2006-05-28

Uma reportagem exemplar

Na RTP 2, hoje sobre Timor em convulsão.
Entrevistaram-se pessoas avulsas no meio de uma multidão que rodeava uma casa.
- Queremos arroz, um pouco de arroz para minha família que dizem que vão distribuir.
Dentro da tal casa estava Ramos Horta que explicava:
- Temos arroz mas se abrimos a porta, entra a população de qualquer maneira e perdemos o controlo da situação.
Este é o grande problema: tão simples mas tão complicado que exigiu a presença do Ministro dos Negócios Estrangeiros timorense.
Não estou a falar ironicamente, sinto que está mesmo aqui a essência do problema.

2006-05-26

Elogio à globalização

Eu, que estou desagradado , com o rumo que o mundo vai tomando, e como a globalização vai eliminando o indivíduo, não quero deixar de manifestar a minha admiração pela forma como a sociedade global está a lutar contra o vírus da gripe das aves.
Eu, vivi na minha juventude a pandemia da gripe asiática, estive de cama com quase todos os meus irmãos e amigos e conheço testemunhos, da espanhola, e da pneumónica que afectou profundamente toda uma geração.
Sei que a estratégia dos vírus tem sido sempre a mesma: começa nas aves, e apenas passa das aves para homens até encontrar um determinado homem engripado que cria as ideais condições para uma mutação ou fusão entre os dois vírus, o das aves que contribui com a virulência e o vírus comum que fornece a capacidade de propagação.
Em termos simplistas o mecanismos é este, o que é diferente hoje é a globalização da espécie humana, e a máquina que montou de alerta, a monitorização das aves, o acompanhamento de todas as ocorrências sejam em Carrazedo de Monte Negro, sejam em Shin Huai na Ásia, em Bacu em Àfrica ou em Nova Iorque nos EUA, tentando protelar esse encontro fatal entre os dois vírus ou pelo menos estar próximo quando ele ocorrer.
Isto é uma situação única na história da humanidade, o vírus não contava com isto, é equivalente ao sonho da guerra das estrelas de Bush pai.
Até agora está a funcionar em plenos, os anos vão passando e a pandemia não aparece.
Eu vou acompanhando com um caso de estudo, ainda que me possa eventualmente matar, para ver até quando e, se vier, como será ?

2006-05-23

Notícia de rodapé do noticiário da SIC

Era qualquer coisa como isto:
“Governo diz que em dez anos acabará com o problema das espécies em vias de extinção”.
Desconheço o contexto desta notícia, pelas razões que expus no poste anterior, mas não estranhei:
Eu já desconfiava que o Governo de Sócrates estava pouco preocupado com as questões comezinhas que afligem os portugueses, ele vê muito mais longe, tem maiores ambições, quer pôr ordem na própria natureza e acabar com essa filosofia natural de fazer tudo com princípio meio e fim: apostar tanto na diversidade, provocar tanta mudança para que na essência tudo fique, mais ou menos, na mesma.
Para já, propõe-se terminar, em dez anos, com esse erro divino que permite a extinção das espécies. Basta !
Estivesse cá o Governo de Sócrates, há alguns (muitos) anos e ainda teríamos o prazer de ver os dinossauros, passeando felizes e contentes nas nossas auto-estradas.
Extinção de espécies nunca mais. Podem sossegar os linces da Malcata, se aguentarem mais dez anos, e os burros de Miranda.
Parece-me que o próximo passo na lógica governativa e que terá todo o meu apoio, será passar para a óptica intraespecífica, a questão dos próprios indivíduos, acabar com todo o tipo de extinção e ponto final parágrafo.
Sócrates vai-nos presentear com o elixir da longa vida.
O problema que o está a tolher parece ser apenas o de assegurar a viabilidade do sistema de segurança social, dado que pelas contas do governo se a esperança de vida cresce as pensões de reforma têm de diminuir e tenderão naturalmente para zero quando a esperança de vida tender para infinito !

