada Pedro, é perigoso e podes morrer !
A ameaça da morte não parece convencê-lo mas o perigoso sim, e para nós tanto nos faz, a realidade é que ele evita mexer nos artigos eléctricos.
Mais tarde Pedro irá crescer, saber que nós não somos deuses e não temos o monopólio da sabedoria, que há coisas perigosas que se podem mexer, sim, em determinadas circunstâncias. Enfim, vai-se tornar adulto e fazer as suas próprias escolhas de acordo com a sua própria análise, conhecimentos, sentido do risco etc.
Ontem, na SIC, ouço qualquer coisa como isto: nenhuma praia fluvial do Douro está reconhecida por, não sei quem que deve fazer esse reconhecimento, não estão vigiadas e já morreram este ano 2 banhistas.
Eu, que sei o que é um rio, que já tomei banho em muitos e nunca senti falta da vigilância, que até já apanhei ultravioletas em períodos de enorme irradiação sem sequer saber quanto era, que já saí à rua em dias verdes laranjas e encarnados de calor, porque eles ainda não me diziam de que cor eram e consegui sobreviver a isso tudo, senti claramente que falavam comigo como eu falo com o Pedro, como se eu fosse uma criança sem o mínimo discernimento.
- Não vás a uma praia fluvial no Douro, Nuno, olha que é "perigoso" !
Depois entrevistaram veraneantes nessas praias e, felizmente, estavam todos felizes da vida e nada preocupados.
Preocupada só a “avózinha” jornalista.
É isto que os média procuram fazer: infantilizar-nos.
Assim poderemos ser todos manipulados tal como eu manipulo o meu neto.
2007-08-03
Desbastes pelo alto
Em gestão florestal, quando se pretende reduzir a densidade de uma floresta superlotada existem, entre outras, duas estratégias possíveis:
Retirar as árvores mais débeis e defeituosas, criando espaço para que as melhores se desenvolvam mais – desbaste pelo baixo.
Ou, pelo contrário, retirar as mais desenvolvidas e vigorosas, realizando algum proveito imediato e na esperança que as condições mais desafogadas permitam a recuperação das mais frágeis – desbaste pelo alto.
Transpondo esta imagem para a administração verificamos que, há anos, se vem seguindo um intenso desbaste pelo alto.
Quem está por dentro poderá referir muitíssimos exemplos dessa estratégia mas agora até já surgem alguns casos nos media:
A Senhora directora da DREN que tem apresentado enormes fragilidades fica, a Senhora Directora do Museu de Arte Antiga que todos dizem tem feito um excelente trabalho, sai.
A estratégia está lá bem nítida, é o desbaste pelo alto, só resta esperar que a mediocridade medre.
E tem medrado, de facto, muitíssimo !
Retirar as árvores mais débeis e defeituosas, criando espaço para que as melhores se desenvolvam mais – desbaste pelo baixo.
Ou, pelo contrário, retirar as mais desenvolvidas e vigorosas, realizando algum proveito imediato e na esperança que as condições mais desafogadas permitam a recuperação das mais frágeis – desbaste pelo alto.
Transpondo esta imagem para a administração verificamos que, há anos, se vem seguindo um intenso desbaste pelo alto.
Quem está por dentro poderá referir muitíssimos exemplos dessa estratégia mas agora até já surgem alguns casos nos media:
A Senhora directora da DREN que tem apresentado enormes fragilidades fica, a Senhora Directora do Museu de Arte Antiga que todos dizem tem feito um excelente trabalho, sai.
A estratégia está lá bem nítida, é o desbaste pelo alto, só resta esperar que a mediocridade medre.
E tem medrado, de facto, muitíssimo !
2007-07-23
Durante as minhas férias 2
Ouvi Sócrates dizer que não aceita lições de democracia.
Com esta atitude penso que nunca aprenderá nada !
Com esta atitude penso que nunca aprenderá nada !
Durante as minhas férias 1
O Quarteto
Reuniu em Lisboa o quarteto para a paz no Médio Oriente.
Vi-os jantando e também falando numa conferência de imprensa.
Irradiavam paz, sem dúvida, querem que Israel e a Palestina vivam em paz, lado a lado, cada um com o seu Estado, feliz e viável.
