2005-07-24

Palavras sábias


Caminante, son tus huellas
el camino y nada más,
caminante, no hay camino,
se hace camino al andar.

Al andar se hace camino
y al volver la vista atrás
se ve la senda que nunca
se ha de volver a pisar.
Caminante, no hay camino
sino estelas en el mar...

Todo pasa y todo queda,
pero lo nuestro es pasar,
pasar haciendo caminos,
caminos sobre el mar.

Antonio Machado

Se nós fossemos como as formigas

Que bem correria este mundo global, cada um saberia bem o seu papel, a razão de ser da sua vida, nunca perguntaria o por quê de nada, olharia apenas para si e nunca questionaria o trabalho dos outros e a sua utilidade: “é para o bem de todos” diriamos.

2005-07-21

Qual é o espanto ?

Eu não tinha já dito que os seis anos no Banco de Portugal tinham deixado o Ministro exausto.
Que a sua reforma era a justa compensação desses esforço.
Puseram a trabalhar o velho reformado, o que é que esperavam ? claro que ele se cansou rapidamente.

2005-07-18

O argumento

Pacheco Pereira, na última “Quadratura do Círculo”, e noutras instâncias, procurou “demonstrar” a “falsidade” da interpretação de Mário Soares sobre o fenómeno do terrorismo utilizando a argumentação que resumo aqui, de memória:
“a pobreza e a exclusão social não tem nada a ver com o terrorismo, como insinua Mário Soares, porque, como se sabe, este terrorismo não é praticado por pobres e excluídos”
De facto, não restam dúvidas, que a prática desses actos tem mostrado um nível tecnológico, de organização e de envolvimento de meios, não acessível aos “deserdados da terra” e que é até de gente que está muito "in" sobre o que é a nossa civilização ocidental, todavia o modo como fundamenta a relação de causa e efeito, faz-me lembrar um episódio que se passou há vários anos, quando o fogo florestal ainda não era uma indústria:
Durante um incêndio, numa zona rural, alguns populares juravam ter visto o incendiário, que seria um rapaz jovem, desconhecido nas redondezas, e que trazia um boné. Alguns partiram mesmo à procura do tal jovem que acabaram por encontrar, perseguiram e arrastaram preso para junto das autoridades. Quando a GNR quis registar os testemunhos que incriminavam o rapaz, ninguém se prontificou a assinar os autos:
De facto o jovem era muito parecido com o incendiário que tinham visto mas na realidade não podia ser:
Este não tinha boné !

Chame o ladrão, chame o ladrão

Como dizia Chico Buarque de Holanda.
O Ministério da Administração Interna já deve estar a seleccionar candidatos, com cães de ataque, para formar um corpo civil de intervenção que possa reprimir a polícia quando esta proceder aos anunciados bloqueios da ou das pontes.
Se não, como é que vai ser ?

2005-07-13

Está-me a parecer que o rei vai nu !

Pois é, estou a vê-lo de longe, a passar lá em baixo, tenho muita gente à frente, mas a ideia que me dá é que o rei vai nu. Ponho-me em bicos dos pés, dou uns saltinhos e não é que tudo se parece confirmar: vai nu sim senhor ! Ou então tem uma roupa muito transparente.
Até que, ao meu lado, ouço uma voz tímida a dizer também: o rei vai nu ! está aqui, basta seguir o link. Ganhei coragem para dizer o mesmo em voz alta.

De facto, o respeitável Banco de Portugal, primeiro engana-se nas contas, e confessa que também se enganou noutras estimativas. Agora vem dizer que PIB vai crescer só 0,5% e porquê ? essencialmente por razões estruturais da nossa economia, diz.
Ouviram bem ? por razões estruturais, mas tão estruturais que há apenas uns meses ainda não se manifestavam, no tempo em que o PIB ia crescer 1,6% (mais de 3 vezes mais), segundo pensava o mesmo Banco de Portugal, ou será que então o Banco ainda não tinha dado por elas, pelas tais causas estruturais.
Eu é que fico sem saber se é um número ou outro ou ambos ou nenhum.
Por estas e por outras começo a dar razão ao “mal criado” amigo do meu filho que costuma dizer:
- O défice o quê ?, vai pr`o caralho !
Só que para alem do “défice o quê ?” posso dizer também “o PIB o quê ?” ou “a inflação o quê ?” ou seja que indicador for saído daquela veneranda instituição.
Ai Greenspan que falta cá fazes !

