Cada um de nós é diferente, único, é “cada doido com a sua mania”, como diz o povo.
Esta é a grande questão que se coloca à produção à escala global: maximizar o uso do meu produto.
Há duas vias para este caminho:
1 - homogeneizar a sociedade procurando anular todas as diferenças individuais, tornando-as socialmente indesejáveis ou reprováveis: “esquisitices”, “caretices” “maluquices” ou qualquer outro adjectivo antipático,
2- Procurar lidar com essa realidade e, é aqui que surge essa questão básica no domínio do “marketing” moderno: a segmentação:
Já que não posso chegar a cada um individualmente, vou, pelo menos, chegar a grupos mas ou menos homogéneos que apreciem o meu produto.
Numa sociedade de biliões, o mais pequeno segmento. ou nicho de mercado, pode ser suficientemente grande para sustentar o meu produto.
Se bem que as duas vias estejam permanentemente presentes no mundo e nas estratégias empresariais, refiro-me agora apenas à segunda, por ser mais humana e honesta.
Os segmentos definem-se de acordo com os produtos, podem ser físicos, etários, baseados no género, geofráficos e outras características objectivas, mas também podem e devem ser fundamentada em aspectos psicográficos e em “estilos de vida”, recobrindo todos os aspectos que caiem mais naquilo a que chamamos “interesses” específicos.
Como se trata de vender ou não vender milhões, estou bem seguro de que as grandes multinacionais conhecem os seus segmentos ou, pelo menos a sua superfície, bem melhor do que qualquer universidade de sociologia ou psicologia.
Por isto me entristeço com alguma publicidade como aquela de que aqui já dei conta, em que uma jovem rapariga preteria um candidato esforçado que lhe oferecia uma flor verdadeira colhida com esforço, em favor de um “chico esperto” que lhe enviava uma fotografia de uma flor igual enviada por MMS, apenas porque chegava mais depressa.
Náo me entristece o anúncio que pretende apenas fomentar o uso dos seus telemóveis, entristece-me o facto de haver um largo grupo de jovens, o segmento, sensíveis a essa mensagem.
Também outros mais recentes como o daquela jovem, supostamente livre e independente, que se liberta do seu suposto namorado, indolente, só que esse seu namorado, que passa o tempo frente à televisão bebendo cerveja e fumando caharutos, é um sapo !, direi mesmo o sapo, o mesmo do "http://www.sapo.pt/" que se humaniza na pior forma.
Para mim qualquer sapo humanizado que se preze não deveria ser nunca menos do que um “príncipe encantado”.
Mas, pelo contrário, para vos dar uma ideia do que considero uma excelente segmentação, vou-vos contar esta anúncio de uma página que folheei numa revista da Swiss airlines:
Uma fotografia de fundo com a beleza dos Alpes na Primavera ou Verão onde se inseria em grande plano um jovem alpino forte e bonito. O título rezava isto:
“Girls, why not escape the summer’s world cup to a country where men spend less time on football. And more time with you.”
Não traduzo para que se não perca o sabor original. Perfeita identificação de um segmento, tocando um botão ultra sensível desse segmento. Brilhante !
2006-04-15
2006-04-13
Os meus agradecimentos
A todos os senhores deputados que faltaram hoje ao Parlamento e não permitiram a votação em não sei que leis que iriam certamente empatar as nossas vidas.
A minha censura às débeis justificações apresentadas pelos grupos parlamentares para as ausências dos seus membros. Foram patéticas.
O CDS disse mesmo: “ausências que todos os portugueses compreendem, fulano de tal porque foi pai !”
Ser pai é uma das coisas mais importantes do mundo, não há qualquer dúvida, faltar por essa razão é mais do que justificado por qualquer português que vive a sua vida e que não a quis sacrificar aos altos interesses da Nação, mas um senhor deputado escolheu o “sacerdócio”, o País à frente de tudo, foi para isso que votámos nele e aceitamos alguns privilégios que têm. Para estes o povo português não compreende, lembra-se da cena daquele filme em que Antony Hopkins faz de mordomo e serve impecavelmente um jantar para o seu patrão, enquanto o seu próprio pai agonia no leito de morte nos aposentos dos criados.
O comum dos mortais nunca faria isto, apenas alguns escolhidos, pensava eu, talvez os senhores deputados.
Sejamos honestos, meus senhores, os senhores deputados faltaram hoje porque, em Portugal, o dia não é para trabalhar.
A culpa é de quem agenda trabalho, supostamente, importante para hoje.
Haja juízo.
A minha censura às débeis justificações apresentadas pelos grupos parlamentares para as ausências dos seus membros. Foram patéticas.
O CDS disse mesmo: “ausências que todos os portugueses compreendem, fulano de tal porque foi pai !”
Ser pai é uma das coisas mais importantes do mundo, não há qualquer dúvida, faltar por essa razão é mais do que justificado por qualquer português que vive a sua vida e que não a quis sacrificar aos altos interesses da Nação, mas um senhor deputado escolheu o “sacerdócio”, o País à frente de tudo, foi para isso que votámos nele e aceitamos alguns privilégios que têm. Para estes o povo português não compreende, lembra-se da cena daquele filme em que Antony Hopkins faz de mordomo e serve impecavelmente um jantar para o seu patrão, enquanto o seu próprio pai agonia no leito de morte nos aposentos dos criados.
O comum dos mortais nunca faria isto, apenas alguns escolhidos, pensava eu, talvez os senhores deputados.
Sejamos honestos, meus senhores, os senhores deputados faltaram hoje porque, em Portugal, o dia não é para trabalhar.
A culpa é de quem agenda trabalho, supostamente, importante para hoje.
Haja juízo.
2006-04-10
Os comentários ao meu poste sobre a regionalização
Tive 2 comentários a esse poste um dos quais, num impulso inquisitorial, eu bani inexoravelmente. Apresentava um “link” e dizia qualquer coisa como isto: “quer ver pornografia gratuita?”.
Passada essa primeira reacção, a minha veia mais liberal veio ao de cima e comecei a imaginar uma sessão solene cheia de VIP a dissertarem sobre a regionalização e a ver alguém da audiência pedir a palavra e dizer qualquer coisa como isto:
“Em vez de V. Exas perderem tempo com esta transcendente questão da regionalização, não seria melhor irem ver alguma pornografia gratuita ?”
Imagino a reacção, era, sem dúvida, um criativo acto de terrorismo poético.
Se bem que os autores desse comentário no meu poste não tenham, certamente, sido movidos por essa nobre intenção, aqui lhes apresento as minhas desculpas por esse meu irreflectido acto de censura.
O outro comentário, da Joana. era porém bem mais inteligente, dizia o seguinte:
“Por essa ordem de ideias se tiveres uma única região - Portugal - dos 100 tens 95 para Lisboa e Porto e 5 para o resto da região, a parte mais fraca.”
E a resposta é aparentemente simples: “E então, não é isso que vemos ?”
Mas, de facto, a minha argumentação apenas se insere num contexto: a regionalização.
Na ausência de regionalização o poder está na mão de homens independentes, vindos de qualquer lado, quem sabe donde são os Ministros ?, onde a fidelidade a uma região se mitiga, porque não é pela região que lhes veio o poder.
O mesmo se passa aliás dentro de verdadeiras regiões com uniformidade cultural e interesses semelhantes.
O problema coloca-se quando o poder vem da chamada região mas essa região insere em si mais do que uma região de facto mais do que um sistema com factores de coesão e ligações dentro de si mais frequentes e fortes do que as inter-sistémicas.
O Minho e Trás os Montes são duas realidades identificáveis e distintas, só os Minhotos se dizem do Norte nunca os Transmontanos.
Aliás os nomes consolidados por várias gerações e que dividem o país em Minho Trás-os-Montes, Beira Litoral Beira Interior, Estremadura, Ribatejo, Alto Alentejo, Baixo Alentejo e Algarve, se não me esqueço de nada, à parte pequenos eventuais ajustes forjados pela história são os que ainda melhor definem o esboço de uma regionalização portuguesa, onde mesmo as duas Beiras e os dois Alentejos, traduzem duas realidades diferentes mas mais próximas do que as que têm nome totalmente diferente.
O povo é geralmente mais sábio do que os que o governam.
Passada essa primeira reacção, a minha veia mais liberal veio ao de cima e comecei a imaginar uma sessão solene cheia de VIP a dissertarem sobre a regionalização e a ver alguém da audiência pedir a palavra e dizer qualquer coisa como isto:
“Em vez de V. Exas perderem tempo com esta transcendente questão da regionalização, não seria melhor irem ver alguma pornografia gratuita ?”
Imagino a reacção, era, sem dúvida, um criativo acto de terrorismo poético.
Se bem que os autores desse comentário no meu poste não tenham, certamente, sido movidos por essa nobre intenção, aqui lhes apresento as minhas desculpas por esse meu irreflectido acto de censura.
