No pressuposto de que todas as 3 equipas de topo têm igual probabilidade de perder, empatar ou ganhar os respectivos jogos, as probabilidades de vencer o campeonato são as seguintes:
FC Porto – 63 %
Sporting CP – 30 %
SL Benfica – 7 %
2007-05-19
2007-05-18
O meu MEM
A Joana, minha filha, desafiou-me para postar um meu MEM, inserindo-me assim numa cadeia que se vai desenvolvendo por vários Blogues.
A minha primeira dificuldade foi a de conhecer melhor o conceito.
A minha ideia inicial identificava MEM com aquilo a que eu tenho chamado aqui, nalguns postes de “tijolos”: Impressões, experiências individuais elementares que se incorporam e construem a nossa idiossincrasia, como peças de um “puzzle”.
Uma pesquisa no “Google” mostrou-me que não, o MEM, noção introduzida por Richard Dawkins, não é um elemento individual, será antes uma unidade colectiva que se propaga como um gene cultural sendo mais próximo do que eu tenho chamado “referências”.
Sendo assim, parece-me uma noção menos interessante para se colocar num blogue (expressão individual, geralmente) visto que para ser um MEM tem que ser já partilhado por um conjunto de pessoas.
O que pensei intuitivamente colocar foi o seguinte:
“A base de sucesso da natureza, mesmo do universo, está na diversidade”
Pensando, todavia melhor creio que isto, pelo menos formulado desta maneira, não será propriamente um MEM, é apenas uma ideia minha, sê-lo-ia se estivesse inscrito na obra de um notável autor e que muitos conhecessem.
Deixo então um verdadeiro MEM extraído do Maio de 68 e que é já partilhado por muita gente e base da cultura de muitos (excepto Sarkozi):
“Somos realistas, queremos o impossível”
A minha primeira dificuldade foi a de conhecer melhor o conceito.
A minha ideia inicial identificava MEM com aquilo a que eu tenho chamado aqui, nalguns postes de “tijolos”: Impressões, experiências individuais elementares que se incorporam e construem a nossa idiossincrasia, como peças de um “puzzle”.
Uma pesquisa no “Google” mostrou-me que não, o MEM, noção introduzida por Richard Dawkins, não é um elemento individual, será antes uma unidade colectiva que se propaga como um gene cultural sendo mais próximo do que eu tenho chamado “referências”.
Sendo assim, parece-me uma noção menos interessante para se colocar num blogue (expressão individual, geralmente) visto que para ser um MEM tem que ser já partilhado por um conjunto de pessoas.
O que pensei intuitivamente colocar foi o seguinte:
“A base de sucesso da natureza, mesmo do universo, está na diversidade”
Pensando, todavia melhor creio que isto, pelo menos formulado desta maneira, não será propriamente um MEM, é apenas uma ideia minha, sê-lo-ia se estivesse inscrito na obra de um notável autor e que muitos conhecessem.
Deixo então um verdadeiro MEM extraído do Maio de 68 e que é já partilhado por muita gente e base da cultura de muitos (excepto Sarkozi):
“Somos realistas, queremos o impossível”
2007-05-17
Malhas que o Império tece
Foi há 35 anos, em Angola.
Sentávamo-nos, o ex-soldado e eu, a uma mesa, conversando, entre petiscos e cerveja, sobre o dia passado e sobre a guerra que nos envolvia.
Nisto, diz-me ele com a voz mais baixa e um estranho à vontade, solene e triste:
- Sabes ? matei uma criança !
- Meu Deus, como pode ser isso, estás a brincar ? (como se se pudesse brincar assim)
Explicou-me então o que se tinha passado:
- Estávamos no meio de um tiroteio. Não se via nada, eu estava escondido atrás de umas moitas e disparava para o mato para de onde vinha o fogo inimigo.
De repente, passa um vulto negro a correr à minha frente, um filho da puta de um “turra” mesmo ali, à minha frente. Não pensei, não hesitei, dei-lhe um tiro e o vulto tombou ali.
Fui ver, era uma jovem negra que transportava um bébé, o seu filho, às costas.
Ela, jazia morta, a criança gritava assustada e em sofrimento, tinha um braço decepado pela bala.
Que fazer meu Deus ! sair dali e abandonar criança assim ?
Encostei-lhe a arma à cabeça e disparei sem olhar. Morreu instantaneamente.
Até hoje não sei se fiz bem ou mal, maldita guerra !
Nunca mais abordámos este assunto.
Apesar de trabalhármos hoje no mesmo ministério, há anos que não o vejo nem falo com o ex-soldado e, tudo se foi esmorecendo.
Até há dias em que me telefonou desesperado pedindo ajuda por conta de um processo disciplinar a que estava sujeito, conduzido por alguém que eu conhecia bem.
Intercedi por ele, falei ao meu amigo e disse-lhe que o ex-soldado era um bom rapaz, que já tinha trabalhado comigo, há anos em Angola e não tinha queixas dele, antes pelo contrário.
Não sei, nem quis saber o resultado final.
O meu amigo que instruiu o processo disciplinar apenas me disse:
- Vou ver o que posso fazer, mas não é fácil, o “gajo” é completamente maluco, passa de todas as marcas !
- Talvez ... !
Respondi-lhe eu, enquanto todo o pesadelo me afrontava de novo, voltando do fundo da memória.
Sentávamo-nos, o ex-soldado e eu, a uma mesa, conversando, entre petiscos e cerveja, sobre o dia passado e sobre a guerra que nos envolvia.
Nisto, diz-me ele com a voz mais baixa e um estranho à vontade, solene e triste:
- Sabes ? matei uma criança !
- Meu Deus, como pode ser isso, estás a brincar ? (como se se pudesse brincar assim)
Explicou-me então o que se tinha passado:
- Estávamos no meio de um tiroteio. Não se via nada, eu estava escondido atrás de umas moitas e disparava para o mato para de onde vinha o fogo inimigo.
De repente, passa um vulto negro a correr à minha frente, um filho da puta de um “turra” mesmo ali, à minha frente. Não pensei, não hesitei, dei-lhe um tiro e o vulto tombou ali.
Fui ver, era uma jovem negra que transportava um bébé, o seu filho, às costas.
Ela, jazia morta, a criança gritava assustada e em sofrimento, tinha um braço decepado pela bala.
Que fazer meu Deus ! sair dali e abandonar criança assim ?
Encostei-lhe a arma à cabeça e disparei sem olhar. Morreu instantaneamente.
Até hoje não sei se fiz bem ou mal, maldita guerra !
Nunca mais abordámos este assunto.
Apesar de trabalhármos hoje no mesmo ministério, há anos que não o vejo nem falo com o ex-soldado e, tudo se foi esmorecendo.
Até há dias em que me telefonou desesperado pedindo ajuda por conta de um processo disciplinar a que estava sujeito, conduzido por alguém que eu conhecia bem.
Intercedi por ele, falei ao meu amigo e disse-lhe que o ex-soldado era um bom rapaz, que já tinha trabalhado comigo, há anos em Angola e não tinha queixas dele, antes pelo contrário.
Não sei, nem quis saber o resultado final.
O meu amigo que instruiu o processo disciplinar apenas me disse:
- Vou ver o que posso fazer, mas não é fácil, o “gajo” é completamente maluco, passa de todas as marcas !
- Talvez ... !
Respondi-lhe eu, enquanto todo o pesadelo me afrontava de novo, voltando do fundo da memória.
2007-05-16
Questões de etiqueta
Na maratona ou no triatlo fica bem chegar em último, com uma hora de atraso, de rastos mas sem se desistir.
Talvez alguem ainda se lembre de uma célebre e dramática chegada, fora de horas e perto da exaustão de uma atleta suiça, concorrente da maratona de uns jogos olímpicos de há alguns anos e que foi recebida por um estádio em pé a aplaudir.
