Llasa de Sela, filha de pai mexicano e mãe americana, salvo erro, dizia que não suportava a estupidez da classe média americana que considerava os mexicanos como gente burra rude e boçal apenas porque não sabiam falar inglês (a língua natural, no imaginário dessa gente).
Todavia essa estupidez não é exclusiva dos EUA, por cá também vou ouvindo classificar Joe Berardo como burro rude e boçal apenas porque não domina minimamente o português e por não ter tido uma educação formal.
Naturalmente, ele deve rir-se com os dentes de trás repetindo o dito popular “faz-te tolo mais “có qués” que um só tolo engana dez”.
2007-06-25
2007-06-22
Eu escrevo para alguém
Referiu hoje Mia Couto na sua entrevista na RTP.
António Tabucchi também contou que um dia, quando ainda era estudante comprou um pequeno livro, em francês, com uma poesia com um nome estranho de um poeta que desconhecia completamente. Todavia, a leitura desse poema, durante uma breve viagem de comboio, mudou completamente a sua vida.
Chamava-se o poema “Bureau de Tabac” e o poeta era um tal Fernando Pessoa.
Ainda George Steinner diz ter descoberto assim, por acaso ?, Walter Benjamin.
Agostinho da Silva referia que não cobrava direitos de autor por razões metafísicas:
Não estava certo de ser ele próprio a escrever o que escrevia, talvez fosse alguém ou algo transcendente que lhe ditava essas linhas.
Também eu, por vezes sonho que daqui a vários anos, talvez alguém que vasculhe bits e bytes num velho “server” informático, venha a encontrar, com espanto, algumas linhas deste blogue e que essas linhas se transformem para ele numa revelação !
António Tabucchi também contou que um dia, quando ainda era estudante comprou um pequeno livro, em francês, com uma poesia com um nome estranho de um poeta que desconhecia completamente. Todavia, a leitura desse poema, durante uma breve viagem de comboio, mudou completamente a sua vida.
Chamava-se o poema “Bureau de Tabac” e o poeta era um tal Fernando Pessoa.
Ainda George Steinner diz ter descoberto assim, por acaso ?, Walter Benjamin.
Agostinho da Silva referia que não cobrava direitos de autor por razões metafísicas:
Não estava certo de ser ele próprio a escrever o que escrevia, talvez fosse alguém ou algo transcendente que lhe ditava essas linhas.
Também eu, por vezes sonho que daqui a vários anos, talvez alguém que vasculhe bits e bytes num velho “server” informático, venha a encontrar, com espanto, algumas linhas deste blogue e que essas linhas se transformem para ele numa revelação !
2007-06-20
Rollerball
Falo do filme, meio esquecido, de 1975, realizado por Norman Jewison e não do de 2002 que não vi nem me interessa ver.
Passa-se em 2018 num mundo onde já não há Estados e o controlo é exercido por Corporações, da energia, dos transportes, da alimentação etc.
O tema do filme passa-se em torno de um desporto de massas de então, o rollerball, onde as regras iam mudando de jogo para jogo segundo os interesses dessas Corporações, independentemente disso prejudicar e confundir os jogadores ou mesmo de pôr a sua vida em risco.
Lembrei-me do filme quando li o comunicado sobre o caso da professora com leucemia obrigada a dar aulas até quase ao dia da sua morte.
Diz o Governo que foi tudo legal, tudo de acordo com as regras.
Pudera, como no rollerball, também são eles que fazem as regras a seu bel-prazer !
Passa-se em 2018 num mundo onde já não há Estados e o controlo é exercido por Corporações, da energia, dos transportes, da alimentação etc.
O tema do filme passa-se em torno de um desporto de massas de então, o rollerball, onde as regras iam mudando de jogo para jogo segundo os interesses dessas Corporações, independentemente disso prejudicar e confundir os jogadores ou mesmo de pôr a sua vida em risco.
Lembrei-me do filme quando li o comunicado sobre o caso da professora com leucemia obrigada a dar aulas até quase ao dia da sua morte.
Diz o Governo que foi tudo legal, tudo de acordo com as regras.
Pudera, como no rollerball, também são eles que fazem as regras a seu bel-prazer !
2007-06-17
Ota ou Alcochete ?
Ao contrário da maior parte dos analistas que tenho ouvido, para mim, o novo aeroporto vai ser em Alcochete, o tempo se encarregará de me confirmar ou de me desmentir.
As minhas razões são estas:
A situação:
Há muitos anos que surgiram duas localizações sobre a mesa, Rio Frio e Ota, para saber as razões destas opções teríamos que recuar até ao antigo regime, as duas são péssimas aliás, mas como ninguém pensava a sério em fazer o aeroporto, os estudos sucederam-se até à exaustão mas as opções foram ficando as mesmas até ser escolhida a menos má das duas, a Ota.
Agora pretende-se fazer o aeroporto a sério e a inconveniência da Ota vem ao de cima. Todos dizem mal, mas o Governo não pode fazer mais nada, ou se agarra à posição tomada ou entra por um caminho infindável de estudos e mais estudos, e não faz aeroporto nenhum.
Para o Ministro Mário Lino o caso torna-se num ponto de honra e para Sócrates numa embrulhada.
A CIP, financiada por alguns empresários assustados com a forte possibilidade de ter que engolir o aeroporto na Ota, fazem um estudo sobre uma primeira hipótese minimamente aceitável, Alcochete.
Sócrates agradece com alívio a tábua de salvação e Mãrio Lino engole o sapo e vai tentando, como pode não deixar morrer a Ota.
Critérios técnicos:
Alcochete ganha aos pontos à Ota.
Critérios Económicos:
Alcochete ganha aos pontos à Ota.
Interesses obscuros:
Muitos analistas focalizam a sua atenção nos proprietários de terreno na Ota e agora também de Alcochete, mas uma coisa me parece certa aí não há interesses, há apenas interessezinhos.
Alguma valorização dos terrenos, expropriações super pagas a alguns, talvez haja tudo isso mas não deixam de ser pequenos ganhos.
Onde verdadeiramente está o Big Money é, como sempre, na apropriação privada de bens públicos, é na Portela, obviamente.