O outro comentário, da Joana. era porém bem mais inteligente, dizia o seguinte:
“Por essa ordem de ideias se tiveres uma única região - Portugal - dos 100 tens 95 para Lisboa e Porto e 5 para o resto da região, a parte mais fraca.”
E a resposta é aparentemente simples: “E então, não é isso que vemos ?”
Mas, de facto, a minha argumentação apenas se insere num contexto: a regionalização.
Na ausência de regionalização o poder está na mão de homens independentes, vindos de qualquer lado, quem sabe donde são os Ministros ?, onde a fidelidade a uma região se mitiga, porque não é pela região que lhes veio o poder.
O mesmo se passa aliás dentro de verdadeiras regiões com uniformidade cultural e interesses semelhantes.
O problema coloca-se quando o poder vem da chamada região mas essa região insere em si mais do que uma região de facto mais do que um sistema com factores de coesão e ligações dentro de si mais frequentes e fortes do que as inter-sistémicas.
O Minho e Trás os Montes são duas realidades identificáveis e distintas, só os Minhotos se dizem do Norte nunca os Transmontanos.
Aliás os nomes consolidados por várias gerações e que dividem o país em Minho Trás-os-Montes, Beira Litoral Beira Interior, Estremadura, Ribatejo, Alto Alentejo, Baixo Alentejo e Algarve, se não me esqueço de nada, à parte pequenos eventuais ajustes forjados pela história são os que ainda melhor definem o esboço de uma regionalização portuguesa, onde mesmo as duas Beiras e os dois Alentejos, traduzem duas realidades diferentes mas mais próximas do que as que têm nome totalmente diferente.
O povo é geralmente mais sábio do que os que o governam.
2006-04-08
E o direito dos fumadores passivos ?
Quando na realidade todos deveríamos ter direito a tudo, discutir a legislação sobre o tabagismo em termo de direitos de fumadores e de não fumadores não pode nunca passar de uma conversa de surdos, do tipo: “o meu (direito) é maior que o teu !”
Ora não é não senhor, nenhum direito é maior que o outro, nenhum se pode impor ao outro, o problema que se coloca é apenas, como em tantos casos, o de obter um razoável equilíbrio para uma sã convivência, o que não é tarefa fácil se não houver um mínimo de espírito de tolerância, como parece não haver. A alternativa será sempre a da lei do mais forte e o da opressão de um grupo sobre o outro.
Reconheço que agora, em Portugal, a vida está mais difícil para os que não suportam o fumo do tabaco mas, pelo menos, estes não sentirão o sofrimento da dependência orgânica e do síndroma de carência de um fumador.
Impeça-se sim o fumo em locais onde não fumadores têm necessidade de estar, mas prevejam-se espaços onde eles não sejam obrigados a estar e um fumador possa usufruir do seu prazer ou “matar” o seu vício, com um mínimo de conforto.
E num gabinete onde estou só sem nenhum não fumador a incomodar-se, não consigo ver qualquer razão para me quartarem esse prazer, a não ser o da pura maldade.
Mas se se quer colocar a questão em termos de direitos deixem-me trazer aqui mais um à liça, o mais ignorado de todos: o direito do fumador passivo a ser isso mesmo, um fumador passivo
Direito bem complexo este que para ser satisfeito exige determinado comportamento de terceiros.
Foi há poucos dias, na Grécia, que o ouvi reivindicar.
A Grécia, ao contrário da Irlanda, é um paraíso para os fumadores, pode-se fumar em quase todo o lado, até no aeroporto de Atenas apenas se não pode fumar em lugares específicos para não fumadores.
Nas reuniões em que participei, quando ao fim de algumas horas de abstinência aproveitei uma pequena pausa para perguntar timidamente se haveria algum local onde pudesse fumar um cigarro, vi muitos olhos brilharem de prazer e muitos maços de cigarro a saírem dos bolsos com um ar de alívio, para me dizerem assim: “mas pode fumar aqui mesmo e a qualquer momento”. Afinal a abstinência generalizada tinha sido feita apenas em minha homenagem.
Conversando sobre este tema com Iorgos Petrides, que nunca fumou na sua vida, vim a saber que esta não era ainda uma questão na ordem do dia grego. Falei-lhe então do que se passava em Portugal onde se espera uma mudança rápida para, receio bem, um fundamentalismo anti-tabagista e falei-lhe na Irlanda, onde esse fundamentalismo já se exercia.
Iorgos estava atónito e procurava confirmar “mas então na Irlanda não se fuma já nos bares e discotecas ?”, “só em espaços abertos que vão procurando manter ou construir” respondi-lhe eu, e foi então que Iorgos explicitou a sua reivindicação a fumador passivo:
“Eu não fumo nem nunca fumei na minha vida, mas entrar num bar onde não haja um ambiente de fumo, parece-me que não tem graça nenhuma, é como se proibissem aí também a cerveja e outras bebidas alcoólicas, para mim não faz sentido, não é o ambiente que eu gosto !”
E pronto aqui está um ponto de vista que ainda nunca tinha ouvido.
Ora não é não senhor, nenhum direito é maior que o outro, nenhum se pode impor ao outro, o problema que se coloca é apenas, como em tantos casos, o de obter um razoável equilíbrio para uma sã convivência, o que não é tarefa fácil se não houver um mínimo de espírito de tolerância, como parece não haver. A alternativa será sempre a da lei do mais forte e o da opressão de um grupo sobre o outro.
Reconheço que agora, em Portugal, a vida está mais difícil para os que não suportam o fumo do tabaco mas, pelo menos, estes não sentirão o sofrimento da dependência orgânica e do síndroma de carência de um fumador.
Impeça-se sim o fumo em locais onde não fumadores têm necessidade de estar, mas prevejam-se espaços onde eles não sejam obrigados a estar e um fumador possa usufruir do seu prazer ou “matar” o seu vício, com um mínimo de conforto.
E num gabinete onde estou só sem nenhum não fumador a incomodar-se, não consigo ver qualquer razão para me quartarem esse prazer, a não ser o da pura maldade.
Mas se se quer colocar a questão em termos de direitos deixem-me trazer aqui mais um à liça, o mais ignorado de todos: o direito do fumador passivo a ser isso mesmo, um fumador passivo
Direito bem complexo este que para ser satisfeito exige determinado comportamento de terceiros.
Foi há poucos dias, na Grécia, que o ouvi reivindicar.
A Grécia, ao contrário da Irlanda, é um paraíso para os fumadores, pode-se fumar em quase todo o lado, até no aeroporto de Atenas apenas se não pode fumar em lugares específicos para não fumadores.
Nas reuniões em que participei, quando ao fim de algumas horas de abstinência aproveitei uma pequena pausa para perguntar timidamente se haveria algum local onde pudesse fumar um cigarro, vi muitos olhos brilharem de prazer e muitos maços de cigarro a saírem dos bolsos com um ar de alívio, para me dizerem assim: “mas pode fumar aqui mesmo e a qualquer momento”. Afinal a abstinência generalizada tinha sido feita apenas em minha homenagem.
Conversando sobre este tema com Iorgos Petrides, que nunca fumou na sua vida, vim a saber que esta não era ainda uma questão na ordem do dia grego. Falei-lhe então do que se passava em Portugal onde se espera uma mudança rápida para, receio bem, um fundamentalismo anti-tabagista e falei-lhe na Irlanda, onde esse fundamentalismo já se exercia.
Iorgos estava atónito e procurava confirmar “mas então na Irlanda não se fuma já nos bares e discotecas ?”, “só em espaços abertos que vão procurando manter ou construir” respondi-lhe eu, e foi então que Iorgos explicitou a sua reivindicação a fumador passivo:
“Eu não fumo nem nunca fumei na minha vida, mas entrar num bar onde não haja um ambiente de fumo, parece-me que não tem graça nenhuma, é como se proibissem aí também a cerveja e outras bebidas alcoólicas, para mim não faz sentido, não é o ambiente que eu gosto !”
E pronto aqui está um ponto de vista que ainda nunca tinha ouvido.
2006-04-06
Roaming
Na minha experiência, as contas de telemóvel em “roaming” podem ser qualquer coisa sempre inesperada, ora valores exorbitantes que nos deixam de queixo caído, as mais das vezes, ora agradáveis surpresas, raramente.
A verdade é que nunca sabemos o que nos espera, não escolhemos nada, caímos na rede estrangeira que o Sr, telemóvel deseja, ignoramos tarifas, campanhas, promoções que eventualmente existam e aguardamos a sentença final que geralmente é muito severa.
É claro que eu sei que teoricamente podemos obter toda a informação necessária e podemos mesmo forçar a escolha desta ou daquela rede estrangeira, por vezes com sucesso, mas isso exige de nós uma dedicação exclusiva e uma disponibilidade que eu de facto não tenho, nem quero ter.