Preocupante

É saber que, muito provavelmente, serão alguns dos muitos jovens agora chumbados a matemática no exame do 9º ano, que irão fazer os cálculos da minha reforma

2005-07-08

A coisa

Por vezes, creio que quase sempre, há sempre alguém que já disse melhor aquilo que queremos dizer.
Aqui fica um ”poste”, publicado em 1834 mas que continua a aplicar-se hoje:

Imagine-se um rico fabricante que está a fazer grandes negócios, e com o qual eu quero concorrer. “Muito bem”, diz o Estado, “não tenho nada a objectar à tua pessoa como concorrente.” “Pois”, respondo eu, “mas preciso de espaço para construir, preciso de dinheiro!”, “É pena, mas se não tens dinheiro, não podes concorrer. E não podes tirar a ninguém o que é seu, porque eu protejo e privilegio a propriedade.” A livre concorrência não é, de facto, livre, porque me falta a coisa mesma que me permite entrar nela. Contra a minha pessoa, não há nada a objectar; mas, como não disponho da coisa, também a minha pessoa tem de desistir. E quem é que tem a coisa indispensável? Talvez aquele fabricante, e então eu podia tirar-lha! Mas não, porque o Estado é que é o seu proprietário, e o fabricante apenas vassalo, aquele que tem a posse dela.
A minha tentativa não deu resultado com o fabricante; por isso, vou fazer outra, concorrendo com aquele Professor de Direito. O homem é um idiota, e eu, que sei cem vezes mais do que ele, vou-lhe esvaziar o auditório. “Ouve lá amigo, fizeste estudos e tens graus?” “ Não, mas que importa isso? Sei mais do que o suficiente para ensinar a matéria.” “Tenho muita pena, mas a concorrência aqui não é livre. Nada contra a tua pessoa, mas falta-te a coisa, o grau de doutor. E eu, o Estado, exige esse grau. Se me pedires com bons modos, veremos o que podemos fazer por ti.


Stirner, Max: “O Único e a Sua Propriedade”

2005-07-06

Porque será ?

Que eu tenho a sensação de que o TGV e a OTA são umas entidades míticas, tipo deuses no Olimpo, que são invocados de tempos a tempos para salvar o país mas que não vêm nunca.
Eles lá vão repetindo como as crianças:
- Até agora foi a brincar, não valeu, mas agora é mesmo a sério, agora é que é.
Mas como é que hão de vir, pois, se não existem na realidade !
Talvez, se fizermos “muita força” e fecharmos os olhos, eles se materializem, mas receio bem que, se isso acontecer e como é costume, eles se mostrem bem mais feios e impotentes do que a nossa imaginação os concebia.
Talvez seja melhor deixá-los no Olimpo.

2005-07-05

O cu da terra

Eu não sou, de modo nenhum, especialista em mudanças climáticas, tema que irá também ocupar o G8 amanhã.
Todavia, não sou também um total leigo, tenho alguma formação, vejo debates, tenho conversado com especialistas e leio o que vou encontrando sobre o assunto. Sei o suficiente para saber que se sabe ainda muito pouco disto, muito menos do que a opinião pública e os media supõem.
Começa logo pela questão central, a própria noção de temperatura da terra.
Na realidade a terra tem muitas temperaturas a cada momento: agora, à hora em que escrevo, estão 27º em Lisboa, 24º no Porto, 12º em Anchorage no Alasca e 5º em Chepes na Argentina e isto para falar apenas de zonas habitadas, as amplitudes totais, a cada momento são enormes..
Qual é então a temperatura da terra ? a tal que está a aumentar, na verdade ninguém sabe exactamente, há apenas diferentes métodos e critérios, todos polémicos, para encontrar esse número.
É por isso que achei imensa piada quando vi numa comédia televisiva onde se discutia esta magna questão, alguém dizer que tinham, metido o termómetro mesmo no cu da terra.
Ora aí está, eis a solução do problema, basta encontrar o cu da terra e acaba-se a questão.
Será que alguém me pode ajudar com esta informação ?

