O tratamento dos media ao caso da prisão da tripulação e passageiros de um voo charter para Lisboa, por posse de 400 Kg de cocaína, é um caso deveras interessante de seguir.
A última notícia que ouvi, dita como se fosse o caso mais natural do mundo:
- O juiz decidiu a libertação da tripulação do avião, no entanto a acusação opôs-se e eles continuaram presos !
2004-10-31
2004-10-29
Se ele há tanto curso por aí
Quando é que aparece um curso para a gente aprender a viver sob o Governo de Santana Lopes.
2004-10-27
Sei que não sou o único
Embora muito poucos tenham esta sensibilidade:
Respeito as touradas, onde os touros se comportam como touros e os homens como homens.
Respeito a caça, mesmo à raposa, onde as presas se comportam como presas e o homem como o predador que é.
Não tolero, incomoda-me, acho uma falta de respeito inaceitável, transformar um burro num palhaço e pô-lo a comentar a Quinta das Celebridades com a Júlia Pinheiro, como se um burro que se preze ligasse o mínimo aquela palhaçada humana.
Respeito as touradas, onde os touros se comportam como touros e os homens como homens.
Respeito a caça, mesmo à raposa, onde as presas se comportam como presas e o homem como o predador que é.
Não tolero, incomoda-me, acho uma falta de respeito inaceitável, transformar um burro num palhaço e pô-lo a comentar a Quinta das Celebridades com a Júlia Pinheiro, como se um burro que se preze ligasse o mínimo aquela palhaçada humana.
2004-10-26
2004-10-25
Discurso politicamente correcto
Vejam o exemplo vivo de como se pode enriquecer apenas do trabalho.
Ganhando apenas o salário mínimo nacional mas com muita poupança e ponderação: levando a lancheira de casa para não desperdiçar dinheiro nos restaurantes, usando transportes públicos, apagando as luzes desnecessárias, aquecendo-se com mantinhas, no Inverno, para controlar a conta da EDP, enfim com uma vida muito regrada, de grande sacrifício e sem luxos, lá se pode ir conseguindo acumular poupança, comprar uns prédiozitos e outros bens e até já se pode dispensar os transportes públicos e deslocar-se num dos seus carros.
E depois pode haver vozes invejosas a dizer que foge aos impostos e não sei quê, ora, quem não foge um bocadinho aos impostos se puder ?
Cambada de invejosos preguiçosos a exigir mais salário e melhores condições de vida: trabalhem e poupem meus amigos, o salário mínimo chega muito bem, façam como o Victor Santos.
Ganhando apenas o salário mínimo nacional mas com muita poupança e ponderação: levando a lancheira de casa para não desperdiçar dinheiro nos restaurantes, usando transportes públicos, apagando as luzes desnecessárias, aquecendo-se com mantinhas, no Inverno, para controlar a conta da EDP, enfim com uma vida muito regrada, de grande sacrifício e sem luxos, lá se pode ir conseguindo acumular poupança, comprar uns prédiozitos e outros bens e até já se pode dispensar os transportes públicos e deslocar-se num dos seus carros.
E depois pode haver vozes invejosas a dizer que foge aos impostos e não sei quê, ora, quem não foge um bocadinho aos impostos se puder ?
Cambada de invejosos preguiçosos a exigir mais salário e melhores condições de vida: trabalhem e poupem meus amigos, o salário mínimo chega muito bem, façam como o Victor Santos.
2004-10-18
Isabel
Eu tinha então 24 anos, trabalhava em Angola, no Andulo, nos seus últimos meses de colónia, Isabel era uma nossa empregada doméstica com apenas 12 ou 13 anos.
Pagava-lhe uma miséria, ligeiramente superior à miséria habitual, dormia num colchão no chão contra a opinião de todos os casais amigos que criticavam a minha mulher por “esse luxo” que lhe proporcionávamos:
- Vai fazer xixi e estragar o colchão e, até dorme mal porque eles não estão habituados. Deve dormir numa esteira, aí é que ela se há de sentir bem.
Nunca demos ouvidos a essas críticas, sempre pensei que as costas humanas não conhecem escravo nem amo.