Lá estavam a Condoleesa, o Blair, o Sócrates, anfitrião, e outros notáveis. Blair, aliás, é a nova estrela do quarteto.
Com esta gente a paz vai chegar rápidamente à Palestina.
A um quarteto tão feliz e pacífico, quem poderá ficar indiferente ?
Reuniu em Lisboa o quarteto para a paz no Médio Oriente.
Vi-os jantando e também falando numa conferência de imprensa.
Irradiavam paz, sem dúvida, querem que Israel e a Palestina vivam em paz, lado a lado, cada um com o seu Estado, feliz e viável.
Lá estavam a Condoleesa, o Blair, o Sócrates, anfitrião, e outros notáveis. Blair, aliás, é a nova estrela do quarteto.
Com esta gente a paz vai chegar rápidamente à Palestina.
A um quarteto tão feliz e pacífico, quem poderá ficar indiferente ?
2007-07-15
Quem ganhou as eleições ?
Vi em todas os canais:
Foi o Dra. Maria José Abstenção e com maioria absoluta.
Confesso que não prestei atenção a todos os candidatos, eles eram tantos, mas ouvi logo a novidade, desde as sondagens à boca da urna, foi a Abstenção, foi a Abstenção!
Quem será a Abstenção ? perguntei-me eu.
Fui investigar.
É Dra, porque este é um país de Doutores mas parece que também tem umas cadeiras de engenharia e, como se adivinha, chama-se Maria José, para ser chamada Zé como é devido, deve ser a tal Zé que faz falta.
Eu que trabalho diariamente em Lisboa, uso as suas infra-estruturas de transporte e piso as suas ruas mas que não posso votar em Lisboa, desejo à Dra. Zé Abstenção as maiores felicidades e sigo para férias na praia mais animado.
Foi o Dra. Maria José Abstenção e com maioria absoluta.
Confesso que não prestei atenção a todos os candidatos, eles eram tantos, mas ouvi logo a novidade, desde as sondagens à boca da urna, foi a Abstenção, foi a Abstenção!
Quem será a Abstenção ? perguntei-me eu.
Fui investigar.
É Dra, porque este é um país de Doutores mas parece que também tem umas cadeiras de engenharia e, como se adivinha, chama-se Maria José, para ser chamada Zé como é devido, deve ser a tal Zé que faz falta.
Eu que trabalho diariamente em Lisboa, uso as suas infra-estruturas de transporte e piso as suas ruas mas que não posso votar em Lisboa, desejo à Dra. Zé Abstenção as maiores felicidades e sigo para férias na praia mais animado.
2007-07-13
A festa dos tabuleiros em Tomar
A SIC, em boa hora, tem dedicado, em horário nobre, uma série de reportagens a essa festa que se repete de 4 em 4 anos em Tomar e onde eu infelizmente nunca estive.
Hoje, o centro da preocupação e do espanto da “reporter” era o facto dos pesados tabuleiros serem, tradicionalmente, carregados por mulheres.
De facto hoje há um quase total desconhecimento de muita sabedoria ancestral de base rural, naturalmente.
Muitos transmontanos idosos, ainda conhecem a antiga expressão “peso de mulher”.
Não julguem os meus visitantes que “peso de mulher” se referia a um peso leve, mais apropriado para o sexo fraco, nada disso, a expressão “peso de mulher” era dedicado precisamente a peças, transportáveis mas muito pesadas, peças que só se podiam transportar à cabeça e só as mulheres sabem transportar à cabeça.
Porquê ? não sei, só sei que nunca se vê um homem levar coisas à cabeça (aliás hoje quase já se não vê ninguém) mas mulheres sim, haverá quem se lembre das varinas e das suas canastras ?
A física explica o facto de um grande peso se suportar melhor sobre a cabeça desde que se tenha uma postura recta, de cabeça levantada, olhando para diante.
Porque só as mulheres conseguem essa postura é que não sei se será por razões anatómicas ou culturais, mas é assim, sempre foi assim.
Via-se aliás na reportagem, nas entrevistas feitas, o orgulho daquelas jovens por estarem à altura daquela missão, por ainda hoje serem capazes de transportar dignamente um “peso de mulher”.
Hoje, o centro da preocupação e do espanto da “reporter” era o facto dos pesados tabuleiros serem, tradicionalmente, carregados por mulheres.
