Mais um candidato à liderança do PS entrevistado por Judite de Sousa.
Com este não brinco, tenho-o por homem sério, com um percurso de vida notável ao serviço da sua razão temperada com uma notável sensibilidade poética..
Apenas lamento que no seu discurso permaneça a fidelidade ao fantasma denominado esquerda, sempre ocupado na luta contra o outro fantasma chamado direita e com uma fé inquebrantável noutro fantasma chamado "democracia".
Enquanto se degladia com fantasmas outros irão manipular instrumentos de carne e osso e tudo continuará com Manuel Alegre no Olimpo, respeitado sim, mas significando nada.
2004-07-30
2004-07-29
Mensagens
Já nem reparo naquelas mensagens doentias que a lei manda pôr nos maços de cigarro.
Ontem porém, reparei numa mensagem, para mim, nova que dizia o seguinte:
“O fumo contem benzeno, nitrosaminas, formaldeído e cianeto de hidrogénio”
Creio que pouca gente sabe interpretar o significado profundo da presença dessas substâncias no fumo do tabaco mas conhecendo o objectivo desmobilizador dessas mensagens, presumo que serão tudo venenos de alto calibre.
Só uma coisa me sossegou: pelo menos o fumo parece não conter os tenebrosos bífidos activos, os glutões verdes ou o sinistro ómega 3 que estão presentes noutros produtos que se vendem impunemente no mercado.
Ontem porém, reparei numa mensagem, para mim, nova que dizia o seguinte:
“O fumo contem benzeno, nitrosaminas, formaldeído e cianeto de hidrogénio”
Creio que pouca gente sabe interpretar o significado profundo da presença dessas substâncias no fumo do tabaco mas conhecendo o objectivo desmobilizador dessas mensagens, presumo que serão tudo venenos de alto calibre.
Só uma coisa me sossegou: pelo menos o fumo parece não conter os tenebrosos bífidos activos, os glutões verdes ou o sinistro ómega 3 que estão presentes noutros produtos que se vendem impunemente no mercado.
2004-07-27
Não suporto mais
Ver ler e ouvir minutos a fio em todos os noticiários imagens do meu país a arder.
Ver ler e ouvir as estafadas explicações sobre a falta de limpeza das matas, as beatas deitadas dos carros e os foguetes das festas de aldeia.
O fogo faz parte do ecossistema mediterrâneo mas não é deste fogo ou destes fogos naturais que estamos a falar, o que vejo leio e ouço é um triste holocausto ao deus capital da indústria dos fogos, é outra escala, é outra coisa, não tem nada a ver.
As limpezas de mata, os foguetes, os cigarros (estes então têm as costas larguíssimas, conheço estudos que demonstram que é muito difícil atear um fogo em restolho seco com uma beata a arder, como sabe aliás quem já acendeu uma fogueira) aumentam o risco numa percentagem mas são incapazes de multiplicar por 5 ou por 10 a dimensão dos incêndios a que assistimos: estamos numa escala de loucura.
Não é preciso investigar para saber que fogos nesta escala, articulados, organizados, com várias frentes colossais, concentrando-se sucessivamente em zonas específicas a massacrar não nascem na natureza.
Ver ler e ouvir as estafadas explicações sobre a falta de limpeza das matas, as beatas deitadas dos carros e os foguetes das festas de aldeia.
O fogo faz parte do ecossistema mediterrâneo mas não é deste fogo ou destes fogos naturais que estamos a falar, o que vejo leio e ouço é um triste holocausto ao deus capital da indústria dos fogos, é outra escala, é outra coisa, não tem nada a ver.
As limpezas de mata, os foguetes, os cigarros (estes então têm as costas larguíssimas, conheço estudos que demonstram que é muito difícil atear um fogo em restolho seco com uma beata a arder, como sabe aliás quem já acendeu uma fogueira) aumentam o risco numa percentagem mas são incapazes de multiplicar por 5 ou por 10 a dimensão dos incêndios a que assistimos: estamos numa escala de loucura.
Não é preciso investigar para saber que fogos nesta escala, articulados, organizados, com várias frentes colossais, concentrando-se sucessivamente em zonas específicas a massacrar não nascem na natureza.
2004-07-26
2004-07-24
Sexta-feira negra
Para além de Paredes, como muitos blogues assinalam, morreu também ontem Serge Reggiani.
Também Sacha Distel nos deixou ontem, embora este me diga muito pouco.
Também Sacha Distel nos deixou ontem, embora este me diga muito pouco.
2004-07-23
João Soares tem a solução
Acabei de ver a entrevista de Judite de Sousa a João Soares como candidato a Secretário geral do PS.
Retive que João Soares tem uma ideia firme: defender o direito das mulheres, com ele o Governo terá 50% de mulheres.
Comprometeu-se mesmo nesse propósito com o povo português.