Acordei assim numa estratégia com os da casa: em “roaming” confio na providência, pago o que me pedirem mas, á parte qualquer emergência, só uso mensagens SMS, que são sempre muito mais em conta.
Foi assim que parti para a Grécia: Saí ligado à Vodafone Portugal, cheguei a Zurique, onde fiz escala, e o telemóvel ligou-se à Vodafone Suiça, segui para Atenas e o móvel optou pela Vodafone, neste caso, Grega, tudo muito variado, como vêem, estivesse onde estivesse a conta seguia para os diferentes bolsos do mesmo Sr. Vodafone.
A caminho do hotel, não sei porque artes, o meu telemóvel rebelou-se, fartou-se da Vodafone e ligou-se espontaneamente a já não sei que operadora Grega.
É claro que eu sei tudo isto que se passa no mundo dos telemóveis por pequenos toques acusando a entrada de mensagens das diferentes redes que me querem dar sempre as suas boas-vindas e oferecer-me um série de ajudas.
Eu, fiquei feliz por aquele acto de insubordinação do meu telemóvel, “chega de Vodafone”, terá pensado a máquina, “deixem-me conhecer a Grécia no seu todo”.
Foi todavia sol de pouca dura, chegado ao hotel e ao querer mandar um SMS, o ecrã entrou em colapso, empalideceu, e o telemóvel desligou-se inexplicavelmente. Quando o voltei a ligar, lá estava de novo a , toda poderosa, Vodafone,
E assim, queira ou não queira, eu tenho de pagar exclusivamente ao Sr. Vodafone, metendo dinheiro no seu bolso português, suíço e grego., por vezes ao mesmo tempo.
Foi assim que aplaudi aquela manifestação da Comissão Europeia, que lá vi na Euronews mas que, já me disseram, que também cá teve destaque: “acabem com o roaming na UE, já”
Então isto é um mercado comum só para o que lhes convém ou quê ?
A verdade é que nunca sabemos o que nos espera, não escolhemos nada, caímos na rede estrangeira que o Sr, telemóvel deseja, ignoramos tarifas, campanhas, promoções que eventualmente existam e aguardamos a sentença final que geralmente é muito severa.
É claro que eu sei que teoricamente podemos obter toda a informação necessária e podemos mesmo forçar a escolha desta ou daquela rede estrangeira, por vezes com sucesso, mas isso exige de nós uma dedicação exclusiva e uma disponibilidade que eu de facto não tenho, nem quero ter.
Acordei assim numa estratégia com os da casa: em “roaming” confio na providência, pago o que me pedirem mas, á parte qualquer emergência, só uso mensagens SMS, que são sempre muito mais em conta.
Foi assim que parti para a Grécia: Saí ligado à Vodafone Portugal, cheguei a Zurique, onde fiz escala, e o telemóvel ligou-se à Vodafone Suiça, segui para Atenas e o móvel optou pela Vodafone, neste caso, Grega, tudo muito variado, como vêem, estivesse onde estivesse a conta seguia para os diferentes bolsos do mesmo Sr. Vodafone.
A caminho do hotel, não sei porque artes, o meu telemóvel rebelou-se, fartou-se da Vodafone e ligou-se espontaneamente a já não sei que operadora Grega.
É claro que eu sei tudo isto que se passa no mundo dos telemóveis por pequenos toques acusando a entrada de mensagens das diferentes redes que me querem dar sempre as suas boas-vindas e oferecer-me um série de ajudas.
Eu, fiquei feliz por aquele acto de insubordinação do meu telemóvel, “chega de Vodafone”, terá pensado a máquina, “deixem-me conhecer a Grécia no seu todo”.
Foi todavia sol de pouca dura, chegado ao hotel e ao querer mandar um SMS, o ecrã entrou em colapso, empalideceu, e o telemóvel desligou-se inexplicavelmente. Quando o voltei a ligar, lá estava de novo a , toda poderosa, Vodafone,
E assim, queira ou não queira, eu tenho de pagar exclusivamente ao Sr. Vodafone, metendo dinheiro no seu bolso português, suíço e grego., por vezes ao mesmo tempo.
Foi assim que aplaudi aquela manifestação da Comissão Europeia, que lá vi na Euronews mas que, já me disseram, que também cá teve destaque: “acabem com o roaming na UE, já”
Então isto é um mercado comum só para o que lhes convém ou quê ?
2006-04-05
Crónica de Atenas
È o meu primeiro contacto com Atenas, cara a cara,
De nome já a conhecia muito bem, desde há muitos anos, a simples menção do seu nome manda-me milhares de mensagens reconhecíveis, fala-me de filósofos, poetas, dramaturgos, traz-me sol, um mar azul e quente e toda a sabedoria do mediterrâneo e também uma língua moribunda e outra viva e estranha.
Depois é o eterno confronto na “liga dos últimos”, ora Nós, ora a Grécia, lá vamos andando a ver que está mais atrás
Pois embora tenha ouvido dizer que todos os indicadores económicos já nos deixaram muito atrás da Grécia, este encontro mais íntimo que agora se me proporcionou mostra-me um pouco que, infelizmente, não será bem assim.
Não sei dos números da economia, mas vendo o pulsar da cidade de Atenas, a sua velocidade, o modo como a sua gente se veste, os carros que guiam, o estado de conservação dos seus edifícios, o facto muito significativo de que ainda não vi nenhum polícia, entre os muitos que já vi, que usasse esses tão “globais” óculos escuros, que já são regra em Portugal, dá-me indicações claras: na escalada para o progresso a Grécia ainda vai feliz atrás de nós, ainda conserva um certo ar misturado de Turco e Magrebino, articulado com o “bárbaro” eslavo que espreita a Norte logo ali tão perto.
Não. Diga o que disser a economia, na “liga dos últimos”, a Grécia ainda nos bate aos pontos.
De nome já a conhecia muito bem, desde há muitos anos, a simples menção do seu nome manda-me milhares de mensagens reconhecíveis, fala-me de filósofos, poetas, dramaturgos, traz-me sol, um mar azul e quente e toda a sabedoria do mediterrâneo e também uma língua moribunda e outra viva e estranha.
Depois é o eterno confronto na “liga dos últimos”, ora Nós, ora a Grécia, lá vamos andando a ver que está mais atrás
Pois embora tenha ouvido dizer que todos os indicadores económicos já nos deixaram muito atrás da Grécia, este encontro mais íntimo que agora se me proporcionou mostra-me um pouco que, infelizmente, não será bem assim.
Não sei dos números da economia, mas vendo o pulsar da cidade de Atenas, a sua velocidade, o modo como a sua gente se veste, os carros que guiam, o estado de conservação dos seus edifícios, o facto muito significativo de que ainda não vi nenhum polícia, entre os muitos que já vi, que usasse esses tão “globais” óculos escuros, que já são regra em Portugal, dá-me indicações claras: na escalada para o progresso a Grécia ainda vai feliz atrás de nós, ainda conserva um certo ar misturado de Turco e Magrebino, articulado com o “bárbaro” eslavo que espreita a Norte logo ali tão perto.
Não. Diga o que disser a economia, na “liga dos últimos”, a Grécia ainda nos bate aos pontos.
2006-03-28
A Regionalização
Portugal é um caso singular em todo o mundo, não foi fundado, como dizia Agostinho da Silva, mas descoberto e assim se manteve, centenas de anos sem que ninguém se engane sobre onde é Portugal e onde não é Portugal.
É certo que há pequenas zonas de penumbra como aquelas aldeias transmontanas e galegas de que já falei aqui e, evidentemente o caso de Olivença que por não conhecer suficientemente o assunto, não sei bem se não é Portugal e só muito tarde se definiu como não portuguesa ou, pelo contrário, se é Portugal mas por engano foi metida em Espanha, que aliás nem existe.
De qualquer forma são apenas as pequenas excepções que confirmam a regra, Portugal é aqui e pronto, ninguém duvida e ninguém põe em causa.
Regiões, locais, formas diversas, rivalidades regionais, especificidades culturais é certo que Portugal as tem, e muito, mas como num fato há bainhas, bolsos, botões entretelas, golas e, sei lá o que mais, tudo coisas que fazem parte de uma totalidade e não têm sentido fora desse contexto geral.
Estamos assim numa situação quase anedótica: achamos alguns que é preciso regionalizar, mas passamos a vida a discutir que regiões deveremos ter !. É assim como, por exemplo, um realizador de cinema que quer montar o filme, porque os filmes têm de ser montados mas não sabe bem que filme há-de montar, porque ainda não realizou nenhum.
É que o problema da regionalização em Portugal não se coloca como na generalidade dos países que têm de facto regiões e se limitam a discutir que poderes conferir ou não conferir a essas regiões de forma a conseguir um são equilíbrio entre a funcionalidade do país e a manutenção da unidade nacional.
Para Portugal a questão é apenas técnica, não se trata de reconhecer direitos de regiões reais mas antes de organizar o estado de forma mais eficaz.
