Portugal é um caso singular em todo o mundo, não foi fundado, como dizia Agostinho da Silva, mas descoberto e assim se manteve, centenas de anos sem que ninguém se engane sobre onde é Portugal e onde não é Portugal.
É certo que há pequenas zonas de penumbra como aquelas aldeias transmontanas e galegas de que já falei aqui e, evidentemente o caso de Olivença que por não conhecer suficientemente o assunto, não sei bem se não é Portugal e só muito tarde se definiu como não portuguesa ou, pelo contrário, se é Portugal mas por engano foi metida em Espanha, que aliás nem existe.
De qualquer forma são apenas as pequenas excepções que confirmam a regra, Portugal é aqui e pronto, ninguém duvida e ninguém põe em causa.
Regiões, locais, formas diversas, rivalidades regionais, especificidades culturais é certo que Portugal as tem, e muito, mas como num fato há bainhas, bolsos, botões entretelas, golas e, sei lá o que mais, tudo coisas que fazem parte de uma totalidade e não têm sentido fora desse contexto geral.
Estamos assim numa situação quase anedótica: achamos alguns que é preciso regionalizar, mas passamos a vida a discutir que regiões deveremos ter !. É assim como, por exemplo, um realizador de cinema que quer montar o filme, porque os filmes têm de ser montados mas não sabe bem que filme há-de montar, porque ainda não realizou nenhum.
É que o problema da regionalização em Portugal não se coloca como na generalidade dos países que têm de facto regiões e se limitam a discutir que poderes conferir ou não conferir a essas regiões de forma a conseguir um são equilíbrio entre a funcionalidade do país e a manutenção da unidade nacional.
Para Portugal a questão é apenas técnica, não se trata de reconhecer direitos de regiões reais mas antes de organizar o estado de forma mais eficaz.
E sendo uma questão exclusivamente técnica a recente proposta de Sócrates, que retoma aliás a velha ideia de Valente de Oliveira das 5 regiões plano, é, infelizmente, tecnicamente errada.
Quem estuda honestamente as questões do desenvolvimento económico deveria saber que a história ensina, em todo o mundo, tirando talvez algumas excepções muito particulares, que na teoria de juntar no mesmo pacote regiões já mais desenvolvidas com outras menos desenvolvidas, não há nenhum “efeito de locomotiva”, como apregoam os seus teóricos, onde a máquina desenvolvida deveria arrastar na via férrea do desenvolvimento a carruagem mais atrasada, pelo contrário, o que geralmente se passa é que a máquina parte e com esse arranque também se parte o engate e a carruagem fica, cada vez mais e mais longe.
Falando mais claro, a questão é a seguinte:
Se eu tenho um orçamento de 100, por exemplo, para a chamada região Norte, se aí tiver duas regiões, digamos Minho e Trás-os-Montes, são 50 para cada uma delas. se tiver apenas uma região, a região Norte, serão 85 para a componente mais forte e 15 para a mais fraca.
É isto que a história nos ensina mas alguns não querem ver.
2006-03-28
2006-03-22
Cavaco e Sócrates
Rios de tinta continuam a correr e milhares de neurónios se têm queimado, especulando sobre esta magna questão:
Será que Cavaco e Sócrates irão conviver sem problemas de maior ?
Pois aqui fica a resposta feita de ciência certa, que consegui alcançar depois de muito esforço e ponderação e apoiado no ombro de "gigantes":
Vão se dar bem ou talvez mal ou ainda ambas as coisas.
Depois verão se eu não estou certo.
Será que Cavaco e Sócrates irão conviver sem problemas de maior ?
Pois aqui fica a resposta feita de ciência certa, que consegui alcançar depois de muito esforço e ponderação e apoiado no ombro de "gigantes":
Vão se dar bem ou talvez mal ou ainda ambas as coisas.
Depois verão se eu não estou certo.
2006-03-20
A clarividência do Sr. Ministro
O Sr. Ministro da Agricultura do Desenvolvimento Rural e das Pescas, depois de ler um estudo da Universidade de Évora, terá descoberto a solução para o problema da Agricultura em Portugal: Apoie-se a Floresta !
De facto são tudo ocupações do espaço: agricultura, floresta, campos de golfe, reservas de caça, baldios e a própria ocupação urbana, só que umas não têm nada que ver com as outras.
Dito assim, como vi escrito no público: “Portugal deve apostar na floresta para assegurar a competitividade da agricultura” soou-me a grande misturada de alhos com bugalhos.
É como se, Pinto da Costa dissesse: “O FCP deve apostar nos espectáculos musicais no dragão para assegurar a competitividade no futebol”
Só que Pinto da Costa nunca diria isso, o Sr. Ministro é que parece que sim
De facto são tudo ocupações do espaço: agricultura, floresta, campos de golfe, reservas de caça, baldios e a própria ocupação urbana, só que umas não têm nada que ver com as outras.
Dito assim, como vi escrito no público: “Portugal deve apostar na floresta para assegurar a competitividade da agricultura” soou-me a grande misturada de alhos com bugalhos.
É como se, Pinto da Costa dissesse: “O FCP deve apostar nos espectáculos musicais no dragão para assegurar a competitividade no futebol”
Só que Pinto da Costa nunca diria isso, o Sr. Ministro é que parece que sim
2006-03-17
SPAM
Como já tenho referido aqui, as línguas desempenham 2 funções contraditórias: unem e separam.
Unem-nos a todos os falantes, separam-nos de todos os não falantes.
É por isso que não invejo o inglês que se vem degradando à medida que cresce, que se contamina ainda mais em vocábulos e na pronúncias do que contamina as outras línguas, que na sua crescente simplificação vai perdendo um mundo de significação.
O belíssimo inglês de Shakespeare onde está já ?
Mas também não gostaria de ter como língua materna uma daquelas línguas riquíssimas mas demasiado restritas, tipo finlandês, húngaro, norueguês ou gaélico, para falar apenas de línguas europeias.
O português está numa justa medida:
É, já por si, uma língua de 8 pátrias e milhões de falantes e suficientemente próxima do castelhano para que o entendamos minimamente, abrindo-nos o leque para mais centenas de milhões de falantes e dezenas de pátrias mas que conserva ainda aquele caracter semi-secreto que permite alguma intimidade em muitos contextos.
Já aqui, há tempos (20/07/2004), contei uma história que ilustrava um desses momentos íntimos, gostaria de falar agora de uma outra, não pequena, vantagem:
Como todos teremos a experiência, os nossos correios electrónicos (para falar português) tendem progressivamente a contaminar-se com inúmeras ofertas de negócios, promoções, vírus, “phishing”, em resumo, aquilo a que se costuma chamar de “spam”.
Mas se agradeço ao inglês estes termos esquisitos (phishing e spam) que me permitem precisar o meu discurso, também lhe agradeço que aí uns 95 % desse correio venha escrito em inglês macarrónico, o “broken English”, permitindo-me a sua mais rápida identificação e imediata eliminação.
Já muitas vezes tenho pensado nos problemas de decisão que se deverão colocar a um falante de inglês quando recebe um “e-mail” com o assunto “your contract” e que eu, porque não tenho “contracts” mas apenas contratos, sou capaz de eliminar sem dó nem piedade com uma simples “clicada” de rato.