2006-05-22

O Tribunal de Tomar

Hoje, pela segunda vês, estive no Tribunal de Tomar e, pela segunda vez, esperando até que me dissessem que fosse à minha vida e voltasse depois, no dia e na hora x.
Este meu encontro com o sistema judicial merecia um poste circunstanciado mas a réstia de respeito que vou nutrindo pela justiça faz-me calar.
Só não resisto a contar que fui confrontado com uma matilha de cães subindo e descendo a escadaria do Tribunal (não em sentido metafórico, eram cães mesmo) e por uma encarniçada luta de pombos pela posse de um beiral, provando que até os “símbolos da paz” podem perder a paciência algumas vezes.
De regresso, parei para almoçar na área de serviço da Santarém da A1 e, estando só, comi sentado em frente de um grande ecrã de TV que transmitia o noticiário da SIC mas sem som, apenas murmúrios.
Fui então vendo as imagens e lendo as notas que circulam em rodapé e nada têm a ver com as imagens, numa experiência estética notável, num real mundo su-real.
Retive duas dessas notas de rodapé, e das duas falarei nos próximos postes.
A primeira dizia assim: “Governo anuncia que em dez anos acabará com o problema das espécies em extinção !”.

2006-05-20

Entre-os-rios

Penso que quase todos sabem do que estou a falar.
Uma camioneta cheia de gente feliz, regressando de uma jornada organizada para ver amendoeiras em flor, jornada feliz de convívio, boa comida, descontracção, daqueles poucos momentos em que se podem esquecer os problemas da vida, passa na ponte Hintze Ribeiro em Entre-o-rios e a ponte cai, com ela, a camioneta e os passageiros que morrem inglória e desesperadamente afogados no Douro. Uma tragédia !.
Um Ministro, sensato, que provavelmente nem sabia bem de que ponte se tratava, adivinhando bem o que daí viria, pede imediatamente a sua demissão, assumindo a responsabilidade política e livrando-se imediatamente do problema.
Os média, e o pensamento único, encarniçam-se para punir os culpados:
“A culpa não pode morrer solteira !” era o que mais se ouvia e ainda se ouve.
Curiosamente, há centenas de anos, quando a civilização era mais simples e facilmente se podiam imputar responsabilidades, a opinião pública era sensível a influências estranhas, podia haver culpa dos deuses, do tempo, dos pecados do mundo, enfim haver a culpa de qualquer transcendência. mas agora, neste mundo global em que todos estamos alienados, sen nenhuma consciência do nosso papel no exército da produção, tempo em que todos nos limitamos a apertar um parafuso desta grande máquina e nem sabemos muito bem que parafuso é, tempo em que, por natureza, todas as responsabilidades estão diluídas, não toleramos nunca culpar as forças do sistema, tem que haver sempre um responsável humano: “a culpa não pode morrer solteira !”.
Eu estou a ver os técnicos que suspeitavam de que algo estava mal mas não os deixaram visitar o local, porque havia outras prioridades ou faltava verba para ajudas de custo e outros que o visitaram, e viram o que se passava e escreveram o que viram mas a quem ninguém ligou nenhuma, eram uns chatos com a mania do perfeccionismo, e outros ainda que também viram tudo, mas se limitaram a falar do assunto ao café porque sabiam já que a sua voz nunca seria ouvida.
E os vários chefes, na cadeia hierárquica, tentando conter o ímpeto despesista e alarmista dos técnicos, já que pilares corrompidos é o que para aí não faltará, a questão é apenas a de saber se a ponte vai cair e isso ninguém sabia ao certo, “com sorte ainda vai durar muitos anos” e duraria não fossem as maiores cheias do Douro dos últimos 300 anos que por azar vieram naquele preciso ano.
E é isto que os senhores juizes têm constatado ao aprofundar o assunto, embora o pensamento único, não aceite: “a culpa não pode morrer solteira”, e certamente alguém irá pagar, provavelmente o elo mais fraco do sistema, como sempre.
Pois eu, olhando para o mundo em que vivemos também estou a ver muitos pilares corrompidos e procuro ir alertando como posso.
Só espero não vira a pagar por isso quando o mundo ruir.
Aqui declaro que eu já avisei, a culpa não poderá ser-me imputada. Espero !

2006-05-15

O que eu não compreendo no vegetarianismo

O seu desprezo pelo reino vegetal que pode ser arrancado, morto, mutilado, tratado com água e óleos ferventes, mastigado e deglutido.
Será que é porque os infelizes não fogem, não gritam, e nem se queixam ?

2006-05-11

A árvore e a floresta

Muitas vezes utilizei esta metáfora:
- Não consegues ver a floresta por causa da árvore !
Hoje, cada vez mais, vou tendo que utilizar uma outra:
- Não consegues ver a árvore por causa da floresta !