Penso que esta é a resposta correcta a Santana Lopes que colocou apenas algumas “santanetes” no Governo.
Com João Soares podemos estar certos que teremos um Governo cheio de “joanetes”
Retive que João Soares tem uma ideia firme: defender o direito das mulheres, com ele o Governo terá 50% de mulheres.
Comprometeu-se mesmo nesse propósito com o povo português.
Penso que esta é a resposta correcta a Santana Lopes que colocou apenas algumas “santanetes” no Governo.
Com João Soares podemos estar certos que teremos um Governo cheio de “joanetes”
Está descoberto o mistério
O critério para a desconcentração do Governo parece que é o da residência dos Secretários de Estado a deslocar que assim, aliás, não se deslocam, permitindo-lhes continuar a tomar a bica no café habitual e ter o prazer de ouvir o Sr. Fonseca perguntar:
- Quer a chávena escaldada Sr. Secretário de Estado ?
Os assuntos de Estado são deste modo tratados com muito mais amor e carinho.
É a tão desejada humanização da infernal máquina da governação.
- Quer a chávena escaldada Sr. Secretário de Estado ?
Os assuntos de Estado são deste modo tratados com muito mais amor e carinho.
É a tão desejada humanização da infernal máquina da governação.
2004-07-21
O nosso novo Primeiro Ministro
O nosso novo Primeiro Ministro tem um pequeno problema: espalha-se um bocadinho, quero dizer espalha-se um bocado, enfim, espalha-se muito, pronto, é a cada passo, já disse.
2004-07-20
A minha Pátria é a Língua Portuguesa
Vou-lhes contar uma pequena história passada em Szczecin, no Noroeste da Polónia, mais precisamente na chamada Pomerânia.
Para um ou outro leitor menos familiarizado com o polaco adiantaria que o SZ se pronuncia mais ou menos como X em português, o CZ como TX (ou o CH transmontano) e o C como TS. Com estes pequenos rudimentos de informação penso que se torna pronunciável aquele arrazoado de consoantes que denomina a cidade de Szczecin.
Acabado de fazer o meu “check in” num hotel de Szczecin, telefono à minha mulher para lhe dar conta de que estava vivo e bem e, quando termino esta chamada, sou surpreendido pela simpática e bonita recepcionista que me pergunta com toada brasileira:
Fala português ?
Logo lhe disse que sim, naturalmente, dado que até era português como constava no passaporte que ele tinha acabado de consultar. O surpreendente mesmo é que ela o falasse com fluência, sendo polaca.
Logo me contou a história da sua vida, vivida parcialmente no Brasil, história essa que não obstante o seu interesse é totalmente irrelevante para o que quero dizer aqui.
O que importa é que desse momento em diante passei a ser VIP naquele hotel e era um imenso prazer, no meio dos franceses e polacos que me acompanhavam, poder ter aqueles momentos de privacidade no meio do público.
Mais do que a comunicação privilegiada que pude estabelecer o mais importante, para mim, foi a comunicação que se deixou de estabelecer com os meus companheiros, permitindo-me, pela primeira vez, estabelecer uns momentos de comunicação exclusiva, reservada e íntima.
Nestas férias que acabei de passar, durante o EURO, o local transbordava de estrangeiros das mais diferentes origens e muitas vezes tentei adivinhar curioso que comentários teceriam aqueles Suecos, Dinamarqueses ou Noruegueses, dado que nem esse pequeno segredo consegui desvendar ao certo.
Por outro lado o inglês que se ouvia por todo lado era transparente incapaz de esconder qualquer segredo, nunca aqueles anglófonos poderão sentir aquele pequeno prazer que eu senti em Szczecin.
Foi então que se me tornou mais clara a expressão de Pessoa que coloquei em título, a língua é de facto muito mais do que um código de comunicação está mesmo na essência da nossa identidade.
Tive então alguma pena dos ingleses, americanos etc pelo enorme esforço que fazem para dar a sua língua a todo o mundo mas, ao fazê-lo, é um pouco da sua identidade que oferecem também e que vão perdendo para si.
Para um ou outro leitor menos familiarizado com o polaco adiantaria que o SZ se pronuncia mais ou menos como X em português, o CZ como TX (ou o CH transmontano) e o C como TS. Com estes pequenos rudimentos de informação penso que se torna pronunciável aquele arrazoado de consoantes que denomina a cidade de Szczecin.
Acabado de fazer o meu “check in” num hotel de Szczecin, telefono à minha mulher para lhe dar conta de que estava vivo e bem e, quando termino esta chamada, sou surpreendido pela simpática e bonita recepcionista que me pergunta com toada brasileira:
Fala português ?
Logo lhe disse que sim, naturalmente, dado que até era português como constava no passaporte que ele tinha acabado de consultar. O surpreendente mesmo é que ela o falasse com fluência, sendo polaca.
