Imaginemos que, amanhã, logo de madrugada, esse tema permanentemente latente no nosso imaginário, que gera filmes e romances de grande sucesso mediático se transforma de facto em realidade.
Somos invadidos por extraterrestres !
É fácil imaginar como o pânico nos invadiria, como faríamos tudo para ripostar e afastar essa ameaça e como lamentaríamos que não fosse, desta vez, mais um filme, e que Bruce Willis não estivesse lá para nos salvar milagrosamente.
Todavia, racionalmente, podemos perguntar; “salvar de quê ?”.
Esses invasores com tecnologia suficientemente evoluída para cá chegar antes que a nossa tecnologia suspeitasse sequer da sua existência, não auguraria com certeza um futuro melhor ?
Os excessos que provavelmente cometeriam os invasores não seriam justificados pelo nosso primitivismo relativo e a nossa incapacidade para falar na sua língua superior ?
Não desprezaríamos os “traidores” que tendo uma visão mais utilitária do mundo se apressariam em tentar passar para o inimigo, obtendo de imediato alguns privilégios invejáveis ?
Provavelmente, alguns “intelectuais marginais” dessa cultura de invasores lutariam contra os excessos cometidos pelos seus pares, falando de alguns valores que os terráqueos também tinham e diriam que alguns mesmo estão a fazer um grande esforço de adaptação e já se integram minimamente na nossa cultura, os tais, para nós, “traidores”
Foi esta a impressão que colhi, ao ouvir a entrevista ao jornalista da SIC que acompanhou a luta dos Índios “Ianomanis”, parece que é assim que se transcreve, da Amazónia, em luta contra a invasão da nossa civilização “superior” e global.
“Estes ainda não falam português, mas têm valores tradicionais e comunitários de grande interesse, embora as mâes matem os filhos que não têm hipótese de sobreviver mas a missão católica já está a actuar contra estes aspectos, o problema são os fazendeiros, bla, bla, bla”
É este discurso inocentemente hipócrita que eu já não posso ouvir, para mim é tudo mais simples:
Deixem os índios “Ianomanis”, viver em paz, sem terem de aprender português à força ou fazer seja o que for não queiram.
A terra é ocupada por eles há séculos e mesmo segundo as nossas normas de justiça, têm direito a continuar aí na sua “sacrossanta propriedade”, “quietos no seu galho”. Ponto. Mais argumentos para quê ?
2005-10-29
2005-10-26
O regresso do rebanho – Epílogo
Obras ema casa obrigaram-me a passar uns dias no Alto Lumiar, local que se chamava Musgueira até nascer uma nova e moderna urbanização que progressivamente se vai enchendo de jovens casais da média burguesia lisboeta.
É, nesta forma, um bairro novo da cidade, que já tem “sites” na internete, e blogues como este, entre outros, mas ao que falta ainda “alma”, procura ainda o seu “spiritus loci”.
Como sempre, há duas forças dominantes a moldar esse espírito:
Uma, dessas forças, nasce daquelas mentes modernas ou pós-modernas que conceberam o bairro e ainda o dominam de certa forma.
Visa a “ordem” e a homogeneização.
Nada de consentir rasgos de criatividade individual, que estraguem a “estética” do conjunto.
Estendais de roupa, nem pensar, “era só o que faltava sermos confrontados com esse símbolo do gosto individual como umas cuecas às bolinhas ondulando orgulhosamente ao vento como uma bandeira a declarar: aqui moro Eu”.
Não o fizeram ainda abertamente mas gostariam de regulamentar, os trajes apropriados para frequentar os átrios das casas, e o tempo concedido a brincadeiras das crianças, nos espaços públicos.
É um condomínio aberto mas tem horror a “estranhos”, todos os que não são dos “nossos”. Gostariam de fechar tudo à chave. Eu, para me mover no condomínio preciso dumas 8 ou 9 chaves e faltam-me algumas...
Na garagem colectiva está escrito junto à porta de saída, que, assim que sair, devo bloquear o acesso até que o portão se feche novamente, não vá entrar algum “estranho”, sem se lembrarem de que assim nunca deixaremos todos de ser estranhos uns para os outros.
Outras forças porém, de alguns moradores que querem apenas viver em paz e harmonia com os seus semelhantes, vão lentamente procurando impor novas regras que humanizem o bairro.
Tenho esperança que dentro de alguns anos se possa já viver ali alegremente, agora ainda não e foi assim que certo dia, ao fim da tarde, quando me dirigia ao meu carro, estacionado no interior da garagem, para sair, vi com espanto, ao longe, os portões permanentemente escancarados.
O que se passaria ali, seria uma revolução ou simplesmente uma avaria no mecanismo de abertura e fecho do portão ?
Percorri o caminho até à saída até que comecei a distinguir uma fila de carros que, um a um, calmamente, recolhia à garagem. À porta, dirigindo este fluxo, estava um agente da segurança privada que vela pelo condomínio, cumprimentado todos e detendo-se, de vez em quando, a trocar breves palavras com um ou outro.
Todas aquelas imagens de rebanhos que descrevi atrás, assaltaram o meu espírito:
Tudo aquilo me pareceu o regresso de um rebanho, neste caso, rebanho de quadros técnicos ou administrativos que regressavam ao “redil” após um dia de “pastagem” em diversas empresas e repartições. Até tinham o seu “pastor”, o segurança, a quem me pareceu ouvir murmurar: “anda “bonita”, vai “malhada”, como está a tua mamite “lanzuda” ?”.
Aprendi depois que tudo isto se repete diariamente.
Vários anos depois pude ver, de novo, em Lisboa, um “regresso do rebanho”, só que deste eu também faço parte, por vezes.
É, nesta forma, um bairro novo da cidade, que já tem “sites” na internete, e blogues como este, entre outros, mas ao que falta ainda “alma”, procura ainda o seu “spiritus loci”.
Como sempre, há duas forças dominantes a moldar esse espírito:
Uma, dessas forças, nasce daquelas mentes modernas ou pós-modernas que conceberam o bairro e ainda o dominam de certa forma.
Visa a “ordem” e a homogeneização.
Nada de consentir rasgos de criatividade individual, que estraguem a “estética” do conjunto.
Estendais de roupa, nem pensar, “era só o que faltava sermos confrontados com esse símbolo do gosto individual como umas cuecas às bolinhas ondulando orgulhosamente ao vento como uma bandeira a declarar: aqui moro Eu”.
Não o fizeram ainda abertamente mas gostariam de regulamentar, os trajes apropriados para frequentar os átrios das casas, e o tempo concedido a brincadeiras das crianças, nos espaços públicos.
É um condomínio aberto mas tem horror a “estranhos”, todos os que não são dos “nossos”. Gostariam de fechar tudo à chave. Eu, para me mover no condomínio preciso dumas 8 ou 9 chaves e faltam-me algumas...
