Neste pequeno intervalo nas minhas férias, percorro furiosamente todos os blogs habituais e noto uma ansiedade descabida:
O Abruto demonstra mesmo tendências suicidas.
Parece que o Durão aceita o cargo de Presidente da Comissão !
Parece que Santana Lopes pode vir a ser o novo Primeiro Ministro !
Está tudo maluco ?
Acalmem-se colegas, está tudo na mesma, Portugal também tem direito ao seu Bush, porque não ?
A degradação, mediocridade e incompetência que domina a classe política e dirigente há muito que se instalou em Portugal e não só.
No fundo até é bom que todos vejam depressa as suas verdadeiras cores, talvez seja o princípio do fim, embora receie que ainda haja muito para degradar.
Isto é apenas um passo lógico, na cadeia de motivações que guia esses senhores.
No passa nada.
2004-06-27
Mea culpa
Afinal Scolari did it
Não é que a equipa começou a jogar a sério e com vontade de ganhar jogos.
O segredo creio que está num sentimento ou atitude que invadiu o país e chegou à selecção: chama-se entusiasmo.
Eis uma bela palavra que julgo querer dizer qualquer coisa como “possuído por Deus”, mas nestas coisas de etimologia quem sabe é a Charlotte.
Seja como for ele está aí, o entusiasmo, e a manter-se poderemos ir ainda mais longe. Oxalá.
Não é que a equipa começou a jogar a sério e com vontade de ganhar jogos.
O segredo creio que está num sentimento ou atitude que invadiu o país e chegou à selecção: chama-se entusiasmo.
Eis uma bela palavra que julgo querer dizer qualquer coisa como “possuído por Deus”, mas nestas coisas de etimologia quem sabe é a Charlotte.
Seja como for ele está aí, o entusiasmo, e a manter-se poderemos ir ainda mais longe. Oxalá.
2004-06-15
Blog de férias
Este blog parte para merecidas férias no Algarve esperando regressar cheio de força logo que encontre acesso à net, no máximo dentro de 1 mês ou talvez um pouco antes.
2004-06-13
O desaire com a Grécia
O meu raciocínio sobre esta importante questão nacional é o seguinte:
Portugal tem uma equipa medíocre, provam-no os sucessivos resultados em jogos amigáveis e oficiais de há cerca de 3 anos até aqui.
Isto apesar de ter, também indiscutivelmente, vários valores individuais.
Face a isto a perspectiva para este europeu é frágil, residindo toda a esperança em apenas dois aspectos.
1. A capacidade de Scolari, também indiscutível e de provas dadas, para nos poucos dias de treino conjunto construir uma equipa.
2. O apoio subtil da organização, através, sobretudo, dos árbitros para favorecer a equipa anfitriã, evitando a sua eliminação precoce e o consequente desastre financeiro.
Antes do primeiro jogo desconhecia o que Scolari tinha podido fazer e a escolha do galáctico incorruptível Colina era um péssimo presságio, foi uma infeliz opção da UEFA que confiou o resultado exclusivamente às equipas e ao seu jogo.
O trabalho de Scolari não funcionou e a mediocridade natural da equipa veio ao de cima, perdemos.
Vamos ver com a Rússia, estou confiante no sistema e apenas neste, Scolari já não tem tempo, resta-nos o trabalho do árbitro que tem que nos favorecer e merecemos carago, já fomos muitas vezes prejudicados por esse mesmo factor, isto no tempo em que jogávamos bem melhor e onde o Colina imparcial nos servia bem.
Portugal tem uma equipa medíocre, provam-no os sucessivos resultados em jogos amigáveis e oficiais de há cerca de 3 anos até aqui.
Isto apesar de ter, também indiscutivelmente, vários valores individuais.
Face a isto a perspectiva para este europeu é frágil, residindo toda a esperança em apenas dois aspectos.
1. A capacidade de Scolari, também indiscutível e de provas dadas, para nos poucos dias de treino conjunto construir uma equipa.
2. O apoio subtil da organização, através, sobretudo, dos árbitros para favorecer a equipa anfitriã, evitando a sua eliminação precoce e o consequente desastre financeiro.
Antes do primeiro jogo desconhecia o que Scolari tinha podido fazer e a escolha do galáctico incorruptível Colina era um péssimo presságio, foi uma infeliz opção da UEFA que confiou o resultado exclusivamente às equipas e ao seu jogo.
O trabalho de Scolari não funcionou e a mediocridade natural da equipa veio ao de cima, perdemos.
Vamos ver com a Rússia, estou confiante no sistema e apenas neste, Scolari já não tem tempo, resta-nos o trabalho do árbitro que tem que nos favorecer e merecemos carago, já fomos muitas vezes prejudicados por esse mesmo factor, isto no tempo em que jogávamos bem melhor e onde o Colina imparcial nos servia bem.
2004-06-12
2004-06-11
Reflexões sobre um momento
Acabo de ver o noticiário da RTP da hora do almoço.
Assisto à reportagem sobre o “super bock super rock”.
Uma jornalista interroga uma adolescente sobre o concerto de Avril Lavigne.
A moça responde cantando:
- Don’t even try to tell me what to do; don’t even try to tell me what to say.
Assisto a esta declaração com “mixed feelings”: admiro essa adolescente por se sobrepor à jornalista, no seu minuto de fama, com a emoção proporcionada por essa mensagem sublime que lhe diz: “Sê tu própria”, a mesma mensagem de José Régio no seu Cântico Negro. No entanto, esta concreta mensagem, neste caso parte de Avril Lavigne, que, ao contrário de Régio não faz, nem dá nenhum passo que lhe não seja ditado. E receio que essa adolescente não compreenda a verdadeira dimensão do seu acto.