Também, no recente triatlo realizado em Lisboa, a concorrente americana que saiu como um pinto e “aos esses” da natação, muito atrás de todas as outras, foi tão acarinhada pelo público como a vencedora Vanessa Fernandes.
É bonito ver esse esforço individual de alguém que luta consigo próprio, até ao limite, para concretizar um sonho.
Porém, se o desporto for xadrez, o abandono tardio, a luta até ao fim a esperança desesperada num volte-face é considerado impertinente, estúpido e antidesportivo, não desperta aplausos mas antes assobios.
Sempre me intrigou esta dualidade de critérios entre o esforço físico e o intelectual mas a realidade é assim mesmo e as explicações sociológicas poderão ser talvez encontradas.
Mas há zonas de penumbra neste domínio:
O gesto de Carmona Rodrigues de lutar até a um fim inglório é aplaudido por uns e assobiado por outros, na verdade não se consegue ver claro se Carmona Rodrigues participava numa maratona ou num jogo de xadrez.
Talvez alguem ainda se lembre de uma célebre e dramática chegada, fora de horas e perto da exaustão de uma atleta suiça, concorrente da maratona de uns jogos olímpicos de há alguns anos e que foi recebida por um estádio em pé a aplaudir.
Também, no recente triatlo realizado em Lisboa, a concorrente americana que saiu como um pinto e “aos esses” da natação, muito atrás de todas as outras, foi tão acarinhada pelo público como a vencedora Vanessa Fernandes.
É bonito ver esse esforço individual de alguém que luta consigo próprio, até ao limite, para concretizar um sonho.
Porém, se o desporto for xadrez, o abandono tardio, a luta até ao fim a esperança desesperada num volte-face é considerado impertinente, estúpido e antidesportivo, não desperta aplausos mas antes assobios.
Sempre me intrigou esta dualidade de critérios entre o esforço físico e o intelectual mas a realidade é assim mesmo e as explicações sociológicas poderão ser talvez encontradas.
Mas há zonas de penumbra neste domínio:
O gesto de Carmona Rodrigues de lutar até a um fim inglório é aplaudido por uns e assobiado por outros, na verdade não se consegue ver claro se Carmona Rodrigues participava numa maratona ou num jogo de xadrez.
2007-05-15
O que faz falta
É bom senso.
Não sei bem o que é, só o reconheço quando o vejo mas vejo-o muito pouco e cada vez menos.
Não sei bem o que é, só o reconheço quando o vejo mas vejo-o muito pouco e cada vez menos.
2007-05-11
Pornografia gastronómica
Parece que a Coca-Cola é óptima para desentupir canos e, dizem também que tem algumas propriedades medicinais em perturbações do tráfico intestinal.
Até há quem a beba com algum prazer, atendendo certamente à quantidade de açúcar que contem, essa droga poderosíssima que torna tudo, mais ou menos, apetecível.
Para o que manifestamente não serve é para acompanhar sardinhas assadas.
A simples sugestão dessa possibilidade que agora é feita despoduradamente na publicidade, em horários nobres onde existem criancinhas a assistir é contra natura e ofende a sensibilidade gastronómica portuguesa e mundial.
Coca-Cola com sardinhas não só não liga como estraga tudo, até a sardinha se deve sentir enxovalhada com este desrespeito.
Sempre que vejo esse anúncio fico ruborizado de vergonha e de cólera contra o atrevimento.
Onde estão as comissões de ética e todos essas instãncias criadas para nos protegerem de conteúdos obscenos nos media ?
Até há quem a beba com algum prazer, atendendo certamente à quantidade de açúcar que contem, essa droga poderosíssima que torna tudo, mais ou menos, apetecível.
Para o que manifestamente não serve é para acompanhar sardinhas assadas.
A simples sugestão dessa possibilidade que agora é feita despoduradamente na publicidade, em horários nobres onde existem criancinhas a assistir é contra natura e ofende a sensibilidade gastronómica portuguesa e mundial.
Coca-Cola com sardinhas não só não liga como estraga tudo, até a sardinha se deve sentir enxovalhada com este desrespeito.
Sempre que vejo esse anúncio fico ruborizado de vergonha e de cólera contra o atrevimento.
Onde estão as comissões de ética e todos essas instãncias criadas para nos protegerem de conteúdos obscenos nos media ?
2007-05-05
Afinal ainda há esperança
Não me precipitei, as coisas passaram-se exactamente como contei no poste anterior, li a mensagem de recusa de publicação no monitor.
Vi e fiquei ofendido e triste.
Recorri à única arma que tinha, a “minha tribuna”, e assim nasceu o poste anterior.
Inesperadamente li hoje o comentário de Daniel Oliveira neste blogue, voltei ao Arrastão, fiz F5 e o meu comentário lá apareceu como penso devia ter aparecido desde o primeiro momento.
Fico feliz porque parece não ter sido, de facto, uma opção editorial de Daniel Oliveira mas antes um daqueles incontroláveis e inusitados acontecimentos de que este media é pródigo e dos quais já tenho falado aqui e que não me interessa aprofundar.
Assunto encerrado portanto, retiro a minha desconfiança em relação às intenções de Daniel Oliveira e reforço a minha desconfiança em relação aos computadores e às suas manias.
Vi e fiquei ofendido e triste.
Recorri à única arma que tinha, a “minha tribuna”, e assim nasceu o poste anterior.
Inesperadamente li hoje o comentário de Daniel Oliveira neste blogue, voltei ao Arrastão, fiz F5 e o meu comentário lá apareceu como penso devia ter aparecido desde o primeiro momento.
Fico feliz porque parece não ter sido, de facto, uma opção editorial de Daniel Oliveira mas antes um daqueles incontroláveis e inusitados acontecimentos de que este media é pródigo e dos quais já tenho falado aqui e que não me interessa aprofundar.
Assunto encerrado portanto, retiro a minha desconfiança em relação às intenções de Daniel Oliveira e reforço a minha desconfiança em relação aos computadores e às suas manias.
2007-05-04
Assim vai a “esquerda” hoje !
O arrastão, blogue do mediático militante de esquerda Daniel Oliveira, publicou o seguinte poste a 2 de Maio:
Sempre ao seu dispor
Vejo na SIC que Alberto João inaugurou uma estrada para uma pequena povoação. Conta que o fez para pagar uma dívida a Maria, a empregada que o ajudou a cuidar dos filhos e que ali vive. Ficamos todos satisfeitos por contribuir com o nosso dinheiro para pagar os favores do senhor Alberto. E que ele tenha o descaramento de o dizer na televisão, comovido com a nossa generosidade, ainda me agrada mais.
Suscitou diversos e justíssimos comentários de apoio ao poste e de repulsa pelo comportamento de Alberto João Jardim.
Porém, eu tenho outro ponto de vista sobre o mesmo assunto e procurei exprimi-lo, postando um comentário como este.
“Pois é, servir os interesses do capital, como fazem quase todos, quase sempre, não suscita a revolta da esquerda de hoje, mas a D. Maria é demasiado insignificante, não é ?
Eu, por mim gosto que os meus impostos sirvam os interesses das D. Maria e dos Srs. José deste mundo.”
Parecia-me correcto, educado e que permitiria alguma reflexão mais profunda sobre a questão.
Acontece que o blogue de Daniel Oliveira tem instituída a censura prévia, funcionalidade que , pensava eu, serviria para afastar os “spam coments” ou linguagem obscena. Engano meu, é censura mesmo e o meu comentário não foi publicado por ter sido classificado de comentário não apropriado.
Afinal Daniel Oliveira usa no seu blogue a mesma estratégia de Alberto João na Madeira ao “comprar “ os jornais todos: aplausos, tudo bem mas qualquer voz discordante nem pensar.
