2005-04-22
2005-04-21
Lance Armstrong,
diz que vai correr a sua última volta à França e que talvez a venha a ganhar pela sétima vez, sendo o primeiro no mundo a conseguir fazê-lo, não duvido.
Uma coisa é certa, ganhará muitas voltas à França mas na volta ao Algarve não obteve melhor do que um segundo lugar, eu sei que me podem dizer que foi apenas porque não quis mas é precisamente esse não querer que o desvaloriza para mim:
Não há câmaras nem prestígio, não estou para me incomodar, pensará. Ora bolas, é um campeão de papel.
Uma coisa é certa, ganhará muitas voltas à França mas na volta ao Algarve não obteve melhor do que um segundo lugar, eu sei que me podem dizer que foi apenas porque não quis mas é precisamente esse não querer que o desvaloriza para mim:
Não há câmaras nem prestígio, não estou para me incomodar, pensará. Ora bolas, é um campeão de papel.
2005-04-18
Na estação de “metro” do Lumiar,
enquanto aguardo comboio com “destino rato” (insólito destino, para quem, como eu por vezes, sem o “largo do” não vê mais do que o peludo animal que com a peste negra declarou guerra à humanidade e que os homens também elegeram como inimigo a abater), olhando para a parede de azulejos, começo a distinguir, tenuemente, em alto relevo qualquer frase como esta:
“Andam anjos a depositar palavras nos bancos públicos da cidade”
Fascinou-me a descoberta dessa frase magnífica:
O facto de estar semi-oculta, exigindo uma atenção especial para a sua descoberta.
O verificar como alguém descortina “anjos” onde a generalidade das pessoas apenas vê vadios iconoclastas.
O elevar esse pueril gesto da criatividade humana, a uma forma superior de depósito bancário, enfim um mundo riquíssimo de reflexões que seria longo desenvolver aqui.
Comecei então a perscrutar essas paredes misteriosas de azulejos e descobri então que estavam carregadas de diversas outras frases, como aquela, em várias línguas, inscritas todas em alto-relêvo, na mesma cor dos azulejos, apenas legíveis quando o olhar incide em determinados ângulos.
Não faço ideia de quem foi o arquitecto que concebeu tal coisa mas uma coisa é certa: a estação de “metro” do Lumiar é a única onde desejo que o combóio demore mais um pouco, é que:
Andaram anjos a depositar palavras nas paredes de azulejo do “metro” do Lumiar.
“Andam anjos a depositar palavras nos bancos públicos da cidade”
Fascinou-me a descoberta dessa frase magnífica:
O facto de estar semi-oculta, exigindo uma atenção especial para a sua descoberta.
O verificar como alguém descortina “anjos” onde a generalidade das pessoas apenas vê vadios iconoclastas.
O elevar esse pueril gesto da criatividade humana, a uma forma superior de depósito bancário, enfim um mundo riquíssimo de reflexões que seria longo desenvolver aqui.
Comecei então a perscrutar essas paredes misteriosas de azulejos e descobri então que estavam carregadas de diversas outras frases, como aquela, em várias línguas, inscritas todas em alto-relêvo, na mesma cor dos azulejos, apenas legíveis quando o olhar incide em determinados ângulos.
Não faço ideia de quem foi o arquitecto que concebeu tal coisa mas uma coisa é certa: a estação de “metro” do Lumiar é a única onde desejo que o combóio demore mais um pouco, é que:
Andaram anjos a depositar palavras nas paredes de azulejo do “metro” do Lumiar.
2005-04-14
Reportagem da TVI
Enquanto a corajosa jornalista, que dizem estar no local, falava em “off” sobre a situação no Uíge e a reacção da população à maior epidemia de sempre de febre hemorrágica, vamos vendo imagens de quotidiano e de trabalho hospitalar numa cidade africana, o Uíge, supostamente, até que essas imagens terminam focando a frase “Main Entrance” inscrita na porta de um edifício que, logo a seguir se identifica, através de nova inscrição, onde se lia “NAIROBI HOSPITAL”.
Imagino este diálogo na produção:
- Imagens do Uíge não temos, de momento, só estas de Nairobi.
- Não faz mal, podem ir para o ar que ninguém repara, é tudo pretos.
Imagino este diálogo na produção:
- Imagens do Uíge não temos, de momento, só estas de Nairobi.
- Não faz mal, podem ir para o ar que ninguém repara, é tudo pretos.
2005-04-11
A dúvida
Se a voz do povo é de facto a voz de Deus, resta-nos esclarecer uma dúvida:Marques Mendes será velhaco ou dançarino ?
2005-04-07
Escrito para este blogue
Ah, ninguém entender que ao meu olhar
Tudo tem certo espírito secreto !
“Nós” in “ O Livro de Cesário Verde”
2005-04-04
O cesto de fruta
Dizia um pensador que se virmos um cesto cheio de fruta onde toda a fruta que vemos está podre, não é provável que pensemos que para haver equilíbrio no mundo, certamente a fruta de baixo deverá estar boa, pelo contrário, pensamos com certeza que toda a fruta deverá estar estragada.
Comigo acontece o mesmo, quando vejo e ouço na comunicação social uma notícia de qualquer facto que conheço bem, muito raramente, creio mesmo que nunca, ela é apresentada de uma forma correcta e verdadeira, é isto que me leva a pensar, ainda que não saiba ao certo, que muito provavelmente a generalidade das notícias são igualmente apresentadas de forma incorrecta ou falsa.
Comigo acontece o mesmo, quando vejo e ouço na comunicação social uma notícia de qualquer facto que conheço bem, muito raramente, creio mesmo que nunca, ela é apresentada de uma forma correcta e verdadeira, é isto que me leva a pensar, ainda que não saiba ao certo, que muito provavelmente a generalidade das notícias são igualmente apresentadas de forma incorrecta ou falsa.
