Ao ouvir, mais uma vez, na rádio que, já não sei que estudo científico demonstrava claramente que já não sei que substância das nossas relações matava seres humanos como tordos, como sempre, fez despontar em mim a eterna questão: “já sei que se ingerir aquela substância contribuo significativamente para a minha morte mas se não a ingerir, será que não morro ?”, “Não”, responderá o pensamento único “mas assim terás uma morte prematura”.
Faço as minhas contas: (não sei quando) menos n anos é igual a (não sei quando), “Fico na mesma, prematura em relação a quê ?”.
Seguindo por este raciocínio lembrei-me de uma história passada comigo há muitos anos:
Tinha então vinte e tal anos e foi a primeira vez que tentei patinar no gelo, nos EUA.
Com alguns camaradas decidimos ir experimentar a patinagem no gelo, o homem que alugava os patins, vendo-me com cara de estrangeiro de paragens mais quentes perguntou-me: “já alguma vez patinou no gelo ?”, “não” respondi-lhe “só sobre rodas”, “então não precisa pagar o aluguer, mantenha os joelhos unidos”. Esta oferta e este conselho, alertara-me para a responsabilidade do momento, as gargalhadas que iria certamente proporcionar com as minhas quedas desastradas valiam mais do que o aluguer dos patins, decidi então não me dar ao desfrute.
Concebi a seguinte estratégia, em vez de andar atarantado perto da balaustrada com a mão a uns centímetros desta, fazendo a figura típica de principiante, enquanto crianças de apenas 6 ou 7 anos deambulam elegantemente por toda a pista, dou um impulso e deslizo para o meio e aí, sou forçado a patinar mesmo.
E assim fiz, cheguei lenta e equilibradamente ao meio da pista e só então caí na realidade: “e agora Nuno ? o que é que fazes ?”, lá tentei dar uns paços tímidos e deslocar-me uns centímetros mas o risco de me estatelar era enorme, fiquei quieto pensando que pelo menos assim passava despercebido mas sem saber bem como haveria de sair dali.
Os acontecimentos seguintes castigaram a minha soberba: subitamente, um a um, todos os patinadores saíram da pista e entrou uma máquina gigantesca que fazia a limpeza do gelo e a sua conservação.
E assim ficou a máquina e eu, sozinho, no meio da pista, com todos os olhos virados para mim, sem me conseguir deslocar.
Por fim, este momento lamentável foi ultrapassado por um jovem patinador que entrou na pista, patinou até mim e agarrando-me nas mãos me rebocou para fora entre os aplausos e o gáudio geral. Só de uma coisa me gabo, de facto nunca caí !
A minha estratégia conduziu a situação ao pior resultado possível e percebi então que teria sido bem melhor ter saído pelos meus pés ainda que me estatelasse uma ou duas vezes.
Pensará agora o leitor mas o que é que esta estória tem a ver com “a perspectiva ontológica implícita no pensamento único” ?
Pois tem tudo a ver: assim como eu privilegiei manter-me em cima dos patins em vez de patinar e me dei mal, o pensamento único privilegia o mantermo-nos vivos em vez de vivermos, e penso que assim também nos daremos mal, os “prozac” e os "xanax" que o digam.
Há a ideia implícita nesse pensamento de que nós poderíamos viver eternamente, se conseguíssemos evitar todas as agressões que nos podem matar: germes, tabaco, sal, ausência de exercício, acidentes, virus, bactérias diversas e tudo o mais que se vai descobrindo.
O que a ciência nos diz, todavia, é que ainda assim morreríamos, porque a morte faz parte da vida e nem mesmo teria sentido falar em vida se não existisse a morte.
A existência tem sempre princípio meio e fim.
O importante será tentarmos viver alegre, útil e reflectidamente, enquanto isso nos for concedido.
2006-02-08
2006-02-02
A música agora é outra
Já aqui (no fim da página, num dia 4 desse velho ano de 2003) falei de Damien Saez, pois ele aqui está, para os que quiserem ouvir picando na geringonça aqui ao lado direito.
Isto, é claro, se conseguirem porque esta tecnologia também tem os seus mistérios e parece que só alguns escolhidos conseguem ouvir.
Isto, é claro, se conseguirem porque esta tecnologia também tem os seus mistérios e parece que só alguns escolhidos conseguem ouvir.
2006-02-01
Bill Gates 2
Eu bem sei que, muito provavelmente, se eu estou aqui, calmamente, a escrever neste blogue, alguma coisa tenho que agradecer a esse senhor Bill Gates, mas tenho para comigo que se não fosse a ele seria a outro qualquer e, de qualquer modo, já lhe paguei e continuo a pagar esse favor bem pago.
De qualquer forma ficam aqui os meus agradecimentos pelo seu contributo para com a humanidade: obrigadinho ò Bill.
De qualquer forma ficam aqui os meus agradecimentos pelo seu contributo para com a humanidade: obrigadinho ò Bill.
2006-01-31
Bill Gates
Parece que está cá e é seguido por um séquito de notáveis, pudera, dizem que tem uma fortuna equivalente a 250 Euromilhões em fase de “Jackpot”.
Dizem os seus biógrafos que já desde os seus tempos de estudante, mostrava um apurado faro para o negócio e já vendia aos seus colegas cópias dos seus trabalhos académicos, como aqueles que todos nós, “simples idiotas”, que assim nunca haveremos de ser ricos, emprestávamos para ajudar os amigos.
Pois até pode ser um grande filantropo que para mim, humanamente, não vale a ponta de um chavelho.
Dizem os seus biógrafos que já desde os seus tempos de estudante, mostrava um apurado faro para o negócio e já vendia aos seus colegas cópias dos seus trabalhos académicos, como aqueles que todos nós, “simples idiotas”, que assim nunca haveremos de ser ricos, emprestávamos para ajudar os amigos.