Medida urgente para resolver os grandes problemas do país

Isto não é só as maternidades, tem que se encerrar todos os hospitais públicos, já.
Já viram as vantagens ?
O dinheiro que se poupava era imenso, em salários e manutenção.
Os edifícios podiam ser vendidos e proporcionar um magnífico encaixe para ajudar ainda mais a eliminar o défice.
A mortalidade, tenhamos esperança, deveria aumentar um pouco sem ter aquele aspecto antipático de matar os velhos diretamente (tem que haver um pouco de étical!) e assim se poupava um dinheirão em reformas, salvando-se a segurança social.
E o Governo de Sócrates rebolava-se de orgulho nesta sua caminhada para salvar o país.

2006-05-07

Os 150 anos de Freud

Não obstante se comemorar hoje os 120 anos da Coca-Cola, continuo a pensar que os recentes 150 anos de Freud ainda têm um maior significado.
Basta tentar perceber este aparentemente irracional ódio às maternidades, manifestado pelo Governo e em especial pelo Sr. Ministro da Saúde para termos que recorrer ao grande mestre austríaco.
De facto, penso que só Freud pode explicar esse comportamento absurdo.

2006-05-04

Sabedoria popular

Eu sou devedor à terra
A terra me está devendo
A terra paga-me em vida
Eu pago à terra em morrendo


Quadra tradicional, notável, do Cante Alentejano.
Revela todo o seu significado quando cantada pelo Grupo da Casa do Povo de Serpa

2006-05-01

A grande aldrabice da segurança social

Quando eu era pequenino, explicavam-me este sistema assim:
- Tu descontas todos os meses uma parte do que ganhas, essa poupança forçada vai ser aplicada pela mão de mestres financeiros e vai multiplicar-se de tal modo que quando fores velhinho vais ter lá á espera todo esse valor acumulado para assegurar a tua velhice
Quando eu era mais velhinho e pretendi reforçar essa poupança através da banca privada, até me fizeram uma simulação que me demonstrava por A+B que eu ficaria bem confortável, perto do limiar da riqueza, com o crescimento alucinante do meu reforço de poupança. Entretanto esse esquema já falhou e limitaram-se a devolver-me o que tinha lá posto, acrescido de alguns juros, bem poucos para o que diziam, não fiquei nada rico.
Agora, esqueceram-se já de toda esta conversa e surge a verdade nua e crua: afinal a minha poupança forçada está só a assegurar os reformados de agora, alguns até que nem descontaram nada e ainda estão activos mas vão já recebendo por causa das coisas.
Quando pergunto pela minha reserva, dizem-me que a pirâmide etária se modificou e mais não sei quê, que há menos activos a pagar e, enfim tenho que esperar mais e receber menos !
Quer dizer, afinal o sistema não era mais do que o famigerado “golpe dos postais”, o sistema da D. Branca: Os novos “patos” é que vão sustentando os sistema até ao previsível colapso.
A D. Branca foi presa, fico a aguardar quem vai ser preso quando gorarem de vez as minhas expectativas.

2006-04-28

Eu sou um senhor responsável

O Irão é que não.
Eu tive uma licença de porte de arma de defesa, porque sou responsável.
O Irão é que não.
Eu sou português, portanto pertenço a um país responsável com 900 anos..
O Irão é que não. Parece que já foi um império mas já ninguém se lembra, nem quer saber.
Portugal começa timidamente o caminho para utilizar a energia nuclear, está muito bem, Portugal é um país responsável.
O Irão, não pode, não é responsável, o que ele quer é a bomba, toda a gente sabe.
A bomba é só para países responsáveis.
O Irão não é um país responsável.
A bomba é só para a Europa, Israel, a Índia, enfim, os responsáveis que não a vão utilizar à doida. Era só o que faltava!.
Os EUA, que são os mais responsáveis de todos também podem ter a bomba, porque a não vão utilizar nos países responsáveis, só o fizeram no Japão quando ele não era responsável, agora já não vão deitar bombas no Japão, nem pensar!, agora e só se for preciso, só se deitam bombas no Irão !
E é bem feita, para ver se fica mais responsável.

