Apresenta-as Jerónimo de Sousa:
Não quer "estas políticas". Logo, o que é preciso são "outras políticas"
2005-01-27
2005-01-25
Hoje
Ia colocar aqui um grande poste mas a onda de frio polar que atingiu o nosso país, tolhe-me os dedos.
Dizem que sexta-feira o tempo já estará mais quente, esperemos que a inspiração também.
Dizem que sexta-feira o tempo já estará mais quente, esperemos que a inspiração também.
2005-01-24
A Sic
Creio que foi a SIC que terminou o seu telejornal de hoje com uma reportagem sobre pre‑adolescentes, anunciada mais ou menos com estas palavras:
Têm 11 anos, fumam, têm namorado(a)s e vestem-se todos da mesma maneira.
São um problema para os pais.
Vi a reportagem e pareceu-me claro o que se passava, as crianças de 11 anos retractadas não eram mais do que crianças de 11 anos, com a sua curiosidade, as suas inseguranças e os seus desejos naturais, a única dificuldade era apenas uma:
Há pais que são um problema para algumas crianças de 11 anos.
Têm 11 anos, fumam, têm namorado(a)s e vestem-se todos da mesma maneira.
São um problema para os pais.
Vi a reportagem e pareceu-me claro o que se passava, as crianças de 11 anos retractadas não eram mais do que crianças de 11 anos, com a sua curiosidade, as suas inseguranças e os seus desejos naturais, a única dificuldade era apenas uma:
Há pais que são um problema para algumas crianças de 11 anos.
2005-01-21
Sem tempo para blogar
Ocupadíssimo com alguns afazeres, vou estando sem tempo para blogar como queria.
Nos poucos tempos livres vou vendo e ouvindo as tricas da pre-campanha:
Que tristeza !
Inspirando-me em Almada Negreiros, apetece-me dizer:
Há tanta coisa para fazer, meu Deus, e esta gente distraída em campanhas.
Nos poucos tempos livres vou vendo e ouvindo as tricas da pre-campanha:
Que tristeza !
Inspirando-me em Almada Negreiros, apetece-me dizer:
Há tanta coisa para fazer, meu Deus, e esta gente distraída em campanhas.
2005-01-14
Podemos dormir descansados
Segundo a SIC Notícias o Governo está prestes a tomar uma medida importantíssima para a defesa da saúde pública: vai proibir o uso de galheteiros nos restaurantes.
Ainda dizem que a saúde vai mal em Portugal.
Ainda dizem que a saúde vai mal em Portugal.
2005-01-12
Mais um salto a Varsóvia
Está com mais carros Varsóvia, já o tinha dito, e agora também com mais calor.
Um Janeiro com temperaturas positivas é coisa nunca vista dizem os mais velhos ! Será ? Uma coisa é certa, isso não se deve à recente adesão à UE.
É talvez do célebre buraco no ozono, mas, como já ouvir dizer a alguém a propósito do trágico tsunami:
Nós ainda vamos arranhando a natureza, dando-lhe uns tímidos pontapés e desenvolvemos alguns, eu sei que poucos, esforços para a tratar melhor mas ela não tem meias medidas, responde-nos à bruta sem nenhuma consideração pela nossa espécie de macacos-deuses.
Parece que já o faz há milhares de anos.
Olha que porra, apetece-me dizer: Manda-nos tsunamis que nós nos encarregaremos de te encher de emissões gazosas das piores, abaixo o protocolo de Quioto.
Um Janeiro com temperaturas positivas é coisa nunca vista dizem os mais velhos ! Será ? Uma coisa é certa, isso não se deve à recente adesão à UE.
É talvez do célebre buraco no ozono, mas, como já ouvir dizer a alguém a propósito do trágico tsunami:
Nós ainda vamos arranhando a natureza, dando-lhe uns tímidos pontapés e desenvolvemos alguns, eu sei que poucos, esforços para a tratar melhor mas ela não tem meias medidas, responde-nos à bruta sem nenhuma consideração pela nossa espécie de macacos-deuses.
Parece que já o faz há milhares de anos.
Olha que porra, apetece-me dizer: Manda-nos tsunamis que nós nos encarregaremos de te encher de emissões gazosas das piores, abaixo o protocolo de Quioto.