E sendo uma questão exclusivamente técnica a recente proposta de Sócrates, que retoma aliás a velha ideia de Valente de Oliveira das 5 regiões plano, é, infelizmente, tecnicamente errada.
Quem estuda honestamente as questões do desenvolvimento económico deveria saber que a história ensina, em todo o mundo, tirando talvez algumas excepções muito particulares, que na teoria de juntar no mesmo pacote regiões já mais desenvolvidas com outras menos desenvolvidas, não há nenhum “efeito de locomotiva”, como apregoam os seus teóricos, onde a máquina desenvolvida deveria arrastar na via férrea do desenvolvimento a carruagem mais atrasada, pelo contrário, o que geralmente se passa é que a máquina parte e com esse arranque também se parte o engate e a carruagem fica, cada vez mais e mais longe.
Falando mais claro, a questão é a seguinte:
Se eu tenho um orçamento de 100, por exemplo, para a chamada região Norte, se aí tiver duas regiões, digamos Minho e Trás-os-Montes, são 50 para cada uma delas. se tiver apenas uma região, a região Norte, serão 85 para a componente mais forte e 15 para a mais fraca.
É isto que a história nos ensina mas alguns não querem ver.
É certo que há pequenas zonas de penumbra como aquelas aldeias transmontanas e galegas de que já falei aqui e, evidentemente o caso de Olivença que por não conhecer suficientemente o assunto, não sei bem se não é Portugal e só muito tarde se definiu como não portuguesa ou, pelo contrário, se é Portugal mas por engano foi metida em Espanha, que aliás nem existe.
De qualquer forma são apenas as pequenas excepções que confirmam a regra, Portugal é aqui e pronto, ninguém duvida e ninguém põe em causa.
Regiões, locais, formas diversas, rivalidades regionais, especificidades culturais é certo que Portugal as tem, e muito, mas como num fato há bainhas, bolsos, botões entretelas, golas e, sei lá o que mais, tudo coisas que fazem parte de uma totalidade e não têm sentido fora desse contexto geral.
Estamos assim numa situação quase anedótica: achamos alguns que é preciso regionalizar, mas passamos a vida a discutir que regiões deveremos ter !. É assim como, por exemplo, um realizador de cinema que quer montar o filme, porque os filmes têm de ser montados mas não sabe bem que filme há-de montar, porque ainda não realizou nenhum.
É que o problema da regionalização em Portugal não se coloca como na generalidade dos países que têm de facto regiões e se limitam a discutir que poderes conferir ou não conferir a essas regiões de forma a conseguir um são equilíbrio entre a funcionalidade do país e a manutenção da unidade nacional.
Para Portugal a questão é apenas técnica, não se trata de reconhecer direitos de regiões reais mas antes de organizar o estado de forma mais eficaz.
E sendo uma questão exclusivamente técnica a recente proposta de Sócrates, que retoma aliás a velha ideia de Valente de Oliveira das 5 regiões plano, é, infelizmente, tecnicamente errada.
Quem estuda honestamente as questões do desenvolvimento económico deveria saber que a história ensina, em todo o mundo, tirando talvez algumas excepções muito particulares, que na teoria de juntar no mesmo pacote regiões já mais desenvolvidas com outras menos desenvolvidas, não há nenhum “efeito de locomotiva”, como apregoam os seus teóricos, onde a máquina desenvolvida deveria arrastar na via férrea do desenvolvimento a carruagem mais atrasada, pelo contrário, o que geralmente se passa é que a máquina parte e com esse arranque também se parte o engate e a carruagem fica, cada vez mais e mais longe.
Falando mais claro, a questão é a seguinte:
Se eu tenho um orçamento de 100, por exemplo, para a chamada região Norte, se aí tiver duas regiões, digamos Minho e Trás-os-Montes, são 50 para cada uma delas. se tiver apenas uma região, a região Norte, serão 85 para a componente mais forte e 15 para a mais fraca.
É isto que a história nos ensina mas alguns não querem ver.
2006-03-22
Cavaco e Sócrates
Rios de tinta continuam a correr e milhares de neurónios se têm queimado, especulando sobre esta magna questão:
Será que Cavaco e Sócrates irão conviver sem problemas de maior ?
Pois aqui fica a resposta feita de ciência certa, que consegui alcançar depois de muito esforço e ponderação e apoiado no ombro de "gigantes":
Vão se dar bem ou talvez mal ou ainda ambas as coisas.
Depois verão se eu não estou certo.
Será que Cavaco e Sócrates irão conviver sem problemas de maior ?
Pois aqui fica a resposta feita de ciência certa, que consegui alcançar depois de muito esforço e ponderação e apoiado no ombro de "gigantes":
Vão se dar bem ou talvez mal ou ainda ambas as coisas.
Depois verão se eu não estou certo.
2006-03-20
A clarividência do Sr. Ministro
O Sr. Ministro da Agricultura do Desenvolvimento Rural e das Pescas, depois de ler um estudo da Universidade de Évora, terá descoberto a solução para o problema da Agricultura em Portugal: Apoie-se a Floresta !
De facto são tudo ocupações do espaço: agricultura, floresta, campos de golfe, reservas de caça, baldios e a própria ocupação urbana, só que umas não têm nada que ver com as outras.
Dito assim, como vi escrito no público: “Portugal deve apostar na floresta para assegurar a competitividade da agricultura” soou-me a grande misturada de alhos com bugalhos.
É como se, Pinto da Costa dissesse: “O FCP deve apostar nos espectáculos musicais no dragão para assegurar a competitividade no futebol”
Só que Pinto da Costa nunca diria isso, o Sr. Ministro é que parece que sim
De facto são tudo ocupações do espaço: agricultura, floresta, campos de golfe, reservas de caça, baldios e a própria ocupação urbana, só que umas não têm nada que ver com as outras.
Dito assim, como vi escrito no público: “Portugal deve apostar na floresta para assegurar a competitividade da agricultura” soou-me a grande misturada de alhos com bugalhos.
É como se, Pinto da Costa dissesse: “O FCP deve apostar nos espectáculos musicais no dragão para assegurar a competitividade no futebol”
Só que Pinto da Costa nunca diria isso, o Sr. Ministro é que parece que sim
2006-03-17
SPAM
Como já tenho referido aqui, as línguas desempenham 2 funções contraditórias: unem e separam.
Unem-nos a todos os falantes, separam-nos de todos os não falantes.
É por isso que não invejo o inglês que se vem degradando à medida que cresce, que se contamina ainda mais em vocábulos e na pronúncias do que contamina as outras línguas, que na sua crescente simplificação vai perdendo um mundo de significação.
O belíssimo inglês de Shakespeare onde está já ?
Mas também não gostaria de ter como língua materna uma daquelas línguas riquíssimas mas demasiado restritas, tipo finlandês, húngaro, norueguês ou gaélico, para falar apenas de línguas europeias.
O português está numa justa medida:
É, já por si, uma língua de 8 pátrias e milhões de falantes e suficientemente próxima do castelhano para que o entendamos minimamente, abrindo-nos o leque para mais centenas de milhões de falantes e dezenas de pátrias mas que conserva ainda aquele caracter semi-secreto que permite alguma intimidade em muitos contextos.
Já aqui, há tempos (20/07/2004), contei uma história que ilustrava um desses momentos íntimos, gostaria de falar agora de uma outra, não pequena, vantagem:
Como todos teremos a experiência, os nossos correios electrónicos (para falar português) tendem progressivamente a contaminar-se com inúmeras ofertas de negócios, promoções, vírus, “phishing”, em resumo, aquilo a que se costuma chamar de “spam”.
Mas se agradeço ao inglês estes termos esquisitos (phishing e spam) que me permitem precisar o meu discurso, também lhe agradeço que aí uns 95 % desse correio venha escrito em inglês macarrónico, o “broken English”, permitindo-me a sua mais rápida identificação e imediata eliminação.
Já muitas vezes tenho pensado nos problemas de decisão que se deverão colocar a um falante de inglês quando recebe um “e-mail” com o assunto “your contract” e que eu, porque não tenho “contracts” mas apenas contratos, sou capaz de eliminar sem dó nem piedade com uma simples “clicada” de rato.
Unem-nos a todos os falantes, separam-nos de todos os não falantes.
É por isso que não invejo o inglês que se vem degradando à medida que cresce, que se contamina ainda mais em vocábulos e na pronúncias do que contamina as outras línguas, que na sua crescente simplificação vai perdendo um mundo de significação.
O belíssimo inglês de Shakespeare onde está já ?
Mas também não gostaria de ter como língua materna uma daquelas línguas riquíssimas mas demasiado restritas, tipo finlandês, húngaro, norueguês ou gaélico, para falar apenas de línguas europeias.