Nesse momento, telefona o Adriano dizendo que vai ao “Super bock Super Rock” porque a pressão dos seus amigos é muito grande.
Eu também sei que este evento está uns pontos acima do “Rock em Rio”, mas na realidade só uns míseros pequenos pontos.
Resumo assim esta minha reflexão: deixa estes macacos-deuses resolverem as suas próprias contradições, não me cabe a mim mais papel do que o de atirar algumas pequenas achas para a fogueira.
Assisto à reportagem sobre o “super bock super rock”.
Uma jornalista interroga uma adolescente sobre o concerto de Avril Lavigne.
A moça responde cantando:
- Don’t even try to tell me what to do; don’t even try to tell me what to say.
Assisto a esta declaração com “mixed feelings”: admiro essa adolescente por se sobrepor à jornalista, no seu minuto de fama, com a emoção proporcionada por essa mensagem sublime que lhe diz: “Sê tu própria”, a mesma mensagem de José Régio no seu Cântico Negro. No entanto, esta concreta mensagem, neste caso parte de Avril Lavigne, que, ao contrário de Régio não faz, nem dá nenhum passo que lhe não seja ditado. E receio que essa adolescente não compreenda a verdadeira dimensão do seu acto.
Nesse momento, telefona o Adriano dizendo que vai ao “Super bock Super Rock” porque a pressão dos seus amigos é muito grande.
Eu também sei que este evento está uns pontos acima do “Rock em Rio”, mas na realidade só uns míseros pequenos pontos.
Resumo assim esta minha reflexão: deixa estes macacos-deuses resolverem as suas próprias contradições, não me cabe a mim mais papel do que o de atirar algumas pequenas achas para a fogueira.
2004-06-09
Autocensura
Tinha para hoje um poste prontinho, sarcástico, mesmo jocoso, sobre as próxima eleições para o Parlamento Europeu onde arrasava, à minha maneira, todos os cabeças de lista.
A trágica morte de Sousa Franco impede-me de brincar e, falando sério, há apenas 2 cabeças de lista por quem nutro algum respeito: precisamente Sousa Franco e também Ilda Figueiredo.
Creio que são ou eram os únicos que levavam estas eleições a sério e que queriam ir para a Europa para , a seu modo, lutar por aquilo que acham mais justo.
Sousa Franco já lá não vai chegar mas fico com grata memória de ver que morreu a lutar até ao fim, ainda que numa luta inglória e inútil.
A trágica morte de Sousa Franco impede-me de brincar e, falando sério, há apenas 2 cabeças de lista por quem nutro algum respeito: precisamente Sousa Franco e também Ilda Figueiredo.
Creio que são ou eram os únicos que levavam estas eleições a sério e que queriam ir para a Europa para , a seu modo, lutar por aquilo que acham mais justo.
Sousa Franco já lá não vai chegar mas fico com grata memória de ver que morreu a lutar até ao fim, ainda que numa luta inglória e inútil.
2004-06-08
O Trânsito de Vénus
Recebi, recentemente, por herança, um velho relógio pendular de sala.
Imagino-me um membro de uma comunidade de bactérias, mais ou menos, inteligentes, com um horizonte de vida de 5 minutos e que vivem no meu relógio.
Uma vez em cada geração o meu povo vai assistir a um fenómeno raro, vai ver o ponteiro de minutos cruzar sobre o traço que está assinalado no mostrador.
Há gerações infelizes que não vêm esse espectáculo, porque nasceram exactamente depois de um cruzamento e morreram exactamente antes do próximo. São gerações raras e notáveis mas vão lamentar essa peculiaridade.
E, dizem os sábios bacterianos que de 6 em 6 gerações alguns afortunados vão assistir a um espectáculo magnifico, uns trânsitos especiais onde se pode ouvir nesse exacto momento uma ou mais intensas badaladas, entre uma e doze dizem, eu não sei bem mas os cientistas do meu povo têm tudo registado.
Há registos históricos de bactérias afortunadas que ouviram 12 badaladas Isto só acontece de 144 em 144 gerações.
E ao longo do caminho do ponteiro dos minutos há vários riscos e pontos de desgaste no relógio (é um relógio já bastante antigo dos avós da minha mulher) que o ponteiro vai percorrer e que as bactérias se apreçam a ver se puderem e se estiverem no lugar certo do relógio.
Eu, neste relógio cósmico, não sendo astrónomo e não me preocupando com a medida da unidade astronómica que ainda tem um erro de cerca de 30 Km que talvez se anule agora, não quero saber do trânsito de Vénus, sei que para o ano, todos os anos, vão haver outros momentos raros, na verdade todos os momentos são raros e únicos porque nunca se repetem mais.
Ainda por cima o trânsito de Vénus nem sequer toca badaladas.
Imagino-me um membro de uma comunidade de bactérias, mais ou menos, inteligentes, com um horizonte de vida de 5 minutos e que vivem no meu relógio.
Uma vez em cada geração o meu povo vai assistir a um fenómeno raro, vai ver o ponteiro de minutos cruzar sobre o traço que está assinalado no mostrador.
Há gerações infelizes que não vêm esse espectáculo, porque nasceram exactamente depois de um cruzamento e morreram exactamente antes do próximo. São gerações raras e notáveis mas vão lamentar essa peculiaridade.