Aliás, Isabel não se queixava, vivia feliz, cantarolava, ria-se muito quando eu, no meu umbundo mal arranhado, lhe dizia de brincadeira: Isabel, “nena vava”, querendo dizer “traz-me água” mas certamente tão mal dito que lhe despertava sempre um riso sincero ou seria do prazer que lhe dava a ida à fonte ?
A ida diária para buscar água de uma determinada fonte era o seu grande momento de prazer e liberdade, aí se encontrava com as amigas, conversava sobre o dia, brincava e levava sempre muito mais tempo do que o razoavelmente necessário.
Nós sempre lhe tolerámos esse “abuso” porque a fazia feliz e não nos prejudicava, nem um pouco, já que todo o trabalho era feito a tempo e horas mas, mais uma vez a minha mulher foi muito criticada, Isabel perturbava a paz social: as suas amigas, empregadas de outros casais, usavam a liberdade de Isabel para apoiar as suas reivindicações e muitas vezes também se demoravam desculpando-se com Isabel.
Depois veio o 25 de Abril, a minha difícil decisão de regressar a Portugal, grandes períodos de ausência do Andulo para a então Nova Lisboa e Luanda na preparação da nossa partida e, quando regressávamos, dias depois, Isabel lá aparecia sempre para nos encontrar e retomar o serviço.
Contaram-nos que diariamente Isabel esperava sentada no chão da rua aguardando ansiosa qualquer janela aberta ou luz acesa que lhe indicasse o nosso regresso.
Decidimos voltar a Portugal e despedimo-nos de Isabel definitivamente, nunca mais a voltámos a ver. Apesar de tudo tivemos, alguns dias depois, notícias do Andulo dizendo-nos que Isabel continuava a ficar na rua, em frente da nossa casa, à espera do nosso impossível regresso.
Desde esse tempo que me lembro, muitas vezes, de Isabel, especulo sobre o que terá sido a sua vida ou a sua provável prematura morte, dado os anos brutais e selvagens que se seguiram em Angola.
Lembro-me e invade-me sempre uma estranha sensação de vazio, de incompletude, de que o meu efémero e aparentemente insignificante contacto com Isabel não pode ter terminado ainda.
Foi a minha primeira experiência de patrão, quando eu era ainda um miúdo pouco maior do que ela e o episódio Isabel na minha vida foi determinante na minha formação e visão do Mundo.
Não me conformo que tenha sido tão breve, penso que se olhar para o Sul, e pensar com muita força “nena vava”, terei que ver um dia, de novo, Isabel voltando da fonte, rindo e contente, carregando a sua vasilha de água fresca.
Pagava-lhe uma miséria, ligeiramente superior à miséria habitual, dormia num colchão no chão contra a opinião de todos os casais amigos que criticavam a minha mulher por “esse luxo” que lhe proporcionávamos:
- Vai fazer xixi e estragar o colchão e, até dorme mal porque eles não estão habituados. Deve dormir numa esteira, aí é que ela se há de sentir bem.
Nunca demos ouvidos a essas críticas, sempre pensei que as costas humanas não conhecem escravo nem amo.
Aliás, Isabel não se queixava, vivia feliz, cantarolava, ria-se muito quando eu, no meu umbundo mal arranhado, lhe dizia de brincadeira: Isabel, “nena vava”, querendo dizer “traz-me água” mas certamente tão mal dito que lhe despertava sempre um riso sincero ou seria do prazer que lhe dava a ida à fonte ?
A ida diária para buscar água de uma determinada fonte era o seu grande momento de prazer e liberdade, aí se encontrava com as amigas, conversava sobre o dia, brincava e levava sempre muito mais tempo do que o razoavelmente necessário.
Nós sempre lhe tolerámos esse “abuso” porque a fazia feliz e não nos prejudicava, nem um pouco, já que todo o trabalho era feito a tempo e horas mas, mais uma vez a minha mulher foi muito criticada, Isabel perturbava a paz social: as suas amigas, empregadas de outros casais, usavam a liberdade de Isabel para apoiar as suas reivindicações e muitas vezes também se demoravam desculpando-se com Isabel.
Depois veio o 25 de Abril, a minha difícil decisão de regressar a Portugal, grandes períodos de ausência do Andulo para a então Nova Lisboa e Luanda na preparação da nossa partida e, quando regressávamos, dias depois, Isabel lá aparecia sempre para nos encontrar e retomar o serviço.