Unem-nos a todos os falantes, separam-nos de todos os não falantes.
É por isso que não invejo o inglês que se vem degradando à medida que cresce, que se contamina ainda mais em vocábulos e na pronúncias do que contamina as outras línguas, que na sua crescente simplificação vai perdendo um mundo de significação.
O belíssimo inglês de Shakespeare onde está já ?
Mas também não gostaria de ter como língua materna uma daquelas línguas riquíssimas mas demasiado restritas, tipo finlandês, húngaro, norueguês ou gaélico, para falar apenas de línguas europeias.
O português está numa justa medida:
É, já por si, uma língua de 8 pátrias e milhões de falantes e suficientemente próxima do castelhano para que o entendamos minimamente, abrindo-nos o leque para mais centenas de milhões de falantes e dezenas de pátrias mas que conserva ainda aquele caracter semi-secreto que permite alguma intimidade em muitos contextos.
Já aqui, há tempos (20/07/2004), contei uma história que ilustrava um desses momentos íntimos, gostaria de falar agora de uma outra, não pequena, vantagem:
Como todos teremos a experiência, os nossos correios electrónicos (para falar português) tendem progressivamente a contaminar-se com inúmeras ofertas de negócios, promoções, vírus, “phishing”, em resumo, aquilo a que se costuma chamar de “spam”.
Mas se agradeço ao inglês estes termos esquisitos (phishing e spam) que me permitem precisar o meu discurso, também lhe agradeço que aí uns 95 % desse correio venha escrito em inglês macarrónico, o “broken English”, permitindo-me a sua mais rápida identificação e imediata eliminação.
Já muitas vezes tenho pensado nos problemas de decisão que se deverão colocar a um falante de inglês quando recebe um “e-mail” com o assunto “your contract” e que eu, porque não tenho “contracts” mas apenas contratos, sou capaz de eliminar sem dó nem piedade com uma simples “clicada” de rato.
2006-03-15
As OPA
SONAECOM só na PT e com BCP no BPI, etc e tal.
São as OPA
A sopa.
Mas se a sopa ensopa a opa ?
Oh pá !
São as OPA
A sopa.
Mas se a sopa ensopa a opa ?
Oh pá !
2006-03-12
Aprendendo com o meu neto
Eu encerrava o almoço tomando o meu café. Pedro, meu neto de ano e meio, depois de procurar o meu colo, que neguei para não me estragar aquele momento solene, fugiu resignado para a varanda onde a avó recolhia alguma roupa da corda da roupa, deitando as molas para um velho cesto no chão, que há anos, cumpre essa tarefa exemplarmente.
Pedro sentou-se no chão, e olhava para o cesto onde iam caindo molas, coloridas, ao som de um pequeno estalido, quando caíam e chocavam com as outras que já lá se encontravam.
Eu compreendo que para um aprendiz de “homo sapiens” de apenas ano e meio, aquilo seja um espectáculo digno de captar a atenção, até que a avó terminou a tarefa, reentrou em casa, ficando na varanda apenas Pedro e o cesto das molas, mas agora num estado que não lhe agradava, “inútil”, estático, desinteressante.
Pedro, no seu ano e meio, já tem uma noção da lei da gravidade, pegou no cesto, na ânsia de lhe dar actividade e inteligentemente virou-o ao contrário provocando uma chuva de molas coloridas. Então sorria e pronunciava “a-tá”, expressão do seu palrar que terá um significado indefinido mas próximo do reconhecimento de um dever cumprido com sucesso.
Mas foi um prazer breve, as molas estavam agora espalhadas pelo chão, ainda mais desinteressantes.
Começou então uma tarefa de permanente insatisfação: ia apanhando umas molas e metendo-as no cesto, mas logo olhava para o cesto e para o chão e se insatisfazia com o resultado, despejava então de novo apenas as duas ou três molas arrumadas sem obter o efeito desejado.
Fartou-se breve, levantou-se e saiu da varanda, com o ar de quem diz “quem vier atrás que feche a porta !”.
Atrás de si ficou o caos.
Eu, que assisti a tudo isto enquanto bebia o meu café, percebi então que Pedro se comportou tal qual como todos os “Governos da Nação”: Um ímpeto inicial de destruição, de mudança, uma insatisfação com o resultado produzido e uma eterna e inglória busca de soluções para ir corrigindo o mal produzido.
Só que Pedro tem ainda apenas “ano e meio” !
Pedro sentou-se no chão, e olhava para o cesto onde iam caindo molas, coloridas, ao som de um pequeno estalido, quando caíam e chocavam com as outras que já lá se encontravam.
Eu compreendo que para um aprendiz de “homo sapiens” de apenas ano e meio, aquilo seja um espectáculo digno de captar a atenção, até que a avó terminou a tarefa, reentrou em casa, ficando na varanda apenas Pedro e o cesto das molas, mas agora num estado que não lhe agradava, “inútil”, estático, desinteressante.
Pedro, no seu ano e meio, já tem uma noção da lei da gravidade, pegou no cesto, na ânsia de lhe dar actividade e inteligentemente virou-o ao contrário provocando uma chuva de molas coloridas. Então sorria e pronunciava “a-tá”, expressão do seu palrar que terá um significado indefinido mas próximo do reconhecimento de um dever cumprido com sucesso.
Mas foi um prazer breve, as molas estavam agora espalhadas pelo chão, ainda mais desinteressantes.
Começou então uma tarefa de permanente insatisfação: ia apanhando umas molas e metendo-as no cesto, mas logo olhava para o cesto e para o chão e se insatisfazia com o resultado, despejava então de novo apenas as duas ou três molas arrumadas sem obter o efeito desejado.
Fartou-se breve, levantou-se e saiu da varanda, com o ar de quem diz “quem vier atrás que feche a porta !”.
Atrás de si ficou o caos.
Eu, que assisti a tudo isto enquanto bebia o meu café, percebi então que Pedro se comportou tal qual como todos os “Governos da Nação”: Um ímpeto inicial de destruição, de mudança, uma insatisfação com o resultado produzido e uma eterna e inglória busca de soluções para ir corrigindo o mal produzido.
Só que Pedro tem ainda apenas “ano e meio” !
2006-03-09
Como português e sportinguista
Apetece-me dizer aos ingleses que se rebolam de raiva e aos “especialistas” que dizem que a nossa liga de futebol é da segunda divisão europeia.
- O Benfica, de facto, em Portugal, tem que lutar desesperadamente para não cair no quarto lugar, mas para vocês é mais do que suficiente seus merdas convencidos!
Parabéns Benfica
- O Benfica, de facto, em Portugal, tem que lutar desesperadamente para não cair no quarto lugar, mas para vocês é mais do que suficiente seus merdas convencidos!
Parabéns Benfica
2006-03-08
A semântica do lixo
Na minha recente visita à Irlanda tive oportunidade de visitar um interessante projecto, em fase de implementação, que visa a transformação de lixos de restaurantes e de matadouros em composto para a agricultura.
O promotor do projecto luta ainda afincadamente, com o apoio de vários cientistas, pela eliminação dos plásticos que lhe estragam o composto.