E, dizem os sábios bacterianos que de 6 em 6 gerações alguns afortunados vão assistir a um espectáculo magnifico, uns trânsitos especiais onde se pode ouvir nesse exacto momento uma ou mais intensas badaladas, entre uma e doze dizem, eu não sei bem mas os cientistas do meu povo têm tudo registado.
Há registos históricos de bactérias afortunadas que ouviram 12 badaladas Isto só acontece de 144 em 144 gerações.
E ao longo do caminho do ponteiro dos minutos há vários riscos e pontos de desgaste no relógio (é um relógio já bastante antigo dos avós da minha mulher) que o ponteiro vai percorrer e que as bactérias se apreçam a ver se puderem e se estiverem no lugar certo do relógio.
Eu, neste relógio cósmico, não sendo astrónomo e não me preocupando com a medida da unidade astronómica que ainda tem um erro de cerca de 30 Km que talvez se anule agora, não quero saber do trânsito de Vénus, sei que para o ano, todos os anos, vão haver outros momentos raros, na verdade todos os momentos são raros e únicos porque nunca se repetem mais.
Ainda por cima o trânsito de Vénus nem sequer toca badaladas.
2004-06-06
Equívoco perigoso
O cidadão comum, os media e todos os intervenientes no espectáculo, vêm, cada vez mais, identificando democracia com eleições ou processo eleitoral. Consideram, sem discussão, mais legítimo o poder que deriva de eleições do que aquele que tem outras fundamentações.
Tem sido esta crença discutível e, como tal, permito-me aceitar facilmente quem assim pense, embora discorde.
Começo a preocupar-me quando assisto à sua elevação ao estatuto de dogma, tornando essa questão, precisamente, indiscutível.
Observam-se fortes sinais nesse sentido quando se vê um suposto professor, especialista em democracia, no programa do Jo no GNT afirmar que a antiga Grécia teve grande importância na construção da democracia ao inventar o sufrágio universal !?
Porque livros terá estudado o Sr. Professor ? em que vestígios históricos se terá fundamentado ? Porque de tudo o que vejo e leio, Atenas através de Sólon e principalmente de Clístenes deu, de facto, os primeiros passos na democracia, podemos mesmo dizer que inventou a democracia: o governo fundamentado no “demos” (povo), mas nunca se baseou no sufrágio e muito menos universal.
Atenas fundou uma Democracia Escravista, o “demos” (povo) não incluía mulheres nem a vasta população de escravos que trabalhavam para que o “demos” tivesse o necessário lazer par se dedicar à democracia, não era assim universal, nem por aproximação.Grande parte do trabalho de Sólon consistiu precisamente na tentativa de identificação do “demos” com todos os atenienses machos, limitando a escravatura a estrangeiros.
Na reforma de Clístenes, geralmente considerado como o inventor da democracia, os 500 membros do Conselho (mais ou menos o parlamento) eram sorteados entre todos os membros do “demos” com mais de 30 anos, logo, sufrágio, não havia.
Tinha ainda a “Ecclesia” (assembleia popular) onde todos os membros masculinos do “demos”, com mais de 20 anos participavam.
Portanto Clístenes fez um trabalho notabilíssimo mas não inventou nenhum sufrágio universal, antes pelo contrário, o seu sistema estava mais próximo daquilo a que se chama hoje democracia directa.
A essência do pensamento dos atenienses notáveis que conceberam a democracia, limitava-se à noção de que deve ser o povo a conduzir o seu próprio destino.
Seguindo os ensinamentos destes mestres deveremos compreender que, eleições são apenas um método, entre outros, para operacionalizar a democracia, nunca a sua fundamentação.
Tem sido esta crença discutível e, como tal, permito-me aceitar facilmente quem assim pense, embora discorde.
Começo a preocupar-me quando assisto à sua elevação ao estatuto de dogma, tornando essa questão, precisamente, indiscutível.
Observam-se fortes sinais nesse sentido quando se vê um suposto professor, especialista em democracia, no programa do Jo no GNT afirmar que a antiga Grécia teve grande importância na construção da democracia ao inventar o sufrágio universal !?
Porque livros terá estudado o Sr. Professor ? em que vestígios históricos se terá fundamentado ? Porque de tudo o que vejo e leio, Atenas através de Sólon e principalmente de Clístenes deu, de facto, os primeiros passos na democracia, podemos mesmo dizer que inventou a democracia: o governo fundamentado no “demos” (povo), mas nunca se baseou no sufrágio e muito menos universal.
Atenas fundou uma Democracia Escravista, o “demos” (povo) não incluía mulheres nem a vasta população de escravos que trabalhavam para que o “demos” tivesse o necessário lazer par se dedicar à democracia, não era assim universal, nem por aproximação.Grande parte do trabalho de Sólon consistiu precisamente na tentativa de identificação do “demos” com todos os atenienses machos, limitando a escravatura a estrangeiros.
Na reforma de Clístenes, geralmente considerado como o inventor da democracia, os 500 membros do Conselho (mais ou menos o parlamento) eram sorteados entre todos os membros do “demos” com mais de 30 anos, logo, sufrágio, não havia.
Tinha ainda a “Ecclesia” (assembleia popular) onde todos os membros masculinos do “demos”, com mais de 20 anos participavam.
Portanto Clístenes fez um trabalho notabilíssimo mas não inventou nenhum sufrágio universal, antes pelo contrário, o seu sistema estava mais próximo daquilo a que se chama hoje democracia directa.
