Como é que políticos que se movem e se alimentam de um caldo corrompido de compadríos e tráfego de influências poderão tomar qualquer medida que o purifique ?
Morreriam à fome !
2007-01-22
2007-01-17
Jogos de crianças
A imagem que o governo quer passar é a de que até aqui, como ele próprio ainda cá não estava para zelar por nós, a aplicação dos fundos comunitários foi uma desgraça.
Mas neste QREN não, evidentemente vai ser tudo impecável.
Quando ouço estas coisas, seja para o QREN seja para o Plano de Desenvolvimento Rural, recordo-me sempre daquele comportamento infantil que todos já vimos ou mesmo vivemos um dia:
- Eh pá! Esta não valeu, agora é que vai ser a sério!
E a criança torna a tentar, torna a falhar e de novo adia o estatuto do “a sério” que na realidade nunca chega.
Sócrates, porém, já é mais crescidinho !
Mas neste QREN não, evidentemente vai ser tudo impecável.
Quando ouço estas coisas, seja para o QREN seja para o Plano de Desenvolvimento Rural, recordo-me sempre daquele comportamento infantil que todos já vimos ou mesmo vivemos um dia:
- Eh pá! Esta não valeu, agora é que vai ser a sério!
E a criança torna a tentar, torna a falhar e de novo adia o estatuto do “a sério” que na realidade nunca chega.
Sócrates, porém, já é mais crescidinho !
2007-01-16
Voluntariado
O capital é voraz
Para saciar o seu ventre, mesmo as motivações mais generosas são corrompidas, embora se lhes deixem cores luminosas e um perfume suave para atrair espíritos puros para a sua teia.
Sou contra o voluntariado, como sou contra os lucros obscenos que o espectáculo canta como se fossem um sinal de saúde. Onde ? num corpo morto e fétido ?
Para saciar o seu ventre, mesmo as motivações mais generosas são corrompidas, embora se lhes deixem cores luminosas e um perfume suave para atrair espíritos puros para a sua teia.
Sou contra o voluntariado, como sou contra os lucros obscenos que o espectáculo canta como se fossem um sinal de saúde. Onde ? num corpo morto e fétido ?
2007-01-12
Babel
Mulher; woman; kobieta; donna; zhena; kvinne; josei; kadin; isha; frau; Žena; kvinna; femeie; vrouw; yosong; zhinka; imraa`a; femme ; kvinde ; naine ; phoo ying ; zhenshch; mujer ; nõ ; nainen ; sunaika; fu nu; wanita.
2007-01-11
O referendo
Diz a ciência que as atitudes humanas se fundamentam nos sistemas de crenças e de valores de cada indivíduo.
Auto-analisando-me procuro aplicar estas noções à minha inequívoca opção pelo sim neste próximo referendo sobre a despenalização do aborto.
No meu sistema de valores, a vida humana está num altíssimo grau, não admito, seja a quem for o direito de matar ninguém, mas precisamente por que prezo a vida humana e a sua dignidade admito o suicídio e a eutanásia.
No meu sistema de valores Eu, qualquer Eu, vale ainda mais que a sua própria vida.
Por outro lado a sociedade ou qualquer grupo organizado nunca pode valer mais que qualquer Eu, membro individual dessa ou de outra sociedade ou desse ou de outro grupo organizado, daí não aceitar nunca a guerra ou a pena de morte, que constrange, oprime ou suprime um indivíduo.
As únicas excepções toleráveis inserem-se apenas em situações limites onde estes valores entrem em conflito, em situações de confronto em que nem todos possam sobreviver. Aí e apenas aí, admito que se possa tirar vidas para se salvar vidas.
Posto isto, no meu sistema de valores o aborto deveria ser aparentemente, para mim, inaceitável em qualquer situação, ou talvez apenas em situações em que surja conflito entre a vida da mãe e a vida do filho.
Todavia, como já disse, sou pelo sim no referendo e a razão é simples. Insere-se não no meu sistema de valores mas antes no meu sistema de crenças..
E a minha crença é que um feto não é um ser humano.
Por mais perfeito e morfologicamente idêntico a um ser humano que seja não pode ter ainda esse estatuto.
A própria natureza lho retira ao fazê-lo biologicamente dependente da mãe, como um órgão desta.
Não é ainda o seu sangue que circula. O seu coração já bate mas não sobreviveria sem o coração da mãe.
É apenas um ser humano potencial. Se a mãe morrer o feto morrerá também, salvo se tiver já as condições necessárias para nascer, ou seja, para se tornar biologicamente independente e então poderá tornar-se um ser humano.
Tornar-se um ser humano é um acto solene, e é o parto que o determina, é na desconexão do cordão umbilical, é no grito do primeiro choro, da primeira respiração que surge o Homem.
Ouvi Emídio Guerreiro dizer, nos seus 105 lúcidos anos de idade que apenas se nasce quando nasce a consciência, e morre-se de facto quando esta se perde ainda que persistam todos os sinais vitais.
O meu sistema de crenças começa estar cada vez mais próximo deste conceito.
De qualquer forma, repito, tudo isto se insere nos meus sistema de valores e crenças, não porei nunca em causa nem criticarei quem baseie a sua posição diferente noutro sistema de valores e crenças diferente do meu.
O que me custa a aceitar é apenas a incoerência, embora esta também seja própria do Homem.
Auto-analisando-me procuro aplicar estas noções à minha inequívoca opção pelo sim neste próximo referendo sobre a despenalização do aborto.
No meu sistema de valores, a vida humana está num altíssimo grau, não admito, seja a quem for o direito de matar ninguém, mas precisamente por que prezo a vida humana e a sua dignidade admito o suicídio e a eutanásia.
No meu sistema de valores Eu, qualquer Eu, vale ainda mais que a sua própria vida.