De momento é produzido um composto lindíssimo, de óptima estrutura, mas de onde saiem farripas de plástico que insistem em não se renderem à intensa actividade bacteriana.
O Promotor do projecto é porém um lutador e não duvida da sua vitória que antevê já alcançar através de um grande cone rotativo onde sopra um vento violento que há-de expulsar os malditos plásticos.
Nas suas palavras transparece o sonho, “eu sei que sou capaz” e prosseguindo no seu ideal diz-nos assim: “Para isto ficar perfeito eu tenho que conseguir despojos de estômago de bovino, isso sim, isso é um lixo limpo”.
Pat Boyle, que me acompanhava, como talvez alguns leitores deste blogue, ficou siderado por esta expressão: na sua imaginação via uma massa viscosa e nojenta que este homem se atrevia a classificar de lixo limpo.
Para mim, todavia, que por formação e gosto tenho uma visão mais telúrica do mundo, o conceito era perfeitamente perceptível: lixo exclusivamente orgânico, já meio transformado por diversos enzimas, e que integralmente se aliaria aos outros componentes orgânico e se transformaria perfeitamente em composto pela actividade bacteriana, e que, depois de incorporado na terra, geraria de novo vida é certamente um lixo limpo. Nojento, para mim, naquele contexto, eram de facto as malditas farripas de plástico.
Mas já no carro longe da fábrica, Pat Boyle repetia-me a “loucura” do homem: “lixo limpo ? despojos de estômago ? valha-nos Deus !”
Felizmente não vomitou a sua náusea, vómito que sujaria completamente o seu carro mas que não deixaria de ser “lixo limpo” para a fabrica de composto.
Uma coisa é certa, a semântica é fundamental também nas questões do lixo.
E foi isto que eu ouvi há dias num debate televisivo, na RTP2, sobre a questão candente da “co-incineração de resíduos perigosos”
Dizia um Professor que para evitar este clima de fobia colectiva, deveríamos ter feito como outros países, noutras línguas fizeram, chamar-lhe simplesmente “eliminação térmica de resíduos especiais”
Não tenho dúvida de que o Professor tem toda a razão.
Na imaginação popular “resíduos perigosos” tem de ser qualquer coisa de terrível que só de olhar nos deve matar, e a co-incineração (nem sequer é uma incineração como deve ser) se é que faz alguma coisa, será quanto muito separar o “peri” dos “gosos” que nós haveremos de respirar para morrer mais devagar.
Entretanto, segundo aprendi também recentemente numa reportagem radiofónica, os resíduos perigosos, ou especiais ou o que queiram, continuam a ser enterrados em Vale de Milhaços, num aterro sanitário onde só pastam cabras e ovelhas, felizes da vida.
O promotor do projecto luta ainda afincadamente, com o apoio de vários cientistas, pela eliminação dos plásticos que lhe estragam o composto.
De momento é produzido um composto lindíssimo, de óptima estrutura, mas de onde saiem farripas de plástico que insistem em não se renderem à intensa actividade bacteriana.
O Promotor do projecto é porém um lutador e não duvida da sua vitória que antevê já alcançar através de um grande cone rotativo onde sopra um vento violento que há-de expulsar os malditos plásticos.
Nas suas palavras transparece o sonho, “eu sei que sou capaz” e prosseguindo no seu ideal diz-nos assim: “Para isto ficar perfeito eu tenho que conseguir despojos de estômago de bovino, isso sim, isso é um lixo limpo”.
Pat Boyle, que me acompanhava, como talvez alguns leitores deste blogue, ficou siderado por esta expressão: na sua imaginação via uma massa viscosa e nojenta que este homem se atrevia a classificar de lixo limpo.
Para mim, todavia, que por formação e gosto tenho uma visão mais telúrica do mundo, o conceito era perfeitamente perceptível: lixo exclusivamente orgânico, já meio transformado por diversos enzimas, e que integralmente se aliaria aos outros componentes orgânico e se transformaria perfeitamente em composto pela actividade bacteriana, e que, depois de incorporado na terra, geraria de novo vida é certamente um lixo limpo. Nojento, para mim, naquele contexto, eram de facto as malditas farripas de plástico.
Mas já no carro longe da fábrica, Pat Boyle repetia-me a “loucura” do homem: “lixo limpo ? despojos de estômago ? valha-nos Deus !”
Felizmente não vomitou a sua náusea, vómito que sujaria completamente o seu carro mas que não deixaria de ser “lixo limpo” para a fabrica de composto.
Uma coisa é certa, a semântica é fundamental também nas questões do lixo.
E foi isto que eu ouvi há dias num debate televisivo, na RTP2, sobre a questão candente da “co-incineração de resíduos perigosos”
Dizia um Professor que para evitar este clima de fobia colectiva, deveríamos ter feito como outros países, noutras línguas fizeram, chamar-lhe simplesmente “eliminação térmica de resíduos especiais”
Não tenho dúvida de que o Professor tem toda a razão.
Na imaginação popular “resíduos perigosos” tem de ser qualquer coisa de terrível que só de olhar nos deve matar, e a co-incineração (nem sequer é uma incineração como deve ser) se é que faz alguma coisa, será quanto muito separar o “peri” dos “gosos” que nós haveremos de respirar para morrer mais devagar.
Entretanto, segundo aprendi também recentemente numa reportagem radiofónica, os resíduos perigosos, ou especiais ou o que queiram, continuam a ser enterrados em Vale de Milhaços, num aterro sanitário onde só pastam cabras e ovelhas, felizes da vida.
2006-03-03
As línguas
Quando observo o caos da organização social e dos sistemas jurídicos e políticos que procuram, sem sucesso, regular este mundo globalizado e verifico que se tratam de concepções e realizações de cérebros supostamente iluminados, educados, inteligentes, reconhecidos por quase todos como espíritos brilhantes, não deixo de me surpreender com a espantosa conquista social, espontânea, criada por todos e por ninguém, presente em todas as sociedades, das mais primitivas às mais “civilizadas” e que se chama “a lingua”.
Criar a língua, a partir do nada, ou apenas do choro e do riso, não foi tarefa nada simples, definir um sistema de códigos simbólicos que relacionam sons produzidos pela boca, organizados de forma lógica, fonemas, com significados concretos e abstractos e de forma que são reconhecidos por todos dentro de um determinado grupo significativo, “imposto” sem lei nem escola mas espontaneamente em auto-organização, foi uma tarefa quase impossível de conceber concluída pela humanidade com um tremendo sucesso.
E não foi um sistema, foram milhares, cada um válido no seu contexto. Com cambiantes próprios adaptados às situações específicas, instrumentos poderosos de interacção mas também de exclusão e de afirmação de identidades.
Ninguém planeou as línguas, são uma conquista verdadeiramente democrática e popular. Penso aliás que é precisamente por isso que se tornou realidade.
Viva a humanidade e os seus sistemas linguísticos.
Criar a língua, a partir do nada, ou apenas do choro e do riso, não foi tarefa nada simples, definir um sistema de códigos simbólicos que relacionam sons produzidos pela boca, organizados de forma lógica, fonemas, com significados concretos e abstractos e de forma que são reconhecidos por todos dentro de um determinado grupo significativo, “imposto” sem lei nem escola mas espontaneamente em auto-organização, foi uma tarefa quase impossível de conceber concluída pela humanidade com um tremendo sucesso.