2005-07-02

Reflexões sobre a idade

Numa referência na RTP 2 a amantes do “rectro gaming”, que até têm já uma organização internacional, quer dizer que há muitos que pensam assim, assisti interessado a uma reportagem onde se expressaram (jovens ?) estariam no escalão etário entre os 27 e os 35 anos, amantes dos jogos do ATARI e Commodore, que tinham alegrado as suas infâncias.
Do venerável Spectrum, sempre evocado, falaram já com o respeito devido a um ancião notável; talvez o início de tudo, mas que já não era das suas relações mais directas.
Diziam que a simplicidade visual e auditiva desses jogos arcaicos tinham “uma magia” que os atraía imenso.
Eu, que sou mais velho e sage, penso o mesmo do pião, das caricas e do berlinde, que geraram na minha infância sensações e estados de alma que nenhum jogo de consola ou computador pode reproduzir.
Estou convencido que as crianças de hoje, quando virem os seus filhos brincarem num jogo virtual a 3 dimensões, vestidos de capacete e armadura irão também recordar-lhes com saudade os encantos das “play station”.
É que, na verdade, a “magia” de que falavam não está na tecnologia nem nos jogos em si, a “magia” está simplesmente dentro de nós mesmos e nesse momento da vida em que todos somos mais humanos ... a infância.

2005-07-01

Não sei por que razão

Alguns jornalistas lembraram-se agora de confirmar todas as continhas dos diversos relatórios financeiros que por aí circulam ameaçadores e que todos pensávamos que, vindo de onde vinham, mais a mais com a ajuda dos computadores o máximo que poderiam conter seria algumas pequenas diferenças nos arredondamentos.
E não é que logo às primeiras cavadelas encontraram minhocas, desvios de milhões
Primeiro no orçamento rectificativo, como se lembrarão e agora, no próprio relatório Constâncio, esse mesmo, o produzido por aquelas sumidades de rara competência e que se matam a trabalhar ao ponto de receberem logo que ficam completamente exaustas, ao fim de poucos anos, umas, vamos lá, suficientemente confortáveis reformas.
O Governo ainda se justificou mais ou menos bem, dizendo qualquer coisa como isto:
- Nós até topámos o gato antes de vocês e tratámos logo de o corrigir mas, também, o que é que querem ?, isto é um orçamento feito, em tempo recorde, em cima de outro orçamento (de merda) além de que o erro até foi apenas num quadrito acessório, sem grande relevância que, por isso, ficou para o fim nas nossas verificações.

Agora o Banco de Portugal não deu o braço a torcer e o que consegui perceber foi que o erro foi num sentido mas recaiu sobre umas estimativas que eles acham que estão pouco realistas pelo que uma coisa dá para a outra e não muda nada do essencial, o défice estimado era de 6,83 e com erro ou não continua nos 6,83.
Ou seja:
- O erro não tem iportância porque veio a afectar umas estimativas, também elas erradas, tanto faz e acabou a discussão e mais nada e é o que a gente já disse e prontos !?

2005-06-29

Referendo sobre o aborto

Sócrates defende o referendo em 2005, Marques Mendes em 2006, eu, cá por mim, 2002 é que tinha sido um ano bonito, até era capicua.
Agora, não sei o que lhes diga sobre esta momentosa questão, 2005 ?, 2006 ?, pelo meu critério seria 3003 mas já devemos estar todos mortos por essa altura.
Graças a Deus temos os nossos políticos a queimar os seus neurónios com estas grandes questões nacionais:Que ano escolher, carago.

2005-06-28

Afinal foi falso alarme

Pois é, a deslocalização do nosso Estado, como noticiei no último poste, já se não vai concretizar.
Segundo as nossas fontes bem colocadas, não houve um só país que aceitasse a instalação do nosso Estado.
- Para merda já basta a que temos, penso que chegou mesmo a dizer o Primeiro Ministro de um dos países contactados.
Rapidamente teve de se passar ao plano B, que segue:
Como todos sabemos e não se cansam de nos lembrar, os nossos políticos ganham uma miséria e isto impede a atracção dos mais capazes e competentes.
É aliás por esse motivo que temos a classe política que temos ou, como dizem os americanos, quando se paga com amendoins não se pode esperar mais do que trabalho de macaco.
Por outro lado, temos um funcionalismo excelente, como todos sabemos também, e isto apenas porque são regiamente pagos, como nos recordam diariamente, permitindo atrair assim os mais competentes.
Ora deste modo a bota não dá com a perdigota e, como os tempos não estão famosos, não sendo possível equiparar tudo por cima, só resta uma solução: equiparar tudo por baixo, levar definitiva e absolutamente a mediocridade ao poder e à administração.
É aliás esta súbita mudança estratégica que explica os erros, perdão, as incorrecções apresentadas no recente orçamento rectificativo.