Logo me contou a história da sua vida, vivida parcialmente no Brasil, história essa que não obstante o seu interesse é totalmente irrelevante para o que quero dizer aqui.
O que importa é que desse momento em diante passei a ser VIP naquele hotel e era um imenso prazer, no meio dos franceses e polacos que me acompanhavam, poder ter aqueles momentos de privacidade no meio do público.
Mais do que a comunicação privilegiada que pude estabelecer o mais importante, para mim, foi a comunicação que se deixou de estabelecer com os meus companheiros, permitindo-me, pela primeira vez, estabelecer uns momentos de comunicação exclusiva, reservada e íntima.
Nestas férias que acabei de passar, durante o EURO, o local transbordava de estrangeiros das mais diferentes origens e muitas vezes tentei adivinhar curioso que comentários teceriam aqueles Suecos, Dinamarqueses ou Noruegueses, dado que nem esse pequeno segredo consegui desvendar ao certo.
Por outro lado o inglês que se ouvia por todo lado era transparente incapaz de esconder qualquer segredo, nunca aqueles anglófonos poderão sentir aquele pequeno prazer que eu senti em Szczecin.
Foi então que se me tornou mais clara a expressão de Pessoa que coloquei em título, a língua é de facto muito mais do que um código de comunicação está mesmo na essência da nossa identidade.
Tive então alguma pena dos ingleses, americanos etc pelo enorme esforço que fazem para dar a sua língua a todo o mundo mas, ao fazê-lo, é um pouco da sua identidade que oferecem também e que vão perdendo para si.
2004-07-19
... Liberdade Política:
Que devemos entender por esta expressão ? A libertação do indivíduo em relação ao Estado e as suas leis ? Não, pelo contrário: a sujeição do indivíduo ao Estado e às suas leis. Porque razão se fala então de liberdade ?...
Max Stirner - “O Único e a Sua Propriedade” (finalmente uma edição em português, graças à Antígona)
Max Stirner - “O Único e a Sua Propriedade” (finalmente uma edição em português, graças à Antígona)
2004-07-18
Ninguém viu
A dança dos nomes dos ministérios atraíram algum interesse da comunicação social.
O espanto de Paulo Portas por saber, no exacto momento da posse, que era ministro não só da defesa mas também dos assuntos do mar, foi amplamente comentado. Quem discutia se era a baleia ou o tubarão branco o rei dos mares desiluda-se, agora o rei dos mares, que vela por todos os assuntos, é Paulo Portas e, diga-se de passagem, eu acho que é claríssimo que Paulo Portas é bem mais capaz para tratar desses assuntos do que qualquer tubarão pretensioso, foi uma decisão muito acertada de Santana Lopes.
Pacheco Pereira, na Quadratura do Circulo, disse que só uma mudança de nome de um ministério provoca custos desnecessários e uma enorme perturbação na máquina da administração: Está completamente enganado, são essas alterações orgânicas dos ministérios que justificam a máquina pesada da função pública, que se rebola de prazer, por ter qualquer coisa “importante” para se entreter.
Exercer finalmente os seus poderzinhos, rejeitar uma informação, laboriosamente construída, porque no cabeçalho não consta a família e a criança na Segurança Social, como é possível estar-se tão distraído ?
São estas mudanças que alimentam e deleitam “O Castelo”, preenchem enormes tempos de lazer, alimentam anedotas privadas, facilitam lutas contra a hierarquia, permitem remoques sobre a competência ou incompetência dos colegas.
Venham assim estas alterações que transforma uma penosa marcha para a frente numa interessante e divertida ginástica aeróbica ao som da música.
Essas mudanças, todavia, também têm outra função, dão sinais claros sobre a forma como se encara o país e as suas prioridades e é neste domínio que interpreto uma mudança de nome que não perturbou ninguém: a do Ministério da Agricultua Desenvolvimento Rural e Pescas que passa a Ministério da Agricultura, Pescas e Florestas.
O desenvolvimento rural, segundo pilar da PAC, de importância crescente na Europa, termina a sua lenta agonia em Portugal, já nem no nome fica, é a estocada final, caso não venha a UE trazer algum balão de oxigénio.
O espanto de Paulo Portas por saber, no exacto momento da posse, que era ministro não só da defesa mas também dos assuntos do mar, foi amplamente comentado. Quem discutia se era a baleia ou o tubarão branco o rei dos mares desiluda-se, agora o rei dos mares, que vela por todos os assuntos, é Paulo Portas e, diga-se de passagem, eu acho que é claríssimo que Paulo Portas é bem mais capaz para tratar desses assuntos do que qualquer tubarão pretensioso, foi uma decisão muito acertada de Santana Lopes.