Pois até pode ser um grande filantropo que para mim, humanamente, não vale a ponta de um chavelho.
2006-01-30
O Equívoco do caso Alegre
A notável adesão popular à candidatura de Manuel Alegre transcendeu o próprio candidato. De facto, não foi o apoio a este poeta “histórico” do PS que determinou essa adesão, pelo contrário, foi a conjuntura que conduziu ao seu temporário ostracismo partidário que despertou a simpatia popular.
Cada vez mais as pessoas estão fartas dos partidos, e do seu monopólio de acesso ao poder, em qualquer das suas formas, da sua progressiva alienação da realidade que os rodeia, da intrujice que nos querem “vender” de identificar a democracia com os partidos e as eleições (e mesmo estas só quando os resultados convêm, porque para o Hamas palestiniano, eleições livres já não chegam).
Eu que faço parte do povo (do “demo”) não posso sequer tentar ser deputado.
Campelo que defendeu os interesses dos seus eleitores contra os interesses das sua cúpula partidária foi “crucificado” na praça pública.
Há qualquer coisa de podre neste “Reino da Dinamarca” e muitos dos que votaram Alegre já começam a não suportar o mau cheiro.
Mas sendo já tão significativo este reconhecimento dos malefícios dos partidos, do que é que se hão de lembram os “opinion leaders” para capitalizar este sucesso de Alegre ?
Nem mais nem menos do que a fundação de mais um partido político !
Mais do mesmo, portanto.
Felizmente o povo parece não ser tão pobre de imaginação
Cada vez mais as pessoas estão fartas dos partidos, e do seu monopólio de acesso ao poder, em qualquer das suas formas, da sua progressiva alienação da realidade que os rodeia, da intrujice que nos querem “vender” de identificar a democracia com os partidos e as eleições (e mesmo estas só quando os resultados convêm, porque para o Hamas palestiniano, eleições livres já não chegam).
Eu que faço parte do povo (do “demo”) não posso sequer tentar ser deputado.
Campelo que defendeu os interesses dos seus eleitores contra os interesses das sua cúpula partidária foi “crucificado” na praça pública.
Há qualquer coisa de podre neste “Reino da Dinamarca” e muitos dos que votaram Alegre já começam a não suportar o mau cheiro.
Mas sendo já tão significativo este reconhecimento dos malefícios dos partidos, do que é que se hão de lembram os “opinion leaders” para capitalizar este sucesso de Alegre ?
Nem mais nem menos do que a fundação de mais um partido político !
Mais do mesmo, portanto.
Felizmente o povo parece não ser tão pobre de imaginação
2006-01-29
Finalmente Música
Fica hoje inaugurada a música neste blogue.
Basta picar no “play” no aparelho que está aí à direita.
Para começar, obviamente: “Tom Waits”, interpretando “Reeperban” da peça “Alice”
Espero que gostem tanto como eu.
Basta picar no “play” no aparelho que está aí à direita.
Para começar, obviamente: “Tom Waits”, interpretando “Reeperban” da peça “Alice”
Espero que gostem tanto como eu.
2006-01-23
Lá nos deram Cavaco
Bastavam 50 porcento mais um voto, Cavaco até teve 50 mais 2 ou 3 e assim se vê quanto uma rodagem de carro pode ser importante.
È verdade meus caros, ainda que se diga que a rodagem do carro foi uma mera cortina de fumo para um plano maquiavélico, como a imaginação criativa de jornalistas e comentadores políticos tem de afirmar para exibir a sua pretensa perspicácia, a verdade é que as coisas se passaram mesmo assim:
Um carro novo a precisar de rodagem, um congresso na Figueira da Foz a fornecer um bom pretexto para a fazer, um partido em fase de desorientação e Cavaco, que ninguém sabia quem era, na altura, a ver-se alçado em Secretario Geral, quase por unanimidade e aclamação.
Depois foi o que se viu, uma conjuntura muito favorável, dinheiro a fluir de Bruxelas, uma gestão honesta e certinha e o país a dar um salto económico e social muito significativo.
Até que a fartura atiçou cobiças, Cavaco perdeu a mão dos seus “boys”, criou o tabu, que ainda hoje estou para saber o que foi, mas que deixou uma aura de mistério no personagem que encantou o pessoal.
Seguiram-se Governos e Partidos, mas com a mediocridade a medrar por todo lado, nunca mais se voltou aos tempos áureos de Cavaco.
E cá o temos de novo: a situação é que já não é a mesma e a função ainda menos.
Vamos a ver o que isto dá. Eu, cá por mim, preferia um Portugal mais alegre, mas enfim...
È verdade meus caros, ainda que se diga que a rodagem do carro foi uma mera cortina de fumo para um plano maquiavélico, como a imaginação criativa de jornalistas e comentadores políticos tem de afirmar para exibir a sua pretensa perspicácia, a verdade é que as coisas se passaram mesmo assim:
Um carro novo a precisar de rodagem, um congresso na Figueira da Foz a fornecer um bom pretexto para a fazer, um partido em fase de desorientação e Cavaco, que ninguém sabia quem era, na altura, a ver-se alçado em Secretario Geral, quase por unanimidade e aclamação.
Depois foi o que se viu, uma conjuntura muito favorável, dinheiro a fluir de Bruxelas, uma gestão honesta e certinha e o país a dar um salto económico e social muito significativo.
Até que a fartura atiçou cobiças, Cavaco perdeu a mão dos seus “boys”, criou o tabu, que ainda hoje estou para saber o que foi, mas que deixou uma aura de mistério no personagem que encantou o pessoal.