E não foi um sistema, foram milhares, cada um válido no seu contexto. Com cambiantes próprios adaptados às situações específicas, instrumentos poderosos de interacção mas também de exclusão e de afirmação de identidades.
Ninguém planeou as línguas, são uma conquista verdadeiramente democrática e popular. Penso aliás que é precisamente por isso que se tornou realidade.
Viva a humanidade e os seus sistemas linguísticos.
2006-02-28
Ontem
A guerra chegou à minha porta.
Quando regressava a casa 2 carros de bombeiros bloqueavam o acesso.
Numa cesta articulada a uma espécie de guindaste, 2 bombeiros com máscaras e armados de sacos de plástico eram erguidos para o telhado do meu prédio.
Rapidamente fizeram a colheita de pombos e rolas mortas, suponho eu, porque são aves abundantes na zona, e desceram com os seus sacos cheios.Em poucos minutos desarmaram o “circo” e seguiram viagem, esperemos que sem o malfadado H5n1.
Quando regressava a casa 2 carros de bombeiros bloqueavam o acesso.
Numa cesta articulada a uma espécie de guindaste, 2 bombeiros com máscaras e armados de sacos de plástico eram erguidos para o telhado do meu prédio.
Rapidamente fizeram a colheita de pombos e rolas mortas, suponho eu, porque são aves abundantes na zona, e desceram com os seus sacos cheios.Em poucos minutos desarmaram o “circo” e seguiram viagem, esperemos que sem o malfadado H5n1.
2006-02-21
A guerra
Tenho para mim que o fim da espécie humana, quando e se chegar um dia, será por via de um qualquer vírus. Como penso aliás que terá sido um virus que já liquidou os velhos dinossauros, porque essa velha teoria do meteoro gigante que elimina os dinossauros em todo o lado e deixa incólumes os mamíferos não me convence de modo nenhum.
Os virus são uma maravilha da natureza na sua complexa simplicidade e inexpugnáveis na sua fragilidade.
O seu segredo é a rápida capacidade de penetração, a verdadeira “blitz krieg”, a capacidade de dissimulação e, sobretudo, a enorme capacidade de adaptação a novas situações.
A espécie humana, todavia é um osso bem mais duro de roer do que os dinossauros, outra maravilha da natureza:. “What a piece of work is man !” como dizia Shakespear “How noble in reason ! how infinite in faculties ! in form and movement how express and admirable ! in action how like an angel ! in apprehension how like a god ! the beauty of the world ! the paragon of animals !”
Temos assim uma guerra de “gigantes” entre dois extremos da evolução.
É assim que eu observo a tremenda batalha que se aproxima.
Os virus são uma maravilha da natureza na sua complexa simplicidade e inexpugnáveis na sua fragilidade.
O seu segredo é a rápida capacidade de penetração, a verdadeira “blitz krieg”, a capacidade de dissimulação e, sobretudo, a enorme capacidade de adaptação a novas situações.
A espécie humana, todavia é um osso bem mais duro de roer do que os dinossauros, outra maravilha da natureza:. “What a piece of work is man !” como dizia Shakespear “How noble in reason ! how infinite in faculties ! in form and movement how express and admirable ! in action how like an angel ! in apprehension how like a god ! the beauty of the world ! the paragon of animals !”
Temos assim uma guerra de “gigantes” entre dois extremos da evolução.
É assim que eu observo a tremenda batalha que se aproxima.
2006-02-16
Crónica de Dublin
“Dublin fair city, where girls are so pretty”
O irlandeses sempre foram o meu povo preferido da Europa e, por qualquer razão misteriosa, sempre vi nos irlandeses, também, uma grande simpatia por nós. Para mim foi o sangue e a cultura celta que deixou a sua marca nos celtiberos, nossos avôs, depois terá sido uma certa partilha de destinos, de pobres da Europa, a Irlanda é outro país europeu onde a expressão “desenrasca” é bem compreendida.
Foi assim apreensivo que vi nos últimos anos a Irlanda passar da cauda da UE, onde abanava connosco, para o clube dos mais ricos da Europa.
Há 6 ou 7 anos que não vinha a Dublin e estava curioso para ver até que ponto a riqueza lhes subiu à cabeça e depois aquela política “fascista” anti-fumadores que me parecia tão pouco irlandesa.
Logo que saí do aeroporto e me meti num taxi, descansei um pouco, perguntei ao condutor se tinha de apertar o cinto de segurança traseiro ao que ele me respondeu “se quiser”, “ainda bem que não é obrigatório” disse eu, que não o queria usar, “não senhor, é obrigatório por lei mas os ”dubliners” geralmente não o apertam !”, respondeu-me ele, “graças a Deus ainda estou na Irlanda de que gosto”, pensei eu.
No fumo é que não há nada a fazer, não se fuma mesmo em nenhum espaço fechado, nem mesmo num gabinete de trabalho onde se está só. Na rua, é claro só se vê gente de cigarro na mão, em frente de portas, tremendo de frio, deambulando pelas ruas. Vários “pubs” e restaurantes têm esplanadas ou pátios aquecidos, o que lhes sai caríssimo, mas é a única resposta possível, não consegui ver nenhum caso de desobediência civil.
Individualmente, todavia, continuam, afáveis e simpáticos, e há uma coisa nova, a presença da língua irlandesa aumentou substancialmente, tudo é bilingue, eu, é claro, não percebo uma palavra, mas gosto deles assim.
Em resumo, ainda temos Irlanda, negativo só os cigarros e a gastronomia que é uma merda.
A imigração também aumentou a olhos vistos, asiáticos são mato, a servir mesas e em balcões de lojas.
O irlandeses sempre foram o meu povo preferido da Europa e, por qualquer razão misteriosa, sempre vi nos irlandeses, também, uma grande simpatia por nós. Para mim foi o sangue e a cultura celta que deixou a sua marca nos celtiberos, nossos avôs, depois terá sido uma certa partilha de destinos, de pobres da Europa, a Irlanda é outro país europeu onde a expressão “desenrasca” é bem compreendida.
Foi assim apreensivo que vi nos últimos anos a Irlanda passar da cauda da UE, onde abanava connosco, para o clube dos mais ricos da Europa.
Há 6 ou 7 anos que não vinha a Dublin e estava curioso para ver até que ponto a riqueza lhes subiu à cabeça e depois aquela política “fascista” anti-fumadores que me parecia tão pouco irlandesa.
Logo que saí do aeroporto e me meti num taxi, descansei um pouco, perguntei ao condutor se tinha de apertar o cinto de segurança traseiro ao que ele me respondeu “se quiser”, “ainda bem que não é obrigatório” disse eu, que não o queria usar, “não senhor, é obrigatório por lei mas os ”dubliners” geralmente não o apertam !”, respondeu-me ele, “graças a Deus ainda estou na Irlanda de que gosto”, pensei eu.
No fumo é que não há nada a fazer, não se fuma mesmo em nenhum espaço fechado, nem mesmo num gabinete de trabalho onde se está só. Na rua, é claro só se vê gente de cigarro na mão, em frente de portas, tremendo de frio, deambulando pelas ruas. Vários “pubs” e restaurantes têm esplanadas ou pátios aquecidos, o que lhes sai caríssimo, mas é a única resposta possível, não consegui ver nenhum caso de desobediência civil.