2006-04-27

Reflexões privadas sobre Chernobil

Foi há 20 anos, a notícia chegou-me como as de todas as grandes catástrofes, tocou-me a razão e um pouco também o coração mas à distância, vivido na segurança de quem está longe, ainda que alguns profetas da desgraça não se cansassem de nos dizer que nem sequer aqui estávamos seguros.
Foi só há 2 anos na Polónia que senti Chernobil. Aí estava ainda na memória de todos: medos reais, restrições reais, 18 anos depois ainda estava bem presente o seu fantasma.
Mas foi aí também que senti outra catástrofe, a segunda guerra mundial, por todo o lado ainda, em muitos edifícios, em muitos rostos, sempre tão presente fazendo-me ganhar a consciência da fragilidade da Europa e, por outro lado, a da nossa singularidade.
Não sei se é Nossa Senhora de Fátima que nos protege, como se disse quando mudou o vento que fez devolver à Galiza o derrame do “Prestige” que os espanhóis tanto quiseram empurrar para nós, mas que temos sido um “ditoso reino” já não tenho qualquer dúvida.

2006-04-25

O terrorismo

De novo um atentado terrorista no Egipto.
A notícia dramática é dada em segundo plano, relativamente às comemorações do 25 de Abril, e ao aniversário de Chernobil, não admira, parece que, desta vez, só morreram egípcios!
Olhando retrospectivamente para este novo tipo de terrorismo, recordo-me da passagem de Mateus, referindo-se aos falsos profetas “pelos seus frutos, pois os conhecereis” (Mateus 7, 20).
Os frutos desta árvore são manifestamente maus, não tenho dúvidas, só me resta uma questão de fundo:
Que interesses estão a servir ?

2006-04-21

Os que estão a preparar o nosso futuro

Exigem e advogam a transparência mas fogem da luz do dia como o Diabo da cruz.
Têm uma fé inabalável no sector privado quando a luz incide de um lado mas não conseguem ver senão horrores quando o seu angulo muda um pouco.
Não encontram solução para nada que não passe pelo reforço da sua própria presença.
Pensam que os seu pensamento é puro como o de Sir Galaad e que por isso tem a força de mil, mas os seus pés são de palha e abanam com o vento.
Defendem as análises profundas mas não conseguem ver mais do que as superfícies
Idolatram a abordagem científica mas praticam o pensamento mágico.
Exigem a maturidade mas comportam-se como crianças imberbes.

Começa a ser difícil suportar tanta incompetência.

2006-04-18

O que eu queria perguntar á Sra. Ministra da Cultura

Hoje, tive oportunidade de ver, penso que na SIC, algumas crianças a fazer perguntas à Sra. Ministra da Cultura.
Aquelas que televisão mostrou fizeram-lhe uma pergunta muito simples e pertinente:
- O que é que faz uma Ministra da Cultura.?
A Senhora foi lesta a responder que era muito trabalho, muitas horas por dia, definindo o que se devia e não devia fazer para bem da cultura, em resumo, muita dedicação em prol da cultura.
As crianças ficaram satisfeitas com a resposta mas eu, que já sou crescido, apeteceu-me perguntar-lhe logo a seguir:
- Então porque é que a Sra. Ministra não faz isso que diz ?