Seguiram-se Governos e Partidos, mas com a mediocridade a medrar por todo lado, nunca mais se voltou aos tempos áureos de Cavaco.
E cá o temos de novo: a situação é que já não é a mesma e a função ainda menos.
Vamos a ver o que isto dá. Eu, cá por mim, preferia um Portugal mais alegre, mas enfim...
2006-01-14
Preciosidades
A Fátima voltou de Trás-os-Montes com um monte de ofertas dos nossos amigos. Preciosidades sem preço: Batatas do Lage, Pencas, Grelos e Alheiras.
Sem preço porque nada disto se pode comprar nas lojas e supermercados comuns, não existem, aí só há batatas, couves pencas, grelos e alheiras.
Mas neste período de festas, recebi outras preciosidades, de outra natureza, acessíveis a muitos, não custam sequer muito dinheiro, mas é preciso sentir que são preciosidades:
O copo “oficial” do Vinho do Porto, desenhado por Siza Vieira.
A colecção, em DVD, agora editada, acessível via internet em vários pontos de venda, da melhor série de televisão alguma vez produzida: a série 2 de “Heimat” de Edgar Reitz.
Cada uma destas preciosidades merece mais do que um post, talvez volte a falar delas.
Sem preço porque nada disto se pode comprar nas lojas e supermercados comuns, não existem, aí só há batatas, couves pencas, grelos e alheiras.
Mas neste período de festas, recebi outras preciosidades, de outra natureza, acessíveis a muitos, não custam sequer muito dinheiro, mas é preciso sentir que são preciosidades:
O copo “oficial” do Vinho do Porto, desenhado por Siza Vieira.
A colecção, em DVD, agora editada, acessível via internet em vários pontos de venda, da melhor série de televisão alguma vez produzida: a série 2 de “Heimat” de Edgar Reitz.
Cada uma destas preciosidades merece mais do que um post, talvez volte a falar delas.
2006-01-11
Adeus galheteiros
É certo que o sistema ainda permite que se cuspa no bife mas com o tempo a ajuda da ciência e a clarividência já demonstrada, ainda se vai corrigir mais esta terrível ameaça á saúde pública, que já deve ter matado tantos milhões de pessoas quantos o azeite de galheteiro. as prendas do bolo rei e as colheres de pau.
Quem sabe, talvez através de carne frita ou grelhada dentro de uma embalagem inviolável e biodegradável, como já vemos em alguns detergentes para máquinas de lavar.
Quem sabe, talvez através de carne frita ou grelhada dentro de uma embalagem inviolável e biodegradável, como já vemos em alguns detergentes para máquinas de lavar.
2006-01-10
O caso IBERDROLA
Lembra Jorge de Sena no prefácio à “A Condição Humana” de André Malraux, na edição “Livros do Brasil” que há quem diga que ninguém é o mesmo após a leitura deste livro.
Não sei se isto é inteiramente verdade, suspeito que não, ao ver algumas críticas e reflexões sobre este livro, que já tive oportunidade de ler e onde não vejo traduzida aquilo que é para mim a sua mensagem essencial.
Para mim e para outras pessoas que conheço foi, todavia, inteiramente verdade.
E é à luz de “A condição Humana” que vejo com enorme clareza através do nevoeiro lançado sobre o caso IBERDROLA.
Em primeiro lugar sei que não existe qualquer entidade mítica, como o Estado o Governo reflectindo sobre uma estratégia energética para Portugal, existem apenas actores particulares com os seus interesses ou a sua indiferença e as reflexões que parecem contraditórias são simultaneamente as forças e a resultante destas forças neste jogo.
Uma peça importantíssima neste caso é indiscutivelmente Pina Moura. Foi Ministro, embrenhou-se laboriosamente neste sector, fruto de um qualquer acaso ou de uma opção pessoal e criou condições para cimentar a sua vida neste sector, conseguindo mesmo chegar a Presidente da IBERDROLA-Portugal. Todas as suas posições, públicas, semi-públicas e privadas se orientam para um objectivo: manter e reforçar a sua posição na IBEROLA o que naturalmente passa pelo reforço da mesma IBERDROLA em Portugal.
Talone, tem uma estratégia semelhante perante a EDP, reforçando a sua já boa imagem de gestor de acordo com os padrões habituais, garantindo a sua presença ou a sua transferencia para outra empresa de igual importância para si .
As duas estratégias entram em conflito, mas aqui, Pina Moura é mais forte, para além das armas empresariais, que Talone domina melhor, tem as armas política/partidárias, com acesso credível às mais altas instâncias nacionais e mesmo algumas internacionais e o lobbing, os telefonemas os almoços e jantares de trabalho devem ter sido mais do que muitos.
Ganhou, conseguiu remover Talone. e colocar alguém da sua confiança e fez isto apresentando-se ou aparentando não ter nada a ver com o assunto, ele é apenas o Presidente da IBERDROLA-Portugal, não demite nem nomeia gestores públicos para empresas.
O Ministro, como quase todos os Ministros, foi apenas um pião neste jogo, mostrou-se dinâmico, actuante num sector vital, tomando medidas, mas no seu discurso não sabe explicar como isto é bom para o país, limita-se a dizer que é assim em muitas empresas, agentes da concorrência metidos uns na casa dos outros, porque não também na EDP ?
Assim se condiciona o futuro energético de Portugal e por estas simples decisões podemos vir a ser qualquer dia afectados.
Como, ainda não sabemos, ninguém se preocupou muito com isso, há apenas o sentimento difuso de que é um sector estratégico e que devia ser tocado com muito cuidado.
Se calhar até é importante mas não se preocupem, isto não é nada de novo, é sempre assim que se tomam as grandes decisões e nós temos sobrevivido até aqui, é assim “a condição humana”.