2005-04-03
O Templo de Diana
Referi, no poste anterior que o templo, dito de Diana, em Évora era consagrado a Diana Spencer. Julgo, todavia, necessária uma breve explicação, porque entre as várias polémicas que envolvem aquelas ruínas, talvez não conheçam ainda esta nova teoria.
Contou-me uma amiga, que organiza visitas turísticas ao nosso país que, ao oferecer propostas alternativas de visitas em Portugal, o Templo de Diana é sempre um local muito requisitado. Acontece que, depois de uma visita, recebeu uma reclamação de um casal de turistas que se queixavam de que a visita ao Templo de Diana tinha sido um fiasco, que o templo não tinha nenhuma referência perceptível a Diana, nem uma mísera fotografia, nem um pequeno vídeo e exigiam mesmo a restituição do dinheiro pago.
Eu, julgo mesmo que isto abre uma enorme oportunidade de mercado. Já que não se sabe bem quem homenageava aquele templo romano que se sabe, no entanto, que nunca foi Diana a Deusa da caça, como algum ignorante caçador fez crer e convencer toda gente, porque não identificá-lo mesmo com Diana Spencer a Princesa que é hoje muito mais mediática ?
Põem-se uns vídeos, um espectáculo de luz e som com Elton John a cantar “Candles in the Rain”, tudo cheio de posters gigantes de Diana e claro, tudo cercado com bancadas e bilhetes pagos.
Não tenho dúvidas de que era um grande sucesso e uma fonte de rendimento para Évora.
Fica aqui a sugestão.
Contou-me uma amiga, que organiza visitas turísticas ao nosso país que, ao oferecer propostas alternativas de visitas em Portugal, o Templo de Diana é sempre um local muito requisitado. Acontece que, depois de uma visita, recebeu uma reclamação de um casal de turistas que se queixavam de que a visita ao Templo de Diana tinha sido um fiasco, que o templo não tinha nenhuma referência perceptível a Diana, nem uma mísera fotografia, nem um pequeno vídeo e exigiam mesmo a restituição do dinheiro pago.
Eu, julgo mesmo que isto abre uma enorme oportunidade de mercado. Já que não se sabe bem quem homenageava aquele templo romano que se sabe, no entanto, que nunca foi Diana a Deusa da caça, como algum ignorante caçador fez crer e convencer toda gente, porque não identificá-lo mesmo com Diana Spencer a Princesa que é hoje muito mais mediática ?
Põem-se uns vídeos, um espectáculo de luz e som com Elton John a cantar “Candles in the Rain”, tudo cheio de posters gigantes de Diana e claro, tudo cercado com bancadas e bilhetes pagos.
Não tenho dúvidas de que era um grande sucesso e uma fonte de rendimento para Évora.
Fica aqui a sugestão.
2005-04-02
O drama dos media
A vida não é justa, caraças, ou se passam tempos infindos sem nenhuma “estória”, como dizem, digna de ser explorada ou tudo se acumula numa catadupa que nem sabem para onde se virar.
Quando morreu a Diana, sabem quem é ? Uma que foi casada com o Príncipe de Gales e que até tem um templo que lhe é dedicado em Évora, essa mesmo, foi um descanso para os media, horas e horas de informação com vários picos de audiência estavam garantidos.
Ora, não é que o destino lhes prega uma partida e mata logo a seguir a Madre Teresa de Calcutá, fazendo dispersar a atenção e misturando dois “booms” mediáticos.
Agora apareceu a provável morte do Papa, que maravilha, é a morte, aquele deteriorar lento, o morre, não morre, o já morreu, eles é que não dizem, o ainda não, ainda talvez se faça um milagre e rejuvenesça, e depois as prometidas exéquias, as disposições para o conclave, a ânsia pelo fumo branco, as análises sobre o novo papa, o nome que escolher e porquê, a sua história desde pequenino, enfim, está prometido um mês ou talvez mais de intensa atenção mediática.
Pois neste momento sublime para os media, não é que se vai casar o atrás referido Príncipe de Gales com a rival da Diana e que está condenado a apanhar apenas umas sobras do Papa.
É preciso ter azar.
Quando morreu a Diana, sabem quem é ? Uma que foi casada com o Príncipe de Gales e que até tem um templo que lhe é dedicado em Évora, essa mesmo, foi um descanso para os media, horas e horas de informação com vários picos de audiência estavam garantidos.
Ora, não é que o destino lhes prega uma partida e mata logo a seguir a Madre Teresa de Calcutá, fazendo dispersar a atenção e misturando dois “booms” mediáticos.
Agora apareceu a provável morte do Papa, que maravilha, é a morte, aquele deteriorar lento, o morre, não morre, o já morreu, eles é que não dizem, o ainda não, ainda talvez se faça um milagre e rejuvenesça, e depois as prometidas exéquias, as disposições para o conclave, a ânsia pelo fumo branco, as análises sobre o novo papa, o nome que escolher e porquê, a sua história desde pequenino, enfim, está prometido um mês ou talvez mais de intensa atenção mediática.
Pois neste momento sublime para os media, não é que se vai casar o atrás referido Príncipe de Gales com a rival da Diana e que está condenado a apanhar apenas umas sobras do Papa.
É preciso ter azar.