Pacheco Pereira, na Quadratura do Circulo, disse que só uma mudança de nome de um ministério provoca custos desnecessários e uma enorme perturbação na máquina da administração: Está completamente enganado, são essas alterações orgânicas dos ministérios que justificam a máquina pesada da função pública, que se rebola de prazer, por ter qualquer coisa “importante” para se entreter.
Exercer finalmente os seus poderzinhos, rejeitar uma informação, laboriosamente construída, porque no cabeçalho não consta a família e a criança na Segurança Social, como é possível estar-se tão distraído ?
São estas mudanças que alimentam e deleitam “O Castelo”, preenchem enormes tempos de lazer, alimentam anedotas privadas, facilitam lutas contra a hierarquia, permitem remoques sobre a competência ou incompetência dos colegas.
Venham assim estas alterações que transforma uma penosa marcha para a frente numa interessante e divertida ginástica aeróbica ao som da música.
Essas mudanças, todavia, também têm outra função, dão sinais claros sobre a forma como se encara o país e as suas prioridades e é neste domínio que interpreto uma mudança de nome que não perturbou ninguém: a do Ministério da Agricultua Desenvolvimento Rural e Pescas que passa a Ministério da Agricultura, Pescas e Florestas.
O desenvolvimento rural, segundo pilar da PAC, de importância crescente na Europa, termina a sua lenta agonia em Portugal, já nem no nome fica, é a estocada final, caso não venha a UE trazer algum balão de oxigénio.
2004-07-17
E agora Nuno ?
A festa acabou ... mas a vida continua.Reinicio o blogue, não com a energia que esperava mas ainda assim com boa vontade e, para já, com uma cara nova.
2004-06-27
Parece que todos acordaram de um sonho
Neste pequeno intervalo nas minhas férias, percorro furiosamente todos os blogs habituais e noto uma ansiedade descabida:
O Abruto demonstra mesmo tendências suicidas.
Parece que o Durão aceita o cargo de Presidente da Comissão !
Parece que Santana Lopes pode vir a ser o novo Primeiro Ministro !
Está tudo maluco ?
Acalmem-se colegas, está tudo na mesma, Portugal também tem direito ao seu Bush, porque não ?
A degradação, mediocridade e incompetência que domina a classe política e dirigente há muito que se instalou em Portugal e não só.
No fundo até é bom que todos vejam depressa as suas verdadeiras cores, talvez seja o princípio do fim, embora receie que ainda haja muito para degradar.
Isto é apenas um passo lógico, na cadeia de motivações que guia esses senhores.
No passa nada.
O Abruto demonstra mesmo tendências suicidas.
Parece que o Durão aceita o cargo de Presidente da Comissão !
Parece que Santana Lopes pode vir a ser o novo Primeiro Ministro !
Está tudo maluco ?
Acalmem-se colegas, está tudo na mesma, Portugal também tem direito ao seu Bush, porque não ?
A degradação, mediocridade e incompetência que domina a classe política e dirigente há muito que se instalou em Portugal e não só.
No fundo até é bom que todos vejam depressa as suas verdadeiras cores, talvez seja o princípio do fim, embora receie que ainda haja muito para degradar.
Isto é apenas um passo lógico, na cadeia de motivações que guia esses senhores.
No passa nada.
Mea culpa
Afinal Scolari did it
Não é que a equipa começou a jogar a sério e com vontade de ganhar jogos.
O segredo creio que está num sentimento ou atitude que invadiu o país e chegou à selecção: chama-se entusiasmo.
Eis uma bela palavra que julgo querer dizer qualquer coisa como “possuído por Deus”, mas nestas coisas de etimologia quem sabe é a Charlotte.
Seja como for ele está aí, o entusiasmo, e a manter-se poderemos ir ainda mais longe. Oxalá.
Não é que a equipa começou a jogar a sério e com vontade de ganhar jogos.
O segredo creio que está num sentimento ou atitude que invadiu o país e chegou à selecção: chama-se entusiasmo.
Eis uma bela palavra que julgo querer dizer qualquer coisa como “possuído por Deus”, mas nestas coisas de etimologia quem sabe é a Charlotte.
Seja como for ele está aí, o entusiasmo, e a manter-se poderemos ir ainda mais longe. Oxalá.
2004-06-15
Blog de férias
Este blog parte para merecidas férias no Algarve esperando regressar cheio de força logo que encontre acesso à net, no máximo dentro de 1 mês ou talvez um pouco antes.
2004-06-13
O desaire com a Grécia
O meu raciocínio sobre esta importante questão nacional é o seguinte:
Portugal tem uma equipa medíocre, provam-no os sucessivos resultados em jogos amigáveis e oficiais de há cerca de 3 anos até aqui.
Isto apesar de ter, também indiscutivelmente, vários valores individuais.
Face a isto a perspectiva para este europeu é frágil, residindo toda a esperança em apenas dois aspectos.