A essência do pensamento dos atenienses notáveis que conceberam a democracia, limitava-se à noção de que deve ser o povo a conduzir o seu próprio destino.
Seguindo os ensinamentos destes mestres deveremos compreender que, eleições são apenas um método, entre outros, para operacionalizar a democracia, nunca a sua fundamentação.
2004-06-04
Um poste essencial
Respigado de Bengelsdorf, letra por letra.
Opinião rara
As pessoas já não morrem, existem só as coisas que as matam. Isto não está certo e não me parece bem.
Vincent Bengelsdorf
Opinião rara
As pessoas já não morrem, existem só as coisas que as matam. Isto não está certo e não me parece bem.
Vincent Bengelsdorf
2004-06-03
Nostalgia
Há dias, participei num excelente almoço, em casa de um amigo, e onde estava também um conhecido gestor da nossa praça, de seu nome Luís.
Em conversa informal, como é próprio destas reuniões sociais, falámos de Portugal e dos portugueses, da situação actual e da tão desejada retoma.
Disse o Luís, a certo ponto:
- Os portugueses, no fundo, no fundo, não querem crescer; na verdade quereriam voltar atrás 30 anos.
Todos nos rimos no momento, mas o que gostaria de ter respondido na altura e que no entanto não fiz, por não reconhecer naquele auditório a estrutura e a solidez mental que espero encontrar nos leitores deste blogue, foi o seguinte:
- não são 30 anos não, são antes 10 000.
Não sei dos portugueses no seu todo, mas sei de mim, e em verdade vos digo que penso que perdemos a inocência e o caminho há cerca de 10 000 anos.
Antes da invasão dos povos guerreiros inventores da roda e dos carros de combate e que para sempre acabaram com a nossa paz nas sociedades de parceria e de entreajuda de macacos deuses, que aqui, em Lisboa, como noutros lados de outros modos, vivíamos em união com o Tau, alimentando-nos de ostras e de outros bivalves que recolectávamos do Tejo.
Sinto, como muitos outros, uma imensa nostalgia desses gentis trogloditas.
Em conversa informal, como é próprio destas reuniões sociais, falámos de Portugal e dos portugueses, da situação actual e da tão desejada retoma.
Disse o Luís, a certo ponto:
- Os portugueses, no fundo, no fundo, não querem crescer; na verdade quereriam voltar atrás 30 anos.
Todos nos rimos no momento, mas o que gostaria de ter respondido na altura e que no entanto não fiz, por não reconhecer naquele auditório a estrutura e a solidez mental que espero encontrar nos leitores deste blogue, foi o seguinte:
- não são 30 anos não, são antes 10 000.
Não sei dos portugueses no seu todo, mas sei de mim, e em verdade vos digo que penso que perdemos a inocência e o caminho há cerca de 10 000 anos.
Antes da invasão dos povos guerreiros inventores da roda e dos carros de combate e que para sempre acabaram com a nossa paz nas sociedades de parceria e de entreajuda de macacos deuses, que aqui, em Lisboa, como noutros lados de outros modos, vivíamos em união com o Tau, alimentando-nos de ostras e de outros bivalves que recolectávamos do Tejo.
Sinto, como muitos outros, uma imensa nostalgia desses gentis trogloditas.
2004-06-02
Começou a campanha
Como de costume começamos já a ler e ouvir muitos peritos analistas com as queixas habituais de que não há elevação, nem debate, que a campanha é pobre, feita de "faits divers" sem esclarecer ninguém.
Como sempre, eu interrogo-me sobre a análise destes analistas. Em que mundo viverão ?
Será que na sua atenta observação da realidade política não conseguiram ainda aperceber-se que ela não se rege por nenhuma ideia ?
Não viram ainda que a política é feita por um jogo de interesses, conversas de corredor, almoços e jantares de negócios, um coça-me as costas que eu coço as tuas ?
Querem debates de quê e sobre o quê ? Para se arriscarem a dizer uma coisa hoje e que, provavelmente, vão ter de desmentir amanhã ?
Debates de ideias ? Haja um pouco mais de rigor e olho mais vivo meus senhores.
Como sempre, eu interrogo-me sobre a análise destes analistas. Em que mundo viverão ?
Será que na sua atenta observação da realidade política não conseguiram ainda aperceber-se que ela não se rege por nenhuma ideia ?
Não viram ainda que a política é feita por um jogo de interesses, conversas de corredor, almoços e jantares de negócios, um coça-me as costas que eu coço as tuas ?
Querem debates de quê e sobre o quê ? Para se arriscarem a dizer uma coisa hoje e que, provavelmente, vão ter de desmentir amanhã ?
Debates de ideias ? Haja um pouco mais de rigor e olho mais vivo meus senhores.
2004-06-01
Portugal tem dois políticos
Que em nada são iguais
Mas não tenho a certeza
Qual dos dois detesto mais.
Refiro-me a Paulo e a Miguel Portas.
Que praga terá caído naquela família ?.
Mas não tenho a certeza
Qual dos dois detesto mais.
Refiro-me a Paulo e a Miguel Portas.
Que praga terá caído naquela família ?.
2004-05-31
O Ministro Arnaut
Mais uma vez o vi e ouvi, desta vez na nova RTPN (ex-NTV) e, como é habitual agora, falando do Euro 2004, ao seu melhor nível, disse assim:
Se tudo correr bem, vai ser bom para Portugal.
Se alguma coisa correr mal, vai ser mau para Portugal.