Por outro lado a sociedade ou qualquer grupo organizado nunca pode valer mais que qualquer Eu, membro individual dessa ou de outra sociedade ou desse ou de outro grupo organizado, daí não aceitar nunca a guerra ou a pena de morte, que constrange, oprime ou suprime um indivíduo.
As únicas excepções toleráveis inserem-se apenas em situações limites onde estes valores entrem em conflito, em situações de confronto em que nem todos possam sobreviver. Aí e apenas aí, admito que se possa tirar vidas para se salvar vidas.
Posto isto, no meu sistema de valores o aborto deveria ser aparentemente, para mim, inaceitável em qualquer situação, ou talvez apenas em situações em que surja conflito entre a vida da mãe e a vida do filho.
Todavia, como já disse, sou pelo sim no referendo e a razão é simples. Insere-se não no meu sistema de valores mas antes no meu sistema de crenças..
E a minha crença é que um feto não é um ser humano.
Por mais perfeito e morfologicamente idêntico a um ser humano que seja não pode ter ainda esse estatuto.
A própria natureza lho retira ao fazê-lo biologicamente dependente da mãe, como um órgão desta.
Não é ainda o seu sangue que circula. O seu coração já bate mas não sobreviveria sem o coração da mãe.
É apenas um ser humano potencial. Se a mãe morrer o feto morrerá também, salvo se tiver já as condições necessárias para nascer, ou seja, para se tornar biologicamente independente e então poderá tornar-se um ser humano.
Tornar-se um ser humano é um acto solene, e é o parto que o determina, é na desconexão do cordão umbilical, é no grito do primeiro choro, da primeira respiração que surge o Homem.
Ouvi Emídio Guerreiro dizer, nos seus 105 lúcidos anos de idade que apenas se nasce quando nasce a consciência, e morre-se de facto quando esta se perde ainda que persistam todos os sinais vitais.
O meu sistema de crenças começa estar cada vez mais próximo deste conceito.
De qualquer forma, repito, tudo isto se insere nos meus sistema de valores e crenças, não porei nunca em causa nem criticarei quem baseie a sua posição diferente noutro sistema de valores e crenças diferente do meu.
O que me custa a aceitar é apenas a incoerência, embora esta também seja própria do Homem.
2007-01-06
Ouvi hoje nas notícias
Diz que a EMEL vai bloquear mais os carros mal estacionados.
Está bem, há que pôr limites à abusiva privatização de espaços públicos.
Diz que a EMEL os vai desbloquear imediatamente.
Está óptimo, nunca percebi a lógica de prender uma viatura indefinidamente precisamente onde não se quer que ela esteja.
Diz que a EMEL cobra logo a multa.
É justo, há que pagar pela infracção que cometemos.
Diz que a EMEL também vai cobrar o desbloqueio.
Isto é que não faz sentido nenhum, embora eu saiba que a generalidade das pessoas aceita o facto pacificamente, a decisão de bloquear não foi minha não tenho que pagar nada, se a EMEL resolvesse partir o carro será que eu tinha de pagar o carro ? a minha culpa foi apenas a do mau estacionamento e há uma pena para esse crime, é só isso que devo pagar, se é pouco aumentem-na.
Está bem, há que pôr limites à abusiva privatização de espaços públicos.
Diz que a EMEL os vai desbloquear imediatamente.
Está óptimo, nunca percebi a lógica de prender uma viatura indefinidamente precisamente onde não se quer que ela esteja.
Diz que a EMEL cobra logo a multa.
É justo, há que pagar pela infracção que cometemos.
Diz que a EMEL também vai cobrar o desbloqueio.
Isto é que não faz sentido nenhum, embora eu saiba que a generalidade das pessoas aceita o facto pacificamente, a decisão de bloquear não foi minha não tenho que pagar nada, se a EMEL resolvesse partir o carro será que eu tinha de pagar o carro ? a minha culpa foi apenas a do mau estacionamento e há uma pena para esse crime, é só isso que devo pagar, se é pouco aumentem-na.
2007-01-05
Outros desagrados meus
Contava uma amiga americana de minha filha que numa escola dos EUA de forte componente hispânica, a professora lutava para justamente impor a utilização normal da língua oficial do país uma vez que o castelhano tendia a dominar.
Como fortíssimo argumento em defesa da língua inglesa terá dito o seguinte:
- Se o inglês serviu para Jesus Cristo também terá de servir para vocês !
Parece que o facto, mesmo nos EUA, deu uma certa polémica no momento mas, aqui para nós que ninguém nos ouve, a mulher até tinha uma certa razão. No grande veículo de comunicação que é a tv que vemos nós Nosso Senhor falar que não seja o inglês ?
Todo o telespectador sabe que o inglês é a língua universal falada até noutras galáxias por monstros de antenas verdes. Foi Babel que nos castigou ou então falaríamos todos o inglês dos EUA, nem sequer a língua de Shakespeare. É isto que Hollywood nos ensina e é isto que deviam imaginar a professora e os meninos da tal escola.
Mas recentemente Mel Gibson no polémico filme “A Paixão de Cristo” pôs tudo nos eixos outra vez e fez Cristo falar aramaico e os romanos latim dando com esse facto uma enorme força dramática àquele filme.
Eu, pelo menos deixei de suportar ver filmes bíblicos falados em inglês, parece-me obsceno, qualquer língua me parece preferível àquele inglês com pronuncia dos EUA, sobretudo quando são mal interpretados como é o caso geral
Deste modo, neste Natal foi um esforço épico de “zappings” para fugir à praga que sempre nos invade nesta época,
Se não pode ser aramaico seja ao menos o italiano da Paixão segundo S. Mateus de Pasolini ou o português rural de um qualquer auto do Natal ou da Paixão.
Como fortíssimo argumento em defesa da língua inglesa terá dito o seguinte:
- Se o inglês serviu para Jesus Cristo também terá de servir para vocês !