1. A capacidade de Scolari, também indiscutível e de provas dadas, para nos poucos dias de treino conjunto construir uma equipa.
2. O apoio subtil da organização, através, sobretudo, dos árbitros para favorecer a equipa anfitriã, evitando a sua eliminação precoce e o consequente desastre financeiro.
Antes do primeiro jogo desconhecia o que Scolari tinha podido fazer e a escolha do galáctico incorruptível Colina era um péssimo presságio, foi uma infeliz opção da UEFA que confiou o resultado exclusivamente às equipas e ao seu jogo.
O trabalho de Scolari não funcionou e a mediocridade natural da equipa veio ao de cima, perdemos.
Vamos ver com a Rússia, estou confiante no sistema e apenas neste, Scolari já não tem tempo, resta-nos o trabalho do árbitro que tem que nos favorecer e merecemos carago, já fomos muitas vezes prejudicados por esse mesmo factor, isto no tempo em que jogávamos bem melhor e onde o Colina imparcial nos servia bem.
Portugal tem uma equipa medíocre, provam-no os sucessivos resultados em jogos amigáveis e oficiais de há cerca de 3 anos até aqui.
Isto apesar de ter, também indiscutivelmente, vários valores individuais.
Face a isto a perspectiva para este europeu é frágil, residindo toda a esperança em apenas dois aspectos.
1. A capacidade de Scolari, também indiscutível e de provas dadas, para nos poucos dias de treino conjunto construir uma equipa.
2. O apoio subtil da organização, através, sobretudo, dos árbitros para favorecer a equipa anfitriã, evitando a sua eliminação precoce e o consequente desastre financeiro.
Antes do primeiro jogo desconhecia o que Scolari tinha podido fazer e a escolha do galáctico incorruptível Colina era um péssimo presságio, foi uma infeliz opção da UEFA que confiou o resultado exclusivamente às equipas e ao seu jogo.
O trabalho de Scolari não funcionou e a mediocridade natural da equipa veio ao de cima, perdemos.
Vamos ver com a Rússia, estou confiante no sistema e apenas neste, Scolari já não tem tempo, resta-nos o trabalho do árbitro que tem que nos favorecer e merecemos carago, já fomos muitas vezes prejudicados por esse mesmo factor, isto no tempo em que jogávamos bem melhor e onde o Colina imparcial nos servia bem.
2004-06-12
2004-06-11
Reflexões sobre um momento
Acabo de ver o noticiário da RTP da hora do almoço.
Assisto à reportagem sobre o “super bock super rock”.
Uma jornalista interroga uma adolescente sobre o concerto de Avril Lavigne.
A moça responde cantando:
- Don’t even try to tell me what to do; don’t even try to tell me what to say.
Assisto a esta declaração com “mixed feelings”: admiro essa adolescente por se sobrepor à jornalista, no seu minuto de fama, com a emoção proporcionada por essa mensagem sublime que lhe diz: “Sê tu própria”, a mesma mensagem de José Régio no seu Cântico Negro. No entanto, esta concreta mensagem, neste caso parte de Avril Lavigne, que, ao contrário de Régio não faz, nem dá nenhum passo que lhe não seja ditado. E receio que essa adolescente não compreenda a verdadeira dimensão do seu acto.
Nesse momento, telefona o Adriano dizendo que vai ao “Super bock Super Rock” porque a pressão dos seus amigos é muito grande.
Eu também sei que este evento está uns pontos acima do “Rock em Rio”, mas na realidade só uns míseros pequenos pontos.
Resumo assim esta minha reflexão: deixa estes macacos-deuses resolverem as suas próprias contradições, não me cabe a mim mais papel do que o de atirar algumas pequenas achas para a fogueira.
Assisto à reportagem sobre o “super bock super rock”.
Uma jornalista interroga uma adolescente sobre o concerto de Avril Lavigne.
A moça responde cantando:
- Don’t even try to tell me what to do; don’t even try to tell me what to say.
Assisto a esta declaração com “mixed feelings”: admiro essa adolescente por se sobrepor à jornalista, no seu minuto de fama, com a emoção proporcionada por essa mensagem sublime que lhe diz: “Sê tu própria”, a mesma mensagem de José Régio no seu Cântico Negro. No entanto, esta concreta mensagem, neste caso parte de Avril Lavigne, que, ao contrário de Régio não faz, nem dá nenhum passo que lhe não seja ditado. E receio que essa adolescente não compreenda a verdadeira dimensão do seu acto.
Nesse momento, telefona o Adriano dizendo que vai ao “Super bock Super Rock” porque a pressão dos seus amigos é muito grande.
Eu também sei que este evento está uns pontos acima do “Rock em Rio”, mas na realidade só uns míseros pequenos pontos.
