Como definir esta velha noção política partidária ?
Paulo Portas, líder de direita, conservadora, apela para a reforma da constituição: Queremos uma constituição do século XXI, diz !
Jorge Sampaio, líder da esquerda “revolucionária” defende a conservação da lei “fundamental”: Temos que acabar com o frenesim para alterar a constituição !
O que pensar quando são os conservadores que querem a mudança e os reformistas que defendem o estado das coisas.
2003-11-30
2003-11-28
Números 3
Luis Delgado veio à liça, como lhe é habitual para mostrar que o branco é, de facto, negro e, talvez, vice versa.
A OCDE prevê, voltamos a dizer, prevê, o decréscimo de 0,8% do pib português em 2003.
Anteriormente, este e outros videntes tinham previsto, voltamos a dizer, previsto, um decréscimo maior, 1%, ou mesmo1,75% .
Insurge-se assim Delgado quanto aos títulos de jornais que relatam exactamente o que se passa, que a OCDE prevê um decréscimo 0,8% do nosso PIB.
Decréscimo ? diz ele escandalizado, não melhorou muito a situação quanto às anteriores previsões ?
E assim se constrói uma nova forma de manipular números: comparar previsões com previsões.
Como as previsões, na ausência de fundamentação, podem dizer o que se queira, prevendo sucessivamente o pior promove-se o pessimismo, prevendo sucessivamente o melhor, promove-se o optimismo.
Num caso ou noutro estas previsões têm o mesmo valor: Zero.
Não quero com isto dizer que as previsões não possam ter valor, mas apenas que se elas são bem feitas, trazem consigo os respectivos pressupostos e fundamentação, mas disto, que é essencial, nunca nos falam os jornais.
A OCDE prevê, voltamos a dizer, prevê, o decréscimo de 0,8% do pib português em 2003.
Anteriormente, este e outros videntes tinham previsto, voltamos a dizer, previsto, um decréscimo maior, 1%, ou mesmo1,75% .
Insurge-se assim Delgado quanto aos títulos de jornais que relatam exactamente o que se passa, que a OCDE prevê um decréscimo 0,8% do nosso PIB.
Decréscimo ? diz ele escandalizado, não melhorou muito a situação quanto às anteriores previsões ?
E assim se constrói uma nova forma de manipular números: comparar previsões com previsões.
Como as previsões, na ausência de fundamentação, podem dizer o que se queira, prevendo sucessivamente o pior promove-se o pessimismo, prevendo sucessivamente o melhor, promove-se o optimismo.
Num caso ou noutro estas previsões têm o mesmo valor: Zero.
Não quero com isto dizer que as previsões não possam ter valor, mas apenas que se elas são bem feitas, trazem consigo os respectivos pressupostos e fundamentação, mas disto, que é essencial, nunca nos falam os jornais.
2003-11-27
Ontem como hoje
Ora Porra!
Então a imprensa portuguesa
é que é a imprensa portuguesa?
Então é esta merda que temos
que beber com os olhos?
Filhos da puta! Não, que nem
há puta que os parisse.
Álvaro de Campos
Então a imprensa portuguesa
é que é a imprensa portuguesa?
Então é esta merda que temos
que beber com os olhos?
Filhos da puta! Não, que nem
há puta que os parisse.
Álvaro de Campos
2003-11-26
2003-11-25
Não sei se já repararam
O Big brother (o de Orwell, não o da TVI) já deu ordem para aumentarmos o nosso optimismo.
Os sinais estão por aí: O infame apoio nacional à política económica da França e Alemanha, independentemente de convicções e políticas, é apoiado, com naturalidade, pelo Bloco de Esquerda; o tímido reflorescimento do mercado de capitais; as sucessívas profecias de luz à frente do túnel, muitos outros imdicadores estão aí por todo o lado.
É um processo lento e progressivo mas, embora tudo esteja, mais ou menos, na mesma, lentamente, as coisas vão-nos parecer melhores.
Para quem não se apercebeu ainda, espere 6 meses e fale comigo.
Antes assim ! Poderemos continuar a viver, tal como até aqui, mas mais alegremente.
Os sinais estão por aí: O infame apoio nacional à política económica da França e Alemanha, independentemente de convicções e políticas, é apoiado, com naturalidade, pelo Bloco de Esquerda; o tímido reflorescimento do mercado de capitais; as sucessívas profecias de luz à frente do túnel, muitos outros imdicadores estão aí por todo o lado.
É um processo lento e progressivo mas, embora tudo esteja, mais ou menos, na mesma, lentamente, as coisas vão-nos parecer melhores.
Para quem não se apercebeu ainda, espere 6 meses e fale comigo.
Antes assim ! Poderemos continuar a viver, tal como até aqui, mas mais alegremente.
2003-11-24
O atentado
Aguarda-se insistentemente um novo ataque terrorista de grande impacto.
O local e o modo são motivos de especulação.
Depois de me debruçar sobre o assunto ocorreu-me uma forma de ataque utilizável para a qual, julgo, a CIA não está devidamente preparada:
Consiste no seguinte: em dia e hora determinados, na cidade de Nova Yorque, em lugar de grande concentração de público, uns tantos terroristas, estrategicamente colocados entre a multidão, acenderem simultaneamente cigarros, prejudicando gravemente a saúde dos que os rodeiam.
Considerando a informação que nos chega em doses avassaladoras nos maços de tabaco, apenas estranho como ainda ninguém se lembrou disso; seria um ataque devastador e simples de praticar.
A hora, o local e o número de terroristas necessário, que antevejo, não os divulgo aqui, por razões de segurança.
O local e o modo são motivos de especulação.
Depois de me debruçar sobre o assunto ocorreu-me uma forma de ataque utilizável para a qual, julgo, a CIA não está devidamente preparada:
Consiste no seguinte: em dia e hora determinados, na cidade de Nova Yorque, em lugar de grande concentração de público, uns tantos terroristas, estrategicamente colocados entre a multidão, acenderem simultaneamente cigarros, prejudicando gravemente a saúde dos que os rodeiam.