Não sei se isto é inteiramente verdade, suspeito que não, ao ver algumas críticas e reflexões sobre este livro, que já tive oportunidade de ler e onde não vejo traduzida aquilo que é para mim a sua mensagem essencial.
Para mim e para outras pessoas que conheço foi, todavia, inteiramente verdade.
E é à luz de “A condição Humana” que vejo com enorme clareza através do nevoeiro lançado sobre o caso IBERDROLA.
Em primeiro lugar sei que não existe qualquer entidade mítica, como o Estado o Governo reflectindo sobre uma estratégia energética para Portugal, existem apenas actores particulares com os seus interesses ou a sua indiferença e as reflexões que parecem contraditórias são simultaneamente as forças e a resultante destas forças neste jogo.
Uma peça importantíssima neste caso é indiscutivelmente Pina Moura. Foi Ministro, embrenhou-se laboriosamente neste sector, fruto de um qualquer acaso ou de uma opção pessoal e criou condições para cimentar a sua vida neste sector, conseguindo mesmo chegar a Presidente da IBERDROLA-Portugal. Todas as suas posições, públicas, semi-públicas e privadas se orientam para um objectivo: manter e reforçar a sua posição na IBEROLA o que naturalmente passa pelo reforço da mesma IBERDROLA em Portugal.
Talone, tem uma estratégia semelhante perante a EDP, reforçando a sua já boa imagem de gestor de acordo com os padrões habituais, garantindo a sua presença ou a sua transferencia para outra empresa de igual importância para si .
As duas estratégias entram em conflito, mas aqui, Pina Moura é mais forte, para além das armas empresariais, que Talone domina melhor, tem as armas política/partidárias, com acesso credível às mais altas instâncias nacionais e mesmo algumas internacionais e o lobbing, os telefonemas os almoços e jantares de trabalho devem ter sido mais do que muitos.
Ganhou, conseguiu remover Talone. e colocar alguém da sua confiança e fez isto apresentando-se ou aparentando não ter nada a ver com o assunto, ele é apenas o Presidente da IBERDROLA-Portugal, não demite nem nomeia gestores públicos para empresas.
O Ministro, como quase todos os Ministros, foi apenas um pião neste jogo, mostrou-se dinâmico, actuante num sector vital, tomando medidas, mas no seu discurso não sabe explicar como isto é bom para o país, limita-se a dizer que é assim em muitas empresas, agentes da concorrência metidos uns na casa dos outros, porque não também na EDP ?
Assim se condiciona o futuro energético de Portugal e por estas simples decisões podemos vir a ser qualquer dia afectados.
Como, ainda não sabemos, ninguém se preocupou muito com isso, há apenas o sentimento difuso de que é um sector estratégico e que devia ser tocado com muito cuidado.
Se calhar até é importante mas não se preocupem, isto não é nada de novo, é sempre assim que se tomam as grandes decisões e nós temos sobrevivido até aqui, é assim “a condição humana”.
2006-01-07
O Capitalismo
Também tem a sua aura romântica:
Os capitães de indústria, com grande inteligência e visão, detectando tudo o que pode servir a humanidade, passando sobre tudo e sobre todos, com grande coragem e perseverança, para ter a satisfação de proporcionar bens e serviços preciosos para a felicidade dos homens.
Nas suas fábricas dão o pão e a vida a milhares de famílias.
Depois é o mercado com as suas leis misteriosas, fazendo baixar o preço até ao ponto justo, permitindo a escolha entre a diversidade, promovendo a melhoria constante, estimulando a criatividade e a descoberta.
É o paraíso mercantilista.
Mas onde está este mundo feliz, descrito em compêndios de economia ?
No mundo em que vivemos e no sistema económico em que estamos apenas vejo a cobiça, a acumulação desmesurada, os preços exorbitantes, a destruição e o roubo do património público do planeta que deveria ser de todos.
Curiosamente, o capitalismo romântico, apenas o antevejo, tímida e disfarçadamente, no mercado negro, na contrafacção e no contrabando.
É apenas aí que observo a engenhosidade, o esforço, o assumir de riscos para servir a sua clientela, é só aí que o capitalismo tem dimensão humana..
Mas a estes perseguem-nos o estado e os seus aparelhos policiais e judiciais.
Fazem isto em nome do povo, dizem. Mas em meu nome não é porque eles me prestam um serviço, é apenas para defender os interesses dos “donos do mundo”, e os seus auto estabelecidos “direitos”.
Para estes capitalistas não existe o “laisser faire, laisser passer”.
Os capitães de indústria, com grande inteligência e visão, detectando tudo o que pode servir a humanidade, passando sobre tudo e sobre todos, com grande coragem e perseverança, para ter a satisfação de proporcionar bens e serviços preciosos para a felicidade dos homens.
Nas suas fábricas dão o pão e a vida a milhares de famílias.
Depois é o mercado com as suas leis misteriosas, fazendo baixar o preço até ao ponto justo, permitindo a escolha entre a diversidade, promovendo a melhoria constante, estimulando a criatividade e a descoberta.
É o paraíso mercantilista.
Mas onde está este mundo feliz, descrito em compêndios de economia ?
No mundo em que vivemos e no sistema económico em que estamos apenas vejo a cobiça, a acumulação desmesurada, os preços exorbitantes, a destruição e o roubo do património público do planeta que deveria ser de todos.
Curiosamente, o capitalismo romântico, apenas o antevejo, tímida e disfarçadamente, no mercado negro, na contrafacção e no contrabando.
É apenas aí que observo a engenhosidade, o esforço, o assumir de riscos para servir a sua clientela, é só aí que o capitalismo tem dimensão humana..
Mas a estes perseguem-nos o estado e os seus aparelhos policiais e judiciais.