Quem vai ficar com a Portela, e em que condições é a isto que deveremos estar atentos.
Curiosamente o fim da Portela que é o mais difícil de sustentar, por todas as razões, é precisamente a questão que já não se discute.
Nem Portela mais um, nem Um mais Portela, a Portela nunca, a Portela vai acabar em prédios.
É isto que interessa ao Governo que terá algum encaixe financeiro e a alguém que terá um enormíssimo encaixe financeiro.
Para estes tanto faz Ota ou Alcochete ou outra coisa qualquer, só é preciso que acabe a Portela.
Conclusão:
Para o poder político aceitar Alcochete é pacífico, só Mário Lino perderá a face, mas aí Sócrates e Cavaco terão mais força.
Para o poder económico interessa Alcochete porque faz um mínimo de senso.
Para algum poder económico interessa-lhe apenas desviar as atenções para as disputas entre a Ota, Alcochete, Poceirão ou qualquer outra localização desde que se cale apenas qualquer hipótese que inclua a Portela.
Juntando assim o poder económico ao poder político quem vai ganhar é Alcochete.
A ver vamos.
As minhas razões são estas:
A situação:
Há muitos anos que surgiram duas localizações sobre a mesa, Rio Frio e Ota, para saber as razões destas opções teríamos que recuar até ao antigo regime, as duas são péssimas aliás, mas como ninguém pensava a sério em fazer o aeroporto, os estudos sucederam-se até à exaustão mas as opções foram ficando as mesmas até ser escolhida a menos má das duas, a Ota.
Agora pretende-se fazer o aeroporto a sério e a inconveniência da Ota vem ao de cima. Todos dizem mal, mas o Governo não pode fazer mais nada, ou se agarra à posição tomada ou entra por um caminho infindável de estudos e mais estudos, e não faz aeroporto nenhum.
Para o Ministro Mário Lino o caso torna-se num ponto de honra e para Sócrates numa embrulhada.
A CIP, financiada por alguns empresários assustados com a forte possibilidade de ter que engolir o aeroporto na Ota, fazem um estudo sobre uma primeira hipótese minimamente aceitável, Alcochete.
Sócrates agradece com alívio a tábua de salvação e Mãrio Lino engole o sapo e vai tentando, como pode não deixar morrer a Ota.
Critérios técnicos:
Alcochete ganha aos pontos à Ota.
Critérios Económicos:
Alcochete ganha aos pontos à Ota.
Interesses obscuros:
Muitos analistas focalizam a sua atenção nos proprietários de terreno na Ota e agora também de Alcochete, mas uma coisa me parece certa aí não há interesses, há apenas interessezinhos.
Alguma valorização dos terrenos, expropriações super pagas a alguns, talvez haja tudo isso mas não deixam de ser pequenos ganhos.
Onde verdadeiramente está o Big Money é, como sempre, na apropriação privada de bens públicos, é na Portela, obviamente.
Quem vai ficar com a Portela, e em que condições é a isto que deveremos estar atentos.
Curiosamente o fim da Portela que é o mais difícil de sustentar, por todas as razões, é precisamente a questão que já não se discute.
Nem Portela mais um, nem Um mais Portela, a Portela nunca, a Portela vai acabar em prédios.
É isto que interessa ao Governo que terá algum encaixe financeiro e a alguém que terá um enormíssimo encaixe financeiro.
Para estes tanto faz Ota ou Alcochete ou outra coisa qualquer, só é preciso que acabe a Portela.
Conclusão:
Para o poder político aceitar Alcochete é pacífico, só Mário Lino perderá a face, mas aí Sócrates e Cavaco terão mais força.
Para o poder económico interessa Alcochete porque faz um mínimo de senso.
Para algum poder económico interessa-lhe apenas desviar as atenções para as disputas entre a Ota, Alcochete, Poceirão ou qualquer outra localização desde que se cale apenas qualquer hipótese que inclua a Portela.
Juntando assim o poder económico ao poder político quem vai ganhar é Alcochete.
A ver vamos.
2007-06-16
Qualquer criança sabe
Mas com o tempo vamo-nos esquecendo:
Uma ferida, uma dor, alivia-se com um beijinho !
Uma ferida, uma dor, alivia-se com um beijinho !
2007-06-14
Hoje é o dia mundial do dador de sangue
Na tv perguntavam a uma especialista:
- Quem pode dar sangue ?
- Toda a gente que tenha saúde e leve uma vida saudável.
Respondeu prontamente a especialista.
Eu, que não levo uma vida saudável percebi logo que infelizmente não podia dar sangue mas qual não foi o meu espanto quando à pergunta directa:
- Os fumadores podem dar sangue ?
Ouvi esta resposta:
- Porque não ?
A especialista e a entrevistadora que certamente não são fumadoras, não sabem ainda mas eu já sei porque me estão a dizer constantemente nos maços de tabaco que compro.
Porque:
Fumar mata !
Fumar prejudica gravemente a minha saúde e a dos que me rodeiam !
Fumar bloqueia as artérias e provoca ataques cardíacos e enfartes !
Fumar pode prejudicar o esperma e reduz a fertilidade !
Fumar provoca o cancro pulmonar mortal !
Quem fuma tem que proteger as crianças e não as obrigar a respirar o seu fumo !
E muitas mais razões que dificilmente habilitam os fumadores a se enquadrarem num estilo de vida saudável! Isso já eu percebi muito bem.
Ainda bem que o Governo me avisa.
- Quem pode dar sangue ?
- Toda a gente que tenha saúde e leve uma vida saudável.
Respondeu prontamente a especialista.
Eu, que não levo uma vida saudável percebi logo que infelizmente não podia dar sangue mas qual não foi o meu espanto quando à pergunta directa:
- Os fumadores podem dar sangue ?
Ouvi esta resposta:
- Porque não ?
A especialista e a entrevistadora que certamente não são fumadoras, não sabem ainda mas eu já sei porque me estão a dizer constantemente nos maços de tabaco que compro.
Porque:
Fumar mata !
Fumar prejudica gravemente a minha saúde e a dos que me rodeiam !
Fumar bloqueia as artérias e provoca ataques cardíacos e enfartes !