Considerando a informação que nos chega em doses avassaladoras nos maços de tabaco, apenas estranho como ainda ninguém se lembrou disso; seria um ataque devastador e simples de praticar.
A hora, o local e o número de terroristas necessário, que antevejo, não os divulgo aqui, por razões de segurança.
2003-11-20
COLAGEM
Retive do que vi e ouvi hoje algumas pequenas notícias e informações:
1. Desemprego aumenta, em Portugal: Em Outubro de 2003 surgiram mais 22% de desempregados do que em Outubro de 2002 (TSF noticiário das 18h).
Vila Verde Cabral comenta: Ainda vai ser pior, quando o governo, ele próprio, está determinado em destruir o aparelho do Estado.
2. Aumenta a mendicidade infantil nas ruas de Lisboa (RTP 1 Jornal da noite).
Uma deputada do PP comenta: É necessário arranjar formas de pôr estas crianças em creches e jardins de infância, como é seu direito.
Pobres decisores atentos, dirão uns e outros:
- Pois é pá, temos de reforçar os serviços públicos, contrata-se uma série de gente, diminui-se o desemprego.
- Tás maluco pá, então e a despesa pública e o défice?
- Tens razão pá, mas se aumenta o desemprego é natural que aumente a mendicidade infantil o que é uma grande chatice e um grande incómodo, temos que arranjar uma solução para esses miúdos: Já sei, criamos uma espécie de Casa Pia.
- Estás maluco pá, safa !
- Olha o melhor é deixarmos andar tudo como está, com sorte aguentamos até 2006.
E assim vai o mundo.
1. Desemprego aumenta, em Portugal: Em Outubro de 2003 surgiram mais 22% de desempregados do que em Outubro de 2002 (TSF noticiário das 18h).
Vila Verde Cabral comenta: Ainda vai ser pior, quando o governo, ele próprio, está determinado em destruir o aparelho do Estado.
2. Aumenta a mendicidade infantil nas ruas de Lisboa (RTP 1 Jornal da noite).
Uma deputada do PP comenta: É necessário arranjar formas de pôr estas crianças em creches e jardins de infância, como é seu direito.
Pobres decisores atentos, dirão uns e outros:
- Pois é pá, temos de reforçar os serviços públicos, contrata-se uma série de gente, diminui-se o desemprego.
- Tás maluco pá, então e a despesa pública e o défice?
- Tens razão pá, mas se aumenta o desemprego é natural que aumente a mendicidade infantil o que é uma grande chatice e um grande incómodo, temos que arranjar uma solução para esses miúdos: Já sei, criamos uma espécie de Casa Pia.
- Estás maluco pá, safa !
- Olha o melhor é deixarmos andar tudo como está, com sorte aguentamos até 2006.
E assim vai o mundo.
2003-11-19
Walkeman
Sento-me no banco do combóio, coloco os auriculares, acciono o comando e Zás, salto para outro mundo.
Os companheiros de viagem transformam-se subitamente numa espécie de autómatos, alheios a tudo o que se passa.
Por vezes noto o olhar atento de um deles, que, por momentos, parece partilhar a minha música. Na realidade, deve apenas estranhar os meus ligeiros movimentos da perna, ou dos músculos da face, ao compasso da música, para ele silenciosa.
É assim, por vezes, a comunicação que estabelecemos diariamente: Como nos podemos entender se só um de nós ouve a música ?
Os companheiros de viagem transformam-se subitamente numa espécie de autómatos, alheios a tudo o que se passa.
Por vezes noto o olhar atento de um deles, que, por momentos, parece partilhar a minha música. Na realidade, deve apenas estranhar os meus ligeiros movimentos da perna, ou dos músculos da face, ao compasso da música, para ele silenciosa.
É assim, por vezes, a comunicação que estabelecemos diariamente: Como nos podemos entender se só um de nós ouve a música ?
2003-11-16
Cultura
Passei há momentos pela SIC notícias onde Bárbara Guimarães entrevistava o autor de uma “História Constitucional do Brasil”.
Pergunta importantíssima de Bárbara, “Há quanto tempo começou a escrever este livro ?”
O Autor hesita, enquanto Bárbara comenta com respeito: são cerca de 1000 páginas !
Bárbara Guimarães que ganhou o estatuto de vedeta cultural em tempo record, certamente por absorção osmótica do seu companheiro Carrilho, teve que reconhecer a importância cultural do seu entrevistado:
1000 páginas em cerca de 2 meses é, de facto, uma obra notável, temos todos que correr a comprar a “História Constitucional do Brasil
Pergunta importantíssima de Bárbara, “Há quanto tempo começou a escrever este livro ?”
O Autor hesita, enquanto Bárbara comenta com respeito: são cerca de 1000 páginas !
Bárbara Guimarães que ganhou o estatuto de vedeta cultural em tempo record, certamente por absorção osmótica do seu companheiro Carrilho, teve que reconhecer a importância cultural do seu entrevistado:
1000 páginas em cerca de 2 meses é, de facto, uma obra notável, temos todos que correr a comprar a “História Constitucional do Brasil
A Europa
Maria João Ruela regressa a Portugal.
Os bandidos que a balearam, simpáticos, devolveram-lhe a sua bolsa através de Raleiras.
A simpatia dos bandidos já era esperada, eu já tinha descansado um pouco quanto à segurança de Raleiras no seu sequestro, quando ouvi MJ Ruela dizer que logo que saiu da viatura baleada um assaltante armado lhe disse: “sorry”.
O significativo desta devolução, é que os bandidos apenas lhe roubaram os dollars, os Euros foram restituídos.
Tamanha humilhação no nosso orgulho Europeu já eu a tinha sentido em S. Luis do Maranhão, onde os meus Euros foram desprezados por todos os bancos, incluindo a representação do Banco do Brasil naquela cidade.
O que se passa com a Europa e a sua fortíssima moeda ?
É certo que o capital não tem pátria, mas em situações como esta parece que tem.
Os bandidos que a balearam, simpáticos, devolveram-lhe a sua bolsa através de Raleiras.
A simpatia dos bandidos já era esperada, eu já tinha descansado um pouco quanto à segurança de Raleiras no seu sequestro, quando ouvi MJ Ruela dizer que logo que saiu da viatura baleada um assaltante armado lhe disse: “sorry”.