Fazem isto em nome do povo, dizem. Mas em meu nome não é porque eles me prestam um serviço, é apenas para defender os interesses dos “donos do mundo”, e os seus auto estabelecidos “direitos”.
Para estes capitalistas não existe o “laisser faire, laisser passer”.
2006-01-05
Como eu vejo a Bolsa de Valores
Bolas de sabão
Umas sobem, outras descem,
Umas são baças e lentas no seu vaguear,
Outras resplandecem de luz com todas as cores do arco iris,
Mesmo as cores que se não vêem.
E sobem orgulhosas como se tivessem o mundo na mão.
Mas, todas, todas sem excepção,
Rebentam e morrem, quando as queremos agarrar.
Só as crianças se fatigam nesse trabalho inútil.
2006-01-03
Morreu Cáceres Monteiro
Um dia, e um só dia, cruzei a minha vida com a de Cáceres Monteiro.
Partilhamos a palavra num Seminário em Trancoso, jantamos e conversamos no jantar que se seguiu.
Desse brevíssimo encontro ficou um registo no meu espírito:
Simpático ? Era-o, sem duvida, mas quem não é simpático num encontro social como aquele.
Interessante ? também, mas uma amiba, o movimento de uma folha ao vento, podem ser igualmente muito interessantes.
Outras qualidades humanas ? não me foi permitido avaliar com precisão, a partir desse fugaz encontro e dos escritos que deixou e que eu li.
Ficou apenas uma certeza, a mais importante, a cada vez mais rara e mais digna de respeito:
Cáceres Monteiro era, seguramente um “Homo sapiens”
Partilhamos a palavra num Seminário em Trancoso, jantamos e conversamos no jantar que se seguiu.
Desse brevíssimo encontro ficou um registo no meu espírito:
Simpático ? Era-o, sem duvida, mas quem não é simpático num encontro social como aquele.
Interessante ? também, mas uma amiba, o movimento de uma folha ao vento, podem ser igualmente muito interessantes.
Outras qualidades humanas ? não me foi permitido avaliar com precisão, a partir desse fugaz encontro e dos escritos que deixou e que eu li.
Ficou apenas uma certeza, a mais importante, a cada vez mais rara e mais digna de respeito:
Cáceres Monteiro era, seguramente um “Homo sapiens”
2006-01-01
Ideias de Portugal
É normal, quando nos identificamos como portugueses perante alguém estrangeiro num país diferente, que o nosso interlocutor procure qualquer elo de contacto, qualquer referência que o ligue ao nosso país. e todos teremos a experiência habitual de ouvir citar Figo, Eusébio, nalguns casos, entre gente mais cosmopolita, Amália Rodrigues ou Fátima.
Ouve dois casos que ficaram na minha memória pela sua singularidade:
O primeiro foi com um francês, hóspede do mesmo hotel, já não sei em que país, com o qual entabulei uma conversação rápida num elevador:
- Ah, Portugal, belo país, o melhor café do mundo
Fiquei surpreendido. De facto eu também sei que Portugal serve o melhor café do mundo, mesmo que seja italiano e preparado em máquinas italianas, não sei que jeito lhe damos que fica melhor que em Itália, mas isto sabemos nós portugueses e só nós, a fama do nosso café não corre por esse mundo fora, é clandestina, excepto para aquele francês que numa ou duas visitas ao nosso país descobriu o segredo, notável
O segundo encontro foi ainda mais estranho:
Num bar de hotel em Szczecin na Polónia, fui abordado por um bêbado polaco. Completamente bêbado, ao ponto do meu péssimo polaco, um pouco de inglês e mesmo algum português terem permitido uma conversação aparentemente fluente.
Com este parceiro, quando lhe referi a minha nacionalidade, para ele, inesperadíssima naquele canto da Polónia, disse-me assim:
- Portugalia ? ah tak, “Vasco de Gama”
Foi por esta e outras que me deixei fascinar por aquele país.
Ouve dois casos que ficaram na minha memória pela sua singularidade:
O primeiro foi com um francês, hóspede do mesmo hotel, já não sei em que país, com o qual entabulei uma conversação rápida num elevador:
- Ah, Portugal, belo país, o melhor café do mundo
Fiquei surpreendido. De facto eu também sei que Portugal serve o melhor café do mundo, mesmo que seja italiano e preparado em máquinas italianas, não sei que jeito lhe damos que fica melhor que em Itália, mas isto sabemos nós portugueses e só nós, a fama do nosso café não corre por esse mundo fora, é clandestina, excepto para aquele francês que numa ou duas visitas ao nosso país descobriu o segredo, notável
O segundo encontro foi ainda mais estranho:
Num bar de hotel em Szczecin na Polónia, fui abordado por um bêbado polaco. Completamente bêbado, ao ponto do meu péssimo polaco, um pouco de inglês e mesmo algum português terem permitido uma conversação aparentemente fluente.
Com este parceiro, quando lhe referi a minha nacionalidade, para ele, inesperadíssima naquele canto da Polónia, disse-me assim:
- Portugalia ? ah tak, “Vasco de Gama”
Foi por esta e outras que me deixei fascinar por aquele país.
2005-12-24
Reflexões sobre o Natal
Assim como o cristianismo se apropriou dos ritos sociais que desde as sociedades mais primitivas marcavam os ritmos cíclicos da natureza, introduzindo-lhes novos significados, novos conteúdos, começa a provar agora do mesmo veneno.
O “Deus Mercantilista”, insidiosa e persistentemente impõe uma nova alienação.
Para os cristãos é o nascimento de Cristo que se celebra e, por extensão, mesmo para os não cristãos, é também uma festa da família, da criança, dos grupos de vizinhança e da solidariedade em geral.
