2006-12-30

A morte de Sadam

A “democracia” iraquiana deu há horas uma grande lição ao mundo.
A única lição que o mundo e o próprio ditador morto já sabiam de cor.
A única lição que faz com que tudo continue na mesma.
A única lição que não precisa ser dada:

Quando se tem o poder, os inimigos, eliminam-se, calam-se, arruinam-se ou, se for preciso, matam-se.

2006-12-29

Uma adenda ao poste anterior

Não é que alguém, que ninguém sabe quem é, mandou cortar o acesso ao 112 (número de emergência) em Évora, ninguém sabe porquê e alguém, este identificado, cumpriu a “ordem” e cortou o 112 !

O espectáculo no seu melhor

1. Sadam
- Vai morrer já !
- Não, não, só depois de 26 de Janeiro
- Não sei quando é a execução mas vai ser filmada, mas as imagens vão ficar guardadas.

Nós assistimos impávidos, parece que não há leis nem regras nem procedimentos a cumprir ou se as há, só os iniciados sabem, há-de morrer um dia, certamente em breve e não obstante as imagens secretas hão-de-nos entrar pela casa adentro.

2. Somália
Parece que os tigres eram mesmo de papel !

3. Julgamento popular da mâe de Barcelos
- Assassinaaaaaaaa ! ah não é ? Vê lá se queres comer uma lambada

4. Naufrágio na Nazaré
- Desaparecidos ? Foi aquele submarino que os levou há bocado, concerteza ! Cambada de incompetentes que não são capazes de os ir lá buscar.

E assim vai o mundo. !

2006-12-17

Os Natais

Há 3 Natais que se confundem e interpenetram.
O Natal ancestral que comemora o solestício de Inverno, o começo de um novo ciclo vital. É o mais antigo de todos. O seu símbolo é a árvore de Natal.
Outro é o Natal do nascimento de Jesus, fundador de todas as religiões cristãs e inspirador da humanidade. O da nossa tradição de povo do Sul da Europa. O seu símbolo é o presépio.
Por último, o mais detestável de todos, que alastra como um cancro e contamina tudo, é o Natal do consumo, da coca-cola, do mundo global e castrador. O seu símbolo é o Pai Natal.
Parece que, em boa hora, Hugo Chavez impôs a abolição do Pai Natal nos edifícios e espaços públicos da Venezuela.
Até os “ditadores polémicos” podem ter momentos de grande lucidez.

2006-12-15

O respeito pelo outro

Hoje ouvi gabar um interessante projecto dirigido à “educação-divertimento” de crianças, salientando que fazia passar a mensagem do “respeito pelo outro”.
É, sem dúvida, um valor fundamental na formação de um indivíduo, sobretudo quando ele compreende que o outro, geralmente, é ele próprio !

2006-12-13

A TLEBS

Como leigo interessado tenho seguido, tão atentamente como me é possível, a vasta polémica que tem revestido a introdução forçada da terminologia linguística para os ensinos básico e secundário (TLEBS)
A ignorância tem-me mantido calado e indeciso, quem terá razão ?
Parecia-me uma luta vã em torno de interessezinhos, de um lado os conservadores, defendendo a língua pelos seus sucessos, a literatura, de outro os cientistas da língua, da sua estrutura como código de comunicação, os linguistas.
Entre os dois “mon cœur balance”. Os dois aspectos me fascinam, também aí encontro Deus e o macaco.
O recente texto do Professor João Andrade Peres, insigne linguista, arrumou de vez a questão: “as TLEBS são, de facto uma merda !”.
A verdade é que ele sabe do que fala e fala desapaixonadamente.
Deixo aqui um exemplo, marginal, para quem não tiver a pachorra de ler as 30 páginas do texto que “linkei” acima:

A – letra de imprensa minúscula (segundo a definição constante na TLEBS)
a –letra de imprensa maiúscula (segundo a definição constante na TLEBS)

Para precisão “matemática” na definição de conceitos, demonstrada por este vasto grupo de cientistas parece-me que estamos conversados.

2006-11-17

Para o Manel

Meu querido irmão.
Barbaramente assassinado!
Eras o mais livre de todos nós!