O significativo desta devolução, é que os bandidos apenas lhe roubaram os dollars, os Euros foram restituídos.
Tamanha humilhação no nosso orgulho Europeu já eu a tinha sentido em S. Luis do Maranhão, onde os meus Euros foram desprezados por todos os bancos, incluindo a representação do Banco do Brasil naquela cidade.
O que se passa com a Europa e a sua fortíssima moeda ?
É certo que o capital não tem pátria, mas em situações como esta parece que tem.
2003-11-14
IRAQUE
Hoje é o dia do Iraque.
GNR, Jornalistas, feridos, sequestros, bandidos, Sadam, resistentes, coligação, Italianos, Ingleses, Americanos, Portugueses, TSF, SIC, TVI, RTP, JN.
É tudo muito confuso e absurdo.
Só uma coisa me vem à cabeça, só uma mesma emoção se desperta em mim: Aquela mesma que me é sugerida pela magnifica cena do “Dear Hunter” onde Robert de Niro assiste impotente à corrida para a morte, do seu amigo, num antro obscuro de roleta russa.
GNR, Jornalistas, feridos, sequestros, bandidos, Sadam, resistentes, coligação, Italianos, Ingleses, Americanos, Portugueses, TSF, SIC, TVI, RTP, JN.
É tudo muito confuso e absurdo.
Só uma coisa me vem à cabeça, só uma mesma emoção se desperta em mim: Aquela mesma que me é sugerida pela magnifica cena do “Dear Hunter” onde Robert de Niro assiste impotente à corrida para a morte, do seu amigo, num antro obscuro de roleta russa.
2003-11-13
2 questões
Há dias que não actualizava o blog.
Por falta de ideias ? não, muito melhor, simplesmente por ter passado vários dias longe de computadores e da net, belos dias por sinal.
Para retomar estas crónicas numa onda aparentemente soft vou colocar apenas duas pequenas questões para reflexão:
1. A democracia fundamenta-se na maioria, como afirma o projecto de constituição europeia ou será antes no povo ?
2. Os Juizes existem para vigiar o cumprimento da lei, como diz o Meritíssimo Rui Teixeira e quase todos os outros, ou será para procurar fazer justiça ?
São questões simples mas penso que muito pertinentes.
Por falta de ideias ? não, muito melhor, simplesmente por ter passado vários dias longe de computadores e da net, belos dias por sinal.
Para retomar estas crónicas numa onda aparentemente soft vou colocar apenas duas pequenas questões para reflexão:
1. A democracia fundamenta-se na maioria, como afirma o projecto de constituição europeia ou será antes no povo ?
2. Os Juizes existem para vigiar o cumprimento da lei, como diz o Meritíssimo Rui Teixeira e quase todos os outros, ou será para procurar fazer justiça ?
São questões simples mas penso que muito pertinentes.
2003-11-07
Números-2
Há ainda outras formas de manipular números e estas tão ingénuas que chegamos a estranhar como conseguem ser eficientes. Mas são-no.
Se leram o 1984 de Orwell, recordar-se-ão que toda a acção decorre sob um pano de fundo de uma guerra, onde as notícias de vitórias e derrotas mudavam diariamente, ao ponto de uma derrota de ontem ser hoje uma vitória e poder tornar-se em derrota, de novo amanhã. Não estamos no mundo do 1984, mas nunca estivemos tão próximos e fenómenos desse tipo começam a passar-se apoiados no grande fluxo de informação que se vai sempre neutralizando com nova informação.
Há vários exemplos, falo agora, apenas, dos americanos mortos no Iraque. Se estiverem atentos verão que não há coerência e, após o mesmo facto, as notícias vão variando. Hoje por exemplo, na TSF houve 4 mortos num helicóptero e na SIC 6 no mesmo helicóptero.
O total de mortos pós guerra vai crescendo e decrescendo e ninguém sabe exactamente. Hoje ouvi centena e meia, na BBC, há alguns meses, falavam em mil e cem, incluindo estropiados. No New York Times li que a informação exacta era sempre muito difícil de obter junto das forças armadas americanas.
Estou a ver que sim.
Espero que, pelo menos, as infelizes famílias, vão recebendo correctamente os seus sacos pretos.
Se leram o 1984 de Orwell, recordar-se-ão que toda a acção decorre sob um pano de fundo de uma guerra, onde as notícias de vitórias e derrotas mudavam diariamente, ao ponto de uma derrota de ontem ser hoje uma vitória e poder tornar-se em derrota, de novo amanhã. Não estamos no mundo do 1984, mas nunca estivemos tão próximos e fenómenos desse tipo começam a passar-se apoiados no grande fluxo de informação que se vai sempre neutralizando com nova informação.
Há vários exemplos, falo agora, apenas, dos americanos mortos no Iraque. Se estiverem atentos verão que não há coerência e, após o mesmo facto, as notícias vão variando. Hoje por exemplo, na TSF houve 4 mortos num helicóptero e na SIC 6 no mesmo helicóptero.
O total de mortos pós guerra vai crescendo e decrescendo e ninguém sabe exactamente. Hoje ouvi centena e meia, na BBC, há alguns meses, falavam em mil e cem, incluindo estropiados. No New York Times li que a informação exacta era sempre muito difícil de obter junto das forças armadas americanas.
Estou a ver que sim.
Espero que, pelo menos, as infelizes famílias, vão recebendo correctamente os seus sacos pretos.
2003-11-05
Números
Não, não é o respectivo livro da Bíblia que quero reproduzir aqui.
Apenas uma reflexão sobre a utilização de números para fazer vingar uma ideia.
Exemplo 1.
Ontem vi o Primeiro Ministro, na Assembleia, arrasar a oposição com o custo das estradas sem portagem, bastou falar em milhões. Quantos já não sei, duvido que alguém que tenha ouvido, sem estar minimamente envolvido no assunto, se recorde do número, mais ou menos, exacto e é precisamente esse efeito que se pretende. Para nós, milhões exigem lápis e papel.