A sua importância na ordem social é ainda enorme. Dizia-me um advogado brasileiro especializado em divórcios, que, no Brasil, um dos aspectos determinantes que só um advogado muito inexperiente deixa passar em branco é o da formalização de regras claras e inequívocas sobre as futuras celebrações do Natal dos filhos do casal separado.
Os presépios que desde S. Francisco ou talvez mesmo desde os primeiros cristãos se construem nesta época, marcavam simbolicamente de forma directa a unidade familiar e a solidariedade. Muitas tradições regionais vão no mesmo sentido, doações a pobres, o perdão de faltas, o manter a mesa tão farta quanto possível e aberta a quem apareça, ou essa tradição lindíssima da consoada tradicional polaca, a “Vigilia” (ler o g como em gato) onde se põe na mesa sempre mais um lugar do que o necessário, pronto para quem chegue e, se alguém chega mesmo e o ocupa, novo lugar livre deve ser criado, são tudo tradições simbólicas daquilo que se denomina como “espirito de Natal” cristão.
Vestígios das velhas tradições pre-cristãs também se mantêm, sobretudo em certos ritos gastronómicos específicos da época.
Mas para o “Deus mercantilista” não se comemora nada, apenas se pretende aproveitar a tradicional boa vontade natalícia para encher o seu “ventre” ávido e trata de arranjar a sua estória e os seu próprios símbolos, que persistentemente se vão impondo ao Natal.
Falo, claro, do chamado “Pai Natal”, figura grotesca que vive no Polo Norte, e se desloca anualmente num trenó puxado por renas voadoras. Para explicar este absurdo e fingir que ainda estão na tradição cristã dizem que é um tal S. Nicolau Bispo da Ásia Menor e que, não sei porque artes, se viu assim condenado ao gelo polar.
Eu, não suporto o Pai Natal e as suas renas, que estão a matar o Natal. Aida por cima se deixa abandalhar despudoradamente pelos media.
Morra o Pai Natal ! Morra! pim!
O “Deus Mercantilista”, insidiosa e persistentemente impõe uma nova alienação.
Para os cristãos é o nascimento de Cristo que se celebra e, por extensão, mesmo para os não cristãos, é também uma festa da família, da criança, dos grupos de vizinhança e da solidariedade em geral.
A sua importância na ordem social é ainda enorme. Dizia-me um advogado brasileiro especializado em divórcios, que, no Brasil, um dos aspectos determinantes que só um advogado muito inexperiente deixa passar em branco é o da formalização de regras claras e inequívocas sobre as futuras celebrações do Natal dos filhos do casal separado.
Os presépios que desde S. Francisco ou talvez mesmo desde os primeiros cristãos se construem nesta época, marcavam simbolicamente de forma directa a unidade familiar e a solidariedade. Muitas tradições regionais vão no mesmo sentido, doações a pobres, o perdão de faltas, o manter a mesa tão farta quanto possível e aberta a quem apareça, ou essa tradição lindíssima da consoada tradicional polaca, a “Vigilia” (ler o g como em gato) onde se põe na mesa sempre mais um lugar do que o necessário, pronto para quem chegue e, se alguém chega mesmo e o ocupa, novo lugar livre deve ser criado, são tudo tradições simbólicas daquilo que se denomina como “espirito de Natal” cristão.
Vestígios das velhas tradições pre-cristãs também se mantêm, sobretudo em certos ritos gastronómicos específicos da época.
Mas para o “Deus mercantilista” não se comemora nada, apenas se pretende aproveitar a tradicional boa vontade natalícia para encher o seu “ventre” ávido e trata de arranjar a sua estória e os seu próprios símbolos, que persistentemente se vão impondo ao Natal.
Falo, claro, do chamado “Pai Natal”, figura grotesca que vive no Polo Norte, e se desloca anualmente num trenó puxado por renas voadoras. Para explicar este absurdo e fingir que ainda estão na tradição cristã dizem que é um tal S. Nicolau Bispo da Ásia Menor e que, não sei porque artes, se viu assim condenado ao gelo polar.
Eu, não suporto o Pai Natal e as suas renas, que estão a matar o Natal. Aida por cima se deixa abandalhar despudoradamente pelos media.
Morra o Pai Natal ! Morra! pim!
2005-12-19
As desistências
Candidato que desista não tira votos a ninguém, dá-os apenas.
No caso presente é óbvio que ninguém, com um mínimo de senso, que pretenda votar em Cavaco Silva mudará o seu voto para Soares alegando que os outros desistiram. Di-lo o bom senso e as próprias sondagens que já abordaram o assunto.
No entanto é isto que afirmam mentes supostamente iluminadas, do PS e também Marcelo Rebelo de Sousa.
São burros ? não, simplesmente desonestos:
Marcelo quer promover Cavaco à primeira volta tentando manter uma imagem de comentador imparcial.
No PS parecem pretender evitar a humilhação de uma derrota de Soares com um número insignificante de votos ou será que no fundo, no fundo também eles querem uma vitória rápida de Cavaco ?
No caso presente é óbvio que ninguém, com um mínimo de senso, que pretenda votar em Cavaco Silva mudará o seu voto para Soares alegando que os outros desistiram. Di-lo o bom senso e as próprias sondagens que já abordaram o assunto.
No entanto é isto que afirmam mentes supostamente iluminadas, do PS e também Marcelo Rebelo de Sousa.
São burros ? não, simplesmente desonestos:
Marcelo quer promover Cavaco à primeira volta tentando manter uma imagem de comentador imparcial.
No PS parecem pretender evitar a humilhação de uma derrota de Soares com um número insignificante de votos ou será que no fundo, no fundo também eles querem uma vitória rápida de Cavaco ?