De facto hoje há um quase total desconhecimento de muita sabedoria ancestral de base rural, naturalmente.
Muitos transmontanos idosos, ainda conhecem a antiga expressão “peso de mulher”.
Não julguem os meus visitantes que “peso de mulher” se referia a um peso leve, mais apropriado para o sexo fraco, nada disso, a expressão “peso de mulher” era dedicado precisamente a peças, transportáveis mas muito pesadas, peças que só se podiam transportar à cabeça e só as mulheres sabem transportar à cabeça.
Porquê ? não sei, só sei que nunca se vê um homem levar coisas à cabeça (aliás hoje quase já se não vê ninguém) mas mulheres sim, haverá quem se lembre das varinas e das suas canastras ?
A física explica o facto de um grande peso se suportar melhor sobre a cabeça desde que se tenha uma postura recta, de cabeça levantada, olhando para diante.
Porque só as mulheres conseguem essa postura é que não sei se será por razões anatómicas ou culturais, mas é assim, sempre foi assim.
Via-se aliás na reportagem, nas entrevistas feitas, o orgulho daquelas jovens por estarem à altura daquela missão, por ainda hoje serem capazes de transportar dignamente um “peso de mulher”.
2007-07-11
A Natalidade em Portugal está a cair vertiginosamente
É a própria estratégia civilizacional que conduz à alienação do ser humano da sua condição natural.
A mulher moderna, dinâmica, executiva, civilizada que nos apresentam como modelo, é obrigada a adiar, cada vez mais, o seu papel de mãe, para que se aliste no exército da produção.
É o que as estatísticas dizem e o simples bom senso permitiria ver.
Para algumas mulheres, ser mãe ou sobreviver, é o dilema que enfrentam diariamente.
A comunicação social alarma-se, nasceram menos 4000 portugueses este ano !
Alguns néscios culpam a lei do aborto: “queremos bebés ou o “stock” de bebés/mercadoria vai extinguir-se em breve, que se lixem as mulheres”
Outros dizem não, “salvem-se os direitos da mulher/mercadoria, que já está formada e a produzir além disso o próprio aborto ainda nos vai dar chorudos lucros, que se lixem os bebés.”
A civilização vê entretida este debate, preocupa-se antes com o CO2 que vai emitindo para a atmosfera para que a desgraça não nos caia do céu, olha para as nuvens, e dá calmamente mais uns passos para o abismo !
È evidente que isto são só devaneios meus, “no passa nada”, está tudo bem !
A mulher moderna, dinâmica, executiva, civilizada que nos apresentam como modelo, é obrigada a adiar, cada vez mais, o seu papel de mãe, para que se aliste no exército da produção.
É o que as estatísticas dizem e o simples bom senso permitiria ver.
Para algumas mulheres, ser mãe ou sobreviver, é o dilema que enfrentam diariamente.
A comunicação social alarma-se, nasceram menos 4000 portugueses este ano !
Alguns néscios culpam a lei do aborto: “queremos bebés ou o “stock” de bebés/mercadoria vai extinguir-se em breve, que se lixem as mulheres”
Outros dizem não, “salvem-se os direitos da mulher/mercadoria, que já está formada e a produzir além disso o próprio aborto ainda nos vai dar chorudos lucros, que se lixem os bebés.”
A civilização vê entretida este debate, preocupa-se antes com o CO2 que vai emitindo para a atmosfera para que a desgraça não nos caia do céu, olha para as nuvens, e dá calmamente mais uns passos para o abismo !
È evidente que isto são só devaneios meus, “no passa nada”, está tudo bem !
2007-07-04
O dilema humano
Para ler, pesando cada palavra e cada acento gráfico.
Toda a gente vivia entediada, metida à força no próprio tédio. Graças a Camus, aprendêramos que o homem é um estranho sobre a terra, ficou “entulhado” no seu monte de “sucata” e forçado a viver num mundo de que nunca será parte. Se tenta participar, vê-se perdido, “objectiva-se” e desintegra-se. E se o não fizer, permanece errado, porque desse modo negligenciará as responsabilidades que tem em relação a tudo quanto existe.
Extraído de Greil Marcus: “Marcas de baton - uma história secreta do século XX”
O texto é atribuído ao movimento “Letrista” e concretamente a Isidore Isou.
