Para os ingleses parece muito estranho que os inspectores que investigam o desaparecimento de Madeleine tenham almoços de 2 horas.
Para mim, com a mesma irracionalidade, é estranho ver os pais de Madeleine correrem o mundo em jacto particular emprestado e gastando o dinheiro da enorme onda de solidariedade, penso que com efeitos contraproducentes para a investigação e para o presumível sofrimento a que estarão sujeitando a menina.
2007-06-09
2007-06-06
De regresso às lides
Depois de umas curtas férias sem “net”, sem notícias, deixo-vos um pouco do que ficou desses momentos: o belo poema, mataram a tuna, de Manuel da Fonseca que ainda há poucos dias ouvi recitar num momento mágico.
Mataram a Tuna
Nos domingos antigos do bibe e pião
saía a Tuna do Zé Jacinto
tangendo violas e bandolins
tocando a marcha Almadanim.
Abriam janelas meninas sorrindo
parava o comércio pelas portas
e os campaniços de vir à vila
tolhendo os passos escutando em grupo.
Moços da rua tinham pé leve
o burro da nora da Quinta Nova
espetava orelhas apreensivo
Manuel da Água punha gravata!
Tudo mexia como acordado
ao som da marcha Almadanim
cantando a marcha Almadanim.
Quem não sabia aquilo de cor?
A gente cantava assobiava aquilo de cor...
(só a Marianita se enganava
ai só a Marianita se enganava
e eu matava-me a ensinar)
que eu sabia de cor
inteirinha de cor
e para mim domingo não era domingo
era a marcha Almadanim!
Entretanto as senhoras não gostavam
faziam troça dizendo coisas
e os senhores também não gostavam
faziam má cara para a Tuna:
que era indecente aquela marcha
parecia até coisa de doidos:
não era música era raiva
aquela marcha Almadanim.
Mas José Jacinto não desistia.
Vinha domingo e a Tuna na rua
enchendo a rua enchendo as casas.
Voavam fitas coloridas
raspavam notas violentas
rasgava a Tuna o quebranto da vila
tangendo nas violas e bandolins
a heróica marcha Almadanim!
Meus companheiros antigos de bibe e pião
agora empregados no comércio
desenrolando fazenda medindo chita
agora sentados
dobrados nas secretárias do comércio
cabeças pendidas jovens-velhinhos
escrevendo no Deve e Haver somando somando
na vila quieta
sem vida
sem nada
mais que o sossego das falas brandas...
- onde estão os domingos amarelos verdes azuis encarnados
vibrantes tangidos bandolins fitas violas gritos
da heróica marcha Almadanim!
Ó meus amigos desgraçados
se a vida é curta e a morte infinita
despertemos e vamos
eia!
Vamos fazer qualquer coisa de louco e heróico
como era a Tuna do Zé Jacinto
tocando a marcha Almadanim!
Manuel da Fonseca
Este poema, eu diria a marcha Almadanim, deu-me a coragem necessária para as guerras que se avizinham.
Muitos especulam sobre esta marcha Almadanim, como seria esta marcha ? porquê Almadanim ?
O que mais me cativa a mim, todavia, são “os tempos antigos do bibe e pião”.
Que mundos de significação estão encerrados nesta imagem de Manuel da Fonseca !
Mataram a Tuna
Nos domingos antigos do bibe e pião
saía a Tuna do Zé Jacinto
tangendo violas e bandolins
tocando a marcha Almadanim.
Abriam janelas meninas sorrindo
parava o comércio pelas portas
e os campaniços de vir à vila
tolhendo os passos escutando em grupo.
Moços da rua tinham pé leve
o burro da nora da Quinta Nova
espetava orelhas apreensivo
Manuel da Água punha gravata!
Tudo mexia como acordado
ao som da marcha Almadanim
cantando a marcha Almadanim.
Quem não sabia aquilo de cor?
A gente cantava assobiava aquilo de cor...
(só a Marianita se enganava
ai só a Marianita se enganava
e eu matava-me a ensinar)
que eu sabia de cor
inteirinha de cor
e para mim domingo não era domingo
era a marcha Almadanim!
Entretanto as senhoras não gostavam
faziam troça dizendo coisas
e os senhores também não gostavam
faziam má cara para a Tuna:
que era indecente aquela marcha
parecia até coisa de doidos:
não era música era raiva
aquela marcha Almadanim.
Mas José Jacinto não desistia.
Vinha domingo e a Tuna na rua
enchendo a rua enchendo as casas.
Voavam fitas coloridas
raspavam notas violentas
rasgava a Tuna o quebranto da vila
tangendo nas violas e bandolins
a heróica marcha Almadanim!
Meus companheiros antigos de bibe e pião
agora empregados no comércio
desenrolando fazenda medindo chita
agora sentados
dobrados nas secretárias do comércio
cabeças pendidas jovens-velhinhos
escrevendo no Deve e Haver somando somando
na vila quieta
sem vida
sem nada
mais que o sossego das falas brandas...
- onde estão os domingos amarelos verdes azuis encarnados
vibrantes tangidos bandolins fitas violas gritos
da heróica marcha Almadanim!
Ó meus amigos desgraçados
se a vida é curta e a morte infinita
despertemos e vamos
eia!
Vamos fazer qualquer coisa de louco e heróico
como era a Tuna do Zé Jacinto
tocando a marcha Almadanim!
Manuel da Fonseca
Este poema, eu diria a marcha Almadanim, deu-me a coragem necessária para as guerras que se avizinham.
Muitos especulam sobre esta marcha Almadanim, como seria esta marcha ? porquê Almadanim ?
O que mais me cativa a mim, todavia, são “os tempos antigos do bibe e pião”.
Que mundos de significação estão encerrados nesta imagem de Manuel da Fonseca !
2007-05-31
Alguém está a ver uma miragem
Onde o Sr. Ministro Mário Lino vê um deserto, mesmo na zona restrita que apontou na margem Sul, o Sr. Ministro Jaime Silva vê uma cidade, tão urbana, que não aceita que aí se apliquem os apoios previstos do Fundo Europeu para o Desenvolvimento Rural o FEADER.
Um dos dois certamente se engana ou, na verdade, enganam-se os dois, como parece evidente.
Um dos dois certamente se engana ou, na verdade, enganam-se os dois, como parece evidente.
2007-05-29
2007-05-27
Ser o primeiro
Há um fascínio estranho dos homens e mulheres deste mundo por serem “os primeiros”.
O Gato Fedorento já caricaturou este fascínio relativamente ao polémico túnel do Marquês, o esforço e dedicação que tantos despenderam para ser os primeiros a fazer qualquer coisa: passar no túnel, tocar algum azulejo, mijar no túnel, eu sei lá !