Viva o lápis azul !
Curiosamente, o mesmo blogue “Arrastão”, no dia 1 de Maio, prestou um excelente serviço ao divulgar diversas versões da “Internacional” que tiveram o condão de me comover, ao me proporcionar ouvir em diversas línguas do mundo, diversas versões da seguinte noção:
“Bem unidos façamos nesta luta final, uma terra sem amos, a internacional”
Infelizmente, assim não vamos lá !
Sempre ao seu dispor
Vejo na SIC que Alberto João inaugurou uma estrada para uma pequena povoação. Conta que o fez para pagar uma dívida a Maria, a empregada que o ajudou a cuidar dos filhos e que ali vive. Ficamos todos satisfeitos por contribuir com o nosso dinheiro para pagar os favores do senhor Alberto. E que ele tenha o descaramento de o dizer na televisão, comovido com a nossa generosidade, ainda me agrada mais.
Suscitou diversos e justíssimos comentários de apoio ao poste e de repulsa pelo comportamento de Alberto João Jardim.
Porém, eu tenho outro ponto de vista sobre o mesmo assunto e procurei exprimi-lo, postando um comentário como este.
“Pois é, servir os interesses do capital, como fazem quase todos, quase sempre, não suscita a revolta da esquerda de hoje, mas a D. Maria é demasiado insignificante, não é ?
Eu, por mim gosto que os meus impostos sirvam os interesses das D. Maria e dos Srs. José deste mundo.”
Parecia-me correcto, educado e que permitiria alguma reflexão mais profunda sobre a questão.
Acontece que o blogue de Daniel Oliveira tem instituída a censura prévia, funcionalidade que , pensava eu, serviria para afastar os “spam coments” ou linguagem obscena. Engano meu, é censura mesmo e o meu comentário não foi publicado por ter sido classificado de comentário não apropriado.
Afinal Daniel Oliveira usa no seu blogue a mesma estratégia de Alberto João na Madeira ao “comprar “ os jornais todos: aplausos, tudo bem mas qualquer voz discordante nem pensar.
Viva o lápis azul !
Curiosamente, o mesmo blogue “Arrastão”, no dia 1 de Maio, prestou um excelente serviço ao divulgar diversas versões da “Internacional” que tiveram o condão de me comover, ao me proporcionar ouvir em diversas línguas do mundo, diversas versões da seguinte noção:
“Bem unidos façamos nesta luta final, uma terra sem amos, a internacional”
Infelizmente, assim não vamos lá !
2007-04-30
Impressões de viagem 7
O Rio de Janeiro continua lindo
E assim continuará enquanto a cidade não destruir completamente a portentosa natureza.
Foi assim que vi o Rio: um centro histórico interessante mas menos interessante do que os de outras cidades do Brasil como Salvador ou Manaus, para falar apenas de cidades visitadas por mim, uma praia, um mar, o calçadão, com a beleza das marginais sumptuosas acrescida da tal natureza que irrompe da cidade mas sempre atormentada pelo fantasma do crime potencial.
Depois, há as favelas, que não visitei.
Sugeriram-me a “Academia da Cachaça” onde me disseram que poderia comer a melhor feijoada da minha vida. Segui o conselho e comi, de facto, a melhor feijoada da minha vida, não é um restaurante turístico mas recomendo-o sem reservas.
As vistas do Cristo redentor, do Corcovado, e do Pão de Açúcar são esplendorosas, “breath taking” como dizem os anglo-saxónicos:
Uma paisagem descomunal de serra e mar, manchada por “um cancro branco” que vai alastrando e que é a cidade.
Não ilustro com fotos porque não é necessário, o Rio todos os dias entra pelas nossas casas.
E assim continuará enquanto a cidade não destruir completamente a portentosa natureza.
Foi assim que vi o Rio: um centro histórico interessante mas menos interessante do que os de outras cidades do Brasil como Salvador ou Manaus, para falar apenas de cidades visitadas por mim, uma praia, um mar, o calçadão, com a beleza das marginais sumptuosas acrescida da tal natureza que irrompe da cidade mas sempre atormentada pelo fantasma do crime potencial.
Depois, há as favelas, que não visitei.
Sugeriram-me a “Academia da Cachaça” onde me disseram que poderia comer a melhor feijoada da minha vida. Segui o conselho e comi, de facto, a melhor feijoada da minha vida, não é um restaurante turístico mas recomendo-o sem reservas.
As vistas do Cristo redentor, do Corcovado, e do Pão de Açúcar são esplendorosas, “breath taking” como dizem os anglo-saxónicos:
Uma paisagem descomunal de serra e mar, manchada por “um cancro branco” que vai alastrando e que é a cidade.
Não ilustro com fotos porque não é necessário, o Rio todos os dias entra pelas nossas casas.
2007-04-23
O metro ao Sul do Tejo
Ou, com mais propriedade, o eléctrico ao Sul do Tejo, vai tornar-se em mais um caso de estudo dos erros clamorosos do desenvolvimento planeado.
Não serve objectivo nenhum.
Não aumenta nenhuma acessibilidade.
Tem custado uma fortuna.
Empata todo o trânsito
É uma fonte permanente de muitos previsíveis acidentes.
E tudo isto era já claríssimo no papel.
Tem decisor que é cego !
Não serve objectivo nenhum.
Não aumenta nenhuma acessibilidade.
Tem custado uma fortuna.
Empata todo o trânsito
É uma fonte permanente de muitos previsíveis acidentes.
E tudo isto era já claríssimo no papel.
Tem decisor que é cego !
2007-04-20
O massacre de Virgínia
Cresço num mundo de profetas que constantemente me mostram o caminho do sucesso, logo ali à frente, estende-se numa passadeira rolante !
Vejo as pessoas percorre-lo facilmente, felizes e contentes.
Sigo-lhe os passos mas só encontro subidas penosas, curvas e pedras, mas logo me dizem: “não é bem por aí, é um pouco mais ao lado”.
Corrijo a trajectória mas tudo me parece igual.
Estou exausto, faltam-me as forças, e vejo os outros que lá vão, ali tão perto, de tapete rolante.
Procuro debalde a passagem para esse tapete que nunca está ali, ou já passou ou ainda há-de vir.
Estou como K no caminho do Castelo.
Os profetas bem me dizem “olha, estuda que com os estudos encontras logo o caminho” e mostram-me como estariam outros que seguem no tapete, se não tivessem estudos.
Vêm-me à memória, muitos outros que também lá estão embora não tenham estudos nenhuns, tiveram talvez sorte !
Vou então estudar, até ao último grau, mas a passagem continua sem aparecer, para mim só há subidas, curvas e pedras e só para mim.
A raiva e a inveja invadem os meus nervos, Tem de haver um segredo, uma passagem secreta, que não me ensinaram mas que todos os outros parecem conhecer.
Foram os profetas malditos que me esconderam o segredo e só a mim, sacanas !
Estou quase morto de cansaço, a música e a alegria que vejo no tapete, aumenta o meu ódio.
“Se não é para mim também não há-de ser para mais ninguém, já que não me querem dizer o segredo que todos sabem !”
Pego numa bomba (encontram-se muitas bombas no caminho dos escolhos) e atiro-me para cima do tapete.
Morro na explusão com mais 3o e poucos do tapete.
Durante 5 minutos o tapete tem uma pequena avaria que logo é corrigida.
Nos media, desconhecem a minha lucidez: comenta-se o meu acto e chamam-me doido. “ainda por cima estava tão perto do tapete, mesmo ao lado da passagem, como é isto possível ?”.
Só na hora da morte me apercebo da verdade:
Não há tapete nenhum, era tudo uma ilusão !
Vejo as pessoas percorre-lo facilmente, felizes e contentes.
Sigo-lhe os passos mas só encontro subidas penosas, curvas e pedras, mas logo me dizem: “não é bem por aí, é um pouco mais ao lado”.