Fumar pode prejudicar o esperma e reduz a fertilidade !
Fumar provoca o cancro pulmonar mortal !
Quem fuma tem que proteger as crianças e não as obrigar a respirar o seu fumo !
E muitas mais razões que dificilmente habilitam os fumadores a se enquadrarem num estilo de vida saudável! Isso já eu percebi muito bem.
Ainda bem que o Governo me avisa.
2007-06-13
Um novo problema
Se o aeroporto for para o campo de tiro de Alcochete para onde iremos nós atirar balas e mísseis ?
Para a Ota ?
Para a Portela ?
Aceitam-se sugestões.
Para a Ota ?
Para a Portela ?
Aceitam-se sugestões.
2007-06-11
Um argumento simples mas eloquente
Quando, há vários anos, passei cerca de um mês num Kibutz, tinha, na minha juventude de então, um imenso fascínio e curiosidade por essa utopia afinal realizada.
E o que lá vi foi um sistema aparentemente perfeito e feliz: não obstante não existir propriedade privada, toda a gente usufruía de mais bens materiais, de viagens, de lazer, do que no resto do mundo em volta, não era quando cada um queria, é certo, mas quando a comunidade democraticamente entendesse que havia condições para tal, mas essas condições surgiam facilmente num Kibutz rico e bem gerido.
Apenas uma questão me intrigava:
Estatisticamente a maioria dos jovens nados e criados num kibutz, que ao atingir a maioridade usufruíam de uma extensa viagem pelo mundo, precisamente para fazer uma opção em consciência, ao regressar decidiam precisamente não ficar !
Falo no pretérito porque desconheço totalmente se a realidade continua a ser a mesma hoje, mas naquela altura os kibutzim eram mantidos por um fluxo constante de aderentes de fora para dentro e constantemente “sangrados” de dentro para fora.
Foi conversando com um jovem dissidente que havia abandonado um kibutz que compreendi perfeitamente a questão:
Embora reconhecesse que agora a vida era mais difícil e que vivia materialmente pior justificou-se assim:
- Se você aguenta passar um dia e outro dia e um mês e um ano e vários anos, enfim toda a vida, a comer numa mesa e a conversar com a mesma cara à frente e a mesma cara no seu lado direito e a mesma cara no seu lado esquerdo, pode gostar dos kibutzim, eu não suportei isso.
Este simples argumento fez-me mudar totalmente toda a minha filosofia social.
Foi mais eficaz do que os milhares de páginas que tenho lido sobre o tema !
E o que lá vi foi um sistema aparentemente perfeito e feliz: não obstante não existir propriedade privada, toda a gente usufruía de mais bens materiais, de viagens, de lazer, do que no resto do mundo em volta, não era quando cada um queria, é certo, mas quando a comunidade democraticamente entendesse que havia condições para tal, mas essas condições surgiam facilmente num Kibutz rico e bem gerido.
Apenas uma questão me intrigava:
Estatisticamente a maioria dos jovens nados e criados num kibutz, que ao atingir a maioridade usufruíam de uma extensa viagem pelo mundo, precisamente para fazer uma opção em consciência, ao regressar decidiam precisamente não ficar !
Falo no pretérito porque desconheço totalmente se a realidade continua a ser a mesma hoje, mas naquela altura os kibutzim eram mantidos por um fluxo constante de aderentes de fora para dentro e constantemente “sangrados” de dentro para fora.
Foi conversando com um jovem dissidente que havia abandonado um kibutz que compreendi perfeitamente a questão:
Embora reconhecesse que agora a vida era mais difícil e que vivia materialmente pior justificou-se assim:
- Se você aguenta passar um dia e outro dia e um mês e um ano e vários anos, enfim toda a vida, a comer numa mesa e a conversar com a mesma cara à frente e a mesma cara no seu lado direito e a mesma cara no seu lado esquerdo, pode gostar dos kibutzim, eu não suportei isso.
Este simples argumento fez-me mudar totalmente toda a minha filosofia social.
Foi mais eficaz do que os milhares de páginas que tenho lido sobre o tema !
2007-06-09
Diferenças culturais
Para os ingleses parece muito estranho que os inspectores que investigam o desaparecimento de Madeleine tenham almoços de 2 horas.
Para mim, com a mesma irracionalidade, é estranho ver os pais de Madeleine correrem o mundo em jacto particular emprestado e gastando o dinheiro da enorme onda de solidariedade, penso que com efeitos contraproducentes para a investigação e para o presumível sofrimento a que estarão sujeitando a menina.
Para mim, com a mesma irracionalidade, é estranho ver os pais de Madeleine correrem o mundo em jacto particular emprestado e gastando o dinheiro da enorme onda de solidariedade, penso que com efeitos contraproducentes para a investigação e para o presumível sofrimento a que estarão sujeitando a menina.
2007-06-06
De regresso às lides
Depois de umas curtas férias sem “net”, sem notícias, deixo-vos um pouco do que ficou desses momentos: o belo poema, mataram a tuna, de Manuel da Fonseca que ainda há poucos dias ouvi recitar num momento mágico.
Mataram a Tuna
Nos domingos antigos do bibe e pião
saía a Tuna do Zé Jacinto
tangendo violas e bandolins
tocando a marcha Almadanim.
Abriam janelas meninas sorrindo
parava o comércio pelas portas
e os campaniços de vir à vila
tolhendo os passos escutando em grupo.
Moços da rua tinham pé leve
o burro da nora da Quinta Nova
espetava orelhas apreensivo
Manuel da Água punha gravata!
Tudo mexia como acordado
ao som da marcha Almadanim
cantando a marcha Almadanim.
Quem não sabia aquilo de cor?
A gente cantava assobiava aquilo de cor...
(só a Marianita se enganava
ai só a Marianita se enganava
e eu matava-me a ensinar)
que eu sabia de cor
inteirinha de cor
e para mim domingo não era domingo
era a marcha Almadanim!
Entretanto as senhoras não gostavam
faziam troça dizendo coisas
e os senhores também não gostavam
faziam má cara para a Tuna:
que era indecente aquela marcha
parecia até coisa de doidos:
não era música era raiva
aquela marcha Almadanim.
