A CBS saiu à liça e depois vieram todos os outros e julgo que ainda virão mais.
Os maus tratos nas prisões iraquianas passaram a existir.
Os anti-Bush, como eu, exultam por mais este revés numa política néscia, os pro-Bush dizem, acertadamente, que maus tratos fazem-nos todos e pelo menos o nosso sistema democrático discute e resolve as questões abertamente.
Vasco Graça Moura, assim como o Abrupto, desenterram um documento de 143 páginas publicado em 1976 pela Presidência da República, sob o título de Relatório da comissão de averiguação de violências sobre presos sujeitos às autoridades militares, onde crimes semelhantes ou piores são cometidos por militantes do PC e da UDP no pós 25 de Abril.
E tudo isto é verdade, é triste mas é verdade, nenhum povo, nação ou família política está limpo destes crimes, a maldade reside na condição humana.
Só que, infelizmente, a democracia não previne de facto casos destes, só à força, quando as coisas entram pelos olhos dentro e não se conseguem abafar, foi assim com a pedofilia cá e noutros países, é assim com estes maus tratos. E, mesmo assim não resolve bem estas situações, só os pequenos são punidos, e a vida continua.
Todos os que conheciam, estimularam ou pelo menos não contrariaram e que tiveram a esperteza de não se deixar fotografar, em resumo os chamados responsáveis, esses nunca vão responder por coisa nenhuma.
Bush parece que não sabia de nada e, por acaso, neste caso até acredito nele porque vive num mundo de fantasia de "rambos" e "superman".
Eu, pelo contrário, mesmo sem saber, já sabia, ali, no Afganistão e em Guantânamo onde não se tiram fotografias Não preciso de as ver para saber, e nem penso que seja um exclusivo americano, nas prisões de Fidel também, nunca vi, mas sei que há, assim como na generalidade dos países árabes e por cá também, nalgumas esquadras.
2004-05-12
2004-05-11
Ferro Rodrigues está feliz
A OCDE reviu em baixa as perspectivas económicas para o nosso país, afinal a retoma ainda vai esperar algum tempo e isto apesar do Governo ter cantado de galo, há uns dias no parlamento.
2004-05-08
Cena do Ódio
... Há tanta coisa a fazer, meu Deus, e esta gente entretida em guerras ...
Almada Negreiros
Almada Negreiros
2004-05-07
As tenças
Ao ver como os governos compensam regiamente os homens sem qualidade que enxameiam o país, como muito bem diz Paulo de Almeida Sande no seu excelente artigo de opinião, hoje publicado no Diário de Notícias, vêm-me há memória tantos que bem mais mereciam, se não tantas benesses, ao menos uma vida digna.
Vem isto a propósito do manifesto apresentado por alguns atletas de alta competição, referenciado no jornal da 2 por Susana Feitor.
Dizia ela, com imensa razão, que jovens que entregam 15 anos da sua juventude a um esforço enorme, que engrandece o país e faz levantar a nossa, tão abalada auto-estima, quando vemos tocar o hino e subir a bandeira num qualquer palco do mundo, estão muitas vezes condenados à miséria, quando passado esse período áureo, o país se esquece deles e eles têm que enfrentar um futuro que não prepararam devidamente.
Tudo isto me fez lembrar as tenças reais, que já não se usam, mas que ajudavam a pagar essa dívida do pais.
Para mim, quem já ganhou uma medalha olímpica, pelo que deu ao país, merecia que o país lhe permitisse viver dignamente até à sua morte.
Mas tudo isto são problemas velhos: logo a seguir, na 2, no programa do Prof Saraiva sobre Afonso de Albuquerque, surge a referência à estrofe 24 do canto X de Os Lusíadas, onde Camões se queixa que:
“Isto fazem os reis, quando, embebidos
Numa aparência branda que os contenta,
Dão os prémios, de Aiace merecidos,
À língua vã de Ulisses, fraudulenta,
Mas vingo-me: que os bens mal repartidos
Por quem só doces sombras apresenta.
Se não os dão a sábios cavaleiros
Dão-os logo a avarentos lisonjeiros
Vem isto a propósito do manifesto apresentado por alguns atletas de alta competição, referenciado no jornal da 2 por Susana Feitor.
Dizia ela, com imensa razão, que jovens que entregam 15 anos da sua juventude a um esforço enorme, que engrandece o país e faz levantar a nossa, tão abalada auto-estima, quando vemos tocar o hino e subir a bandeira num qualquer palco do mundo, estão muitas vezes condenados à miséria, quando passado esse período áureo, o país se esquece deles e eles têm que enfrentar um futuro que não prepararam devidamente.
Tudo isto me fez lembrar as tenças reais, que já não se usam, mas que ajudavam a pagar essa dívida do pais.
Para mim, quem já ganhou uma medalha olímpica, pelo que deu ao país, merecia que o país lhe permitisse viver dignamente até à sua morte.
Mas tudo isto são problemas velhos: logo a seguir, na 2, no programa do Prof Saraiva sobre Afonso de Albuquerque, surge a referência à estrofe 24 do canto X de Os Lusíadas, onde Camões se queixa que:
“Isto fazem os reis, quando, embebidos
Numa aparência branda que os contenta,
Dão os prémios, de Aiace merecidos,
À língua vã de Ulisses, fraudulenta,
Mas vingo-me: que os bens mal repartidos
Por quem só doces sombras apresenta.
Se não os dão a sábios cavaleiros
Dão-os logo a avarentos lisonjeiros
2004-05-06
Figueiredo Lopes está confiante
Foi isso que ele disse: estou confiante que se o verão estiver como no ano passado vamos ter uma situação de novo muito grave relativamente aos fogos florestais.
O Governo não fez nada, como lhe competia, agora é só preciso que o tempo também se mantenha inalterado para que a situação se repita.
Com estes ministros podemos andar descansados porque eles velam para que tudo fique na mesma, agora se o tempo não estiver tão favorável lá nos arriscamos a ter menos fogos, mas isso, o que é que se pode fazer ?.