2005-01-08
Naquele tempo
Na administração pública havia um corpo técnico, um corpo administrativo e os chefes.
Os chefes coordenavam os técnicos, davam orientações, distribuíam ou condicionavam recursos, facilitavam ou empatavam.
Se o trabalho era um sucesso colhiam os respectivos louros, se dava asneira encaravam as respectivas consequências, era por isso que se designavam genericamente como responsáveis, tinham de responder pelo que acontecia sobe a sua orientação.
Ora se colher louros é geralmente gratificante, assumir consequências negativas, que podem conduzir à demissão e perda de privilégios já não é agradável para ninguém e com o tempo as coisas têm mudado e com elas a arte de “sacudir capotes” até ao possível tem prosperado.
O recente relatório sobre o atraso na colocação de professores chegou a uma conclusão espantosa: a culpa foi exclusivamente dos técnicos e são estes que vão assumir responsabilidades.
Os técnicos são agora os responsáveis e os responsáveis atingiram o estado supremo da irresponsabilidade.
Só lá estão para ver a bola, ora essa !
Os chefes coordenavam os técnicos, davam orientações, distribuíam ou condicionavam recursos, facilitavam ou empatavam.
Se o trabalho era um sucesso colhiam os respectivos louros, se dava asneira encaravam as respectivas consequências, era por isso que se designavam genericamente como responsáveis, tinham de responder pelo que acontecia sobe a sua orientação.
Ora se colher louros é geralmente gratificante, assumir consequências negativas, que podem conduzir à demissão e perda de privilégios já não é agradável para ninguém e com o tempo as coisas têm mudado e com elas a arte de “sacudir capotes” até ao possível tem prosperado.
O recente relatório sobre o atraso na colocação de professores chegou a uma conclusão espantosa: a culpa foi exclusivamente dos técnicos e são estes que vão assumir responsabilidades.
Os técnicos são agora os responsáveis e os responsáveis atingiram o estado supremo da irresponsabilidade.
Só lá estão para ver a bola, ora essa !
2005-01-07
Desinteressante
A Sra Ministra da educação achou desinteressante ir à AR e não foi.
Eu, por acaso, também acho muitíssimo desinteressante responder a perguntas incómodas e quiçá malcriadas dos Srs Deputados, também não ia.
Precisamos de mais exemplos destes, de coragem e determinação.
Eu, por acaso, também acho muitíssimo desinteressante responder a perguntas incómodas e quiçá malcriadas dos Srs Deputados, também não ia.
Precisamos de mais exemplos destes, de coragem e determinação.
Dizem que os Deputados ganham pouco
A sofreguidão para conseguir um lugarzinho nas listas e o despeito por ficar de fora, que temos visto em tantos actores políticos, só se explica pelo grande amor à causa pública.
Quem diria !
Quem diria !
Um conto exemplar
Enquanto a minha "net" se foi embora outra vez, utilizo uma emprestada para vos relatar uma história exemplar:
Parece que 3 ou 4 notáveis do PSD decidiram que Põncio Monteiro sairia de número 2 da lista do Porto. Pôncio Monteiro não será assim Deputado da Nação.
Se 3 ou 4 notáveis do PSD tivessem decidido manter Pôncio Monteiro com número 2 da lista do Porto, Pôncio Monteiro iria ser Deputado da Nação, todavia seria dito por toda a gente que teria a legitimidade do voto popular.
Nesta democracia a vontade do povo é assim a vontade de 3 ou 4 notáveis do PSD !?
Parece que 3 ou 4 notáveis do PSD decidiram que Põncio Monteiro sairia de número 2 da lista do Porto. Pôncio Monteiro não será assim Deputado da Nação.
Se 3 ou 4 notáveis do PSD tivessem decidido manter Pôncio Monteiro com número 2 da lista do Porto, Pôncio Monteiro iria ser Deputado da Nação, todavia seria dito por toda a gente que teria a legitimidade do voto popular.
Nesta democracia a vontade do povo é assim a vontade de 3 ou 4 notáveis do PSD !?
2005-01-04
Por vezes não posto
Simplesmente porque não tenho nada a dizer, no preciso momento em que o poderia fazer.