Contaram-nos que diariamente Isabel esperava sentada no chão da rua aguardando ansiosa qualquer janela aberta ou luz acesa que lhe indicasse o nosso regresso.
Decidimos voltar a Portugal e despedimo-nos de Isabel definitivamente, nunca mais a voltámos a ver. Apesar de tudo tivemos, alguns dias depois, notícias do Andulo dizendo-nos que Isabel continuava a ficar na rua, em frente da nossa casa, à espera do nosso impossível regresso.
Desde esse tempo que me lembro, muitas vezes, de Isabel, especulo sobre o que terá sido a sua vida ou a sua provável prematura morte, dado os anos brutais e selvagens que se seguiram em Angola.
Lembro-me e invade-me sempre uma estranha sensação de vazio, de incompletude, de que o meu efémero e aparentemente insignificante contacto com Isabel não pode ter terminado ainda.
Foi a minha primeira experiência de patrão, quando eu era ainda um miúdo pouco maior do que ela e o episódio Isabel na minha vida foi determinante na minha formação e visão do Mundo.
Não me conformo que tenha sido tão breve, penso que se olhar para o Sul, e pensar com muita força “nena vava”, terei que ver um dia, de novo, Isabel voltando da fonte, rindo e contente, carregando a sua vasilha de água fresca.
2004-10-16
Bom Conselho
Ouça um bom conselho
Que eu lhe dou de graça
Inútil dormir que a dor não passa
Espere sentado
Ou você se cansa
Está provado, quem espera nunca alcança
Venha, meu amigo
Deixe esse regaço
Brinque com meu fogo
Venha se queimar
Faça como eu digo
Faça como eu faço
Aja duas vezes antes de pensar
Corro atrás do tempo
Vim de não sei onde
Devagar é que não se vai longe
Eu semeio vento na minha cidade
Vou pra rua e bebo a tempestade
Chico Buarque de Holanda
Que eu lhe dou de graça
Inútil dormir que a dor não passa
Espere sentado
Ou você se cansa
Está provado, quem espera nunca alcança
Venha, meu amigo
Deixe esse regaço
Brinque com meu fogo
Venha se queimar
Faça como eu digo
Faça como eu faço
Aja duas vezes antes de pensar
Corro atrás do tempo
Vim de não sei onde
Devagar é que não se vai longe
Eu semeio vento na minha cidade
Vou pra rua e bebo a tempestade
Chico Buarque de Holanda
2004-10-14
Um programa paradigmático
O Tudo em família, na RTP2 a seguir ao almoço, é um programa excelente, paradigmático, uma fonte inesgotável de postes neste blogue.
De facto, se reflectirem um pouco sobre o nome deste blogue, talvez percebam melhor o que quero dizer e que não é nada irrelevante:
O tudo em família é uma voz isolada, no meio do espectáculo, a tentar gritar que também somos macacos. Mas fá-lo de forma confusa, instintiva, oscilando entre o espectáculo e o bom senso.
No programa que vi hoje fiquei a saber que estudos científicos rigorosos (espectáculo), baseados na observação de creches na China e na Roménia (países de macacos, como todos sabem) descobriram que o colo e o contacto de pele a pele pode ser mais importante para o bebé que o simples fornecimento de alimentos.
Observaram também que experiências com macacos (propriamente ditos) preferiam o contacto com “mães” com pelos do que “mães” metálicas.
A minha questão, aquilo que me preocupa, é que seja preciso que os média nos digam aquilo que está inscrito (supunha eu que indelevelmente) nos nossos genes.
Será que hoje, alguma mãe, alertada por qualquer estudo, rigorosamente científico, que prove que no beijo são transmitidos muitos agentes infecciosos e maléficos (o que eu não tenho dúvida que é verdade e qualquer estudo o poderá demonstrar) deixe de beijar o seu filho, para o proteger ?
Numa sociedade onde começam a proliferar cursos de paternidade e de maternidade, receio bem que sim.
Desculpem este meu desvario mas eu não tenho culpa de ser filho de uma mãe fumadora e que não teve aulas de amamentação, como foi proposto à minha filha, e de os meus pais não terem tido nenhum curso de paternidade (por apena 100 Euros).
