2005-04-30

O referendo é urgente

Começaram com as amêijoas em saquinhos de rede, depois veio o ataque aos galheteiros, aparentemente com pouco sucesso, agora chega mais uma estocada mortífera no âmago mesmo do nosso dia a dia: querem meter o bacalhau em saquinhos.
Não se deixem enganar, não é para resolver nenhum problema de saúde pública, nem sequer se deram ainda ao trabalho de nos demonstrar que o bacalhau ao ar livre e cortado na altura já matou mais portugueses do que os acidentes de viação, nada disso, é apenas mais um passo num processo de alienação social, afastar mais e mais as pessoas da forma, do cheiro e da textura real. O bacalhau que já não tinha cabeça, passa agora a não ter corpo nenhum, nasceu já sobe a forma de postas.
Mas para isto não fazem referendo, somos impotentes, temos que engolir passivamente todas as arbitrariedades de Bruxelas que entretanto, como os Senhores Deputados Europeus bem sabem, continua a servir leite para os cafés e chás em leiteirinhas abertas que servem um colectivo anónimo e onde se pode cuspir impunemente, mas é claro que aí não se colocam questões de higiene, só nós mediterrâneos é que somos porcos.

2005-04-28

A minha iconoclastia

Por vir de alguém cuja opinião prezo, o comentário de Jpt ao meu poste sobre Lance Armstrong despertou em mim a necessidade de uma sincera reflexão.
De facto, quem como eu defende acima de tudo o indivíduo, sobretudo aqueles que sabem despertar em si a centelha “divina” que julgo estar contida em todos nós, criticar Lance Armstrong, logo esse homem corajoso e combativo que se sacrifica e agiganta para vencer os seus próprios limites, que se ultrapassou a si próprio, como muito poucos, na doença terrível de que foi alvo e que muito pela sua fibra combativa não o venceu, representa, aparentemente, uma contradição grosseira com o meu próprio discurso. Não foi isso que quis fazer
Também, o próprio exemplo que dei da volta ao Algarve terá sido talvez infeliz, porque a oferta do 1º lugar, que facilmente seria seu, a um seu colega e amigo não deixou de ser também uma demonstração de excelentes qualidades humanas.
No entanto, mesmo reconhecendo tudo isto, mesmo admirando o homem, olho para mim próprio e não deixo de sentir tudo o que escrevi.
É que foi um puro acto de iconoclastia, não foi o homem que quis atingir mas o seu ícone, apenas a sua imagem, produzida pela gigantesca máquina de espectáculo que domina todo o desporto profissional de hoje em dia. É essa especialização idiota numa única prova, porque “é o que o público quer”, com desprezo por todas as outras, com um exército de acólitos armados de bicicleta, de automóvel, de câmaras de filmar e de fotografar, de canetas e computadores portáteis, pagos todos para o servir ou antes servir a indústria do espectáculo parecendo que estão a servir o homem, o próprio homem que irão descartar, sem dó nem piedade, logo que as suas pernas deixarem de render o suficiente e que outro “Lance” chegue para lhe tirar o lugar e apagar a sua memória.
Se feri o homem foi apenas na medida em que se submete a este domínio.
Nem todos o fazem:
Dois exemplos apenas de gente que também foi envolvida pela máquina sem que, no entanto, se tenha submetido a ela:
Bobie Fisher
Mohamed Ali (Cassius Clay)

A estes 2 nunca chamaria campeões de papel.

2005-04-27

A Seca

Disse Pessoa que o sol só peca quando em vez de criar seca e é verdade, mas esta seca que nos atormenta tem tido também o seu lado criador, trouxe à ribalta uma agricultura que, embora moribunda, todos tinham já como morta e enterrada

2005-04-23

Tantos anos depois

“Morte à morte, guerra à guerra, ódio ao ódio, vida à vida” são palavras de Victor Hugo, dirigidas ao Parlamento Português em 1867, congratulando-se com a abolição da pena de morte aí decidida pioneiramente nesse ano, dando o exemplo à Europa.
Subscrevo.

2005-04-22

Ando bastante desconfiado,

que o Espírito-Santo não teve nada a ver com a eleição deste Papa.

2005-04-21

Lance Armstrong,

diz que vai correr a sua última volta à França e que talvez a venha a ganhar pela sétima vez, sendo o primeiro no mundo a conseguir fazê-lo, não duvido.
Uma coisa é certa, ganhará muitas voltas à França mas na volta ao Algarve não obteve melhor do que um segundo lugar, eu sei que me podem dizer que foi apenas porque não quis mas é precisamente esse não querer que o desvaloriza para mim:
Não há câmaras nem prestígio, não estou para me incomodar, pensará. Ora bolas, é um campeão de papel.