Na garagem colectiva está escrito junto à porta de saída, que, assim que sair, devo bloquear o acesso até que o portão se feche novamente, não vá entrar algum “estranho”, sem se lembrarem de que assim nunca deixaremos todos de ser estranhos uns para os outros.
Outras forças porém, de alguns moradores que querem apenas viver em paz e harmonia com os seus semelhantes, vão lentamente procurando impor novas regras que humanizem o bairro.
Tenho esperança que dentro de alguns anos se possa já viver ali alegremente, agora ainda não e foi assim que certo dia, ao fim da tarde, quando me dirigia ao meu carro, estacionado no interior da garagem, para sair, vi com espanto, ao longe, os portões permanentemente escancarados.
O que se passaria ali, seria uma revolução ou simplesmente uma avaria no mecanismo de abertura e fecho do portão ?
Percorri o caminho até à saída até que comecei a distinguir uma fila de carros que, um a um, calmamente, recolhia à garagem. À porta, dirigindo este fluxo, estava um agente da segurança privada que vela pelo condomínio, cumprimentado todos e detendo-se, de vez em quando, a trocar breves palavras com um ou outro.
Todas aquelas imagens de rebanhos que descrevi atrás, assaltaram o meu espírito:
Tudo aquilo me pareceu o regresso de um rebanho, neste caso, rebanho de quadros técnicos ou administrativos que regressavam ao “redil” após um dia de “pastagem” em diversas empresas e repartições. Até tinham o seu “pastor”, o segurança, a quem me pareceu ouvir murmurar: “anda “bonita”, vai “malhada”, como está a tua mamite “lanzuda” ?”.
Aprendi depois que tudo isto se repete diariamente.
Vários anos depois pude ver, de novo, em Lisboa, um “regresso do rebanho”, só que deste eu também faço parte, por vezes.
2005-10-21
Para que queremos um Presidente da República
A constituição dá-nos algumas pistas: nomeia o Governo, promulga leis, nomeia para alguns altos cargos, é o Supremo Comandante das Forças Armadas, essa “ociosidade organizada”, como lhe chamava Eça, e pode também, em certas situações, dissolver a Assembleia da República.
Para fazer tudo isto e coisa no género (visto que não conheço a constituição de cor) terá que ter bom senso, indiscutivelmente, um mínimo de bom senso, mas pode também contar com inúmeras ajudas: tem a sua Casa Civil, a Casa Militar, o Conselho de Estado, pode ouvir quem quiser, pedir conselhos, enfim, se não for muito alvoreado, lá sobreviverá mais ou menos, mesmo que a história lhe faça alguma partida como a de levar Santana Lopes ou alguém no género à condição de poder ser poder.
É claro também, que poderá surgir uma situação difícil imponderável, sei lá, sermos invadidos militarmente, por exemplo, mas aí creio que teremos que fazer mais por nós, do que esperar que o Presidente resolva as coisas.
Há no entanto uma outra função, o Presidente é um símbolo nacional, como o hino ou a bandeira, o Presidente tem de conviver com Chefes de Estado, Presidentes e Reis, participar em banquetes elegantíssimos, frequentar palácios, sentar-se em bons sofás, sem dar pulinhos para lhes experimentar as molas (como se viu Bush fazer) e tem que fazer tudo isso com “saber estar”, com educação, com etiqueta, direi mesmo, de forma que não envergonhe o país. Voltando às palavras de Eça (embora dirigidas ao corpo diplomático, também se aplicam aqui) deve saber comer ostras com elegância.
Ora para isto não há Casa Civil nem Chefe de Protocolo que lhe valha, isto não se ensina, ou se tem ou se não tem.
Em resumo, um bom candidato tem que ter: bom senso e boa presença.
Analisemos a esta luz os candidatos que se perfilam:
Francisco Louçã, parece que nem sabe usar gravata, não o consigo ver de gravata, foge-lhe o pé para a palhaçada, que fora do contexto habitual poderia ser dramático e bom senso não sei se o terá em suficiência.
Jerónimo de Sousa, bom senso tem, e apresenta-se bem, é um homem culto, vê-se que leu muito, mas operário é sempre operário e não o vejo à vontade em certos ambientes mais refinados.
Mário Soares, estará como peixe na água nos altos círculos que dominam o mundo, muito à vontade, direi mesmo talvez até um pouco à vontade demais. Não nos envergonharia mas uma gafe ou outra não se poderá evitar, quanto a bom senso parece ter quanto baste.
Cavaco Silva, bom senso tem para dar e vender mas é demasiado hirto, tímido, como ele próprio diz, parece que nunca cabe bem no fato que veste e não há um dia em que se fale na sua provável vitória, que não tenha o pesadelo de o ver a comer bolo rei, de boca aberta em frente ao Papa, credo !
Resta-nos Manuel Alegre e este sim tem boa presença, tem tudo o que se pode esperar, até cria e diz poesia lindamente o que fica muito bem em qualquer salão. Adivinha-se que sabe valsar, é brilhante na conversação, com este sim, Portugal estará bem representado e bom senso terá quanto baste.
Meus amigos, a escolha não parece nada difícil: O melhor candidato é Manuel Alegre e juro que nem ele me pagou para dizer isto, nem me prometeu nada, nem mesmo me meteu em nenhuma Comissão de Honra ou de outra coisa qualquer, nem sequer o conheço, é mesmo o que eu acho, através de análise racional e objectiva.
Vão por mim que vão bem.
Para fazer tudo isto e coisa no género (visto que não conheço a constituição de cor) terá que ter bom senso, indiscutivelmente, um mínimo de bom senso, mas pode também contar com inúmeras ajudas: tem a sua Casa Civil, a Casa Militar, o Conselho de Estado, pode ouvir quem quiser, pedir conselhos, enfim, se não for muito alvoreado, lá sobreviverá mais ou menos, mesmo que a história lhe faça alguma partida como a de levar Santana Lopes ou alguém no género à condição de poder ser poder.
É claro também, que poderá surgir uma situação difícil imponderável, sei lá, sermos invadidos militarmente, por exemplo, mas aí creio que teremos que fazer mais por nós, do que esperar que o Presidente resolva as coisas.
Há no entanto uma outra função, o Presidente é um símbolo nacional, como o hino ou a bandeira, o Presidente tem de conviver com Chefes de Estado, Presidentes e Reis, participar em banquetes elegantíssimos, frequentar palácios, sentar-se em bons sofás, sem dar pulinhos para lhes experimentar as molas (como se viu Bush fazer) e tem que fazer tudo isso com “saber estar”, com educação, com etiqueta, direi mesmo, de forma que não envergonhe o país. Voltando às palavras de Eça (embora dirigidas ao corpo diplomático, também se aplicam aqui) deve saber comer ostras com elegância.
Ora para isto não há Casa Civil nem Chefe de Protocolo que lhe valha, isto não se ensina, ou se tem ou se não tem.
Em resumo, um bom candidato tem que ter: bom senso e boa presença.