Dou graças a Deus por ter sobrevivido até hoje, apesar de tudo.
De facto, se reflectirem um pouco sobre o nome deste blogue, talvez percebam melhor o que quero dizer e que não é nada irrelevante:
O tudo em família é uma voz isolada, no meio do espectáculo, a tentar gritar que também somos macacos. Mas fá-lo de forma confusa, instintiva, oscilando entre o espectáculo e o bom senso.
No programa que vi hoje fiquei a saber que estudos científicos rigorosos (espectáculo), baseados na observação de creches na China e na Roménia (países de macacos, como todos sabem) descobriram que o colo e o contacto de pele a pele pode ser mais importante para o bebé que o simples fornecimento de alimentos.
Observaram também que experiências com macacos (propriamente ditos) preferiam o contacto com “mães” com pelos do que “mães” metálicas.
A minha questão, aquilo que me preocupa, é que seja preciso que os média nos digam aquilo que está inscrito (supunha eu que indelevelmente) nos nossos genes.
Será que hoje, alguma mãe, alertada por qualquer estudo, rigorosamente científico, que prove que no beijo são transmitidos muitos agentes infecciosos e maléficos (o que eu não tenho dúvida que é verdade e qualquer estudo o poderá demonstrar) deixe de beijar o seu filho, para o proteger ?
Numa sociedade onde começam a proliferar cursos de paternidade e de maternidade, receio bem que sim.
Desculpem este meu desvario mas eu não tenho culpa de ser filho de uma mãe fumadora e que não teve aulas de amamentação, como foi proposto à minha filha, e de os meus pais não terem tido nenhum curso de paternidade (por apena 100 Euros).
Dou graças a Deus por ter sobrevivido até hoje, apesar de tudo.
Bush vs Kerry
Assisti aos 3 debates televisivos entre Bush e Kerry e, não obstante o que diz Luís Delgado, só vejo duas hipóteses:
Ou o povo americano é completamente imbecil, o que, infelizmente, não é uma hipótese a desprezar de todo, ou Kerry tem estas eleições no papo.
Ou o povo americano é completamente imbecil, o que, infelizmente, não é uma hipótese a desprezar de todo, ou Kerry tem estas eleições no papo.
2004-10-12
O discurso do nosso Primeiro Ministro
Tem sido mal interpretado, não há cidadão, comentador político ou económico que não lance as suas dúvidas e não saliente a sua incoerência com as palavras de Bagão Félix de há um mês.
Oh homens de pouca fé, então não vêem ?
Não se aperceberam que enquanto nós nos distraímos com a novela Marcelo Rebelo de Sousa, e com o empate contra o Lichen quê?, Santana Lopes trabalhava arduamente no que é importante para os portugueses e as portuguesas ?
Não viram como ele resolveu, neste último mês, com suor e muita competência, todos os nossos problemas financeiros ?
Pois foi, agora estão criadas as condições para a fartura.
Tudo o que seja trabalhar menos e ganhar mais, eu apoio com todas as minhas forças, não sou como aquele manhoso do Marcelo que só para destilar ódios pessoais se insurgiu contra a tolerância de ponto.
Contraditório
Tás mas é xéxé oh Nuno, não pode ser, ninguém é capaz de mudar num mês a situação de um défice financeiro descontrolado, os analistas têm razão, pá.
Oh homens de pouca fé, então não vêem ?
Não se aperceberam que enquanto nós nos distraímos com a novela Marcelo Rebelo de Sousa, e com o empate contra o Lichen quê?, Santana Lopes trabalhava arduamente no que é importante para os portugueses e as portuguesas ?
Não viram como ele resolveu, neste último mês, com suor e muita competência, todos os nossos problemas financeiros ?
Pois foi, agora estão criadas as condições para a fartura.
Tudo o que seja trabalhar menos e ganhar mais, eu apoio com todas as minhas forças, não sou como aquele manhoso do Marcelo que só para destilar ódios pessoais se insurgiu contra a tolerância de ponto.
Contraditório
Tás mas é xéxé oh Nuno, não pode ser, ninguém é capaz de mudar num mês a situação de um défice financeiro descontrolado, os analistas têm razão, pá.