2006-04-15

A segmentação

Cada um de nós é diferente, único, é “cada doido com a sua mania”, como diz o povo.
Esta é a grande questão que se coloca à produção à escala global: maximizar o uso do meu produto.
Há duas vias para este caminho:
1 - homogeneizar a sociedade procurando anular todas as diferenças individuais, tornando-as socialmente indesejáveis ou reprováveis: “esquisitices”, “caretices” “maluquices” ou qualquer outro adjectivo antipático,
2- Procurar lidar com essa realidade e, é aqui que surge essa questão básica no domínio do “marketing” moderno: a segmentação:
Já que não posso chegar a cada um individualmente, vou, pelo menos, chegar a grupos mas ou menos homogéneos que apreciem o meu produto.
Numa sociedade de biliões, o mais pequeno segmento. ou nicho de mercado, pode ser suficientemente grande para sustentar o meu produto.
Se bem que as duas vias estejam permanentemente presentes no mundo e nas estratégias empresariais, refiro-me agora apenas à segunda, por ser mais humana e honesta.
Os segmentos definem-se de acordo com os produtos, podem ser físicos, etários, baseados no género, geofráficos e outras características objectivas, mas também podem e devem ser fundamentada em aspectos psicográficos e em “estilos de vida”, recobrindo todos os aspectos que caiem mais naquilo a que chamamos “interesses” específicos.
Como se trata de vender ou não vender milhões, estou bem seguro de que as grandes multinacionais conhecem os seus segmentos ou, pelo menos a sua superfície, bem melhor do que qualquer universidade de sociologia ou psicologia.
Por isto me entristeço com alguma publicidade como aquela de que aqui já dei conta, em que uma jovem rapariga preteria um candidato esforçado que lhe oferecia uma flor verdadeira colhida com esforço, em favor de um “chico esperto” que lhe enviava uma fotografia de uma flor igual enviada por MMS, apenas porque chegava mais depressa.
Náo me entristece o anúncio que pretende apenas fomentar o uso dos seus telemóveis, entristece-me o facto de haver um largo grupo de jovens, o segmento, sensíveis a essa mensagem.
Também outros mais recentes como o daquela jovem, supostamente livre e independente, que se liberta do seu suposto namorado, indolente, só que esse seu namorado, que passa o tempo frente à televisão bebendo cerveja e fumando caharutos, é um sapo !, direi mesmo o sapo, o mesmo do "http://www.sapo.pt/" que se humaniza na pior forma.
Para mim qualquer sapo humanizado que se preze não deveria ser nunca menos do que um “príncipe encantado”.
Mas, pelo contrário, para vos dar uma ideia do que considero uma excelente segmentação, vou-vos contar esta anúncio de uma página que folheei numa revista da Swiss airlines:
Uma fotografia de fundo com a beleza dos Alpes na Primavera ou Verão onde se inseria em grande plano um jovem alpino forte e bonito. O título rezava isto:
“Girls, why not escape the summer’s world cup to a country where men spend less time on football. And more time with you.”
Não traduzo para que se não perca o sabor original. Perfeita identificação de um segmento, tocando um botão ultra sensível desse segmento. Brilhante !

2006-04-13

Os meus agradecimentos

A todos os senhores deputados que faltaram hoje ao Parlamento e não permitiram a votação em não sei que leis que iriam certamente empatar as nossas vidas.
A minha censura às débeis justificações apresentadas pelos grupos parlamentares para as ausências dos seus membros. Foram patéticas.
O CDS disse mesmo: “ausências que todos os portugueses compreendem, fulano de tal porque foi pai !”
Ser pai é uma das coisas mais importantes do mundo, não há qualquer dúvida, faltar por essa razão é mais do que justificado por qualquer português que vive a sua vida e que não a quis sacrificar aos altos interesses da Nação, mas um senhor deputado escolheu o “sacerdócio”, o País à frente de tudo, foi para isso que votámos nele e aceitamos alguns privilégios que têm. Para estes o povo português não compreende, lembra-se da cena daquele filme em que Antony Hopkins faz de mordomo e serve impecavelmente um jantar para o seu patrão, enquanto o seu próprio pai agonia no leito de morte nos aposentos dos criados.
O comum dos mortais nunca faria isto, apenas alguns escolhidos, pensava eu, talvez os senhores deputados.
Sejamos honestos, meus senhores, os senhores deputados faltaram hoje porque, em Portugal, o dia não é para trabalhar.
A culpa é de quem agenda trabalho, supostamente, importante para hoje.
Haja juízo.

2006-04-10

Os comentários ao meu poste sobre a regionalização

Tive 2 comentários a esse poste um dos quais, num impulso inquisitorial, eu bani inexoravelmente. Apresentava um “link” e dizia qualquer coisa como isto: “quer ver pornografia gratuita?”.
Passada essa primeira reacção, a minha veia mais liberal veio ao de cima e comecei a imaginar uma sessão solene cheia de VIP a dissertarem sobre a regionalização e a ver alguém da audiência pedir a palavra e dizer qualquer coisa como isto:
“Em vez de V. Exas perderem tempo com esta transcendente questão da regionalização, não seria melhor irem ver alguma pornografia gratuita ?”
Imagino a reacção, era, sem dúvida, um criativo acto de terrorismo poético.
Se bem que os autores desse comentário no meu poste não tenham, certamente, sido movidos por essa nobre intenção, aqui lhes apresento as minhas desculpas por esse meu irreflectido acto de censura.
O outro comentário, da Joana. era porém bem mais inteligente, dizia o seguinte:
“Por essa ordem de ideias se tiveres uma única região - Portugal - dos 100 tens 95 para Lisboa e Porto e 5 para o resto da região, a parte mais fraca.”
E a resposta é aparentemente simples: “E então, não é isso que vemos ?”
Mas, de facto, a minha argumentação apenas se insere num contexto: a regionalização.
Na ausência de regionalização o poder está na mão de homens independentes, vindos de qualquer lado, quem sabe donde são os Ministros ?, onde a fidelidade a uma região se mitiga, porque não é pela região que lhes veio o poder.
O mesmo se passa aliás dentro de verdadeiras regiões com uniformidade cultural e interesses semelhantes.
O problema coloca-se quando o poder vem da chamada região mas essa região insere em si mais do que uma região de facto mais do que um sistema com factores de coesão e ligações dentro de si mais frequentes e fortes do que as inter-sistémicas.
O Minho e Trás os Montes são duas realidades identificáveis e distintas, só os Minhotos se dizem do Norte nunca os Transmontanos.
Aliás os nomes consolidados por várias gerações e que dividem o país em Minho Trás-os-Montes, Beira Litoral Beira Interior, Estremadura, Ribatejo, Alto Alentejo, Baixo Alentejo e Algarve, se não me esqueço de nada, à parte pequenos eventuais ajustes forjados pela história são os que ainda melhor definem o esboço de uma regionalização portuguesa, onde mesmo as duas Beiras e os dois Alentejos, traduzem duas realidades diferentes mas mais próximas do que as que têm nome totalmente diferente.
O povo é geralmente mais sábio do que os que o governam.