O Governo não fez nada, como lhe competia, agora é só preciso que o tempo também se mantenha inalterado para que a situação se repita.
Com estes ministros podemos andar descansados porque eles velam para que tudo fique na mesma, agora se o tempo não estiver tão favorável lá nos arriscamos a ter menos fogos, mas isso, o que é que se pode fazer ?.
2004-05-05
Sem novidades
De qualquer modo também não é preciso, fica aqui um link para o artigo de opinião de Luís Fernandes, publicado hoje no público e que considero muito bom.
2004-05-03
Spam
Sem dúvida que devo ter muitos leitores em todo o mundo mas não consigo perceber qual dos meus posts suscitou o seguinte e-mail que recebi de Krystal Glover e que dizia assim:
Macaco-Deus size does matter, grow your penis today iwwK
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2004-05-01
A Semântica e o Iraque
Foi na Formiga de Langton que vi a referência e o link para o excelente artigo de Terry Jones (lembram-se do mais sério dos Monty Pythons) sobre os problemas semânticos na guerra do Iraque.
Deixo também aqui o link para o texto original mas para que os leitores que não dominam o Inglês não percam o conteúdo segue adiante a minha tradução.
Um dos principais problemas da actual e emocionante aventura no Iraque é que ninguém consegue decidir que nome dar a todos os outros.
Na segunda guerra mundial nós lutávamos contra os alemães e os alemão lutavam contra nós, toda a gente sabia quem lutava contra quem e é assim que uma verdadeira guerra deve ser.
Contudo, no Iraque, não há sequer unanimidade quanto ao nome a dar aos americanos. Os Iraquianos insistem em chamá-los “americanos”, o que parece , aparentemente, razoável. Os americanos contudo insistem em se referir a si próprios como “forças da coligação”. É talvez primeira vez na história que os Estados Unidos tentam partilhar a sua glória militar com outros.
Holliwood, por exemplo, está-nos sempre a dizer que foram os americanos que ganharam a segunda Guerra mundial. Foi um americano que conduziu a fuga do campo Stalag Luft III no “The Greate Escape”; foram os americanos que capturaram a máquina Enigma no filme “U571”; e foi Tom Cruise que sozinho ganhou a Batalha de Inglaterra (no seu último projecto, “The Few”).
Sendo assim acho reconfortante ver os generais americanos no Iraque realçarem o papel dos parceiros da América na construção de uma vida melhor no Iraque.
Depois há o problema de como é que os americanos hão de chamar os Iraquianos – especialmente aqueles que eles matam. O leitor pode chamar por algum tempo, “terroristas fanáticos” a pessoas que defendem as suas casas de “rockets” e mísseis lançados de helicópteros e tanques. Eventualmente até os leitores de jornais começam a sentir que alguma coisa “cheira a esturro”.
Igualmente é tremendamente difícil fazer as pessoas aceitarem o rótulo de “rebeldes” para aqueles Iraquianos mortos por “snipers” americanos quando – como em Falluja – se verifica serem mulheres grávidas, miúdos de 13 anos, e velhos parados à porta das suas casas.
Também parece um pouco enganador chamar “guerrilheiros” a condutores de ambulância – quando foram mortos por tiros que atravessam o pára-brisas na altura em que conduzem feridos para o hospital – todavia que outro nome se lhes poderiam dar que não os transformassem em alvos ilegítimos.
Espero que comecem a perceber o problema.
A questão chave, parece ser, chamar aos mercenários americanos “civis” ou “contratantes civis” e aos civis Iraquianos “guerrilheiros” ou “rebeldes”.
Descrevendo o recente ataque a Najaf, o New York Times, alegremente, encontrou o termo “milícias”. Tem a vantagem de ser meio vago (ninguém sabe bem qual é o aspecto de um miliciano ou o que é que eles fazem), ao mesmo tempo fá-los parecer aquele tipo de estrangeiros que qualquer governo responsável deve executar no local.
Contudo o problema semântico do Iraque ainda vai mais fundo.
Por exemplo, há “a entrega do poder” que deverá vir a ter lugar a 30 de Junho. Como nenhum poder real vai ser entregue, os tipos da coligação tiveram que encontrar uma expressão menos conclusiva. Falam agora da entrega de “soberania”, que é uma noção convenientemente elástica. Alem disso entregar uma “noção” é muito mais fácil do que entregar alguma coisa concreta.
Ainda por outro lado os americanos insistem em que levaram a cabo “negociações” com os mojahedin em Falluja. Estas “negociações” consistiram nos americanos exigirem dos mojahediin a entrega de todos os seus lança granadas em troca do que o exército americano não rebentaria com a cidade. Há o perigo que isto pareça mais uma “ameaça unilateral” do que uma “negociação” – que geralmente implica algumas cedências de ambas as partes.
Quanto à palavra “cessar fogo”, já se torna difícil perceber o que significa. De acordo com testemunhos credíveis de Falluja, o actual conceito americano permite significativas concessões ao lançamento de bombas “cluster” e “flares”, e ao uso de artilharia e “snipers”.
Mas talvez o desenvolvimento linguístico mais interessante se encontre fora das áreas de conflito – na calma Sala Oval, onde muito poucas pessoas são mortas por espreitarem da janela. Aqui palavras como “estratégia” e “política” são diariamente utilizadas para a automática reacção de políticos e comandante militares que pensam que a força bruta é o único meio de resolver questões difíceis numa situação delicada. Como diz o Major Kevin Collins, um dos oficiais responsáveis pelos “marines” em Falluja, “Se decidirem começar uma luta, nós terminamo-la.”
No passado talvez utilizássemos uma frase como “rematada estupidez” em vez de “estratégia”. Mas as línguas têm uma vida própria ... o que já não podemos dizer de uma série de iraquianos inocentes.