Anywhere I Lay My Head
My head is spinning round, my heart is in my shoes, yeah
I went and set the Thames on fire, oh, now I must come back down
She's laughing in her sleeve boys, I can feel it in my bones
Oh, but anywhere I'm gonna lay my head, I'm gonna call my home
Well I see that the world is upside-down
Seems that my pockets were filled up with gold
And now the clouds, well they've covered over
And the wind is blowing cold
Well I don't need anybody, because I learned, I learned to be alone
Well I said anywhere, anywhere, anywhere I lay my head, boys
Well I gonna call my home

Tom waits

Não te esquecerei nunca!

2006-11-11

Nojo

O meu silêncio é um luto.
Como todos os lutos será ultrapassado

2006-10-21

Eu sou pela abolição

Da “lei da oferta e da procura” que nos proíbe a vida gratuita.
Da “lei da gravidade” que nos impede de voar.
Da “lei da rolha” que nos não deixa falar
Da “lei do menor esforço” que nos mata em vida.
Já temos leis a mais, basta !

2006-10-16

Luta contra a corrupção 3

Como referi no poste anterior sobre este assunto, constato que algumas culturas valorizam a sociedade mais do que o indivíduo enquanto outras, como a nossa, tende para o contrário.
Numa primeira abordagem pareceria lógico e natural, que relativamente à segunda dicotomia que referi como determinante no debate desta questão, segredo vs transparência, se pudesse observar uma associação do seguinte tipo:
Grupos culturais que privilegiam a sociedade tendem a valoriza a transparência (que facilita a equidade social); sociedades que privilegiam o indivíduo tendem a valorizar o segredo (que facilita a defesa dos direitos individuais).
Curiosamente, a minha experiência tem constatado precisamente o contrário.
Primeiro exemplo:
durante toda a minha vida de estudante, em Portugal, as minhas notas nas diferentes disciplinas, como as de todos os meus colegas, eram afixadas numa pauta afixada no pátio da escola, todos podíamos ver a classificação de todos e este procedimento transparente sempre me pareceu natural. No Mestrado que fiz, que embora feito em Portugal, respeitava totalmente o modelo de uma Universidade americana, incluindo grande parte dos Professores que eram Americanos dessa Universidade, as notas eram-nos comunicadas individualmente e em carta fechada, ninguém sabia as notas dos outros se esses a não dissessem e ainda assim mantínhamos a insegurança de não saber ao certo se falavam verdade.
Este secretismo era justificado na defesa da concorrência ou da competitividade mas eu não deixava de me questionar: e as injustiças ? e os compadrios ? e os efeitos da “graxa” e outros métodos estudantis de subverter o sistema ? como me defenderei eu disso.
Segundo exemplo: Em Portugal a filosofia subjacente em concursos públicos baseiam-se na transparência: tudo público, tudo claro, todos devem poder saber tudo.
Eu, aqui há anos, tive oportunidade de integrar uma delegação portuguesa que, em Washington, negociou com o Banco Mundial um empréstimo para um projecto e pude aí constatar que os mais difíceis aspectos negociais tinham precisamente a ver com essa nossa atitude para a transparência que era incompatível com o secretismo exigidos pelo Banco Mundial para os mesmos concursos.
O mais estranho é e ambos defendíamos os mesmos princípios em nome do mesmo valor, a equidade.
Para nós: Se eu for preterido num concurso, sem ver a proposta dos outros como é que eu posso saber se não houve um favorecimento ilícito ?
Para o Banco Mundial: Se eu for preterido no concurso, é certamente porque o outro concorrente tinha uma melhor proposta, com que direito vou eu vê-la para depois a copiar sem esforço a quem foi mais hábil do que eu ?
Referindo-se estes exemplos a grupos culturais anglo-saxónicos e não propriamente escandinavos, no entanto um tipo de sociedade aparentemente menos propensa à corrupção do que as nossas sociedades latinas, o caso não deixou de me intrigar.
No fundo, talvez seja o natural mecanismo de compensação de que a natureza é pródiga:
Para nós que procuramos desenrascar-nos da melhor maneira possível, e que sabendo que o outro é como nós, também com os seus esquemas rocambolescos, pensamos que será papel do Estado por tudo em pratos limpos e esclarecer-nos de tudo, reivindicamos a transparência.
Para os outros que vivem um dia a dia de controlo social intenso, de auto sacrifício pelo bem estar global, deverão ansiar por um Estado que lhes garanta a sua privacidade.