2006-04-08

E o direito dos fumadores passivos ?

Quando na realidade todos deveríamos ter direito a tudo, discutir a legislação sobre o tabagismo em termo de direitos de fumadores e de não fumadores não pode nunca passar de uma conversa de surdos, do tipo: “o meu (direito) é maior que o teu !”
Ora não é não senhor, nenhum direito é maior que o outro, nenhum se pode impor ao outro, o problema que se coloca é apenas, como em tantos casos, o de obter um razoável equilíbrio para uma sã convivência, o que não é tarefa fácil se não houver um mínimo de espírito de tolerância, como parece não haver. A alternativa será sempre a da lei do mais forte e o da opressão de um grupo sobre o outro.
Reconheço que agora, em Portugal, a vida está mais difícil para os que não suportam o fumo do tabaco mas, pelo menos, estes não sentirão o sofrimento da dependência orgânica e do síndroma de carência de um fumador.
Impeça-se sim o fumo em locais onde não fumadores têm necessidade de estar, mas prevejam-se espaços onde eles não sejam obrigados a estar e um fumador possa usufruir do seu prazer ou “matar” o seu vício, com um mínimo de conforto.
E num gabinete onde estou só sem nenhum não fumador a incomodar-se, não consigo ver qualquer razão para me quartarem esse prazer, a não ser o da pura maldade.
Mas se se quer colocar a questão em termos de direitos deixem-me trazer aqui mais um à liça, o mais ignorado de todos: o direito do fumador passivo a ser isso mesmo, um fumador passivo
Direito bem complexo este que para ser satisfeito exige determinado comportamento de terceiros.
Foi há poucos dias, na Grécia, que o ouvi reivindicar.
A Grécia, ao contrário da Irlanda, é um paraíso para os fumadores, pode-se fumar em quase todo o lado, até no aeroporto de Atenas apenas se não pode fumar em lugares específicos para não fumadores.
Nas reuniões em que participei, quando ao fim de algumas horas de abstinência aproveitei uma pequena pausa para perguntar timidamente se haveria algum local onde pudesse fumar um cigarro, vi muitos olhos brilharem de prazer e muitos maços de cigarro a saírem dos bolsos com um ar de alívio, para me dizerem assim: “mas pode fumar aqui mesmo e a qualquer momento”. Afinal a abstinência generalizada tinha sido feita apenas em minha homenagem.
Conversando sobre este tema com Iorgos Petrides, que nunca fumou na sua vida, vim a saber que esta não era ainda uma questão na ordem do dia grego. Falei-lhe então do que se passava em Portugal onde se espera uma mudança rápida para, receio bem, um fundamentalismo anti-tabagista e falei-lhe na Irlanda, onde esse fundamentalismo já se exercia.
Iorgos estava atónito e procurava confirmar “mas então na Irlanda não se fuma já nos bares e discotecas ?”, “só em espaços abertos que vão procurando manter ou construir” respondi-lhe eu, e foi então que Iorgos explicitou a sua reivindicação a fumador passivo:
“Eu não fumo nem nunca fumei na minha vida, mas entrar num bar onde não haja um ambiente de fumo, parece-me que não tem graça nenhuma, é como se proibissem aí também a cerveja e outras bebidas alcoólicas, para mim não faz sentido, não é o ambiente que eu gosto !”
E pronto aqui está um ponto de vista que ainda nunca tinha ouvido.