Parece que o facto, mesmo nos EUA, deu uma certa polémica no momento mas, aqui para nós que ninguém nos ouve, a mulher até tinha uma certa razão. No grande veículo de comunicação que é a tv que vemos nós Nosso Senhor falar que não seja o inglês ?
Todo o telespectador sabe que o inglês é a língua universal falada até noutras galáxias por monstros de antenas verdes. Foi Babel que nos castigou ou então falaríamos todos o inglês dos EUA, nem sequer a língua de Shakespeare. É isto que Hollywood nos ensina e é isto que deviam imaginar a professora e os meninos da tal escola.
Mas recentemente Mel Gibson no polémico filme “A Paixão de Cristo” pôs tudo nos eixos outra vez e fez Cristo falar aramaico e os romanos latim dando com esse facto uma enorme força dramática àquele filme.
Eu, pelo menos deixei de suportar ver filmes bíblicos falados em inglês, parece-me obsceno, qualquer língua me parece preferível àquele inglês com pronuncia dos EUA, sobretudo quando são mal interpretados como é o caso geral
Deste modo, neste Natal foi um esforço épico de “zappings” para fugir à praga que sempre nos invade nesta época,
Se não pode ser aramaico seja ao menos o italiano da Paixão segundo S. Mateus de Pasolini ou o português rural de um qualquer auto do Natal ou da Paixão.
2007-01-02
Alguns desagrados meus
PLACAS TOPONÍMICAS (ou a falta delas)
Há dias quando tomava um café habitual numa pequena tasca lisboeta, contava-me a dona da casa que tinha sido visitada, mais uma vez entre muitas, por fiscais da Câmara que, no seu ponto de vista, lhe faziam exigências despropositadas.
- Não fazem eles ideia da quantidade de gente que entra aqui a perguntar onde fica esta ou aquela rua melhor seria que os da Câmara colocassem as respectivas placas, como lhes compete, em vez de andarem a chatear quem trabalha.
Dizia-me ela revoltada.
Quanto á fiscalização não sei dizer nada mas que deviam também pôr as placas toponímicas não tenho qualquer dúvida. É uma tristeza andarmos pela rua desesperados, torcendo a cabeça sem conseguir achar o mínimo de informação que diga onde estamos.
Ainda me lembro dos tempos em que em cada esquina havia uma placa toponímica, agora há ruas inteiras onde se não vê nenhuma.
Recomendo aos senhores da Presidente e Vereadores da Câmara que leiam o ensaio de George Steiner sobre a Europa, de que eu já falei aqui, para que aprendam que a questão das placas toponímicas não pode ser nunca uma questão menor.
Há dias quando tomava um café habitual numa pequena tasca lisboeta, contava-me a dona da casa que tinha sido visitada, mais uma vez entre muitas, por fiscais da Câmara que, no seu ponto de vista, lhe faziam exigências despropositadas.
- Não fazem eles ideia da quantidade de gente que entra aqui a perguntar onde fica esta ou aquela rua melhor seria que os da Câmara colocassem as respectivas placas, como lhes compete, em vez de andarem a chatear quem trabalha.
Dizia-me ela revoltada.
Quanto á fiscalização não sei dizer nada mas que deviam também pôr as placas toponímicas não tenho qualquer dúvida. É uma tristeza andarmos pela rua desesperados, torcendo a cabeça sem conseguir achar o mínimo de informação que diga onde estamos.
Ainda me lembro dos tempos em que em cada esquina havia uma placa toponímica, agora há ruas inteiras onde se não vê nenhuma.
Recomendo aos senhores da Presidente e Vereadores da Câmara que leiam o ensaio de George Steiner sobre a Europa, de que eu já falei aqui, para que aprendam que a questão das placas toponímicas não pode ser nunca uma questão menor.
2006-12-30
A morte de Sadam
A “democracia” iraquiana deu há horas uma grande lição ao mundo.
A única lição que o mundo e o próprio ditador morto já sabiam de cor.
A única lição que faz com que tudo continue na mesma.
A única lição que não precisa ser dada:
Quando se tem o poder, os inimigos, eliminam-se, calam-se, arruinam-se ou, se for preciso, matam-se.
A única lição que o mundo e o próprio ditador morto já sabiam de cor.
A única lição que faz com que tudo continue na mesma.
A única lição que não precisa ser dada:
Quando se tem o poder, os inimigos, eliminam-se, calam-se, arruinam-se ou, se for preciso, matam-se.
2006-12-29
Uma adenda ao poste anterior
Não é que alguém, que ninguém sabe quem é, mandou cortar o acesso ao 112 (número de emergência) em Évora, ninguém sabe porquê e alguém, este identificado, cumpriu a “ordem” e cortou o 112 !
O espectáculo no seu melhor
1. Sadam
- Vai morrer já !
- Não, não, só depois de 26 de Janeiro
- Não sei quando é a execução mas vai ser filmada, mas as imagens vão ficar guardadas.
Nós assistimos impávidos, parece que não há leis nem regras nem procedimentos a cumprir ou se as há, só os iniciados sabem, há-de morrer um dia, certamente em breve e não obstante as imagens secretas hão-de-nos entrar pela casa adentro.
2. Somália
Parece que os tigres eram mesmo de papel !
3. Julgamento popular da mâe de Barcelos
- Assassinaaaaaaaa ! ah não é ? Vê lá se queres comer uma lambada
4. Naufrágio na Nazaré
- Desaparecidos ? Foi aquele submarino que os levou há bocado, concerteza ! Cambada de incompetentes que não são capazes de os ir lá buscar.
E assim vai o mundo. !
- Vai morrer já !
- Não, não, só depois de 26 de Janeiro
- Não sei quando é a execução mas vai ser filmada, mas as imagens vão ficar guardadas.
Nós assistimos impávidos, parece que não há leis nem regras nem procedimentos a cumprir ou se as há, só os iniciados sabem, há-de morrer um dia, certamente em breve e não obstante as imagens secretas hão-de-nos entrar pela casa adentro.