Digam o que disserem, não podemos deixar de estar de acordo com ele, é o que todos pensamos.
E queria aqui confessar que começo a considerar mais o Ministro Arnaut, começo a ter remorsos da ironia fácil que eu, como tantos outros fazemos com ele.
Eu sei que é uma tentação permanente porque é, sem dúvida nenhuma, um Ministro muito desfrutável, mas apenas porque é simples e puro.
O nosso mal não vem deste Ministro. Este Ministro é incapaz de fazer mal conscientemente. O nosso mal vem de outros, mais finos mas muito mais perigosos.
Se tudo correr bem, vai ser bom para Portugal.
Se alguma coisa correr mal, vai ser mau para Portugal.
Digam o que disserem, não podemos deixar de estar de acordo com ele, é o que todos pensamos.
E queria aqui confessar que começo a considerar mais o Ministro Arnaut, começo a ter remorsos da ironia fácil que eu, como tantos outros fazemos com ele.
Eu sei que é uma tentação permanente porque é, sem dúvida nenhuma, um Ministro muito desfrutável, mas apenas porque é simples e puro.
O nosso mal não vem deste Ministro. Este Ministro é incapaz de fazer mal conscientemente. O nosso mal vem de outros, mais finos mas muito mais perigosos.
2004-05-30
Ferraduras
Todos sabemos que as ferraduras dão sorte, mas quem tem uma ou mais ferraduras e vê a sorte passar ao lado, naturalmente, deverá questionar-se sobre a verdade dessa máxima da sabedoria popular.
Há, no entanto uma razão que explica esta aparente contradição. Depois de muito pensar, decidi revelar-vos um segredo que aprendi na Polónia, junto de um velho e sábio ferreiro, segredo esse que revela o correcto uso da ferradura para estes importantes efeitos.
Hesitei muito antes de publicar, confesso, temos sempre a tendência para pensar que um segredo como este se deve manter privado, não vá o Diabo tecê-las. Por outro lado, porém, não vejo também nenhuma razão para que não tenhamos todos sorte de que aliás estamos muitos necessitados e decidi assim pela revelação.
É assim: a Ferradura, para acumular a sorte deve ser mantida com a concavidade para cima, como um U, naturalmente quando está ao contrário, o que por razões de estabilidade as pessoas tendem a fazer, toda a sorte escorrega pelo exterior e não fica retida na dita.
Também, se acumular muita sorte mas, por azar, ela tombar lá se vai a sorte para o galheiro.
Eu já experimentei mas o raio da ferradura está sempre a tombar. Vou arranjar uma solução que mantenha este princípio lógico. Afinal é tão evidente que tem de dar resultado.
Experimentem também.
Há, no entanto uma razão que explica esta aparente contradição. Depois de muito pensar, decidi revelar-vos um segredo que aprendi na Polónia, junto de um velho e sábio ferreiro, segredo esse que revela o correcto uso da ferradura para estes importantes efeitos.
Hesitei muito antes de publicar, confesso, temos sempre a tendência para pensar que um segredo como este se deve manter privado, não vá o Diabo tecê-las. Por outro lado, porém, não vejo também nenhuma razão para que não tenhamos todos sorte de que aliás estamos muitos necessitados e decidi assim pela revelação.
É assim: a Ferradura, para acumular a sorte deve ser mantida com a concavidade para cima, como um U, naturalmente quando está ao contrário, o que por razões de estabilidade as pessoas tendem a fazer, toda a sorte escorrega pelo exterior e não fica retida na dita.
Também, se acumular muita sorte mas, por azar, ela tombar lá se vai a sorte para o galheiro.
Eu já experimentei mas o raio da ferradura está sempre a tombar. Vou arranjar uma solução que mantenha este princípio lógico. Afinal é tão evidente que tem de dar resultado.
Experimentem também.
2004-05-27
Design
Os povos, como as pessoas, também têm os seus traços de personalidade, nalguns casos mesmo, manifestam, como as pessoas, distúrbios de personalidade.
Os portugueses, segundo dizem, são um pouco maníaco-depressivos, serão, mas tem outros aspectos bem mais simpáticos e úteis em diferentes circunstâncias.
Um desses aspectos, que é muito nosso, é a capacidade de empatia, compreendemos os outros que nos são diferentes e adoptamos com facilidade aquilo que vemos nos outros e que nos agrada.
Este aspecto não é nada comum e é interpretado até, ás vezes e julgo que erradamente, como falta de personalidade.
Eça de Queirós dizia que os chineses, quando emigram, levam sempre a China consigo e lá fazem os seus bairros que são mini-Chinas, com casas chinesas a mesma gastronomia e hábitos de vida. Os portugueses não, vão de mãos a abanar, vêem e encaixam-se no que vêem.
Um exemplo disto é a forma como adaptamos palavras de outras línguas, enquanto o tempo as não incorpora, fazendo gala em as utilizar tal como no original, com a pronúncia próxima do original ou tão próxima como conseguimos e ouvimos.
Por exemplo Bruce Sprigsteen, em Portugal chama-se Bruce Springsteen, mas nos nossos vizinhos espanhóis já é qualquer coisa como Bru Sprintin.
Este hábito que me parece salutar, tem todavia dois aspectos que me irritam particularmente:
Quando as palavras são de uma língua estranha que não conhecemos exactamente, adaptamos sempre a pronúncia inglesa o que é um absurdo: ainda ouvi, no outro dia, num centro de massagens orientais em que explicavam que era uma arte milenar dos países do Oriente e, como exemplo, aplicaram a “Oriental face massage”, transformando o Inglês numa língua milenar do oriente.