2006-04-06

Roaming

Na minha experiência, as contas de telemóvel em “roaming” podem ser qualquer coisa sempre inesperada, ora valores exorbitantes que nos deixam de queixo caído, as mais das vezes, ora agradáveis surpresas, raramente.
A verdade é que nunca sabemos o que nos espera, não escolhemos nada, caímos na rede estrangeira que o Sr, telemóvel deseja, ignoramos tarifas, campanhas, promoções que eventualmente existam e aguardamos a sentença final que geralmente é muito severa.
É claro que eu sei que teoricamente podemos obter toda a informação necessária e podemos mesmo forçar a escolha desta ou daquela rede estrangeira, por vezes com sucesso, mas isso exige de nós uma dedicação exclusiva e uma disponibilidade que eu de facto não tenho, nem quero ter.
Acordei assim numa estratégia com os da casa: em “roaming” confio na providência, pago o que me pedirem mas, á parte qualquer emergência, só uso mensagens SMS, que são sempre muito mais em conta.
Foi assim que parti para a Grécia: Saí ligado à Vodafone Portugal, cheguei a Zurique, onde fiz escala, e o telemóvel ligou-se à Vodafone Suiça, segui para Atenas e o móvel optou pela Vodafone, neste caso, Grega, tudo muito variado, como vêem, estivesse onde estivesse a conta seguia para os diferentes bolsos do mesmo Sr. Vodafone.
A caminho do hotel, não sei porque artes, o meu telemóvel rebelou-se, fartou-se da Vodafone e ligou-se espontaneamente a já não sei que operadora Grega.
É claro que eu sei tudo isto que se passa no mundo dos telemóveis por pequenos toques acusando a entrada de mensagens das diferentes redes que me querem dar sempre as suas boas-vindas e oferecer-me um série de ajudas.
Eu, fiquei feliz por aquele acto de insubordinação do meu telemóvel, “chega de Vodafone”, terá pensado a máquina, “deixem-me conhecer a Grécia no seu todo”.
Foi todavia sol de pouca dura, chegado ao hotel e ao querer mandar um SMS, o ecrã entrou em colapso, empalideceu, e o telemóvel desligou-se inexplicavelmente. Quando o voltei a ligar, lá estava de novo a , toda poderosa, Vodafone,
E assim, queira ou não queira, eu tenho de pagar exclusivamente ao Sr. Vodafone, metendo dinheiro no seu bolso português, suíço e grego., por vezes ao mesmo tempo.
Foi assim que aplaudi aquela manifestação da Comissão Europeia, que lá vi na Euronews mas que, já me disseram, que também cá teve destaque: “acabem com o roaming na UE, já”
Então isto é um mercado comum só para o que lhes convém ou quê ?

2006-04-05

Crónica de Atenas

È o meu primeiro contacto com Atenas, cara a cara,
De nome já a conhecia muito bem, desde há muitos anos, a simples menção do seu nome manda-me milhares de mensagens reconhecíveis, fala-me de filósofos, poetas, dramaturgos, traz-me sol, um mar azul e quente e toda a sabedoria do mediterrâneo e também uma língua moribunda e outra viva e estranha.
Depois é o eterno confronto na “liga dos últimos”, ora Nós, ora a Grécia, lá vamos andando a ver que está mais atrás
Pois embora tenha ouvido dizer que todos os indicadores económicos já nos deixaram muito atrás da Grécia, este encontro mais íntimo que agora se me proporcionou mostra-me um pouco que, infelizmente, não será bem assim.
Não sei dos números da economia, mas vendo o pulsar da cidade de Atenas, a sua velocidade, o modo como a sua gente se veste, os carros que guiam, o estado de conservação dos seus edifícios, o facto muito significativo de que ainda não vi nenhum polícia, entre os muitos que já vi, que usasse esses tão “globais” óculos escuros, que já são regra em Portugal, dá-me indicações claras: na escalada para o progresso a Grécia ainda vai feliz atrás de nós, ainda conserva um certo ar misturado de Turco e Magrebino, articulado com o “bárbaro” eslavo que espreita a Norte logo ali tão perto.
Não. Diga o que disser a economia, na “liga dos últimos”, a Grécia ainda nos bate aos pontos.