2005-04-18

Na estação de “metro” do Lumiar,

enquanto aguardo comboio com “destino rato” (insólito destino, para quem, como eu por vezes, sem o “largo do” não vê mais do que o peludo animal que com a peste negra declarou guerra à humanidade e que os homens também elegeram como inimigo a abater), olhando para a parede de azulejos, começo a distinguir, tenuemente, em alto relevo qualquer frase como esta:
“Andam anjos a depositar palavras nos bancos públicos da cidade”
Fascinou-me a descoberta dessa frase magnífica:
O facto de estar semi-oculta, exigindo uma atenção especial para a sua descoberta.
O verificar como alguém descortina “anjos” onde a generalidade das pessoas apenas vê vadios iconoclastas.
O elevar esse pueril gesto da criatividade humana, a uma forma superior de depósito bancário, enfim um mundo riquíssimo de reflexões que seria longo desenvolver aqui.
Comecei então a perscrutar essas paredes misteriosas de azulejos e descobri então que estavam carregadas de diversas outras frases, como aquela, em várias línguas, inscritas todas em alto-relêvo, na mesma cor dos azulejos, apenas legíveis quando o olhar incide em determinados ângulos.
Não faço ideia de quem foi o arquitecto que concebeu tal coisa mas uma coisa é certa: a estação de “metro” do Lumiar é a única onde desejo que o combóio demore mais um pouco, é que:
Andaram anjos a depositar palavras nas paredes de azulejo do “metro” do Lumiar.

2005-04-14

Reportagem da TVI

Enquanto a corajosa jornalista, que dizem estar no local, falava em “off” sobre a situação no Uíge e a reacção da população à maior epidemia de sempre de febre hemorrágica, vamos vendo imagens de quotidiano e de trabalho hospitalar numa cidade africana, o Uíge, supostamente, até que essas imagens terminam focando a frase “Main Entrance” inscrita na porta de um edifício que, logo a seguir se identifica, através de nova inscrição, onde se lia “NAIROBI HOSPITAL”.
Imagino este diálogo na produção:
- Imagens do Uíge não temos, de momento, só estas de Nairobi.
- Não faz mal, podem ir para o ar que ninguém repara, é tudo pretos.

2005-04-11

A dúvida

Se a voz do povo é de facto a voz de Deus, resta-nos esclarecer uma dúvida:Marques Mendes será velhaco ou dançarino ?

2005-04-07

Escrito para este blogue


Ah, ninguém entender que ao meu olhar
Tudo tem certo espírito secreto !

“Nós” in “ O Livro de Cesário Verde”

2005-04-04

O cesto de fruta

Dizia um pensador que se virmos um cesto cheio de fruta onde toda a fruta que vemos está podre, não é provável que pensemos que para haver equilíbrio no mundo, certamente a fruta de baixo deverá estar boa, pelo contrário, pensamos com certeza que toda a fruta deverá estar estragada.
Comigo acontece o mesmo, quando vejo e ouço na comunicação social uma notícia de qualquer facto que conheço bem, muito raramente, creio mesmo que nunca, ela é apresentada de uma forma correcta e verdadeira, é isto que me leva a pensar, ainda que não saiba ao certo, que muito provavelmente a generalidade das notícias são igualmente apresentadas de forma incorrecta ou falsa.

2005-04-03

O Templo de Diana

Referi, no poste anterior que o templo, dito de Diana, em Évora era consagrado a Diana Spencer. Julgo, todavia, necessária uma breve explicação, porque entre as várias polémicas que envolvem aquelas ruínas, talvez não conheçam ainda esta nova teoria.
Contou-me uma amiga, que organiza visitas turísticas ao nosso país que, ao oferecer propostas alternativas de visitas em Portugal, o Templo de Diana é sempre um local muito requisitado. Acontece que, depois de uma visita, recebeu uma reclamação de um casal de turistas que se queixavam de que a visita ao Templo de Diana tinha sido um fiasco, que o templo não tinha nenhuma referência perceptível a Diana, nem uma mísera fotografia, nem um pequeno vídeo e exigiam mesmo a restituição do dinheiro pago.
Eu, julgo mesmo que isto abre uma enorme oportunidade de mercado. Já que não se sabe bem quem homenageava aquele templo romano que se sabe, no entanto, que nunca foi Diana a Deusa da caça, como algum ignorante caçador fez crer e convencer toda gente, porque não identificá-lo mesmo com Diana Spencer a Princesa que é hoje muito mais mediática ?
Põem-se uns vídeos, um espectáculo de luz e som com Elton John a cantar “Candles in the Rain”, tudo cheio de posters gigantes de Diana e claro, tudo cercado com bancadas e bilhetes pagos.
Não tenho dúvidas de que era um grande sucesso e uma fonte de rendimento para Évora.
Fica aqui a sugestão.