Resumo assim esta minha reflexão: deixa estes macacos-deuses resolverem as suas próprias contradições, não me cabe a mim mais papel do que o de atirar algumas pequenas achas para a fogueira.
2004-06-09
Autocensura
Tinha para hoje um poste prontinho, sarcástico, mesmo jocoso, sobre as próxima eleições para o Parlamento Europeu onde arrasava, à minha maneira, todos os cabeças de lista.
A trágica morte de Sousa Franco impede-me de brincar e, falando sério, há apenas 2 cabeças de lista por quem nutro algum respeito: precisamente Sousa Franco e também Ilda Figueiredo.
Creio que são ou eram os únicos que levavam estas eleições a sério e que queriam ir para a Europa para , a seu modo, lutar por aquilo que acham mais justo.
Sousa Franco já lá não vai chegar mas fico com grata memória de ver que morreu a lutar até ao fim, ainda que numa luta inglória e inútil.
A trágica morte de Sousa Franco impede-me de brincar e, falando sério, há apenas 2 cabeças de lista por quem nutro algum respeito: precisamente Sousa Franco e também Ilda Figueiredo.
Creio que são ou eram os únicos que levavam estas eleições a sério e que queriam ir para a Europa para , a seu modo, lutar por aquilo que acham mais justo.
Sousa Franco já lá não vai chegar mas fico com grata memória de ver que morreu a lutar até ao fim, ainda que numa luta inglória e inútil.
2004-06-08
O Trânsito de Vénus
Recebi, recentemente, por herança, um velho relógio pendular de sala.
Imagino-me um membro de uma comunidade de bactérias, mais ou menos, inteligentes, com um horizonte de vida de 5 minutos e que vivem no meu relógio.
Uma vez em cada geração o meu povo vai assistir a um fenómeno raro, vai ver o ponteiro de minutos cruzar sobre o traço que está assinalado no mostrador.
Há gerações infelizes que não vêm esse espectáculo, porque nasceram exactamente depois de um cruzamento e morreram exactamente antes do próximo. São gerações raras e notáveis mas vão lamentar essa peculiaridade.
E, dizem os sábios bacterianos que de 6 em 6 gerações alguns afortunados vão assistir a um espectáculo magnifico, uns trânsitos especiais onde se pode ouvir nesse exacto momento uma ou mais intensas badaladas, entre uma e doze dizem, eu não sei bem mas os cientistas do meu povo têm tudo registado.
Há registos históricos de bactérias afortunadas que ouviram 12 badaladas Isto só acontece de 144 em 144 gerações.
E ao longo do caminho do ponteiro dos minutos há vários riscos e pontos de desgaste no relógio (é um relógio já bastante antigo dos avós da minha mulher) que o ponteiro vai percorrer e que as bactérias se apreçam a ver se puderem e se estiverem no lugar certo do relógio.
Eu, neste relógio cósmico, não sendo astrónomo e não me preocupando com a medida da unidade astronómica que ainda tem um erro de cerca de 30 Km que talvez se anule agora, não quero saber do trânsito de Vénus, sei que para o ano, todos os anos, vão haver outros momentos raros, na verdade todos os momentos são raros e únicos porque nunca se repetem mais.
Ainda por cima o trânsito de Vénus nem sequer toca badaladas.
Imagino-me um membro de uma comunidade de bactérias, mais ou menos, inteligentes, com um horizonte de vida de 5 minutos e que vivem no meu relógio.
Uma vez em cada geração o meu povo vai assistir a um fenómeno raro, vai ver o ponteiro de minutos cruzar sobre o traço que está assinalado no mostrador.
Há gerações infelizes que não vêm esse espectáculo, porque nasceram exactamente depois de um cruzamento e morreram exactamente antes do próximo. São gerações raras e notáveis mas vão lamentar essa peculiaridade.
E, dizem os sábios bacterianos que de 6 em 6 gerações alguns afortunados vão assistir a um espectáculo magnifico, uns trânsitos especiais onde se pode ouvir nesse exacto momento uma ou mais intensas badaladas, entre uma e doze dizem, eu não sei bem mas os cientistas do meu povo têm tudo registado.
Há registos históricos de bactérias afortunadas que ouviram 12 badaladas Isto só acontece de 144 em 144 gerações.
E ao longo do caminho do ponteiro dos minutos há vários riscos e pontos de desgaste no relógio (é um relógio já bastante antigo dos avós da minha mulher) que o ponteiro vai percorrer e que as bactérias se apreçam a ver se puderem e se estiverem no lugar certo do relógio.
Eu, neste relógio cósmico, não sendo astrónomo e não me preocupando com a medida da unidade astronómica que ainda tem um erro de cerca de 30 Km que talvez se anule agora, não quero saber do trânsito de Vénus, sei que para o ano, todos os anos, vão haver outros momentos raros, na verdade todos os momentos são raros e únicos porque nunca se repetem mais.