Terry Jones, escritor, realizador de cinema e Python
Tradução: Nuno Jordão
Deixo também aqui o link para o texto original mas para que os leitores que não dominam o Inglês não percam o conteúdo segue adiante a minha tradução.
Um dos principais problemas da actual e emocionante aventura no Iraque é que ninguém consegue decidir que nome dar a todos os outros.
Na segunda guerra mundial nós lutávamos contra os alemães e os alemão lutavam contra nós, toda a gente sabia quem lutava contra quem e é assim que uma verdadeira guerra deve ser.
Contudo, no Iraque, não há sequer unanimidade quanto ao nome a dar aos americanos. Os Iraquianos insistem em chamá-los “americanos”, o que parece , aparentemente, razoável. Os americanos contudo insistem em se referir a si próprios como “forças da coligação”. É talvez primeira vez na história que os Estados Unidos tentam partilhar a sua glória militar com outros.
Holliwood, por exemplo, está-nos sempre a dizer que foram os americanos que ganharam a segunda Guerra mundial. Foi um americano que conduziu a fuga do campo Stalag Luft III no “The Greate Escape”; foram os americanos que capturaram a máquina Enigma no filme “U571”; e foi Tom Cruise que sozinho ganhou a Batalha de Inglaterra (no seu último projecto, “The Few”).
Sendo assim acho reconfortante ver os generais americanos no Iraque realçarem o papel dos parceiros da América na construção de uma vida melhor no Iraque.
Depois há o problema de como é que os americanos hão de chamar os Iraquianos – especialmente aqueles que eles matam. O leitor pode chamar por algum tempo, “terroristas fanáticos” a pessoas que defendem as suas casas de “rockets” e mísseis lançados de helicópteros e tanques. Eventualmente até os leitores de jornais começam a sentir que alguma coisa “cheira a esturro”.
Igualmente é tremendamente difícil fazer as pessoas aceitarem o rótulo de “rebeldes” para aqueles Iraquianos mortos por “snipers” americanos quando – como em Falluja – se verifica serem mulheres grávidas, miúdos de 13 anos, e velhos parados à porta das suas casas.
Também parece um pouco enganador chamar “guerrilheiros” a condutores de ambulância – quando foram mortos por tiros que atravessam o pára-brisas na altura em que conduzem feridos para o hospital – todavia que outro nome se lhes poderiam dar que não os transformassem em alvos ilegítimos.
Espero que comecem a perceber o problema.
A questão chave, parece ser, chamar aos mercenários americanos “civis” ou “contratantes civis” e aos civis Iraquianos “guerrilheiros” ou “rebeldes”.
Descrevendo o recente ataque a Najaf, o New York Times, alegremente, encontrou o termo “milícias”. Tem a vantagem de ser meio vago (ninguém sabe bem qual é o aspecto de um miliciano ou o que é que eles fazem), ao mesmo tempo fá-los parecer aquele tipo de estrangeiros que qualquer governo responsável deve executar no local.
Contudo o problema semântico do Iraque ainda vai mais fundo.
Por exemplo, há “a entrega do poder” que deverá vir a ter lugar a 30 de Junho. Como nenhum poder real vai ser entregue, os tipos da coligação tiveram que encontrar uma expressão menos conclusiva. Falam agora da entrega de “soberania”, que é uma noção convenientemente elástica. Alem disso entregar uma “noção” é muito mais fácil do que entregar alguma coisa concreta.
Ainda por outro lado os americanos insistem em que levaram a cabo “negociações” com os mojahedin em Falluja. Estas “negociações” consistiram nos americanos exigirem dos mojahediin a entrega de todos os seus lança granadas em troca do que o exército americano não rebentaria com a cidade. Há o perigo que isto pareça mais uma “ameaça unilateral” do que uma “negociação” – que geralmente implica algumas cedências de ambas as partes.
Quanto à palavra “cessar fogo”, já se torna difícil perceber o que significa. De acordo com testemunhos credíveis de Falluja, o actual conceito americano permite significativas concessões ao lançamento de bombas “cluster” e “flares”, e ao uso de artilharia e “snipers”.
Mas talvez o desenvolvimento linguístico mais interessante se encontre fora das áreas de conflito – na calma Sala Oval, onde muito poucas pessoas são mortas por espreitarem da janela. Aqui palavras como “estratégia” e “política” são diariamente utilizadas para a automática reacção de políticos e comandante militares que pensam que a força bruta é o único meio de resolver questões difíceis numa situação delicada. Como diz o Major Kevin Collins, um dos oficiais responsáveis pelos “marines” em Falluja, “Se decidirem começar uma luta, nós terminamo-la.”
No passado talvez utilizássemos uma frase como “rematada estupidez” em vez de “estratégia”. Mas as línguas têm uma vida própria ... o que já não podemos dizer de uma série de iraquianos inocentes.
Terry Jones, escritor, realizador de cinema e Python
Tradução: Nuno Jordão
2004-04-30
A forma e o conteúdo
Ouvi hoje falar do caso Carlisle e o que ouvi suscita-me algumas questões.
O BE atacou ferozmente o Primeiro Ministro, acusando-o de ter feito algumas diligências no sentido de favorecer o grupo Carlisle no processo de privatização da GALP.
O Primeiro Ministro ficou escamado e ofendido, sugerindo mesmo que talvez Louçã tenha interesses ocultos noutro concorrente.
O que me perece curioso neste incidente é que quem vai decidir a participação na privatização da GALP não é Deus, nem nenhuma entidade estranha ao governo é alguém controlado pelo Primeiro Ministro.
Se o Primeiro Ministro quer que ganhe a Carlisle e tem a faca e o queijo na mão para que isso aconteça por quê fazer telefonemas à CGD ou tomar outras medidas para favorecer este grupo, como insinuou Louçã ?
A razão parece-me óbvia: se bem que o conteúdo esteja assegurado, é preciso assegurar que a forma não o comprometa.
Tudo isto se insere no que já disse no post abaixo, os conteúdos estão no indivíduo a forma é determinada pela sociedade e é uma condição necessária à integração social.