O português está numa justa medida:
É, já por si, uma língua de 8 pátrias e milhões de falantes e suficientemente próxima do castelhano para que o entendamos minimamente, abrindo-nos o leque para mais centenas de milhões de falantes e dezenas de pátrias mas que conserva ainda aquele caracter semi-secreto que permite alguma intimidade em muitos contextos.
Já aqui, há tempos (20/07/2004), contei uma história que ilustrava um desses momentos íntimos, gostaria de falar agora de uma outra, não pequena, vantagem:
Como todos teremos a experiência, os nossos correios electrónicos (para falar português) tendem progressivamente a contaminar-se com inúmeras ofertas de negócios, promoções, vírus, “phishing”, em resumo, aquilo a que se costuma chamar de “spam”.
Mas se agradeço ao inglês estes termos esquisitos (phishing e spam) que me permitem precisar o meu discurso, também lhe agradeço que aí uns 95 % desse correio venha escrito em inglês macarrónico, o “broken English”, permitindo-me a sua mais rápida identificação e imediata eliminação.
Já muitas vezes tenho pensado nos problemas de decisão que se deverão colocar a um falante de inglês quando recebe um “e-mail” com o assunto “your contract” e que eu, porque não tenho “contracts” mas apenas contratos, sou capaz de eliminar sem dó nem piedade com uma simples “clicada” de rato.
2006-03-15
As OPA
SONAECOM só na PT e com BCP no BPI, etc e tal.
São as OPA
A sopa.
Mas se a sopa ensopa a opa ?
Oh pá !
São as OPA
A sopa.
Mas se a sopa ensopa a opa ?
Oh pá !
2006-03-12
Aprendendo com o meu neto
Eu encerrava o almoço tomando o meu café. Pedro, meu neto de ano e meio, depois de procurar o meu colo, que neguei para não me estragar aquele momento solene, fugiu resignado para a varanda onde a avó recolhia alguma roupa da corda da roupa, deitando as molas para um velho cesto no chão, que há anos, cumpre essa tarefa exemplarmente.
Pedro sentou-se no chão, e olhava para o cesto onde iam caindo molas, coloridas, ao som de um pequeno estalido, quando caíam e chocavam com as outras que já lá se encontravam.
Eu compreendo que para um aprendiz de “homo sapiens” de apenas ano e meio, aquilo seja um espectáculo digno de captar a atenção, até que a avó terminou a tarefa, reentrou em casa, ficando na varanda apenas Pedro e o cesto das molas, mas agora num estado que não lhe agradava, “inútil”, estático, desinteressante.
Pedro, no seu ano e meio, já tem uma noção da lei da gravidade, pegou no cesto, na ânsia de lhe dar actividade e inteligentemente virou-o ao contrário provocando uma chuva de molas coloridas. Então sorria e pronunciava “a-tá”, expressão do seu palrar que terá um significado indefinido mas próximo do reconhecimento de um dever cumprido com sucesso.
Mas foi um prazer breve, as molas estavam agora espalhadas pelo chão, ainda mais desinteressantes.
Começou então uma tarefa de permanente insatisfação: ia apanhando umas molas e metendo-as no cesto, mas logo olhava para o cesto e para o chão e se insatisfazia com o resultado, despejava então de novo apenas as duas ou três molas arrumadas sem obter o efeito desejado.
Fartou-se breve, levantou-se e saiu da varanda, com o ar de quem diz “quem vier atrás que feche a porta !”.
Atrás de si ficou o caos.
Eu, que assisti a tudo isto enquanto bebia o meu café, percebi então que Pedro se comportou tal qual como todos os “Governos da Nação”: Um ímpeto inicial de destruição, de mudança, uma insatisfação com o resultado produzido e uma eterna e inglória busca de soluções para ir corrigindo o mal produzido.
Só que Pedro tem ainda apenas “ano e meio” !
Pedro sentou-se no chão, e olhava para o cesto onde iam caindo molas, coloridas, ao som de um pequeno estalido, quando caíam e chocavam com as outras que já lá se encontravam.
Eu compreendo que para um aprendiz de “homo sapiens” de apenas ano e meio, aquilo seja um espectáculo digno de captar a atenção, até que a avó terminou a tarefa, reentrou em casa, ficando na varanda apenas Pedro e o cesto das molas, mas agora num estado que não lhe agradava, “inútil”, estático, desinteressante.
Pedro, no seu ano e meio, já tem uma noção da lei da gravidade, pegou no cesto, na ânsia de lhe dar actividade e inteligentemente virou-o ao contrário provocando uma chuva de molas coloridas. Então sorria e pronunciava “a-tá”, expressão do seu palrar que terá um significado indefinido mas próximo do reconhecimento de um dever cumprido com sucesso.
Mas foi um prazer breve, as molas estavam agora espalhadas pelo chão, ainda mais desinteressantes.
Começou então uma tarefa de permanente insatisfação: ia apanhando umas molas e metendo-as no cesto, mas logo olhava para o cesto e para o chão e se insatisfazia com o resultado, despejava então de novo apenas as duas ou três molas arrumadas sem obter o efeito desejado.
Fartou-se breve, levantou-se e saiu da varanda, com o ar de quem diz “quem vier atrás que feche a porta !”.
Atrás de si ficou o caos.
Eu, que assisti a tudo isto enquanto bebia o meu café, percebi então que Pedro se comportou tal qual como todos os “Governos da Nação”: Um ímpeto inicial de destruição, de mudança, uma insatisfação com o resultado produzido e uma eterna e inglória busca de soluções para ir corrigindo o mal produzido.
Só que Pedro tem ainda apenas “ano e meio” !
2006-03-09
Como português e sportinguista
Apetece-me dizer aos ingleses que se rebolam de raiva e aos “especialistas” que dizem que a nossa liga de futebol é da segunda divisão europeia.
- O Benfica, de facto, em Portugal, tem que lutar desesperadamente para não cair no quarto lugar, mas para vocês é mais do que suficiente seus merdas convencidos!
Parabéns Benfica
- O Benfica, de facto, em Portugal, tem que lutar desesperadamente para não cair no quarto lugar, mas para vocês é mais do que suficiente seus merdas convencidos!
Parabéns Benfica
2006-03-08
A semântica do lixo
Na minha recente visita à Irlanda tive oportunidade de visitar um interessante projecto, em fase de implementação, que visa a transformação de lixos de restaurantes e de matadouros em composto para a agricultura.
O promotor do projecto luta ainda afincadamente, com o apoio de vários cientistas, pela eliminação dos plásticos que lhe estragam o composto.
De momento é produzido um composto lindíssimo, de óptima estrutura, mas de onde saiem farripas de plástico que insistem em não se renderem à intensa actividade bacteriana.
O Promotor do projecto é porém um lutador e não duvida da sua vitória que antevê já alcançar através de um grande cone rotativo onde sopra um vento violento que há-de expulsar os malditos plásticos.
Nas suas palavras transparece o sonho, “eu sei que sou capaz” e prosseguindo no seu ideal diz-nos assim: “Para isto ficar perfeito eu tenho que conseguir despojos de estômago de bovino, isso sim, isso é um lixo limpo”.
Pat Boyle, que me acompanhava, como talvez alguns leitores deste blogue, ficou siderado por esta expressão: na sua imaginação via uma massa viscosa e nojenta que este homem se atrevia a classificar de lixo limpo.
Para mim, todavia, que por formação e gosto tenho uma visão mais telúrica do mundo, o conceito era perfeitamente perceptível: lixo exclusivamente orgânico, já meio transformado por diversos enzimas, e que integralmente se aliaria aos outros componentes orgânico e se transformaria perfeitamente em composto pela actividade bacteriana, e que, depois de incorporado na terra, geraria de novo vida é certamente um lixo limpo. Nojento, para mim, naquele contexto, eram de facto as malditas farripas de plástico.
Mas já no carro longe da fábrica, Pat Boyle repetia-me a “loucura” do homem: “lixo limpo ? despojos de estômago ? valha-nos Deus !”
Felizmente não vomitou a sua náusea, vómito que sujaria completamente o seu carro mas que não deixaria de ser “lixo limpo” para a fabrica de composto.
Uma coisa é certa, a semântica é fundamental também nas questões do lixo.
E foi isto que eu ouvi há dias num debate televisivo, na RTP2, sobre a questão candente da “co-incineração de resíduos perigosos”
Dizia um Professor que para evitar este clima de fobia colectiva, deveríamos ter feito como outros países, noutras línguas fizeram, chamar-lhe simplesmente “eliminação térmica de resíduos especiais”
Não tenho dúvida de que o Professor tem toda a razão.
Na imaginação popular “resíduos perigosos” tem de ser qualquer coisa de terrível que só de olhar nos deve matar, e a co-incineração (nem sequer é uma incineração como deve ser) se é que faz alguma coisa, será quanto muito separar o “peri” dos “gosos” que nós haveremos de respirar para morrer mais devagar.