Analisemos a esta luz os candidatos que se perfilam:
Francisco Louçã, parece que nem sabe usar gravata, não o consigo ver de gravata, foge-lhe o pé para a palhaçada, que fora do contexto habitual poderia ser dramático e bom senso não sei se o terá em suficiência.
Jerónimo de Sousa, bom senso tem, e apresenta-se bem, é um homem culto, vê-se que leu muito, mas operário é sempre operário e não o vejo à vontade em certos ambientes mais refinados.
Mário Soares, estará como peixe na água nos altos círculos que dominam o mundo, muito à vontade, direi mesmo talvez até um pouco à vontade demais. Não nos envergonharia mas uma gafe ou outra não se poderá evitar, quanto a bom senso parece ter quanto baste.
Cavaco Silva, bom senso tem para dar e vender mas é demasiado hirto, tímido, como ele próprio diz, parece que nunca cabe bem no fato que veste e não há um dia em que se fale na sua provável vitória, que não tenha o pesadelo de o ver a comer bolo rei, de boca aberta em frente ao Papa, credo !
Resta-nos Manuel Alegre e este sim tem boa presença, tem tudo o que se pode esperar, até cria e diz poesia lindamente o que fica muito bem em qualquer salão. Adivinha-se que sabe valsar, é brilhante na conversação, com este sim, Portugal estará bem representado e bom senso terá quanto baste.
Meus amigos, a escolha não parece nada difícil: O melhor candidato é Manuel Alegre e juro que nem ele me pagou para dizer isto, nem me prometeu nada, nem mesmo me meteu em nenhuma Comissão de Honra ou de outra coisa qualquer, nem sequer o conheço, é mesmo o que eu acho, através de análise racional e objectiva.
Vão por mim que vão bem.
2005-10-18
Peseiro saiu
Enquanto os media se preocupam com o orçamento de Estado para 2006, a SIC notícias avançou com as notícias verdadeiramente importantes, que eu amplifico aqui para o mundo:
1. PESEIRO JÁ SAÍU DO SPORTING !
2. A Princesa Letízia teve contracções, sempre acompanhada pelo Príncipe, todavia o herdeiro ainda não nasceu.
1. PESEIRO JÁ SAÍU DO SPORTING !
2. A Princesa Letízia teve contracções, sempre acompanhada pelo Príncipe, todavia o herdeiro ainda não nasceu.
2005-10-17
O regresso do rebanho – capítulo 4
Numa unidade de turismo rural, perto de Vila Flor, existe uma varanda ampla e larga, debruçada sobre um pequeno vale que logo se levanta numa colina que deixa adivinhar novo vale, desenhando o ondulado típico da paisagem de montanha que se contempla aí.
Eu, preparava-me para sair para a minha vida, quando vejo na referida varanda um grupo de turistas nórdicos, sentados lado a lado, debruçados sobre a balaustrada como se estivessem numa frisa de camarote.
Eu sei que a paisagem é linda, mas estranhei aquela postura.
Parecia-me melhor usufruir a beleza do lugar de forma mais descontraída, fazendo uma roda de cadeiras, conversando amenamente, talvez beberricando num copo, deixando a calma do lugar envolver-nos suavemente.
Mas eles lá estavam em silêncio, um pouco tensos de expectativa, esperavam qualquer coisa, o quê ?
Perguntei, à minha hospedeira, o que estariam a fazer aqueles turistas ali. Seria qualquer espectáculo invulgar que se passaria mesmo por baixo da varanda e que eu não descortinava do ponto em que me encontrava ?
“não” disse-me ela, “aguardam o regresso do rebanho, que já não tarda”.
Ao meu espírito afluíram duas imagens, “teatro”, “rebanho”. O regresso do rebanho também pode ser... é, um espectáculo.
Eu, preparava-me para sair para a minha vida, quando vejo na referida varanda um grupo de turistas nórdicos, sentados lado a lado, debruçados sobre a balaustrada como se estivessem numa frisa de camarote.
Eu sei que a paisagem é linda, mas estranhei aquela postura.
Parecia-me melhor usufruir a beleza do lugar de forma mais descontraída, fazendo uma roda de cadeiras, conversando amenamente, talvez beberricando num copo, deixando a calma do lugar envolver-nos suavemente.
Mas eles lá estavam em silêncio, um pouco tensos de expectativa, esperavam qualquer coisa, o quê ?
Perguntei, à minha hospedeira, o que estariam a fazer aqueles turistas ali. Seria qualquer espectáculo invulgar que se passaria mesmo por baixo da varanda e que eu não descortinava do ponto em que me encontrava ?
“não” disse-me ela, “aguardam o regresso do rebanho, que já não tarda”.
Ao meu espírito afluíram duas imagens, “teatro”, “rebanho”. O regresso do rebanho também pode ser... é, um espectáculo.
Infelizmente
O que eu escrevi relativamente ao Sportimg, parece confirmar-se:
os jogadores estão decididos a não jogar até que Peseiro saia.
A Direcção está a fazer um braço de ferro que perderá forçosamente, mais cedo ou mais tarde.
Pelo caminho vão ficando estragos difíceis de reparar.
os jogadores estão decididos a não jogar até que Peseiro saia.
A Direcção está a fazer um braço de ferro que perderá forçosamente, mais cedo ou mais tarde.
Pelo caminho vão ficando estragos difíceis de reparar.
2005-10-16
O valor das coisas
Os melhores bens que usufruo e os melhores serviços que me prestaram foram-me gratuitos.
Preço e valor são apenas duas noções distintas que por vezes coincidem.
Preço e valor são apenas duas noções distintas que por vezes coincidem.
2005-10-11
O regresso do rebanho – Capítulo 3
Tive dois encontros estranhos no caminho entre Moncorvo e Mirandela, em pontos diferentes do caminho e em noites diferentes, mas ambos envolveram luzes misteriosas.
Um deles é quase indiscritível, eram luzes que atravessavam o carro vindas de todas as direcções, sem ritmo definido e sem que eu conseguisse descortinar a sua fonte. Muitas outras pessoas presenciaram o mesmo, muitas teorias foram formuladas, luzes de uma discoteca distante, efeitos eléctricos naturais, eu sei lá, até hoje não sei o que foi, costumo chamar-lhe o meu primeiro, e até hoje único, encontro com um ovni
O outro encontro foi mais definível: ia numa recta da estrada, ao começo da noite, quando comecei a ver a uns pontos luminosos verdes, muitos, centenas, ondulantes, como se fosse produzido por um exército de pirilampos em marcha organizada.
Era um espectáculo simultaneamente belo e insólito.
Abrandei o carro, apreensivo, até que pude distinguir claramente o que se passava: era um rebanho de ovelhas que avançava uns metros pela estrada contra a direcção do carro para a abandonar mais adiante.
Desejei boa noite ao pastor que as acompanhava e segui viagem.