Nada melhor, para nos atrapalhar, do que falar em milhões; à nossa escala, milhões só tem um significado qualitativo: é muito.
Para explicar o que pretendo dizer atente-se neste exemplo:
Se se falar em 2 pacote de manteiga, todos sabemos o que é e que espaço ocupam num frigorífico. O mesmo se passará se falarmos em 20 ou 30 pacotes de manteiga; se porém eu disser um milhão de pacotes de manteiga gostava que imaginassem e sem recorrer a contas me dissessem: cabem num frigorífico ? suponho que não, e numa sala média ? já não sei, numa grande armazém, também não sei; nesta escala, estou disposto a acreditar, praticamente, em tudo o que me disserem ; Só sei uma coisa: é muita manteiga.
É assim que o argumento do Sr. Primeiro Ministro não me diz nada e, de qualquer forma, é sempre um pau de 2 bicos: Significa exactamente que é preciso que os utentes das SCUT paguem em portagens esses milhões e como são tantos parece-me que vão ficar todos na miséria, por várias gerações. Como disse o nosso Primeiro Ministro, são eles que irão permitir que haja algumas obras públicas em Portugal.
Exemplo 2
Se tiver um preço de 100 unidades e reduzir 70%, de cabeça digo que passará para 30, porém, se o preço for de 30 e aumentar 70%, não passará para 100 mas, também de cabeça, digo que andará pelos 50.
No entanto falamos sempre dos mesmos 70%.
Falar em percentagens é assim um tanto traiçoeiro, como se costuma dizer, e as manipulações psicológicas das percentagens são mais do que muitas, basta não dizer x% de quê, precisamente.
Exemplo 3
Um anúncio da PT diz que a diferença de preço do telefone fixo para o móvel é de 15 vezes, reparem, não fala em percentagens mas em valores absolutos, significa que se eu gasto 100 no fixo gastaria 1 500 no móvel e vice-versa.
Esta afirmação não sei desmontar, porque não me disseram como fizeram as contas, mas não corresponde nada ao que eu vejo nas minhas facturas, não condiz nada com a minha experiência, não acredito.
Apenas uma reflexão sobre a utilização de números para fazer vingar uma ideia.
Exemplo 1.
Ontem vi o Primeiro Ministro, na Assembleia, arrasar a oposição com o custo das estradas sem portagem, bastou falar em milhões. Quantos já não sei, duvido que alguém que tenha ouvido, sem estar minimamente envolvido no assunto, se recorde do número, mais ou menos, exacto e é precisamente esse efeito que se pretende. Para nós, milhões exigem lápis e papel.
Nada melhor, para nos atrapalhar, do que falar em milhões; à nossa escala, milhões só tem um significado qualitativo: é muito.
Para explicar o que pretendo dizer atente-se neste exemplo:
Se se falar em 2 pacote de manteiga, todos sabemos o que é e que espaço ocupam num frigorífico. O mesmo se passará se falarmos em 20 ou 30 pacotes de manteiga; se porém eu disser um milhão de pacotes de manteiga gostava que imaginassem e sem recorrer a contas me dissessem: cabem num frigorífico ? suponho que não, e numa sala média ? já não sei, numa grande armazém, também não sei; nesta escala, estou disposto a acreditar, praticamente, em tudo o que me disserem ; Só sei uma coisa: é muita manteiga.
É assim que o argumento do Sr. Primeiro Ministro não me diz nada e, de qualquer forma, é sempre um pau de 2 bicos: Significa exactamente que é preciso que os utentes das SCUT paguem em portagens esses milhões e como são tantos parece-me que vão ficar todos na miséria, por várias gerações. Como disse o nosso Primeiro Ministro, são eles que irão permitir que haja algumas obras públicas em Portugal.
Exemplo 2
Se tiver um preço de 100 unidades e reduzir 70%, de cabeça digo que passará para 30, porém, se o preço for de 30 e aumentar 70%, não passará para 100 mas, também de cabeça, digo que andará pelos 50.
No entanto falamos sempre dos mesmos 70%.
Falar em percentagens é assim um tanto traiçoeiro, como se costuma dizer, e as manipulações psicológicas das percentagens são mais do que muitas, basta não dizer x% de quê, precisamente.
Exemplo 3
Um anúncio da PT diz que a diferença de preço do telefone fixo para o móvel é de 15 vezes, reparem, não fala em percentagens mas em valores absolutos, significa que se eu gasto 100 no fixo gastaria 1 500 no móvel e vice-versa.
Esta afirmação não sei desmontar, porque não me disseram como fizeram as contas, mas não corresponde nada ao que eu vejo nas minhas facturas, não condiz nada com a minha experiência, não acredito.
2003-11-04
Saez
Quando falava ontem dos jovens, referia-me, evidentemente ao “jovem médio”, o que está nas estatísticas, o que interessa aos média, “jovem médio” no sentido de Chàteliet, no livro “Vivermos e pensarmos como porcos” de que já falei numa outra crónica e que, entretanto, já tive o prazer de ler.
Felizmente, há ainda muitos que se conservam, teimosamente, macacos-deuses.
Queria hoje falar dum deles: Damien Saez.
Pouca gente o conhece hoje em Portugal, os seus discos não estão cá à venda, ainda, no entanto é um músico fabuloso, juntando qualidades de excelente músico, intérprete magnífico e muito bom poeta.
As suas canções lembram imenso Brel, tem 26 anos apenas e publicou o seu primeiro disco com 23. Não tenho dúvidas que dentro de alguns anos toda gente conhecerá o seu nome.