2005-04-01
Neste mundo global
Nesta era das novas tecnologias de informação, neste “brave new world” onde tudo se “simplifica”, se contratam serviços do pé para mão, por contacto telefónico ou pela internet, onde circula o dinheiro escritural, virtual, através de pagamentos por cartão ou por telefone, onde interagimos diariamente, via telefone, com “fantasmas”, simpáticos poucos, antipáticos a maioria e automatizados quase todos, onde o contacto interpessoal desaparece lentamente; de uma coisa já suspeitava: à medida que se facilita a adesão a tudo, dificulta-se extraordinariamente as desvinculações de tudo e a possibilidade de dizer não, dizer não quero mais, torna-se absurdamente difícil.
Já tinha várias experiências destas, como a de para terminar um contrato mensal com uma operadora de GSM, um não quero mais não bastava, era precisa uma carta com a justificação, isso mesmo, tinha que lhes dar satisfações, supondo eu que se essas minhas razões os não convencessem seria obrigado a manter o contrato de adesão mesmo contra minha vontade.
Mas o que se passou hoje comigo passou todos os limites:
Tendo pedido uma ligação TV-Cabo e Net-Cabo, através da linha telefónica de apoio a clientes, ao verificar que após 2 agendamentos que não cumpriram e que me fizeram estar de plantão à espera inutilmente, adiando sucessivamente de vários dias a esperança de nova ligação, resolvi dizer basta, já não quero mais.
Telefonei para o mesmo apoio a clientes manifestando essa minha intenção e para que anulassem o meu pedido. A resposta foi que para cancelar teria que telefonar para outro número. Liguei para o outro número onde me era oferecida a hipótese de carregar na tecla 1 para “adesões e contratos comerciais” e na 2 para “apoio técnico”, na minha modesta compreensão do português pensei que para anular um pedido de contrato de adesão seria na 1 “adesões e contratos comerciais”, erro meu, para a menina que me atendeu era óbvio que deveria ter premido a tecla 2. Voltei a ligar e premi então a tecla 2, exposto o assunto tentaram demover-me, pedindo desculpas e jurando emendar a questão. Como me mantive firme na minha decisão, referiram que teriam que transferir a chamada para outra secção. Ao fim de uns instantes de música, atenderam-me noutra secção. No início de cada um destes contactos era confrontado com um interrogatório, para conferir a minha identidade, sempre diferente e sucessivamente mais exigente, quando se convenceram que era eu mesmo que falava, reproduziram os mesmos pedidos de desculpas até que, ao verem que eu não quebrava, me disseram que teria que escrever uma carta explicando as minhas razões, uma carta outra vez !.
Foi a gota de água, tenho que escrever para quê ?, se posso fazer a adesão pelo telefone porque não posso desistir dessa adesão pelo mesmo telefone ? A resposta foi simples, espantosa e em tom mais ameaçador: Se não o fizer terá que pagar as facturas que iremos emitir. Mas quais facturas ? de quê ? se não me prestaram serviço nenhum.
Despedi-me dizendo que não iria escrever nada nem pagar qualquer factura e à insistência da “fantasma” respondi apenas: nesse caso veremos em tribunal como as coisa vão ficar.
Aqui estou então, aguardando ansiosamente a primeira factura, estou bem curioso de ver o que inventam.
Já tinha várias experiências destas, como a de para terminar um contrato mensal com uma operadora de GSM, um não quero mais não bastava, era precisa uma carta com a justificação, isso mesmo, tinha que lhes dar satisfações, supondo eu que se essas minhas razões os não convencessem seria obrigado a manter o contrato de adesão mesmo contra minha vontade.
Mas o que se passou hoje comigo passou todos os limites:
Tendo pedido uma ligação TV-Cabo e Net-Cabo, através da linha telefónica de apoio a clientes, ao verificar que após 2 agendamentos que não cumpriram e que me fizeram estar de plantão à espera inutilmente, adiando sucessivamente de vários dias a esperança de nova ligação, resolvi dizer basta, já não quero mais.
Telefonei para o mesmo apoio a clientes manifestando essa minha intenção e para que anulassem o meu pedido. A resposta foi que para cancelar teria que telefonar para outro número. Liguei para o outro número onde me era oferecida a hipótese de carregar na tecla 1 para “adesões e contratos comerciais” e na 2 para “apoio técnico”, na minha modesta compreensão do português pensei que para anular um pedido de contrato de adesão seria na 1 “adesões e contratos comerciais”, erro meu, para a menina que me atendeu era óbvio que deveria ter premido a tecla 2. Voltei a ligar e premi então a tecla 2, exposto o assunto tentaram demover-me, pedindo desculpas e jurando emendar a questão. Como me mantive firme na minha decisão, referiram que teriam que transferir a chamada para outra secção. Ao fim de uns instantes de música, atenderam-me noutra secção. No início de cada um destes contactos era confrontado com um interrogatório, para conferir a minha identidade, sempre diferente e sucessivamente mais exigente, quando se convenceram que era eu mesmo que falava, reproduziram os mesmos pedidos de desculpas até que, ao verem que eu não quebrava, me disseram que teria que escrever uma carta explicando as minhas razões, uma carta outra vez !.
Foi a gota de água, tenho que escrever para quê ?, se posso fazer a adesão pelo telefone porque não posso desistir dessa adesão pelo mesmo telefone ? A resposta foi simples, espantosa e em tom mais ameaçador: Se não o fizer terá que pagar as facturas que iremos emitir. Mas quais facturas ? de quê ? se não me prestaram serviço nenhum.
Despedi-me dizendo que não iria escrever nada nem pagar qualquer factura e à insistência da “fantasma” respondi apenas: nesse caso veremos em tribunal como as coisa vão ficar.
Aqui estou então, aguardando ansiosamente a primeira factura, estou bem curioso de ver o que inventam.