2006-03-28

A Regionalização

Portugal é um caso singular em todo o mundo, não foi fundado, como dizia Agostinho da Silva, mas descoberto e assim se manteve, centenas de anos sem que ninguém se engane sobre onde é Portugal e onde não é Portugal.
É certo que há pequenas zonas de penumbra como aquelas aldeias transmontanas e galegas de que já falei aqui e, evidentemente o caso de Olivença que por não conhecer suficientemente o assunto, não sei bem se não é Portugal e só muito tarde se definiu como não portuguesa ou, pelo contrário, se é Portugal mas por engano foi metida em Espanha, que aliás nem existe.
De qualquer forma são apenas as pequenas excepções que confirmam a regra, Portugal é aqui e pronto, ninguém duvida e ninguém põe em causa.
Regiões, locais, formas diversas, rivalidades regionais, especificidades culturais é certo que Portugal as tem, e muito, mas como num fato há bainhas, bolsos, botões entretelas, golas e, sei lá o que mais, tudo coisas que fazem parte de uma totalidade e não têm sentido fora desse contexto geral.
Estamos assim numa situação quase anedótica: achamos alguns que é preciso regionalizar, mas passamos a vida a discutir que regiões deveremos ter !. É assim como, por exemplo, um realizador de cinema que quer montar o filme, porque os filmes têm de ser montados mas não sabe bem que filme há-de montar, porque ainda não realizou nenhum.
É que o problema da regionalização em Portugal não se coloca como na generalidade dos países que têm de facto regiões e se limitam a discutir que poderes conferir ou não conferir a essas regiões de forma a conseguir um são equilíbrio entre a funcionalidade do país e a manutenção da unidade nacional.
Para Portugal a questão é apenas técnica, não se trata de reconhecer direitos de regiões reais mas antes de organizar o estado de forma mais eficaz.
E sendo uma questão exclusivamente técnica a recente proposta de Sócrates, que retoma aliás a velha ideia de Valente de Oliveira das 5 regiões plano, é, infelizmente, tecnicamente errada.
Quem estuda honestamente as questões do desenvolvimento económico deveria saber que a história ensina, em todo o mundo, tirando talvez algumas excepções muito particulares, que na teoria de juntar no mesmo pacote regiões já mais desenvolvidas com outras menos desenvolvidas, não há nenhum “efeito de locomotiva”, como apregoam os seus teóricos, onde a máquina desenvolvida deveria arrastar na via férrea do desenvolvimento a carruagem mais atrasada, pelo contrário, o que geralmente se passa é que a máquina parte e com esse arranque também se parte o engate e a carruagem fica, cada vez mais e mais longe.
Falando mais claro, a questão é a seguinte:
Se eu tenho um orçamento de 100, por exemplo, para a chamada região Norte, se aí tiver duas regiões, digamos Minho e Trás-os-Montes, são 50 para cada uma delas. se tiver apenas uma região, a região Norte, serão 85 para a componente mais forte e 15 para a mais fraca.
É isto que a história nos ensina mas alguns não querem ver.

2006-03-22

Cavaco e Sócrates

Rios de tinta continuam a correr e milhares de neurónios se têm queimado, especulando sobre esta magna questão:
Será que Cavaco e Sócrates irão conviver sem problemas de maior ?
Pois aqui fica a resposta feita de ciência certa, que consegui alcançar depois de muito esforço e ponderação e apoiado no ombro de "gigantes":
Vão se dar bem ou talvez mal ou ainda ambas as coisas.
Depois verão se eu não estou certo.

2006-03-20

A clarividência do Sr. Ministro

O Sr. Ministro da Agricultura do Desenvolvimento Rural e das Pescas, depois de ler um estudo da Universidade de Évora, terá descoberto a solução para o problema da Agricultura em Portugal: Apoie-se a Floresta !
De facto são tudo ocupações do espaço: agricultura, floresta, campos de golfe, reservas de caça, baldios e a própria ocupação urbana, só que umas não têm nada que ver com as outras.
Dito assim, como vi escrito no público: “Portugal deve apostar na floresta para assegurar a competitividade da agricultura” soou-me a grande misturada de alhos com bugalhos.
É como se, Pinto da Costa dissesse: “O FCP deve apostar nos espectáculos musicais no dragão para assegurar a competitividade no futebol
Só que Pinto da Costa nunca diria isso, o Sr. Ministro é que parece que sim