2. Somália
Parece que os tigres eram mesmo de papel !
3. Julgamento popular da mâe de Barcelos
- Assassinaaaaaaaa ! ah não é ? Vê lá se queres comer uma lambada
4. Naufrágio na Nazaré
- Desaparecidos ? Foi aquele submarino que os levou há bocado, concerteza ! Cambada de incompetentes que não são capazes de os ir lá buscar.
E assim vai o mundo. !
2006-12-17
Os Natais
Há 3 Natais que se confundem e interpenetram.
O Natal ancestral que comemora o solestício de Inverno, o começo de um novo ciclo vital. É o mais antigo de todos. O seu símbolo é a árvore de Natal.
Outro é o Natal do nascimento de Jesus, fundador de todas as religiões cristãs e inspirador da humanidade. O da nossa tradição de povo do Sul da Europa. O seu símbolo é o presépio.
Por último, o mais detestável de todos, que alastra como um cancro e contamina tudo, é o Natal do consumo, da coca-cola, do mundo global e castrador. O seu símbolo é o Pai Natal.
Parece que, em boa hora, Hugo Chavez impôs a abolição do Pai Natal nos edifícios e espaços públicos da Venezuela.
Até os “ditadores polémicos” podem ter momentos de grande lucidez.
O Natal ancestral que comemora o solestício de Inverno, o começo de um novo ciclo vital. É o mais antigo de todos. O seu símbolo é a árvore de Natal.
Outro é o Natal do nascimento de Jesus, fundador de todas as religiões cristãs e inspirador da humanidade. O da nossa tradição de povo do Sul da Europa. O seu símbolo é o presépio.
Por último, o mais detestável de todos, que alastra como um cancro e contamina tudo, é o Natal do consumo, da coca-cola, do mundo global e castrador. O seu símbolo é o Pai Natal.
Parece que, em boa hora, Hugo Chavez impôs a abolição do Pai Natal nos edifícios e espaços públicos da Venezuela.
Até os “ditadores polémicos” podem ter momentos de grande lucidez.
2006-12-16
2006-12-15
O respeito pelo outro
Hoje ouvi gabar um interessante projecto dirigido à “educação-divertimento” de crianças, salientando que fazia passar a mensagem do “respeito pelo outro”.
É, sem dúvida, um valor fundamental na formação de um indivíduo, sobretudo quando ele compreende que o outro, geralmente, é ele próprio !
É, sem dúvida, um valor fundamental na formação de um indivíduo, sobretudo quando ele compreende que o outro, geralmente, é ele próprio !
2006-12-13
A TLEBS
Como leigo interessado tenho seguido, tão atentamente como me é possível, a vasta polémica que tem revestido a introdução forçada da terminologia linguística para os ensinos básico e secundário (TLEBS)
A ignorância tem-me mantido calado e indeciso, quem terá razão ?
Parecia-me uma luta vã em torno de interessezinhos, de um lado os conservadores, defendendo a língua pelos seus sucessos, a literatura, de outro os cientistas da língua, da sua estrutura como código de comunicação, os linguistas.
Entre os dois “mon cœur balance”. Os dois aspectos me fascinam, também aí encontro Deus e o macaco.
O recente texto do Professor João Andrade Peres, insigne linguista, arrumou de vez a questão: “as TLEBS são, de facto uma merda !”.
A verdade é que ele sabe do que fala e fala desapaixonadamente.
Deixo aqui um exemplo, marginal, para quem não tiver a pachorra de ler as 30 páginas do texto que “linkei” acima:
A – letra de imprensa minúscula (segundo a definição constante na TLEBS)
a –letra de imprensa maiúscula (segundo a definição constante na TLEBS)
Para precisão “matemática” na definição de conceitos, demonstrada por este vasto grupo de cientistas parece-me que estamos conversados.
A ignorância tem-me mantido calado e indeciso, quem terá razão ?
Parecia-me uma luta vã em torno de interessezinhos, de um lado os conservadores, defendendo a língua pelos seus sucessos, a literatura, de outro os cientistas da língua, da sua estrutura como código de comunicação, os linguistas.
Entre os dois “mon cœur balance”. Os dois aspectos me fascinam, também aí encontro Deus e o macaco.
O recente texto do Professor João Andrade Peres, insigne linguista, arrumou de vez a questão: “as TLEBS são, de facto uma merda !”.
A verdade é que ele sabe do que fala e fala desapaixonadamente.
Deixo aqui um exemplo, marginal, para quem não tiver a pachorra de ler as 30 páginas do texto que “linkei” acima:
A – letra de imprensa minúscula (segundo a definição constante na TLEBS)
a –letra de imprensa maiúscula (segundo a definição constante na TLEBS)
Para precisão “matemática” na definição de conceitos, demonstrada por este vasto grupo de cientistas parece-me que estamos conversados.
2006-12-11
2006-11-17
Para o Manel
Meu querido irmão.
Barbaramente assassinado!
Eras o mais livre de todos nós!
Anywhere I Lay My Head
Tom waits
Não te esquecerei nunca!
Barbaramente assassinado!
Eras o mais livre de todos nós!
Anywhere I Lay My Head
My head is spinning round, my heart is in my shoes, yeah
I went and set the Thames on fire, oh, now I must come back down
She's laughing in her sleeve boys, I can feel it in my bones
Oh, but anywhere I'm gonna lay my head, I'm gonna call my home
Well I see that the world is upside-down
Seems that my pockets were filled up with gold
And now the clouds, well they've covered over
And the wind is blowing cold
Well I don't need anybody, because I learned, I learned to be alone
Well I said anywhere, anywhere, anywhere I lay my head, boys
Well I gonna call my home
Tom waits
Não te esquecerei nunca!