2005-03-31
« C’est la guerre »
É curioso como muitos que defendem fanaticamente a “vida?” humana a propósito da interrupção da gravidez se mostram indiferentes ou mesmo apoiantes de ataques, no Iraque e alhures, indiscriminados, gratuitos e incompetentes que ceifam a vida de inocentes a que chamam “casualties”, sem o menor remorso ou preocupação.
2005-03-30
Dizem que as línguas reflectem a personalidade dos povos que as falam.
Fernando Pessoa formulou mesmo a expressão conhecida mas cheia de significado: “a minha pátria é a língua portuguesa”.
Ora vem isto a propósito das “simpáticas” designações que os anglófonos escolheram para simples e inofensivas operações informáticas.
Sempre que ponho um cd no meu computador, salta-me o windows media player com a sinistra questão: quer “burn or rip ?”. Tremia sempre, com esta proposta de me tornar incendiário ou estripador, a minha primeira reacção era sempre a de pensar que, obviamente, não queria nem uma coisa nem outra.
Afinal a pergunta parece referir-se apenas à opção copiar o cd ou extrair ficheiros wma daquelas músicas, não seria melhor usar termos como “beijar”, ”acariciar”, “afagar”, “fazer cócegas”, eu sei lá, mas não senhor, a tendência anglo-saxónica é sempre a de descambar para a violência.
Ora vem isto a propósito das “simpáticas” designações que os anglófonos escolheram para simples e inofensivas operações informáticas.
Sempre que ponho um cd no meu computador, salta-me o windows media player com a sinistra questão: quer “burn or rip ?”. Tremia sempre, com esta proposta de me tornar incendiário ou estripador, a minha primeira reacção era sempre a de pensar que, obviamente, não queria nem uma coisa nem outra.
Afinal a pergunta parece referir-se apenas à opção copiar o cd ou extrair ficheiros wma daquelas músicas, não seria melhor usar termos como “beijar”, ”acariciar”, “afagar”, “fazer cócegas”, eu sei lá, mas não senhor, a tendência anglo-saxónica é sempre a de descambar para a violência.
2005-03-28
Sabe bem
Mudar de ares de vez em quando e sobretudo hoje que recebi a resposta, em polaco, da minha amiga Joanna, aos meus votos de Páscoa feliz e compreendi tudo sem a juda de um dicionário.
Já lhe respondi: "Tak, juz wiem smingus dyngus", com os respectivos acentos em consoantes que este editor não permite.
Não estou certo de ter sido totalmente correcto mas não duvido de que ela vai compreender, os meus leitores é que provavelmente não mas não tem importância.
Já lhe respondi: "Tak, juz wiem smingus dyngus", com os respectivos acentos em consoantes que este editor não permite.
Não estou certo de ter sido totalmente correcto mas não duvido de que ela vai compreender, os meus leitores é que provavelmente não mas não tem importância.
2005-03-23
O transporte de crianças
Hoje estive a ouvir as novas exigências legais sobre os dispositivos para transporte de crianças em carros. Digo-vos que não é coisa simples (até se tem de verificar um qualquer número colocado em baixo e que parece que tem que começar por 03 ou estamos lixados) é, de facto, bem mais complicado do que comprar uma aspirina.
Face a esta situação julgo que devemos exigir a sua venda obrigatória em farmácias.
Face a esta situação julgo que devemos exigir a sua venda obrigatória em farmácias.
2005-03-22
O conflito de gerações
Acabei de assistir a algumas entrevistas de rua onde se questionavam pessoas dos trinta e tais anos até a muito mais idosos, sobre os jovens de hoje.
As respostas era unanimemente negativas, como uma fatalidade, os jovens de hoje parecem estar bem piores do que os jovens que nós éramos.
As razões e os exemplos apresentados eram inúmeros, os mais velhos, mas não só, num discurso meio acusador, meio invejoso, falavam sempre do excesso de liberdade, supondo eu que identificando apenas esse pseudo excesso de liberdade com a permissividade sexual.
Se me tivessem questionado a mim também teria transmitido uma imagem muito negativa mas, curiosamente, não pelo pseudo excesso de liberdade. É conceito que penso mesmo que não existe, nunca há excesso de liberdade. O que mais critico nos jovens de hoje são, pelo contrário, as cangas que os vejo usar alegremente, homogeneizando diferenças naturais, gostando todos do mesmo e vestindo todos de igual.
Mas a lógica indestrutível a que podemos chegar é simplesmente a seguinte:
Se a geração, teoricamente mais lúcida e esclarecida, critica agora os seus filhos, tal com foi criticada pelos seus pais e estes pelos nossos avós e todas as gerações por aquelas que os antecederam, só podemos tirar uma conclusão: a espécie humana está inevitavelmente num processo de degeneração.
Razão tenho eu para pensar que, há mais ou menos 10 000 anos, começámos a perder a nossa humanidade.
As respostas era unanimemente negativas, como uma fatalidade, os jovens de hoje parecem estar bem piores do que os jovens que nós éramos.
As razões e os exemplos apresentados eram inúmeros, os mais velhos, mas não só, num discurso meio acusador, meio invejoso, falavam sempre do excesso de liberdade, supondo eu que identificando apenas esse pseudo excesso de liberdade com a permissividade sexual.
Se me tivessem questionado a mim também teria transmitido uma imagem muito negativa mas, curiosamente, não pelo pseudo excesso de liberdade. É conceito que penso mesmo que não existe, nunca há excesso de liberdade. O que mais critico nos jovens de hoje são, pelo contrário, as cangas que os vejo usar alegremente, homogeneizando diferenças naturais, gostando todos do mesmo e vestindo todos de igual.