Um deles é quase indiscritível, eram luzes que atravessavam o carro vindas de todas as direcções, sem ritmo definido e sem que eu conseguisse descortinar a sua fonte. Muitas outras pessoas presenciaram o mesmo, muitas teorias foram formuladas, luzes de uma discoteca distante, efeitos eléctricos naturais, eu sei lá, até hoje não sei o que foi, costumo chamar-lhe o meu primeiro, e até hoje único, encontro com um ovni
O outro encontro foi mais definível: ia numa recta da estrada, ao começo da noite, quando comecei a ver a uns pontos luminosos verdes, muitos, centenas, ondulantes, como se fosse produzido por um exército de pirilampos em marcha organizada.
Era um espectáculo simultaneamente belo e insólito.
Abrandei o carro, apreensivo, até que pude distinguir claramente o que se passava: era um rebanho de ovelhas que avançava uns metros pela estrada contra a direcção do carro para a abandonar mais adiante.
Desejei boa noite ao pastor que as acompanhava e segui viagem.
2005-10-10
Autárquicas
Ontem, durante o dia, ouvi um político apelar para o voto com a seguinte argumentação:
- Quem não votar não se poderá queixar das escolhas que outros fizeram.
É bem verdade, no entanto eu nunca me queixei das escolhas feitas pelos outros, do que me tenho queixado é das escolhas que eu próprio fiz.
- Quem não votar não se poderá queixar das escolhas que outros fizeram.
É bem verdade, no entanto eu nunca me queixei das escolhas feitas pelos outros, do que me tenho queixado é das escolhas que eu próprio fiz.
2005-10-09
O regresso do rebanho – Capítulo 2
Visitava mais uma queijaria no sul de França, em plena região demarcada do Roquefort.
Uma pequena queijaria artesanal como a generalidade das que se dedicam à fabricação deste notável queijo, famoso no mundo inteiro.
Meditava precisamente nesta contradição da vida moderna:
Aquela queijaria, tão precária e tão pouco higiénica, como já quase não há em Portugal, mantinha-se assim precisamente apenas por ser francesa, um dos grandes da Europa, mas irá ver, ainda assim, julgo eu, mesmo em França, o seu inexorável fim, ditado pelos zelosos guardiões da saúde pública, que não descansarão enquanto não nos obrigarem a todos a comer exclusivamente plástico esterilizado.
No entanto, não fosse precisamente a existência daquelas condições, naquele lugar e ainda hoje não teríamos a contaminação do queijo com Penicilium roquefortis, e a descoberta desse sabor único, responsável hoje por um negócio de milhões.
Enquanto o meu pensamento deambulava por estas paragens, começo a ouvir uma música estranha mas simultaneamente familiar de um imenso repicar de pequenos sinos.
A música casava na perfeição com a calma e a solidão do lugar.
Era o regresso do rebanho, centenas de ovelhas, cada uma com o seu badalo tinindo preso ao pescoço.
Comandava o seu percurso um cão guia, em frenética actividade, não permitindo que uma só se afastasse mais do que alguns metros do rebanho e se apartasse e os próprios latidos do cão emprestavam uma beleza estranha aquela “sinfonia” de sinos.
Calmamente o rebanho recolheu ao seu redil, são e salvo e, na minha memória, ficou gravado até hoje aquele instante magnífico.
Uma pequena queijaria artesanal como a generalidade das que se dedicam à fabricação deste notável queijo, famoso no mundo inteiro.
Meditava precisamente nesta contradição da vida moderna:
Aquela queijaria, tão precária e tão pouco higiénica, como já quase não há em Portugal, mantinha-se assim precisamente apenas por ser francesa, um dos grandes da Europa, mas irá ver, ainda assim, julgo eu, mesmo em França, o seu inexorável fim, ditado pelos zelosos guardiões da saúde pública, que não descansarão enquanto não nos obrigarem a todos a comer exclusivamente plástico esterilizado.
No entanto, não fosse precisamente a existência daquelas condições, naquele lugar e ainda hoje não teríamos a contaminação do queijo com Penicilium roquefortis, e a descoberta desse sabor único, responsável hoje por um negócio de milhões.
Enquanto o meu pensamento deambulava por estas paragens, começo a ouvir uma música estranha mas simultaneamente familiar de um imenso repicar de pequenos sinos.
A música casava na perfeição com a calma e a solidão do lugar.
Era o regresso do rebanho, centenas de ovelhas, cada uma com o seu badalo tinindo preso ao pescoço.
Comandava o seu percurso um cão guia, em frenética actividade, não permitindo que uma só se afastasse mais do que alguns metros do rebanho e se apartasse e os próprios latidos do cão emprestavam uma beleza estranha aquela “sinfonia” de sinos.
Calmamente o rebanho recolheu ao seu redil, são e salvo e, na minha memória, ficou gravado até hoje aquele instante magnífico.
2005-10-07
O Regresso do rebanho – Capítulo 1
Sou um homem urbano, nado e criado na cidade, não tenho, nunca tive, férias ou Natal na terra, as minhas raízes rurais perdem-se a 3 ou 4 gerações de distância, são apenas histórias vagas e nebulosas.
Apesar disso ou talvez por isso a ruralidade fascina-me, a sua dimensão humana, as relações simples entre pessoas concretas, Manéis e Marias, com todos os seus atributos, as suas prendas, as suas manias, as suas vantagens e os seus defeitos, e também a sua história que transportam consigo.
Na cidade somos anónimos, serei quanto muito o vizinho das barbas, para caras e pessoas que “conheço” há 30 anos, a quem digo bom dia diariamente, mas que não sei verdadeiramente quem são ou o que fazem ou qual é o seu papel na sociedade.
Mas sou de Lisboa, das avenidas novas, nem sequer dos velhos bairros e pátios onde se reproduziam um pouco as relações da aldeia, dentro da cidade, onde se mantinha uma dimensão humana pela qual ainda lutam ingloriamente sonhadores como o Arquitecto Ribeiro Teles e, talvez, José Sá Fernandes.
Todavia, tenho memórias de infância, passada na Av. António Augusto de Aguiar, mesmo em frente ao que é hoje, já há bastante tempo, a estação de metro do Parque, memórias estranhas na Lisboa de hoje, memórias de vestígios de uma ruralidade perdida:
Pelos meus 5 ou 6 anos, lembro-me, claramente, de correr diariamente para a varanda da casa, a determinadas horas, para ver passar um rebanho de ovelhas, com o seu pastor, que calmamente descia a Av. António Augusto de Aguiar vindo de não sei onde, e ali, à minha frente, subia para pastos verdejantes no Parque Eduardo VII, regressando mais tarde para o seu redil misterioso.
Apesar disso ou talvez por isso a ruralidade fascina-me, a sua dimensão humana, as relações simples entre pessoas concretas, Manéis e Marias, com todos os seus atributos, as suas prendas, as suas manias, as suas vantagens e os seus defeitos, e também a sua história que transportam consigo.
Na cidade somos anónimos, serei quanto muito o vizinho das barbas, para caras e pessoas que “conheço” há 30 anos, a quem digo bom dia diariamente, mas que não sei verdadeiramente quem são ou o que fazem ou qual é o seu papel na sociedade.