Outras vezes, como agora, não tenho postado por ter estado privado de acesso à net, mais tempo do que seria tolerável, depois de 8 contactos, ao longo de 7 dias, com o apoio a clientes da empresa, alguns, poucos, muito úteis e dedicados mas a generalidade que me fez apenas perder tempo e paciência..
Finalmente, assim como a net se foi, ao sabor dos caprichos dos deuses da web, também voltou sorrateira e sorridente, como se nada tivesse passado.
Como na parábola do filho pródigo, fiquei feliz, acendi um charuto, e perdoei todo o desprezo e maus tratos das Sandras e Vanessas que atraz da linha de apoio a clientes gozaram comigo como quiseram.
Até vou pagar a factura inteira, sem refilar, não vão os deuses zangarem-se outra vez comigo.
Outras vezes, como agora, não tenho postado por ter estado privado de acesso à net, mais tempo do que seria tolerável, depois de 8 contactos, ao longo de 7 dias, com o apoio a clientes da empresa, alguns, poucos, muito úteis e dedicados mas a generalidade que me fez apenas perder tempo e paciência..
Finalmente, assim como a net se foi, ao sabor dos caprichos dos deuses da web, também voltou sorrateira e sorridente, como se nada tivesse passado.
Como na parábola do filho pródigo, fiquei feliz, acendi um charuto, e perdoei todo o desprezo e maus tratos das Sandras e Vanessas que atraz da linha de apoio a clientes gozaram comigo como quiseram.
Até vou pagar a factura inteira, sem refilar, não vão os deuses zangarem-se outra vez comigo.
2004-12-29
Susan Sontag
Morreu hoje.
Um espírito muito lúcido e corajoso no triste contexto da actual intelectualidade Americana.
Felizmente a sua obra continua viva.
Um espírito muito lúcido e corajoso no triste contexto da actual intelectualidade Americana.
Felizmente a sua obra continua viva.
Nem de propósito
Para reforçar com factos o que procurei dizer no poste abaixo, atentem nesta notícia que acabo de deparar no "Portugal Diário", com o título: "Milhares de Turistas Estrangeiros Mortos"
Eis a lista dos "milhares" de mortos já confirmados referidos nessa notícia:
Itália - 13 mortos
Suécia - 6 mortos
Noruega - 13 mortos
Áustria - 4 mortos
Reino Unido - 15 mortos
França - 22 mortos
Dinamarca - 3 mortos
Bélgica - 2 mortos
Alemanha - 4 mortos
Polónia - 1 morto (provável)
Finlândia - 1 morto
Brasil - 2 mortos
Estados Unidos - 13 mortos
Canadá - 3 mortos
África do Sul - 2 mortos
Austrália - 6 mortos
Nova Zelândia - 1 morto
Filipinas - 8 mortos
Coreia do Sul - 3 mortos
Se não me enganei nas contas, tudo somado dá 130. É este o número que nos demonstra a realidade dos "milhares" de turistas mortos.
Centenas, milhares. é tudo a mesma coisa, Who Cares ?
Eis a lista dos "milhares" de mortos já confirmados referidos nessa notícia:
Itália - 13 mortos
Suécia - 6 mortos
Noruega - 13 mortos
Áustria - 4 mortos
Reino Unido - 15 mortos
França - 22 mortos
Dinamarca - 3 mortos
Bélgica - 2 mortos
Alemanha - 4 mortos
Polónia - 1 morto (provável)
Finlândia - 1 morto
Brasil - 2 mortos
Estados Unidos - 13 mortos
Canadá - 3 mortos
África do Sul - 2 mortos
Austrália - 6 mortos
Nova Zelândia - 1 morto
Filipinas - 8 mortos
Coreia do Sul - 3 mortos
Se não me enganei nas contas, tudo somado dá 130. É este o número que nos demonstra a realidade dos "milhares" de turistas mortos.
Centenas, milhares. é tudo a mesma coisa, Who Cares ?
Os números da tragédia
A ligeireza com que se manipulam números nos média é uma constante, milhares ou milhões é, mais ou menos, a mesma coisa.
Não falo da cólera e outras epidemias, já anunciadas, que aí vêm e que irão matar ainda mais gente do que os tsunamis, ou seja, para cima de mais 70 000 pessoas, cá ficamos à sua espera.