Seja isto ou não, o que é certo é que o Estado não é uma entidade etérea e abstracta, quem toma decisões são pessoas como nós, mergulhadas na mesma cultura , daí as dificuldades de lidar com este fenómeno e aí é que está o busílis da questão.
Mas como também sou português e um pouco preguiçoso, deixo por aqui esta questão.

2006-10-15

Mujamad Yunus 2

Um aspecto notável da obra de Yunus era o de encarar os espoliados que ajudava como seus iguais, rejeitava todo o tipo de paternalismo.
Os projectos eram apreciados tecnicamente de modo sério, e para que o empréstimo fosse concedido tinha que ser assinado um contrato.
Isto com mulheres analfabetas, na sua grande maioria, que não sabiam assinar o seu nome.
Mas Yunus não aceitava assinaturas de cruz ou marcas do indicador, tinham que assinar o seu nome, como a generalidade das pessoas de negócios fazem.
Se não sabiam fazê-lo Yunus punha os seus técnicos a ensina-las e elas lá passavam horas de língua presa entre os dentes a treinar a sua assinatura até que a pudessem repetir de um modo uniforme e minimamente ágil.
Quando finalmente o contrato era assinado e aquelas mulheres, habituadas toda a vida a serem completamente anuladas e exploradas, assinavam o seu contrato com as suas próprias mãos, podia-se ver nos seus rostos o enorme orgulho com que o faziam.
Nesse momento começavam a sentir-se finalmente pessoas.

2006-10-14

Mujamad Yunus

Um prémio Nobel da PAZ mais do que merecido.
Um Doutorado em Economia que não encara esta ciência como o tal monstro caprichoso mas apenas como uma base teórica que permite criar muitos instrumentos úteis para melhorar a vivência das pessoas.
Um homem atento ao seu mundo e ao seu semelhante.
Um “homo sapiens” que encara os problemas, analisa-os racionalmente e formula as soluções possíveis.
O banco Grameen, não foi concebido num gabinete, nem poderia ser, qualquer economista diria que estava condenado ao fracasso, foi feito passo a passo.
”Caminhante, não há caminho, faz-se caminho ao andar, passo a passo, golpe a golpe”
Realizou sonhos, devolveu dignidade, permitiu bem estar a muitíssimos excluídos do mundo.
Foi copiado por todo o lado, a generalidade das vezes muito mal copiado, falta-lhes o sonho de Yunus.
Se isto não é um enorme contributo para paz, não sei o que será!

2006-10-12

Notícias do Espectáculo

Depois de ontem lhe termos proporcionado, em rigoroso directo, mais de uma hora de 2 janelas a arder no centro de Manhatan, o espectáculo continua.

Hoje poderá ver ainda em todos os canais nacionais:

A ESPECTACULAR MANIFESTAÇÂO NACIONAL DE OPOSIÇÃO AO GOVERNO
Mais de
50 000-manifestantes-50 000
Veja e ouça, em rigoroso directo, os depoimentos expontâneos de muitos manifestantes.
veja e ouça as palavras de ordem de milhares de cidadãos enraivecidos contra a política do Governo.
Veja e ouça os discursos dos líderes sindicais.
Veja e ouça os comentários do Governo e da oposição.
Saiba quantas camionetas foram necessárias para por em marcha esta grandiosa manifestação.
Veja o que comem e bebem esses manifestantes, as suas motivações mais íntimas.
Veja quais o ministros mais contestados
Hoje, em todas as televisões.