2004-10-08
A pressão
Acho curioso como se discute a existência de eventual pressão neste episódio com Marcelo Rebelo de Sousa.
É uma mera questão de semântica, como em tantos casos.
Pressão ou pressões é o que não tem faltado neste caso: O discurso do Ministro Gomes da Silva foi inequivocamente uma pressão, bastante forte; a audiência de S. Exa o Presidente da República não deixa também de ser uma pressão, de sentido contrário, todas as declarações que se têm feito sobre o caso são também pressões e até eu estou aqui a tentar fazer uma micro-pressão.
A questão não é saber se houve ou não houve pressão do Governo ou do capital, isso houve sem dúvida nenhuma, a questão é saber se houve ou não houve chantagem, só isto.
Contraditório
Olha que não, Nuno; olha que não.
É uma mera questão de semântica, como em tantos casos.
Pressão ou pressões é o que não tem faltado neste caso: O discurso do Ministro Gomes da Silva foi inequivocamente uma pressão, bastante forte; a audiência de S. Exa o Presidente da República não deixa também de ser uma pressão, de sentido contrário, todas as declarações que se têm feito sobre o caso são também pressões e até eu estou aqui a tentar fazer uma micro-pressão.
A questão não é saber se houve ou não houve pressão do Governo ou do capital, isso houve sem dúvida nenhuma, a questão é saber se houve ou não houve chantagem, só isto.
Contraditório
Olha que não, Nuno; olha que não.
2004-10-07
2004-10-06
O ranking das escolas
Publicado, há dias, é uma coisa muito boa.
Agora, basta os pais dos alunos da escola Básica Integrada de Pampilhosa da Serra, tratarem de matricular os seus filhos no Colégio de Nossa Senhora da Boavista em Vila Real e fica tudo resolvido.
Agora, basta os pais dos alunos da escola Básica Integrada de Pampilhosa da Serra, tratarem de matricular os seus filhos no Colégio de Nossa Senhora da Boavista em Vila Real e fica tudo resolvido.
2004-10-02
5 de Outubro
É já na próxima terça feira, 5 de Outubro que sai o novo cd de Tom Waits: “Real Gone”.
Embora se possa comprar no escuro qualquer disco de Tom Waits, este já o ouvi e posso confirmar que é fabuloso.
Ah, também se comemora a implantação da República em Portugal, 5 de Outubro é de facto um dia a assinalar.
Embora se possa comprar no escuro qualquer disco de Tom Waits, este já o ouvi e posso confirmar que é fabuloso.
Ah, também se comemora a implantação da República em Portugal, 5 de Outubro é de facto um dia a assinalar.
2004-09-30
Esquerda e Direita
Enquanto intelectuais, comentadores e políticos se acotovelam para bem se posicionar à esquerda e à direita, o povo que os motiva continua com uma única preocupação, na dimensão vertical:
Só quer sair de baixo.
Só quer sair de baixo.
2004-09-29
Luis Delgado de novo
Na sua crónica de hoje no DN, Luis Delgado diz que Bush tem todas as condições para ter uma maioria mais folgada do que em 2000.
Esperemos que sim, porque, como é sabido, a maioria de 2000 teve tão pouca folga que, ao que parece, nem chegou a ser maioria.
Esperemos que sim, porque, como é sabido, a maioria de 2000 teve tão pouca folga que, ao que parece, nem chegou a ser maioria.
2004-09-24
Experiência
O meu primeiro Chefe dizia muito esta verdade:
Há pessoas que têm 20 anos de experiência, enquanto outras têm 1 ano, repetido 20 vezes.
Há pessoas que têm 20 anos de experiência, enquanto outras têm 1 ano, repetido 20 vezes.
2004-09-23
Já no tempo de Salazar
Se dizia que a carreira de um político se dividia em 3 fases:
A pista, a pasta e a posta.
Passados todos estes anos, em democracia, o sistema vai-se reconstituindo.
A pista, a pasta e a posta.
Passados todos estes anos, em democracia, o sistema vai-se reconstituindo.
2004-09-21
Tenho pena da Sra. Ministra da Educação
Sinceramente, sem qualquer ironia. A pobre foi chamada à pressa para o comando de um combóio desgovernado, onde nenhum dos botões em que carrega funciona já, fazendo esforços desesperados mas sabendo já que, mais dia menos dia, o comboio se despenha com ela dentro.