Vi há pouco um programa sobre o mar, onde um professor exprimia a sua grande emoção por ter estado num submarino, a não sei quantos metros de profundidade e não sei aonde e por ter sido o primeiro a ter estado ali, tirando talvez o condutor do submarino que não conta, assim como o Sherpa que chegou primeiro ao pico do Himalaia com Hillary não contava, até alguém reparar.
Eu também partilho este fascínio da espécie, também gosto de ser o primeiro, só que tenho a consciência de que diariamente sou o primeiro em tantas coisas, em quase tudo, até fui o primeiro a escrever isto.
Ser o primeiro é tão banal que julgo que se deveria inventar o desejo de se ficar na 1437ª posição, porque não? é tão difícil !
Afinal é como ser o primeiro a estar na 1437ª posição.
O Gato Fedorento já caricaturou este fascínio relativamente ao polémico túnel do Marquês, o esforço e dedicação que tantos despenderam para ser os primeiros a fazer qualquer coisa: passar no túnel, tocar algum azulejo, mijar no túnel, eu sei lá !
Vi há pouco um programa sobre o mar, onde um professor exprimia a sua grande emoção por ter estado num submarino, a não sei quantos metros de profundidade e não sei aonde e por ter sido o primeiro a ter estado ali, tirando talvez o condutor do submarino que não conta, assim como o Sherpa que chegou primeiro ao pico do Himalaia com Hillary não contava, até alguém reparar.
Eu também partilho este fascínio da espécie, também gosto de ser o primeiro, só que tenho a consciência de que diariamente sou o primeiro em tantas coisas, em quase tudo, até fui o primeiro a escrever isto.
Ser o primeiro é tão banal que julgo que se deveria inventar o desejo de se ficar na 1437ª posição, porque não? é tão difícil !
Afinal é como ser o primeiro a estar na 1437ª posição.
2007-05-25
Os números e os nomes
O Sr. Ministro da Saúde num debate sobre o fecho das urgências (ou dos SAP, como ele dizia) referia, rindo-se do ridículo da situação, que num determinado SAP fechado só lá iam 4 utentes 4 por cada noite.
De facto manter instalações abertas, equipamento operacional, médicos e enfermeiros, a receber salário e horas extraordinárias para servir 4 utentes 4, parece irracional e a mim também me pareceu, na medida em que esses 4 utentes 4 não eram nem eu, nem algum dos meus filhos, nem um meu vizinho ou conhecido, eram 4 cidadãos quaisquer 4.
Assim esta desumanização, transformação em número das pessoas parece muito conveniente para o Governo quando se trata de estragar a vida de alguém.
Curiosamente, no caso das greves, para o Governo, não servem os números, há que humanizar, listar os nomes e expô-los na internet para que todos saibam , tem que se saber os nomes.
É assim que convém gerir o país e o mundo:
Todos somos números quando somos despedidos, abusados e prejudicados, mas já temos de ser nomes quando afrontamos o Governo, para este efeito já tem que haver transparência.
De facto manter instalações abertas, equipamento operacional, médicos e enfermeiros, a receber salário e horas extraordinárias para servir 4 utentes 4, parece irracional e a mim também me pareceu, na medida em que esses 4 utentes 4 não eram nem eu, nem algum dos meus filhos, nem um meu vizinho ou conhecido, eram 4 cidadãos quaisquer 4.
Assim esta desumanização, transformação em número das pessoas parece muito conveniente para o Governo quando se trata de estragar a vida de alguém.
Curiosamente, no caso das greves, para o Governo, não servem os números, há que humanizar, listar os nomes e expô-los na internet para que todos saibam , tem que se saber os nomes.
É assim que convém gerir o país e o mundo:
Todos somos números quando somos despedidos, abusados e prejudicados, mas já temos de ser nomes quando afrontamos o Governo, para este efeito já tem que haver transparência.
2007-05-23
O seu a seu dono
Ouvido um debate na 2 sobre a complexa questão dos direitos de autor fiquei a saber que tenho sido um perigoso criminoso desde os meus tempos de estudante em que fotocopiava textos de terceiros, até aos dias de hoje onde, de vez enquanto, faço um download de um mp3
Conforme percebi o conceito, da forma simplista como ele foi tratado, se e quando apanharem, os raptores de Madleine eles terão direito a uma choruda parcela dos lucros que proporcionaram aos media pela autoria moral do seu crime.
Conforme percebi o conceito, da forma simplista como ele foi tratado, se e quando apanharem, os raptores de Madleine eles terão direito a uma choruda parcela dos lucros que proporcionaram aos media pela autoria moral do seu crime.
2007-05-19
Quem vai ganhar a BWIN Liga
No pressuposto de que todas as 3 equipas de topo têm igual probabilidade de perder, empatar ou ganhar os respectivos jogos, as probabilidades de vencer o campeonato são as seguintes:
FC Porto – 63 %
Sporting CP – 30 %
SL Benfica – 7 %
FC Porto – 63 %
Sporting CP – 30 %
SL Benfica – 7 %
2007-05-18
O meu MEM
A Joana, minha filha, desafiou-me para postar um meu MEM, inserindo-me assim numa cadeia que se vai desenvolvendo por vários Blogues.
A minha primeira dificuldade foi a de conhecer melhor o conceito.
A minha ideia inicial identificava MEM com aquilo a que eu tenho chamado aqui, nalguns postes de “tijolos”: Impressões, experiências individuais elementares que se incorporam e construem a nossa idiossincrasia, como peças de um “puzzle”.
Uma pesquisa no “Google” mostrou-me que não, o MEM, noção introduzida por Richard Dawkins, não é um elemento individual, será antes uma unidade colectiva que se propaga como um gene cultural sendo mais próximo do que eu tenho chamado “referências”.
Sendo assim, parece-me uma noção menos interessante para se colocar num blogue (expressão individual, geralmente) visto que para ser um MEM tem que ser já partilhado por um conjunto de pessoas.
O que pensei intuitivamente colocar foi o seguinte:
“A base de sucesso da natureza, mesmo do universo, está na diversidade”
Pensando, todavia melhor creio que isto, pelo menos formulado desta maneira, não será propriamente um MEM, é apenas uma ideia minha, sê-lo-ia se estivesse inscrito na obra de um notável autor e que muitos conhecessem.
Deixo então um verdadeiro MEM extraído do Maio de 68 e que é já partilhado por muita gente e base da cultura de muitos (excepto Sarkozi):
“Somos realistas, queremos o impossível”
A minha primeira dificuldade foi a de conhecer melhor o conceito.
A minha ideia inicial identificava MEM com aquilo a que eu tenho chamado aqui, nalguns postes de “tijolos”: Impressões, experiências individuais elementares que se incorporam e construem a nossa idiossincrasia, como peças de um “puzzle”.