Falo mais da informação que no dia da catástrofe ouvi incrédulo em diversas rádios e televisões: mais de um terço das vítimas eram turistas em férias !
Como estão já registados cerca de 70 000 mortos, e o número de turistas parece ainda não atingir os mil, somos levados a pensar que, para a comunicação social, um turista, como nós, vale, pelo menos, por 25 "macacos" asiáticos.
Não falo da cólera e outras epidemias, já anunciadas, que aí vêm e que irão matar ainda mais gente do que os tsunamis, ou seja, para cima de mais 70 000 pessoas, cá ficamos à sua espera.
Falo mais da informação que no dia da catástrofe ouvi incrédulo em diversas rádios e televisões: mais de um terço das vítimas eram turistas em férias !
Como estão já registados cerca de 70 000 mortos, e o número de turistas parece ainda não atingir os mil, somos levados a pensar que, para a comunicação social, um turista, como nós, vale, pelo menos, por 25 "macacos" asiáticos.
A lama e o atasqueiro
Assim como no mundo futebolístico o "sistema" é um fantasma translúcido e sem cabeça que mina subtilmente, uniformizando e manietando tudo e todos, tornando inútil qualquer gesto ou acção de boa vontade, anulando com a sua peçonha paralisadora a acção do mais correcto, bem intencionado e competente dirigente; no sistema partidário em que vivemos também existe um fantasma semelhante:
Não se chama o "sistema", chama-se a "máquina" mas a sua acção é em tudo parecida e ninguém a sabe regular.
Independentemente da maior ou menor qualidade dos candidatos que se perfilam para assumir o comando do país, continuamos a não ter opção real.
Só há duas escolhas: a lama ou o atasqueiro.
Não se chama o "sistema", chama-se a "máquina" mas a sua acção é em tudo parecida e ninguém a sabe regular.
Independentemente da maior ou menor qualidade dos candidatos que se perfilam para assumir o comando do país, continuamos a não ter opção real.
Só há duas escolhas: a lama ou o atasqueiro.
2004-12-27
Época de Natal
O período natalício que vivemos de "febre" consumista, ruas enfeitadas, pais natais da coca cola trepando varandas, cânticos de natal entoados por milhares de telefonias, o mesmo espírito presente aparentemente em todo o mundo, trouxe-me à memória uma entrevista que em tempos ouvi a um jovem escritor brasileiro, cujo nome não retive e que como bolseiro, penso que da Fundação Oriente, percorreu durante um ano a China profunda, procurando inspiração para escrever um livro.
Nessa entrevista em que jovem autor exprimiu algumas das suas impressões de viagem, retive dois dos aspectos, para ele mais marcantes:
A desilusão que lhe causou a verificação da prática do budismo, que tinha no seu imaginário como uma religião sábia, "pura" e tolerante mas que viu na prática ser hierárquica e prepotente como as outras mais nossas conhecidas. mostrando a constância da condição humana sempre presente em todos os caldos culturais.
A ilusão da universalidade, dizia ele: já imaginaram uma sociedade onde valores e referências para nós fundamentais e sempre presentes, ainda que subconscientemente, são totalmente irrelevantes e ignoradas, onde nomes como Bach, Beethoven, Jesus Cristo, Maomé, Da Vinci, Platão, Sócrates, não significam nada, absolutamente nada ? No entanto essa é a realidade na vastíssima China rural, mostrando como a globalização parece não ser ainda, tão global assim.
Nessa entrevista em que jovem autor exprimiu algumas das suas impressões de viagem, retive dois dos aspectos, para ele mais marcantes:
A desilusão que lhe causou a verificação da prática do budismo, que tinha no seu imaginário como uma religião sábia, "pura" e tolerante mas que viu na prática ser hierárquica e prepotente como as outras mais nossas conhecidas. mostrando a constância da condição humana sempre presente em todos os caldos culturais.
A ilusão da universalidade, dizia ele: já imaginaram uma sociedade onde valores e referências para nós fundamentais e sempre presentes, ainda que subconscientemente, são totalmente irrelevantes e ignoradas, onde nomes como Bach, Beethoven, Jesus Cristo, Maomé, Da Vinci, Platão, Sócrates, não significam nada, absolutamente nada ? No entanto essa é a realidade na vastíssima China rural, mostrando como a globalização parece não ser ainda, tão global assim.