2005-04-02

O drama dos media

A vida não é justa, caraças, ou se passam tempos infindos sem nenhuma “estória”, como dizem, digna de ser explorada ou tudo se acumula numa catadupa que nem sabem para onde se virar.
Quando morreu a Diana, sabem quem é ? Uma que foi casada com o Príncipe de Gales e que até tem um templo que lhe é dedicado em Évora, essa mesmo, foi um descanso para os media, horas e horas de informação com vários picos de audiência estavam garantidos.
Ora, não é que o destino lhes prega uma partida e mata logo a seguir a Madre Teresa de Calcutá, fazendo dispersar a atenção e misturando dois “booms” mediáticos.
Agora apareceu a provável morte do Papa, que maravilha, é a morte, aquele deteriorar lento, o morre, não morre, o já morreu, eles é que não dizem, o ainda não, ainda talvez se faça um milagre e rejuvenesça, e depois as prometidas exéquias, as disposições para o conclave, a ânsia pelo fumo branco, as análises sobre o novo papa, o nome que escolher e porquê, a sua história desde pequenino, enfim, está prometido um mês ou talvez mais de intensa atenção mediática.
Pois neste momento sublime para os media, não é que se vai casar o atrás referido Príncipe de Gales com a rival da Diana e que está condenado a apanhar apenas umas sobras do Papa.
É preciso ter azar.

2005-04-01

Neste mundo global

Nesta era das novas tecnologias de informação, neste “brave new world” onde tudo se “simplifica”, se contratam serviços do pé para mão, por contacto telefónico ou pela internet, onde circula o dinheiro escritural, virtual, através de pagamentos por cartão ou por telefone, onde interagimos diariamente, via telefone, com “fantasmas”, simpáticos poucos, antipáticos a maioria e automatizados quase todos, onde o contacto interpessoal desaparece lentamente; de uma coisa já suspeitava: à medida que se facilita a adesão a tudo, dificulta-se extraordinariamente as desvinculações de tudo e a possibilidade de dizer não, dizer não quero mais, torna-se absurdamente difícil.
Já tinha várias experiências destas, como a de para terminar um contrato mensal com uma operadora de GSM, um não quero mais não bastava, era precisa uma carta com a justificação, isso mesmo, tinha que lhes dar satisfações, supondo eu que se essas minhas razões os não convencessem seria obrigado a manter o contrato de adesão mesmo contra minha vontade.
Mas o que se passou hoje comigo passou todos os limites:
Tendo pedido uma ligação TV-Cabo e Net-Cabo, através da linha telefónica de apoio a clientes, ao verificar que após 2 agendamentos que não cumpriram e que me fizeram estar de plantão à espera inutilmente, adiando sucessivamente de vários dias a esperança de nova ligação, resolvi dizer basta, já não quero mais.
Telefonei para o mesmo apoio a clientes manifestando essa minha intenção e para que anulassem o meu pedido. A resposta foi que para cancelar teria que telefonar para outro número. Liguei para o outro número onde me era oferecida a hipótese de carregar na tecla 1 para “adesões e contratos comerciais” e na 2 para “apoio técnico”, na minha modesta compreensão do português pensei que para anular um pedido de contrato de adesão seria na 1 “adesões e contratos comerciais”, erro meu, para a menina que me atendeu era óbvio que deveria ter premido a tecla 2. Voltei a ligar e premi então a tecla 2, exposto o assunto tentaram demover-me, pedindo desculpas e jurando emendar a questão. Como me mantive firme na minha decisão, referiram que teriam que transferir a chamada para outra secção. Ao fim de uns instantes de música, atenderam-me noutra secção. No início de cada um destes contactos era confrontado com um interrogatório, para conferir a minha identidade, sempre diferente e sucessivamente mais exigente, quando se convenceram que era eu mesmo que falava, reproduziram os mesmos pedidos de desculpas até que, ao verem que eu não quebrava, me disseram que teria que escrever uma carta explicando as minhas razões, uma carta outra vez !.
Foi a gota de água, tenho que escrever para quê ?, se posso fazer a adesão pelo telefone porque não posso desistir dessa adesão pelo mesmo telefone ? A resposta foi simples, espantosa e em tom mais ameaçador: Se não o fizer terá que pagar as facturas que iremos emitir. Mas quais facturas ? de quê ? se não me prestaram serviço nenhum.
Despedi-me dizendo que não iria escrever nada nem pagar qualquer factura e à insistência da “fantasma” respondi apenas: nesse caso veremos em tribunal como as coisa vão ficar.
Aqui estou então, aguardando ansiosamente a primeira factura, estou bem curioso de ver o que inventam.