Entretanto, os maquinistas que deram cabo de tudo, contemplam, sãos e salvos, talvez sorrindo com alívio, enquanto aguardam, se é que não alcançaram já, o comando de outro combóio, este cheio de ouro e em marcha pachorrenta que não exige grande direcção.
Imagino o pandemónio que vai pelo gabinete da Sra. Ministra, os gritos e murros na mesa, as ameaças ao telefone, o gaguejar comprometido por aí a baixo na hierarquia, as emendas atarantadas, feitas a toque de caixa, cada vez piores que os sonetos e que vão inexoravelmente empurrando o combóio para o abismo.
Nos filmes de hollywood é assim, os leaderes notáveis que aí são retractados resolvem sistematicamente os problemas mais bicudos, por vezes a salvação do Universo, apenas com uma voz de comando determinada e enérgica:
- Quero, dentro de 45 minutos, uma lista de todos os que utilizaram pasta de dentes XYZ nas últimas 24 h, em todo o mundo.
- Mas isso é impossível, são milhões de pessoas, nos sítios mais recônditos,
- Isso é um problema seu, não admito não por resposta, o Sr.é pago para resolver estes problemas, venha a lista já.
E a lista aparece, certíssima, por vezes num écran de computador, com quilómetros de nomes e um título, em letras garrafais, a piscar ao cimo do écran dizendo "Lista de utilizadores de pasta de dentes XYZ".
Mas isto é em alguns filmes de hollywood, na realidade, por mais que o chefe grite e esbraceje a lista nunca aparece.
Infelizmente, Portugal começa a ser dominado a todos os níveis por gente cuja formação e experiência de direcção foi forjada exclusivamente a ver filmes desses.
Entretanto, os maquinistas que deram cabo de tudo, contemplam, sãos e salvos, talvez sorrindo com alívio, enquanto aguardam, se é que não alcançaram já, o comando de outro combóio, este cheio de ouro e em marcha pachorrenta que não exige grande direcção.
Imagino o pandemónio que vai pelo gabinete da Sra. Ministra, os gritos e murros na mesa, as ameaças ao telefone, o gaguejar comprometido por aí a baixo na hierarquia, as emendas atarantadas, feitas a toque de caixa, cada vez piores que os sonetos e que vão inexoravelmente empurrando o combóio para o abismo.
Nos filmes de hollywood é assim, os leaderes notáveis que aí são retractados resolvem sistematicamente os problemas mais bicudos, por vezes a salvação do Universo, apenas com uma voz de comando determinada e enérgica:
- Quero, dentro de 45 minutos, uma lista de todos os que utilizaram pasta de dentes XYZ nas últimas 24 h, em todo o mundo.
- Mas isso é impossível, são milhões de pessoas, nos sítios mais recônditos,
- Isso é um problema seu, não admito não por resposta, o Sr.é pago para resolver estes problemas, venha a lista já.
E a lista aparece, certíssima, por vezes num écran de computador, com quilómetros de nomes e um título, em letras garrafais, a piscar ao cimo do écran dizendo "Lista de utilizadores de pasta de dentes XYZ".
Mas isto é em alguns filmes de hollywood, na realidade, por mais que o chefe grite e esbraceje a lista nunca aparece.
Infelizmente, Portugal começa a ser dominado a todos os níveis por gente cuja formação e experiência de direcção foi forjada exclusivamente a ver filmes desses.
2004-09-20
Estou temporariamente sem tempo.
Passe a contradição.
Não leio, não escrevo, não penso, enfim, não nada.
Espero lá para o fim da semana recomeçar de novo, adquirindo tempo para nova temporada. O tempo o dirá.
Não leio, não escrevo, não penso, enfim, não nada.
Espero lá para o fim da semana recomeçar de novo, adquirindo tempo para nova temporada. O tempo o dirá.
2004-09-17
A terna agressividade portuguesa
Ouvi, mais ou menos, este diálogo:
- Eh pá meu filho da puta, tu fazes-me isso ?
- Faço, porra, já te disse, não mereces mas faço.
- És um gajo porreiro pá, és um amigo do caralho, obrigadinho pá.