Individualmente, todavia, continuam, afáveis e simpáticos, e há uma coisa nova, a presença da língua irlandesa aumentou substancialmente, tudo é bilingue, eu, é claro, não percebo uma palavra, mas gosto deles assim.
Em resumo, ainda temos Irlanda, negativo só os cigarros e a gastronomia que é uma merda.
A imigração também aumentou a olhos vistos, asiáticos são mato, a servir mesas e em balcões de lojas.
2006-02-09
Estou numa posição privilegiada
Para julgar a OPA de Belmiro sobre a PT, abandonei a NETCABO (PT) e aderi à CLIX (Belmiro), e posso vos dizer de minha justiça:
A netcabo (PT), se bem que tenha melhorado precisamente nos últimos dias antes da minha deslocalização era de facto fraquíssima, apoio a clientes quase nulo, serviço de qualidade instável, falta de respeito generalizado pelo cliente, preço excessivo. Quanto à CLIX (Belmiro), pelo que tenho podido observar até ao momento, tem um apoio a clientes quase nulo, serviço de qualidade instável, falta de respeito generalizado pelo cliente, preço excessivo. Tem porém uma pequena vantagem, a música que acompanha as nossas prolongadas esperas pelo atendimento do telefone, não sendo brilhante, é bem melhor do que a da netcabo, e debita uns “Yoopees” vibrantes que predispõem à boa disposição.
Dito isto, estou moderadamente confiante na OPA, a música talvez venha a ser outra, um pouco melhor.
A netcabo (PT), se bem que tenha melhorado precisamente nos últimos dias antes da minha deslocalização era de facto fraquíssima, apoio a clientes quase nulo, serviço de qualidade instável, falta de respeito generalizado pelo cliente, preço excessivo. Quanto à CLIX (Belmiro), pelo que tenho podido observar até ao momento, tem um apoio a clientes quase nulo, serviço de qualidade instável, falta de respeito generalizado pelo cliente, preço excessivo. Tem porém uma pequena vantagem, a música que acompanha as nossas prolongadas esperas pelo atendimento do telefone, não sendo brilhante, é bem melhor do que a da netcabo, e debita uns “Yoopees” vibrantes que predispõem à boa disposição.
Dito isto, estou moderadamente confiante na OPA, a música talvez venha a ser outra, um pouco melhor.
2006-02-08
A perspectiva ontológica implícita no pensamento único
Ao ouvir, mais uma vez, na rádio que, já não sei que estudo científico demonstrava claramente que já não sei que substância das nossas relações matava seres humanos como tordos, como sempre, fez despontar em mim a eterna questão: “já sei que se ingerir aquela substância contribuo significativamente para a minha morte mas se não a ingerir, será que não morro ?”, “Não”, responderá o pensamento único “mas assim terás uma morte prematura”.
Faço as minhas contas: (não sei quando) menos n anos é igual a (não sei quando), “Fico na mesma, prematura em relação a quê ?”.
Seguindo por este raciocínio lembrei-me de uma história passada comigo há muitos anos:
Tinha então vinte e tal anos e foi a primeira vez que tentei patinar no gelo, nos EUA.
Com alguns camaradas decidimos ir experimentar a patinagem no gelo, o homem que alugava os patins, vendo-me com cara de estrangeiro de paragens mais quentes perguntou-me: “já alguma vez patinou no gelo ?”, “não” respondi-lhe “só sobre rodas”, “então não precisa pagar o aluguer, mantenha os joelhos unidos”. Esta oferta e este conselho, alertara-me para a responsabilidade do momento, as gargalhadas que iria certamente proporcionar com as minhas quedas desastradas valiam mais do que o aluguer dos patins, decidi então não me dar ao desfrute.
Concebi a seguinte estratégia, em vez de andar atarantado perto da balaustrada com a mão a uns centímetros desta, fazendo a figura típica de principiante, enquanto crianças de apenas 6 ou 7 anos deambulam elegantemente por toda a pista, dou um impulso e deslizo para o meio e aí, sou forçado a patinar mesmo.
E assim fiz, cheguei lenta e equilibradamente ao meio da pista e só então caí na realidade: “e agora Nuno ? o que é que fazes ?”, lá tentei dar uns paços tímidos e deslocar-me uns centímetros mas o risco de me estatelar era enorme, fiquei quieto pensando que pelo menos assim passava despercebido mas sem saber bem como haveria de sair dali.
Os acontecimentos seguintes castigaram a minha soberba: subitamente, um a um, todos os patinadores saíram da pista e entrou uma máquina gigantesca que fazia a limpeza do gelo e a sua conservação.
E assim ficou a máquina e eu, sozinho, no meio da pista, com todos os olhos virados para mim, sem me conseguir deslocar.
Por fim, este momento lamentável foi ultrapassado por um jovem patinador que entrou na pista, patinou até mim e agarrando-me nas mãos me rebocou para fora entre os aplausos e o gáudio geral. Só de uma coisa me gabo, de facto nunca caí !
A minha estratégia conduziu a situação ao pior resultado possível e percebi então que teria sido bem melhor ter saído pelos meus pés ainda que me estatelasse uma ou duas vezes.
Pensará agora o leitor mas o que é que esta estória tem a ver com “a perspectiva ontológica implícita no pensamento único” ?
Pois tem tudo a ver: assim como eu privilegiei manter-me em cima dos patins em vez de patinar e me dei mal, o pensamento único privilegia o mantermo-nos vivos em vez de vivermos, e penso que assim também nos daremos mal, os “prozac” e os "xanax" que o digam.
Há a ideia implícita nesse pensamento de que nós poderíamos viver eternamente, se conseguíssemos evitar todas as agressões que nos podem matar: germes, tabaco, sal, ausência de exercício, acidentes, virus, bactérias diversas e tudo o mais que se vai descobrindo.
O que a ciência nos diz, todavia, é que ainda assim morreríamos, porque a morte faz parte da vida e nem mesmo teria sentido falar em vida se não existisse a morte.
A existência tem sempre princípio meio e fim.
O importante será tentarmos viver alegre, útil e reflectidamente, enquanto isso nos for concedido.
Faço as minhas contas: (não sei quando) menos n anos é igual a (não sei quando), “Fico na mesma, prematura em relação a quê ?”.
Seguindo por este raciocínio lembrei-me de uma história passada comigo há muitos anos:
Tinha então vinte e tal anos e foi a primeira vez que tentei patinar no gelo, nos EUA.
Com alguns camaradas decidimos ir experimentar a patinagem no gelo, o homem que alugava os patins, vendo-me com cara de estrangeiro de paragens mais quentes perguntou-me: “já alguma vez patinou no gelo ?”, “não” respondi-lhe “só sobre rodas”, “então não precisa pagar o aluguer, mantenha os joelhos unidos”. Esta oferta e este conselho, alertara-me para a responsabilidade do momento, as gargalhadas que iria certamente proporcionar com as minhas quedas desastradas valiam mais do que o aluguer dos patins, decidi então não me dar ao desfrute.