Mas José Jacinto não desistia.
Vinha domingo e a Tuna na rua
enchendo a rua enchendo as casas.
Voavam fitas coloridas
raspavam notas violentas
rasgava a Tuna o quebranto da vila
tangendo nas violas e bandolins
a heróica marcha Almadanim!
Meus companheiros antigos de bibe e pião
agora empregados no comércio
desenrolando fazenda medindo chita
agora sentados
dobrados nas secretárias do comércio
cabeças pendidas jovens-velhinhos
escrevendo no Deve e Haver somando somando
na vila quieta
sem vida
sem nada
mais que o sossego das falas brandas...
- onde estão os domingos amarelos verdes azuis encarnados
vibrantes tangidos bandolins fitas violas gritos
da heróica marcha Almadanim!
Ó meus amigos desgraçados
se a vida é curta e a morte infinita
despertemos e vamos
eia!
Vamos fazer qualquer coisa de louco e heróico
como era a Tuna do Zé Jacinto
tocando a marcha Almadanim!
Manuel da Fonseca
Este poema, eu diria a marcha Almadanim, deu-me a coragem necessária para as guerras que se avizinham.
Muitos especulam sobre esta marcha Almadanim, como seria esta marcha ? porquê Almadanim ?
O que mais me cativa a mim, todavia, são “os tempos antigos do bibe e pião”.
Que mundos de significação estão encerrados nesta imagem de Manuel da Fonseca !
Mataram a Tuna
Nos domingos antigos do bibe e pião
saía a Tuna do Zé Jacinto
tangendo violas e bandolins
tocando a marcha Almadanim.
Abriam janelas meninas sorrindo
parava o comércio pelas portas
e os campaniços de vir à vila
tolhendo os passos escutando em grupo.
Moços da rua tinham pé leve
o burro da nora da Quinta Nova
espetava orelhas apreensivo
Manuel da Água punha gravata!
Tudo mexia como acordado
ao som da marcha Almadanim
cantando a marcha Almadanim.
Quem não sabia aquilo de cor?
A gente cantava assobiava aquilo de cor...
(só a Marianita se enganava
ai só a Marianita se enganava
e eu matava-me a ensinar)
que eu sabia de cor
inteirinha de cor
e para mim domingo não era domingo
era a marcha Almadanim!
Entretanto as senhoras não gostavam
faziam troça dizendo coisas
e os senhores também não gostavam
faziam má cara para a Tuna:
que era indecente aquela marcha
parecia até coisa de doidos:
não era música era raiva
aquela marcha Almadanim.
Mas José Jacinto não desistia.
Vinha domingo e a Tuna na rua
enchendo a rua enchendo as casas.
Voavam fitas coloridas
raspavam notas violentas
rasgava a Tuna o quebranto da vila
tangendo nas violas e bandolins
a heróica marcha Almadanim!
Meus companheiros antigos de bibe e pião
agora empregados no comércio
desenrolando fazenda medindo chita
agora sentados
dobrados nas secretárias do comércio
cabeças pendidas jovens-velhinhos
escrevendo no Deve e Haver somando somando
na vila quieta
sem vida
sem nada
mais que o sossego das falas brandas...
- onde estão os domingos amarelos verdes azuis encarnados
vibrantes tangidos bandolins fitas violas gritos
da heróica marcha Almadanim!
Ó meus amigos desgraçados
se a vida é curta e a morte infinita
despertemos e vamos
eia!
Vamos fazer qualquer coisa de louco e heróico
como era a Tuna do Zé Jacinto
tocando a marcha Almadanim!
Manuel da Fonseca
Este poema, eu diria a marcha Almadanim, deu-me a coragem necessária para as guerras que se avizinham.
Muitos especulam sobre esta marcha Almadanim, como seria esta marcha ? porquê Almadanim ?
O que mais me cativa a mim, todavia, são “os tempos antigos do bibe e pião”.
Que mundos de significação estão encerrados nesta imagem de Manuel da Fonseca !
2007-05-31
Alguém está a ver uma miragem
Onde o Sr. Ministro Mário Lino vê um deserto, mesmo na zona restrita que apontou na margem Sul, o Sr. Ministro Jaime Silva vê uma cidade, tão urbana, que não aceita que aí se apliquem os apoios previstos do Fundo Europeu para o Desenvolvimento Rural o FEADER.
Um dos dois certamente se engana ou, na verdade, enganam-se os dois, como parece evidente.
Um dos dois certamente se engana ou, na verdade, enganam-se os dois, como parece evidente.
2007-05-29
2007-05-27
Ser o primeiro
Há um fascínio estranho dos homens e mulheres deste mundo por serem “os primeiros”.
O Gato Fedorento já caricaturou este fascínio relativamente ao polémico túnel do Marquês, o esforço e dedicação que tantos despenderam para ser os primeiros a fazer qualquer coisa: passar no túnel, tocar algum azulejo, mijar no túnel, eu sei lá !
Vi há pouco um programa sobre o mar, onde um professor exprimia a sua grande emoção por ter estado num submarino, a não sei quantos metros de profundidade e não sei aonde e por ter sido o primeiro a ter estado ali, tirando talvez o condutor do submarino que não conta, assim como o Sherpa que chegou primeiro ao pico do Himalaia com Hillary não contava, até alguém reparar.
Eu também partilho este fascínio da espécie, também gosto de ser o primeiro, só que tenho a consciência de que diariamente sou o primeiro em tantas coisas, em quase tudo, até fui o primeiro a escrever isto.
Ser o primeiro é tão banal que julgo que se deveria inventar o desejo de se ficar na 1437ª posição, porque não? é tão difícil !
Afinal é como ser o primeiro a estar na 1437ª posição.
O Gato Fedorento já caricaturou este fascínio relativamente ao polémico túnel do Marquês, o esforço e dedicação que tantos despenderam para ser os primeiros a fazer qualquer coisa: passar no túnel, tocar algum azulejo, mijar no túnel, eu sei lá !
Vi há pouco um programa sobre o mar, onde um professor exprimia a sua grande emoção por ter estado num submarino, a não sei quantos metros de profundidade e não sei aonde e por ter sido o primeiro a ter estado ali, tirando talvez o condutor do submarino que não conta, assim como o Sherpa que chegou primeiro ao pico do Himalaia com Hillary não contava, até alguém reparar.