Entretanto, segundo aprendi também recentemente numa reportagem radiofónica, os resíduos perigosos, ou especiais ou o que queiram, continuam a ser enterrados em Vale de Milhaços, num aterro sanitário onde só pastam cabras e ovelhas, felizes da vida.
O promotor do projecto luta ainda afincadamente, com o apoio de vários cientistas, pela eliminação dos plásticos que lhe estragam o composto.
De momento é produzido um composto lindíssimo, de óptima estrutura, mas de onde saiem farripas de plástico que insistem em não se renderem à intensa actividade bacteriana.
O Promotor do projecto é porém um lutador e não duvida da sua vitória que antevê já alcançar através de um grande cone rotativo onde sopra um vento violento que há-de expulsar os malditos plásticos.
Nas suas palavras transparece o sonho, “eu sei que sou capaz” e prosseguindo no seu ideal diz-nos assim: “Para isto ficar perfeito eu tenho que conseguir despojos de estômago de bovino, isso sim, isso é um lixo limpo”.
Pat Boyle, que me acompanhava, como talvez alguns leitores deste blogue, ficou siderado por esta expressão: na sua imaginação via uma massa viscosa e nojenta que este homem se atrevia a classificar de lixo limpo.
Para mim, todavia, que por formação e gosto tenho uma visão mais telúrica do mundo, o conceito era perfeitamente perceptível: lixo exclusivamente orgânico, já meio transformado por diversos enzimas, e que integralmente se aliaria aos outros componentes orgânico e se transformaria perfeitamente em composto pela actividade bacteriana, e que, depois de incorporado na terra, geraria de novo vida é certamente um lixo limpo. Nojento, para mim, naquele contexto, eram de facto as malditas farripas de plástico.
Mas já no carro longe da fábrica, Pat Boyle repetia-me a “loucura” do homem: “lixo limpo ? despojos de estômago ? valha-nos Deus !”
Felizmente não vomitou a sua náusea, vómito que sujaria completamente o seu carro mas que não deixaria de ser “lixo limpo” para a fabrica de composto.
Uma coisa é certa, a semântica é fundamental também nas questões do lixo.
E foi isto que eu ouvi há dias num debate televisivo, na RTP2, sobre a questão candente da “co-incineração de resíduos perigosos”
Dizia um Professor que para evitar este clima de fobia colectiva, deveríamos ter feito como outros países, noutras línguas fizeram, chamar-lhe simplesmente “eliminação térmica de resíduos especiais”
Não tenho dúvida de que o Professor tem toda a razão.
Na imaginação popular “resíduos perigosos” tem de ser qualquer coisa de terrível que só de olhar nos deve matar, e a co-incineração (nem sequer é uma incineração como deve ser) se é que faz alguma coisa, será quanto muito separar o “peri” dos “gosos” que nós haveremos de respirar para morrer mais devagar.
Entretanto, segundo aprendi também recentemente numa reportagem radiofónica, os resíduos perigosos, ou especiais ou o que queiram, continuam a ser enterrados em Vale de Milhaços, num aterro sanitário onde só pastam cabras e ovelhas, felizes da vida.
2006-03-03
As línguas
Quando observo o caos da organização social e dos sistemas jurídicos e políticos que procuram, sem sucesso, regular este mundo globalizado e verifico que se tratam de concepções e realizações de cérebros supostamente iluminados, educados, inteligentes, reconhecidos por quase todos como espíritos brilhantes, não deixo de me surpreender com a espantosa conquista social, espontânea, criada por todos e por ninguém, presente em todas as sociedades, das mais primitivas às mais “civilizadas” e que se chama “a lingua”.
Criar a língua, a partir do nada, ou apenas do choro e do riso, não foi tarefa nada simples, definir um sistema de códigos simbólicos que relacionam sons produzidos pela boca, organizados de forma lógica, fonemas, com significados concretos e abstractos e de forma que são reconhecidos por todos dentro de um determinado grupo significativo, “imposto” sem lei nem escola mas espontaneamente em auto-organização, foi uma tarefa quase impossível de conceber concluída pela humanidade com um tremendo sucesso.
E não foi um sistema, foram milhares, cada um válido no seu contexto. Com cambiantes próprios adaptados às situações específicas, instrumentos poderosos de interacção mas também de exclusão e de afirmação de identidades.
Ninguém planeou as línguas, são uma conquista verdadeiramente democrática e popular. Penso aliás que é precisamente por isso que se tornou realidade.
Viva a humanidade e os seus sistemas linguísticos.
Criar a língua, a partir do nada, ou apenas do choro e do riso, não foi tarefa nada simples, definir um sistema de códigos simbólicos que relacionam sons produzidos pela boca, organizados de forma lógica, fonemas, com significados concretos e abstractos e de forma que são reconhecidos por todos dentro de um determinado grupo significativo, “imposto” sem lei nem escola mas espontaneamente em auto-organização, foi uma tarefa quase impossível de conceber concluída pela humanidade com um tremendo sucesso.
E não foi um sistema, foram milhares, cada um válido no seu contexto. Com cambiantes próprios adaptados às situações específicas, instrumentos poderosos de interacção mas também de exclusão e de afirmação de identidades.
Ninguém planeou as línguas, são uma conquista verdadeiramente democrática e popular. Penso aliás que é precisamente por isso que se tornou realidade.
Viva a humanidade e os seus sistemas linguísticos.
2006-02-28
Ontem
A guerra chegou à minha porta.
Quando regressava a casa 2 carros de bombeiros bloqueavam o acesso.
Numa cesta articulada a uma espécie de guindaste, 2 bombeiros com máscaras e armados de sacos de plástico eram erguidos para o telhado do meu prédio.
Rapidamente fizeram a colheita de pombos e rolas mortas, suponho eu, porque são aves abundantes na zona, e desceram com os seus sacos cheios.Em poucos minutos desarmaram o “circo” e seguiram viagem, esperemos que sem o malfadado H5n1.
Quando regressava a casa 2 carros de bombeiros bloqueavam o acesso.
Numa cesta articulada a uma espécie de guindaste, 2 bombeiros com máscaras e armados de sacos de plástico eram erguidos para o telhado do meu prédio.
Rapidamente fizeram a colheita de pombos e rolas mortas, suponho eu, porque são aves abundantes na zona, e desceram com os seus sacos cheios.Em poucos minutos desarmaram o “circo” e seguiram viagem, esperemos que sem o malfadado H5n1.
2006-02-21
A guerra
Tenho para mim que o fim da espécie humana, quando e se chegar um dia, será por via de um qualquer vírus. Como penso aliás que terá sido um virus que já liquidou os velhos dinossauros, porque essa velha teoria do meteoro gigante que elimina os dinossauros em todo o lado e deixa incólumes os mamíferos não me convence de modo nenhum.
Os virus são uma maravilha da natureza na sua complexa simplicidade e inexpugnáveis na sua fragilidade.
O seu segredo é a rápida capacidade de penetração, a verdadeira “blitz krieg”, a capacidade de dissimulação e, sobretudo, a enorme capacidade de adaptação a novas situações.
A espécie humana, todavia é um osso bem mais duro de roer do que os dinossauros, outra maravilha da natureza:. “What a piece of work is man !” como dizia Shakespear “How noble in reason ! how infinite in faculties ! in form and movement how express and admirable ! in action how like an angel ! in apprehension how like a god ! the beauty of the world ! the paragon of animals !”
Temos assim uma guerra de “gigantes” entre dois extremos da evolução.
É assim que eu observo a tremenda batalha que se aproxima.
Os virus são uma maravilha da natureza na sua complexa simplicidade e inexpugnáveis na sua fragilidade.
O seu segredo é a rápida capacidade de penetração, a verdadeira “blitz krieg”, a capacidade de dissimulação e, sobretudo, a enorme capacidade de adaptação a novas situações.
A espécie humana, todavia é um osso bem mais duro de roer do que os dinossauros, outra maravilha da natureza:. “What a piece of work is man !” como dizia Shakespear “How noble in reason ! how infinite in faculties ! in form and movement how express and admirable ! in action how like an angel ! in apprehension how like a god ! the beauty of the world ! the paragon of animals !”
Temos assim uma guerra de “gigantes” entre dois extremos da evolução.
É assim que eu observo a tremenda batalha que se aproxima.
2006-02-16
Crónica de Dublin
“Dublin fair city, where girls are so pretty”
O irlandeses sempre foram o meu povo preferido da Europa e, por qualquer razão misteriosa, sempre vi nos irlandeses, também, uma grande simpatia por nós. Para mim foi o sangue e a cultura celta que deixou a sua marca nos celtiberos, nossos avôs, depois terá sido uma certa partilha de destinos, de pobres da Europa, a Irlanda é outro país europeu onde a expressão “desenrasca” é bem compreendida.
Foi assim apreensivo que vi nos últimos anos a Irlanda passar da cauda da UE, onde abanava connosco, para o clube dos mais ricos da Europa.