2005-06-24

Segundo fonte bem colocada.

Cresce em círculos ligados ao Governo a ideia da sua deslocalização para um país do Leste da Europa ou, eventualmente da Àsia, seguindo os múltiplos exemplos da economia privada e a fim de beneficiar da mão de obra barata aí praticada.

- Na Eslováquia, por exemplo, podemos beneficiar de um funcionalismo público, extremamente competente e de grande produtividade, sem os custos exorbitantes do funcionalismo português.
Nesta época de globalização e de novas tecnologias de informação, nada impede a gestão do país à distância permitindo a resolução definitiva do insuperável problema do défice.
O Património que não poder ser transportado será vendido em hasta pública.
A educação poderá recorrer à telescola e, para as forças de segurança, bombeiros e serviços afins que exijam a presença física de funcionários tiraremos partido da directiva Bolkestein, e pensamos utilizar, por exemplo, uma polícia Romena.
Também para o combate à evasão fiscal pensamos contratar fiscais Finlandeses ou Suecos.

Disse-nos a fonte bem colocada.

Entretanto os sindicatos ligados à função pública parece que já estão a organizar piquetes para impedir a saída do vasto equipamento e arquivos das diferentes repartições e serviços.

- Eles podem ir para o raio-que-os-parta mas nem um agrafador há de sair daqui.

Confidenciou-nos um dirigente sindical, também bem colocado.

2005-06-21

Será que eu é que estou maluco ?

No seu artigo de opinião, publicado hoje no DN, Joana Amaral Dias combate a intenção de se criarem círculos eleitorais uninominais com o seguinte raciocínio que transcrevo:

“Este método é a pior forma de regionalização possível, porque o candidato eleito representa os interesses do seu eleitorado e não obrigatoriamente do seu partido (e muito menos do país).”

Pois é Joana, eu é que não estava a ver bem a coisa, imagina a nossa desgraça quando os deputados começarem a defender os interesses de quem os elege, era só o que faltava !

2005-06-20

Por uma questão estatística

Porque a qualidade não se impõe por si, necessariamente.
Pelo que me ensinam a experiência e as pérolas que vou encontrando, por vezes no meio do mais fétido lixo.
Vivo a angustia de saber que a melhor música ainda não a ouvi, o melhor filme ainda não o vi e o melhor livro ainda não o li e, mais do que provavelmente, nunca os descobrirei.

2005-06-19

O fracasso da Cimeira Europeia

José Sócrates, comentando o fracasso da cimeira europeia referiu que os países europeus não se libertaram de uma visão egoísta da Europa e limitaram-se a considerar o que cada um pode ganhar ou perder com a decisão tomada.
Vendo-o tão consciente desta verdade, pressuponho que essa pouco relevante questão não ocupou demasiado o espírito de Sócrates durante a negociação.
Antes assim.

2005-06-16

De Álvaro Cunhal que dizer ?

Foi um homem notável, mesmo admirável, contudo não encontro os adjectivos necessários para explicitar a razão de o considerar assim.
A Coerência que se lhe atribui muitas vezes, ainda que seja uma virtude rara, muito rara hoje em dia, não é necessariamente boa: Hitler também foi coerente e, muitas vezes essa mesma coerência pode diluir-se legitimamente na teimosia ou caturrice.
A Inteligência que nele era notória é o produto de um mero acaso genético, por si não dignifica o homem.
Há também a verticalidade, que tinha decerto, mas que traduz uma noção de contornos vagos.

Enquanto procurava as palavras adequadas para dizer aqui porque admiro Álvaro Cunhal, ouvi alguém, creio que Rosa Lobato Faria, lembrar palavras de Sá de Miranda que na sua linguagem poética dizem muito mais do uma estrita análise semântica sugere.
Creio que ela as dedicou a Eugénio de Andrade mas, para mim, vão direitinhas para Álvaro Cunhal.