Em qualquer parte do mundo isto dava briga séria, aliás, cá também, era só mudar o contexto e a entoação.
Neste caso traduzia uma amizade sincera.
- Eh pá meu filho da puta, tu fazes-me isso ?
- Faço, porra, já te disse, não mereces mas faço.
- És um gajo porreiro pá, és um amigo do caralho, obrigadinho pá.
Em qualquer parte do mundo isto dava briga séria, aliás, cá também, era só mudar o contexto e a entoação.
Neste caso traduzia uma amizade sincera.
2004-09-16
Nacionalidade portuguesa
Há coisas que sabemos mas que, de facto, não sabemos, desconhecemos os seus contornos a sua importância ou outras questões relacionadas. É um pouco como uma peça de um “puzzle” antes de encontrarmos o seu lugar junto das outras ou talvez aquela noção de Piaget de conhecimento acumulado e conhecimento equilibrado, o verdadeiro conhecimento.
Vem isto a propósito de um facto que me ensinaram há muitos anos, ainda na escola primária, como suponho terão ensinado a muitos de vós, que consiste em ser Portugal o país, com as mesmas fronteiras, mais antigo da Europa.
Sempre encarei isto como um “fait divers” , uma curiosidade, sem grande relevância, dita e redita para aumentar a nossa auto-estima, como se ser o mais antigo, por si só, fosse um facto digno de ser valorizado.
A primeira vez que essa informação assumiu em mim contornos diferentes foi, há já alguns anos, quando ouvi numa entrevista a Agostinho da Silva, este dizer que o grande mérito dos nossos primeiros reis foi terem descoberto onde estava Portugal, terem-no desenhado no mapa no seu exacto sítio.
Se por um acaso da história tivéssemos, por exemplo, perdido Trás-os-Montes e ganho a Andaluzia ainda estaríamos em Portugal ? Para Agostinho da Silva absolutamente não.
A Nacionalidade Portuguesa será feita assim desse binómio, povo e território.
Durante a minha estada na Polónia, essa singularidade portuguesa voltou à minha consciência, apercebi-me então que não somos apenas os mais antigos somos praticamente únicos na unidade desse binómio.
O povo e a identidade polaca é tão antiga como a nossa, no entanto em 2004 os polacos, ao contrário dos nossos primeiros reis, ainda não descobriram onde fica a Polónia.
Grande parte da Polónia de hoje ainda há 70 anos era Alemanha, mas antes, parte já havia sido polaca, e Prússica e austrohúngara, e parte do que já foi Polónia é hoje Ucrânia e Bielorússia.
E esta inconstância territorial é válida para as indiscutíveis Alemanha e França e esse arranjo territorial que se chama Espanha e o Reino Unido que por si só já é uma colagem como o nome indica, podemos dizê-lo, para toda a Europa, com a excepção deste nosso singular país.
Será que essa singularidade não confere à nacionalidade portuguesa um sentido diferente também único ?
Esta reflexão fez-me recordar um episódio que se passou comigo há muitos anos que mais tarde contarei.
Vem isto a propósito de um facto que me ensinaram há muitos anos, ainda na escola primária, como suponho terão ensinado a muitos de vós, que consiste em ser Portugal o país, com as mesmas fronteiras, mais antigo da Europa.
Sempre encarei isto como um “fait divers” , uma curiosidade, sem grande relevância, dita e redita para aumentar a nossa auto-estima, como se ser o mais antigo, por si só, fosse um facto digno de ser valorizado.
A primeira vez que essa informação assumiu em mim contornos diferentes foi, há já alguns anos, quando ouvi numa entrevista a Agostinho da Silva, este dizer que o grande mérito dos nossos primeiros reis foi terem descoberto onde estava Portugal, terem-no desenhado no mapa no seu exacto sítio.
Se por um acaso da história tivéssemos, por exemplo, perdido Trás-os-Montes e ganho a Andaluzia ainda estaríamos em Portugal ? Para Agostinho da Silva absolutamente não.
A Nacionalidade Portuguesa será feita assim desse binómio, povo e território.
Durante a minha estada na Polónia, essa singularidade portuguesa voltou à minha consciência, apercebi-me então que não somos apenas os mais antigos somos praticamente únicos na unidade desse binómio.