Infelizmente não domino, ainda, a tecnologia para por ficheiros de som no blog e só poderei dar uma pálida imagem do seu valor transcrevendo um texto de uma das suas canções, escolhi este mas poderiam se muitos outros::
Usé
Usé par les hommes
Par le bruit qui rend fou
Usé par la vie
Par les hurlements
Usé par le silence
Usé par le vent
Usé par l'oubli
On oublie pourtant
Qu'un jour on s'est aimé,
Qu'un jour on a vécu,
Que la vie est passée,
Que le passé n'est plus
Qu'un jour on s'est aimé
Que ce jour n'est plus
Qu'une postérité
Noyée dans l'inconnu
Usé par un monde
Qu'on ne comprends plus
Qu'on a jamais compris
Mais qu'il continue
A tourner encore
A tourner toujours plus
A faire tourner la tête
A nos âmes perdues
A nos cœurs qui appellent
Et hurlent au secours
Mais non y a plus de ciel
Et non, y a plus d'amour
Et plus que des troupeaux
Des vendus, des vautours
Des vendeurs de merveilles
Des joueurs de tambours
Usé par l'avenir
Usé par un meilleur
Qui ressemble au pire
Et oui, ça fait mal au cœur !
Usé par l'ironie
Qui tua ma jeunesse
Usé par la comédie
Usé par les promesses
Usé par la folie
Usé par le dégoût
Usé d'être incompris
De marcher à genou
Usé par l'usure
Usé par les regrets
D'avoir fui l'aventure
D'avoir fui la beauté
Te voilà qui revient
Te voilà toi mon frère
Qui me dit prends ma main
Marchons vers la lumière
Et le cœur plein d'espoir
Et le cœur infini
On oublie qu'il fait noir
Alors enfin on vit
Et loin de leur tambours
Et loin de l'inhumain
On redevient fou à chaque matin
Un jour on s'est aimé
Et ce jour c'est demain
Un jour d'humanité
Un jour de gloire
Un jour on s'est aimé
Et ce jour c'est demain
Un jour d'humanité
Un jour d'humain
Felizmente, há ainda muitos que se conservam, teimosamente, macacos-deuses.
Queria hoje falar dum deles: Damien Saez.
Pouca gente o conhece hoje em Portugal, os seus discos não estão cá à venda, ainda, no entanto é um músico fabuloso, juntando qualidades de excelente músico, intérprete magnífico e muito bom poeta.
As suas canções lembram imenso Brel, tem 26 anos apenas e publicou o seu primeiro disco com 23. Não tenho dúvidas que dentro de alguns anos toda gente conhecerá o seu nome.
Infelizmente não domino, ainda, a tecnologia para por ficheiros de som no blog e só poderei dar uma pálida imagem do seu valor transcrevendo um texto de uma das suas canções, escolhi este mas poderiam se muitos outros::
Usé
Usé par les hommes
Par le bruit qui rend fou
Usé par la vie
Par les hurlements
Usé par le silence
Usé par le vent
Usé par l'oubli
On oublie pourtant
Qu'un jour on s'est aimé,
Qu'un jour on a vécu,
Que la vie est passée,
Que le passé n'est plus
Qu'un jour on s'est aimé
Que ce jour n'est plus
Qu'une postérité
Noyée dans l'inconnu
Usé par un monde
Qu'on ne comprends plus
Qu'on a jamais compris
Mais qu'il continue
A tourner encore
A tourner toujours plus
A faire tourner la tête
A nos âmes perdues
A nos cœurs qui appellent
Et hurlent au secours
Mais non y a plus de ciel
Et non, y a plus d'amour
Et plus que des troupeaux
Des vendus, des vautours
Des vendeurs de merveilles
Des joueurs de tambours
Usé par l'avenir
Usé par un meilleur
Qui ressemble au pire
Et oui, ça fait mal au cœur !
Usé par l'ironie
Qui tua ma jeunesse
Usé par la comédie
Usé par les promesses
Usé par la folie
Usé par le dégoût
Usé d'être incompris
De marcher à genou
Usé par l'usure
Usé par les regrets
D'avoir fui l'aventure
D'avoir fui la beauté
Te voilà qui revient
Te voilà toi mon frère
Qui me dit prends ma main
Marchons vers la lumière
Et le cœur plein d'espoir
Et le cœur infini
On oublie qu'il fait noir
Alors enfin on vit
Et loin de leur tambours
Et loin de l'inhumain
On redevient fou à chaque matin
Un jour on s'est aimé
Et ce jour c'est demain
Un jour d'humanité
Un jour de gloire
Un jour on s'est aimé
Et ce jour c'est demain
Un jour d'humanité
Un jour d'humain
2003-11-03
Jovens
O processo de desumanização que nos ameaça faz-se sentir de forma acelerada entre a juventude.
É talvez natural que na fase de descoberta que se vive na juventude, se verifique a inserção quase automática, sem crítica, na sociedade do espectáculo ou na intrujice da civilização para a qual caminhamos apressadamente.
Será assim em todas as gerações, o que diferencia esta, pela própria natureza da sociedade global que se construi pela primeira vez na história é que a castração de humanidade que se verifica poderá vir a transformar esta juventude em adultos impotentes e apáticos.
Lamentavelmente, o inconformismo que também é apanágio dos jovens e que poderia conduzir a uma inserção mais atenta e independente, não parece resultar neste modelo de sociedade, onde alguma assimetria é também condição da sua manutenção e o radicalismo juvenil é incorporado no sistema, transformando uma suposta marginalização no alinhamento mais puro.
É assim que vemos a juventude, utilizando o argumento da afirmação da diferença, vestir verdadeiros uniformes, quase militares, de roupa de marca normalizada pelo mercado, típicos da respectiva tribo urbana, tornando difícil descortinar qualquer elemento da individualidade que pensam afirmar.
São mais que alinhado, são alinhadíssimos, previsíveis, fiéis intérpretes de modelos estereotipados; tornando-se mais clara a inserção no processo de homogeneização social que vivemos, constituído verdadeiros exércitos de replicantes.
Preocupante é já, neste processo de desumanização da juventude o abastardamento da expressão humana:
Os jovens já dificilmente conversam, o vocabulário reduz-se drasticamente a alguns substantivos, poucos adjectivos, e um mínimo de verbos.
Nos "chats" cibernéticos, onde são exímios, as própria palavras, já de si limitadas, são despidas de sílabas e de letras reduzindo-se a uma expressão minimamente significante, quando não são substituídas por rudimentos da língua internacional: o “broken English".