2004-12-15
Prepara-se o ritual
Como sempre, os "opinion makers" começam já, e continuarão a fazê-lo, a apelar para a elevação no debate, a exposição das diferentes ideias, a apresentação de intenções e propostas de governo.
Como sempre, os partidos vão ignorar tudo isto, vão uns criticar e outros defender o que foi e não foi feito, vão insultar-se elegantemente e, por vezes mesmo, menos elegantemente, para gáudio dos jornalistas que venderão mais jornais, expondo a sua superior postura e comentando o "ao que isto chegou".
Como sempre, de todos os debates e independentemente do que lá se passe, todos os comentadores irão dizer que se ficou pelos aspectos comezinhos, que não se debateram ideias que no entanto, um ou outro, candidato gaguejou menos ou mais, foi mais ou menos brilhante, nas suas "piadas", que teve boa ou má apresentação e correrão rios de tinta em acesas discussões sobre estes aspectos e sobre quem ganhou o debate.
Como sempre, o povo assistirá divertido a este espectáculo e no dia 20 de Fevereiro, se não chover muito, irá votar em quem já sabe hoje, em A ou B, porque é um gajo porreiro e nunca em A ou B porque é um malandro que só quer "poleiro".
Como sempre, os partidos vão ignorar tudo isto, vão uns criticar e outros defender o que foi e não foi feito, vão insultar-se elegantemente e, por vezes mesmo, menos elegantemente, para gáudio dos jornalistas que venderão mais jornais, expondo a sua superior postura e comentando o "ao que isto chegou".
Como sempre, de todos os debates e independentemente do que lá se passe, todos os comentadores irão dizer que se ficou pelos aspectos comezinhos, que não se debateram ideias que no entanto, um ou outro, candidato gaguejou menos ou mais, foi mais ou menos brilhante, nas suas "piadas", que teve boa ou má apresentação e correrão rios de tinta em acesas discussões sobre estes aspectos e sobre quem ganhou o debate.
Como sempre, o povo assistirá divertido a este espectáculo e no dia 20 de Fevereiro, se não chover muito, irá votar em quem já sabe hoje, em A ou B, porque é um gajo porreiro e nunca em A ou B porque é um malandro que só quer "poleiro".
2004-12-13
MAD TV
Conhecia a revista desde a minha juventude e sempre que, raramente, encontrava uma “MAD” nalgum quiosque, juntava os meus parcos escudos de estudante para a comprar, ler e reler.
Agora durante os meus “zapping” apanhava vagamente alguns pedaços de “sketches” que me pareciam meio destrambelhados e longe da ironia fina da velha revista.
Foi nas 24 horas de MAD TV que a SIC comédia nos ofereceu no feriado de quarta-feira que prestei mais atenção a esta versão televisiva. Tenho de reconhecer que o humor corrosivo, acutilante e politicamente incorrecto da velha revista está lá, ainda hoje.
Não se deixe mal impressionar pelo aparente humor fácil de “pastelão na cara” que é sugerido numa visão menos atenta, veja um ou dois episódios completos e verá então que tudo tem um sentido.
A partir daí é um “must”.
Agora durante os meus “zapping” apanhava vagamente alguns pedaços de “sketches” que me pareciam meio destrambelhados e longe da ironia fina da velha revista.
Foi nas 24 horas de MAD TV que a SIC comédia nos ofereceu no feriado de quarta-feira que prestei mais atenção a esta versão televisiva. Tenho de reconhecer que o humor corrosivo, acutilante e politicamente incorrecto da velha revista está lá, ainda hoje.
Não se deixe mal impressionar pelo aparente humor fácil de “pastelão na cara” que é sugerido numa visão menos atenta, veja um ou dois episódios completos e verá então que tudo tem um sentido.
A partir daí é um “must”.
2004-12-09
Notícias do dia
Ouvido na SIC Notícias:
1. O CDS-PP, diz que ouviu o Presidente com muita atenção mas continua a não perceber nada.
2. Santana. Lopes tinha já a intenção de se demitir só que o Presidente antecipou-se.
1. O CDS-PP, diz que ouviu o Presidente com muita atenção mas continua a não perceber nada.
2. Santana. Lopes tinha já a intenção de se demitir só que o Presidente antecipou-se.
2004-12-04
Um vector não é uma seta
Dizia-nos solenemente o velho Professor nas longínquas aulas de cálculo vectorial.