O BE atacou ferozmente o Primeiro Ministro, acusando-o de ter feito algumas diligências no sentido de favorecer o grupo Carlisle no processo de privatização da GALP.
O Primeiro Ministro ficou escamado e ofendido, sugerindo mesmo que talvez Louçã tenha interesses ocultos noutro concorrente.
O que me perece curioso neste incidente é que quem vai decidir a participação na privatização da GALP não é Deus, nem nenhuma entidade estranha ao governo é alguém controlado pelo Primeiro Ministro.
Se o Primeiro Ministro quer que ganhe a Carlisle e tem a faca e o queijo na mão para que isso aconteça por quê fazer telefonemas à CGD ou tomar outras medidas para favorecer este grupo, como insinuou Louçã ?
A razão parece-me óbvia: se bem que o conteúdo esteja assegurado, é preciso assegurar que a forma não o comprometa.
Tudo isto se insere no que já disse no post abaixo, os conteúdos estão no indivíduo a forma é determinada pela sociedade e é uma condição necessária à integração social.
2004-04-27
UTOPIAS
O grande debate ideológico que se tem imposto à humanidade, explicita ou implicitamente e que verdadeiramente importa, não se insere se não marginalmente, no conflito entre ricos e pobres, homens e mulheres, esquerda e direita, governos e governados, cristianismo ou islão, crentes e não crentes, católicos e protestantes, Norte e Sul, capitalismo e comunismo ou outras como estas dicotomias.
A grande dificuldade que se coloca ao homem reside num único conflito: indivíduo vs sociedade.
Vamos conhecendo, através da ciência e através da nossa própria experiência aquilo que nos interessa, a cada um de nós, mas temos de nos confrontar, a cada instante, com o modo com aquilo que nos convém afecta terceiros, e lhes impede de serem aquilo que lhes convém a que igualmente, legitimamente, têm direito.
É esta a grande dificuldade que resume em si todos os conflitos e todas as lutas sociais.
Como cada um de nós é um só, todas as utopias que construímos são feitas à nossa imagem e semelhança, são sempre os mundos onde nós nos sentíamos bem.
Foi este discurso sugerido, pelo programa que acabei de ver na dois, com a presença do Dr. Pádua e de um empresário que cuidadosamente construiu a sua empresa livre de fumo e onde se criticava sociedade e governo por não construírem essa utopia de gente trabalhadora, feliz, longe de fumo, fazendo desporto, bebendo leite desnatado e água nos “coffee brakes”, com apoio médico e psicológico permanente, como é o seu direito e naturalmente com grande produtividade no trabalho e chorudos lucros para os patrões (que, no entanto diziam, não percebem esta evidência).
Eu, na minha idiossincrasia, achei aquele mundo tenebroso e confesso que me via mais feliz num abiente pesado de fumo e álcool, junto de amigos cultores do espírito, cantando ou dizendo poesia ou discorrendo sobre o sentido da vida.
Trocava sem hesitar uma vida até aos 120 anos na utopia do Dr. Pádua por uma vida até aos 70 neste meu mundo.
É aqui que a porca torce o rabo e nunca chegaremos a acordo, os dois modelos não são compatíveis.
É por isto que o “Admirável Mundo Novo” de Huxley é uma obra notável.
Creio que tanto o Dr. Pádua como eu, assim como 99% dos homens e mulheres de hoje, gostaríamos de viver nesse admirável mundo novo, há poucas críticas a fazer a essa perfeita utopia.
No entanto, o selvagem suicida-se porque não era livre.... não tinha a simples liberdade de poder contrair febre amarela ...
A grande dificuldade que se coloca ao homem reside num único conflito: indivíduo vs sociedade.
Vamos conhecendo, através da ciência e através da nossa própria experiência aquilo que nos interessa, a cada um de nós, mas temos de nos confrontar, a cada instante, com o modo com aquilo que nos convém afecta terceiros, e lhes impede de serem aquilo que lhes convém a que igualmente, legitimamente, têm direito.
É esta a grande dificuldade que resume em si todos os conflitos e todas as lutas sociais.
Como cada um de nós é um só, todas as utopias que construímos são feitas à nossa imagem e semelhança, são sempre os mundos onde nós nos sentíamos bem.
Foi este discurso sugerido, pelo programa que acabei de ver na dois, com a presença do Dr. Pádua e de um empresário que cuidadosamente construiu a sua empresa livre de fumo e onde se criticava sociedade e governo por não construírem essa utopia de gente trabalhadora, feliz, longe de fumo, fazendo desporto, bebendo leite desnatado e água nos “coffee brakes”, com apoio médico e psicológico permanente, como é o seu direito e naturalmente com grande produtividade no trabalho e chorudos lucros para os patrões (que, no entanto diziam, não percebem esta evidência).
Eu, na minha idiossincrasia, achei aquele mundo tenebroso e confesso que me via mais feliz num abiente pesado de fumo e álcool, junto de amigos cultores do espírito, cantando ou dizendo poesia ou discorrendo sobre o sentido da vida.
Trocava sem hesitar uma vida até aos 120 anos na utopia do Dr. Pádua por uma vida até aos 70 neste meu mundo.
É aqui que a porca torce o rabo e nunca chegaremos a acordo, os dois modelos não são compatíveis.
É por isto que o “Admirável Mundo Novo” de Huxley é uma obra notável.
Creio que tanto o Dr. Pádua como eu, assim como 99% dos homens e mulheres de hoje, gostaríamos de viver nesse admirável mundo novo, há poucas críticas a fazer a essa perfeita utopia.
No entanto, o selvagem suicida-se porque não era livre.... não tinha a simples liberdade de poder contrair febre amarela ...
2004-04-25
Sporting
O eng. Fernando Santos continua a dizer que o Sporting só depende de si.
É isto que me preocupa, porque por si está visto que não chega a lado nenhum.