Qualquer forma de raciocínio abstracto torna-se inexprimível e, assistimos já ao horror de ver, com demasiada frequência, em publicidade dirigida à juventude, reduzir a expressão oral a grunhidos de besta, do tipo Reeereeereeereeeumreee ou ihaaahuuuu, ihaaaaahuuuuu, entrecortados com gritos lancinantes de dor ou de prazer.
Parece-me, sem dúvida, preocupante esta tendência e para que não estereotipem esta minha posição, enquadrando-a, apressadamente, no conflito geracional, amanhã falarei de franjas de resistência e de esperança de alguma juventude mais esclarecida.
Como diz o Poeta Alegre: "mesmo na noite mais escura do tempo de solidão; há sempre alguém que resiste; há sempre alguém que diz não.
É talvez natural que na fase de descoberta que se vive na juventude, se verifique a inserção quase automática, sem crítica, na sociedade do espectáculo ou na intrujice da civilização para a qual caminhamos apressadamente.
Será assim em todas as gerações, o que diferencia esta, pela própria natureza da sociedade global que se construi pela primeira vez na história é que a castração de humanidade que se verifica poderá vir a transformar esta juventude em adultos impotentes e apáticos.
Lamentavelmente, o inconformismo que também é apanágio dos jovens e que poderia conduzir a uma inserção mais atenta e independente, não parece resultar neste modelo de sociedade, onde alguma assimetria é também condição da sua manutenção e o radicalismo juvenil é incorporado no sistema, transformando uma suposta marginalização no alinhamento mais puro.
É assim que vemos a juventude, utilizando o argumento da afirmação da diferença, vestir verdadeiros uniformes, quase militares, de roupa de marca normalizada pelo mercado, típicos da respectiva tribo urbana, tornando difícil descortinar qualquer elemento da individualidade que pensam afirmar.
São mais que alinhado, são alinhadíssimos, previsíveis, fiéis intérpretes de modelos estereotipados; tornando-se mais clara a inserção no processo de homogeneização social que vivemos, constituído verdadeiros exércitos de replicantes.
Preocupante é já, neste processo de desumanização da juventude o abastardamento da expressão humana:
Os jovens já dificilmente conversam, o vocabulário reduz-se drasticamente a alguns substantivos, poucos adjectivos, e um mínimo de verbos.
Nos "chats" cibernéticos, onde são exímios, as própria palavras, já de si limitadas, são despidas de sílabas e de letras reduzindo-se a uma expressão minimamente significante, quando não são substituídas por rudimentos da língua internacional: o “broken English".
Qualquer forma de raciocínio abstracto torna-se inexprimível e, assistimos já ao horror de ver, com demasiada frequência, em publicidade dirigida à juventude, reduzir a expressão oral a grunhidos de besta, do tipo Reeereeereeereeeumreee ou ihaaahuuuu, ihaaaaahuuuuu, entrecortados com gritos lancinantes de dor ou de prazer.
Parece-me, sem dúvida, preocupante esta tendência e para que não estereotipem esta minha posição, enquadrando-a, apressadamente, no conflito geracional, amanhã falarei de franjas de resistência e de esperança de alguma juventude mais esclarecida.
Como diz o Poeta Alegre: "mesmo na noite mais escura do tempo de solidão; há sempre alguém que resiste; há sempre alguém que diz não.
2003-10-31
José Alvalade
Hoje acordei com uma pequena angústia, inspirada pelas eleições do Benfica.
Sou adepto do Sporting, desde que nasci. Porquê ? não sei explicar racionalmente, creio mesmo que essa adesão profundamente emotiva, teve uma origem meramente aleatória; o meu pai, sem ser amante do futebol, era já simpatizante do Sporting e assim ficámos eu e os meus irmãos e irmãs.
Este sportinguismo não foi com as vitórias que se cimentou, pelo contrário, foram os longos anos de derrotas, que vivemos, que reforçaram esse espirito de pertença (os dois, relativamente recentes, campeonatos nacionais deram-me forças para mais 17 ou ainda mais anos de jejum) e me deram sempre aquele secreto conforto de pertencer a uma minoria suficientemente valorosa para poder ganhar, mas eternamente vítima de injustiças e de todo um rol de adversidades.
Gerou-se esta afeição como a natural simpatia, que muitos partilhamos, pelos índios em relação aos “cow-boys” e, em geral pelos mais fracos relativamente aos seus opressores.
Se virmos a história, porém, o Sporting nunca foi fraco, pelo contrário, foi sempre um clube das elites economicamente poderosas e é, de facto, o Benfica, o clube de Lisboa que nasceu do povo e lutou com garra para conquistar a sua posição cimeira.
Não obstante todas as vicissitudes da história, as eleições do Benfica continuam sempre recordar-nos essa origem popular e combativa.
No Sporting e na generalidade dos grandes clubes, mudam as direcções num nível etéreo (não duvido que muito legal e estatutariamente correcto) talvez de forma mais acertada e conduzindo a melhores soluções, mas que a luta pelo poder e as eleições disputadas do Benfica são um espectáculo bonito de se ver, ninguém pode desmentir.
Não obstante e porque estamos num domínio meramente emocional, onde o cérebro não tem nada a dizer, continuo a ser de alma e coração do Sporting.
Vem tudo isto trazer-me à memória os nomes dos novos estádios:
O da Luz passa a Catedral, procurando fazer subir o Benfica a esse nível quase divino a que eles se assumem com direito.
O das Antas passa a Estádio do Dragão, elevando o FC Porto ao nível mitológico, maravilhoso, onde eles se sentem estar.
O José de Alvalade passa a Alvalade XXI, talvez para dizer que este é que é o nosso século, vamos a ver, mas Alvalade porquê ? Quem foi afinal o José de Alvalade que nomeou um importante bairro de Lisboa, um importante estádio e persiste todavia para todo o século XXI, ombreando com uma Catedral e com um Dragão.
Quem foi José de Alvalade ? Não faço ideia nenhuma, já pesquisei na net e só encontro referências ao estádio seu referenciado.
A sua notoriedade faz-me pensar que sou só eu que não sei e daí a minha pequena angústia.
Talvez a Duquesa Charlotte, que muito sabe, me possa elucidar, por mim fico aguardando ajuda e, só espero, que ele não seja apenas um qualquer “pato bravo” endinheirado.