2005-12-17
Sol na eira e chuva no nabal
Foi o que colhi das notícias sobre o acordo financeiro alcançado na UE nesta madrugada.
A nós deram-nos muitos milhões, ainda mais milhões do que os da anterior proposta luxemburgueza.
Os novos Estados Membros também são bem contemplados.
A França mantém por mais algum tempo a sua PAC.
A Inglaterra fica com o seu cheque e perspectivas de o aumentar ainda mais, disse Blair.
Enfim, tudo feliz, não sei para que foi tanto barulho embora pressinta que alguém foi bem enganado.
A nós deram-nos muitos milhões, ainda mais milhões do que os da anterior proposta luxemburgueza.
Os novos Estados Membros também são bem contemplados.
A França mantém por mais algum tempo a sua PAC.
A Inglaterra fica com o seu cheque e perspectivas de o aumentar ainda mais, disse Blair.
Enfim, tudo feliz, não sei para que foi tanto barulho embora pressinta que alguém foi bem enganado.
2005-12-06
O « Debate »
Viram o debate ? A Alegre Cavaqueira como ouvi hoje referir na rádio, com muito humor mas pouco tino ? Porque, de facto, não foi cavaqueira, nem alegre.
Eu aguentei até ao intervalo, largos minutos portanto, posso mesmo dizer que vi praticamente tudo, só que não foi um debate, foi uma dupla entrevista, não simultânea mas alternada.
Parece que o modelo americano de debates entrou para ficar: O fundamental é o tempo, o que é importante e democrático é que ambos os candidatos falem o mesmo número de minutos e segundos. As emoções próprias de um debate, o “espírito” ou a “presença de espírito”, já não são valores a considerar, apenas a capacidade que cada um demonstra de dizer qualquer coisa, com um mínimo de sentido, em x minutos e y segundos, é preciso reduzir os debates a um concurso, a um “quiz show”.
Ah que saudades do: “olhe que não, olhe que não !”.
Eu aguentei até ao intervalo, largos minutos portanto, posso mesmo dizer que vi praticamente tudo, só que não foi um debate, foi uma dupla entrevista, não simultânea mas alternada.
Parece que o modelo americano de debates entrou para ficar: O fundamental é o tempo, o que é importante e democrático é que ambos os candidatos falem o mesmo número de minutos e segundos. As emoções próprias de um debate, o “espírito” ou a “presença de espírito”, já não são valores a considerar, apenas a capacidade que cada um demonstra de dizer qualquer coisa, com um mínimo de sentido, em x minutos e y segundos, é preciso reduzir os debates a um concurso, a um “quiz show”.
Ah que saudades do: “olhe que não, olhe que não !”.
2005-12-02
Portugal – peças soltas
Nevoeiro
Nem rei nem lei, nem paz nem guerra,
Define com perfil e ser
Este fulgor baço da terra
Que é Portugal a entristecer —
Brilho sem luz e sem arder,
Como o que o fogo-fátuo encerra.
Ninguém sabe que coisa quer.
Ninguém conhece que alma tem,
Nem o que é mal nem o que é bem.
(Que ânsia distante perto chora?)
Tudo é incerto e derradeiro.
Tudo é disperso, nada é inteiro.
Ó Portugal, hoje és nevoeiro...
É a Hora!
Fernando Pessoa – in Mensagem-
2005-11-28
Este país não estaria melhor
Se Sócrates fosse apenas um venerável filósofo Grego ?
Se Cavaco não fosse mais que aquele excelente crustáceo açoreano semelhante à lagosta ?
Se Mário se limitasse à condição de canalizador em jogo de computador ?
Se Alegre fosse só o estado normal da nossa população ?
Se Jerónimo referisse exclusivamente um antigo e muito notável Chefe Índio ?
Se Louçã não se substantivasse e se limitasse à sua condição de adjectivo significando “ornado, enfeitado” ?
Se Partido não fosse mais do que quebrado ?
Se PS não significasse mais nada do que “post scriptum” ?
Eu acho que sim.
Se Cavaco não fosse mais que aquele excelente crustáceo açoreano semelhante à lagosta ?
Se Mário se limitasse à condição de canalizador em jogo de computador ?
Se Alegre fosse só o estado normal da nossa população ?
Se Jerónimo referisse exclusivamente um antigo e muito notável Chefe Índio ?
Se Louçã não se substantivasse e se limitasse à sua condição de adjectivo significando “ornado, enfeitado” ?
Se Partido não fosse mais do que quebrado ?
Se PS não significasse mais nada do que “post scriptum” ?
Eu acho que sim.
2005-11-27
Portugal
Ouço dizer que não sei que legionário ou historiador romano, referindo-se aos nossos avós lusitanos tê-los-á classificado como um povo que não se deixava governar nem se sabia governar sozinho
Eu confesso que esta observação, feita certamente com grande desprezo por nós e com o intuito de nos colocar ao nível das bestas, desperta em mim um imenso orgulho nacional.
O gajo topou-nos bem, o malandro do romano, só que apesar de tudo, cá continuamos há quase 900 anos, mesmo sem nos sabermos governar, o que é um facto indesmentível, e até contribuímos para esta abominável civilização global, muito mais do que a maioria dos povos deste mundo, mesmo os que mais partido tiram dela, o que também é inegável e é precisamente essa contradição que me fascina, essa capacidade de vivermos entre a miséria e a maior grandeza, ao mesmo tempo e igualmente bem.
Partilho com Agostinho da Silva uma certa ideia “messiânica” de Portugal, ou talvez não, a única coisa de que estou seguro é de que pertenço e me identifico com um país singular, único, diferente de todos os outros.
Para meu próprio proveito irei deixar aqui, de tempos a tempos, algumas peças para este “puzzle” que não está ainda perfeitamente elaborado na minha cabeça.