2006-11-11
2006-10-21
Eu sou pela abolição
Da “lei da oferta e da procura” que nos proíbe a vida gratuita.
Da “lei da gravidade” que nos impede de voar.
Da “lei da rolha” que nos não deixa falar
Da “lei do menor esforço” que nos mata em vida.
Já temos leis a mais, basta !
Da “lei da gravidade” que nos impede de voar.
Da “lei da rolha” que nos não deixa falar
Da “lei do menor esforço” que nos mata em vida.
Já temos leis a mais, basta !
2006-10-16
Luta contra a corrupção 3
Como referi no poste anterior sobre este assunto, constato que algumas culturas valorizam a sociedade mais do que o indivíduo enquanto outras, como a nossa, tende para o contrário.
Numa primeira abordagem pareceria lógico e natural, que relativamente à segunda dicotomia que referi como determinante no debate desta questão, segredo vs transparência, se pudesse observar uma associação do seguinte tipo:
Grupos culturais que privilegiam a sociedade tendem a valoriza a transparência (que facilita a equidade social); sociedades que privilegiam o indivíduo tendem a valorizar o segredo (que facilita a defesa dos direitos individuais).
Curiosamente, a minha experiência tem constatado precisamente o contrário.
Primeiro exemplo: durante toda a minha vida de estudante, em Portugal, as minhas notas nas diferentes disciplinas, como as de todos os meus colegas, eram afixadas numa pauta afixada no pátio da escola, todos podíamos ver a classificação de todos e este procedimento transparente sempre me pareceu natural. No Mestrado que fiz, que embora feito em Portugal, respeitava totalmente o modelo de uma Universidade americana, incluindo grande parte dos Professores que eram Americanos dessa Universidade, as notas eram-nos comunicadas individualmente e em carta fechada, ninguém sabia as notas dos outros se esses a não dissessem e ainda assim mantínhamos a insegurança de não saber ao certo se falavam verdade.
Este secretismo era justificado na defesa da concorrência ou da competitividade mas eu não deixava de me questionar: e as injustiças ? e os compadrios ? e os efeitos da “graxa” e outros métodos estudantis de subverter o sistema ? como me defenderei eu disso.
Segundo exemplo: Em Portugal a filosofia subjacente em concursos públicos baseiam-se na transparência: tudo público, tudo claro, todos devem poder saber tudo.
Eu, aqui há anos, tive oportunidade de integrar uma delegação portuguesa que, em Washington, negociou com o Banco Mundial um empréstimo para um projecto e pude aí constatar que os mais difíceis aspectos negociais tinham precisamente a ver com essa nossa atitude para a transparência que era incompatível com o secretismo exigidos pelo Banco Mundial para os mesmos concursos.
O mais estranho é e ambos defendíamos os mesmos princípios em nome do mesmo valor, a equidade.
Para nós: Se eu for preterido num concurso, sem ver a proposta dos outros como é que eu posso saber se não houve um favorecimento ilícito ?
Para o Banco Mundial: Se eu for preterido no concurso, é certamente porque o outro concorrente tinha uma melhor proposta, com que direito vou eu vê-la para depois a copiar sem esforço a quem foi mais hábil do que eu ?
Referindo-se estes exemplos a grupos culturais anglo-saxónicos e não propriamente escandinavos, no entanto um tipo de sociedade aparentemente menos propensa à corrupção do que as nossas sociedades latinas, o caso não deixou de me intrigar.
No fundo, talvez seja o natural mecanismo de compensação de que a natureza é pródiga:
Para nós que procuramos desenrascar-nos da melhor maneira possível, e que sabendo que o outro é como nós, também com os seus esquemas rocambolescos, pensamos que será papel do Estado por tudo em pratos limpos e esclarecer-nos de tudo, reivindicamos a transparência.
Para os outros que vivem um dia a dia de controlo social intenso, de auto sacrifício pelo bem estar global, deverão ansiar por um Estado que lhes garanta a sua privacidade.
Seja isto ou não, o que é certo é que o Estado não é uma entidade etérea e abstracta, quem toma decisões são pessoas como nós, mergulhadas na mesma cultura , daí as dificuldades de lidar com este fenómeno e aí é que está o busílis da questão.
Mas como também sou português e um pouco preguiçoso, deixo por aqui esta questão.
Numa primeira abordagem pareceria lógico e natural, que relativamente à segunda dicotomia que referi como determinante no debate desta questão, segredo vs transparência, se pudesse observar uma associação do seguinte tipo:
Grupos culturais que privilegiam a sociedade tendem a valoriza a transparência (que facilita a equidade social); sociedades que privilegiam o indivíduo tendem a valorizar o segredo (que facilita a defesa dos direitos individuais).
Curiosamente, a minha experiência tem constatado precisamente o contrário.
Primeiro exemplo: durante toda a minha vida de estudante, em Portugal, as minhas notas nas diferentes disciplinas, como as de todos os meus colegas, eram afixadas numa pauta afixada no pátio da escola, todos podíamos ver a classificação de todos e este procedimento transparente sempre me pareceu natural. No Mestrado que fiz, que embora feito em Portugal, respeitava totalmente o modelo de uma Universidade americana, incluindo grande parte dos Professores que eram Americanos dessa Universidade, as notas eram-nos comunicadas individualmente e em carta fechada, ninguém sabia as notas dos outros se esses a não dissessem e ainda assim mantínhamos a insegurança de não saber ao certo se falavam verdade.
Este secretismo era justificado na defesa da concorrência ou da competitividade mas eu não deixava de me questionar: e as injustiças ? e os compadrios ? e os efeitos da “graxa” e outros métodos estudantis de subverter o sistema ? como me defenderei eu disso.
Segundo exemplo: Em Portugal a filosofia subjacente em concursos públicos baseiam-se na transparência: tudo público, tudo claro, todos devem poder saber tudo.