Toda a gente vivia entediada, metida à força no próprio tédio. Graças a Camus, aprendêramos que o homem é um estranho sobre a terra, ficou “entulhado” no seu monte de “sucata” e forçado a viver num mundo de que nunca será parte. Se tenta participar, vê-se perdido, “objectiva-se” e desintegra-se. E se o não fizer, permanece errado, porque desse modo negligenciará as responsabilidades que tem em relação a tudo quanto existe.
Extraído de Greil Marcus: “Marcas de baton - uma história secreta do século XX”
O texto é atribuído ao movimento “Letrista” e concretamente a Isidore Isou.
O que quererá isto dizer ?
“O Sr. Ministro da Saúde executa uma política correcta mas não tem sensibilidade social !”
Para quê a sensibilidade social numa política correcta ?
Como pode haver uma política correcta sem sensibilidade social ?
O que será uma política correcta ? a que serve quem ?
O que esta frase quer de facto dizer é que o Sr. Ministro foi inábil a enganar o povo !
Para quê a sensibilidade social numa política correcta ?
Como pode haver uma política correcta sem sensibilidade social ?
O que será uma política correcta ? a que serve quem ?
O que esta frase quer de facto dizer é que o Sr. Ministro foi inábil a enganar o povo !
2007-07-01
A forma e o conteúdo
“O que me chateia é a gente que está no “street racing” mas que não é do “street racing” dizia-se num “sketch” dos Gatos Fedorentos.
Curiosamente, o humor transmitido nesta frase simples exigiria uma maior elaboração se posta em francês ou em inglês ou em tantas outras línguas que não diferenciam “ser” de “estar”.
Todavia esta dicotomia é para nós fundamental, o “ser” como uma essência, como uma natureza perene, como um conteúdo ontológico em oposição ao “estar”, transitório, aparente que se modifica e se adapta como uma forma do ser.
Em todas as questões podemos descortinar o ser e o estar, a forma e o conteúdo, a aparência e a realidade.
Na sociedade espectacular em que nos movemos é a forma que prevalece; o conteúdo desvaloriza-se, por vezes nem existe de todo, mesmo nas formas mais brilhantes e atraentes.
O Governo e o aparelho do estado são um exemplo:
Vestem-se, comportam-se, vivem e falam como um governo mas não pensam nada, não querem nada para além da sua simples sobrevivência a não pensar nada e a não querer nada e a defender-se de outros que querem tomar a sua “forma” para serem nada também.
“All the world`s a stage, and all the men and women merely players; they have there exits and their entrances; and one man in is time plays many parts, ... ”.
Nem mais, velho Shakespeare, tu já sabias !
Curiosamente, o humor transmitido nesta frase simples exigiria uma maior elaboração se posta em francês ou em inglês ou em tantas outras línguas que não diferenciam “ser” de “estar”.
Todavia esta dicotomia é para nós fundamental, o “ser” como uma essência, como uma natureza perene, como um conteúdo ontológico em oposição ao “estar”, transitório, aparente que se modifica e se adapta como uma forma do ser.
Em todas as questões podemos descortinar o ser e o estar, a forma e o conteúdo, a aparência e a realidade.
Na sociedade espectacular em que nos movemos é a forma que prevalece; o conteúdo desvaloriza-se, por vezes nem existe de todo, mesmo nas formas mais brilhantes e atraentes.
O Governo e o aparelho do estado são um exemplo:
Vestem-se, comportam-se, vivem e falam como um governo mas não pensam nada, não querem nada para além da sua simples sobrevivência a não pensar nada e a não querer nada e a defender-se de outros que querem tomar a sua “forma” para serem nada também.
“All the world`s a stage, and all the men and women merely players; they have there exits and their entrances; and one man in is time plays many parts, ... ”.
Nem mais, velho Shakespeare, tu já sabias !
2007-06-29
2007-06-26
Assim vai o Prace
Da forma como segue a reestruturação do Ministério da Agricultura, parece que o Governo está a ponderar a mudança da sua designação para:
Comissão Liquidatária da Agricultura, Desenvolvimento Rural e Pescas.
Comissão Liquidatária da Agricultura, Desenvolvimento Rural e Pescas.
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