Corrijo a trajectória mas tudo me parece igual.
Estou exausto, faltam-me as forças, e vejo os outros que lá vão, ali tão perto, de tapete rolante.
Procuro debalde a passagem para esse tapete que nunca está ali, ou já passou ou ainda há-de vir.
Estou como K no caminho do Castelo.
Os profetas bem me dizem “olha, estuda que com os estudos encontras logo o caminho” e mostram-me como estariam outros que seguem no tapete, se não tivessem estudos.
Vêm-me à memória, muitos outros que também lá estão embora não tenham estudos nenhuns, tiveram talvez sorte !
Vou então estudar, até ao último grau, mas a passagem continua sem aparecer, para mim só há subidas, curvas e pedras e só para mim.
A raiva e a inveja invadem os meus nervos, Tem de haver um segredo, uma passagem secreta, que não me ensinaram mas que todos os outros parecem conhecer.
Foram os profetas malditos que me esconderam o segredo e só a mim, sacanas !
Estou quase morto de cansaço, a música e a alegria que vejo no tapete, aumenta o meu ódio.
“Se não é para mim também não há-de ser para mais ninguém, já que não me querem dizer o segredo que todos sabem !”
Pego numa bomba (encontram-se muitas bombas no caminho dos escolhos) e atiro-me para cima do tapete.
Morro na explusão com mais 3o e poucos do tapete.
Durante 5 minutos o tapete tem uma pequena avaria que logo é corrigida.
Nos media, desconhecem a minha lucidez: comenta-se o meu acto e chamam-me doido. “ainda por cima estava tão perto do tapete, mesmo ao lado da passagem, como é isto possível ?”.
Só na hora da morte me apercebo da verdade:
Não há tapete nenhum, era tudo uma ilusão !
2007-04-19
Lá saíram as listas
Há dias saíram as esperadas listas do Ministério da Agricultura e com elas milhares de funcionários passaram para o “limbo” da mobilidade.
Os piores ? perguntar-me-ão. Nada disso, saíram maus, é certo, mas também bons e excelentes.
Ficaram os melhores ? Também não. Ficaram bons e excelentes e também muitos maus, a qualidade não foi, senão na forma, o critério utilizado.
Saíram sim os mais fracos, os mais frágeis, aqueles a quem a saída mais custa, mas também aqueles que têm menos possibilidades de lutar e de se defender.
Todavia, como muitos fracos fazem uma força, suspeito que as coisas, mesmo assim, não fiquem por aqui.
Quanto a mim, fiquei. Apenas porque sou um barão, em termos maquiavélicos, o meu poder não vem do príncipe e os barões têm que ser tratados com cuidado ou, preferencialmente, exterminados.
Felizmente eles não leram, com certeza, “o Príncipe” !
Para se compreender a Administração Pública, há 3 leituras que recomendo:
O excelente poste do Jumento chamado “Os boys, as Pandilhas e os Gangs na Administração Pública” onde se desnudam as estruturas do poder aí constituídas
“O Príncipe” de Maquiavel e, sobretudo, Kafka, especialmente “O Castelo”, está lá tudo.
Os piores ? perguntar-me-ão. Nada disso, saíram maus, é certo, mas também bons e excelentes.
Ficaram os melhores ? Também não. Ficaram bons e excelentes e também muitos maus, a qualidade não foi, senão na forma, o critério utilizado.
Saíram sim os mais fracos, os mais frágeis, aqueles a quem a saída mais custa, mas também aqueles que têm menos possibilidades de lutar e de se defender.
Todavia, como muitos fracos fazem uma força, suspeito que as coisas, mesmo assim, não fiquem por aqui.
Quanto a mim, fiquei. Apenas porque sou um barão, em termos maquiavélicos, o meu poder não vem do príncipe e os barões têm que ser tratados com cuidado ou, preferencialmente, exterminados.
Felizmente eles não leram, com certeza, “o Príncipe” !
Para se compreender a Administração Pública, há 3 leituras que recomendo:
O excelente poste do Jumento chamado “Os boys, as Pandilhas e os Gangs na Administração Pública” onde se desnudam as estruturas do poder aí constituídas
“O Príncipe” de Maquiavel e, sobretudo, Kafka, especialmente “O Castelo”, está lá tudo.
2007-04-18
Ser Português, nós
Ser português não é como ser de outra nação qualquer.
Ser português é falar e amar uma língua que sem qualquer plano ou esforço se fortalece e ninguém a consegue abater e que é a nossa surpresa e o nosso orgulho.
Ser português é estar em qualquer lugar do mundo bem e melhor que em Portugal.
Ser português é odiar Portugal por nunca conseguir estar ao nosso nível.
Mas ser português é amar Portugal, acima de qualquer outro país, por aquilo que Portugal há-de ser um dia, ainda que esse dia nunca venha .
E só nós sabemos que aquilo que Portugal pode ser, por o poder ser, o torna grande já.
Para um português, ser nacionalista é ser para o mundo.
Ser português é falar e amar uma língua que sem qualquer plano ou esforço se fortalece e ninguém a consegue abater e que é a nossa surpresa e o nosso orgulho.
Ser português é estar em qualquer lugar do mundo bem e melhor que em Portugal.
Ser português é odiar Portugal por nunca conseguir estar ao nosso nível.
Mas ser português é amar Portugal, acima de qualquer outro país, por aquilo que Portugal há-de ser um dia, ainda que esse dia nunca venha .
E só nós sabemos que aquilo que Portugal pode ser, por o poder ser, o torna grande já.
Para um português, ser nacionalista é ser para o mundo.
2007-04-10
O triste espectáculo dos marinheiros ingleses
Foi triste ver os marinheiros ingleses, prisioneiros do Irão embaraçarem publicamente o seu governo desmentindo-o em público, servindo os interesses do seu inimigo.
Mas só poucos têm a heroicidade para resistir num ambiente hostil, prisioneiros de homens com uma língua estranha e de quem se pode esperar tudo, até a tortura e a morte.
Foi triste mas compreendi-os, certamente eu faria o mesmo, pensei, só que, passado o perigo, seria ruído pelo remorso e pela vergonha. Não seria, decididamente, uma página da vida que gostasse de recordar.
Foi triste vê-los justificar a sua fraqueza, com a pressão psicológica que dizem ter sofrido.
Foi tristíssimo vê-los negociar com os média o relato da sua desonra, tristíssimo ver as autoridades inglesas incentivarem esse espectáculo, tristíssimo ver as imagens do seu cativeiro em alegre convívio, aparentemente, bem longe da falada pressão psicológica.
Que tristes valores tem esta gente !
Felizmente prevaleceu o bom senso no final e foi proibido aquilo que nem deveria sequer ter sido imaginado.
Mas só poucos têm a heroicidade para resistir num ambiente hostil, prisioneiros de homens com uma língua estranha e de quem se pode esperar tudo, até a tortura e a morte.
Foi triste mas compreendi-os, certamente eu faria o mesmo, pensei, só que, passado o perigo, seria ruído pelo remorso e pela vergonha. Não seria, decididamente, uma página da vida que gostasse de recordar.
Foi triste vê-los justificar a sua fraqueza, com a pressão psicológica que dizem ter sofrido.
Foi tristíssimo vê-los negociar com os média o relato da sua desonra, tristíssimo ver as autoridades inglesas incentivarem esse espectáculo, tristíssimo ver as imagens do seu cativeiro em alegre convívio, aparentemente, bem longe da falada pressão psicológica.
Que tristes valores tem esta gente !
Felizmente prevaleceu o bom senso no final e foi proibido aquilo que nem deveria sequer ter sido imaginado.
2007-04-07
Caro visitante ocasional
Muito obrigado pelo seu comentário ao poste sobe Abrunhosa..