- As setas são apenas representações gráficas de um vector e não o vector, ele mesmo.
Esta insólita afirmação solene do óbvio, parecia-me, no momento, descabida.
Com o tempo e a experiência, porém, o reconhecimento da importância da precisão da conceitos, de não confundir alhos com bugalhos, começou a assumir em mim a dimensão de uma cruzada necessária.
Assistimos diariamente, a todos os níveis, a inflamados debates de surdos e não admira que se não consigam consensos quando as premissas originais são tão diversas.
Vem isto a propósito da actual situação, onde ouço constantemente debater a “destituição do Governo” decidida por Sampaio, extraindo-se consequências e atribuindo-se as intenções mais diversas.
Como o meu velho professor eu tenho que dizer:
- Não obstante o Governo ir, a curto prazo, sair, a realidade é que Sampaio não decidiu a sua destituição.
O que está em discussão é apenas e só a dissolução da Assembleia da República, a concretizar nos termos constitucionais e, naturalmente, as respectivas consequências.
- As setas são apenas representações gráficas de um vector e não o vector, ele mesmo.
Esta insólita afirmação solene do óbvio, parecia-me, no momento, descabida.
Com o tempo e a experiência, porém, o reconhecimento da importância da precisão da conceitos, de não confundir alhos com bugalhos, começou a assumir em mim a dimensão de uma cruzada necessária.
Assistimos diariamente, a todos os níveis, a inflamados debates de surdos e não admira que se não consigam consensos quando as premissas originais são tão diversas.
Vem isto a propósito da actual situação, onde ouço constantemente debater a “destituição do Governo” decidida por Sampaio, extraindo-se consequências e atribuindo-se as intenções mais diversas.
Como o meu velho professor eu tenho que dizer:
- Não obstante o Governo ir, a curto prazo, sair, a realidade é que Sampaio não decidiu a sua destituição.
O que está em discussão é apenas e só a dissolução da Assembleia da República, a concretizar nos termos constitucionais e, naturalmente, as respectivas consequências.
2004-12-01
A nódoa
Há já vários dias o Solistência recordou, com grande oportunidade, a actualidade profética de Eça de Queirós, expressa nesta citação do mestre:
"Este governo não cairá porque não é um edifício, sairá com benzina porque é uma nódoa."Eça de Queirós
E aqui está o que se passou, a nódoa do governo Lopes está prestes a desaparecer, tem sido difícil mas está quase a sair. Só que parece que desta vez não foi com benzina, no século XXI temos já outros recursos poderosos.
Os produtos utilizados foram diversos:
Primeiro, Marcelo bioactivo com glutões cor de rosa.
A seguir, decisivo, Cavaco fórmula extra, de dupla acção.
Finalmente, Henrique Chaves de acesso de profundidade que remove a sujidade oculta e não deixa auréolas.
O resultado é garantido, a nódoa vai definitivamente sair, apenas ainda se receia que o tecido tenha sido irremediavelmente afectado.
Esperemos que não.
"Este governo não cairá porque não é um edifício, sairá com benzina porque é uma nódoa."Eça de Queirós
E aqui está o que se passou, a nódoa do governo Lopes está prestes a desaparecer, tem sido difícil mas está quase a sair. Só que parece que desta vez não foi com benzina, no século XXI temos já outros recursos poderosos.
Os produtos utilizados foram diversos:
Primeiro, Marcelo bioactivo com glutões cor de rosa.
A seguir, decisivo, Cavaco fórmula extra, de dupla acção.
Finalmente, Henrique Chaves de acesso de profundidade que remove a sujidade oculta e não deixa auréolas.
O resultado é garantido, a nódoa vai definitivamente sair, apenas ainda se receia que o tecido tenha sido irremediavelmente afectado.
Esperemos que não.
2004-11-29
Um dia em Le Mans
Sábado morto, uma longa espera pelo TGV que iniciaria o meu regresso a Portugal.