Luta contra a corrupção 2

Mas onde é que eu me fui meter ?
Querer resolver aqui grandes angústias com que a humanidade se confronta há milhares de anos, sobre as quais já se escreveram milhares de livros, por espíritos bem mais brilhante do que o meu !
Façamos assim: imagine o leitor que está comigo numa mesa de café.
Já comemos e bebemos bem, sentimo-nos bem, estamos numa daquelas disposições em que podemos resolver as grandes questões da humanidade, onde tudo é legítimo, onde podemos discorrer sobre o âmago da física quântica, construir as mais perfeitas utopias, ter opinião sobre tudo, mesmo o que nos é estranho, inclusive matar Deus, ou recriá-lo.
Eu vou assim mandar as minhas “bocas” com inteira liberdade e a superficialidade que este meio blogosférico implica, o leitor, pelo seu lado poderá comentar á vontade, insultar-me, louvar-me, ser indiferente, enfim, dizer ou não dizer o que bem lhe aprouver.
Iria abordar a primeira dicotomia que falei no primeiro poste sobre este tema:
indivíduo vs sociedade.
As principais utopias concebidas basearam-se na prevalência do interesse comum, da sociedade sobre o indivíduo:
Nesta situação de prevalência do social sobre o individual não existirá um campo fértil para a corrupção e quando esta aparece é mais facilmente arrancada e destruída como erva daninha.
A corrupção é um tipo de crime eminentemente antisocial. Em princípio ela serve os interesses de todos os intervenientes directos, corruptor e corrompido e os danos que provoca são eminentemente sociais, etéreos, não palpáveis, instalam uma percepção social de iniquidade, gera invejas, desmotiva os justos, conduz a um mal estar social, mas a mim propriamente, a cada eu individual, não afecta directamente, não aquece nem arrefece como diz o povo.
Será por isso que nas sociedades culturalmente impregnadas do sentimento da prevalência da sociedade sobre o indivíduo, as sociedades escandinavas por exemplo, os fenómenos de corrupção são mais raros e quando surgem são mais facilmente denunciados e expostos; cada cidadão, os sente como inaceitáveis e sente como um seu dever denunciar e combater.
Nós portugueses e brasileiros e outros povos latinos e os povos africanos, em geral, temos impregnado na nossa cultura a prevalência do indivíduo sobre a sociedade. Culturalmente uma denúncia é um acto feio, desde crianças que não toleramos os “queixinhas” que nos denunciavam aos pais ou professores. Denuncias anónimas (muitas vezes a única forma de denunciar e sobreviver) são consideradas como uma torpeza inaceitável, temos toda uma cultura que faz medrar a corrupção e que impede o seu combate.
Temos, é certo. mais firme do que os Suecos a solidariedade, aos nossos amigos, temos laços muito firmes a um grupo restrito que nos está próximo, mas laços diluídos para com a sociedade no seu todo.
Somos capazes de actos de grande nobreza e caracter em favor de um amigo concreto em dificuldades mas somos menos propensos à solidariedade social e às grandes causas mais abstractas. Contamos facilmente aos nossos amigos, com orgulho da nossa esperteza, como conseguimos roubar o fisco ou enganar a polícia, actos que um escandinavo ocultaria de toda a gente, mesmo dos mais íntimos, com uma vergonha que lhe tiraria o sono.
Leis ou medidas tendentes a combater a corrupção não alcançam a unanimidade, enfrentam frequentemente críticas e críticos.
É evidente que tudo isto, dito assim, é um estereótipo. Em todas as culturas podemos encontrar gente de um ou de outro tipo mas quando se está atento consegue-se sentir este padrão emergir como uma nata, nas mais pequenas coisas:
Na Dinamarca, em Copenhaga, um dos aspectos que me fascinou foi a disciplina e fluidez do transito automóvel, fiquei largos minutos em cruzamentos apenas observando com espanto e admiração aquela ultra-disciplina funcionando como uma máquina afinadíssima: impensável para um automobilista dinamarquês passar com o sinal laranja, mas, por outro lado, o arranque é imediato e simultâneo quando abre o verde, não se admite que ninguém perca tempo inutilmente. Medo da polícia ? certamente que não, medo sim do controlo social dos outros automobilistas.
Como este poste já vai longo, fico, de momento, por aqui.
Em breve continuaremos a nossa conversa de café.