Uma pesquisa no “Google” mostrou-me que não, o MEM, noção introduzida por Richard Dawkins, não é um elemento individual, será antes uma unidade colectiva que se propaga como um gene cultural sendo mais próximo do que eu tenho chamado “referências”.
Sendo assim, parece-me uma noção menos interessante para se colocar num blogue (expressão individual, geralmente) visto que para ser um MEM tem que ser já partilhado por um conjunto de pessoas.
O que pensei intuitivamente colocar foi o seguinte:
“A base de sucesso da natureza, mesmo do universo, está na diversidade”
Pensando, todavia melhor creio que isto, pelo menos formulado desta maneira, não será propriamente um MEM, é apenas uma ideia minha, sê-lo-ia se estivesse inscrito na obra de um notável autor e que muitos conhecessem.
Deixo então um verdadeiro MEM extraído do Maio de 68 e que é já partilhado por muita gente e base da cultura de muitos (excepto Sarkozi):
“Somos realistas, queremos o impossível”
2007-05-17
Malhas que o Império tece
Foi há 35 anos, em Angola.
Sentávamo-nos, o ex-soldado e eu, a uma mesa, conversando, entre petiscos e cerveja, sobre o dia passado e sobre a guerra que nos envolvia.
Nisto, diz-me ele com a voz mais baixa e um estranho à vontade, solene e triste:
- Sabes ? matei uma criança !
- Meu Deus, como pode ser isso, estás a brincar ? (como se se pudesse brincar assim)
Explicou-me então o que se tinha passado:
- Estávamos no meio de um tiroteio. Não se via nada, eu estava escondido atrás de umas moitas e disparava para o mato para de onde vinha o fogo inimigo.
De repente, passa um vulto negro a correr à minha frente, um filho da puta de um “turra” mesmo ali, à minha frente. Não pensei, não hesitei, dei-lhe um tiro e o vulto tombou ali.
Fui ver, era uma jovem negra que transportava um bébé, o seu filho, às costas.
Ela, jazia morta, a criança gritava assustada e em sofrimento, tinha um braço decepado pela bala.
Que fazer meu Deus ! sair dali e abandonar criança assim ?
Encostei-lhe a arma à cabeça e disparei sem olhar. Morreu instantaneamente.
Até hoje não sei se fiz bem ou mal, maldita guerra !
Nunca mais abordámos este assunto.
Apesar de trabalhármos hoje no mesmo ministério, há anos que não o vejo nem falo com o ex-soldado e, tudo se foi esmorecendo.
Até há dias em que me telefonou desesperado pedindo ajuda por conta de um processo disciplinar a que estava sujeito, conduzido por alguém que eu conhecia bem.
Intercedi por ele, falei ao meu amigo e disse-lhe que o ex-soldado era um bom rapaz, que já tinha trabalhado comigo, há anos em Angola e não tinha queixas dele, antes pelo contrário.
Não sei, nem quis saber o resultado final.
O meu amigo que instruiu o processo disciplinar apenas me disse:
- Vou ver o que posso fazer, mas não é fácil, o “gajo” é completamente maluco, passa de todas as marcas !
- Talvez ... !
Respondi-lhe eu, enquanto todo o pesadelo me afrontava de novo, voltando do fundo da memória.
Sentávamo-nos, o ex-soldado e eu, a uma mesa, conversando, entre petiscos e cerveja, sobre o dia passado e sobre a guerra que nos envolvia.
Nisto, diz-me ele com a voz mais baixa e um estranho à vontade, solene e triste:
- Sabes ? matei uma criança !
- Meu Deus, como pode ser isso, estás a brincar ? (como se se pudesse brincar assim)
Explicou-me então o que se tinha passado:
- Estávamos no meio de um tiroteio. Não se via nada, eu estava escondido atrás de umas moitas e disparava para o mato para de onde vinha o fogo inimigo.
De repente, passa um vulto negro a correr à minha frente, um filho da puta de um “turra” mesmo ali, à minha frente. Não pensei, não hesitei, dei-lhe um tiro e o vulto tombou ali.
Fui ver, era uma jovem negra que transportava um bébé, o seu filho, às costas.
Ela, jazia morta, a criança gritava assustada e em sofrimento, tinha um braço decepado pela bala.
Que fazer meu Deus ! sair dali e abandonar criança assim ?
Encostei-lhe a arma à cabeça e disparei sem olhar. Morreu instantaneamente.
Até hoje não sei se fiz bem ou mal, maldita guerra !
Nunca mais abordámos este assunto.
Apesar de trabalhármos hoje no mesmo ministério, há anos que não o vejo nem falo com o ex-soldado e, tudo se foi esmorecendo.
Até há dias em que me telefonou desesperado pedindo ajuda por conta de um processo disciplinar a que estava sujeito, conduzido por alguém que eu conhecia bem.
Intercedi por ele, falei ao meu amigo e disse-lhe que o ex-soldado era um bom rapaz, que já tinha trabalhado comigo, há anos em Angola e não tinha queixas dele, antes pelo contrário.
Não sei, nem quis saber o resultado final.
O meu amigo que instruiu o processo disciplinar apenas me disse:
- Vou ver o que posso fazer, mas não é fácil, o “gajo” é completamente maluco, passa de todas as marcas !
- Talvez ... !
Respondi-lhe eu, enquanto todo o pesadelo me afrontava de novo, voltando do fundo da memória.
2007-05-16
Questões de etiqueta
Na maratona ou no triatlo fica bem chegar em último, com uma hora de atraso, de rastos mas sem se desistir.
Talvez alguem ainda se lembre de uma célebre e dramática chegada, fora de horas e perto da exaustão de uma atleta suiça, concorrente da maratona de uns jogos olímpicos de há alguns anos e que foi recebida por um estádio em pé a aplaudir.
Também, no recente triatlo realizado em Lisboa, a concorrente americana que saiu como um pinto e “aos esses” da natação, muito atrás de todas as outras, foi tão acarinhada pelo público como a vencedora Vanessa Fernandes.
É bonito ver esse esforço individual de alguém que luta consigo próprio, até ao limite, para concretizar um sonho.
Porém, se o desporto for xadrez, o abandono tardio, a luta até ao fim a esperança desesperada num volte-face é considerado impertinente, estúpido e antidesportivo, não desperta aplausos mas antes assobios.
Sempre me intrigou esta dualidade de critérios entre o esforço físico e o intelectual mas a realidade é assim mesmo e as explicações sociológicas poderão ser talvez encontradas.
Mas há zonas de penumbra neste domínio:
O gesto de Carmona Rodrigues de lutar até a um fim inglório é aplaudido por uns e assobiado por outros, na verdade não se consegue ver claro se Carmona Rodrigues participava numa maratona ou num jogo de xadrez.