Mas sou de Lisboa, das avenidas novas, nem sequer dos velhos bairros e pátios onde se reproduziam um pouco as relações da aldeia, dentro da cidade, onde se mantinha uma dimensão humana pela qual ainda lutam ingloriamente sonhadores como o Arquitecto Ribeiro Teles e, talvez, José Sá Fernandes.
Todavia, tenho memórias de infância, passada na Av. António Augusto de Aguiar, mesmo em frente ao que é hoje, já há bastante tempo, a estação de metro do Parque, memórias estranhas na Lisboa de hoje, memórias de vestígios de uma ruralidade perdida:
Pelos meus 5 ou 6 anos, lembro-me, claramente, de correr diariamente para a varanda da casa, a determinadas horas, para ver passar um rebanho de ovelhas, com o seu pastor, que calmamente descia a Av. António Augusto de Aguiar vindo de não sei onde, e ali, à minha frente, subia para pastos verdejantes no Parque Eduardo VII, regressando mais tarde para o seu redil misterioso.
2005-10-02
2005-10-01
SPORTING
Tenho um amigo, que conhece bem o meio, e me diz que são geralmente os jogadores quem põe os treinadores na rua.
Se estão fartos deles basta deixarem de jogar, é claro que é sempre mais fácil mudar um treinador do que 20 jogadores.
Receio que o processo se tenha iniciado no Sporting e que Peseiro tenha já os seus dias contados.
Se estão fartos deles basta deixarem de jogar, é claro que é sempre mais fácil mudar um treinador do que 20 jogadores.
Receio que o processo se tenha iniciado no Sporting e que Peseiro tenha já os seus dias contados.
2005-09-26
Clamando no deserto
Portugal é um país singular e só não estou estupefacto, como o Prof Cavaco, porque já sei há muito do que a casa gasta.
Diz-se, por todo o lado, que a corrupção campeia no país mas se alguém tenta lutar contra esta situação apontando algum caso sobre o qual tem uma forte suspeita, logo é ostracisado pela opinião pública:
- Tem provas do que diz ? não ? então esteja caladinho.
O cidadão é que tem que investigar e reunir provas para a polícia não ter muito trabalho.
Se alguém, porque está em risco de destruir a sua vida, tenta fazer uma denuncia anónima, que o proteja, é visto como abaixo de cão, e muitas vezes a denúncia é rasgada sem sequer ser lida.
É um paraíso para os infractores.
E isto porquê ? “Para proteger o bom nome dos cidadãos contra calúnias e invejas” dizem, mas isto só até um dado ponto, porque se, pelo contrário, o caso começa a ser investigado pela polícia, dispensa-se logo o julgamento, aí já não são precisas provas, bastam suspeitas e tem que se prender o homem logo, já !
O abuso da prisão preventiva é uma vergonha nacional, pode um cidadão estar anos na cadeia, sem culpa formada, com o bom nome nas ruas da armagura, até que depois, se se verifica em tribunal que afinal não havia fundamento para a acusação, dizer-se:
-“woops”, desculpe qualquer coisinha, pode ir para casa descansado.
Por outro lado, se se é condenado e se os factos são provados em tribunal, a prisão já é secundária, pode sair-se num ápice que ninguém se incomoda. “já pagou na preventiva, que é como deve ser” pensa-se.
E assim nos vamos queixando da situação mas fazendo tudo para que ela não se altere.
Felizmente vão aparecendo algumas “ilhas” de bom senso neste lamaçal da justiça, como a juiza que apreciou, recentemente, o caso de Fátima Felgueiras:
“Julgue-se primeiro e puna-se depois se for caso disso” decidiu.
Para a opinião pública e publicada esta juiza não sabe o que faz, o fundamental é prendê-la já, já, imediatamente, depois, logo se vê !
Diz-se, por todo o lado, que a corrupção campeia no país mas se alguém tenta lutar contra esta situação apontando algum caso sobre o qual tem uma forte suspeita, logo é ostracisado pela opinião pública:
- Tem provas do que diz ? não ? então esteja caladinho.
O cidadão é que tem que investigar e reunir provas para a polícia não ter muito trabalho.
Se alguém, porque está em risco de destruir a sua vida, tenta fazer uma denuncia anónima, que o proteja, é visto como abaixo de cão, e muitas vezes a denúncia é rasgada sem sequer ser lida.
É um paraíso para os infractores.
E isto porquê ? “Para proteger o bom nome dos cidadãos contra calúnias e invejas” dizem, mas isto só até um dado ponto, porque se, pelo contrário, o caso começa a ser investigado pela polícia, dispensa-se logo o julgamento, aí já não são precisas provas, bastam suspeitas e tem que se prender o homem logo, já !
O abuso da prisão preventiva é uma vergonha nacional, pode um cidadão estar anos na cadeia, sem culpa formada, com o bom nome nas ruas da armagura, até que depois, se se verifica em tribunal que afinal não havia fundamento para a acusação, dizer-se:
-“woops”, desculpe qualquer coisinha, pode ir para casa descansado.
Por outro lado, se se é condenado e se os factos são provados em tribunal, a prisão já é secundária, pode sair-se num ápice que ninguém se incomoda. “já pagou na preventiva, que é como deve ser” pensa-se.
E assim nos vamos queixando da situação mas fazendo tudo para que ela não se altere.
Felizmente vão aparecendo algumas “ilhas” de bom senso neste lamaçal da justiça, como a juiza que apreciou, recentemente, o caso de Fátima Felgueiras:
“Julgue-se primeiro e puna-se depois se for caso disso” decidiu.
Para a opinião pública e publicada esta juiza não sabe o que faz, o fundamental é prendê-la já, já, imediatamente, depois, logo se vê !
2005-09-19
E nós para aqui a dizermos mal !
Afinal, os submarinos que Portas queria comprar, longe de serem um gasto publico desnecessário só demonstram a clarividência do ex-ministro:
Ele já suspeitava que o país havia de chegar ao fundo, de tanta água que mete.
Ele já suspeitava que o país havia de chegar ao fundo, de tanta água que mete.
2005-09-17
Wisła Kraków
Sendo eu um dos pouquíssimos portugueses que têm algumas luzes sobre a língua polaca, permito-me falar com a segurança daquele rei zarolho e míope que governava um reino de cegos.
Ora, como todos sabemos, o Polaco é uma língua de raiz eslava que, ainda assim, utiliza na sua escrita o alfabeto latino e este simples facto é já por si significante do esforço de demarcação da diferença daquele povo, entalado e oprimido, ao longo da sua história, por germânicos, de um lado, e russos do outro.
O seu catolicismo visceral, mais do que uma religião foi sempre mais uma oposição.