2006-10-10

Pena de morte

Hoje, 10 de Outubro, é o dia mundial contra a pena de morte.
Hoje, nós portugueses, comemoramos os 160 anos, da última condenação à morte em Portugal.
Demos então uma lição de civilização ao mundo, cantada por muitos espíritos ilustres, ainda que perdida entre as lições de selvajaria e ignomínia que também demos durante a nossa expansão colonial.
Mas fiquemos pela primeira, que é mais bonita, e nos deve orgulhar:
Sendo tão simples, ainda assim, muitíssimos anos depois permanecem muitas nações que continuam a não compreender esta lição até a América, a autoclassificada mãe dos direitos humanos, continua mergulhada nesta barbárie.
Chega de penas de morte.
Haja, um mínimo de decência.

2006-10-09

A luta contra a corrupção 1

Há um dilema implícito neste combate e que não é nada fácil de resolver.
Prende-se com estas duas dicotomias:
- indivíduo vs sociedade
- segredo vs transparência

Há valores em todos estes termos de cada uma destas dicotomias.

Poderei sempre dizer sem medo de grande oposição e até obtendo alguns aplausos:
1. Os direitos da pessoa humana devem ser sempre respeitados.
2. Em nome do bem estar social cessam os interesses privados de qualquer um.
3. Todos devem ter direito à sua esfera privada de comportamento.
4. Na administração e nas empresas é fundamental haver transparência.

No entanto é tudo contraditório entre si, não é possível ter tudo isto simultaneamente.

Todos estes valores nos quais podemos basear o combate à corrupção são todos conflitantes.

Para já, deixo apenas esta nota à laia de introdução ao tema.

Voltarei a este assunto com alguns exemplos que vivi.

2006-10-07

O drama da oposição

Como é que se combate um Governo que está a levar o país precisamente para o ponto e pelo caminho que ela acha que o País tem de ir.
E, ainda por cima, com mais competência.

2006-10-01

Miss Mundo

Ou seria Miss Universo ?
Já não sei bem, deu agora nas notícias da tarde... grande concurso de beleza feminina, desta vez em Varsóvia.
Ganhou uma moça da república Checa.
Infelizmente, como todas as outras concorrentes, era bem bonita mas de plástico !
Por trás dela pareceu-me ver, pendendo, 3 cordéis que se puxam:
Um para fazer rir, outro para fazer chorar e outro para falar dizendo, aleatoriamente, 33 variantes de cada uma destas frases, entremeada com a expressão “estou muito feliz” :
“Que a paz encha os corações e que todos os Homens se abracem”
“Que todas as crianças pobres tenham direito a brincar”
“Que esses senhores, que mandam no mundo não aumentem o buraco do ozono"

2006-09-29

As teorias da conspiração

Pacheco Pereira no “Prós e Contras” onde se debateu com Mário Soares, ridicularizou as chamadas “teorias da conspiração” que, para mostrar a sua independência, considerou serem uma invenção americana que recairia agora sobre os seus criadores.
Vindo esta observação de um reconhecido historiador, fiquei atónito com a falta de perspectiva e de rigor histórico demonstrado.
Desde os tempos mais remotos, muito antes dos EUA nascerem, que poderemos encontrar centenas de exemplos de manipulação e contra manipulação da opinião pública para a defesa de determinados interesses como, por exemplo no caso que vou recordar e que todos, certamente, conhecem bem.
Em 64 DC a cidade de Roma ardeu violentamente durante uma série de dias.
Oficialmente Bush, perdão, Nero atribuiu o acto a fundamentalistas islâmicos, perdão, a fundamentalistas cristãos e desencadeou uma terrível perseguição aos ditos Cristãos com manifesta crueldade e requintes de malvadez.
Logo depois, do incêndio, alguns observadores independentes começaram a formular a sua “teoria da conspiração”, observaram que vários lacaios de Nero tinham andado pela cidade com tochas acesas, certamente ateando o incêndio que se deveria assim a ordens directas do próprio Nero e que mesmo este teria, de certo modo, confirmado a autoria por frases proferidas enquanto contemplava o espectáculo na torre de Mecenas.
Como entretanto os tais Cristãos chegaram ao poder, esta teoria da conspiração ganhou força e foi já assim, esta versão, que me ensinaram na escola. A culpa foi mesmo do cabrão do Nero e não dos pacíficos Cristãos, coitadinhos. Esta passou a ser a versão oficial.
Entretanto a realidade ninguém a sabe ainda.
Alguns historiadores modernos começam hoje a concluir que terão sido mesmo os Cristãos a atear o fogo, outros atribuem-no a interesses imobiliários (já naquela época!) e outros ainda dizem que não foi Nero nem Cristãos mas antes uma mero facto acidental.
Vamos lá a saber a verdade ! mas uma coisa é certa o assunto ainda é estudado com seriedade, como deve ser
Quanto ao World Trade Center e ao Pentágono conhecemos a história oficial e as perseguições que se seguiram, ouvem-se também já vozes e factos que apontam para a conspiração.
Para já eu ainda simpatizo mais com a versão agora oficial:
A vergonhosa fuga e o desaparecimento de Bush logo após o evento, parece-me mais compatível com a versão oficial, o homem parecia estar mesmo genuinamente à rasca e não foi para nenhuma a torre de Mecenas contemplar o espectáculo nem o vejo com capacidade maquiavélica para tão brilhante encenação.
Infelizmente receio que, também aqui, a verdade verdadeira nunca chegaremos a saber ao certo.