Talvez alguem ainda se lembre de uma célebre e dramática chegada, fora de horas e perto da exaustão de uma atleta suiça, concorrente da maratona de uns jogos olímpicos de há alguns anos e que foi recebida por um estádio em pé a aplaudir.
Também, no recente triatlo realizado em Lisboa, a concorrente americana que saiu como um pinto e “aos esses” da natação, muito atrás de todas as outras, foi tão acarinhada pelo público como a vencedora Vanessa Fernandes.
É bonito ver esse esforço individual de alguém que luta consigo próprio, até ao limite, para concretizar um sonho.
Porém, se o desporto for xadrez, o abandono tardio, a luta até ao fim a esperança desesperada num volte-face é considerado impertinente, estúpido e antidesportivo, não desperta aplausos mas antes assobios.
Sempre me intrigou esta dualidade de critérios entre o esforço físico e o intelectual mas a realidade é assim mesmo e as explicações sociológicas poderão ser talvez encontradas.
Mas há zonas de penumbra neste domínio:
O gesto de Carmona Rodrigues de lutar até a um fim inglório é aplaudido por uns e assobiado por outros, na verdade não se consegue ver claro se Carmona Rodrigues participava numa maratona ou num jogo de xadrez.
2007-05-15
O que faz falta
É bom senso.
Não sei bem o que é, só o reconheço quando o vejo mas vejo-o muito pouco e cada vez menos.
Não sei bem o que é, só o reconheço quando o vejo mas vejo-o muito pouco e cada vez menos.
2007-05-11
Pornografia gastronómica
Parece que a Coca-Cola é óptima para desentupir canos e, dizem também que tem algumas propriedades medicinais em perturbações do tráfico intestinal.
Até há quem a beba com algum prazer, atendendo certamente à quantidade de açúcar que contem, essa droga poderosíssima que torna tudo, mais ou menos, apetecível.
Para o que manifestamente não serve é para acompanhar sardinhas assadas.
A simples sugestão dessa possibilidade que agora é feita despoduradamente na publicidade, em horários nobres onde existem criancinhas a assistir é contra natura e ofende a sensibilidade gastronómica portuguesa e mundial.
Coca-Cola com sardinhas não só não liga como estraga tudo, até a sardinha se deve sentir enxovalhada com este desrespeito.
Sempre que vejo esse anúncio fico ruborizado de vergonha e de cólera contra o atrevimento.
Onde estão as comissões de ética e todos essas instãncias criadas para nos protegerem de conteúdos obscenos nos media ?
Até há quem a beba com algum prazer, atendendo certamente à quantidade de açúcar que contem, essa droga poderosíssima que torna tudo, mais ou menos, apetecível.
Para o que manifestamente não serve é para acompanhar sardinhas assadas.
A simples sugestão dessa possibilidade que agora é feita despoduradamente na publicidade, em horários nobres onde existem criancinhas a assistir é contra natura e ofende a sensibilidade gastronómica portuguesa e mundial.
Coca-Cola com sardinhas não só não liga como estraga tudo, até a sardinha se deve sentir enxovalhada com este desrespeito.
Sempre que vejo esse anúncio fico ruborizado de vergonha e de cólera contra o atrevimento.
Onde estão as comissões de ética e todos essas instãncias criadas para nos protegerem de conteúdos obscenos nos media ?
2007-05-05
Afinal ainda há esperança
Não me precipitei, as coisas passaram-se exactamente como contei no poste anterior, li a mensagem de recusa de publicação no monitor.
Vi e fiquei ofendido e triste.
Recorri à única arma que tinha, a “minha tribuna”, e assim nasceu o poste anterior.
Inesperadamente li hoje o comentário de Daniel Oliveira neste blogue, voltei ao Arrastão, fiz F5 e o meu comentário lá apareceu como penso devia ter aparecido desde o primeiro momento.
Fico feliz porque parece não ter sido, de facto, uma opção editorial de Daniel Oliveira mas antes um daqueles incontroláveis e inusitados acontecimentos de que este media é pródigo e dos quais já tenho falado aqui e que não me interessa aprofundar.
Assunto encerrado portanto, retiro a minha desconfiança em relação às intenções de Daniel Oliveira e reforço a minha desconfiança em relação aos computadores e às suas manias.
Vi e fiquei ofendido e triste.
Recorri à única arma que tinha, a “minha tribuna”, e assim nasceu o poste anterior.
Inesperadamente li hoje o comentário de Daniel Oliveira neste blogue, voltei ao Arrastão, fiz F5 e o meu comentário lá apareceu como penso devia ter aparecido desde o primeiro momento.
Fico feliz porque parece não ter sido, de facto, uma opção editorial de Daniel Oliveira mas antes um daqueles incontroláveis e inusitados acontecimentos de que este media é pródigo e dos quais já tenho falado aqui e que não me interessa aprofundar.
Assunto encerrado portanto, retiro a minha desconfiança em relação às intenções de Daniel Oliveira e reforço a minha desconfiança em relação aos computadores e às suas manias.
2007-05-04
Assim vai a “esquerda” hoje !
O arrastão, blogue do mediático militante de esquerda Daniel Oliveira, publicou o seguinte poste a 2 de Maio:
Sempre ao seu dispor
Vejo na SIC que Alberto João inaugurou uma estrada para uma pequena povoação. Conta que o fez para pagar uma dívida a Maria, a empregada que o ajudou a cuidar dos filhos e que ali vive. Ficamos todos satisfeitos por contribuir com o nosso dinheiro para pagar os favores do senhor Alberto. E que ele tenha o descaramento de o dizer na televisão, comovido com a nossa generosidade, ainda me agrada mais.
Suscitou diversos e justíssimos comentários de apoio ao poste e de repulsa pelo comportamento de Alberto João Jardim.
Porém, eu tenho outro ponto de vista sobre o mesmo assunto e procurei exprimi-lo, postando um comentário como este.
“Pois é, servir os interesses do capital, como fazem quase todos, quase sempre, não suscita a revolta da esquerda de hoje, mas a D. Maria é demasiado insignificante, não é ?
Eu, por mim gosto que os meus impostos sirvam os interesses das D. Maria e dos Srs. José deste mundo.”
Parecia-me correcto, educado e que permitiria alguma reflexão mais profunda sobre a questão.
Acontece que o blogue de Daniel Oliveira tem instituída a censura prévia, funcionalidade que , pensava eu, serviria para afastar os “spam coments” ou linguagem obscena. Engano meu, é censura mesmo e o meu comentário não foi publicado por ter sido classificado de comentário não apropriado.
Afinal Daniel Oliveira usa no seu blogue a mesma estratégia de Alberto João na Madeira ao “comprar “ os jornais todos: aplausos, tudo bem mas qualquer voz discordante nem pensar.
Viva o lápis azul !