O alfabeto latino, que vem da sua profunda ligação à Igreja de Roma, separa-os, pela escrita, dos seus irmãos eslavos da Rússia, de fala com alguma afinidade mas alfabeto cirílico enquanto que dos germânicos se afastam pela fala, ao ponto de, em Polaco, se chamar à Alemanha Niemięc o que significa, etimologicamente, “os que não falam” (nada de parecido com o Polaco, obviamente)
Mas este recurso ao alfabeto latino, que tem servido muito bem às línguas novi-latinas e germânicas, tem também o seu preço na sua adaptação a uma fonologia eslava e vêm-se forçados a juntar alguns signos, que constam no nosso “word” como “latim expandido – A”.
Um desses símbolos é o l barrado, ł que é, curiosamente, uma consoante que todavia se lê como a vogal U.
Se pensarmos bem também nos dava um jeitão, sobretudo para os brasileiros que poderiam dizer que são do “Brasiu”, como dizem, escrevendo Brasił mas continuando a ser brasileiros e para nós em palavras como “palco” e “talco” que na fala andam próximas do “pauco” e “tauco”.
No polaco também é assim o ł, que se lê U transforma-se, de novo, em l nalguns casos e nalgumas variações da palavra.
É por isto que me fere um pouco o ouvido quando ouço chamar ao ex-Papa Woitiła como “Voitila” e ao “Wisła Kraków”, que o Vitória de Guimarães arrasou há dias, como o “Visla” de Cracóvia.
Neste caso ainda porque tem uma tradução exacta em português: “Vístula de Cracóvia”, dado que Wisła não é mais do que o nome o rio que banha Cracóvia, rio que em Português se chama Vístula tendo incorporado, à nossa maneira, o U polaco contido no seu l barrado.
Desculpem-me esta deriva mas se há tantos blogues, conceituados, que usam o Inglês e o Francês a seu belo prazer, porque não poderei eu, de quando em vez , utilizar um pouco de Polaco ?
Ora, como todos sabemos, o Polaco é uma língua de raiz eslava que, ainda assim, utiliza na sua escrita o alfabeto latino e este simples facto é já por si significante do esforço de demarcação da diferença daquele povo, entalado e oprimido, ao longo da sua história, por germânicos, de um lado, e russos do outro.
O seu catolicismo visceral, mais do que uma religião foi sempre mais uma oposição.
O alfabeto latino, que vem da sua profunda ligação à Igreja de Roma, separa-os, pela escrita, dos seus irmãos eslavos da Rússia, de fala com alguma afinidade mas alfabeto cirílico enquanto que dos germânicos se afastam pela fala, ao ponto de, em Polaco, se chamar à Alemanha Niemięc o que significa, etimologicamente, “os que não falam” (nada de parecido com o Polaco, obviamente)
Mas este recurso ao alfabeto latino, que tem servido muito bem às línguas novi-latinas e germânicas, tem também o seu preço na sua adaptação a uma fonologia eslava e vêm-se forçados a juntar alguns signos, que constam no nosso “word” como “latim expandido – A”.
Um desses símbolos é o l barrado, ł que é, curiosamente, uma consoante que todavia se lê como a vogal U.
Se pensarmos bem também nos dava um jeitão, sobretudo para os brasileiros que poderiam dizer que são do “Brasiu”, como dizem, escrevendo Brasił mas continuando a ser brasileiros e para nós em palavras como “palco” e “talco” que na fala andam próximas do “pauco” e “tauco”.
No polaco também é assim o ł, que se lê U transforma-se, de novo, em l nalguns casos e nalgumas variações da palavra.
É por isto que me fere um pouco o ouvido quando ouço chamar ao ex-Papa Woitiła como “Voitila” e ao “Wisła Kraków”, que o Vitória de Guimarães arrasou há dias, como o “Visla” de Cracóvia.
Neste caso ainda porque tem uma tradução exacta em português: “Vístula de Cracóvia”, dado que Wisła não é mais do que o nome o rio que banha Cracóvia, rio que em Português se chama Vístula tendo incorporado, à nossa maneira, o U polaco contido no seu l barrado.
Desculpem-me esta deriva mas se há tantos blogues, conceituados, que usam o Inglês e o Francês a seu belo prazer, porque não poderei eu, de quando em vez , utilizar um pouco de Polaco ?
2005-09-16
Reflexões sobre a língua
Eu, como os leitores mais frequentes sabem, cometo frequentemente erros de ortografia de palmatória,
Reconheço-o e envergonho-me, porque não o faço por ignorância, muitas vezes sou eu próprio que os detecto, com as faces rubras de vergonha, mas também não por arrogância, por me sentir superior a essas “pequenas” questões, pelo contrário, acho que o culto da correcção na língua é um dever de todos os falantes.
Porque o faço então desde sempre ?(a minha primeira redacção, feita no primeiro ano da instrução primária é conhecida por toda a família por ter contido num só parágrafo 12 erros, 3 dos quais na assinatura e foi aí, nesse tempo, que compreendi literalmente nas minhas mãos o que significava a expressão “erro de palmatória” ).
Na verdade nem eu próprio sei exactamente porque sou assim mas aprendi recentemente que há uma vulgar disfunção cerebral a que se chama dislexia e que afecta este tipo de funções e eu reconheço que tenho outros sintomas que apontam para aí, como a perfeita incapacidade de escrever datas, sem parar para pensar, ainda que o tenha de fazer sucessivamente centenas de vezes.
Hoje, posso cobrir os meus erros de cabeça levantada: “desculpe mas sou, um pouco disléxico” e isso basta-me para me poupar da humilhação e sentir mesmo um pouco de simpatia nos meus interlocutores.
Colocados estes pontos nos is, queria dizer mesmo que entendo que o conhecimento da linguística é fundamental para compreender a sociedade, e as suas particularidades.
Não será por acaso que Noam Chomsky, um dos chamados pais da moderna linguística é, também, um dos mais lúcidos pensadores sobre a sociedade que nos rodeia.
Mas toda esta introdução é necessária para um outro poste que penso escrever apenas amanhã, para não chatear de uma só vez o leitor e que se chamará o “Wisła Kraków”.
Reconheço-o e envergonho-me, porque não o faço por ignorância, muitas vezes sou eu próprio que os detecto, com as faces rubras de vergonha, mas também não por arrogância, por me sentir superior a essas “pequenas” questões, pelo contrário, acho que o culto da correcção na língua é um dever de todos os falantes.
Porque o faço então desde sempre ?(a minha primeira redacção, feita no primeiro ano da instrução primária é conhecida por toda a família por ter contido num só parágrafo 12 erros, 3 dos quais na assinatura e foi aí, nesse tempo, que compreendi literalmente nas minhas mãos o que significava a expressão “erro de palmatória” ).
Na verdade nem eu próprio sei exactamente porque sou assim mas aprendi recentemente que há uma vulgar disfunção cerebral a que se chama dislexia e que afecta este tipo de funções e eu reconheço que tenho outros sintomas que apontam para aí, como a perfeita incapacidade de escrever datas, sem parar para pensar, ainda que o tenha de fazer sucessivamente centenas de vezes.