Acordo cedo de mais, rebolo-me na cama de Hotel procurando posição para passar o tempo, olhando a RTPI.
Saio do hotel e deambulo pelo centro histórico de Le Mans, bem recuperado, sem dúvida, mas muito mais interessante à noite do que de manhã.
Fixo-me num café tomando uma bica (finalmente podemos dizer que a bica já conquistou a Europa, um café, sem mais adjectivos, é já a chávena curta e de espuma densa, a bica, em quase todos os cantos da Europa) e olhando quem passa.
Dizem-me que Le Mans tem pouca imigração mas a maioria dos rostos que vejo, embora ocidentalizados, têm a marca indelével do Magreb.
O tempo passa lento, saio do café prematuramente à procura de um restaurante para um almoço que me faça passar o tempo, paro, bem no centro da cidade, na Brasserie Le Globe, atraído por um item da ementa: "Le Tartare - a vous de préparer".
Entro, sento-me e peço essa pérola da gastronomia da Europa Oriental, que também as têm, com "frites maison". Para beber hesito entre os diferente vinhos da lista, demasiado caros para a qualidade, mas enfim, estava em França, tinha que beber vinho, naturalmente.
O empregado simpático sugere-me um "demi" jarro de Beaujolais (a campanha fabulosa que o Beaujolais está a fazer, pelo menos como vi em na França e na Polónia e de que talvez venha aqui a falar mais tarde, é um excelente exemplo do que muitas das nossas regiões vitícolas poderiam fazer) não o considero de modo nenhum um grande vinho mas enfim, cumpre e está melhor para a bolsa de um português médio.
Chega então o Sr. Tártaro, mal apresentado mas com os ingredientes necessários para se fazer qualquer coisa: a gema de ovo, indispensável, cebolinha, chalota e alcaparras picadas e, à parte, um tabuleiro com o molho inglês, também, para mim, indispensável, várias mostardas, azeite e tabasco, que não usei, sal e pimenta.
Soube-me pela vida, entretanto ouço que o empregado se chama Joaquim, nem mais nem menos, Joaquim, pronunciado exactamente como os nossos Joaquins. Pergunto-lhe a nacionalidade mas diz-me que é Francês, com 3 origens onde Portugal não está, medito sobre esse insólito Joaquim.
Para sobremesa mousse de chocolate e, finalmente, café, Armagnac e cigarros, faltou-me o charuto mas foi, mesmo assim, um belo e repousado momento de nicotina cafeína e álcool.
Mentalmente pensava, tentando adicionar de memória as diferentes parcelas do consumo: vai-me custar uma nota este almoço talvez uns 40 Euros, pensava, mas que se lixe.
Vem enfim a conta: 29 Euros, que maravilha. Pago, olho para o relógio e fico aflito:
Caraças o TGV está quase aí, ala que se faz tarde.
Acordo cedo de mais, rebolo-me na cama de Hotel procurando posição para passar o tempo, olhando a RTPI.
Saio do hotel e deambulo pelo centro histórico de Le Mans, bem recuperado, sem dúvida, mas muito mais interessante à noite do que de manhã.
Fixo-me num café tomando uma bica (finalmente podemos dizer que a bica já conquistou a Europa, um café, sem mais adjectivos, é já a chávena curta e de espuma densa, a bica, em quase todos os cantos da Europa) e olhando quem passa.
Dizem-me que Le Mans tem pouca imigração mas a maioria dos rostos que vejo, embora ocidentalizados, têm a marca indelével do Magreb.
O tempo passa lento, saio do café prematuramente à procura de um restaurante para um almoço que me faça passar o tempo, paro, bem no centro da cidade, na Brasserie Le Globe, atraído por um item da ementa: "Le Tartare - a vous de préparer".
Entro, sento-me e peço essa pérola da gastronomia da Europa Oriental, que também as têm, com "frites maison". Para beber hesito entre os diferente vinhos da lista, demasiado caros para a qualidade, mas enfim, estava em França, tinha que beber vinho, naturalmente.
O empregado simpático sugere-me um "demi" jarro de Beaujolais (a campanha fabulosa que o Beaujolais está a fazer, pelo menos como vi em na França e na Polónia e de que talvez venha aqui a falar mais tarde, é um excelente exemplo do que muitas das nossas regiões vitícolas poderiam fazer) não o considero de modo nenhum um grande vinho mas enfim, cumpre e está melhor para a bolsa de um português médio.