Homem de um só parecer,
Dum só rosto, uma só fé,
Dantes quebrar que torcer,
Ele tudo pode ser,
Mas de corte homem não é.

2005-06-12

“Private Joke”

Não sou amante da praia, ainda que goste do mar, aquelas longas horas silenciosas, que passamos seminus, voltados todos para o mesmo lado, de olhos fechados ou olhando um horizonte longínquo, suados, picados de areia, torcendo os corpos, para encontrar uma posição com um mínimo de conforto, ora deitados, ora sentados ou, poucas vezes, deambulando sem objectivo perceptível, faz-me questionar sempre que sentido faz tudo aquilo.
Mas seja lá por que razão for, a praia parece fascinar muita gente e quando sou “forçado” a acompanhar os meus, nunca deixo de me vingar do facto, comentando para quem me acompanha:
- Olha em volta e diz-me se toda esta gente, esfarrapada, de ar triste (porque na praia a maioria tem sempre um ar sisudo e triste), sentados ou deitados lado a lado, sem trocar uma palavra, não se parece mais com um grupo de refugiados, sem abrigo, num campo de concentração, do que o de alegres veraneantes ?
Se isto é uma “private joke” que repito sempre que me encontro nessa situação, ao ver ontem as imagens da polícia de intervenção, em Carcavelos, armada de metralhadoras e calçados de pesadas botas guardando os banhistas, pareceu-me que a minha “anedota” se começa a transformar numa imagem assustadoramente real.

2005-06-10

Referendos

Em Portugal, e não só, a figura do referendo, ao contrário do que se possa pensar, não visa dar ao povo a capacidade de decidir em questões concretas, não senhor, o que se pretende é apenas a legitimação de políticas já decididas.
E este equívoco é encarado da forma mais natural, ao ponto de se discutir os recentes casos francês e Holandês não como uma decisão legitimamente tomada mas antes como um embaraço processual ao qual ninguém sabe ainda como dar a volta.
Note-se que apesar da minha insistência nesta incoerência democrática, o meu coração até pende mais para o sim a esta carta constitucional, mas isso é uma questão comigo mesmo, apenas.

2005-06-05

Dia mundial do ambiente

Os pescadores de Sesimbra parece que estão preocupados com as restrições à pesca que lhes estão impondo e que põem em causa a sua sobrevivência.
São loucos, se não se preservar muito bem aquele parque paradisíaco, que graça terão as casas que o Sr. Ex-Ministro do ambiente e outros lá construíram com coragem e determinação, contra ventos e marés, pondo mesmo em risco as suas carreiras.
Sesimbra é evidentemente para todos, ainda que usufruída através dos seus legítimos representantes.

2005-06-02

A lição dos não

Não sei bem por quê ou para quê, os responsáveis políticos insistem que o processo de ratificação do tratado constitucional europeu tem de continuar e referem com tímida esperança que já mais de 10 países disseram sim e apenas 2 optaram pelo não.
Só não dizem o facto mais significativo, tirando a Espanha, só os parlamentos disseram sim (também em França e na Holanda o diriam, sem dúvida), porque ao perguntar ao povo a resposta que está a aparecer majoritária é o não.
Só este facto deveria fazer meditar muita gente.

2005-05-30

Os franceses também são broncos

Afinal, não somos só nós que não sabemos distinguir a Europa dos problemas domésticos, eles também não.
É assim que o sistema interpreta o não, nunca, em caso algum, se pode admitir que dizer não a esta constituição europeia possa significar simplesmente que não se quer esta constituição europeia, nem mais nem menos.

2005-05-24

Chegou ao fim

A Super Liga Galp Energia, todavia foi essa mesma energia que faltou, a todos, a última jornada traduz todo o campeonato, cada um pior que o outro.
Fez-me lembrar uma corrida de coxos, arrastando-se com muletas e bengalas e tropeçando nos próprios pés à maneira de um saudoso “quadro” dos Monty Pytons.
Notável, para mim, foram apenas 3 aspectos:
A carreira do Sporting, o menos coxo de todos mas com uma enorme pontada nas pernas que só lhe dava em alguns momentos decisivos.
A Académica que regressou das brumas da memória e conseguiu manter-se com algum conforto.
O SLB, glorioso, que mereceu ganhar, se não pelo que fez, pelo menos pela carreira.
Para o ano, parece que há mais.