O Porto deu todas as chances ao Sporting, teve um final de campeonato pobre, empates nas jornadas 27 e 31 e derrota na 29, o Sporting conseguiu fazer pior. Falhou sempre, sempre, nos momentos decisivos e acabou por entregar ao Porto o campeonato sem que este precise de jogar mais.
Preferia ver um Sporting a lutar e o Porto a não ceder a esta vergonha.
Tenho uma teoria, que os factos vão confirmando, que falseia o futebol mais do que o tráfico de influências: os jogadores profissionais quando estão insatisfeitos com o seu treinador, porque os chateia, têm uma arma terrível, deixam de jogar até que o homem saia, resulta sempre.
O Engenheiro obviamente já foi à vida e os adeptos têm que rezar para que se encontre um treinador com a única qualidade necessária: que caia no goto dos jogadores.
É isto que me preocupa, porque por si está visto que não chega a lado nenhum.
O Porto deu todas as chances ao Sporting, teve um final de campeonato pobre, empates nas jornadas 27 e 31 e derrota na 29, o Sporting conseguiu fazer pior. Falhou sempre, sempre, nos momentos decisivos e acabou por entregar ao Porto o campeonato sem que este precise de jogar mais.
Preferia ver um Sporting a lutar e o Porto a não ceder a esta vergonha.
Tenho uma teoria, que os factos vão confirmando, que falseia o futebol mais do que o tráfico de influências: os jogadores profissionais quando estão insatisfeitos com o seu treinador, porque os chateia, têm uma arma terrível, deixam de jogar até que o homem saia, resulta sempre.
O Engenheiro obviamente já foi à vida e os adeptos têm que rezar para que se encontre um treinador com a única qualidade necessária: que caia no goto dos jogadores.
2004-04-23
Apito Dourado
Não restam dúvidas a PJ tem um excelente departamento de “marketing”.
O nome da operação “apito dourado” foi realmente genial.
Caiu no goto a toda a gente, já foi traduzida em várias línguas, mereceu imensa atenção, inclusive uma análise semântica de Eduardo Prado Coelho que lhe descobriu virtualidade que até a mim me escaparam, como o pito do apito e também vitupérios e críticas de outros pensadores: nome piroso, parece nome de café ranhoso de bairro.
Uma coisa é certa, entre aprovações e apupos, ninguém lhe ficou indiferente.
Em que consiste não se sabe bem, mas que tem um grande nome não há qualquer dúvida.
O nome da operação “apito dourado” foi realmente genial.
Caiu no goto a toda a gente, já foi traduzida em várias línguas, mereceu imensa atenção, inclusive uma análise semântica de Eduardo Prado Coelho que lhe descobriu virtualidade que até a mim me escaparam, como o pito do apito e também vitupérios e críticas de outros pensadores: nome piroso, parece nome de café ranhoso de bairro.
Uma coisa é certa, entre aprovações e apupos, ninguém lhe ficou indiferente.
Em que consiste não se sabe bem, mas que tem um grande nome não há qualquer dúvida.
2004-04-22
Livros Fertagus 6
Pois é, não acabaram ainda as leituras de combóio.
De Almada Negreiros conhecia alguma poesia excelente, alguma parte da sua obra plástica e recordo-me ainda da sua presença marcante no velho Zip Zip que revelou ao jovem que eu era então o excelente pensador e conversador.
Tinha porém uma lacuna, o romance.
Ler “Nome de Guerra” foi a descoberta dessa nova faceta do multifacetado artista.
Não sei o que lhes diga, gostar posso dizer que gostei mas confesso que esperava um pouco mais.
Definitivamente prefiro a sua poesia e os seus ensaios.
De Almada Negreiros conhecia alguma poesia excelente, alguma parte da sua obra plástica e recordo-me ainda da sua presença marcante no velho Zip Zip que revelou ao jovem que eu era então o excelente pensador e conversador.
Tinha porém uma lacuna, o romance.
Ler “Nome de Guerra” foi a descoberta dessa nova faceta do multifacetado artista.
Não sei o que lhes diga, gostar posso dizer que gostei mas confesso que esperava um pouco mais.
Definitivamente prefiro a sua poesia e os seus ensaios.
2004-04-20
O Espectáculo
All the world's a stage,
And all the men and women merely players;
They have their exits and their entrances;
And one man in his time plays many parts,
William Shakespeare: “As You Like It ”
And all the men and women merely players;
They have their exits and their entrances;
And one man in his time plays many parts,
William Shakespeare: “As You Like It ”
2004-04-19
A Flor e a sua imagem
Corre agora um clip publicitário que traduz, sem palavras, aquilo que eu me esforço por ir dizendo aqui sobre o estado da nossa civilização.
É aquele anúncio em que 2 jovens rapazes disputam os favores de uma jovem rapariga, e onde vemos um colher uma flor e correr desesperadamente para a oferecer ao objecto do seu amor.
A moça, ingrata, despreza o estafado e suado rapaz, exibindo no seu telemóvel com ar triunfante uma fotografia de uma flor que lhe chegara primeiro electronicamente, enviada pelo comodista rival.
Pobre rapaz e ainda mais pobre rapariga.
Moral da história: o esforço e a dedicação nada valem face à esperteza saloia e mais vale a imagem mediática da flor do que a flor ela mesmo que se oferecia à vista ao tacto e ao olfacto.
Ora que grande porra de valores são aqui passados.
É aquele anúncio em que 2 jovens rapazes disputam os favores de uma jovem rapariga, e onde vemos um colher uma flor e correr desesperadamente para a oferecer ao objecto do seu amor.
A moça, ingrata, despreza o estafado e suado rapaz, exibindo no seu telemóvel com ar triunfante uma fotografia de uma flor que lhe chegara primeiro electronicamente, enviada pelo comodista rival.
Pobre rapaz e ainda mais pobre rapariga.