Eu confesso que esta observação, feita certamente com grande desprezo por nós e com o intuito de nos colocar ao nível das bestas, desperta em mim um imenso orgulho nacional.
O gajo topou-nos bem, o malandro do romano, só que apesar de tudo, cá continuamos há quase 900 anos, mesmo sem nos sabermos governar, o que é um facto indesmentível, e até contribuímos para esta abominável civilização global, muito mais do que a maioria dos povos deste mundo, mesmo os que mais partido tiram dela, o que também é inegável e é precisamente essa contradição que me fascina, essa capacidade de vivermos entre a miséria e a maior grandeza, ao mesmo tempo e igualmente bem.
Partilho com Agostinho da Silva uma certa ideia “messiânica” de Portugal, ou talvez não, a única coisa de que estou seguro é de que pertenço e me identifico com um país singular, único, diferente de todos os outros.
Para meu próprio proveito irei deixar aqui, de tempos a tempos, algumas peças para este “puzzle” que não está ainda perfeitamente elaborado na minha cabeça.
2005-11-24
Discurso esotérico
Eu, que escolhi viver na margem, vou dar hoje um mergulho mesmo no âmago do “main stream”, apenas porque tenho a coisa.
A água vai estar fria e é, naturalmente, pouco profunda.
A água vai estar fria e é, naturalmente, pouco profunda.
2005-11-20
A greve dos Professores
Não foi no Uíge em Angola, foi em Carmona, no Estado de Angola e se bem que geograficamente não haja diferenças entre estes dois locais elas existem e são necessárias para precisar o contexto.
Como de costume, passava as terdes de fim de semana no aeródromo, confraternizando com os pára-quedistas amadores e beberricando cervejas no bar do aeródromo.
Naquele dia, enquanto conversava numa mesa, um rapaz lavava energicamente os largos painéis de vidro que separavam o bar da esplanada.
Terminada a tarefa, surgiu a patroa para apreciar o trabalho feito e, ainda que todos nós víssemos vidros limpos, resplandecentes, ela apenas via grandes manchas de sujidade, não sei bem se no vidro se na sua cabeça: “este trabalho está uma porcaria”, disse, “não mereces o que comestes, hoje não te pago”. O rapaz calou-se, pesou o semblante mas resignou-se e eu percebi como é tão natural quebrar contratos quando se tem toda a força e o poder na mão.
Aliás esta prepotência é velhíssima ainda mesmo antes de Labão, pai de Raquel, serrana bela, e persiste ainda com naturalidade quando Sócrates diz aos funcionários públicos “O vosso trabalho é uma porcaria, estão a arruinar o Estado, têm de trabalhar mais 5 anos antes de se reformarem”. Nós, também não gostamos mas calamo-nos, para quê refilar se são eles que têm toda a força e o poder.
Foi assim interessado que vi os professores passarem à acção, julgando eu que para combater a prepotente alteração de contrato decidida pelo Governo, mas não, segundo o que fui ouvindo, a questão principal não era essa, antes pelo contrário, o grande motivo de descontentamento era uma simples medida racional do Governo: que professores disponíveis na escola substituam os seus colegas que faltem ainda que noutra matéria ou com outra actividade.
Os Professores parece que têm uma concepção da educação aos quadradinhos, no horário de inglês não se pode aprender matemática ou filosofia, ou vice-versa, só a matéria que estava previamente definida, parece que o cérebro dos jovens não capta a essência da “química” nas horas em que se preparou previamente para os segredos da biologia, prevista no horário.
Afinal é isto que apoquenta os professores, ora que porra !
Como de costume, passava as terdes de fim de semana no aeródromo, confraternizando com os pára-quedistas amadores e beberricando cervejas no bar do aeródromo.
Naquele dia, enquanto conversava numa mesa, um rapaz lavava energicamente os largos painéis de vidro que separavam o bar da esplanada.
Terminada a tarefa, surgiu a patroa para apreciar o trabalho feito e, ainda que todos nós víssemos vidros limpos, resplandecentes, ela apenas via grandes manchas de sujidade, não sei bem se no vidro se na sua cabeça: “este trabalho está uma porcaria”, disse, “não mereces o que comestes, hoje não te pago”. O rapaz calou-se, pesou o semblante mas resignou-se e eu percebi como é tão natural quebrar contratos quando se tem toda a força e o poder na mão.
Aliás esta prepotência é velhíssima ainda mesmo antes de Labão, pai de Raquel, serrana bela, e persiste ainda com naturalidade quando Sócrates diz aos funcionários públicos “O vosso trabalho é uma porcaria, estão a arruinar o Estado, têm de trabalhar mais 5 anos antes de se reformarem”. Nós, também não gostamos mas calamo-nos, para quê refilar se são eles que têm toda a força e o poder.
Foi assim interessado que vi os professores passarem à acção, julgando eu que para combater a prepotente alteração de contrato decidida pelo Governo, mas não, segundo o que fui ouvindo, a questão principal não era essa, antes pelo contrário, o grande motivo de descontentamento era uma simples medida racional do Governo: que professores disponíveis na escola substituam os seus colegas que faltem ainda que noutra matéria ou com outra actividade.
Os Professores parece que têm uma concepção da educação aos quadradinhos, no horário de inglês não se pode aprender matemática ou filosofia, ou vice-versa, só a matéria que estava previamente definida, parece que o cérebro dos jovens não capta a essência da “química” nas horas em que se preparou previamente para os segredos da biologia, prevista no horário.
Afinal é isto que apoquenta os professores, ora que porra !
2005-11-13
Um facto indesmentível
Apesar de tudo, Nossa Senhora de Fátima é muito mais mediática e atrai muito mais gente do que a Madona.
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