Ainda por cima o trânsito de Vénus nem sequer toca badaladas.
2004-06-06
Equívoco perigoso
O cidadão comum, os media e todos os intervenientes no espectáculo, vêm, cada vez mais, identificando democracia com eleições ou processo eleitoral. Consideram, sem discussão, mais legítimo o poder que deriva de eleições do que aquele que tem outras fundamentações.
Tem sido esta crença discutível e, como tal, permito-me aceitar facilmente quem assim pense, embora discorde.
Começo a preocupar-me quando assisto à sua elevação ao estatuto de dogma, tornando essa questão, precisamente, indiscutível.
Observam-se fortes sinais nesse sentido quando se vê um suposto professor, especialista em democracia, no programa do Jo no GNT afirmar que a antiga Grécia teve grande importância na construção da democracia ao inventar o sufrágio universal !?
Porque livros terá estudado o Sr. Professor ? em que vestígios históricos se terá fundamentado ? Porque de tudo o que vejo e leio, Atenas através de Sólon e principalmente de Clístenes deu, de facto, os primeiros passos na democracia, podemos mesmo dizer que inventou a democracia: o governo fundamentado no “demos” (povo), mas nunca se baseou no sufrágio e muito menos universal.
Atenas fundou uma Democracia Escravista, o “demos” (povo) não incluía mulheres nem a vasta população de escravos que trabalhavam para que o “demos” tivesse o necessário lazer par se dedicar à democracia, não era assim universal, nem por aproximação.Grande parte do trabalho de Sólon consistiu precisamente na tentativa de identificação do “demos” com todos os atenienses machos, limitando a escravatura a estrangeiros.
Na reforma de Clístenes, geralmente considerado como o inventor da democracia, os 500 membros do Conselho (mais ou menos o parlamento) eram sorteados entre todos os membros do “demos” com mais de 30 anos, logo, sufrágio, não havia.
Tinha ainda a “Ecclesia” (assembleia popular) onde todos os membros masculinos do “demos”, com mais de 20 anos participavam.
Portanto Clístenes fez um trabalho notabilíssimo mas não inventou nenhum sufrágio universal, antes pelo contrário, o seu sistema estava mais próximo daquilo a que se chama hoje democracia directa.
A essência do pensamento dos atenienses notáveis que conceberam a democracia, limitava-se à noção de que deve ser o povo a conduzir o seu próprio destino.
Seguindo os ensinamentos destes mestres deveremos compreender que, eleições são apenas um método, entre outros, para operacionalizar a democracia, nunca a sua fundamentação.
Tem sido esta crença discutível e, como tal, permito-me aceitar facilmente quem assim pense, embora discorde.
Começo a preocupar-me quando assisto à sua elevação ao estatuto de dogma, tornando essa questão, precisamente, indiscutível.
Observam-se fortes sinais nesse sentido quando se vê um suposto professor, especialista em democracia, no programa do Jo no GNT afirmar que a antiga Grécia teve grande importância na construção da democracia ao inventar o sufrágio universal !?
Porque livros terá estudado o Sr. Professor ? em que vestígios históricos se terá fundamentado ? Porque de tudo o que vejo e leio, Atenas através de Sólon e principalmente de Clístenes deu, de facto, os primeiros passos na democracia, podemos mesmo dizer que inventou a democracia: o governo fundamentado no “demos” (povo), mas nunca se baseou no sufrágio e muito menos universal.
Atenas fundou uma Democracia Escravista, o “demos” (povo) não incluía mulheres nem a vasta população de escravos que trabalhavam para que o “demos” tivesse o necessário lazer par se dedicar à democracia, não era assim universal, nem por aproximação.Grande parte do trabalho de Sólon consistiu precisamente na tentativa de identificação do “demos” com todos os atenienses machos, limitando a escravatura a estrangeiros.
Na reforma de Clístenes, geralmente considerado como o inventor da democracia, os 500 membros do Conselho (mais ou menos o parlamento) eram sorteados entre todos os membros do “demos” com mais de 30 anos, logo, sufrágio, não havia.
Tinha ainda a “Ecclesia” (assembleia popular) onde todos os membros masculinos do “demos”, com mais de 20 anos participavam.
Portanto Clístenes fez um trabalho notabilíssimo mas não inventou nenhum sufrágio universal, antes pelo contrário, o seu sistema estava mais próximo daquilo a que se chama hoje democracia directa.
A essência do pensamento dos atenienses notáveis que conceberam a democracia, limitava-se à noção de que deve ser o povo a conduzir o seu próprio destino.
Seguindo os ensinamentos destes mestres deveremos compreender que, eleições são apenas um método, entre outros, para operacionalizar a democracia, nunca a sua fundamentação.