Mas a lógica indestrutível a que podemos chegar é simplesmente a seguinte:
Se a geração, teoricamente mais lúcida e esclarecida, critica agora os seus filhos, tal com foi criticada pelos seus pais e estes pelos nossos avós e todas as gerações por aquelas que os antecederam, só podemos tirar uma conclusão: a espécie humana está inevitavelmente num processo de degeneração.
Razão tenho eu para pensar que, há mais ou menos 10 000 anos, começámos a perder a nossa humanidade.
2005-03-20
Eu sou caucasiano ?
Pois é, curiosamente, este é um tipo de questão que me interessa.
Há muitos anos, e sempre me intrigou, que conheço a classificação americana de “caucasian”, ou às vezes “cocasion”, para o grupo fenotípico que em Português se costuma chamar “branco”.
Em oposição classificam outros fenótipos como “negroid” e “mongoloid”, os que nós chamamos de “pretos” e “amarelos”.
Pelo o que se suspeita hoje da saga da nossa espécie e da sua longa caminhada de África para a Ásia e daí para a América e Europa e a sua consequente adaptação fenotípica aos novos ambientes, ao longo de inúmeras gerações e num processo que não se estabilizou ainda e certamente não se estabilizará nunca, parece-me que as nossa designações objectivas de brancos, negros e amarelos é bem mais coerente do que a usada pelos americanos que implicitamente chamam a uns “negroid” por serem negros e a outros “mongoloid” talvez por ter sido na Mongólia que os primeiros negros se amarelaram e “caucasian” por ter sido no Cáucaso onde os primeiros pretos e amarelos se tornaram brancos.
Pelo menos, uma coisa é certa, para além das conjecturas a que vamos chegando, negros, brancos e amarelos são objectivamente os grandes grupos fenotípico-culturais em que se classifica a espécie e de que objectivamente nos apercebemos. Misturar critérios de cor de pele para um e geográficos para outros, parece-me, pelo menos, incoerente e, talvez mesmo, não inocente, além de não nos permitir classificar um preto da Geórgia ou do Arzebeijão, porque os há, e que será fatalmente um “negroid” “caucasian”.
De todo o modo, o indivíduo que hoje assassinou dois polícias na Amadora, já foi classificado pela polícia como sendo caucasiano. Será que era do Cáucaso ou simplesmente branco ?
Há muitos anos, e sempre me intrigou, que conheço a classificação americana de “caucasian”, ou às vezes “cocasion”, para o grupo fenotípico que em Português se costuma chamar “branco”.
Em oposição classificam outros fenótipos como “negroid” e “mongoloid”, os que nós chamamos de “pretos” e “amarelos”.
Pelo o que se suspeita hoje da saga da nossa espécie e da sua longa caminhada de África para a Ásia e daí para a América e Europa e a sua consequente adaptação fenotípica aos novos ambientes, ao longo de inúmeras gerações e num processo que não se estabilizou ainda e certamente não se estabilizará nunca, parece-me que as nossa designações objectivas de brancos, negros e amarelos é bem mais coerente do que a usada pelos americanos que implicitamente chamam a uns “negroid” por serem negros e a outros “mongoloid” talvez por ter sido na Mongólia que os primeiros negros se amarelaram e “caucasian” por ter sido no Cáucaso onde os primeiros pretos e amarelos se tornaram brancos.
Pelo menos, uma coisa é certa, para além das conjecturas a que vamos chegando, negros, brancos e amarelos são objectivamente os grandes grupos fenotípico-culturais em que se classifica a espécie e de que objectivamente nos apercebemos. Misturar critérios de cor de pele para um e geográficos para outros, parece-me, pelo menos, incoerente e, talvez mesmo, não inocente, além de não nos permitir classificar um preto da Geórgia ou do Arzebeijão, porque os há, e que será fatalmente um “negroid” “caucasian”.
De todo o modo, o indivíduo que hoje assassinou dois polícias na Amadora, já foi classificado pela polícia como sendo caucasiano. Será que era do Cáucaso ou simplesmente branco ?
2005-03-19
Quando um dia encontrar o génio da lâmpada
Aquele que, dizem, satisfaz 3 desejos a quem o libertar, já sei o que lhe vou pedir em primeiro lugar:
Falar todas as línguas do mundo.
Falar todas as línguas do mundo.
2005-03-18
Os mesmos que louvam a maturidade do povo
São os que entendem que se eu me aproximar de uma mesa de voto com um cachecol do partido A, uns tantos que vão votar no partido B, ao ver o meu cachecol, são bem capazes de mudar de opinião e votar no A.
Também acham que o povo é muito inteligente mas talvez não seja bem capaz de ver a diferença entre escolher autarcas e opinar sobre a constituição europeia.
Enfim, o povo mostra grande maturidade quando vota em mim, de resto, baralha-se um bocado.
Também acham que o povo é muito inteligente mas talvez não seja bem capaz de ver a diferença entre escolher autarcas e opinar sobre a constituição europeia.
Enfim, o povo mostra grande maturidade quando vota em mim, de resto, baralha-se um bocado.
2005-03-14
Ganância, pura ganância
É o que move o “lobby” farmacêutico a atacar a hipótese de venda livre de medicamentos que não exijam receita média, obrigando as farmácias a partilhar um negócio milionário.
É também a ganância que move o “lobby” das grandes superfícies a defender essa medida, com unhas e dentes, procurando garantir uma fatia do bolo.
Mas, nos discursos de ambos, nem de leve se toca nesse “insignificante” aspecto económico, nada disso, o que os preocupa mesmo e somente, no discurso, a uns e outros, é apenas o bem estar do povo.
É também a ganância que move o “lobby” das grandes superfícies a defender essa medida, com unhas e dentes, procurando garantir uma fatia do bolo.