Eu também partilho este fascínio da espécie, também gosto de ser o primeiro, só que tenho a consciência de que diariamente sou o primeiro em tantas coisas, em quase tudo, até fui o primeiro a escrever isto.
Ser o primeiro é tão banal que julgo que se deveria inventar o desejo de se ficar na 1437ª posição, porque não? é tão difícil !
Afinal é como ser o primeiro a estar na 1437ª posição.
2007-05-25
Os números e os nomes
O Sr. Ministro da Saúde num debate sobre o fecho das urgências (ou dos SAP, como ele dizia) referia, rindo-se do ridículo da situação, que num determinado SAP fechado só lá iam 4 utentes 4 por cada noite.
De facto manter instalações abertas, equipamento operacional, médicos e enfermeiros, a receber salário e horas extraordinárias para servir 4 utentes 4, parece irracional e a mim também me pareceu, na medida em que esses 4 utentes 4 não eram nem eu, nem algum dos meus filhos, nem um meu vizinho ou conhecido, eram 4 cidadãos quaisquer 4.
Assim esta desumanização, transformação em número das pessoas parece muito conveniente para o Governo quando se trata de estragar a vida de alguém.
Curiosamente, no caso das greves, para o Governo, não servem os números, há que humanizar, listar os nomes e expô-los na internet para que todos saibam , tem que se saber os nomes.
É assim que convém gerir o país e o mundo:
Todos somos números quando somos despedidos, abusados e prejudicados, mas já temos de ser nomes quando afrontamos o Governo, para este efeito já tem que haver transparência.
De facto manter instalações abertas, equipamento operacional, médicos e enfermeiros, a receber salário e horas extraordinárias para servir 4 utentes 4, parece irracional e a mim também me pareceu, na medida em que esses 4 utentes 4 não eram nem eu, nem algum dos meus filhos, nem um meu vizinho ou conhecido, eram 4 cidadãos quaisquer 4.
Assim esta desumanização, transformação em número das pessoas parece muito conveniente para o Governo quando se trata de estragar a vida de alguém.
Curiosamente, no caso das greves, para o Governo, não servem os números, há que humanizar, listar os nomes e expô-los na internet para que todos saibam , tem que se saber os nomes.
É assim que convém gerir o país e o mundo:
Todos somos números quando somos despedidos, abusados e prejudicados, mas já temos de ser nomes quando afrontamos o Governo, para este efeito já tem que haver transparência.
2007-05-23
O seu a seu dono
Ouvido um debate na 2 sobre a complexa questão dos direitos de autor fiquei a saber que tenho sido um perigoso criminoso desde os meus tempos de estudante em que fotocopiava textos de terceiros, até aos dias de hoje onde, de vez enquanto, faço um download de um mp3
Conforme percebi o conceito, da forma simplista como ele foi tratado, se e quando apanharem, os raptores de Madleine eles terão direito a uma choruda parcela dos lucros que proporcionaram aos media pela autoria moral do seu crime.
Conforme percebi o conceito, da forma simplista como ele foi tratado, se e quando apanharem, os raptores de Madleine eles terão direito a uma choruda parcela dos lucros que proporcionaram aos media pela autoria moral do seu crime.
2007-05-19
Quem vai ganhar a BWIN Liga
No pressuposto de que todas as 3 equipas de topo têm igual probabilidade de perder, empatar ou ganhar os respectivos jogos, as probabilidades de vencer o campeonato são as seguintes:
FC Porto – 63 %
Sporting CP – 30 %
SL Benfica – 7 %
FC Porto – 63 %
Sporting CP – 30 %
SL Benfica – 7 %
2007-05-18
O meu MEM
A Joana, minha filha, desafiou-me para postar um meu MEM, inserindo-me assim numa cadeia que se vai desenvolvendo por vários Blogues.
A minha primeira dificuldade foi a de conhecer melhor o conceito.
A minha ideia inicial identificava MEM com aquilo a que eu tenho chamado aqui, nalguns postes de “tijolos”: Impressões, experiências individuais elementares que se incorporam e construem a nossa idiossincrasia, como peças de um “puzzle”.
Uma pesquisa no “Google” mostrou-me que não, o MEM, noção introduzida por Richard Dawkins, não é um elemento individual, será antes uma unidade colectiva que se propaga como um gene cultural sendo mais próximo do que eu tenho chamado “referências”.
Sendo assim, parece-me uma noção menos interessante para se colocar num blogue (expressão individual, geralmente) visto que para ser um MEM tem que ser já partilhado por um conjunto de pessoas.
O que pensei intuitivamente colocar foi o seguinte:
“A base de sucesso da natureza, mesmo do universo, está na diversidade”
Pensando, todavia melhor creio que isto, pelo menos formulado desta maneira, não será propriamente um MEM, é apenas uma ideia minha, sê-lo-ia se estivesse inscrito na obra de um notável autor e que muitos conhecessem.
Deixo então um verdadeiro MEM extraído do Maio de 68 e que é já partilhado por muita gente e base da cultura de muitos (excepto Sarkozi):
“Somos realistas, queremos o impossível”
A minha primeira dificuldade foi a de conhecer melhor o conceito.
A minha ideia inicial identificava MEM com aquilo a que eu tenho chamado aqui, nalguns postes de “tijolos”: Impressões, experiências individuais elementares que se incorporam e construem a nossa idiossincrasia, como peças de um “puzzle”.
Uma pesquisa no “Google” mostrou-me que não, o MEM, noção introduzida por Richard Dawkins, não é um elemento individual, será antes uma unidade colectiva que se propaga como um gene cultural sendo mais próximo do que eu tenho chamado “referências”.
Sendo assim, parece-me uma noção menos interessante para se colocar num blogue (expressão individual, geralmente) visto que para ser um MEM tem que ser já partilhado por um conjunto de pessoas.