2005-03-31

« C’est la guerre »

É curioso como muitos que defendem fanaticamente a “vida?” humana a propósito da interrupção da gravidez se mostram indiferentes ou mesmo apoiantes de ataques, no Iraque e alhures, indiscriminados, gratuitos e incompetentes que ceifam a vida de inocentes a que chamam “casualties”, sem o menor remorso ou preocupação.

2005-03-30

Dizem que as línguas reflectem a personalidade dos povos que as falam.

Fernando Pessoa formulou mesmo a expressão conhecida mas cheia de significado: “a minha pátria é a língua portuguesa”.
Ora vem isto a propósito das “simpáticas” designações que os anglófonos escolheram para simples e inofensivas operações informáticas.
Sempre que ponho um cd no meu computador, salta-me o windows media player com a sinistra questão: quer “burn or rip ?”. Tremia sempre, com esta proposta de me tornar incendiário ou estripador, a minha primeira reacção era sempre a de pensar que, obviamente, não queria nem uma coisa nem outra.
Afinal a pergunta parece referir-se apenas à opção copiar o cd ou extrair ficheiros wma daquelas músicas, não seria melhor usar termos como “beijar”, ”acariciar”, “afagar”, “fazer cócegas”, eu sei lá, mas não senhor, a tendência anglo-saxónica é sempre a de descambar para a violência.

2005-03-28

Sabe bem

Mudar de ares de vez em quando e sobretudo hoje que recebi a resposta, em polaco, da minha amiga Joanna, aos meus votos de Páscoa feliz e compreendi tudo sem a juda de um dicionário.
Já lhe respondi: "Tak, juz wiem smingus dyngus", com os respectivos acentos em consoantes que este editor não permite.
Não estou certo de ter sido totalmente correcto mas não duvido de que ela vai compreender, os meus leitores é que provavelmente não mas não tem importância.

2005-03-23

O transporte de crianças

Hoje estive a ouvir as novas exigências legais sobre os dispositivos para transporte de crianças em carros. Digo-vos que não é coisa simples (até se tem de verificar um qualquer número colocado em baixo e que parece que tem que começar por 03 ou estamos lixados) é, de facto, bem mais complicado do que comprar uma aspirina.
Face a esta situação julgo que devemos exigir a sua venda obrigatória em farmácias.

2005-03-22

O conflito de gerações

Acabei de assistir a algumas entrevistas de rua onde se questionavam pessoas dos trinta e tais anos até a muito mais idosos, sobre os jovens de hoje.
As respostas era unanimemente negativas, como uma fatalidade, os jovens de hoje parecem estar bem piores do que os jovens que nós éramos.
As razões e os exemplos apresentados eram inúmeros, os mais velhos, mas não só, num discurso meio acusador, meio invejoso, falavam sempre do excesso de liberdade, supondo eu que identificando apenas esse pseudo excesso de liberdade com a permissividade sexual.
Se me tivessem questionado a mim também teria transmitido uma imagem muito negativa mas, curiosamente, não pelo pseudo excesso de liberdade. É conceito que penso mesmo que não existe, nunca há excesso de liberdade. O que mais critico nos jovens de hoje são, pelo contrário, as cangas que os vejo usar alegremente, homogeneizando diferenças naturais, gostando todos do mesmo e vestindo todos de igual.
Mas a lógica indestrutível a que podemos chegar é simplesmente a seguinte:
Se a geração, teoricamente mais lúcida e esclarecida, critica agora os seus filhos, tal com foi criticada pelos seus pais e estes pelos nossos avós e todas as gerações por aquelas que os antecederam, só podemos tirar uma conclusão: a espécie humana está inevitavelmente num processo de degeneração.
Razão tenho eu para pensar que, há mais ou menos 10 000 anos, começámos a perder a nossa humanidade.