Sou adepto do Sporting, desde que nasci. Porquê ? não sei explicar racionalmente, creio mesmo que essa adesão profundamente emotiva, teve uma origem meramente aleatória; o meu pai, sem ser amante do futebol, era já simpatizante do Sporting e assim ficámos eu e os meus irmãos e irmãs.
Este sportinguismo não foi com as vitórias que se cimentou, pelo contrário, foram os longos anos de derrotas, que vivemos, que reforçaram esse espirito de pertença (os dois, relativamente recentes, campeonatos nacionais deram-me forças para mais 17 ou ainda mais anos de jejum) e me deram sempre aquele secreto conforto de pertencer a uma minoria suficientemente valorosa para poder ganhar, mas eternamente vítima de injustiças e de todo um rol de adversidades.
Gerou-se esta afeição como a natural simpatia, que muitos partilhamos, pelos índios em relação aos “cow-boys” e, em geral pelos mais fracos relativamente aos seus opressores.
Se virmos a história, porém, o Sporting nunca foi fraco, pelo contrário, foi sempre um clube das elites economicamente poderosas e é, de facto, o Benfica, o clube de Lisboa que nasceu do povo e lutou com garra para conquistar a sua posição cimeira.
Não obstante todas as vicissitudes da história, as eleições do Benfica continuam sempre recordar-nos essa origem popular e combativa.
No Sporting e na generalidade dos grandes clubes, mudam as direcções num nível etéreo (não duvido que muito legal e estatutariamente correcto) talvez de forma mais acertada e conduzindo a melhores soluções, mas que a luta pelo poder e as eleições disputadas do Benfica são um espectáculo bonito de se ver, ninguém pode desmentir.
Não obstante e porque estamos num domínio meramente emocional, onde o cérebro não tem nada a dizer, continuo a ser de alma e coração do Sporting.
Vem tudo isto trazer-me à memória os nomes dos novos estádios:
O da Luz passa a Catedral, procurando fazer subir o Benfica a esse nível quase divino a que eles se assumem com direito.
O das Antas passa a Estádio do Dragão, elevando o FC Porto ao nível mitológico, maravilhoso, onde eles se sentem estar.
O José de Alvalade passa a Alvalade XXI, talvez para dizer que este é que é o nosso século, vamos a ver, mas Alvalade porquê ? Quem foi afinal o José de Alvalade que nomeou um importante bairro de Lisboa, um importante estádio e persiste todavia para todo o século XXI, ombreando com uma Catedral e com um Dragão.
Quem foi José de Alvalade ? Não faço ideia nenhuma, já pesquisei na net e só encontro referências ao estádio seu referenciado.
A sua notoriedade faz-me pensar que sou só eu que não sei e daí a minha pequena angústia.
Talvez a Duquesa Charlotte, que muito sabe, me possa elucidar, por mim fico aguardando ajuda e, só espero, que ele não seja apenas um qualquer “pato bravo” endinheirado.
2003-10-30
2003-10-29
Os bandos
Como primatas organizamo-nos em bandos, é assim que nos sentimos bem, é a escala que dominamos.
Os problemas e o mal estar surgem quando se pretende construir o “bando global” bem contra a nossa natureza e os nossos interesses e reagimos, naturalmente, organizando os nossos próprios bandos, de interesses, de conformidade de ideias, estilos de vida etc,
O fenómeno é bem nítido na blogosfera: há um grupo de notáveis que se conhecem todos pelo nome, se encontram em jantares e reuniões sociais, “lincam-se” (perdoe-se-me o estrangeirismo, inevitável) e citam-se mutuamente, vão quase todos às FNAC e outros centros de cultura, têm o culto da escrita, escrevem geralmente muito bem (é essa estética que me atrai neles), rondam a medicultura, aquela franja que procura mimar o génio que lhes falta, são light, light, light., interessam-se vivamente por coisa tão diversas como animais domésticos, DVD, política, quanto baste, livros, muitos livros, lugares do mundo, futebol também, um pouco, outros desportos, centros de lazer, restaurantes “in”, não os de verdadeiro culto à gastronomia e dão a tudo isto o mesmo peso e a mesma medida.
Gosto imenso de os ler, não são bons nem maus mas não são, decididamente, não são macacos do meu bando.
Os macacos do meu bando não têm ainda muitos blogs.
Os problemas e o mal estar surgem quando se pretende construir o “bando global” bem contra a nossa natureza e os nossos interesses e reagimos, naturalmente, organizando os nossos próprios bandos, de interesses, de conformidade de ideias, estilos de vida etc,
O fenómeno é bem nítido na blogosfera: há um grupo de notáveis que se conhecem todos pelo nome, se encontram em jantares e reuniões sociais, “lincam-se” (perdoe-se-me o estrangeirismo, inevitável) e citam-se mutuamente, vão quase todos às FNAC e outros centros de cultura, têm o culto da escrita, escrevem geralmente muito bem (é essa estética que me atrai neles), rondam a medicultura, aquela franja que procura mimar o génio que lhes falta, são light, light, light., interessam-se vivamente por coisa tão diversas como animais domésticos, DVD, política, quanto baste, livros, muitos livros, lugares do mundo, futebol também, um pouco, outros desportos, centros de lazer, restaurantes “in”, não os de verdadeiro culto à gastronomia e dão a tudo isto o mesmo peso e a mesma medida.
Gosto imenso de os ler, não são bons nem maus mas não são, decididamente, não são macacos do meu bando.
Os macacos do meu bando não têm ainda muitos blogs.
2003-10-28
Dois factos insólitos
Hoje assisti, de uma assentada, a dois factos insólitos:
Primeiro
Um ministro que nunca tinha visto antes, o do ambiente, a dar uma conferência de Imprensa contra o governo. Nem mais, o Ministro contra o governo de que parece fazer parte.
Todavia parece que a estratégia resultou e o governo inverteu a sua posição ou pelo menos definiu-se.