Mas, nos discursos de ambos, nem de leve se toca nesse “insignificante” aspecto económico, nada disso, o que os preocupa mesmo e somente, no discurso, a uns e outros, é apenas o bem estar do povo.
2005-03-13
Os criativos da banca
Após o brilhante “spot” publicitário da banca, com o som de Abrunhosa cantando “tudo o que te dou tu me dás a mim”, os criativos bancários saíram-se com uma nova pérola publicitária:
Diz o BES que é capaz de nos mostrar a nossa vida financeira como nunca a vimos e mostra alguém no alto de uma torre com uma ampla visão sobre o horizonte. Quando nos colocamos no ponto de vista do personagem olhamos em volta e vemos a realidade da nossa vida financeira: “um mar de nuvens”.
Diz o BES que é capaz de nos mostrar a nossa vida financeira como nunca a vimos e mostra alguém no alto de uma torre com uma ampla visão sobre o horizonte. Quando nos colocamos no ponto de vista do personagem olhamos em volta e vemos a realidade da nossa vida financeira: “um mar de nuvens”.
2005-03-11
A não perder
A entrevista de Ana Sousa dias a Edu Lobo, que acabei de ver na 2, em repetição.
O equilíbrio entre entrevistador e entrevistado é perfeito, como numa boa orquestra.
Poder ouvir ali, entre muitas outras coisas, como Edu Lobo ao recuperar dum aneurisma, que quase o matou, e que para ele era apenas uma intoxicação alimentar, confessa que ao aprender com um amigo o seu verdadeiro estado se apercebe de repente da razão porque eram “tantos médicos e tanta filha” não é todos os dias que se ouve.
Quem apenas vê os “prime times”, e só vê Ana Sousa Dias com Marcelo Rebelo de Sousa, fica a quilómetros de se aperceber o que está ali de talento desperdiçado.
O equilíbrio entre entrevistador e entrevistado é perfeito, como numa boa orquestra.
Poder ouvir ali, entre muitas outras coisas, como Edu Lobo ao recuperar dum aneurisma, que quase o matou, e que para ele era apenas uma intoxicação alimentar, confessa que ao aprender com um amigo o seu verdadeiro estado se apercebe de repente da razão porque eram “tantos médicos e tanta filha” não é todos os dias que se ouve.
Quem apenas vê os “prime times”, e só vê Ana Sousa Dias com Marcelo Rebelo de Sousa, fica a quilómetros de se aperceber o que está ali de talento desperdiçado.
2005-03-08
Lógica irrepreensível
É a descrita neste texto que recebi por e-mail.
Para além do exagero dos zero graus da cerveja, mesmo considerando os 7 º, mais recomendáveis, penso que o raciocínio continua válido:
Segundo a lei da termodinâmica, nós sabemos que 1 Kcal é a energia necessária para esquentar 1g de água em 1ºC.Não é necessário ser nenhum gênio para calcular que se um ser humano beber um copo (200ml) de água gelada a 0°C usará 200 Kcal para aquecer essa água em 1°C.
Para haver o equilíbrio térmico com a temperatura corporal, são necessárias, então, aproximadamente 7.400 calorias para que estes 200g de água alcancem os 37° C da temperatura corporal (200 Kcal X 37°C).Então, esta é a quantidade de energia necessária para manter a temperatura de nosso corpo a 37° C.
A termodinâmica não nos deixa mentir sobre esta dedução.
Assim, se uma pessoa beber um copo de cerveja grande (aproximadamente 400ml na temperatura de 0°C), ela perde aproximadamente 14.800 calorias (400g x 37°C).Não podemos esquecer de descontar as calorias da cerveja (aproximadamente 380 Kcal em 400ml cerveja).
Portanto, observa-se que um indivíduo perde aproximadamente 14.420 Kcal com a ingestão um único copo de cerveja bem gelada.
Obviamente quanto mais gelada for a cerveja maior será a perda calórica.Fica claro, portanto. que tomar cerveja gelada é muito mais efetivo do que andar de bicicleta ou correr, ou fazer qualquer atividade que queima aproximadamente 800 Kcal por hora.
Amigos, a conclusão deste raciocínio é muito simples: para magrecer basta beber cerveja bem gelada, em grandes quantidades e deixarmos a termodinâmica cuidar do resto.Saúde a todos!!! Eu vou já pro boteco malhar...
Para além do exagero dos zero graus da cerveja, mesmo considerando os 7 º, mais recomendáveis, penso que o raciocínio continua válido:
Segundo a lei da termodinâmica, nós sabemos que 1 Kcal é a energia necessária para esquentar 1g de água em 1ºC.Não é necessário ser nenhum gênio para calcular que se um ser humano beber um copo (200ml) de água gelada a 0°C usará 200 Kcal para aquecer essa água em 1°C.
Para haver o equilíbrio térmico com a temperatura corporal, são necessárias, então, aproximadamente 7.400 calorias para que estes 200g de água alcancem os 37° C da temperatura corporal (200 Kcal X 37°C).Então, esta é a quantidade de energia necessária para manter a temperatura de nosso corpo a 37° C.
A termodinâmica não nos deixa mentir sobre esta dedução.
Assim, se uma pessoa beber um copo de cerveja grande (aproximadamente 400ml na temperatura de 0°C), ela perde aproximadamente 14.800 calorias (400g x 37°C).Não podemos esquecer de descontar as calorias da cerveja (aproximadamente 380 Kcal em 400ml cerveja).
Portanto, observa-se que um indivíduo perde aproximadamente 14.420 Kcal com a ingestão um único copo de cerveja bem gelada.