Eu, aqui há anos, tive oportunidade de integrar uma delegação portuguesa que, em Washington, negociou com o Banco Mundial um empréstimo para um projecto e pude aí constatar que os mais difíceis aspectos negociais tinham precisamente a ver com essa nossa atitude para a transparência que era incompatível com o secretismo exigidos pelo Banco Mundial para os mesmos concursos.
O mais estranho é e ambos defendíamos os mesmos princípios em nome do mesmo valor, a equidade.
Para nós: Se eu for preterido num concurso, sem ver a proposta dos outros como é que eu posso saber se não houve um favorecimento ilícito ?
Para o Banco Mundial: Se eu for preterido no concurso, é certamente porque o outro concorrente tinha uma melhor proposta, com que direito vou eu vê-la para depois a copiar sem esforço a quem foi mais hábil do que eu ?
Referindo-se estes exemplos a grupos culturais anglo-saxónicos e não propriamente escandinavos, no entanto um tipo de sociedade aparentemente menos propensa à corrupção do que as nossas sociedades latinas, o caso não deixou de me intrigar.
No fundo, talvez seja o natural mecanismo de compensação de que a natureza é pródiga:
Para nós que procuramos desenrascar-nos da melhor maneira possível, e que sabendo que o outro é como nós, também com os seus esquemas rocambolescos, pensamos que será papel do Estado por tudo em pratos limpos e esclarecer-nos de tudo, reivindicamos a transparência.
Para os outros que vivem um dia a dia de controlo social intenso, de auto sacrifício pelo bem estar global, deverão ansiar por um Estado que lhes garanta a sua privacidade.
Seja isto ou não, o que é certo é que o Estado não é uma entidade etérea e abstracta, quem toma decisões são pessoas como nós, mergulhadas na mesma cultura , daí as dificuldades de lidar com este fenómeno e aí é que está o busílis da questão.
Mas como também sou português e um pouco preguiçoso, deixo por aqui esta questão.
2006-10-15
Mujamad Yunus 2
Um aspecto notável da obra de Yunus era o de encarar os espoliados que ajudava como seus iguais, rejeitava todo o tipo de paternalismo.
Os projectos eram apreciados tecnicamente de modo sério, e para que o empréstimo fosse concedido tinha que ser assinado um contrato.
Isto com mulheres analfabetas, na sua grande maioria, que não sabiam assinar o seu nome.
Mas Yunus não aceitava assinaturas de cruz ou marcas do indicador, tinham que assinar o seu nome, como a generalidade das pessoas de negócios fazem.
Se não sabiam fazê-lo Yunus punha os seus técnicos a ensina-las e elas lá passavam horas de língua presa entre os dentes a treinar a sua assinatura até que a pudessem repetir de um modo uniforme e minimamente ágil.
Quando finalmente o contrato era assinado e aquelas mulheres, habituadas toda a vida a serem completamente anuladas e exploradas, assinavam o seu contrato com as suas próprias mãos, podia-se ver nos seus rostos o enorme orgulho com que o faziam.
Nesse momento começavam a sentir-se finalmente pessoas.
Os projectos eram apreciados tecnicamente de modo sério, e para que o empréstimo fosse concedido tinha que ser assinado um contrato.
Isto com mulheres analfabetas, na sua grande maioria, que não sabiam assinar o seu nome.
Mas Yunus não aceitava assinaturas de cruz ou marcas do indicador, tinham que assinar o seu nome, como a generalidade das pessoas de negócios fazem.
Se não sabiam fazê-lo Yunus punha os seus técnicos a ensina-las e elas lá passavam horas de língua presa entre os dentes a treinar a sua assinatura até que a pudessem repetir de um modo uniforme e minimamente ágil.
Quando finalmente o contrato era assinado e aquelas mulheres, habituadas toda a vida a serem completamente anuladas e exploradas, assinavam o seu contrato com as suas próprias mãos, podia-se ver nos seus rostos o enorme orgulho com que o faziam.
Nesse momento começavam a sentir-se finalmente pessoas.
2006-10-14
Mujamad Yunus
Um prémio Nobel da PAZ mais do que merecido.
Um Doutorado em Economia que não encara esta ciência como o tal monstro caprichoso mas apenas como uma base teórica que permite criar muitos instrumentos úteis para melhorar a vivência das pessoas.
Um homem atento ao seu mundo e ao seu semelhante.
Um “homo sapiens” que encara os problemas, analisa-os racionalmente e formula as soluções possíveis.
O banco Grameen, não foi concebido num gabinete, nem poderia ser, qualquer economista diria que estava condenado ao fracasso, foi feito passo a passo.
”Caminhante, não há caminho, faz-se caminho ao andar, passo a passo, golpe a golpe”
Realizou sonhos, devolveu dignidade, permitiu bem estar a muitíssimos excluídos do mundo.
Foi copiado por todo o lado, a generalidade das vezes muito mal copiado, falta-lhes o sonho de Yunus.
Se isto não é um enorme contributo para paz, não sei o que será!
Um Doutorado em Economia que não encara esta ciência como o tal monstro caprichoso mas apenas como uma base teórica que permite criar muitos instrumentos úteis para melhorar a vivência das pessoas.
Um homem atento ao seu mundo e ao seu semelhante.
Um “homo sapiens” que encara os problemas, analisa-os racionalmente e formula as soluções possíveis.
O banco Grameen, não foi concebido num gabinete, nem poderia ser, qualquer economista diria que estava condenado ao fracasso, foi feito passo a passo.
”Caminhante, não há caminho, faz-se caminho ao andar, passo a passo, golpe a golpe”
Realizou sonhos, devolveu dignidade, permitiu bem estar a muitíssimos excluídos do mundo.
Foi copiado por todo o lado, a generalidade das vezes muito mal copiado, falta-lhes o sonho de Yunus.
Se isto não é um enorme contributo para paz, não sei o que será!