O que pensei intuitivamente colocar foi o seguinte:
“A base de sucesso da natureza, mesmo do universo, está na diversidade”
Pensando, todavia melhor creio que isto, pelo menos formulado desta maneira, não será propriamente um MEM, é apenas uma ideia minha, sê-lo-ia se estivesse inscrito na obra de um notável autor e que muitos conhecessem.
Deixo então um verdadeiro MEM extraído do Maio de 68 e que é já partilhado por muita gente e base da cultura de muitos (excepto Sarkozi):
“Somos realistas, queremos o impossível”
2007-05-17
Malhas que o Império tece
Foi há 35 anos, em Angola.
Sentávamo-nos, o ex-soldado e eu, a uma mesa, conversando, entre petiscos e cerveja, sobre o dia passado e sobre a guerra que nos envolvia.
Nisto, diz-me ele com a voz mais baixa e um estranho à vontade, solene e triste:
- Sabes ? matei uma criança !
- Meu Deus, como pode ser isso, estás a brincar ? (como se se pudesse brincar assim)
Explicou-me então o que se tinha passado:
- Estávamos no meio de um tiroteio. Não se via nada, eu estava escondido atrás de umas moitas e disparava para o mato para de onde vinha o fogo inimigo.
De repente, passa um vulto negro a correr à minha frente, um filho da puta de um “turra” mesmo ali, à minha frente. Não pensei, não hesitei, dei-lhe um tiro e o vulto tombou ali.
Fui ver, era uma jovem negra que transportava um bébé, o seu filho, às costas.
Ela, jazia morta, a criança gritava assustada e em sofrimento, tinha um braço decepado pela bala.
Que fazer meu Deus ! sair dali e abandonar criança assim ?
Encostei-lhe a arma à cabeça e disparei sem olhar. Morreu instantaneamente.
Até hoje não sei se fiz bem ou mal, maldita guerra !
Nunca mais abordámos este assunto.
Apesar de trabalhármos hoje no mesmo ministério, há anos que não o vejo nem falo com o ex-soldado e, tudo se foi esmorecendo.
Até há dias em que me telefonou desesperado pedindo ajuda por conta de um processo disciplinar a que estava sujeito, conduzido por alguém que eu conhecia bem.
Intercedi por ele, falei ao meu amigo e disse-lhe que o ex-soldado era um bom rapaz, que já tinha trabalhado comigo, há anos em Angola e não tinha queixas dele, antes pelo contrário.
Não sei, nem quis saber o resultado final.
O meu amigo que instruiu o processo disciplinar apenas me disse:
- Vou ver o que posso fazer, mas não é fácil, o “gajo” é completamente maluco, passa de todas as marcas !
- Talvez ... !
Respondi-lhe eu, enquanto todo o pesadelo me afrontava de novo, voltando do fundo da memória.
Sentávamo-nos, o ex-soldado e eu, a uma mesa, conversando, entre petiscos e cerveja, sobre o dia passado e sobre a guerra que nos envolvia.
Nisto, diz-me ele com a voz mais baixa e um estranho à vontade, solene e triste:
- Sabes ? matei uma criança !
- Meu Deus, como pode ser isso, estás a brincar ? (como se se pudesse brincar assim)
Explicou-me então o que se tinha passado:
- Estávamos no meio de um tiroteio. Não se via nada, eu estava escondido atrás de umas moitas e disparava para o mato para de onde vinha o fogo inimigo.
De repente, passa um vulto negro a correr à minha frente, um filho da puta de um “turra” mesmo ali, à minha frente. Não pensei, não hesitei, dei-lhe um tiro e o vulto tombou ali.
Fui ver, era uma jovem negra que transportava um bébé, o seu filho, às costas.
Ela, jazia morta, a criança gritava assustada e em sofrimento, tinha um braço decepado pela bala.
Que fazer meu Deus ! sair dali e abandonar criança assim ?
Encostei-lhe a arma à cabeça e disparei sem olhar. Morreu instantaneamente.
Até hoje não sei se fiz bem ou mal, maldita guerra !
Nunca mais abordámos este assunto.
Apesar de trabalhármos hoje no mesmo ministério, há anos que não o vejo nem falo com o ex-soldado e, tudo se foi esmorecendo.
Até há dias em que me telefonou desesperado pedindo ajuda por conta de um processo disciplinar a que estava sujeito, conduzido por alguém que eu conhecia bem.
Intercedi por ele, falei ao meu amigo e disse-lhe que o ex-soldado era um bom rapaz, que já tinha trabalhado comigo, há anos em Angola e não tinha queixas dele, antes pelo contrário.
Não sei, nem quis saber o resultado final.
O meu amigo que instruiu o processo disciplinar apenas me disse:
- Vou ver o que posso fazer, mas não é fácil, o “gajo” é completamente maluco, passa de todas as marcas !
- Talvez ... !
Respondi-lhe eu, enquanto todo o pesadelo me afrontava de novo, voltando do fundo da memória.
2007-05-16
Questões de etiqueta
Na maratona ou no triatlo fica bem chegar em último, com uma hora de atraso, de rastos mas sem se desistir.
Talvez alguem ainda se lembre de uma célebre e dramática chegada, fora de horas e perto da exaustão de uma atleta suiça, concorrente da maratona de uns jogos olímpicos de há alguns anos e que foi recebida por um estádio em pé a aplaudir.
Também, no recente triatlo realizado em Lisboa, a concorrente americana que saiu como um pinto e “aos esses” da natação, muito atrás de todas as outras, foi tão acarinhada pelo público como a vencedora Vanessa Fernandes.
É bonito ver esse esforço individual de alguém que luta consigo próprio, até ao limite, para concretizar um sonho.
Porém, se o desporto for xadrez, o abandono tardio, a luta até ao fim a esperança desesperada num volte-face é considerado impertinente, estúpido e antidesportivo, não desperta aplausos mas antes assobios.
Sempre me intrigou esta dualidade de critérios entre o esforço físico e o intelectual mas a realidade é assim mesmo e as explicações sociológicas poderão ser talvez encontradas.
Mas há zonas de penumbra neste domínio:
O gesto de Carmona Rodrigues de lutar até a um fim inglório é aplaudido por uns e assobiado por outros, na verdade não se consegue ver claro se Carmona Rodrigues participava numa maratona ou num jogo de xadrez.