Curiosamente, o mesmo blogue “Arrastão”, no dia 1 de Maio, prestou um excelente serviço ao divulgar diversas versões da “Internacional” que tiveram o condão de me comover, ao me proporcionar ouvir em diversas línguas do mundo, diversas versões da seguinte noção:
“Bem unidos façamos nesta luta final, uma terra sem amos, a internacional”
Infelizmente, assim não vamos lá !
Sempre ao seu dispor
Vejo na SIC que Alberto João inaugurou uma estrada para uma pequena povoação. Conta que o fez para pagar uma dívida a Maria, a empregada que o ajudou a cuidar dos filhos e que ali vive. Ficamos todos satisfeitos por contribuir com o nosso dinheiro para pagar os favores do senhor Alberto. E que ele tenha o descaramento de o dizer na televisão, comovido com a nossa generosidade, ainda me agrada mais.
Suscitou diversos e justíssimos comentários de apoio ao poste e de repulsa pelo comportamento de Alberto João Jardim.
Porém, eu tenho outro ponto de vista sobre o mesmo assunto e procurei exprimi-lo, postando um comentário como este.
“Pois é, servir os interesses do capital, como fazem quase todos, quase sempre, não suscita a revolta da esquerda de hoje, mas a D. Maria é demasiado insignificante, não é ?
Eu, por mim gosto que os meus impostos sirvam os interesses das D. Maria e dos Srs. José deste mundo.”
Parecia-me correcto, educado e que permitiria alguma reflexão mais profunda sobre a questão.
Acontece que o blogue de Daniel Oliveira tem instituída a censura prévia, funcionalidade que , pensava eu, serviria para afastar os “spam coments” ou linguagem obscena. Engano meu, é censura mesmo e o meu comentário não foi publicado por ter sido classificado de comentário não apropriado.
Afinal Daniel Oliveira usa no seu blogue a mesma estratégia de Alberto João na Madeira ao “comprar “ os jornais todos: aplausos, tudo bem mas qualquer voz discordante nem pensar.
Viva o lápis azul !
Curiosamente, o mesmo blogue “Arrastão”, no dia 1 de Maio, prestou um excelente serviço ao divulgar diversas versões da “Internacional” que tiveram o condão de me comover, ao me proporcionar ouvir em diversas línguas do mundo, diversas versões da seguinte noção:
“Bem unidos façamos nesta luta final, uma terra sem amos, a internacional”
Infelizmente, assim não vamos lá !
2007-04-30
Impressões de viagem 7
O Rio de Janeiro continua lindo
E assim continuará enquanto a cidade não destruir completamente a portentosa natureza.
Foi assim que vi o Rio: um centro histórico interessante mas menos interessante do que os de outras cidades do Brasil como Salvador ou Manaus, para falar apenas de cidades visitadas por mim, uma praia, um mar, o calçadão, com a beleza das marginais sumptuosas acrescida da tal natureza que irrompe da cidade mas sempre atormentada pelo fantasma do crime potencial.
Depois, há as favelas, que não visitei.
Sugeriram-me a “Academia da Cachaça” onde me disseram que poderia comer a melhor feijoada da minha vida. Segui o conselho e comi, de facto, a melhor feijoada da minha vida, não é um restaurante turístico mas recomendo-o sem reservas.
As vistas do Cristo redentor, do Corcovado, e do Pão de Açúcar são esplendorosas, “breath taking” como dizem os anglo-saxónicos:
Uma paisagem descomunal de serra e mar, manchada por “um cancro branco” que vai alastrando e que é a cidade.
Não ilustro com fotos porque não é necessário, o Rio todos os dias entra pelas nossas casas.
E assim continuará enquanto a cidade não destruir completamente a portentosa natureza.
Foi assim que vi o Rio: um centro histórico interessante mas menos interessante do que os de outras cidades do Brasil como Salvador ou Manaus, para falar apenas de cidades visitadas por mim, uma praia, um mar, o calçadão, com a beleza das marginais sumptuosas acrescida da tal natureza que irrompe da cidade mas sempre atormentada pelo fantasma do crime potencial.
Depois, há as favelas, que não visitei.
Sugeriram-me a “Academia da Cachaça” onde me disseram que poderia comer a melhor feijoada da minha vida. Segui o conselho e comi, de facto, a melhor feijoada da minha vida, não é um restaurante turístico mas recomendo-o sem reservas.
As vistas do Cristo redentor, do Corcovado, e do Pão de Açúcar são esplendorosas, “breath taking” como dizem os anglo-saxónicos:
Uma paisagem descomunal de serra e mar, manchada por “um cancro branco” que vai alastrando e que é a cidade.
Não ilustro com fotos porque não é necessário, o Rio todos os dias entra pelas nossas casas.
2007-04-23
O metro ao Sul do Tejo
Ou, com mais propriedade, o eléctrico ao Sul do Tejo, vai tornar-se em mais um caso de estudo dos erros clamorosos do desenvolvimento planeado.
Não serve objectivo nenhum.
Não aumenta nenhuma acessibilidade.
Tem custado uma fortuna.
Empata todo o trânsito
É uma fonte permanente de muitos previsíveis acidentes.
E tudo isto era já claríssimo no papel.
Tem decisor que é cego !
Não serve objectivo nenhum.
Não aumenta nenhuma acessibilidade.
Tem custado uma fortuna.
Empata todo o trânsito
É uma fonte permanente de muitos previsíveis acidentes.
E tudo isto era já claríssimo no papel.
Tem decisor que é cego !
2007-04-20
O massacre de Virgínia
Cresço num mundo de profetas que constantemente me mostram o caminho do sucesso, logo ali à frente, estende-se numa passadeira rolante !
Vejo as pessoas percorre-lo facilmente, felizes e contentes.
Sigo-lhe os passos mas só encontro subidas penosas, curvas e pedras, mas logo me dizem: “não é bem por aí, é um pouco mais ao lado”.
Corrijo a trajectória mas tudo me parece igual.
Estou exausto, faltam-me as forças, e vejo os outros que lá vão, ali tão perto, de tapete rolante.
Procuro debalde a passagem para esse tapete que nunca está ali, ou já passou ou ainda há-de vir.
Estou como K no caminho do Castelo.
Os profetas bem me dizem “olha, estuda que com os estudos encontras logo o caminho” e mostram-me como estariam outros que seguem no tapete, se não tivessem estudos.
Vêm-me à memória, muitos outros que também lá estão embora não tenham estudos nenhuns, tiveram talvez sorte !
Vou então estudar, até ao último grau, mas a passagem continua sem aparecer, para mim só há subidas, curvas e pedras e só para mim.
A raiva e a inveja invadem os meus nervos, Tem de haver um segredo, uma passagem secreta, que não me ensinaram mas que todos os outros parecem conhecer.