Concebi a seguinte estratégia, em vez de andar atarantado perto da balaustrada com a mão a uns centímetros desta, fazendo a figura típica de principiante, enquanto crianças de apenas 6 ou 7 anos deambulam elegantemente por toda a pista, dou um impulso e deslizo para o meio e aí, sou forçado a patinar mesmo.
E assim fiz, cheguei lenta e equilibradamente ao meio da pista e só então caí na realidade: “e agora Nuno ? o que é que fazes ?”, lá tentei dar uns paços tímidos e deslocar-me uns centímetros mas o risco de me estatelar era enorme, fiquei quieto pensando que pelo menos assim passava despercebido mas sem saber bem como haveria de sair dali.
Os acontecimentos seguintes castigaram a minha soberba: subitamente, um a um, todos os patinadores saíram da pista e entrou uma máquina gigantesca que fazia a limpeza do gelo e a sua conservação.
E assim ficou a máquina e eu, sozinho, no meio da pista, com todos os olhos virados para mim, sem me conseguir deslocar.
Por fim, este momento lamentável foi ultrapassado por um jovem patinador que entrou na pista, patinou até mim e agarrando-me nas mãos me rebocou para fora entre os aplausos e o gáudio geral. Só de uma coisa me gabo, de facto nunca caí !
A minha estratégia conduziu a situação ao pior resultado possível e percebi então que teria sido bem melhor ter saído pelos meus pés ainda que me estatelasse uma ou duas vezes.
Pensará agora o leitor mas o que é que esta estória tem a ver com “a perspectiva ontológica implícita no pensamento único” ?
Pois tem tudo a ver: assim como eu privilegiei manter-me em cima dos patins em vez de patinar e me dei mal, o pensamento único privilegia o mantermo-nos vivos em vez de vivermos, e penso que assim também nos daremos mal, os “prozac” e os "xanax" que o digam.
Há a ideia implícita nesse pensamento de que nós poderíamos viver eternamente, se conseguíssemos evitar todas as agressões que nos podem matar: germes, tabaco, sal, ausência de exercício, acidentes, virus, bactérias diversas e tudo o mais que se vai descobrindo.
O que a ciência nos diz, todavia, é que ainda assim morreríamos, porque a morte faz parte da vida e nem mesmo teria sentido falar em vida se não existisse a morte.
A existência tem sempre princípio meio e fim.
O importante será tentarmos viver alegre, útil e reflectidamente, enquanto isso nos for concedido.
2006-02-02
A música agora é outra
Já aqui (no fim da página, num dia 4 desse velho ano de 2003) falei de Damien Saez, pois ele aqui está, para os que quiserem ouvir picando na geringonça aqui ao lado direito.
Isto, é claro, se conseguirem porque esta tecnologia também tem os seus mistérios e parece que só alguns escolhidos conseguem ouvir.
Isto, é claro, se conseguirem porque esta tecnologia também tem os seus mistérios e parece que só alguns escolhidos conseguem ouvir.
2006-02-01
Bill Gates 2
Eu bem sei que, muito provavelmente, se eu estou aqui, calmamente, a escrever neste blogue, alguma coisa tenho que agradecer a esse senhor Bill Gates, mas tenho para comigo que se não fosse a ele seria a outro qualquer e, de qualquer modo, já lhe paguei e continuo a pagar esse favor bem pago.
De qualquer forma ficam aqui os meus agradecimentos pelo seu contributo para com a humanidade: obrigadinho ò Bill.
De qualquer forma ficam aqui os meus agradecimentos pelo seu contributo para com a humanidade: obrigadinho ò Bill.
2006-01-31
Bill Gates
Parece que está cá e é seguido por um séquito de notáveis, pudera, dizem que tem uma fortuna equivalente a 250 Euromilhões em fase de “Jackpot”.
Dizem os seus biógrafos que já desde os seus tempos de estudante, mostrava um apurado faro para o negócio e já vendia aos seus colegas cópias dos seus trabalhos académicos, como aqueles que todos nós, “simples idiotas”, que assim nunca haveremos de ser ricos, emprestávamos para ajudar os amigos.
Pois até pode ser um grande filantropo que para mim, humanamente, não vale a ponta de um chavelho.
Dizem os seus biógrafos que já desde os seus tempos de estudante, mostrava um apurado faro para o negócio e já vendia aos seus colegas cópias dos seus trabalhos académicos, como aqueles que todos nós, “simples idiotas”, que assim nunca haveremos de ser ricos, emprestávamos para ajudar os amigos.
Pois até pode ser um grande filantropo que para mim, humanamente, não vale a ponta de um chavelho.
2006-01-30
O Equívoco do caso Alegre
A notável adesão popular à candidatura de Manuel Alegre transcendeu o próprio candidato. De facto, não foi o apoio a este poeta “histórico” do PS que determinou essa adesão, pelo contrário, foi a conjuntura que conduziu ao seu temporário ostracismo partidário que despertou a simpatia popular.
Cada vez mais as pessoas estão fartas dos partidos, e do seu monopólio de acesso ao poder, em qualquer das suas formas, da sua progressiva alienação da realidade que os rodeia, da intrujice que nos querem “vender” de identificar a democracia com os partidos e as eleições (e mesmo estas só quando os resultados convêm, porque para o Hamas palestiniano, eleições livres já não chegam).
Eu que faço parte do povo (do “demo”) não posso sequer tentar ser deputado.
Campelo que defendeu os interesses dos seus eleitores contra os interesses das sua cúpula partidária foi “crucificado” na praça pública.
Há qualquer coisa de podre neste “Reino da Dinamarca” e muitos dos que votaram Alegre já começam a não suportar o mau cheiro.
Mas sendo já tão significativo este reconhecimento dos malefícios dos partidos, do que é que se hão de lembram os “opinion leaders” para capitalizar este sucesso de Alegre ?
Nem mais nem menos do que a fundação de mais um partido político !
Mais do mesmo, portanto.
Felizmente o povo parece não ser tão pobre de imaginação
Cada vez mais as pessoas estão fartas dos partidos, e do seu monopólio de acesso ao poder, em qualquer das suas formas, da sua progressiva alienação da realidade que os rodeia, da intrujice que nos querem “vender” de identificar a democracia com os partidos e as eleições (e mesmo estas só quando os resultados convêm, porque para o Hamas palestiniano, eleições livres já não chegam).
Eu que faço parte do povo (do “demo”) não posso sequer tentar ser deputado.
Campelo que defendeu os interesses dos seus eleitores contra os interesses das sua cúpula partidária foi “crucificado” na praça pública.
Há qualquer coisa de podre neste “Reino da Dinamarca” e muitos dos que votaram Alegre já começam a não suportar o mau cheiro.
Mas sendo já tão significativo este reconhecimento dos malefícios dos partidos, do que é que se hão de lembram os “opinion leaders” para capitalizar este sucesso de Alegre ?
Nem mais nem menos do que a fundação de mais um partido político !
Mais do mesmo, portanto.
Felizmente o povo parece não ser tão pobre de imaginação
2006-01-29
Finalmente Música
Fica hoje inaugurada a música neste blogue.
Basta picar no “play” no aparelho que está aí à direita.
Para começar, obviamente: “Tom Waits”, interpretando “Reeperban” da peça “Alice”
Espero que gostem tanto como eu.