Talvez alguem ainda se lembre de uma célebre e dramática chegada, fora de horas e perto da exaustão de uma atleta suiça, concorrente da maratona de uns jogos olímpicos de há alguns anos e que foi recebida por um estádio em pé a aplaudir.
Também, no recente triatlo realizado em Lisboa, a concorrente americana que saiu como um pinto e “aos esses” da natação, muito atrás de todas as outras, foi tão acarinhada pelo público como a vencedora Vanessa Fernandes.
É bonito ver esse esforço individual de alguém que luta consigo próprio, até ao limite, para concretizar um sonho.
Porém, se o desporto for xadrez, o abandono tardio, a luta até ao fim a esperança desesperada num volte-face é considerado impertinente, estúpido e antidesportivo, não desperta aplausos mas antes assobios.
Sempre me intrigou esta dualidade de critérios entre o esforço físico e o intelectual mas a realidade é assim mesmo e as explicações sociológicas poderão ser talvez encontradas.
Mas há zonas de penumbra neste domínio:
O gesto de Carmona Rodrigues de lutar até a um fim inglório é aplaudido por uns e assobiado por outros, na verdade não se consegue ver claro se Carmona Rodrigues participava numa maratona ou num jogo de xadrez.
2007-05-15
O que faz falta
É bom senso.
Não sei bem o que é, só o reconheço quando o vejo mas vejo-o muito pouco e cada vez menos.
Não sei bem o que é, só o reconheço quando o vejo mas vejo-o muito pouco e cada vez menos.
2007-05-11
Pornografia gastronómica
Parece que a Coca-Cola é óptima para desentupir canos e, dizem também que tem algumas propriedades medicinais em perturbações do tráfico intestinal.
Até há quem a beba com algum prazer, atendendo certamente à quantidade de açúcar que contem, essa droga poderosíssima que torna tudo, mais ou menos, apetecível.
Para o que manifestamente não serve é para acompanhar sardinhas assadas.
A simples sugestão dessa possibilidade que agora é feita despoduradamente na publicidade, em horários nobres onde existem criancinhas a assistir é contra natura e ofende a sensibilidade gastronómica portuguesa e mundial.
Coca-Cola com sardinhas não só não liga como estraga tudo, até a sardinha se deve sentir enxovalhada com este desrespeito.
Sempre que vejo esse anúncio fico ruborizado de vergonha e de cólera contra o atrevimento.
Onde estão as comissões de ética e todos essas instãncias criadas para nos protegerem de conteúdos obscenos nos media ?
Até há quem a beba com algum prazer, atendendo certamente à quantidade de açúcar que contem, essa droga poderosíssima que torna tudo, mais ou menos, apetecível.
Para o que manifestamente não serve é para acompanhar sardinhas assadas.
A simples sugestão dessa possibilidade que agora é feita despoduradamente na publicidade, em horários nobres onde existem criancinhas a assistir é contra natura e ofende a sensibilidade gastronómica portuguesa e mundial.
Coca-Cola com sardinhas não só não liga como estraga tudo, até a sardinha se deve sentir enxovalhada com este desrespeito.
Sempre que vejo esse anúncio fico ruborizado de vergonha e de cólera contra o atrevimento.
Onde estão as comissões de ética e todos essas instãncias criadas para nos protegerem de conteúdos obscenos nos media ?
2007-05-05
Afinal ainda há esperança
Não me precipitei, as coisas passaram-se exactamente como contei no poste anterior, li a mensagem de recusa de publicação no monitor.
Vi e fiquei ofendido e triste.
Recorri à única arma que tinha, a “minha tribuna”, e assim nasceu o poste anterior.
Inesperadamente li hoje o comentário de Daniel Oliveira neste blogue, voltei ao Arrastão, fiz F5 e o meu comentário lá apareceu como penso devia ter aparecido desde o primeiro momento.
Fico feliz porque parece não ter sido, de facto, uma opção editorial de Daniel Oliveira mas antes um daqueles incontroláveis e inusitados acontecimentos de que este media é pródigo e dos quais já tenho falado aqui e que não me interessa aprofundar.
Assunto encerrado portanto, retiro a minha desconfiança em relação às intenções de Daniel Oliveira e reforço a minha desconfiança em relação aos computadores e às suas manias.
Vi e fiquei ofendido e triste.
Recorri à única arma que tinha, a “minha tribuna”, e assim nasceu o poste anterior.
Inesperadamente li hoje o comentário de Daniel Oliveira neste blogue, voltei ao Arrastão, fiz F5 e o meu comentário lá apareceu como penso devia ter aparecido desde o primeiro momento.
Fico feliz porque parece não ter sido, de facto, uma opção editorial de Daniel Oliveira mas antes um daqueles incontroláveis e inusitados acontecimentos de que este media é pródigo e dos quais já tenho falado aqui e que não me interessa aprofundar.
Assunto encerrado portanto, retiro a minha desconfiança em relação às intenções de Daniel Oliveira e reforço a minha desconfiança em relação aos computadores e às suas manias.
2007-05-04
Assim vai a “esquerda” hoje !
O arrastão, blogue do mediático militante de esquerda Daniel Oliveira, publicou o seguinte poste a 2 de Maio:
Sempre ao seu dispor
Vejo na SIC que Alberto João inaugurou uma estrada para uma pequena povoação. Conta que o fez para pagar uma dívida a Maria, a empregada que o ajudou a cuidar dos filhos e que ali vive. Ficamos todos satisfeitos por contribuir com o nosso dinheiro para pagar os favores do senhor Alberto. E que ele tenha o descaramento de o dizer na televisão, comovido com a nossa generosidade, ainda me agrada mais.
Suscitou diversos e justíssimos comentários de apoio ao poste e de repulsa pelo comportamento de Alberto João Jardim.
Porém, eu tenho outro ponto de vista sobre o mesmo assunto e procurei exprimi-lo, postando um comentário como este.
“Pois é, servir os interesses do capital, como fazem quase todos, quase sempre, não suscita a revolta da esquerda de hoje, mas a D. Maria é demasiado insignificante, não é ?
Eu, por mim gosto que os meus impostos sirvam os interesses das D. Maria e dos Srs. José deste mundo.”