2006-10-12
Notícias do Espectáculo
Depois de ontem lhe termos proporcionado, em rigoroso directo, mais de uma hora de 2 janelas a arder no centro de Manhatan, o espectáculo continua.
Hoje poderá ver ainda em todos os canais nacionais:
A ESPECTACULAR MANIFESTAÇÂO NACIONAL DE OPOSIÇÃO AO GOVERNO
Mais de
50 000-manifestantes-50 000
Veja e ouça, em rigoroso directo, os depoimentos expontâneos de muitos manifestantes.
veja e ouça as palavras de ordem de milhares de cidadãos enraivecidos contra a política do Governo.
Veja e ouça os discursos dos líderes sindicais.
Veja e ouça os comentários do Governo e da oposição.
Saiba quantas camionetas foram necessárias para por em marcha esta grandiosa manifestação.
Veja o que comem e bebem esses manifestantes, as suas motivações mais íntimas.
Veja quais o ministros mais contestados
Hoje poderá ver ainda em todos os canais nacionais:
A ESPECTACULAR MANIFESTAÇÂO NACIONAL DE OPOSIÇÃO AO GOVERNO
Mais de
50 000-manifestantes-50 000
Veja e ouça, em rigoroso directo, os depoimentos expontâneos de muitos manifestantes.
veja e ouça as palavras de ordem de milhares de cidadãos enraivecidos contra a política do Governo.
Veja e ouça os discursos dos líderes sindicais.
Veja e ouça os comentários do Governo e da oposição.
Saiba quantas camionetas foram necessárias para por em marcha esta grandiosa manifestação.
Veja o que comem e bebem esses manifestantes, as suas motivações mais íntimas.
Veja quais o ministros mais contestados
Hoje, em todas as televisões.
Luta contra a corrupção 2
Mas onde é que eu me fui meter ?
Querer resolver aqui grandes angústias com que a humanidade se confronta há milhares de anos, sobre as quais já se escreveram milhares de livros, por espíritos bem mais brilhante do que o meu !
Façamos assim: imagine o leitor que está comigo numa mesa de café.
Já comemos e bebemos bem, sentimo-nos bem, estamos numa daquelas disposições em que podemos resolver as grandes questões da humanidade, onde tudo é legítimo, onde podemos discorrer sobre o âmago da física quântica, construir as mais perfeitas utopias, ter opinião sobre tudo, mesmo o que nos é estranho, inclusive matar Deus, ou recriá-lo.
Eu vou assim mandar as minhas “bocas” com inteira liberdade e a superficialidade que este meio blogosférico implica, o leitor, pelo seu lado poderá comentar á vontade, insultar-me, louvar-me, ser indiferente, enfim, dizer ou não dizer o que bem lhe aprouver.
Iria abordar a primeira dicotomia que falei no primeiro poste sobre este tema:
indivíduo vs sociedade.
As principais utopias concebidas basearam-se na prevalência do interesse comum, da sociedade sobre o indivíduo:
Nesta situação de prevalência do social sobre o individual não existirá um campo fértil para a corrupção e quando esta aparece é mais facilmente arrancada e destruída como erva daninha.
A corrupção é um tipo de crime eminentemente antisocial. Em princípio ela serve os interesses de todos os intervenientes directos, corruptor e corrompido e os danos que provoca são eminentemente sociais, etéreos, não palpáveis, instalam uma percepção social de iniquidade, gera invejas, desmotiva os justos, conduz a um mal estar social, mas a mim propriamente, a cada eu individual, não afecta directamente, não aquece nem arrefece como diz o povo.
Será por isso que nas sociedades culturalmente impregnadas do sentimento da prevalência da sociedade sobre o indivíduo, as sociedades escandinavas por exemplo, os fenómenos de corrupção são mais raros e quando surgem são mais facilmente denunciados e expostos; cada cidadão, os sente como inaceitáveis e sente como um seu dever denunciar e combater.
Nós portugueses e brasileiros e outros povos latinos e os povos africanos, em geral, temos impregnado na nossa cultura a prevalência do indivíduo sobre a sociedade. Culturalmente uma denúncia é um acto feio, desde crianças que não toleramos os “queixinhas” que nos denunciavam aos pais ou professores. Denuncias anónimas (muitas vezes a única forma de denunciar e sobreviver) são consideradas como uma torpeza inaceitável, temos toda uma cultura que faz medrar a corrupção e que impede o seu combate.
Temos, é certo. mais firme do que os Suecos a solidariedade, aos nossos amigos, temos laços muito firmes a um grupo restrito que nos está próximo, mas laços diluídos para com a sociedade no seu todo.
Somos capazes de actos de grande nobreza e caracter em favor de um amigo concreto em dificuldades mas somos menos propensos à solidariedade social e às grandes causas mais abstractas. Contamos facilmente aos nossos amigos, com orgulho da nossa esperteza, como conseguimos roubar o fisco ou enganar a polícia, actos que um escandinavo ocultaria de toda a gente, mesmo dos mais íntimos, com uma vergonha que lhe tiraria o sono.
Leis ou medidas tendentes a combater a corrupção não alcançam a unanimidade, enfrentam frequentemente críticas e críticos.
É evidente que tudo isto, dito assim, é um estereótipo. Em todas as culturas podemos encontrar gente de um ou de outro tipo mas quando se está atento consegue-se sentir este padrão emergir como uma nata, nas mais pequenas coisas:
Na Dinamarca, em Copenhaga, um dos aspectos que me fascinou foi a disciplina e fluidez do transito automóvel, fiquei largos minutos em cruzamentos apenas observando com espanto e admiração aquela ultra-disciplina funcionando como uma máquina afinadíssima: impensável para um automobilista dinamarquês passar com o sinal laranja, mas, por outro lado, o arranque é imediato e simultâneo quando abre o verde, não se admite que ninguém perca tempo inutilmente. Medo da polícia ? certamente que não, medo sim do controlo social dos outros automobilistas.