Basta picar no “play” no aparelho que está aí à direita.
Para começar, obviamente: “Tom Waits”, interpretando “Reeperban” da peça “Alice”
Espero que gostem tanto como eu.
2006-01-23
Lá nos deram Cavaco
Bastavam 50 porcento mais um voto, Cavaco até teve 50 mais 2 ou 3 e assim se vê quanto uma rodagem de carro pode ser importante.
È verdade meus caros, ainda que se diga que a rodagem do carro foi uma mera cortina de fumo para um plano maquiavélico, como a imaginação criativa de jornalistas e comentadores políticos tem de afirmar para exibir a sua pretensa perspicácia, a verdade é que as coisas se passaram mesmo assim:
Um carro novo a precisar de rodagem, um congresso na Figueira da Foz a fornecer um bom pretexto para a fazer, um partido em fase de desorientação e Cavaco, que ninguém sabia quem era, na altura, a ver-se alçado em Secretario Geral, quase por unanimidade e aclamação.
Depois foi o que se viu, uma conjuntura muito favorável, dinheiro a fluir de Bruxelas, uma gestão honesta e certinha e o país a dar um salto económico e social muito significativo.
Até que a fartura atiçou cobiças, Cavaco perdeu a mão dos seus “boys”, criou o tabu, que ainda hoje estou para saber o que foi, mas que deixou uma aura de mistério no personagem que encantou o pessoal.
Seguiram-se Governos e Partidos, mas com a mediocridade a medrar por todo lado, nunca mais se voltou aos tempos áureos de Cavaco.
E cá o temos de novo: a situação é que já não é a mesma e a função ainda menos.
Vamos a ver o que isto dá. Eu, cá por mim, preferia um Portugal mais alegre, mas enfim...
È verdade meus caros, ainda que se diga que a rodagem do carro foi uma mera cortina de fumo para um plano maquiavélico, como a imaginação criativa de jornalistas e comentadores políticos tem de afirmar para exibir a sua pretensa perspicácia, a verdade é que as coisas se passaram mesmo assim:
Um carro novo a precisar de rodagem, um congresso na Figueira da Foz a fornecer um bom pretexto para a fazer, um partido em fase de desorientação e Cavaco, que ninguém sabia quem era, na altura, a ver-se alçado em Secretario Geral, quase por unanimidade e aclamação.
Depois foi o que se viu, uma conjuntura muito favorável, dinheiro a fluir de Bruxelas, uma gestão honesta e certinha e o país a dar um salto económico e social muito significativo.
Até que a fartura atiçou cobiças, Cavaco perdeu a mão dos seus “boys”, criou o tabu, que ainda hoje estou para saber o que foi, mas que deixou uma aura de mistério no personagem que encantou o pessoal.
Seguiram-se Governos e Partidos, mas com a mediocridade a medrar por todo lado, nunca mais se voltou aos tempos áureos de Cavaco.
E cá o temos de novo: a situação é que já não é a mesma e a função ainda menos.
Vamos a ver o que isto dá. Eu, cá por mim, preferia um Portugal mais alegre, mas enfim...
2006-01-14
Preciosidades
A Fátima voltou de Trás-os-Montes com um monte de ofertas dos nossos amigos. Preciosidades sem preço: Batatas do Lage, Pencas, Grelos e Alheiras.
Sem preço porque nada disto se pode comprar nas lojas e supermercados comuns, não existem, aí só há batatas, couves pencas, grelos e alheiras.
Mas neste período de festas, recebi outras preciosidades, de outra natureza, acessíveis a muitos, não custam sequer muito dinheiro, mas é preciso sentir que são preciosidades:
O copo “oficial” do Vinho do Porto, desenhado por Siza Vieira.
A colecção, em DVD, agora editada, acessível via internet em vários pontos de venda, da melhor série de televisão alguma vez produzida: a série 2 de “Heimat” de Edgar Reitz.
Cada uma destas preciosidades merece mais do que um post, talvez volte a falar delas.
Sem preço porque nada disto se pode comprar nas lojas e supermercados comuns, não existem, aí só há batatas, couves pencas, grelos e alheiras.
Mas neste período de festas, recebi outras preciosidades, de outra natureza, acessíveis a muitos, não custam sequer muito dinheiro, mas é preciso sentir que são preciosidades:
O copo “oficial” do Vinho do Porto, desenhado por Siza Vieira.
A colecção, em DVD, agora editada, acessível via internet em vários pontos de venda, da melhor série de televisão alguma vez produzida: a série 2 de “Heimat” de Edgar Reitz.
Cada uma destas preciosidades merece mais do que um post, talvez volte a falar delas.
2006-01-11
Adeus galheteiros
É certo que o sistema ainda permite que se cuspa no bife mas com o tempo a ajuda da ciência e a clarividência já demonstrada, ainda se vai corrigir mais esta terrível ameaça á saúde pública, que já deve ter matado tantos milhões de pessoas quantos o azeite de galheteiro. as prendas do bolo rei e as colheres de pau.
Quem sabe, talvez através de carne frita ou grelhada dentro de uma embalagem inviolável e biodegradável, como já vemos em alguns detergentes para máquinas de lavar.
Quem sabe, talvez através de carne frita ou grelhada dentro de uma embalagem inviolável e biodegradável, como já vemos em alguns detergentes para máquinas de lavar.
2006-01-10
O caso IBERDROLA
Lembra Jorge de Sena no prefácio à “A Condição Humana” de André Malraux, na edição “Livros do Brasil” que há quem diga que ninguém é o mesmo após a leitura deste livro.
Não sei se isto é inteiramente verdade, suspeito que não, ao ver algumas críticas e reflexões sobre este livro, que já tive oportunidade de ler e onde não vejo traduzida aquilo que é para mim a sua mensagem essencial.
Para mim e para outras pessoas que conheço foi, todavia, inteiramente verdade.
E é à luz de “A condição Humana” que vejo com enorme clareza através do nevoeiro lançado sobre o caso IBERDROLA.
Em primeiro lugar sei que não existe qualquer entidade mítica, como o Estado o Governo reflectindo sobre uma estratégia energética para Portugal, existem apenas actores particulares com os seus interesses ou a sua indiferença e as reflexões que parecem contraditórias são simultaneamente as forças e a resultante destas forças neste jogo.
Uma peça importantíssima neste caso é indiscutivelmente Pina Moura. Foi Ministro, embrenhou-se laboriosamente neste sector, fruto de um qualquer acaso ou de uma opção pessoal e criou condições para cimentar a sua vida neste sector, conseguindo mesmo chegar a Presidente da IBERDROLA-Portugal. Todas as suas posições, públicas, semi-públicas e privadas se orientam para um objectivo: manter e reforçar a sua posição na IBEROLA o que naturalmente passa pelo reforço da mesma IBERDROLA em Portugal.
Talone, tem uma estratégia semelhante perante a EDP, reforçando a sua já boa imagem de gestor de acordo com os padrões habituais, garantindo a sua presença ou a sua transferencia para outra empresa de igual importância para si .
As duas estratégias entram em conflito, mas aqui, Pina Moura é mais forte, para além das armas empresariais, que Talone domina melhor, tem as armas política/partidárias, com acesso credível às mais altas instâncias nacionais e mesmo algumas internacionais e o lobbing, os telefonemas os almoços e jantares de trabalho devem ter sido mais do que muitos.