2006-09-25

Carta aberta ao Sr. Ministro da Saúde

Excelência

Tenho notado que o alto critério de V. Exa tem seguido, passo a passo, a política por mim, modestamente, recomendada no meu poste de 11 de Maio passado, intitulado “Medidas Urgente para Resolver os Grandes Problemas do País!
Fico lisonjeado por contar com V. Exa entre os meus poucos mas fiéis leitores e por verificar que as minhas recomendações são tidas em tão alta conta ao ponto de serem consideradas na elaboração da estratégia do Ministério que V. Exa tão dignamente dirige.
Vendo todavia os resultados a que essa estratégia está a conduzir o país sinto que é meu dever de cidadão clarificar V. Exa que nesse específico poste utilizei, talvez impensadamente, a figura de estilo denominada “ironia” que consiste em veicular um significado contrário daquele que deriva da interpretação literal do enunciado.
De facto não era minha intenção recomendar ou mesmo fazer a apologia do fecho progressivo de todos os hospitais públicos do país; antes pelo contrário.
Resta-me penitenciar agora por não ter sido suficientemente explicito e claro e ter assim, involuntariamente, conduzido V. Exa numa política que de facto considero erronia.
Consola-me apenas o facto de não estar só neste tipo lamentável de equívocos, estando até muito bem acompanhado por Sua Santidade o Papa Bento XVI.
As minhas desculpas formais a V. Exa. e uma palavra de incentivo e esperança:
Sr. Ministro, creio que ainda há tempo para se corrigir um erro !