“Oriental face massage” ? a que propósito ? se não sei o nome original porque não digo simplesmente “massagem oriental da face” ou coisa semelhante ?
O outro aspecto irritante é quando, por ignorância, mesmo em camadas sociais que a não deviam ter, pronunciamos mal as palavras transformando-as em coisas que não são da língua original nem da nossa, coisas híbridas e feias.
É o caso do “design” que usamos a torto e a direito, ignorando o nosso antigo termo “risco”, tão bonito, embora reconheça que pode ser fonte de confusão com as suas homófonas e homógrafas.
Mas dizemos quase sempre qualquer coisa como “désaine” e não “disaine” como os ingleses.
Isto irrita-me a mim e ao Carlos Pinto Coelho, porque já o vi corrigir, neste ponto, um seu entrevistado, causando um embaraço, que, no entanto, gostei de ver.
Os portugueses, segundo dizem, são um pouco maníaco-depressivos, serão, mas tem outros aspectos bem mais simpáticos e úteis em diferentes circunstâncias.
Um desses aspectos, que é muito nosso, é a capacidade de empatia, compreendemos os outros que nos são diferentes e adoptamos com facilidade aquilo que vemos nos outros e que nos agrada.
Este aspecto não é nada comum e é interpretado até, ás vezes e julgo que erradamente, como falta de personalidade.
Eça de Queirós dizia que os chineses, quando emigram, levam sempre a China consigo e lá fazem os seus bairros que são mini-Chinas, com casas chinesas a mesma gastronomia e hábitos de vida. Os portugueses não, vão de mãos a abanar, vêem e encaixam-se no que vêem.
Um exemplo disto é a forma como adaptamos palavras de outras línguas, enquanto o tempo as não incorpora, fazendo gala em as utilizar tal como no original, com a pronúncia próxima do original ou tão próxima como conseguimos e ouvimos.
Por exemplo Bruce Sprigsteen, em Portugal chama-se Bruce Springsteen, mas nos nossos vizinhos espanhóis já é qualquer coisa como Bru Sprintin.
Este hábito que me parece salutar, tem todavia dois aspectos que me irritam particularmente:
Quando as palavras são de uma língua estranha que não conhecemos exactamente, adaptamos sempre a pronúncia inglesa o que é um absurdo: ainda ouvi, no outro dia, num centro de massagens orientais em que explicavam que era uma arte milenar dos países do Oriente e, como exemplo, aplicaram a “Oriental face massage”, transformando o Inglês numa língua milenar do oriente.
“Oriental face massage” ? a que propósito ? se não sei o nome original porque não digo simplesmente “massagem oriental da face” ou coisa semelhante ?
O outro aspecto irritante é quando, por ignorância, mesmo em camadas sociais que a não deviam ter, pronunciamos mal as palavras transformando-as em coisas que não são da língua original nem da nossa, coisas híbridas e feias.
É o caso do “design” que usamos a torto e a direito, ignorando o nosso antigo termo “risco”, tão bonito, embora reconheça que pode ser fonte de confusão com as suas homófonas e homógrafas.
Mas dizemos quase sempre qualquer coisa como “désaine” e não “disaine” como os ingleses.
Isto irrita-me a mim e ao Carlos Pinto Coelho, porque já o vi corrigir, neste ponto, um seu entrevistado, causando um embaraço, que, no entanto, gostei de ver.
2004-05-25
Abu Ghraib
Todos nós conhecemos, já vimos, faz parte do processo de formação e das vivências de todos nós:
Uma criança de 3 ou 4 anos que cai e, por exemplo, bate com a cabeça numa cadeira provocando-lhe dor, chora e vira a sua pequena ira contra a cadeira agressiva sendo para isso estimulado por todos os adultos próximos: Tau tau nesta cadeira má que magoou o menino, e todos batem na cadeira atrevida. A criança parece recuperar da sua dor com a sensação de que a justiça foi feita.
Este fenómeno é amplamente conhecido da psicologia e não é só infantil como parece. De formas mais elaboradas, este mecanismo de incorporação do plano simbólico explica muitos aspectos do comportamento humano.
Mas o Sr. Bush que, como todos sabemos, tem uma idade mental próxima dos 3 anos, manifesta esse fenómeno na sua forma mais pura e singela como a criança que descrevi. Disse-nos agora mais ou menos isto:
Abu Ghraib foi palco de torturas no regime de Sadam mas também palco de torturas das forças democráticas de ocupação: A culpa é de Abu Ghraib; tau tau em Abu Ghraib, prisão má que faz mal aos meninos.
Como, apesar de ser intelectualmente um menino, tem já um corpo de gigante, o tau tau de Bush é mais violento: Destrui-se imediatamente Abu Ghraib e faz-se uma prisão nova que não faça mal aos meninos.
Com gestos como este o mundo torna-se mais feliz, a “justiça” é feita, e ficam as nossas consciência descansadas.
Como no caso da criança de que falei, a verdadeira causa da sua má experiência, a sua inabilidade para andar, passa incólume e fica pronta para o próximo fracasso.
Uma criança de 3 ou 4 anos que cai e, por exemplo, bate com a cabeça numa cadeira provocando-lhe dor, chora e vira a sua pequena ira contra a cadeira agressiva sendo para isso estimulado por todos os adultos próximos: Tau tau nesta cadeira má que magoou o menino, e todos batem na cadeira atrevida. A criança parece recuperar da sua dor com a sensação de que a justiça foi feita.