Há 6 ou 7 anos que não vinha a Dublin e estava curioso para ver até que ponto a riqueza lhes subiu à cabeça e depois aquela política “fascista” anti-fumadores que me parecia tão pouco irlandesa.
Logo que saí do aeroporto e me meti num taxi, descansei um pouco, perguntei ao condutor se tinha de apertar o cinto de segurança traseiro ao que ele me respondeu “se quiser”, “ainda bem que não é obrigatório” disse eu, que não o queria usar, “não senhor, é obrigatório por lei mas os ”dubliners” geralmente não o apertam !”, respondeu-me ele, “graças a Deus ainda estou na Irlanda de que gosto”, pensei eu.
No fumo é que não há nada a fazer, não se fuma mesmo em nenhum espaço fechado, nem mesmo num gabinete de trabalho onde se está só. Na rua, é claro só se vê gente de cigarro na mão, em frente de portas, tremendo de frio, deambulando pelas ruas. Vários “pubs” e restaurantes têm esplanadas ou pátios aquecidos, o que lhes sai caríssimo, mas é a única resposta possível, não consegui ver nenhum caso de desobediência civil.
Individualmente, todavia, continuam, afáveis e simpáticos, e há uma coisa nova, a presença da língua irlandesa aumentou substancialmente, tudo é bilingue, eu, é claro, não percebo uma palavra, mas gosto deles assim.
Em resumo, ainda temos Irlanda, negativo só os cigarros e a gastronomia que é uma merda.
A imigração também aumentou a olhos vistos, asiáticos são mato, a servir mesas e em balcões de lojas.
O irlandeses sempre foram o meu povo preferido da Europa e, por qualquer razão misteriosa, sempre vi nos irlandeses, também, uma grande simpatia por nós. Para mim foi o sangue e a cultura celta que deixou a sua marca nos celtiberos, nossos avôs, depois terá sido uma certa partilha de destinos, de pobres da Europa, a Irlanda é outro país europeu onde a expressão “desenrasca” é bem compreendida.
Foi assim apreensivo que vi nos últimos anos a Irlanda passar da cauda da UE, onde abanava connosco, para o clube dos mais ricos da Europa.
Há 6 ou 7 anos que não vinha a Dublin e estava curioso para ver até que ponto a riqueza lhes subiu à cabeça e depois aquela política “fascista” anti-fumadores que me parecia tão pouco irlandesa.
Logo que saí do aeroporto e me meti num taxi, descansei um pouco, perguntei ao condutor se tinha de apertar o cinto de segurança traseiro ao que ele me respondeu “se quiser”, “ainda bem que não é obrigatório” disse eu, que não o queria usar, “não senhor, é obrigatório por lei mas os ”dubliners” geralmente não o apertam !”, respondeu-me ele, “graças a Deus ainda estou na Irlanda de que gosto”, pensei eu.
No fumo é que não há nada a fazer, não se fuma mesmo em nenhum espaço fechado, nem mesmo num gabinete de trabalho onde se está só. Na rua, é claro só se vê gente de cigarro na mão, em frente de portas, tremendo de frio, deambulando pelas ruas. Vários “pubs” e restaurantes têm esplanadas ou pátios aquecidos, o que lhes sai caríssimo, mas é a única resposta possível, não consegui ver nenhum caso de desobediência civil.
Individualmente, todavia, continuam, afáveis e simpáticos, e há uma coisa nova, a presença da língua irlandesa aumentou substancialmente, tudo é bilingue, eu, é claro, não percebo uma palavra, mas gosto deles assim.
Em resumo, ainda temos Irlanda, negativo só os cigarros e a gastronomia que é uma merda.
A imigração também aumentou a olhos vistos, asiáticos são mato, a servir mesas e em balcões de lojas.
2006-02-09
Estou numa posição privilegiada
Para julgar a OPA de Belmiro sobre a PT, abandonei a NETCABO (PT) e aderi à CLIX (Belmiro), e posso vos dizer de minha justiça:
A netcabo (PT), se bem que tenha melhorado precisamente nos últimos dias antes da minha deslocalização era de facto fraquíssima, apoio a clientes quase nulo, serviço de qualidade instável, falta de respeito generalizado pelo cliente, preço excessivo. Quanto à CLIX (Belmiro), pelo que tenho podido observar até ao momento, tem um apoio a clientes quase nulo, serviço de qualidade instável, falta de respeito generalizado pelo cliente, preço excessivo. Tem porém uma pequena vantagem, a música que acompanha as nossas prolongadas esperas pelo atendimento do telefone, não sendo brilhante, é bem melhor do que a da netcabo, e debita uns “Yoopees” vibrantes que predispõem à boa disposição.
Dito isto, estou moderadamente confiante na OPA, a música talvez venha a ser outra, um pouco melhor.
A netcabo (PT), se bem que tenha melhorado precisamente nos últimos dias antes da minha deslocalização era de facto fraquíssima, apoio a clientes quase nulo, serviço de qualidade instável, falta de respeito generalizado pelo cliente, preço excessivo. Quanto à CLIX (Belmiro), pelo que tenho podido observar até ao momento, tem um apoio a clientes quase nulo, serviço de qualidade instável, falta de respeito generalizado pelo cliente, preço excessivo. Tem porém uma pequena vantagem, a música que acompanha as nossas prolongadas esperas pelo atendimento do telefone, não sendo brilhante, é bem melhor do que a da netcabo, e debita uns “Yoopees” vibrantes que predispõem à boa disposição.
Dito isto, estou moderadamente confiante na OPA, a música talvez venha a ser outra, um pouco melhor.
2006-02-08
A perspectiva ontológica implícita no pensamento único
Ao ouvir, mais uma vez, na rádio que, já não sei que estudo científico demonstrava claramente que já não sei que substância das nossas relações matava seres humanos como tordos, como sempre, fez despontar em mim a eterna questão: “já sei que se ingerir aquela substância contribuo significativamente para a minha morte mas se não a ingerir, será que não morro ?”, “Não”, responderá o pensamento único “mas assim terás uma morte prematura”.
Faço as minhas contas: (não sei quando) menos n anos é igual a (não sei quando), “Fico na mesma, prematura em relação a quê ?”.
Seguindo por este raciocínio lembrei-me de uma história passada comigo há muitos anos:
Tinha então vinte e tal anos e foi a primeira vez que tentei patinar no gelo, nos EUA.
Com alguns camaradas decidimos ir experimentar a patinagem no gelo, o homem que alugava os patins, vendo-me com cara de estrangeiro de paragens mais quentes perguntou-me: “já alguma vez patinou no gelo ?”, “não” respondi-lhe “só sobre rodas”, “então não precisa pagar o aluguer, mantenha os joelhos unidos”. Esta oferta e este conselho, alertara-me para a responsabilidade do momento, as gargalhadas que iria certamente proporcionar com as minhas quedas desastradas valiam mais do que o aluguer dos patins, decidi então não me dar ao desfrute.
Concebi a seguinte estratégia, em vez de andar atarantado perto da balaustrada com a mão a uns centímetros desta, fazendo a figura típica de principiante, enquanto crianças de apenas 6 ou 7 anos deambulam elegantemente por toda a pista, dou um impulso e deslizo para o meio e aí, sou forçado a patinar mesmo.
E assim fiz, cheguei lenta e equilibradamente ao meio da pista e só então caí na realidade: “e agora Nuno ? o que é que fazes ?”, lá tentei dar uns paços tímidos e deslocar-me uns centímetros mas o risco de me estatelar era enorme, fiquei quieto pensando que pelo menos assim passava despercebido mas sem saber bem como haveria de sair dali.
Os acontecimentos seguintes castigaram a minha soberba: subitamente, um a um, todos os patinadores saíram da pista e entrou uma máquina gigantesca que fazia a limpeza do gelo e a sua conservação.
E assim ficou a máquina e eu, sozinho, no meio da pista, com todos os olhos virados para mim, sem me conseguir deslocar.
Por fim, este momento lamentável foi ultrapassado por um jovem patinador que entrou na pista, patinou até mim e agarrando-me nas mãos me rebocou para fora entre os aplausos e o gáudio geral. Só de uma coisa me gabo, de facto nunca caí !
A minha estratégia conduziu a situação ao pior resultado possível e percebi então que teria sido bem melhor ter saído pelos meus pés ainda que me estatelasse uma ou duas vezes.
Pensará agora o leitor mas o que é que esta estória tem a ver com “a perspectiva ontológica implícita no pensamento único” ?
Pois tem tudo a ver: assim como eu privilegiei manter-me em cima dos patins em vez de patinar e me dei mal, o pensamento único privilegia o mantermo-nos vivos em vez de vivermos, e penso que assim também nos daremos mal, os “prozac” e os "xanax" que o digam.