2004-06-04
Um poste essencial
Respigado de Bengelsdorf, letra por letra.
Opinião rara
As pessoas já não morrem, existem só as coisas que as matam. Isto não está certo e não me parece bem.
Vincent Bengelsdorf
Opinião rara
As pessoas já não morrem, existem só as coisas que as matam. Isto não está certo e não me parece bem.
Vincent Bengelsdorf
2004-06-03
Nostalgia
Há dias, participei num excelente almoço, em casa de um amigo, e onde estava também um conhecido gestor da nossa praça, de seu nome Luís.
Em conversa informal, como é próprio destas reuniões sociais, falámos de Portugal e dos portugueses, da situação actual e da tão desejada retoma.
Disse o Luís, a certo ponto:
- Os portugueses, no fundo, no fundo, não querem crescer; na verdade quereriam voltar atrás 30 anos.
Todos nos rimos no momento, mas o que gostaria de ter respondido na altura e que no entanto não fiz, por não reconhecer naquele auditório a estrutura e a solidez mental que espero encontrar nos leitores deste blogue, foi o seguinte:
- não são 30 anos não, são antes 10 000.
Não sei dos portugueses no seu todo, mas sei de mim, e em verdade vos digo que penso que perdemos a inocência e o caminho há cerca de 10 000 anos.
Antes da invasão dos povos guerreiros inventores da roda e dos carros de combate e que para sempre acabaram com a nossa paz nas sociedades de parceria e de entreajuda de macacos deuses, que aqui, em Lisboa, como noutros lados de outros modos, vivíamos em união com o Tau, alimentando-nos de ostras e de outros bivalves que recolectávamos do Tejo.
Sinto, como muitos outros, uma imensa nostalgia desses gentis trogloditas.
Em conversa informal, como é próprio destas reuniões sociais, falámos de Portugal e dos portugueses, da situação actual e da tão desejada retoma.
Disse o Luís, a certo ponto:
- Os portugueses, no fundo, no fundo, não querem crescer; na verdade quereriam voltar atrás 30 anos.
Todos nos rimos no momento, mas o que gostaria de ter respondido na altura e que no entanto não fiz, por não reconhecer naquele auditório a estrutura e a solidez mental que espero encontrar nos leitores deste blogue, foi o seguinte:
- não são 30 anos não, são antes 10 000.
Não sei dos portugueses no seu todo, mas sei de mim, e em verdade vos digo que penso que perdemos a inocência e o caminho há cerca de 10 000 anos.
Antes da invasão dos povos guerreiros inventores da roda e dos carros de combate e que para sempre acabaram com a nossa paz nas sociedades de parceria e de entreajuda de macacos deuses, que aqui, em Lisboa, como noutros lados de outros modos, vivíamos em união com o Tau, alimentando-nos de ostras e de outros bivalves que recolectávamos do Tejo.
Sinto, como muitos outros, uma imensa nostalgia desses gentis trogloditas.
2004-06-02
Começou a campanha
Como de costume começamos já a ler e ouvir muitos peritos analistas com as queixas habituais de que não há elevação, nem debate, que a campanha é pobre, feita de "faits divers" sem esclarecer ninguém.
Como sempre, eu interrogo-me sobre a análise destes analistas. Em que mundo viverão ?
Será que na sua atenta observação da realidade política não conseguiram ainda aperceber-se que ela não se rege por nenhuma ideia ?
Não viram ainda que a política é feita por um jogo de interesses, conversas de corredor, almoços e jantares de negócios, um coça-me as costas que eu coço as tuas ?
Querem debates de quê e sobre o quê ? Para se arriscarem a dizer uma coisa hoje e que, provavelmente, vão ter de desmentir amanhã ?
Debates de ideias ? Haja um pouco mais de rigor e olho mais vivo meus senhores.
Como sempre, eu interrogo-me sobre a análise destes analistas. Em que mundo viverão ?
Será que na sua atenta observação da realidade política não conseguiram ainda aperceber-se que ela não se rege por nenhuma ideia ?
Não viram ainda que a política é feita por um jogo de interesses, conversas de corredor, almoços e jantares de negócios, um coça-me as costas que eu coço as tuas ?
Querem debates de quê e sobre o quê ? Para se arriscarem a dizer uma coisa hoje e que, provavelmente, vão ter de desmentir amanhã ?
Debates de ideias ? Haja um pouco mais de rigor e olho mais vivo meus senhores.
2004-06-01
Portugal tem dois políticos
Que em nada são iguais
Mas não tenho a certeza
Qual dos dois detesto mais.
Refiro-me a Paulo e a Miguel Portas.
Que praga terá caído naquela família ?.
Mas não tenho a certeza
Qual dos dois detesto mais.
Refiro-me a Paulo e a Miguel Portas.
Que praga terá caído naquela família ?.
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