É um comentário simples, inteligente, que se limita à questão mais simples mas também a mais pertinente e, talvez a de mais difícil resposta: porquê ?
A verdade é que não gosto da “poesia” de Pedro Abrunhosa, soa-me a falso e foi só isso que eu quis dizer, resumindo o porquê nos adjectivos que utilizei, mal ou bem mas de forma criteriosa, sem dúvida.
Ódio não tenho nenhum, embora me irrite, de facto, a aceitação generalizada do que, para mim, é uma jóia falsa, como se fosse feita de diamantes e de ouro genuíno.
Cingindo-me ao meio da musica que toca nas rádios, julgo que prejudica muito talento poético real, em lingua portuguesa, como o que encontramos, por exemplo, em Jorge Palma, Sérgio Godinho, José Afonso, Chico Buarque de Holanda, Caetano Veloso, ou mesmo nos Toranja, e em tantos outros.
Abrunhosa não é, para mim, farinha deste saco.
Por isso utilizei o adjectivo “irritante”.
A classificação de “pseudo-poesia” tentarei resumi-la assim:
A poesia é uma forma de arte e sendo a própria noção de arte uma das questões mais complexas e eternamente não resolvidas que tem preocupado o espírito humano, limito-me a considerar a minha posição pessoal sobre esta questão: Para mim, “arte” será o meio de transmitir a outros o conjunto de emoções que determinada vivência nos provocou, “fingir a dor que deveras sentimos” como dizia Pessoa.
Ora Abrunhosa não me consegue transmitir nenhum tipo de emoção coerente, embora utilize meios poéticos: palavras combinadas de tal forma que suscitam referências, duplos sentidos, associações , valorização deste ou daquele aspecto da vivência que pode suscitar, seja por semelhança ou por contraste, determinada emoção.
Mas isto será “a forma” da poesia que para ser, de facto, poesia, deverá também ter “conteúdo”, propósito, coerência que deverá suscitar a tal emoção e é isso que eu não descortino nas letras de Abrunhosa.
Por isso as classifiquei de “pseudo-poesia”.
As letras de Abrunhosa soam-me como um ruído estéril “Full of sound and fury, signifying nothing” como referia Shakespear.
Por isso “insignificante”.
Por outro lado eu não exijo que para se ter sucesso se tenha de ser poeta.
A música “pimba” não tem poesia nem a pretende ter, é directa, objectiva transmite factos. É “pequenina” porque vale pouco mas não é “pretensiosa” porque não pretende parecer lebre sendo gato, é o que é.
A música de Abrunhosa por se revestir de uma forma poética sem conseguir alcançar o seu conteúdo pretende parecer ser o que não é.
Por isso lhe chamei “pretensiosa“.
É evidente que os mecanismos da arte necessitam de um artista e de quem sinta a sua obra.
Há emoções que determinadas obras me despertam porque sugerem referências com muito significado, para mim, experiências do meu passado e que poderão não tocar outras pessoas e vice-versa.
Admito mesmo que as letras de Abrunhosa provoquem algumas pessoas verdadeiramente mas penso que andará longe de ser amplo nesse objectivo.
Por isso utilizei o termo “pequenino”.
Poderia fundamentar tudo o que disse analisando em detalhe uma ou duas letras de Abrunhosa mas exigiria muito tempo e longos textos que penso nem o Abrunhosa nem muitos dos meus visitantes merecem.
Fico pois por aqui.
É um comentário simples, inteligente, que se limita à questão mais simples mas também a mais pertinente e, talvez a de mais difícil resposta: porquê ?
A verdade é que não gosto da “poesia” de Pedro Abrunhosa, soa-me a falso e foi só isso que eu quis dizer, resumindo o porquê nos adjectivos que utilizei, mal ou bem mas de forma criteriosa, sem dúvida.
Ódio não tenho nenhum, embora me irrite, de facto, a aceitação generalizada do que, para mim, é uma jóia falsa, como se fosse feita de diamantes e de ouro genuíno.
Cingindo-me ao meio da musica que toca nas rádios, julgo que prejudica muito talento poético real, em lingua portuguesa, como o que encontramos, por exemplo, em Jorge Palma, Sérgio Godinho, José Afonso, Chico Buarque de Holanda, Caetano Veloso, ou mesmo nos Toranja, e em tantos outros.
Abrunhosa não é, para mim, farinha deste saco.
Por isso utilizei o adjectivo “irritante”.
A classificação de “pseudo-poesia” tentarei resumi-la assim:
A poesia é uma forma de arte e sendo a própria noção de arte uma das questões mais complexas e eternamente não resolvidas que tem preocupado o espírito humano, limito-me a considerar a minha posição pessoal sobre esta questão: Para mim, “arte” será o meio de transmitir a outros o conjunto de emoções que determinada vivência nos provocou, “fingir a dor que deveras sentimos” como dizia Pessoa.
Ora Abrunhosa não me consegue transmitir nenhum tipo de emoção coerente, embora utilize meios poéticos: palavras combinadas de tal forma que suscitam referências, duplos sentidos, associações , valorização deste ou daquele aspecto da vivência que pode suscitar, seja por semelhança ou por contraste, determinada emoção.
Mas isto será “a forma” da poesia que para ser, de facto, poesia, deverá também ter “conteúdo”, propósito, coerência que deverá suscitar a tal emoção e é isso que eu não descortino nas letras de Abrunhosa.
Por isso as classifiquei de “pseudo-poesia”.
As letras de Abrunhosa soam-me como um ruído estéril “Full of sound and fury, signifying nothing” como referia Shakespear.
Por isso “insignificante”.
Por outro lado eu não exijo que para se ter sucesso se tenha de ser poeta.
A música “pimba” não tem poesia nem a pretende ter, é directa, objectiva transmite factos. É “pequenina” porque vale pouco mas não é “pretensiosa” porque não pretende parecer lebre sendo gato, é o que é.
A música de Abrunhosa por se revestir de uma forma poética sem conseguir alcançar o seu conteúdo pretende parecer ser o que não é.
Por isso lhe chamei “pretensiosa“.
É evidente que os mecanismos da arte necessitam de um artista e de quem sinta a sua obra.
Há emoções que determinadas obras me despertam porque sugerem referências com muito significado, para mim, experiências do meu passado e que poderão não tocar outras pessoas e vice-versa.
Admito mesmo que as letras de Abrunhosa provoquem algumas pessoas verdadeiramente mas penso que andará longe de ser amplo nesse objectivo.
Por isso utilizei o termo “pequenino”.
Poderia fundamentar tudo o que disse analisando em detalhe uma ou duas letras de Abrunhosa mas exigiria muito tempo e longos textos que penso nem o Abrunhosa nem muitos dos meus visitantes merecem.
Fico pois por aqui.
2007-04-06
Será que ninguém leva os fantasmas de Pedro Abrunhosa ?
E, já agora, leve também o Pedro Abrunhosa mais a sua pseudopoesia, pretensiosa, insignificantee, pequenina e irritante ?
2007-04-02
Impressões de viagem 6
A Selva
O meu contacto foi apenas com a selva turística mas não obstante o “boom” que os hotéis da selva estão a ter no Brasil, a minha escolha recaiu no, talvez mais famoso e mais antigo hotel da selva totalmente construído em palafita, as “Ariau towers”.
É, de facto uma experiência única, depois de uma viagem de barco, de cerca de 2 horas, desde Manaus, subindo o Rio Negro, chegamos ao hotel: quilómetros de passadeiras construídas ao nível das copas das árvores sobre uma estrutura triangulada de madeira.
Um grande torreão, também em madeira, como toda a construção do hotel, alberga a recepção e os restaurantes e várias outras torres contêm os quartos com o mínimo de conforto moderno, ar condicionado, wc e telefone.