Como este poste já vai longo, fico, de momento, por aqui.
Em breve continuaremos a nossa conversa de café.
Querer resolver aqui grandes angústias com que a humanidade se confronta há milhares de anos, sobre as quais já se escreveram milhares de livros, por espíritos bem mais brilhante do que o meu !
Façamos assim: imagine o leitor que está comigo numa mesa de café.
Já comemos e bebemos bem, sentimo-nos bem, estamos numa daquelas disposições em que podemos resolver as grandes questões da humanidade, onde tudo é legítimo, onde podemos discorrer sobre o âmago da física quântica, construir as mais perfeitas utopias, ter opinião sobre tudo, mesmo o que nos é estranho, inclusive matar Deus, ou recriá-lo.
Eu vou assim mandar as minhas “bocas” com inteira liberdade e a superficialidade que este meio blogosférico implica, o leitor, pelo seu lado poderá comentar á vontade, insultar-me, louvar-me, ser indiferente, enfim, dizer ou não dizer o que bem lhe aprouver.
Iria abordar a primeira dicotomia que falei no primeiro poste sobre este tema:
indivíduo vs sociedade.
As principais utopias concebidas basearam-se na prevalência do interesse comum, da sociedade sobre o indivíduo:
Nesta situação de prevalência do social sobre o individual não existirá um campo fértil para a corrupção e quando esta aparece é mais facilmente arrancada e destruída como erva daninha.
A corrupção é um tipo de crime eminentemente antisocial. Em princípio ela serve os interesses de todos os intervenientes directos, corruptor e corrompido e os danos que provoca são eminentemente sociais, etéreos, não palpáveis, instalam uma percepção social de iniquidade, gera invejas, desmotiva os justos, conduz a um mal estar social, mas a mim propriamente, a cada eu individual, não afecta directamente, não aquece nem arrefece como diz o povo.
Será por isso que nas sociedades culturalmente impregnadas do sentimento da prevalência da sociedade sobre o indivíduo, as sociedades escandinavas por exemplo, os fenómenos de corrupção são mais raros e quando surgem são mais facilmente denunciados e expostos; cada cidadão, os sente como inaceitáveis e sente como um seu dever denunciar e combater.
Nós portugueses e brasileiros e outros povos latinos e os povos africanos, em geral, temos impregnado na nossa cultura a prevalência do indivíduo sobre a sociedade. Culturalmente uma denúncia é um acto feio, desde crianças que não toleramos os “queixinhas” que nos denunciavam aos pais ou professores. Denuncias anónimas (muitas vezes a única forma de denunciar e sobreviver) são consideradas como uma torpeza inaceitável, temos toda uma cultura que faz medrar a corrupção e que impede o seu combate.
Temos, é certo. mais firme do que os Suecos a solidariedade, aos nossos amigos, temos laços muito firmes a um grupo restrito que nos está próximo, mas laços diluídos para com a sociedade no seu todo.
Somos capazes de actos de grande nobreza e caracter em favor de um amigo concreto em dificuldades mas somos menos propensos à solidariedade social e às grandes causas mais abstractas. Contamos facilmente aos nossos amigos, com orgulho da nossa esperteza, como conseguimos roubar o fisco ou enganar a polícia, actos que um escandinavo ocultaria de toda a gente, mesmo dos mais íntimos, com uma vergonha que lhe tiraria o sono.
Leis ou medidas tendentes a combater a corrupção não alcançam a unanimidade, enfrentam frequentemente críticas e críticos.
É evidente que tudo isto, dito assim, é um estereótipo. Em todas as culturas podemos encontrar gente de um ou de outro tipo mas quando se está atento consegue-se sentir este padrão emergir como uma nata, nas mais pequenas coisas:
Na Dinamarca, em Copenhaga, um dos aspectos que me fascinou foi a disciplina e fluidez do transito automóvel, fiquei largos minutos em cruzamentos apenas observando com espanto e admiração aquela ultra-disciplina funcionando como uma máquina afinadíssima: impensável para um automobilista dinamarquês passar com o sinal laranja, mas, por outro lado, o arranque é imediato e simultâneo quando abre o verde, não se admite que ninguém perca tempo inutilmente. Medo da polícia ? certamente que não, medo sim do controlo social dos outros automobilistas.
Como este poste já vai longo, fico, de momento, por aqui.
Em breve continuaremos a nossa conversa de café.
2006-10-10
Pena de morte
Hoje, 10 de Outubro, é o dia mundial contra a pena de morte.
Hoje, nós portugueses, comemoramos os 160 anos, da última condenação à morte em Portugal.
Demos então uma lição de civilização ao mundo, cantada por muitos espíritos ilustres, ainda que perdida entre as lições de selvajaria e ignomínia que também demos durante a nossa expansão colonial.
Mas fiquemos pela primeira, que é mais bonita, e nos deve orgulhar:
Sendo tão simples, ainda assim, muitíssimos anos depois permanecem muitas nações que continuam a não compreender esta lição até a América, a autoclassificada mãe dos direitos humanos, continua mergulhada nesta barbárie.
Chega de penas de morte.
Haja, um mínimo de decência.
Hoje, nós portugueses, comemoramos os 160 anos, da última condenação à morte em Portugal.
Demos então uma lição de civilização ao mundo, cantada por muitos espíritos ilustres, ainda que perdida entre as lições de selvajaria e ignomínia que também demos durante a nossa expansão colonial.
Mas fiquemos pela primeira, que é mais bonita, e nos deve orgulhar:
Sendo tão simples, ainda assim, muitíssimos anos depois permanecem muitas nações que continuam a não compreender esta lição até a América, a autoclassificada mãe dos direitos humanos, continua mergulhada nesta barbárie.
Chega de penas de morte.
Haja, um mínimo de decência.
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