Há a ideia implícita nesse pensamento de que nós poderíamos viver eternamente, se conseguíssemos evitar todas as agressões que nos podem matar: germes, tabaco, sal, ausência de exercício, acidentes, virus, bactérias diversas e tudo o mais que se vai descobrindo.
O que a ciência nos diz, todavia, é que ainda assim morreríamos, porque a morte faz parte da vida e nem mesmo teria sentido falar em vida se não existisse a morte.
A existência tem sempre princípio meio e fim.
O importante será tentarmos viver alegre, útil e reflectidamente, enquanto isso nos for concedido.
Faço as minhas contas: (não sei quando) menos n anos é igual a (não sei quando), “Fico na mesma, prematura em relação a quê ?”.
Seguindo por este raciocínio lembrei-me de uma história passada comigo há muitos anos:
Tinha então vinte e tal anos e foi a primeira vez que tentei patinar no gelo, nos EUA.
Com alguns camaradas decidimos ir experimentar a patinagem no gelo, o homem que alugava os patins, vendo-me com cara de estrangeiro de paragens mais quentes perguntou-me: “já alguma vez patinou no gelo ?”, “não” respondi-lhe “só sobre rodas”, “então não precisa pagar o aluguer, mantenha os joelhos unidos”. Esta oferta e este conselho, alertara-me para a responsabilidade do momento, as gargalhadas que iria certamente proporcionar com as minhas quedas desastradas valiam mais do que o aluguer dos patins, decidi então não me dar ao desfrute.
Concebi a seguinte estratégia, em vez de andar atarantado perto da balaustrada com a mão a uns centímetros desta, fazendo a figura típica de principiante, enquanto crianças de apenas 6 ou 7 anos deambulam elegantemente por toda a pista, dou um impulso e deslizo para o meio e aí, sou forçado a patinar mesmo.
E assim fiz, cheguei lenta e equilibradamente ao meio da pista e só então caí na realidade: “e agora Nuno ? o que é que fazes ?”, lá tentei dar uns paços tímidos e deslocar-me uns centímetros mas o risco de me estatelar era enorme, fiquei quieto pensando que pelo menos assim passava despercebido mas sem saber bem como haveria de sair dali.
Os acontecimentos seguintes castigaram a minha soberba: subitamente, um a um, todos os patinadores saíram da pista e entrou uma máquina gigantesca que fazia a limpeza do gelo e a sua conservação.
E assim ficou a máquina e eu, sozinho, no meio da pista, com todos os olhos virados para mim, sem me conseguir deslocar.
Por fim, este momento lamentável foi ultrapassado por um jovem patinador que entrou na pista, patinou até mim e agarrando-me nas mãos me rebocou para fora entre os aplausos e o gáudio geral. Só de uma coisa me gabo, de facto nunca caí !
A minha estratégia conduziu a situação ao pior resultado possível e percebi então que teria sido bem melhor ter saído pelos meus pés ainda que me estatelasse uma ou duas vezes.
Pensará agora o leitor mas o que é que esta estória tem a ver com “a perspectiva ontológica implícita no pensamento único” ?
Pois tem tudo a ver: assim como eu privilegiei manter-me em cima dos patins em vez de patinar e me dei mal, o pensamento único privilegia o mantermo-nos vivos em vez de vivermos, e penso que assim também nos daremos mal, os “prozac” e os "xanax" que o digam.
Há a ideia implícita nesse pensamento de que nós poderíamos viver eternamente, se conseguíssemos evitar todas as agressões que nos podem matar: germes, tabaco, sal, ausência de exercício, acidentes, virus, bactérias diversas e tudo o mais que se vai descobrindo.
O que a ciência nos diz, todavia, é que ainda assim morreríamos, porque a morte faz parte da vida e nem mesmo teria sentido falar em vida se não existisse a morte.
A existência tem sempre princípio meio e fim.
O importante será tentarmos viver alegre, útil e reflectidamente, enquanto isso nos for concedido.
2006-02-02
A música agora é outra
Já aqui (no fim da página, num dia 4 desse velho ano de 2003) falei de Damien Saez, pois ele aqui está, para os que quiserem ouvir picando na geringonça aqui ao lado direito.
Isto, é claro, se conseguirem porque esta tecnologia também tem os seus mistérios e parece que só alguns escolhidos conseguem ouvir.
Isto, é claro, se conseguirem porque esta tecnologia também tem os seus mistérios e parece que só alguns escolhidos conseguem ouvir.
2006-02-01
Bill Gates 2
Eu bem sei que, muito provavelmente, se eu estou aqui, calmamente, a escrever neste blogue, alguma coisa tenho que agradecer a esse senhor Bill Gates, mas tenho para comigo que se não fosse a ele seria a outro qualquer e, de qualquer modo, já lhe paguei e continuo a pagar esse favor bem pago.
De qualquer forma ficam aqui os meus agradecimentos pelo seu contributo para com a humanidade: obrigadinho ò Bill.
De qualquer forma ficam aqui os meus agradecimentos pelo seu contributo para com a humanidade: obrigadinho ò Bill.
2006-01-31
Bill Gates
Parece que está cá e é seguido por um séquito de notáveis, pudera, dizem que tem uma fortuna equivalente a 250 Euromilhões em fase de “Jackpot”.
Dizem os seus biógrafos que já desde os seus tempos de estudante, mostrava um apurado faro para o negócio e já vendia aos seus colegas cópias dos seus trabalhos académicos, como aqueles que todos nós, “simples idiotas”, que assim nunca haveremos de ser ricos, emprestávamos para ajudar os amigos.
Pois até pode ser um grande filantropo que para mim, humanamente, não vale a ponta de um chavelho.
Dizem os seus biógrafos que já desde os seus tempos de estudante, mostrava um apurado faro para o negócio e já vendia aos seus colegas cópias dos seus trabalhos académicos, como aqueles que todos nós, “simples idiotas”, que assim nunca haveremos de ser ricos, emprestávamos para ajudar os amigos.
Pois até pode ser um grande filantropo que para mim, humanamente, não vale a ponta de um chavelho.
2006-01-30
O Equívoco do caso Alegre
A notável adesão popular à candidatura de Manuel Alegre transcendeu o próprio candidato. De facto, não foi o apoio a este poeta “histórico” do PS que determinou essa adesão, pelo contrário, foi a conjuntura que conduziu ao seu temporário ostracismo partidário que despertou a simpatia popular.
Cada vez mais as pessoas estão fartas dos partidos, e do seu monopólio de acesso ao poder, em qualquer das suas formas, da sua progressiva alienação da realidade que os rodeia, da intrujice que nos querem “vender” de identificar a democracia com os partidos e as eleições (e mesmo estas só quando os resultados convêm, porque para o Hamas palestiniano, eleições livres já não chegam).
Eu que faço parte do povo (do “demo”) não posso sequer tentar ser deputado.
Campelo que defendeu os interesses dos seus eleitores contra os interesses das sua cúpula partidária foi “crucificado” na praça pública.
Há qualquer coisa de podre neste “Reino da Dinamarca” e muitos dos que votaram Alegre já começam a não suportar o mau cheiro.
Mas sendo já tão significativo este reconhecimento dos malefícios dos partidos, do que é que se hão de lembram os “opinion leaders” para capitalizar este sucesso de Alegre ?
Nem mais nem menos do que a fundação de mais um partido político !
Mais do mesmo, portanto.
Felizmente o povo parece não ser tão pobre de imaginação
Cada vez mais as pessoas estão fartas dos partidos, e do seu monopólio de acesso ao poder, em qualquer das suas formas, da sua progressiva alienação da realidade que os rodeia, da intrujice que nos querem “vender” de identificar a democracia com os partidos e as eleições (e mesmo estas só quando os resultados convêm, porque para o Hamas palestiniano, eleições livres já não chegam).
Eu que faço parte do povo (do “demo”) não posso sequer tentar ser deputado.
Campelo que defendeu os interesses dos seus eleitores contra os interesses das sua cúpula partidária foi “crucificado” na praça pública.
Há qualquer coisa de podre neste “Reino da Dinamarca” e muitos dos que votaram Alegre já começam a não suportar o mau cheiro.
Mas sendo já tão significativo este reconhecimento dos malefícios dos partidos, do que é que se hão de lembram os “opinion leaders” para capitalizar este sucesso de Alegre ?
Nem mais nem menos do que a fundação de mais um partido político !
Mais do mesmo, portanto.
Felizmente o povo parece não ser tão pobre de imaginação
2006-01-29
Finalmente Música
Fica hoje inaugurada a música neste blogue.
Basta picar no “play” no aparelho que está aí à direita.
Para começar, obviamente: “Tom Waits”, interpretando “Reeperban” da peça “Alice”
Espero que gostem tanto como eu.
Basta picar no “play” no aparelho que está aí à direita.
Para começar, obviamente: “Tom Waits”, interpretando “Reeperban” da peça “Alice”
Espero que gostem tanto como eu.
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