Hoje, posso cobrir os meus erros de cabeça levantada: “desculpe mas sou, um pouco disléxico” e isso basta-me para me poupar da humilhação e sentir mesmo um pouco de simpatia nos meus interlocutores.
Colocados estes pontos nos is, queria dizer mesmo que entendo que o conhecimento da linguística é fundamental para compreender a sociedade, e as suas particularidades.
Não será por acaso que Noam Chomsky, um dos chamados pais da moderna linguística é, também, um dos mais lúcidos pensadores sobre a sociedade que nos rodeia.
Mas toda esta introdução é necessária para um outro poste que penso escrever apenas amanhã, para não chatear de uma só vez o leitor e que se chamará o “Wisła Kraków”.
2005-09-15
O Katrina
Ainda que digam:
“Foi porque os EUA não ratificaram Kioto”
ou
“Foi porque New Orleans era uma “sin city” onde meninas e senhoras exibiam as suas mamas nuas em público, no “mardi gras”, desafiando Deus e a sua moral e a devassidão imperava nos seus bares”
O Katrina, o castigo divino, terá sido apenas um grande par de açoites na cidade.
A verdade verdadeira é mais terrena:
O que destruiu mesmo Nova Orleães, o que trouxe o caos, a morte, a fome, a sede, o choro e o ranger de dentes à cidade, foi o rebentamento de diques, feitos por homens e bem ou mal conservados por decisões de homens, como o leitor ou eu.
“Foi porque os EUA não ratificaram Kioto”
ou
“Foi porque New Orleans era uma “sin city” onde meninas e senhoras exibiam as suas mamas nuas em público, no “mardi gras”, desafiando Deus e a sua moral e a devassidão imperava nos seus bares”
O Katrina, o castigo divino, terá sido apenas um grande par de açoites na cidade.
A verdade verdadeira é mais terrena:
O que destruiu mesmo Nova Orleães, o que trouxe o caos, a morte, a fome, a sede, o choro e o ranger de dentes à cidade, foi o rebentamento de diques, feitos por homens e bem ou mal conservados por decisões de homens, como o leitor ou eu.
2005-09-09
A situação na Ucrânia
José Milhazes, seguindo, certamente, a “vox populi” ucraniana, caracterizou a crise que atravessa a Ucrânia e conduziu à substituição do Governo como:
A luta dos milionários contra os multimilionários.
Eu, que não percebo nada do assunto, instintivamente, estou com os mais fracos, torço pelos milionários.
A luta dos milionários contra os multimilionários.
Eu, que não percebo nada do assunto, instintivamente, estou com os mais fracos, torço pelos milionários.
2005-09-05
Ciberdúvidas da Língua Portuguesa
Já aqui falei deste excelente “site” de apoio aos falantes de português.
Competente, rápido, sempre prestável.
Para quem não o conhece basta consultar a sua vastíssima base de dados de dúvidas de português e os interessantíssimos debates que aí se geraram e que se mantêm “on line”, para se aperceber do serviço que desde há anos tem prestado a falantes de todos os Palop e a muitos estudantes da nossa língua de várias nacionalidades.
É um verdadeiro serviço público mantido com o esforço e a carolice de privados.
Não sei as “tricas” que estão a pôr em risco a sua manutenção mas sei que já fez o suficiente para merecer o reconhecimento do Estado Português pelos serviços prestados e para que todos os seus colaboradores possam exercer o seu trabalho sem estarem preocupados com quem paga as contas.
O cíberdúvidas está, mais uma vez, em risco de fechar definitivamente as portas.
Fala-se em transformá-lo em “site pago” o que restringiria o seu acesso apenas a profissionais e a alguns curiosos, perdendo quase toda a sua eficácia.
Se há situações em que não restarão dúvidas que o dinheiro dos contribuintes é bem empregue, será no apoio a iniciativas como esta.
O mínimo que podemos fazer é ir ao site do ciberdúvidas e assinar a petição aí contida, dirigida a várias instâncias governamentais e esperar que alguém, com a “faca e o queijo” na mão decida definitivamente salvar este “site” de serviço público.
Competente, rápido, sempre prestável.
Para quem não o conhece basta consultar a sua vastíssima base de dados de dúvidas de português e os interessantíssimos debates que aí se geraram e que se mantêm “on line”, para se aperceber do serviço que desde há anos tem prestado a falantes de todos os Palop e a muitos estudantes da nossa língua de várias nacionalidades.
É um verdadeiro serviço público mantido com o esforço e a carolice de privados.
Não sei as “tricas” que estão a pôr em risco a sua manutenção mas sei que já fez o suficiente para merecer o reconhecimento do Estado Português pelos serviços prestados e para que todos os seus colaboradores possam exercer o seu trabalho sem estarem preocupados com quem paga as contas.
O cíberdúvidas está, mais uma vez, em risco de fechar definitivamente as portas.
Fala-se em transformá-lo em “site pago” o que restringiria o seu acesso apenas a profissionais e a alguns curiosos, perdendo quase toda a sua eficácia.
Se há situações em que não restarão dúvidas que o dinheiro dos contribuintes é bem empregue, será no apoio a iniciativas como esta.
O mínimo que podemos fazer é ir ao site do ciberdúvidas e assinar a petição aí contida, dirigida a várias instâncias governamentais e esperar que alguém, com a “faca e o queijo” na mão decida definitivamente salvar este “site” de serviço público.
2005-09-03
2005-08-31
Pontos de vista
Tem vindo a lume a notícia de que, possivelmente, o modelo Marraquesh da VW vai ser construído na Autoeuropa.
Não obstante a empresa ter decidido fabricar este modelo na Alemanha, só o fará, se os operários alemães aceitarem baixar os seus salários ou, em caso negativo, a fabricação mudará para Portugal onde, ainda assim, se paga um pouco menos aos operários portugueses.
Os nossos media e os trabalhadores da Autoeuropa têm a esperança que, talvez as negociações com os seus colegas alemães abortem e as perspectivas para o seu futuro se tornem mais risonhas.
O que é uma luz ao fundo do túnel, para nós, é uma espada sobre a cabeça dos alemães.
Imagino que na Roménia e alhures sigam com o mesmo interesse e torcendo para que não haja acordo, as negociações que conduzem ao encerramento de fábricas em Portugal e a sua deslocalização para esses países, mandando os nossos trabalhadores para uma semimiséria mas abrindo um caminho de esperança para eles.
De facto o grito “Operários de todo o mundo uni-vos”, já era.
Agora é mais “Salve-se quem puder”.
Isto digo eu facilmente, dado que o Marraquesh não me aquece nem me arrefece.
Rima e é verdade.
Não obstante a empresa ter decidido fabricar este modelo na Alemanha, só o fará, se os operários alemães aceitarem baixar os seus salários ou, em caso negativo, a fabricação mudará para Portugal onde, ainda assim, se paga um pouco menos aos operários portugueses.