Foram os profetas malditos que me esconderam o segredo e só a mim, sacanas !
Estou quase morto de cansaço, a música e a alegria que vejo no tapete, aumenta o meu ódio.
“Se não é para mim também não há-de ser para mais ninguém, já que não me querem dizer o segredo que todos sabem !”
Pego numa bomba (encontram-se muitas bombas no caminho dos escolhos) e atiro-me para cima do tapete.
Morro na explusão com mais 3o e poucos do tapete.
Durante 5 minutos o tapete tem uma pequena avaria que logo é corrigida.
Nos media, desconhecem a minha lucidez: comenta-se o meu acto e chamam-me doido. “ainda por cima estava tão perto do tapete, mesmo ao lado da passagem, como é isto possível ?”.
Só na hora da morte me apercebo da verdade:
Não há tapete nenhum, era tudo uma ilusão !
Vejo as pessoas percorre-lo facilmente, felizes e contentes.
Sigo-lhe os passos mas só encontro subidas penosas, curvas e pedras, mas logo me dizem: “não é bem por aí, é um pouco mais ao lado”.
Corrijo a trajectória mas tudo me parece igual.
Estou exausto, faltam-me as forças, e vejo os outros que lá vão, ali tão perto, de tapete rolante.
Procuro debalde a passagem para esse tapete que nunca está ali, ou já passou ou ainda há-de vir.
Estou como K no caminho do Castelo.
Os profetas bem me dizem “olha, estuda que com os estudos encontras logo o caminho” e mostram-me como estariam outros que seguem no tapete, se não tivessem estudos.
Vêm-me à memória, muitos outros que também lá estão embora não tenham estudos nenhuns, tiveram talvez sorte !
Vou então estudar, até ao último grau, mas a passagem continua sem aparecer, para mim só há subidas, curvas e pedras e só para mim.
A raiva e a inveja invadem os meus nervos, Tem de haver um segredo, uma passagem secreta, que não me ensinaram mas que todos os outros parecem conhecer.
Foram os profetas malditos que me esconderam o segredo e só a mim, sacanas !
Estou quase morto de cansaço, a música e a alegria que vejo no tapete, aumenta o meu ódio.
“Se não é para mim também não há-de ser para mais ninguém, já que não me querem dizer o segredo que todos sabem !”
Pego numa bomba (encontram-se muitas bombas no caminho dos escolhos) e atiro-me para cima do tapete.
Morro na explusão com mais 3o e poucos do tapete.
Durante 5 minutos o tapete tem uma pequena avaria que logo é corrigida.
Nos media, desconhecem a minha lucidez: comenta-se o meu acto e chamam-me doido. “ainda por cima estava tão perto do tapete, mesmo ao lado da passagem, como é isto possível ?”.
Só na hora da morte me apercebo da verdade:
Não há tapete nenhum, era tudo uma ilusão !
2007-04-19
Lá saíram as listas
Há dias saíram as esperadas listas do Ministério da Agricultura e com elas milhares de funcionários passaram para o “limbo” da mobilidade.
Os piores ? perguntar-me-ão. Nada disso, saíram maus, é certo, mas também bons e excelentes.
Ficaram os melhores ? Também não. Ficaram bons e excelentes e também muitos maus, a qualidade não foi, senão na forma, o critério utilizado.
Saíram sim os mais fracos, os mais frágeis, aqueles a quem a saída mais custa, mas também aqueles que têm menos possibilidades de lutar e de se defender.
Todavia, como muitos fracos fazem uma força, suspeito que as coisas, mesmo assim, não fiquem por aqui.
Quanto a mim, fiquei. Apenas porque sou um barão, em termos maquiavélicos, o meu poder não vem do príncipe e os barões têm que ser tratados com cuidado ou, preferencialmente, exterminados.
Felizmente eles não leram, com certeza, “o Príncipe” !
Para se compreender a Administração Pública, há 3 leituras que recomendo:
O excelente poste do Jumento chamado “Os boys, as Pandilhas e os Gangs na Administração Pública” onde se desnudam as estruturas do poder aí constituídas
“O Príncipe” de Maquiavel e, sobretudo, Kafka, especialmente “O Castelo”, está lá tudo.
Os piores ? perguntar-me-ão. Nada disso, saíram maus, é certo, mas também bons e excelentes.
Ficaram os melhores ? Também não. Ficaram bons e excelentes e também muitos maus, a qualidade não foi, senão na forma, o critério utilizado.
Saíram sim os mais fracos, os mais frágeis, aqueles a quem a saída mais custa, mas também aqueles que têm menos possibilidades de lutar e de se defender.
Todavia, como muitos fracos fazem uma força, suspeito que as coisas, mesmo assim, não fiquem por aqui.
Quanto a mim, fiquei. Apenas porque sou um barão, em termos maquiavélicos, o meu poder não vem do príncipe e os barões têm que ser tratados com cuidado ou, preferencialmente, exterminados.
Felizmente eles não leram, com certeza, “o Príncipe” !
Para se compreender a Administração Pública, há 3 leituras que recomendo:
O excelente poste do Jumento chamado “Os boys, as Pandilhas e os Gangs na Administração Pública” onde se desnudam as estruturas do poder aí constituídas
“O Príncipe” de Maquiavel e, sobretudo, Kafka, especialmente “O Castelo”, está lá tudo.
2007-04-18
Ser Português, nós
Ser português não é como ser de outra nação qualquer.
Ser português é falar e amar uma língua que sem qualquer plano ou esforço se fortalece e ninguém a consegue abater e que é a nossa surpresa e o nosso orgulho.
Ser português é estar em qualquer lugar do mundo bem e melhor que em Portugal.
Ser português é odiar Portugal por nunca conseguir estar ao nosso nível.
Mas ser português é amar Portugal, acima de qualquer outro país, por aquilo que Portugal há-de ser um dia, ainda que esse dia nunca venha .
E só nós sabemos que aquilo que Portugal pode ser, por o poder ser, o torna grande já.
Para um português, ser nacionalista é ser para o mundo.
Ser português é falar e amar uma língua que sem qualquer plano ou esforço se fortalece e ninguém a consegue abater e que é a nossa surpresa e o nosso orgulho.
Ser português é estar em qualquer lugar do mundo bem e melhor que em Portugal.
Ser português é odiar Portugal por nunca conseguir estar ao nosso nível.
Mas ser português é amar Portugal, acima de qualquer outro país, por aquilo que Portugal há-de ser um dia, ainda que esse dia nunca venha .
E só nós sabemos que aquilo que Portugal pode ser, por o poder ser, o torna grande já.
Para um português, ser nacionalista é ser para o mundo.