Moral da história: o esforço e a dedicação nada valem face à esperteza saloia e mais vale a imagem mediática da flor do que a flor ela mesmo que se oferecia à vista ao tacto e ao olfacto.
Ora que grande porra de valores são aqui passados.
2004-04-18
O cabeça de lista
A coligação PSD/PP, pensou, pensou e lá conseguiu sair com um cabeça de lista para as europeias.
Imagino as dificuldades:
Gente capaz, interveniente que estude e viva os problemas com alguma profundidade, só causa problemas e incómodos.
Tem que ser alguém neutro que não levante ondas mas que tenha algum grau de charme, que se mova bem nos corredores, além de ter de ser mediático, para atrair votos.
Que não envergonhe o país, que saiba abrir ostras com elegância, que socialize nas recepções.
E eis que se faz a luz: João de Deus Pinheiro:
Como Ministro lá andou, sem levantar problemas, deixando os Secretários de Estado para lerem e estudarem os chatos “dossiers. Ele era Deus, além de Pinheiro.
Como Comissário Europeu é certo que foi apontado internacionalmente como a anedota dos Comissários, nunca estava, não sabia de nada, só jogava golfe, mas se não fez nada de bom, é certo que também não fez nada de mau e era charmoso, fazia boa figura nas recepções, nunca causou nenhum problema diplomático sério.
Tem que ser um cabeça de lista que caia bem ao povo e que não cause problemas sérios:
João de Deus Pinheiro é o homem indicado.
Os meus parabéns.
Imagino as dificuldades:
Gente capaz, interveniente que estude e viva os problemas com alguma profundidade, só causa problemas e incómodos.
Tem que ser alguém neutro que não levante ondas mas que tenha algum grau de charme, que se mova bem nos corredores, além de ter de ser mediático, para atrair votos.
Que não envergonhe o país, que saiba abrir ostras com elegância, que socialize nas recepções.
E eis que se faz a luz: João de Deus Pinheiro:
Como Ministro lá andou, sem levantar problemas, deixando os Secretários de Estado para lerem e estudarem os chatos “dossiers. Ele era Deus, além de Pinheiro.
Como Comissário Europeu é certo que foi apontado internacionalmente como a anedota dos Comissários, nunca estava, não sabia de nada, só jogava golfe, mas se não fez nada de bom, é certo que também não fez nada de mau e era charmoso, fazia boa figura nas recepções, nunca causou nenhum problema diplomático sério.
Tem que ser um cabeça de lista que caia bem ao povo e que não cause problemas sérios:
João de Deus Pinheiro é o homem indicado.
Os meus parabéns.
2004-04-16
Menopausa
Negócio de milhões, sem dúvida, e onde tudo é permitido.
Falo da terapêutica de substituição ou de compensação ou hormonal ou sei lá, apenas sei que também há um desinteressante debate semântico neste domínio.
Acontece agora que a mesma instituição que verificou cientificamente que essa terapêutica aumentava em 25% o risco de cancro, chega agora há conclusão, igualmente científica, que afinal o estrogénio até diminui o risco de cancro, isto sem por em causa o primeiro estudo.
Em que ficamos ?
O médico convidado pela 2 explicou o óbvio: Não se pode reportar assim, tem que se ler os estudos, as suas premissas, a metodologia e explicou claramente os ditos 25% de aumento:
Verificam-se normalmente 8 casos de cancro em 10 000 mulheres sujeitas a esta terapêutica, no estudo, registaram 10, em 10 000, logo mais 2 casos em 10, 2/10=0,2, aumentou 20% ! mas também pode ser 2 em 8 que até dá 25 % ? tanto faz, Clarissimamente.
Além disso parece que o estudo foi conduzido em mulheres na faixa etária entre os 70 e 80 anos.
Infelizmente não o deixaram prosseguir, mas também não tem importância, com números assim acho que se consegue provar tudo, o que interessa aos lobbies das terapêuticas não hormonais como aos das terapêuticas hormonais.
Vamos a ver quem tem mais força. A "ciência" cá está para o servir.
Falo da terapêutica de substituição ou de compensação ou hormonal ou sei lá, apenas sei que também há um desinteressante debate semântico neste domínio.
Acontece agora que a mesma instituição que verificou cientificamente que essa terapêutica aumentava em 25% o risco de cancro, chega agora há conclusão, igualmente científica, que afinal o estrogénio até diminui o risco de cancro, isto sem por em causa o primeiro estudo.
Em que ficamos ?
O médico convidado pela 2 explicou o óbvio: Não se pode reportar assim, tem que se ler os estudos, as suas premissas, a metodologia e explicou claramente os ditos 25% de aumento:
Verificam-se normalmente 8 casos de cancro em 10 000 mulheres sujeitas a esta terapêutica, no estudo, registaram 10, em 10 000, logo mais 2 casos em 10, 2/10=0,2, aumentou 20% ! mas também pode ser 2 em 8 que até dá 25 % ? tanto faz, Clarissimamente.
Além disso parece que o estudo foi conduzido em mulheres na faixa etária entre os 70 e 80 anos.
Infelizmente não o deixaram prosseguir, mas também não tem importância, com números assim acho que se consegue provar tudo, o que interessa aos lobbies das terapêuticas não hormonais como aos das terapêuticas hormonais.
Vamos a ver quem tem mais força. A "ciência" cá está para o servir.
2004-04-15
Bush e Sharon
Já escrevi aqui algures que não são os EUA que apoiam Israel mas é antes Israel que controla os EUA. Via-o bem quem estava atento porque, de qualquer modo, havia sempre um pouco de pudor e a preocupação de disfarçar a realidade.
Agora já se perdeu a vergonha, porque Sharon é Sharon e Bush é Bush e nem um nem outro sabem nem sentem necessidade de disfarçar.
Quando Sharon mandou assassinar o Sheique, os EUA foram praticamente os únicos a não condenar Israel, obviamente.
Agora Sharon voltou aos EUA e ordenou maior apoio, para o muro, os colunatos, enfim, tudo o que queria e Bush lá deitou por terra várias resoluções das Nações Unidas e respondeu-lhe logo: OK Chefe.