Obviamente quanto mais gelada for a cerveja maior será a perda calórica.Fica claro, portanto. que tomar cerveja gelada é muito mais efetivo do que andar de bicicleta ou correr, ou fazer qualquer atividade que queima aproximadamente 800 Kcal por hora.
Amigos, a conclusão deste raciocínio é muito simples: para magrecer basta beber cerveja bem gelada, em grandes quantidades e deixarmos a termodinâmica cuidar do resto.Saúde a todos!!! Eu vou já pro boteco malhar...
2005-02-27
Erro de “casting”
Ana Sousa Dias é normalmente excelente no modo como faz brilhar os seus, mais ou menos apagados, entrevistados.
Marcelo Rebelo de Sousa é um “one man show”.
Juntar os dois é misturar água com fogo.
Marcelo Rebelo de Sousa é um “one man show”.
Juntar os dois é misturar água com fogo.
2005-02-26
Kasparov vs mundo
Talvez alguns ainda se lembrem de ver algumas referências ao facto, talvez outros, como eu, tenham mesmo participado nesse memorável evento e recordem com saudade a emoção de participar num acontecimento que se revelou único.
Tudo começou em 1999, na sequência da primeira vitória de um “software” de computador (hoje oficialmente destruído) contra um dos mais brilhantes xadrezistas do nosso tempo, de seu nome Kasparov.
A MSN pensou lançar um novo evento espectacular, já não Kasparov contra “Deep Blue” mas antes Kasparov contra todo o mundo.
Processava-se assim: no “site” da “MSN gaming zone” Kasparov jogava com as brancas, de 2 em 2 dias, 4 muito jovens talentos do xadrez: (Etienne Bacrot, Florin Felecan, Irina Krush e Elizabeth Pahtz) analisavam as jogadas independentemente e propunham respostas para as pretas e, qualquer cidadão do mundo interessado e que se inscrevesse no encontro, votava por uma das quatro propostas.
Simultaneamente estavam disponibilizados dois “fora” (um geral e um técnico) onde tudo podia ser discutido e analisado em permanência.
Estava tudo preparado para um calmo passeio de Kasparov até uma vitória rápida.
O que não se esperava é que “o mundo” levasse tão a sério este encontro espectacular e fizesse, de novo, tremer Kasparov, como veio a acontecer.
O jogo começou em 21 de Junho de 1999 com uma saída habitual de Kasparov: e4 e a sequência prosseguiu pacífica e rotineiramente no desenvolvimento de uma normal defesa siciliana.
No esquema predefinido começaram a esboçar-se algumas tendências: Dos 4 jovens escolhidos para aquela simples e compensadora tarefa de propor uma jogada, um deles, Irina Krush, no momento com apenas 15 anos, começou a mostrar querer levar o jogo muito a sério.
As suas opções eram muito bem fundamentadas, recorria a si própria, aos seus mestres e à observação dos “fora” e das análise gerais do mundo, para propor as suas respostas.
No lance 10 tudo se complica. Irina propõe uma novidade: Qe6 em resposta a Nde2, o mundo lança-se furiosamente na análise da proposta, páginas e páginas de análise são publicados nos “fora” e finalmente a votação consagra a jogada de Irina, criando-se a agora denominada “variante mundo” ou “world variation” da siciliana.
Daí para a frente o jogo intensificou-se, as análises nos “fora” ganharam uma qualidade notável, a “escola russa” de xadrez, assumiu-se como fazendo parte da equipa do mundo e, segundo se dizia, o próprio Bobie Fisher estava a participar com um “nick name”. Se não foi verdade, foi pelo menos verosímil.
Irina Krush transformou-se no veículo das jogadas do mundo. Eram publicadas mensagens desesperadas para que Irina as incorporasse na sua análise. O jogo assumiu uma qualidade notável.
Modestamente eu, entre 60 000 que votavam e os talvez 500 que participavam mais activamente nos “fora” também vivi intensamente os dramas de cada jogada, passei horas a ler tudo a analisar cada lance a escrever também os meus pouco significantes palpites.
Não obstante ter-se tornado evidente que a luta era desigual, Kasparov tinha acesso a todo o pensamento do mundo e o mundo desconhecia o que ia na cabeça de Kasparov, a certo ponto, notou-se que a MSN começou a ficar um pouco nervosa, o sistema começou a apresentar falhas e a haver sinais de que os resultados apresentados das votações estavam viciados.
No lance 58, lance crucial, Irina perde misteriosamente contacto com o “server” da MSN e é impossibilitada de apresentar a sua proposta, o lance “seleccionado” pelo mundo foi desastroso e o jogo entra em descalabro até à vitória de Kasparov no lance 62 a 27 de Outubro de 1999.
As denúncias de viciação das regras foram imensas em todos os “media” especializados, a MSN desmentiu sempre.
Como participante respondi a 1 ou 2 inquéritos que me foram enviados de algumas Universidades que quiseram estudar o interessante fenómeno sociológico que esse encontro gerou.
Falou-se muito na desforra que seria organizada em breve mas, lentamente, tudo foi caindo no esquecimento.
Seis anos passados, fica aqui a notícia de que eu não me esqueci e continuo à espera da desforra.
Tudo começou em 1999, na sequência da primeira vitória de um “software” de computador (hoje oficialmente destruído) contra um dos mais brilhantes xadrezistas do nosso tempo, de seu nome Kasparov.
A MSN pensou lançar um novo evento espectacular, já não Kasparov contra “Deep Blue” mas antes Kasparov contra todo o mundo.