Este fenómeno é amplamente conhecido da psicologia e não é só infantil como parece. De formas mais elaboradas, este mecanismo de incorporação do plano simbólico explica muitos aspectos do comportamento humano.
Mas o Sr. Bush que, como todos sabemos, tem uma idade mental próxima dos 3 anos, manifesta esse fenómeno na sua forma mais pura e singela como a criança que descrevi. Disse-nos agora mais ou menos isto:
Abu Ghraib foi palco de torturas no regime de Sadam mas também palco de torturas das forças democráticas de ocupação: A culpa é de Abu Ghraib; tau tau em Abu Ghraib, prisão má que faz mal aos meninos.
Como, apesar de ser intelectualmente um menino, tem já um corpo de gigante, o tau tau de Bush é mais violento: Destrui-se imediatamente Abu Ghraib e faz-se uma prisão nova que não faça mal aos meninos.
Com gestos como este o mundo torna-se mais feliz, a “justiça” é feita, e ficam as nossas consciência descansadas.
Como no caso da criança de que falei, a verdadeira causa da sua má experiência, a sua inabilidade para andar, passa incólume e fica pronta para o próximo fracasso.
2004-05-23
A Engenharia do século XXI
Não sei o que se passa com a nossa ciência e a nossa tecnologia.
Fazemos coisas espantosas e nunca vistas como este simples facto de eu, simples cidadão, poder escrever aqui qualquer coisa imediatamente acessível a todo o mundo. Isto era inimaginável há 5 ou 6 anos, no entanto, hoje é banal.
Mas assim como admiro estas conquistas do Homo Sapiens, espanto-me sempre como, ao mesmo tempo, se vão perdendo outros saberes e outros fazeres.
Cair um teto de um edifício público sem causas demasiado improváveis não deveria ser possível no século XXI.
Há centenas de ano, houve uma “corrida” na Europa pela construção de catedrais mais e mais altas, colocando imensos problemas de engenharia, elevando esta tecnologia a um grau transcendente e misterioso para o comum dos mortais. Orgulhamo-nos do nosso Mestre Afonso Domingues que permaneceu sob a abóbada do mosteiro da Batalha para afirmar a confiança na sua engenharia.
Centenas de anos depois de Afonso Domingues a abóbada do mosteiro da batalha ainda lá está atraindo milhares de turistas e o mesmo se passa por diversas imponentes catedrais europeias que sobreviveram a guerras e a bombardeamentos.
Centenas de anos depois, cai o teto do novo terminal do aeroporto Charles Degaule, construído há menos de um ano, assim como o teto da piscina de Moscovo, construído havia meses.
Eu sei que o paradigma da engenharia de hoje não é construir para durar mas construir barato mas o mínimo que se pede é que haja competência e que as coisas não caiam por si.
A muitos engenheiros de hoje, como aos que conceberam o novo terminal do aeroporto sobre os ombros dos gigantes “maçons” de todos os tempos, não admito nenhuma desculpa, só posso dizer: "shame on you”.
Fazemos coisas espantosas e nunca vistas como este simples facto de eu, simples cidadão, poder escrever aqui qualquer coisa imediatamente acessível a todo o mundo. Isto era inimaginável há 5 ou 6 anos, no entanto, hoje é banal.
Mas assim como admiro estas conquistas do Homo Sapiens, espanto-me sempre como, ao mesmo tempo, se vão perdendo outros saberes e outros fazeres.
Cair um teto de um edifício público sem causas demasiado improváveis não deveria ser possível no século XXI.
Há centenas de ano, houve uma “corrida” na Europa pela construção de catedrais mais e mais altas, colocando imensos problemas de engenharia, elevando esta tecnologia a um grau transcendente e misterioso para o comum dos mortais. Orgulhamo-nos do nosso Mestre Afonso Domingues que permaneceu sob a abóbada do mosteiro da Batalha para afirmar a confiança na sua engenharia.
Centenas de anos depois de Afonso Domingues a abóbada do mosteiro da batalha ainda lá está atraindo milhares de turistas e o mesmo se passa por diversas imponentes catedrais europeias que sobreviveram a guerras e a bombardeamentos.
Centenas de anos depois, cai o teto do novo terminal do aeroporto Charles Degaule, construído há menos de um ano, assim como o teto da piscina de Moscovo, construído havia meses.
Eu sei que o paradigma da engenharia de hoje não é construir para durar mas construir barato mas o mínimo que se pede é que haja competência e que as coisas não caiam por si.
A muitos engenheiros de hoje, como aos que conceberam o novo terminal do aeroporto sobre os ombros dos gigantes “maçons” de todos os tempos, não admito nenhuma desculpa, só posso dizer: "shame on you”.
2004-05-20
Metablogue n
Por vezes, nalguns pontos da jornada, surge algo em mim que me obriga a reflectir sobre o sentido daquilo que faço.
Este blogue, por exemplo, permite-me publicar (tornar público e acessível ao mundo) alguns aspectos que traduzem a minha visão do mundo.
Ainda que ninguém leia de momento, ainda que tudo aquilo que eu escreva possa ser ou não se interpretado de acordo com as minhas intenções e motivações, sei que há seres humanos para quem aquilo que eu escrevo, num determinado momento, pode abrir novas portas de percepção.
Tem-se passado isso comigo relativamente a outras coisas que leio ouço e vejo e vivo, às vezes onde menos espero.