Perto da recepção Um espaço amplo de bar com acesso a internet wifi, televisão e, junto, algumas lojas de artesanato, jóias, utilidades de conveniência e um ginásio onde podemos ser massajados.
Ao longo de toda a estrutura, que se pode percorrer a pé, de bicicleta ou de carrinhos de golfe, que se podem alugar tal como as bicicletas, podemos encontrar várias estruturas, como piscinas, uma capela pagã de meditação, e vários miradouros, tudo isto a uns 15 metros de altura sobre a selva. Mais elevado ainda, aqui e ali, encontramos o que eles chamam casas do Tarzã, suites com cozinha, sala e quarto com internet. Estas casas de Tarzã também se podem alugar.
Junto ao bar saltitam permanentemente vários macacos, a quem nos avisam para não darmos álcool, e lindíssimas araras.
Um só senão, quando lá estive, o cheiro do hall onde se inserem os quartos era quase insuportável embora dentro do quarto não se fizesse sentir. Suponho que se devia ao tratamento que constantemente têm que dar à madeira para que a estrutura não colapse ruída pelo cupim.
Por pequenos grupos de hóspedes com afinidades linguísticas é-nos afecto um guia e há vários programas interessantes como a pesca de piranhas, observação de caimões ou botos, passeios pela selva e visitas a aldeias.
É evidente que tudo tem aquele ar certinho, para turista ver, e durante o passeio na selva nunca perdemos o sinal de telemóvel, mas a responsabilidade civil do hotel é grande e qualquer pequeno ou grande acidente é rapidamente socorrido com helicóptero.
Não obstante ser apenas uma selva turística, o exotismo da experiência e sobretudo a imponência daquela estrutura tornam a estadia muito agradável.
Estive lá em Novembro e o chão estava seco mas uma parte do ano, a selva alaga-se naquele local, por isso a construção em palafita. A experiência nessa época de chuva deverá ser ainda mais interessante, suponho eu.
Como uma última vantagem, o preço que é razoavelmente acessível.
2007-04-01
Erros certeiros
Num desses e-mails que diariamente entram pelas nossas casas contando piadas e mostrando curiosidades, recebi uma série de supostas asneiras escritas por alunos brasileiros em testes de exame.
A generalidade demonstra aquele tipo de ignorância que também é comum nas nossas escolas mas algumas, poucas, escondem por trás do erro uma sabedoria oculta que suscita uma mais profunda meditação.
Passo a transcrevê-las sem mais comentários:
“O que é de interesse colectivo de todos nem sempre interessa a ninguém individualmente."
"Imaginem a bandeira do Brasil. O azul representa o céu , o verde representa as matas, e o amarelo o ouro.
O ouro já foi roubado e as matas estão quase se indo.
No dia em que roubarem nosso céu, ficaremos sem bandeira.."
A mais profunda de todas é porém a seguinte:
"Vamos deixar de sermos egoístas e pensarmos um pouco mais em nós mesmos."
A generalidade demonstra aquele tipo de ignorância que também é comum nas nossas escolas mas algumas, poucas, escondem por trás do erro uma sabedoria oculta que suscita uma mais profunda meditação.
Passo a transcrevê-las sem mais comentários:
“O que é de interesse colectivo de todos nem sempre interessa a ninguém individualmente."
"Imaginem a bandeira do Brasil. O azul representa o céu , o verde representa as matas, e o amarelo o ouro.
O ouro já foi roubado e as matas estão quase se indo.
No dia em que roubarem nosso céu, ficaremos sem bandeira.."
A mais profunda de todas é porém a seguinte:
"Vamos deixar de sermos egoístas e pensarmos um pouco mais em nós mesmos."
2007-03-30
Em que mundo estamos nós ?
O “aquecimento global” todos sabíamos o que era até ver o “The Greate Global Warming Swindle”. É longo mas vale a pena ver no “link anterior.
Agora, na RTP 2 acabo de ver “A corrente do Golfo e a Nova Glaciação”, retomando a abandonada teoria do arrefecimento global.
Afinal o nosso mundo está a aquecer, a arrefecer, permanecendo todavia na mesma !
Tudo isto profusamente documentado com depoimentos científicos para todos os gostos.
Agora, na RTP 2 acabo de ver “A corrente do Golfo e a Nova Glaciação”, retomando a abandonada teoria do arrefecimento global.
Afinal o nosso mundo está a aquecer, a arrefecer, permanecendo todavia na mesma !
Tudo isto profusamente documentado com depoimentos científicos para todos os gostos.
2007-03-26
O Salazar ganhou
Mas foi num concurso de brincadeira.
Ao mesmo tempo, no Ministério da Agricultura decorre um processo idêntico que todavia deveria ser a sério, vai afectar gravemente a vida de muita gente, mas que de facto tem sido de anedota.
Eu vou-lhes contar o que se passou num "cinema" perto de mim:
Primeiro partiu-se tudo, todos os serviços e departamentos, depois construiu-se tudo de novo com os bocados que ficaram.
Como era tudo novo, toca de prover as chefias, mas não só as de topo, foram todas, mesmo aquelas que a lei diz que devem ser providas por concurso, isto atendendo á situação excepcional, que a lei contempla sempre para casos como estes.
Desta forma ficaram salvaguardados a maior parte dos “boys” principais e dos seus amigalhaços, ufa !
Restava agora correr com o pessoal que não se queria mas a chata da lei punha problemas, dizia que não que não podia ser de qualquer maneira e grosso modo previa dois processos de selecção (por acaso contraditórios um com o outro, mas adiante):
Primeiro - uma ordenação baseada nas notas de classificação do último ano para o qual estejam todos notados.
Se isto não ocorrer - a classificação far-se-á pela apreciação profissional.
Ou seja ou pelo “desempenho” pontual de uma ano ou então por toda uma carreira como se fossem coisas parecidas.
Mas as tais notas, em 2005, foram dadas assim, eu conto a minha experiência: telefonaram-me do topo dizendo o seguinte:
“Olha pá tu és um gajo muita bom, eu sei, mas como já não precisas das benesses que uma boa nota proporciona, e há quotas, gostávamos de guardar as boas notas para quem precisa mais, pode ser ?”
Eu respondi: “pode pá, dá-me a nota que quiseres.”.
Agora é o diabo, 2005 não serve. Os critérios foram os das potenciais promoções, e não o das passagem à mobilidade, com estas notas ainda vai sair e ficar quem não queremos, temos que dar novas notas para 2006 ou vamos para a análise curricular e ficam cá os velhos todos e é o diabo, pensaram eles.
E assim foi, um corrupio de notas de 2006 dadas à pressa de modo a justificar as listas aparentemente já feitas.
Infelizmente para o processo as notas pressupunham o estabelecimento prévio de objectivos que na generalidade dos casos não foram estabelecidos mas quem é que se importa com tais minudências.
Agora é só esperar pelas listas que o Ministro disse que saíam na 6ª feira, mas nem isso conseguiu fazer ainda.
Eu imagino os enganos as correcções de última hora, o gajo que vai sair e devia ficar e o outro que fica e devia sair, enganámo-nos nas contas, e agora como é ?, não faz mal, troca-se a nota e depois ele assina !
Vamos a ver o que isto dá, se calhar também ganha o Salazar !
Ao mesmo tempo, no Ministério da Agricultura decorre um processo idêntico que todavia deveria ser a sério, vai afectar gravemente a vida de muita gente, mas que de facto tem sido de anedota.
Eu vou-lhes contar o que se passou num "cinema" perto de mim:
Primeiro partiu-se tudo, todos os serviços e departamentos, depois construiu-se tudo de novo com os bocados que ficaram.
Como era tudo novo, toca de prover as chefias, mas não só as de topo, foram todas, mesmo aquelas que a lei diz que devem ser providas por concurso, isto atendendo á situação excepcional, que a lei contempla sempre para casos como estes.