Quem viu na televisão a conferência de imprensa, certamente reparou como Sharon cumprimentou Bush no final com palmadinhas nas costas e, embora houvesse voz off do comentador nacional, ouvia-se perfeitamente com os ouvidos da alma a expressão: “good dog”, enquanto afagava Bush que arfava de língua de fora.
É triste, é muito triste, sobretudo quando me vejo forçado a autoclassificar o meu país como lacaio do lacaio.
Agora já se perdeu a vergonha, porque Sharon é Sharon e Bush é Bush e nem um nem outro sabem nem sentem necessidade de disfarçar.
Quando Sharon mandou assassinar o Sheique, os EUA foram praticamente os únicos a não condenar Israel, obviamente.
Agora Sharon voltou aos EUA e ordenou maior apoio, para o muro, os colunatos, enfim, tudo o que queria e Bush lá deitou por terra várias resoluções das Nações Unidas e respondeu-lhe logo: OK Chefe.
Quem viu na televisão a conferência de imprensa, certamente reparou como Sharon cumprimentou Bush no final com palmadinhas nas costas e, embora houvesse voz off do comentador nacional, ouvia-se perfeitamente com os ouvidos da alma a expressão: “good dog”, enquanto afagava Bush que arfava de língua de fora.
É triste, é muito triste, sobretudo quando me vejo forçado a autoclassificar o meu país como lacaio do lacaio.
2004-04-14
Livro Fertagus 5
Já tinha lido os mais conhecidos, faltava-me este, “O Castelo”.
Mais um grande livro do dito maior autor do século XX, Franz Kafka, e este o mais belo dos seus romances depois de “O Processo” e “América” segundo reza a capa da minha edição da Europa-América.
Não li ainda “América” ou a sua nova edição que saiu com um outro nome, mas partilho a opinião que tenho ouvido a alguns interessados na obra de Kafka e considero este mais belo e abrangente do que “O Processo”.
Ninguém como Kafka conseguiu compreender e exprimir tão bem a angústia de viver nesta civilização ocidental, em que nos inserimos, cuja perfeição consideramos intocável e que estamos dando vidas para proteger.
Mais um grande livro do dito maior autor do século XX, Franz Kafka, e este o mais belo dos seus romances depois de “O Processo” e “América” segundo reza a capa da minha edição da Europa-América.
Não li ainda “América” ou a sua nova edição que saiu com um outro nome, mas partilho a opinião que tenho ouvido a alguns interessados na obra de Kafka e considero este mais belo e abrangente do que “O Processo”.
Ninguém como Kafka conseguiu compreender e exprimir tão bem a angústia de viver nesta civilização ocidental, em que nos inserimos, cuja perfeição consideramos intocável e que estamos dando vidas para proteger.
2004-04-12
2004-04-11
Guerra Civil
Leio, cada vez com mais insistência que o Iraque está à beira de uma guerra civil, até eu já proferi essa sentença com o mesmo ânimo leve dos media.
Mas pensando um pouco, mesmo muito pouco, pode justamente perguntar-se “Onde está a guerra civil, quando os grandes inimigos da sociedade civil iraquiana se unem contra um inimigo exterior ?” “Será que as forças de ocupação são já parte da sociedade iraquiana ?” “Onde antes se viu Xeitas e Sunitas e mesmo alguns Curdos no mesmo lado da barricada ?”
Não, meus amigos, nunca se esteve tão longe de uma guerra civil no Iraque, o que cresce a olhos vistos é uma guerra de libertação.
Mas pensando um pouco, mesmo muito pouco, pode justamente perguntar-se “Onde está a guerra civil, quando os grandes inimigos da sociedade civil iraquiana se unem contra um inimigo exterior ?” “Será que as forças de ocupação são já parte da sociedade iraquiana ?” “Onde antes se viu Xeitas e Sunitas e mesmo alguns Curdos no mesmo lado da barricada ?”
Não, meus amigos, nunca se esteve tão longe de uma guerra civil no Iraque, o que cresce a olhos vistos é uma guerra de libertação.
2004-04-08
Auto-análise
Não sei bem porquê mas vibrei ontem mais com a vitória do Desportivo da Corunha do que com semelhante proeza do meu compatriota FC Porto.
Talvez porque me seduzam, sempre, as vitórias de David sobre Golias e o Porto é já um Golias.
Por outro lado o galego Desportivo é duplamente David:
David face ao gigante Milan que derrotou, também David face a Castela, que assistiu desesperada ao colapso do seu Real Madrid.
Talvez porque me seduzam, sempre, as vitórias de David sobre Golias e o Porto é já um Golias.
Por outro lado o galego Desportivo é duplamente David:
David face ao gigante Milan que derrotou, também David face a Castela, que assistiu desesperada ao colapso do seu Real Madrid.
2004-04-02
Questões avulsas
Como se dirá o indizível ? Prometo-vos que quando souber vos digo.
Vi hoje, na 2, alguém saudar novas edições livreiras apenas pelos aspectos formais: a textura do papel, o formato, a presença de relevos na capa e aspectos como estes.
Eis que surge um livro fechado, lembram-se ? Eram todos assim há meia dúzia de anos e, de repente, parecem já tão distantes, já tinha esquecido completamente.
No entanto, ao recordar, descobri o prazer já perdido de desvirginar um livro novo, com a ajuda de um corta-papel ou, por vezes, tal era a ânsia de o abrir, de forma atabalhoada e grosseira com a os próprios nós dos dedos.
Vi hoje, na 2, alguém saudar novas edições livreiras apenas pelos aspectos formais: a textura do papel, o formato, a presença de relevos na capa e aspectos como estes.
Eis que surge um livro fechado, lembram-se ? Eram todos assim há meia dúzia de anos e, de repente, parecem já tão distantes, já tinha esquecido completamente.