Chega então o Sr. Tártaro, mal apresentado mas com os ingredientes necessários para se fazer qualquer coisa: a gema de ovo, indispensável, cebolinha, chalota e alcaparras picadas e, à parte, um tabuleiro com o molho inglês, também, para mim, indispensável, várias mostardas, azeite e tabasco, que não usei, sal e pimenta.
Soube-me pela vida, entretanto ouço que o empregado se chama Joaquim, nem mais nem menos, Joaquim, pronunciado exactamente como os nossos Joaquins. Pergunto-lhe a nacionalidade mas diz-me que é Francês, com 3 origens onde Portugal não está, medito sobre esse insólito Joaquim.
Para sobremesa mousse de chocolate e, finalmente, café, Armagnac e cigarros, faltou-me o charuto mas foi, mesmo assim, um belo e repousado momento de nicotina cafeína e álcool.
Mentalmente pensava, tentando adicionar de memória as diferentes parcelas do consumo: vai-me custar uma nota este almoço talvez uns 40 Euros, pensava, mas que se lixe.
Vem enfim a conta: 29 Euros, que maravilha. Pago, olho para o relógio e fico aflito:
Caraças o TGV está quase aí, ala que se faz tarde.
O menino
Na sua incubadora, tentando sobreviver:
- Porra que os meus irmãos mais velhos em vez de sorrirem e me acariciarem só me batem e atiram para o chão.
Irmãos mais velhos
- O raio do puto não para quieto na incubadora e manda-se para o chão a cada passo, por mais que se queira protegê-lo assim não dá, ninguém o segura.
- Porra que os meus irmãos mais velhos em vez de sorrirem e me acariciarem só me batem e atiram para o chão.
Irmãos mais velhos
- O raio do puto não para quieto na incubadora e manda-se para o chão a cada passo, por mais que se queira protegê-lo assim não dá, ninguém o segura.
2004-11-27
Porque sou agnóstico
Um ser que obstinadamente pretende que todos os homens o amem a cima de todas as coisas não pode ser Deus, é mais o Santana Lopes.
2004-11-24
Canas de Senhorim
Ainda não percebi bem o que move a população de Canas para entabular esta luta determinada pelo direito a ser Concelho.
Para alguns, poucos, isso servirá os seus interesses, sem dúvida, mas para a maioria o facto não altera um milímetro das suas vidas, a não ser, como uma mera questão de amor próprio e de sentido da sua dignidade e por aí não restam dúvidas, quanto mais oposição houver mais eles lutarão para levar a sua avante.
E não tenho a mínima dúvida de que vão ganhar.
Mas o que custa mais a compreender é quem se opõe a esse reconhecimento.
Inexplicavelmente, as altas sumidades portuguesas repetem de cor, como se fosse verdade, que Portugal tem já muitos Concelhos. Porquê ?
Existirá alguma regra de ouro que imponha essa dimensão ideal ? Haverá algum motivo que seja mais forte do que a vontade da população que os Concelhos servem ?
O que eu vejo em muitos países da Europa, são Comunas que tanto podem ser grandes como pequeníssimas é a dinâmica da população que o determina. E é assim que está bem.
Para alguns, poucos, isso servirá os seus interesses, sem dúvida, mas para a maioria o facto não altera um milímetro das suas vidas, a não ser, como uma mera questão de amor próprio e de sentido da sua dignidade e por aí não restam dúvidas, quanto mais oposição houver mais eles lutarão para levar a sua avante.
E não tenho a mínima dúvida de que vão ganhar.
Mas o que custa mais a compreender é quem se opõe a esse reconhecimento.
Inexplicavelmente, as altas sumidades portuguesas repetem de cor, como se fosse verdade, que Portugal tem já muitos Concelhos. Porquê ?
Existirá alguma regra de ouro que imponha essa dimensão ideal ? Haverá algum motivo que seja mais forte do que a vontade da população que os Concelhos servem ?
O que eu vejo em muitos países da Europa, são Comunas que tanto podem ser grandes como pequeníssimas é a dinâmica da população que o determina. E é assim que está bem.
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