Os nossos media e os trabalhadores da Autoeuropa têm a esperança que, talvez as negociações com os seus colegas alemães abortem e as perspectivas para o seu futuro se tornem mais risonhas.
O que é uma luz ao fundo do túnel, para nós, é uma espada sobre a cabeça dos alemães.
Imagino que na Roménia e alhures sigam com o mesmo interesse e torcendo para que não haja acordo, as negociações que conduzem ao encerramento de fábricas em Portugal e a sua deslocalização para esses países, mandando os nossos trabalhadores para uma semimiséria mas abrindo um caminho de esperança para eles.
De facto o grito “Operários de todo o mundo uni-vos”, já era.
Agora é mais “Salve-se quem puder”.
Isto digo eu facilmente, dado que o Marraquesh não me aquece nem me arrefece.
Rima e é verdade.
2005-08-28
Uma interessante questão semântica
A seca que, de tempos a tempos, vivemos em Portugal é muito perniciosa para a agricultura em geral e muitíssimo para a produção pecuária.
Todo os sistema de produção se desorganiza, não há pastos capazes e, se for o caso, têm que se comprar rações e nutrientes específicos que não seriam necessários normalmente e os custos de tudo isto podem ser muito significativos.
Naturalmente os agricultores querem partilhar estes custos com a sociedade, dizem: “não vêem como isto está ? querem continuar a comer borregos e queijo a preços razoáveis, têm que nos ajudar”.
A SIC, como os média em geral, vive num mundo encantado, onde as alegres ovelhas correm e saltam em prados verdejantes e bebericam agua de algum riacho e, estando o tempo de seca, logo as vê lacrimejantes procurando o seu sustento por entre as pedras e percorrendo quilómetros desesperadamente à procura de água perecendo, por vezes, nessa aventura. Morrendo à sede.
Esta forma de ver o mundo convém, naturalmente, aos agricultores que dão assim um toque emocional à defesa das suas carteiras e, de tempos a tempos lá temos imagens dessas ovelhas mortas ... à sede !.
Na realidade, enquanto as modernas máquinas tendem a “animar-se”, como tenho referido nalgumas crónicas, os animais domésticos, pelo contrário, e devido sobretudo a intenso “melhoramento” genético, tendem a “desanimar-se”, são, cada vez mais máquinas de fazer carne, leite e lã, desde que se meta comida, água e medicamentos, por um lado. Nada romântico, mas verdadeiro.
Os animais domésticos só bebem a água que lhes dão, se não lha derem morrem de facto à sede, mas qual o criador que lhes nega agua ? Antes de chegar a uma situação tão dramática, prefere, naturalmente abater o animal e quanto mais não seja, comer um belo ensopado.
Falando neste registo o Sr Ministro da Agricultura profere a frase do escândalo: “nenhum animal morre à sede na nossa lavoura”
A SIC fica estupefacta: “como assim ?, se as coitadinhas nem acham água com esta intensa seca”.
Corre a perguntar aos agricultores, estes, que perceberam bem o que o Sr. Ministro disse, e não lhes convém nada esta descida à terra, tratam de rasgar as vestes, ranger os dentes e alimentar o sonho, e lá vêm imagens de ovelhas mortas num ambiente hostil e o público confirma que o Sr. Ministro é uma besta insensível.
Só que todos os dias morrem ovelhas por causas ditas naturais, acidentes, infecções não detectadas, indigestões, envenenamentos, doenças diversas, isto com seca ou sem seca e assim será enquanto a genética não lhes tirar completamente a vida.
Assim se misturam dois mundos semânticos.
Uns falam em alhos e outros em Bugalhos.
Todo os sistema de produção se desorganiza, não há pastos capazes e, se for o caso, têm que se comprar rações e nutrientes específicos que não seriam necessários normalmente e os custos de tudo isto podem ser muito significativos.
Naturalmente os agricultores querem partilhar estes custos com a sociedade, dizem: “não vêem como isto está ? querem continuar a comer borregos e queijo a preços razoáveis, têm que nos ajudar”.
A SIC, como os média em geral, vive num mundo encantado, onde as alegres ovelhas correm e saltam em prados verdejantes e bebericam agua de algum riacho e, estando o tempo de seca, logo as vê lacrimejantes procurando o seu sustento por entre as pedras e percorrendo quilómetros desesperadamente à procura de água perecendo, por vezes, nessa aventura. Morrendo à sede.
Esta forma de ver o mundo convém, naturalmente, aos agricultores que dão assim um toque emocional à defesa das suas carteiras e, de tempos a tempos lá temos imagens dessas ovelhas mortas ... à sede !.
Na realidade, enquanto as modernas máquinas tendem a “animar-se”, como tenho referido nalgumas crónicas, os animais domésticos, pelo contrário, e devido sobretudo a intenso “melhoramento” genético, tendem a “desanimar-se”, são, cada vez mais máquinas de fazer carne, leite e lã, desde que se meta comida, água e medicamentos, por um lado. Nada romântico, mas verdadeiro.
Os animais domésticos só bebem a água que lhes dão, se não lha derem morrem de facto à sede, mas qual o criador que lhes nega agua ? Antes de chegar a uma situação tão dramática, prefere, naturalmente abater o animal e quanto mais não seja, comer um belo ensopado.
Falando neste registo o Sr Ministro da Agricultura profere a frase do escândalo: “nenhum animal morre à sede na nossa lavoura”
A SIC fica estupefacta: “como assim ?, se as coitadinhas nem acham água com esta intensa seca”.
Corre a perguntar aos agricultores, estes, que perceberam bem o que o Sr. Ministro disse, e não lhes convém nada esta descida à terra, tratam de rasgar as vestes, ranger os dentes e alimentar o sonho, e lá vêm imagens de ovelhas mortas num ambiente hostil e o público confirma que o Sr. Ministro é uma besta insensível.
Só que todos os dias morrem ovelhas por causas ditas naturais, acidentes, infecções não detectadas, indigestões, envenenamentos, doenças diversas, isto com seca ou sem seca e assim será enquanto a genética não lhes tirar completamente a vida.
Assim se misturam dois mundos semânticos.
Uns falam em alhos e outros em Bugalhos.
2005-08-27
As listas negras de companhias aéreas
O capital que controla os Estados fortes e os seus aparelhos ideológicos, passa por cima de tudo e de todos para defender os seus interessesinhos.
Mais se justificava que Moçambique e todos nós interditássemos os voos da Air France.
Afinal, poucas companhias aéreas ceifaram tantas vidas duma vez só como a Air France com o seu Concorde.
Um pouco mais de vergonha na cara por favor.
Mais se justificava que Moçambique e todos nós interditássemos os voos da Air France.
Afinal, poucas companhias aéreas ceifaram tantas vidas duma vez só como a Air France com o seu Concorde.
Um pouco mais de vergonha na cara por favor.
2005-08-24
Provérbio que o povo ainda não inventou
"Em terra de zarolhos quem tem os dois olhos limpa sanitas."
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