Desta forma ficaram salvaguardados a maior parte dos “boys” principais e dos seus amigalhaços, ufa !
Restava agora correr com o pessoal que não se queria mas a chata da lei punha problemas, dizia que não que não podia ser de qualquer maneira e grosso modo previa dois processos de selecção (por acaso contraditórios um com o outro, mas adiante):
Primeiro - uma ordenação baseada nas notas de classificação do último ano para o qual estejam todos notados.
Se isto não ocorrer - a classificação far-se-á pela apreciação profissional.
Ou seja ou pelo “desempenho” pontual de uma ano ou então por toda uma carreira como se fossem coisas parecidas.
Mas as tais notas, em 2005, foram dadas assim, eu conto a minha experiência: telefonaram-me do topo dizendo o seguinte:
“Olha pá tu és um gajo muita bom, eu sei, mas como já não precisas das benesses que uma boa nota proporciona, e há quotas, gostávamos de guardar as boas notas para quem precisa mais, pode ser ?”
Eu respondi: “pode pá, dá-me a nota que quiseres.”.
Agora é o diabo, 2005 não serve. Os critérios foram os das potenciais promoções, e não o das passagem à mobilidade, com estas notas ainda vai sair e ficar quem não queremos, temos que dar novas notas para 2006 ou vamos para a análise curricular e ficam cá os velhos todos e é o diabo, pensaram eles.
E assim foi, um corrupio de notas de 2006 dadas à pressa de modo a justificar as listas aparentemente já feitas.
Infelizmente para o processo as notas pressupunham o estabelecimento prévio de objectivos que na generalidade dos casos não foram estabelecidos mas quem é que se importa com tais minudências.
Agora é só esperar pelas listas que o Ministro disse que saíam na 6ª feira, mas nem isso conseguiu fazer ainda.
Eu imagino os enganos as correcções de última hora, o gajo que vai sair e devia ficar e o outro que fica e devia sair, enganámo-nos nas contas, e agora como é ?, não faz mal, troca-se a nota e depois ele assina !
Vamos a ver o que isto dá, se calhar também ganha o Salazar !
2007-03-23
Os pobres são como “bonsais”
A semente do bonsai é a mesma da da árvore da floresta, se não o confinassem a um vazo e não procedessem a intensas podas radiculares o “bonsai” cresceria como qualquer árvore.
Assim é a pobreza: dêem “espaço” aos pobres e eles crescerão como os mais afortunados.
Esta alegoria certeira foi utilizada por Mohammad Yunus (prémio Nobel da paz de 2006) na conferência que ontem proferiu no auditório principal da Gulbenkian,
Assim é a pobreza: dêem “espaço” aos pobres e eles crescerão como os mais afortunados.
Esta alegoria certeira foi utilizada por Mohammad Yunus (prémio Nobel da paz de 2006) na conferência que ontem proferiu no auditório principal da Gulbenkian,
2007-03-21
O défice
Quando uma conhecida empresa portuguesa, no sector do vinho, foi adquirida por uma multinacional do sector, onde ainda está hoje, logo no primeiro ano, segundo as práticas da empresa mãe, foi obrigada a estabelecer objectivos quantitativos para o ano seguinte.
Passado esse ano a empresa constatou que tinha superado muito os objectivos previstos, as vendas terão quase duplicado relativamente às expectativas.
Muito à portuguesa, embandeirou em arco, ficou felicíssima e foi com enorme espanto que recebeu um “puxão de orelhas” da empresa mãe. Os objectivos são para serem cumpridos disseram-lhes, um aumento desse calibre só pode significar um péssimo planeamento ou o uso indevido de recursos desnecessários. Em resumo: má gestão.
Ocorreu-me esta história, que foi estudada como um estudo de caso durante o meu mestrado, ao ver a espantosa queda do défice registada em 2006 em Portugal.
Passar num ano dos mais de 6% para os 4,6% era já um esforço colossal, baixar ainda mais do que isto para os 3,9% é apenas um indicador da brutalidade da política de desmantelamento das estruturas do Estado e de desinvestimento deste Governo.
Ainda ficaria contente se sentíssemos que o esforço iria desanuviar mas o PRACE ainda nem começou e por este andar vamos chegar para o ano ao 1%, embora a esperteza saloia do Governo ainda pretenda fixar as suas previsões acima dos 3%.
O Governo vai ficar feliz e nós depauperados desprotegidos e meios mortos.
Passado esse ano a empresa constatou que tinha superado muito os objectivos previstos, as vendas terão quase duplicado relativamente às expectativas.
Muito à portuguesa, embandeirou em arco, ficou felicíssima e foi com enorme espanto que recebeu um “puxão de orelhas” da empresa mãe. Os objectivos são para serem cumpridos disseram-lhes, um aumento desse calibre só pode significar um péssimo planeamento ou o uso indevido de recursos desnecessários. Em resumo: má gestão.
Ocorreu-me esta história, que foi estudada como um estudo de caso durante o meu mestrado, ao ver a espantosa queda do défice registada em 2006 em Portugal.
Passar num ano dos mais de 6% para os 4,6% era já um esforço colossal, baixar ainda mais do que isto para os 3,9% é apenas um indicador da brutalidade da política de desmantelamento das estruturas do Estado e de desinvestimento deste Governo.
Ainda ficaria contente se sentíssemos que o esforço iria desanuviar mas o PRACE ainda nem começou e por este andar vamos chegar para o ano ao 1%, embora a esperteza saloia do Governo ainda pretenda fixar as suas previsões acima dos 3%.
O Governo vai ficar feliz e nós depauperados desprotegidos e meios mortos.
2007-03-20
Agora é que eu percebi
Por que é que também chamam PP ao CDS: é o Partido partido, de tão esfrangalhado que está.
2007-03-19
Concorrência desleal
O Sr. Presidente da ASAE, referiu ontem na RTP 2 que as suas acções em feiras e mercados tinha em vista combater a concorrência desleal.
Tem toda a razão, porque eu bem vi o Sr. José da Mula, no mercado da Xepa a dar murros por baixo da cintura na Srª NIKE, Inc., coitada, e isto é muito desleal.
O Sr. José da Mula tentou justificar-se dizendo que era baixinho e não chegava ao peito e muito menos à cabeça da Srª NIKE, Inc, e o mais que lhe podia fazer era dar-lhe uns murritos e uns beliscões na coxa.
Obviamente que isto não pode ser consentido, se o Sr José da Mula é baixo que tome vitaminas ou qualquer coisa mas concorrência desleal deste calibre é que não se pode tolerar.
Era só o que faltava !
Tem toda a razão, porque eu bem vi o Sr. José da Mula, no mercado da Xepa a dar murros por baixo da cintura na Srª NIKE, Inc., coitada, e isto é muito desleal.
O Sr. José da Mula tentou justificar-se dizendo que era baixinho e não chegava ao peito e muito menos à cabeça da Srª NIKE, Inc, e o mais que lhe podia fazer era dar-lhe uns murritos e uns beliscões na coxa.
Obviamente que isto não pode ser consentido, se o Sr José da Mula é baixo que tome vitaminas ou qualquer coisa mas concorrência desleal deste calibre é que não se pode tolerar.
Era só o que faltava !
2007-03-18
Por uma última vez
Desculpem-me a insistência em Dylan Thomas, tão breve não falarei mais dele, prometo, mas o meu fascínio pelo poema transcrito abaixo fez-me procurar pelas suas traduções para a nossa língua.
Na verdade, encontrei apenas 2 e nenhuma delas me agradou.
Entre outras razões, vi que nenhuma utilizava o termo “boa noite”: uma dizia “noite serena” e outra “noite acolhedora”.