Parecia-me correcto, educado e que permitiria alguma reflexão mais profunda sobre a questão.
Acontece que o blogue de Daniel Oliveira tem instituída a censura prévia, funcionalidade que , pensava eu, serviria para afastar os “spam coments” ou linguagem obscena. Engano meu, é censura mesmo e o meu comentário não foi publicado por ter sido classificado de comentário não apropriado.
Afinal Daniel Oliveira usa no seu blogue a mesma estratégia de Alberto João na Madeira ao “comprar “ os jornais todos: aplausos, tudo bem mas qualquer voz discordante nem pensar.
Viva o lápis azul !
Curiosamente, o mesmo blogue “Arrastão”, no dia 1 de Maio, prestou um excelente serviço ao divulgar diversas versões da “Internacional” que tiveram o condão de me comover, ao me proporcionar ouvir em diversas línguas do mundo, diversas versões da seguinte noção:
“Bem unidos façamos nesta luta final, uma terra sem amos, a internacional”
Infelizmente, assim não vamos lá !
Sempre ao seu dispor
Vejo na SIC que Alberto João inaugurou uma estrada para uma pequena povoação. Conta que o fez para pagar uma dívida a Maria, a empregada que o ajudou a cuidar dos filhos e que ali vive. Ficamos todos satisfeitos por contribuir com o nosso dinheiro para pagar os favores do senhor Alberto. E que ele tenha o descaramento de o dizer na televisão, comovido com a nossa generosidade, ainda me agrada mais.
Suscitou diversos e justíssimos comentários de apoio ao poste e de repulsa pelo comportamento de Alberto João Jardim.
Porém, eu tenho outro ponto de vista sobre o mesmo assunto e procurei exprimi-lo, postando um comentário como este.
“Pois é, servir os interesses do capital, como fazem quase todos, quase sempre, não suscita a revolta da esquerda de hoje, mas a D. Maria é demasiado insignificante, não é ?
Eu, por mim gosto que os meus impostos sirvam os interesses das D. Maria e dos Srs. José deste mundo.”
Parecia-me correcto, educado e que permitiria alguma reflexão mais profunda sobre a questão.
Acontece que o blogue de Daniel Oliveira tem instituída a censura prévia, funcionalidade que , pensava eu, serviria para afastar os “spam coments” ou linguagem obscena. Engano meu, é censura mesmo e o meu comentário não foi publicado por ter sido classificado de comentário não apropriado.
Afinal Daniel Oliveira usa no seu blogue a mesma estratégia de Alberto João na Madeira ao “comprar “ os jornais todos: aplausos, tudo bem mas qualquer voz discordante nem pensar.
Viva o lápis azul !
Curiosamente, o mesmo blogue “Arrastão”, no dia 1 de Maio, prestou um excelente serviço ao divulgar diversas versões da “Internacional” que tiveram o condão de me comover, ao me proporcionar ouvir em diversas línguas do mundo, diversas versões da seguinte noção:
“Bem unidos façamos nesta luta final, uma terra sem amos, a internacional”
Infelizmente, assim não vamos lá !
2007-04-30
Impressões de viagem 7
O Rio de Janeiro continua lindo
E assim continuará enquanto a cidade não destruir completamente a portentosa natureza.
Foi assim que vi o Rio: um centro histórico interessante mas menos interessante do que os de outras cidades do Brasil como Salvador ou Manaus, para falar apenas de cidades visitadas por mim, uma praia, um mar, o calçadão, com a beleza das marginais sumptuosas acrescida da tal natureza que irrompe da cidade mas sempre atormentada pelo fantasma do crime potencial.
Depois, há as favelas, que não visitei.
Sugeriram-me a “Academia da Cachaça” onde me disseram que poderia comer a melhor feijoada da minha vida. Segui o conselho e comi, de facto, a melhor feijoada da minha vida, não é um restaurante turístico mas recomendo-o sem reservas.
As vistas do Cristo redentor, do Corcovado, e do Pão de Açúcar são esplendorosas, “breath taking” como dizem os anglo-saxónicos:
Uma paisagem descomunal de serra e mar, manchada por “um cancro branco” que vai alastrando e que é a cidade.
Não ilustro com fotos porque não é necessário, o Rio todos os dias entra pelas nossas casas.
E assim continuará enquanto a cidade não destruir completamente a portentosa natureza.
Foi assim que vi o Rio: um centro histórico interessante mas menos interessante do que os de outras cidades do Brasil como Salvador ou Manaus, para falar apenas de cidades visitadas por mim, uma praia, um mar, o calçadão, com a beleza das marginais sumptuosas acrescida da tal natureza que irrompe da cidade mas sempre atormentada pelo fantasma do crime potencial.
Depois, há as favelas, que não visitei.
Sugeriram-me a “Academia da Cachaça” onde me disseram que poderia comer a melhor feijoada da minha vida. Segui o conselho e comi, de facto, a melhor feijoada da minha vida, não é um restaurante turístico mas recomendo-o sem reservas.
As vistas do Cristo redentor, do Corcovado, e do Pão de Açúcar são esplendorosas, “breath taking” como dizem os anglo-saxónicos:
Uma paisagem descomunal de serra e mar, manchada por “um cancro branco” que vai alastrando e que é a cidade.
Não ilustro com fotos porque não é necessário, o Rio todos os dias entra pelas nossas casas.
2007-04-23
O metro ao Sul do Tejo
Ou, com mais propriedade, o eléctrico ao Sul do Tejo, vai tornar-se em mais um caso de estudo dos erros clamorosos do desenvolvimento planeado.
Não serve objectivo nenhum.
Não aumenta nenhuma acessibilidade.
Tem custado uma fortuna.
Empata todo o trânsito
É uma fonte permanente de muitos previsíveis acidentes.
E tudo isto era já claríssimo no papel.
Tem decisor que é cego !
Não serve objectivo nenhum.
Não aumenta nenhuma acessibilidade.
Tem custado uma fortuna.
Empata todo o trânsito
É uma fonte permanente de muitos previsíveis acidentes.
E tudo isto era já claríssimo no papel.
Tem decisor que é cego !
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