De V. Exa atenciosamente

Nuno Jordão

2006-09-20

Necrofilia

Não sei o que me move, mas com uma disciplina espartana, diariamente ou quase diariamente, continuo a picar, a escarafunchar, nos meus “favoritos” uma série de blogues mortos, que algum dia me deram prazer e que agora permanecem mortos, inertes, há longo tempo, trazendo-me sempre a mesma monótona imagem gráfica, imóvel no tempo, que já está copiada no meu cérebro e que afasto logo com um novo “clique rápido”, para afastar o mau cheiro,
No fundo, bem lá no fundo, tenho sempre comigo uma secreta esperança no milagre.
Quem sabe? Pode ser que renasçam ainda um dia,. Quem dominará o espírito destes fantasmas criadores ?
Será que o blogueador viajou ? entrou numa crise existencial ? simplesmente está sem pachorra ? ou talvez esteja ansioso mas sem tempo ou ainda nos confins do mundo sem acesso à net. Quem sabe o que se passa? quem conhecerá estes meandros misteriosos?
E isto é válido mesmo para os de morte anunciada.
Blogue que se suicida é sempre um caso patológico para mim, tenho sempre esperança que com o tempo talvez passe essa doença.
E depois há todos aqueles casos de personalidade dividida, que morrem e renascem, sempre com outros nomes e com outra identidade.
É com imenso trabalho e imensas penas que os encontramos de novo. São uns brincalhões !
Mas talvez, se calhar, pura e simplesmente, a verdade seja só e apenas que já não quer mais, chateou-se descobriu que há mais mundo para além da blogosfera!.
Infelizmente a experiência tem me mostrado que isto são só devaneios meus.
A realidade é a de esperar em vão, até me cansar. Parece que alguns morrem mesmo de doença súbita.
Mas hoje, nessa minha peregrinação habitual, a minha persistência foi recompensada: não é que “Um americano em Lisboa” o excelente blogue do Professor Amaral Dias, saiu de um coma de cerca de 9 meses.
Sem alardes, sem dar nas vistas, como quem diz “fui ali comprar cigarros e atrasei-me um pouco, mas já cá estou de volta” e, como sempre, com um poste de grande lucidez sobre a bronca papal.
Espero que não seja apenas um sinal das chamadas “melhoras da morte”.Seja bem retornado ao mundo blogosférico, senhor Professor e venha para ficar.

2006-09-18

O Abrupto irritou-me

Pacheco Pereira é uma pessoa que costumo considerar, ainda que discorde dele com alguma frequência. Vejo-o normalmente como pessoa culta, racional e objectiva, com quem dá gosto dialogar mesmo discordando.
O meu filho que também é uma pessoa lúcida e reflectida disse-me um dia:
“O Pacheco Pereira é comunista !” ao que eu lhe retorqui, “não, filho, foi comunista, agora é do PSD” mas ele insistiu “pode ser do PSD, mas é comunista!”
Como eu conheço o meu filho e sei que não é adepto de cabalas, percebi que não queria dizer que era um comunista infiltrado, nada disso, a sua afirmação colocava-se noutro nível, naquele mesmo plano em que encontramos por exemplo ex-padres ainda que agora anti-clericais ou ex-militares, agora profundamente civis, ou gente humilde que subiu na vida, ou gente rica que desceu na vida mas que continuam, todos eles, trazendo colado à pele como uma marca indelével um sistema de crenças, valores e atitudes construídos durante todo um percurso e que facilmente traem o seu passado.
O “poste do Abrupto – Problema de saúde pública” traz ao de cima o Pacheco Pereira de um “Comité Central” qualquer: o dogmatismo, o paternalismo, aquele sentido da “superioridade moral dos comunistas” a perda da objectividade, a cegueira a uma parte da realidade que não lhe interessa e não se encaixa no seu mundo.
Eu vi ontem na RTP 2 o filme “da conspiração”, dou o benefício da dúvida a Pacheco Pereira de não ser o mesmo filme a que ele se refere, mas no que eu vi estavam todas as respostas, que o Pacheco Pereira diz não existirem, estavam lá, preto no branco, e não era negado nada do que foi constactado à evidência, poderão ser tudo falsificações ou especulações, eventualmente, nada do que se vê nos media pode ser assumido imediatamente como a verdade, é tudo susceptível de ser contra-argumentado, criticado e discutido civilizadamente mas que não pode é ser negado que é só o que Pacheco Pereira faz.
Ao lê-lo gostaria de ter colocado no Abrupto este meu comentário mas Pacheco Pereira, como muitos bloggers, não aceita comentários, estão todos no seu legítimo direito, mas que indicia uma atitude censória um pouco incompatível com um espírito verdadeiramente aberto, lá isso evidencia.
Podia, é certo, mandar-lhe um e-mail, mas Pacheco Pereira não me responderia, como já aconteceu antes, é que eu e a minha opinião, não temos qualquer importância para ele. o que também é legítimo.
Resta-me fazê-lo aqui na minha tribunazinha, esse direito, pelo menos, penso que não me pode tirar.
Nuno Jordão

O nosso mundo

O nosso mundo não é real: vivemos num mundo como eu o compreendo e o explico. Não temos outro.

Raul Brandão in “Húmus”

O que me cativou nesta observação é que ela é válida para qualquer eu