Ora, para mim, uma das riquezas desse primeiro verso “Do not go gentle into that good night” provêm precisamente desse duplo sentido entre “noite boa” (que poderia ser acolhedora ou serena) e “boa noite” (como despedida de quem se vai deitar) e esse duplo sentido de “good night” resulta tal qual em português se utilizar “boa noite” e apenas se o utilizar.
Pus mãos à obra, fiz a minha própria tradução.
Uma dificuldade que não consegui ainda ultrapassar (aceito sugestões dos meus leitores amantes da língua) é a de que Dylan Thomas não disse “Do not go gently into that good night”, usou “gentle” preferindo o adjectivo ao advérbio, preferindo caracterizar a atitude de quem entra nessa boa noite e não o modo como se deve entrar e isto parece-me importante no poema (embora mesmo em inglês tenha encontrado citações que referiam “gently” significando que também algumas pessoas de língua inglesa consideram este aspecto como uma minudência), o problema com que me defrontei então foi o das rimas, embora para muitos tradutores consagrados (até por o serem) as rimas devam ser secundarizadas, para mim, também são importantes.
Acontece que “gentle” tem um campo semântico vasto.
Intuitivamente, para mim, neste contexto, era “suave” a melhor tradução mas as 2 traduções que vi foram “com doçura” e “docilmente”, mas poderiam também ser, talvez, “com cuidado” “gentil” e ainda algumas outras.
O problema é que o final desta frase forte deverá rimar com o final da outra “dying of the light”, como “night” rima com “light” e aí é que está o busílis, noite tem poucas rimas em portugês e invertendo a frase para “Na boa noite não entres suave” (para usar suave) não encontrei rimas que não afastassem demasiado o texto do seu sentido original, optei então por “Não entres nessa boa noite suavemente” (com o advérbio maldito mas garantindo uma maior facilidade de rimas).
Quanto ao resto da poesia não tive grandes dificuldades (possivelmente por inconsciência) tirando o “last wave” que pode ser “última onda” ou "último aceno” (opções de cada uma das traduções que vi). Para mim “last wave” foi claramente “último aceno".
O “rage” de “Rage, rage against the dying of the light” também não é uma questão simples.
Nas duas traduções vistas, os autores optaram por “ódio”, mais natural em português, mas julgo que longe do “rage” inglês para o qual não teremos uma tradução perfeita .
O ódio parece-me construído, fundamentado, justificado interiormente, o “rage” é selvagem, irracional, sai das entranhas de um homem ou de um animal.
Visto isto optei por “raiva” que tem mais essas características irracionais, embora com a consciência de que também não é a palavra perfeita.
Posto isto a minha tradução é a seguinte:
(PS entrando em conta com a sugestão da Joana alterei a raiva para um verbo "reage"
Não entre nessa boa noite suavemente
Não entres nessa boa noite suavemente
A velhice deve arder em festa ao encerrar do dia
Reage, reage contra a luz evanescente.
Embora os sábios conheçam no seu fim a escuridão presente
Porque suas palavras não penetraram a luz que ardia
Não entram nessa boa noite suavemente.
Bons homens ao último aceno, clamam o brilho ardente
Dos seus frágeis feitos que quase dançaram na verde baía
Reagem, reagem contra a luz evanescente.
Homens audazes que apanharam cantando o sol movente
E viram, já tarde, como o perturbaram na sua via
Não entram nessa boa noite suavemente.
Homens graves, próximo da morte, que vêm turvamente
Que olhos cegos podem resplandecer tal meteoros na alegria
Reagem, reagem contra a luz evanescente.
A ti, meu pai, lá nessa triste altania,
Amaldiçoa-me, abençoa-me com as tuas lágrimas cruéis, pedia,
Não entres nessa boa noite suavemente
Reage, reage contra a luz evanescente
Dylan Thomas
Tradução de Nuno Jordão
Na verdade, encontrei apenas 2 e nenhuma delas me agradou.
Entre outras razões, vi que nenhuma utilizava o termo “boa noite”: uma dizia “noite serena” e outra “noite acolhedora”.
Ora, para mim, uma das riquezas desse primeiro verso “Do not go gentle into that good night” provêm precisamente desse duplo sentido entre “noite boa” (que poderia ser acolhedora ou serena) e “boa noite” (como despedida de quem se vai deitar) e esse duplo sentido de “good night” resulta tal qual em português se utilizar “boa noite” e apenas se o utilizar.
Pus mãos à obra, fiz a minha própria tradução.
Uma dificuldade que não consegui ainda ultrapassar (aceito sugestões dos meus leitores amantes da língua) é a de que Dylan Thomas não disse “Do not go gently into that good night”, usou “gentle” preferindo o adjectivo ao advérbio, preferindo caracterizar a atitude de quem entra nessa boa noite e não o modo como se deve entrar e isto parece-me importante no poema (embora mesmo em inglês tenha encontrado citações que referiam “gently” significando que também algumas pessoas de língua inglesa consideram este aspecto como uma minudência), o problema com que me defrontei então foi o das rimas, embora para muitos tradutores consagrados (até por o serem) as rimas devam ser secundarizadas, para mim, também são importantes.
Acontece que “gentle” tem um campo semântico vasto.
Intuitivamente, para mim, neste contexto, era “suave” a melhor tradução mas as 2 traduções que vi foram “com doçura” e “docilmente”, mas poderiam também ser, talvez, “com cuidado” “gentil” e ainda algumas outras.
O problema é que o final desta frase forte deverá rimar com o final da outra “dying of the light”, como “night” rima com “light” e aí é que está o busílis, noite tem poucas rimas em portugês e invertendo a frase para “Na boa noite não entres suave” (para usar suave) não encontrei rimas que não afastassem demasiado o texto do seu sentido original, optei então por “Não entres nessa boa noite suavemente” (com o advérbio maldito mas garantindo uma maior facilidade de rimas).
Quanto ao resto da poesia não tive grandes dificuldades (possivelmente por inconsciência) tirando o “last wave” que pode ser “última onda” ou "último aceno” (opções de cada uma das traduções que vi). Para mim “last wave” foi claramente “último aceno".
O “rage” de “Rage, rage against the dying of the light” também não é uma questão simples.
Nas duas traduções vistas, os autores optaram por “ódio”, mais natural em português, mas julgo que longe do “rage” inglês para o qual não teremos uma tradução perfeita .
O ódio parece-me construído, fundamentado, justificado interiormente, o “rage” é selvagem, irracional, sai das entranhas de um homem ou de um animal.
Visto isto optei por “raiva” que tem mais essas características irracionais, embora com a consciência de que também não é a palavra perfeita.
Posto isto a minha tradução é a seguinte:
(PS entrando em conta com a sugestão da Joana alterei a raiva para um verbo "reage"
Não entre nessa boa noite suavemente
Não entres nessa boa noite suavemente
A velhice deve arder em festa ao encerrar do dia
Reage, reage contra a luz evanescente.
Embora os sábios conheçam no seu fim a escuridão presente
Porque suas palavras não penetraram a luz que ardia
Não entram nessa boa noite suavemente.
Bons homens ao último aceno, clamam o brilho ardente
Dos seus frágeis feitos que quase dançaram na verde baía
Reagem, reagem contra a luz evanescente.
Homens audazes que apanharam cantando o sol movente
E viram, já tarde, como o perturbaram na sua via
Não entram nessa boa noite suavemente.
Homens graves, próximo da morte, que vêm turvamente
Que olhos cegos podem resplandecer tal meteoros na alegria
Reagem, reagem contra a luz evanescente.
A ti, meu pai, lá nessa triste altania,
Amaldiçoa-me, abençoa-me com as tuas lágrimas cruéis, pedia,
Não entres nessa boa noite suavemente
Reage, reage contra a luz evanescente
Dylan Thomas
Tradução de Nuno Jordão
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