2007-04-10
O triste espectáculo dos marinheiros ingleses
Foi triste ver os marinheiros ingleses, prisioneiros do Irão embaraçarem publicamente o seu governo desmentindo-o em público, servindo os interesses do seu inimigo.
Mas só poucos têm a heroicidade para resistir num ambiente hostil, prisioneiros de homens com uma língua estranha e de quem se pode esperar tudo, até a tortura e a morte.
Foi triste mas compreendi-os, certamente eu faria o mesmo, pensei, só que, passado o perigo, seria ruído pelo remorso e pela vergonha. Não seria, decididamente, uma página da vida que gostasse de recordar.
Foi triste vê-los justificar a sua fraqueza, com a pressão psicológica que dizem ter sofrido.
Foi tristíssimo vê-los negociar com os média o relato da sua desonra, tristíssimo ver as autoridades inglesas incentivarem esse espectáculo, tristíssimo ver as imagens do seu cativeiro em alegre convívio, aparentemente, bem longe da falada pressão psicológica.
Que tristes valores tem esta gente !
Felizmente prevaleceu o bom senso no final e foi proibido aquilo que nem deveria sequer ter sido imaginado.
Mas só poucos têm a heroicidade para resistir num ambiente hostil, prisioneiros de homens com uma língua estranha e de quem se pode esperar tudo, até a tortura e a morte.
Foi triste mas compreendi-os, certamente eu faria o mesmo, pensei, só que, passado o perigo, seria ruído pelo remorso e pela vergonha. Não seria, decididamente, uma página da vida que gostasse de recordar.
Foi triste vê-los justificar a sua fraqueza, com a pressão psicológica que dizem ter sofrido.
Foi tristíssimo vê-los negociar com os média o relato da sua desonra, tristíssimo ver as autoridades inglesas incentivarem esse espectáculo, tristíssimo ver as imagens do seu cativeiro em alegre convívio, aparentemente, bem longe da falada pressão psicológica.
Que tristes valores tem esta gente !
Felizmente prevaleceu o bom senso no final e foi proibido aquilo que nem deveria sequer ter sido imaginado.
2007-04-07
Caro visitante ocasional
Muito obrigado pelo seu comentário ao poste sobe Abrunhosa..
É um comentário simples, inteligente, que se limita à questão mais simples mas também a mais pertinente e, talvez a de mais difícil resposta: porquê ?
A verdade é que não gosto da “poesia” de Pedro Abrunhosa, soa-me a falso e foi só isso que eu quis dizer, resumindo o porquê nos adjectivos que utilizei, mal ou bem mas de forma criteriosa, sem dúvida.
Ódio não tenho nenhum, embora me irrite, de facto, a aceitação generalizada do que, para mim, é uma jóia falsa, como se fosse feita de diamantes e de ouro genuíno.
Cingindo-me ao meio da musica que toca nas rádios, julgo que prejudica muito talento poético real, em lingua portuguesa, como o que encontramos, por exemplo, em Jorge Palma, Sérgio Godinho, José Afonso, Chico Buarque de Holanda, Caetano Veloso, ou mesmo nos Toranja, e em tantos outros.
Abrunhosa não é, para mim, farinha deste saco.
Por isso utilizei o adjectivo “irritante”.
A classificação de “pseudo-poesia” tentarei resumi-la assim:
A poesia é uma forma de arte e sendo a própria noção de arte uma das questões mais complexas e eternamente não resolvidas que tem preocupado o espírito humano, limito-me a considerar a minha posição pessoal sobre esta questão: Para mim, “arte” será o meio de transmitir a outros o conjunto de emoções que determinada vivência nos provocou, “fingir a dor que deveras sentimos” como dizia Pessoa.
Ora Abrunhosa não me consegue transmitir nenhum tipo de emoção coerente, embora utilize meios poéticos: palavras combinadas de tal forma que suscitam referências, duplos sentidos, associações , valorização deste ou daquele aspecto da vivência que pode suscitar, seja por semelhança ou por contraste, determinada emoção.
Mas isto será “a forma” da poesia que para ser, de facto, poesia, deverá também ter “conteúdo”, propósito, coerência que deverá suscitar a tal emoção e é isso que eu não descortino nas letras de Abrunhosa.
Por isso as classifiquei de “pseudo-poesia”.
As letras de Abrunhosa soam-me como um ruído estéril “Full of sound and fury, signifying nothing” como referia Shakespear.
Por isso “insignificante”.
Por outro lado eu não exijo que para se ter sucesso se tenha de ser poeta.
A música “pimba” não tem poesia nem a pretende ter, é directa, objectiva transmite factos. É “pequenina” porque vale pouco mas não é “pretensiosa” porque não pretende parecer lebre sendo gato, é o que é.
A música de Abrunhosa por se revestir de uma forma poética sem conseguir alcançar o seu conteúdo pretende parecer ser o que não é.
Por isso lhe chamei “pretensiosa“.
É evidente que os mecanismos da arte necessitam de um artista e de quem sinta a sua obra.
Há emoções que determinadas obras me despertam porque sugerem referências com muito significado, para mim, experiências do meu passado e que poderão não tocar outras pessoas e vice-versa.
Admito mesmo que as letras de Abrunhosa provoquem algumas pessoas verdadeiramente mas penso que andará longe de ser amplo nesse objectivo.
Por isso utilizei o termo “pequenino”.
Poderia fundamentar tudo o que disse analisando em detalhe uma ou duas letras de Abrunhosa mas exigiria muito tempo e longos textos que penso nem o Abrunhosa nem muitos dos meus visitantes merecem.
Fico pois por aqui.
É um comentário simples, inteligente, que se limita à questão mais simples mas também a mais pertinente e, talvez a de mais difícil resposta: porquê ?
A verdade é que não gosto da “poesia” de Pedro Abrunhosa, soa-me a falso e foi só isso que eu quis dizer, resumindo o porquê nos adjectivos que utilizei, mal ou bem mas de forma criteriosa, sem dúvida.
Ódio não tenho nenhum, embora me irrite, de facto, a aceitação generalizada do que, para mim, é uma jóia falsa, como se fosse feita de diamantes e de ouro genuíno.
Cingindo-me ao meio da musica que toca nas rádios, julgo que prejudica muito talento poético real, em lingua portuguesa, como o que encontramos, por exemplo, em Jorge Palma, Sérgio Godinho, José Afonso, Chico Buarque de Holanda, Caetano Veloso, ou mesmo nos Toranja, e em tantos outros.
Abrunhosa não é, para mim, farinha deste saco.
Por isso utilizei o adjectivo “irritante”.
A classificação de “pseudo-poesia” tentarei resumi-la assim:
A poesia é uma forma de arte e sendo a própria noção de arte uma das questões mais complexas e eternamente não resolvidas que tem preocupado o espírito humano, limito-me a considerar a minha posição pessoal sobre esta questão: Para mim, “arte” será o meio de transmitir a outros o conjunto de emoções que determinada vivência nos provocou, “fingir a dor que deveras sentimos” como dizia Pessoa.