Sei também que estes bits e bytes lançado no mundo são efémeros, na nossa perspectiva, ainda que não saiba se algum arqueólogo do futuro não virá a desencantar algumas destas linhas a que atribuirá algum significado acrescido, como nós hoje fazemos a singelas placas de textos quase incompreensíveis datados de há milhares de anos.
Quero com isto dizer que independentemente de agradar ou desagradar, estar ou não estar na moda, aquilo que procuro escrever aqui é aquilo que de algum modo foi importante para mim.
E pretendo fazê-lo sem mais preocupações.
Vem isto a propósito de, por vezes, não escrever aqui aquilo que deveras quero por não o poder fazer com o rigor e as referencias precisas que a comunicação actual exige e eu próprio costumo exigir.
De futuro, ainda que sejam sombras que me afectaram, vou tentar falar nelas.
Almada Negreiros escreveu a sua História de Portugal de Cor, explicando que “de cor” significa: como o coração se lembra.
Vou passar também a escrever alguns postes de cor: como o coração se lembra.
Este blogue, por exemplo, permite-me publicar (tornar público e acessível ao mundo) alguns aspectos que traduzem a minha visão do mundo.
Ainda que ninguém leia de momento, ainda que tudo aquilo que eu escreva possa ser ou não se interpretado de acordo com as minhas intenções e motivações, sei que há seres humanos para quem aquilo que eu escrevo, num determinado momento, pode abrir novas portas de percepção.
Tem-se passado isso comigo relativamente a outras coisas que leio ouço e vejo e vivo, às vezes onde menos espero.
Sei também que estes bits e bytes lançado no mundo são efémeros, na nossa perspectiva, ainda que não saiba se algum arqueólogo do futuro não virá a desencantar algumas destas linhas a que atribuirá algum significado acrescido, como nós hoje fazemos a singelas placas de textos quase incompreensíveis datados de há milhares de anos.
Quero com isto dizer que independentemente de agradar ou desagradar, estar ou não estar na moda, aquilo que procuro escrever aqui é aquilo que de algum modo foi importante para mim.
E pretendo fazê-lo sem mais preocupações.
Vem isto a propósito de, por vezes, não escrever aqui aquilo que deveras quero por não o poder fazer com o rigor e as referencias precisas que a comunicação actual exige e eu próprio costumo exigir.
De futuro, ainda que sejam sombras que me afectaram, vou tentar falar nelas.
Almada Negreiros escreveu a sua História de Portugal de Cor, explicando que “de cor” significa: como o coração se lembra.
Vou passar também a escrever alguns postes de cor: como o coração se lembra.
2004-05-18
Ando intrigadíssimo
Porque será que tanta gente pensa e diz que Baía é o melhor guarda-redes nacional ?
Como é que ninguém reconhece que Baía foi o principal carrasco da nossa selecção no último mundial ?
Felizmente estas verdades foram evidentes para o Sr. Scollari, valha-nos isso.
Como é que ninguém reconhece que Baía foi o principal carrasco da nossa selecção no último mundial ?
Felizmente estas verdades foram evidentes para o Sr. Scollari, valha-nos isso.
2004-05-17
Privatização
O Governo inicia o processo de privatização da água.
A TVI dá a notícia e, não sei em nome de quê, embora suspeite, afirma que actualmente os consumidores nem sequer são facturados por cerca de 40% da água que é distribuída e se perde pelo caminho, não entrando nas nossas torneiras.
Que felizardos temos sido ao não sermos facturados por essa água que não consumimos!
É certo que no preço que nos é facturado pelo metro cúbico de água consumida, esse e muitos outros custos associados ao processo, mesmo os ligados a ineficiências da empresa distribuidora são repercutidos, mas a TVI achava justo que na factura viesse descriminado: + 40% de água que nós lhe demos e que nunca aí chegou: n Euros.
É assim mesmo, aliás se, por exemplo, um trabalhador adoecer, também deverá vir facturado os respectivos dias de trabalho a dividir pelos consumidores servidos, e, porque não, um jantar oferecido pela administração.
A TVI quer transparência total, mas às vezes parece que vive noutro mundo.
A TVI dá a notícia e, não sei em nome de quê, embora suspeite, afirma que actualmente os consumidores nem sequer são facturados por cerca de 40% da água que é distribuída e se perde pelo caminho, não entrando nas nossas torneiras.
Que felizardos temos sido ao não sermos facturados por essa água que não consumimos!
É certo que no preço que nos é facturado pelo metro cúbico de água consumida, esse e muitos outros custos associados ao processo, mesmo os ligados a ineficiências da empresa distribuidora são repercutidos, mas a TVI achava justo que na factura viesse descriminado: + 40% de água que nós lhe demos e que nunca aí chegou: n Euros.
É assim mesmo, aliás se, por exemplo, um trabalhador adoecer, também deverá vir facturado os respectivos dias de trabalho a dividir pelos consumidores servidos, e, porque não, um jantar oferecido pela administração.
A TVI quer transparência total, mas às vezes parece que vive noutro mundo.
2004-05-16
Aviso à navegação
Aproveitando as novas habilidades do blogger, introduzi a função “coment”, permitindo comentários a cada um dos “posts”.
Só agora percebi como funciona, tem de se clicar num # que aparece no fim de cada post e escrever o que lhes vai na alma.
Façam favor.
Só agora percebi como funciona, tem de se clicar num # que aparece no fim de cada post e escrever o que lhes vai na alma.
Façam favor.
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