No entanto, ao recordar, descobri o prazer já perdido de desvirginar um livro novo, com a ajuda de um corta-papel ou, por vezes, tal era a ânsia de o abrir, de forma atabalhoada e grosseira com a os próprios nós dos dedos.
Identificação
No Mandarim, Eça de Queirós faz-nos meditar sobre o nosso envolvimento emocional em função da distância e da proximidade, geográfica ou cultural. Teodoro nunca teria assassinado o Mandarim se o conhecesse ou vivesse perto dele, mas pouco hesitou em fazê-lo quando ele lhe era totalmente estranho e vivia a milhares de quilómetros de distância.
Veio-me isto à memória ao observar as ondas emocionais geradas pelos atentados terroristas: julgo que morreram tantos mortos em Bali como em Madrid e foram muitos também no Iraque, Arábia Saudita e Marrocos, todos humanos como nós, mas estando Madrid aqui tão próximo, conhecendo nós tão bem os espanhóis, identificamo-nos muito mais com eles, e partilhamos mais facilmente a sua dor. Sentimos, podia mesmo ser connosco.
Também no conflito Israelo-Palestiniano, já li esta reflexão algures, mesmo quando ideologicamente estamos mais próximos dos palestinianos, dificilmente deixamos de nos perturbar mais quando rebenta uma bomba num autocarro ou num restaurante israelita.
Morre gente vestida como nós, que inocentemente almoçava num restaurante, como nós por vezes fazemos. Podíamos ser nós. A morte, igualmente cruel, de palestinianos, com seus trajes diferentes e modo de vida estranho é sempre mais suportável nas emoções.
Creio aliás que é só isto que permite manter o apoio a Israel naquela guerra desigual entre David e Golias mas onde David não é, neste caso, o futuro Rei de Israel.
Veio-me isto à memória ao observar as ondas emocionais geradas pelos atentados terroristas: julgo que morreram tantos mortos em Bali como em Madrid e foram muitos também no Iraque, Arábia Saudita e Marrocos, todos humanos como nós, mas estando Madrid aqui tão próximo, conhecendo nós tão bem os espanhóis, identificamo-nos muito mais com eles, e partilhamos mais facilmente a sua dor. Sentimos, podia mesmo ser connosco.
Também no conflito Israelo-Palestiniano, já li esta reflexão algures, mesmo quando ideologicamente estamos mais próximos dos palestinianos, dificilmente deixamos de nos perturbar mais quando rebenta uma bomba num autocarro ou num restaurante israelita.
Morre gente vestida como nós, que inocentemente almoçava num restaurante, como nós por vezes fazemos. Podíamos ser nós. A morte, igualmente cruel, de palestinianos, com seus trajes diferentes e modo de vida estranho é sempre mais suportável nas emoções.
Creio aliás que é só isto que permite manter o apoio a Israel naquela guerra desigual entre David e Golias mas onde David não é, neste caso, o futuro Rei de Israel.
2004-03-29
Livro FERTAGUS 4
Não sei se ando distraído ou se há muitos pouca gente a escrever sobre um período determinante da nossa história, que muitos de nós viveram intensamente.
Refiro-me ao que tem sido chamado como PREC, mas não a Otelos, nem a Conselhos de Revolução, Governos Provisórios, campanhas do MFA e aspectos, como estes, da superestrutura e das elites e vanguardas do PREC, não, sobre isto ainda se tem escrito alguma coisa, ao que eu me refiro é à vivência de gente anónima, das suas esperanças e desilusões e dos seus pequenos papéis na vivência de um período histórico singular e único.
Mesmo entre gente da mesma geração, que viveu tudo isto, pouco se fala e se recorda, é como se fosse um sonho sonhado dentro de um sono colectivo do qual já acordámos e de que não nos lembramos ou não nos queremos lembrar. Muitos de nós mesmo já não nos reconhecemos nesse sonho. Conheço imensos pequenos casos de “amnésia” e todos conhecemos, casos públicos como o do nosso actual Primeiro Ministro, que já ninguém consegue, sequer, imaginar a roubar a mobília da Faculdade de Direito.
Vem isto a propósito do livro “Crónicas Portuguesas” de John Reeve.
O autor, luso-francês, nado e criado no nosso país, viveu tudo isto. Residindo agora lá fora, tem talvez a distância necessária para analisar vários aspectos da nossa evolução pos-PREC, relacionando os anos 90 nacionais, data das crónicas, com as vivências desses gloriosos anos 70.
Trata-se de um excelente e muito interessante livro, sobretudo para os da minha geração.
Refiro-me ao que tem sido chamado como PREC, mas não a Otelos, nem a Conselhos de Revolução, Governos Provisórios, campanhas do MFA e aspectos, como estes, da superestrutura e das elites e vanguardas do PREC, não, sobre isto ainda se tem escrito alguma coisa, ao que eu me refiro é à vivência de gente anónima, das suas esperanças e desilusões e dos seus pequenos papéis na vivência de um período histórico singular e único.
Mesmo entre gente da mesma geração, que viveu tudo isto, pouco se fala e se recorda, é como se fosse um sonho sonhado dentro de um sono colectivo do qual já acordámos e de que não nos lembramos ou não nos queremos lembrar. Muitos de nós mesmo já não nos reconhecemos nesse sonho. Conheço imensos pequenos casos de “amnésia” e todos conhecemos, casos públicos como o do nosso actual Primeiro Ministro, que já ninguém consegue, sequer, imaginar a roubar a mobília da Faculdade de Direito.
Vem isto a propósito do livro “Crónicas Portuguesas” de John Reeve.
O autor, luso-francês, nado e criado no nosso país, viveu tudo isto. Residindo agora lá fora, tem talvez a distância necessária para analisar vários aspectos da nossa evolução pos-PREC, relacionando os anos 90 nacionais, data das crónicas, com as vivências desses gloriosos anos 70.
Trata-se de um excelente e muito interessante livro, sobretudo para os da minha geração.
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