Ora Abrunhosa não me consegue transmitir nenhum tipo de emoção coerente, embora utilize meios poéticos: palavras combinadas de tal forma que suscitam referências, duplos sentidos, associações , valorização deste ou daquele aspecto da vivência que pode suscitar, seja por semelhança ou por contraste, determinada emoção.
Mas isto será “a forma” da poesia que para ser, de facto, poesia, deverá também ter “conteúdo”, propósito, coerência que deverá suscitar a tal emoção e é isso que eu não descortino nas letras de Abrunhosa.
Por isso as classifiquei de “pseudo-poesia”.
As letras de Abrunhosa soam-me como um ruído estéril “Full of sound and fury, signifying nothing” como referia Shakespear.
Por isso “insignificante”.
Por outro lado eu não exijo que para se ter sucesso se tenha de ser poeta.
A música “pimba” não tem poesia nem a pretende ter, é directa, objectiva transmite factos. É “pequenina” porque vale pouco mas não é “pretensiosa” porque não pretende parecer lebre sendo gato, é o que é.
A música de Abrunhosa por se revestir de uma forma poética sem conseguir alcançar o seu conteúdo pretende parecer ser o que não é.
Por isso lhe chamei “pretensiosa“.
É evidente que os mecanismos da arte necessitam de um artista e de quem sinta a sua obra.
Há emoções que determinadas obras me despertam porque sugerem referências com muito significado, para mim, experiências do meu passado e que poderão não tocar outras pessoas e vice-versa.
Admito mesmo que as letras de Abrunhosa provoquem algumas pessoas verdadeiramente mas penso que andará longe de ser amplo nesse objectivo.
Por isso utilizei o termo “pequenino”.
Poderia fundamentar tudo o que disse analisando em detalhe uma ou duas letras de Abrunhosa mas exigiria muito tempo e longos textos que penso nem o Abrunhosa nem muitos dos meus visitantes merecem.
Fico pois por aqui.
2007-04-06
Será que ninguém leva os fantasmas de Pedro Abrunhosa ?
E, já agora, leve também o Pedro Abrunhosa mais a sua pseudopoesia, pretensiosa, insignificantee, pequenina e irritante ?
2007-04-02
Impressões de viagem 6
A Selva
O meu contacto foi apenas com a selva turística mas não obstante o “boom” que os hotéis da selva estão a ter no Brasil, a minha escolha recaiu no, talvez mais famoso e mais antigo hotel da selva totalmente construído em palafita, as “Ariau towers”.
É, de facto uma experiência única, depois de uma viagem de barco, de cerca de 2 horas, desde Manaus, subindo o Rio Negro, chegamos ao hotel: quilómetros de passadeiras construídas ao nível das copas das árvores sobre uma estrutura triangulada de madeira.
Um grande torreão, também em madeira, como toda a construção do hotel, alberga a recepção e os restaurantes e várias outras torres contêm os quartos com o mínimo de conforto moderno, ar condicionado, wc e telefone.
Perto da recepção Um espaço amplo de bar com acesso a internet wifi, televisão e, junto, algumas lojas de artesanato, jóias, utilidades de conveniência e um ginásio onde podemos ser massajados.
Ao longo de toda a estrutura, que se pode percorrer a pé, de bicicleta ou de carrinhos de golfe, que se podem alugar tal como as bicicletas, podemos encontrar várias estruturas, como piscinas, uma capela pagã de meditação, e vários miradouros, tudo isto a uns 15 metros de altura sobre a selva. Mais elevado ainda, aqui e ali, encontramos o que eles chamam casas do Tarzã, suites com cozinha, sala e quarto com internet. Estas casas de Tarzã também se podem alugar.
Junto ao bar saltitam permanentemente vários macacos, a quem nos avisam para não darmos álcool, e lindíssimas araras.
Um só senão, quando lá estive, o cheiro do hall onde se inserem os quartos era quase insuportável embora dentro do quarto não se fizesse sentir. Suponho que se devia ao tratamento que constantemente têm que dar à madeira para que a estrutura não colapse ruída pelo cupim.
Por pequenos grupos de hóspedes com afinidades linguísticas é-nos afecto um guia e há vários programas interessantes como a pesca de piranhas, observação de caimões ou botos, passeios pela selva e visitas a aldeias.
É evidente que tudo tem aquele ar certinho, para turista ver, e durante o passeio na selva nunca perdemos o sinal de telemóvel, mas a responsabilidade civil do hotel é grande e qualquer pequeno ou grande acidente é rapidamente socorrido com helicóptero.
Não obstante ser apenas uma selva turística, o exotismo da experiência e sobretudo a imponência daquela estrutura tornam a estadia muito agradável.
Estive lá em Novembro e o chão estava seco mas uma parte do ano, a selva alaga-se naquele local, por isso a construção em palafita. A experiência nessa época de chuva deverá ser ainda mais interessante, suponho eu.
Como uma última vantagem, o preço que é razoavelmente acessível.
2007-04-01
Erros certeiros
Num desses e-mails que diariamente entram pelas nossas casas contando piadas e mostrando curiosidades, recebi uma série de supostas asneiras escritas por alunos brasileiros em testes de exame.
A generalidade demonstra aquele tipo de ignorância que também é comum nas nossas escolas mas algumas, poucas, escondem por trás do erro uma sabedoria oculta que suscita uma mais profunda meditação.
Passo a transcrevê-las sem mais comentários:
“O que é de interesse colectivo de todos nem sempre interessa a ninguém individualmente."
"Imaginem a bandeira do Brasil. O azul representa o céu , o verde representa as matas, e o amarelo o ouro.
O ouro já foi roubado e as matas estão quase se indo.
No dia em que roubarem nosso céu, ficaremos sem bandeira.."
A mais profunda de todas é porém a seguinte:
"Vamos deixar de sermos egoístas e pensarmos um pouco mais em nós mesmos."
A generalidade demonstra aquele tipo de ignorância que também é comum nas nossas escolas mas algumas, poucas, escondem por trás do erro uma sabedoria oculta que suscita uma mais profunda meditação.
Passo a transcrevê-las sem mais comentários:
“O que é de interesse colectivo de todos nem sempre interessa a ninguém individualmente."
"Imaginem a bandeira do Brasil. O azul representa o céu , o verde representa as matas, e o amarelo o ouro.
O ouro já foi roubado e as matas estão quase se indo.
No dia em que roubarem nosso céu, ficaremos sem bandeira.."
A mais profunda de todas é porém a seguinte:
"Vamos deixar de sermos egoístas e pensarmos um pouco mais em nós mesmos."
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