O povo e a identidade polaca é tão antiga como a nossa, no entanto em 2004 os polacos, ao contrário dos nossos primeiros reis, ainda não descobriram onde fica a Polónia.
Grande parte da Polónia de hoje ainda há 70 anos era Alemanha, mas antes, parte já havia sido polaca, e Prússica e austrohúngara, e parte do que já foi Polónia é hoje Ucrânia e Bielorússia.
E esta inconstância territorial é válida para as indiscutíveis Alemanha e França e esse arranjo territorial que se chama Espanha e o Reino Unido que por si só já é uma colagem como o nome indica, podemos dizê-lo, para toda a Europa, com a excepção deste nosso singular país.
Será que essa singularidade não confere à nacionalidade portuguesa um sentido diferente também único ?
Esta reflexão fez-me recordar um episódio que se passou comigo há muitos anos que mais tarde contarei.
2004-09-15
Os ricos que o governo odeia
Este artigo de João Paulo Guerra no Diário Económico põe o dedo mesmo no centro da ferida da actual política de "solidariedade" do governo.
Se não têm pachorra de ler o artigo todo (recomendado), deliciem-se com o parágrafo que transcrevo e que resume a essência da tese de João Paulo Guerra.
"Os pobres dos ricos que vivem em habitação própria e têm segunda e terceira casas para os tempos de lazer, os que frequentam consultórios particulares, no país ou no estrangeiro, os que se deslocam em carros de alta cilindrada – sinal da retoma –, nada têm que temer. Agora, os ricos que esperam por um transporte, para depois viajarem como sardinha em lata, os poderosos que aguardam um dia inteiro por um olhar apressado de um médico num hospital ou num posto de saúde, os opulentos que habitam decrépitas assoalhadas num prédio a ruir na «baixa» de Lisboa ou do Porto, esses ricos estão feitos. Esses ricos vão pagar a crise. A crise dos pobres propriamente ditos e a dos pobres dos ricos."
Se não têm pachorra de ler o artigo todo (recomendado), deliciem-se com o parágrafo que transcrevo e que resume a essência da tese de João Paulo Guerra.
"Os pobres dos ricos que vivem em habitação própria e têm segunda e terceira casas para os tempos de lazer, os que frequentam consultórios particulares, no país ou no estrangeiro, os que se deslocam em carros de alta cilindrada – sinal da retoma –, nada têm que temer. Agora, os ricos que esperam por um transporte, para depois viajarem como sardinha em lata, os poderosos que aguardam um dia inteiro por um olhar apressado de um médico num hospital ou num posto de saúde, os opulentos que habitam decrépitas assoalhadas num prédio a ruir na «baixa» de Lisboa ou do Porto, esses ricos estão feitos. Esses ricos vão pagar a crise. A crise dos pobres propriamente ditos e a dos pobres dos ricos."
2004-09-13
Desilusão
Acabei de ouvir a triste comunicação do Sr. Ministro das Finanças.
Admiro a honestidade mas não posso esconder a desilusão.
O Sr. Ministro teve a coragem de assumir que não tinha poderes mágicos e que gerir as finanças públicas era como gerir um orçamento familiar.
Só lhe resta assumir também as consequências desta confissão:
Sem poderes mágicos, Dr. Bagão Félix, parece que não precisamos de si e, de acordo com a sua análise, não restam dúvidas que a Fátima, a minha mulher, deverá assumir imediatamente o Ministério, ninguém gere melhor que ela um orçamento familiar.
Admiro a honestidade mas não posso esconder a desilusão.
O Sr. Ministro teve a coragem de assumir que não tinha poderes mágicos e que gerir as finanças públicas era como gerir um orçamento familiar.
Só lhe resta assumir também as consequências desta confissão:
Sem poderes mágicos, Dr. Bagão Félix, parece que não precisamos de si e, de acordo com a sua análise, não restam dúvidas que a Fátima, a minha mulher, deverá assumir imediatamente o Ministério, ninguém gere melhor que ela um orçamento familiar.
2004-09-12
Segundo nos informa a publicidade
Ao fim de longos anos de aturada investigação nos mais sofisticados laboratórios, alguns detergentes parece que estão quase a chegar muito próximo do nível qualitativo do sabão macaco.
É obra.
É obra.
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