2005-03-20

Eu sou caucasiano ?

Pois é, curiosamente, este é um tipo de questão que me interessa.
Há muitos anos, e sempre me intrigou, que conheço a classificação americana de “caucasian”, ou às vezes “cocasion”, para o grupo fenotípico que em Português se costuma chamar “branco”.
Em oposição classificam outros fenótipos como “negroid” e “mongoloid”, os que nós chamamos de “pretos” e “amarelos”.
Pelo o que se suspeita hoje da saga da nossa espécie e da sua longa caminhada de África para a Ásia e daí para a América e Europa e a sua consequente adaptação fenotípica aos novos ambientes, ao longo de inúmeras gerações e num processo que não se estabilizou ainda e certamente não se estabilizará nunca, parece-me que as nossa designações objectivas de brancos, negros e amarelos é bem mais coerente do que a usada pelos americanos que implicitamente chamam a uns “negroid” por serem negros e a outros “mongoloid” talvez por ter sido na Mongólia que os primeiros negros se amarelaram e “caucasian” por ter sido no Cáucaso onde os primeiros pretos e amarelos se tornaram brancos.
Pelo menos, uma coisa é certa, para além das conjecturas a que vamos chegando, negros, brancos e amarelos são objectivamente os grandes grupos fenotípico-culturais em que se classifica a espécie e de que objectivamente nos apercebemos. Misturar critérios de cor de pele para um e geográficos para outros, parece-me, pelo menos, incoerente e, talvez mesmo, não inocente, além de não nos permitir classificar um preto da Geórgia ou do Arzebeijão, porque os há, e que será fatalmente um “negroid” “caucasian”.
De todo o modo, o indivíduo que hoje assassinou dois polícias na Amadora, já foi classificado pela polícia como sendo caucasiano. Será que era do Cáucaso ou simplesmente branco ?

2005-03-19

Quando um dia encontrar o génio da lâmpada

Aquele que, dizem, satisfaz 3 desejos a quem o libertar, já sei o que lhe vou pedir em primeiro lugar:
Falar todas as línguas do mundo.

2005-03-18

Os mesmos que louvam a maturidade do povo

São os que entendem que se eu me aproximar de uma mesa de voto com um cachecol do partido A, uns tantos que vão votar no partido B, ao ver o meu cachecol, são bem capazes de mudar de opinião e votar no A.
Também acham que o povo é muito inteligente mas talvez não seja bem capaz de ver a diferença entre escolher autarcas e opinar sobre a constituição europeia.
Enfim, o povo mostra grande maturidade quando vota em mim, de resto, baralha-se um bocado.

2005-03-14

Ganância, pura ganância

É o que move o “lobby” farmacêutico a atacar a hipótese de venda livre de medicamentos que não exijam receita média, obrigando as farmácias a partilhar um negócio milionário.
É também a ganância que move o “lobby” das grandes superfícies a defender essa medida, com unhas e dentes, procurando garantir uma fatia do bolo.
Mas, nos discursos de ambos, nem de leve se toca nesse “insignificante” aspecto económico, nada disso, o que os preocupa mesmo e somente, no discurso, a uns e outros, é apenas o bem estar do povo.

2005-03-13

Os criativos da banca

Após o brilhante “spot” publicitário da banca, com o som de Abrunhosa cantando “tudo o que te dou tu me dás a mim”, os criativos bancários saíram-se com uma nova pérola publicitária:
Diz o BES que é capaz de nos mostrar a nossa vida financeira como nunca a vimos e mostra alguém no alto de uma torre com uma ampla visão sobre o horizonte. Quando nos colocamos no ponto de vista do personagem olhamos em volta e vemos a realidade da nossa vida financeira: “um mar de nuvens”.

2005-03-11

A não perder

A entrevista de Ana Sousa dias a Edu Lobo, que acabei de ver na 2, em repetição.
O equilíbrio entre entrevistador e entrevistado é perfeito, como numa boa orquestra.
Poder ouvir ali, entre muitas outras coisas, como Edu Lobo ao recuperar dum aneurisma, que quase o matou, e que para ele era apenas uma intoxicação alimentar, confessa que ao aprender com um amigo o seu verdadeiro estado se apercebe de repente da razão porque eram “tantos médicos e tanta filha” não é todos os dias que se ouve.
Quem apenas vê os “prime times”, e só vê Ana Sousa Dias com Marcelo Rebelo de Sousa, fica a quilómetros de se aperceber o que está ali de talento desperdiçado.