Processava-se assim: no “site” da “MSN gaming zone” Kasparov jogava com as brancas, de 2 em 2 dias, 4 muito jovens talentos do xadrez: (Etienne Bacrot, Florin Felecan, Irina Krush e Elizabeth Pahtz) analisavam as jogadas independentemente e propunham respostas para as pretas e, qualquer cidadão do mundo interessado e que se inscrevesse no encontro, votava por uma das quatro propostas.
Simultaneamente estavam disponibilizados dois “fora” (um geral e um técnico) onde tudo podia ser discutido e analisado em permanência.
Estava tudo preparado para um calmo passeio de Kasparov até uma vitória rápida.
O que não se esperava é que “o mundo” levasse tão a sério este encontro espectacular e fizesse, de novo, tremer Kasparov, como veio a acontecer.
O jogo começou em 21 de Junho de 1999 com uma saída habitual de Kasparov: e4 e a sequência prosseguiu pacífica e rotineiramente no desenvolvimento de uma normal defesa siciliana.
No esquema predefinido começaram a esboçar-se algumas tendências: Dos 4 jovens escolhidos para aquela simples e compensadora tarefa de propor uma jogada, um deles, Irina Krush, no momento com apenas 15 anos, começou a mostrar querer levar o jogo muito a sério.
As suas opções eram muito bem fundamentadas, recorria a si própria, aos seus mestres e à observação dos “fora” e das análise gerais do mundo, para propor as suas respostas.
No lance 10 tudo se complica. Irina propõe uma novidade: Qe6 em resposta a Nde2, o mundo lança-se furiosamente na análise da proposta, páginas e páginas de análise são publicados nos “fora” e finalmente a votação consagra a jogada de Irina, criando-se a agora denominada “variante mundo” ou “world variation” da siciliana.
Daí para a frente o jogo intensificou-se, as análises nos “fora” ganharam uma qualidade notável, a “escola russa” de xadrez, assumiu-se como fazendo parte da equipa do mundo e, segundo se dizia, o próprio Bobie Fisher estava a participar com um “nick name”. Se não foi verdade, foi pelo menos verosímil.
Irina Krush transformou-se no veículo das jogadas do mundo. Eram publicadas mensagens desesperadas para que Irina as incorporasse na sua análise. O jogo assumiu uma qualidade notável.
Modestamente eu, entre 60 000 que votavam e os talvez 500 que participavam mais activamente nos “fora” também vivi intensamente os dramas de cada jogada, passei horas a ler tudo a analisar cada lance a escrever também os meus pouco significantes palpites.
Não obstante ter-se tornado evidente que a luta era desigual, Kasparov tinha acesso a todo o pensamento do mundo e o mundo desconhecia o que ia na cabeça de Kasparov, a certo ponto, notou-se que a MSN começou a ficar um pouco nervosa, o sistema começou a apresentar falhas e a haver sinais de que os resultados apresentados das votações estavam viciados.
No lance 58, lance crucial, Irina perde misteriosamente contacto com o “server” da MSN e é impossibilitada de apresentar a sua proposta, o lance “seleccionado” pelo mundo foi desastroso e o jogo entra em descalabro até à vitória de Kasparov no lance 62 a 27 de Outubro de 1999.
As denúncias de viciação das regras foram imensas em todos os “media” especializados, a MSN desmentiu sempre.
Como participante respondi a 1 ou 2 inquéritos que me foram enviados de algumas Universidades que quiseram estudar o interessante fenómeno sociológico que esse encontro gerou.
Falou-se muito na desforra que seria organizada em breve mas, lentamente, tudo foi caindo no esquecimento.
Seis anos passados, fica aqui a notícia de que eu não me esqueci e continuo à espera da desforra.
2005-02-25
A maratona e o xadrez
As palavras são como as cerejas, dizem, umas atraem outras e os pensamentos também.
Meditava eu sobre a decisão tardia de Santana Lopes de se afastar da liderança do PSD:
A perseverança e a combatividade costumam ser encaradas como virtudes, no entanto neste caso, era Portas louvado pelo seu abandono imediato e Santana era mais uma vez crucificado, agora pela sua perseverança.
Recordei-me então que se numa corrida de fundo é visto como nobre o terminar-se com 3 voltas de atraso e à beira de um desmaio, já no xadrez a persistência em não abandonar quando a derrota é evidente é visto como mau perder, impertinência insuportável e acto antidesportivo.
Também é muito digno ver-se o Papa a lutar até ao colapso final e não se suporta o apego ao poder e aos privilégios a que certas pessoas se colam como lapas.
Não é assim uma questão linear.
Mas o mais curioso é que esta deambulação intelectual, onde o xadrez foi central, trouxe à minha mente aquele encontro memorável que eu tive o privilégio de disputar com Kasparov e que merece um registo neste blogue.
Fica para o próximo poste, prometo.
Meditava eu sobre a decisão tardia de Santana Lopes de se afastar da liderança do PSD:
A perseverança e a combatividade costumam ser encaradas como virtudes, no entanto neste caso, era Portas louvado pelo seu abandono imediato e Santana era mais uma vez crucificado, agora pela sua perseverança.
Recordei-me então que se numa corrida de fundo é visto como nobre o terminar-se com 3 voltas de atraso e à beira de um desmaio, já no xadrez a persistência em não abandonar quando a derrota é evidente é visto como mau perder, impertinência insuportável e acto antidesportivo.
Também é muito digno ver-se o Papa a lutar até ao colapso final e não se suporta o apego ao poder e aos privilégios a que certas pessoas se colam como lapas.
Não é assim uma questão linear.
Mas o mais curioso é que esta deambulação intelectual, onde o xadrez foi central, trouxe à minha mente aquele encontro memorável que eu tive o privilégio de disputar com Kasparov e que merece um registo neste blogue.
Fica para o próximo poste, prometo.
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