Ganhou, conseguiu remover Talone. e colocar alguém da sua confiança e fez isto apresentando-se ou aparentando não ter nada a ver com o assunto, ele é apenas o Presidente da IBERDROLA-Portugal, não demite nem nomeia gestores públicos para empresas.
O Ministro, como quase todos os Ministros, foi apenas um pião neste jogo, mostrou-se dinâmico, actuante num sector vital, tomando medidas, mas no seu discurso não sabe explicar como isto é bom para o país, limita-se a dizer que é assim em muitas empresas, agentes da concorrência metidos uns na casa dos outros, porque não também na EDP ?
Assim se condiciona o futuro energético de Portugal e por estas simples decisões podemos vir a ser qualquer dia afectados.
Como, ainda não sabemos, ninguém se preocupou muito com isso, há apenas o sentimento difuso de que é um sector estratégico e que devia ser tocado com muito cuidado.
Se calhar até é importante mas não se preocupem, isto não é nada de novo, é sempre assim que se tomam as grandes decisões e nós temos sobrevivido até aqui, é assim “a condição humana”.
Não sei se isto é inteiramente verdade, suspeito que não, ao ver algumas críticas e reflexões sobre este livro, que já tive oportunidade de ler e onde não vejo traduzida aquilo que é para mim a sua mensagem essencial.
Para mim e para outras pessoas que conheço foi, todavia, inteiramente verdade.
E é à luz de “A condição Humana” que vejo com enorme clareza através do nevoeiro lançado sobre o caso IBERDROLA.
Em primeiro lugar sei que não existe qualquer entidade mítica, como o Estado o Governo reflectindo sobre uma estratégia energética para Portugal, existem apenas actores particulares com os seus interesses ou a sua indiferença e as reflexões que parecem contraditórias são simultaneamente as forças e a resultante destas forças neste jogo.
Uma peça importantíssima neste caso é indiscutivelmente Pina Moura. Foi Ministro, embrenhou-se laboriosamente neste sector, fruto de um qualquer acaso ou de uma opção pessoal e criou condições para cimentar a sua vida neste sector, conseguindo mesmo chegar a Presidente da IBERDROLA-Portugal. Todas as suas posições, públicas, semi-públicas e privadas se orientam para um objectivo: manter e reforçar a sua posição na IBEROLA o que naturalmente passa pelo reforço da mesma IBERDROLA em Portugal.
Talone, tem uma estratégia semelhante perante a EDP, reforçando a sua já boa imagem de gestor de acordo com os padrões habituais, garantindo a sua presença ou a sua transferencia para outra empresa de igual importância para si .
As duas estratégias entram em conflito, mas aqui, Pina Moura é mais forte, para além das armas empresariais, que Talone domina melhor, tem as armas política/partidárias, com acesso credível às mais altas instâncias nacionais e mesmo algumas internacionais e o lobbing, os telefonemas os almoços e jantares de trabalho devem ter sido mais do que muitos.
Ganhou, conseguiu remover Talone. e colocar alguém da sua confiança e fez isto apresentando-se ou aparentando não ter nada a ver com o assunto, ele é apenas o Presidente da IBERDROLA-Portugal, não demite nem nomeia gestores públicos para empresas.
O Ministro, como quase todos os Ministros, foi apenas um pião neste jogo, mostrou-se dinâmico, actuante num sector vital, tomando medidas, mas no seu discurso não sabe explicar como isto é bom para o país, limita-se a dizer que é assim em muitas empresas, agentes da concorrência metidos uns na casa dos outros, porque não também na EDP ?
Assim se condiciona o futuro energético de Portugal e por estas simples decisões podemos vir a ser qualquer dia afectados.
Como, ainda não sabemos, ninguém se preocupou muito com isso, há apenas o sentimento difuso de que é um sector estratégico e que devia ser tocado com muito cuidado.
Se calhar até é importante mas não se preocupem, isto não é nada de novo, é sempre assim que se tomam as grandes decisões e nós temos sobrevivido até aqui, é assim “a condição humana”.
2006-01-07
O Capitalismo
Também tem a sua aura romântica:
Os capitães de indústria, com grande inteligência e visão, detectando tudo o que pode servir a humanidade, passando sobre tudo e sobre todos, com grande coragem e perseverança, para ter a satisfação de proporcionar bens e serviços preciosos para a felicidade dos homens.
Nas suas fábricas dão o pão e a vida a milhares de famílias.
Depois é o mercado com as suas leis misteriosas, fazendo baixar o preço até ao ponto justo, permitindo a escolha entre a diversidade, promovendo a melhoria constante, estimulando a criatividade e a descoberta.
É o paraíso mercantilista.
Mas onde está este mundo feliz, descrito em compêndios de economia ?
No mundo em que vivemos e no sistema económico em que estamos apenas vejo a cobiça, a acumulação desmesurada, os preços exorbitantes, a destruição e o roubo do património público do planeta que deveria ser de todos.
Curiosamente, o capitalismo romântico, apenas o antevejo, tímida e disfarçadamente, no mercado negro, na contrafacção e no contrabando.
É apenas aí que observo a engenhosidade, o esforço, o assumir de riscos para servir a sua clientela, é só aí que o capitalismo tem dimensão humana..
Mas a estes perseguem-nos o estado e os seus aparelhos policiais e judiciais.
Fazem isto em nome do povo, dizem. Mas em meu nome não é porque eles me prestam um serviço, é apenas para defender os interesses dos “donos do mundo”, e os seus auto estabelecidos “direitos”.
Para estes capitalistas não existe o “laisser faire, laisser passer”.
Os capitães de indústria, com grande inteligência e visão, detectando tudo o que pode servir a humanidade, passando sobre tudo e sobre todos, com grande coragem e perseverança, para ter a satisfação de proporcionar bens e serviços preciosos para a felicidade dos homens.
Nas suas fábricas dão o pão e a vida a milhares de famílias.
Depois é o mercado com as suas leis misteriosas, fazendo baixar o preço até ao ponto justo, permitindo a escolha entre a diversidade, promovendo a melhoria constante, estimulando a criatividade e a descoberta.
É o paraíso mercantilista.
Mas onde está este mundo feliz, descrito em compêndios de economia ?
No mundo em que vivemos e no sistema económico em que estamos apenas vejo a cobiça, a acumulação desmesurada, os preços exorbitantes, a destruição e o roubo do património público do planeta que deveria ser de todos.
Curiosamente, o capitalismo romântico, apenas o antevejo, tímida e disfarçadamente, no mercado negro, na contrafacção e no contrabando.
É apenas aí que observo a engenhosidade, o esforço, o assumir de riscos para servir a sua clientela, é só aí que o capitalismo tem dimensão humana..
Mas a estes perseguem-nos o estado e os seus aparelhos policiais e judiciais.
Fazem isto em nome do povo, dizem. Mas em meu nome não é porque eles me prestam um serviço, é apenas para defender os interesses dos “donos do mundo”, e os seus auto estabelecidos “direitos”.
Para estes capitalistas não existe o “laisser faire, laisser passer”.
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