Pensando bem, no entanto, não há razão para o meu espanto, tudo faz parte do espectáculo, existem precedentes, veio-me logo à memória quando no governo anterior o Ministro, Gomes da Silva, participou numa manifestação de protesto contra a sua própria política assim como outras cenas semelhantes a que assisti em importantes fora da administração.
Na realidade é assim que se faz política, se perde e se ganha.
Segundo
A Provedora da Casa Pia, Catalina Pestana, deu também uma conferência de imprensa desancando a justiça portuguesa e depois, quando foi questionada sobre a sua confiança na justiça respondeu inequivocamente: sim confio na justiça.
O que faria se não confiasse ? nem quero imaginar.
Primeiro
Um ministro que nunca tinha visto antes, o do ambiente, a dar uma conferência de Imprensa contra o governo. Nem mais, o Ministro contra o governo de que parece fazer parte.
Todavia parece que a estratégia resultou e o governo inverteu a sua posição ou pelo menos definiu-se.
Pensando bem, no entanto, não há razão para o meu espanto, tudo faz parte do espectáculo, existem precedentes, veio-me logo à memória quando no governo anterior o Ministro, Gomes da Silva, participou numa manifestação de protesto contra a sua própria política assim como outras cenas semelhantes a que assisti em importantes fora da administração.
Na realidade é assim que se faz política, se perde e se ganha.
Segundo
A Provedora da Casa Pia, Catalina Pestana, deu também uma conferência de imprensa desancando a justiça portuguesa e depois, quando foi questionada sobre a sua confiança na justiça respondeu inequivocamente: sim confio na justiça.
O que faria se não confiasse ? nem quero imaginar.
2003-10-27
O paradoxo de Bush
Hoje dizem que foi o dia mais sangrento da guerra no Iraque, aquele em que a reacção à ocupação Americana e Inglesa mais vítimas produziu.
Todavia não se iludam, tratou-se apenas de uma reacção desesperada aos claros progressos que estão a ser feitos em prol da democratização e pacificação do país.
Na realidade a guerra intensifica-se, simplesmente porque a paz avança.
É preciso compreender bem estas evidências.
Todavia não se iludam, tratou-se apenas de uma reacção desesperada aos claros progressos que estão a ser feitos em prol da democratização e pacificação do país.
Na realidade a guerra intensifica-se, simplesmente porque a paz avança.
É preciso compreender bem estas evidências.
2003-10-24
Ecologia
Recebi um cartão da Óptimus informando-me que para defender a ecologia e evitar a acumulação de tanto papel que entra pela nossa caixa de correio, vai deixar de enviar os extractos mensais.
Graças a Deus que a Óptimus está assim tão preocupada com a ecologia e defende assim tão bem os nossos interesses.
Uma nota apenas me não caiu bem: se pagar 1,25 Euros, já mandam lixar a ecologia e enviam-me os extractos.
Caraças, para a Óptimus a ecologia só vale 1,25 Euros !
Graças a Deus que a Óptimus está assim tão preocupada com a ecologia e defende assim tão bem os nossos interesses.
Uma nota apenas me não caiu bem: se pagar 1,25 Euros, já mandam lixar a ecologia e enviam-me os extractos.
Caraças, para a Óptimus a ecologia só vale 1,25 Euros !
A Rainha Vermelha
São assim as actuais tecnologias de informação:
Pouco tempo após a publicação do meu post anterior, a minha filha Joana, lê o post nos EUA, onde está temporariamente, e contacta-me, via “messenger”, dando-me conta do princípio da Rainha Vermelha.
Para saber o que isto é poderão encontrar aqui Informação mais detalhada mas, em termos gerais, posso dizer que se trata de um interessante princípio da área da biologia que traduz um fenómeno semelhante ao que eu tinha aplicado no meu post anterior num contexto macro-económico.
O nome provem do segundo livro de Alice, de Lewis Carroll: “Alice por de trás do espelho”, se não me engano e da observação que a Rainha Vermelha aí faz a Alice dizendo-lhe que, naquele lugar, era necessário correr muito para se ficar no mesmo sítio.
No linque referido vem um exemplo de determinadas situações florestais, onde as árvores têm que crescer para aceder à luz solar e continuar a viver e se ficam para trás são sombreadas pelas outras e sofrem com isso. O mais interessante neste exemplo é a constatação que se todas se mantivessem pequenas teriam todas beneficiado e poupado muitos recursos.
A verdade é que nós não somos árvores e, não obstante as leis naturais, poderíamos exercer o nosso livre arbítrio e escolher a nossa própria dimensão.
Pouco tempo após a publicação do meu post anterior, a minha filha Joana, lê o post nos EUA, onde está temporariamente, e contacta-me, via “messenger”, dando-me conta do princípio da Rainha Vermelha.
Para saber o que isto é poderão encontrar aqui Informação mais detalhada mas, em termos gerais, posso dizer que se trata de um interessante princípio da área da biologia que traduz um fenómeno semelhante ao que eu tinha aplicado no meu post anterior num contexto macro-económico.
O nome provem do segundo livro de Alice, de Lewis Carroll: “Alice por de trás do espelho”, se não me engano e da observação que a Rainha Vermelha aí faz a Alice dizendo-lhe que, naquele lugar, era necessário correr muito para se ficar no mesmo sítio.
No linque referido vem um exemplo de determinadas situações florestais, onde as árvores têm que crescer para aceder à luz solar e continuar a viver e se ficam para trás são sombreadas pelas outras e sofrem com isso. O mais interessante neste exemplo é a constatação que se todas se mantivessem pequenas teriam todas beneficiado e poupado muitos recursos.
A verdade é que nós não somos árvores e, não obstante as leis naturais, poderíamos exercer o nosso livre arbítrio e escolher a nossa própria dimensão.
2003-10-23
Afinal, corremos para onde ?
É uma “verdade” insofismável, diz o Governo e a Oposição, temos que apanhar a Europa, o pelotão da frente, é preciso crescer mais que os outros. Roemo-nos de inveja pelo crescimento Irlandês, gozamos de prazer quando a bendita Grécia nos tira do último lugar de alguma coisa.
Mas afinal, estamos a correr para onde ?
Com tanta corrida já devíamos estar a atingir um nirvana de felicidade.
Um raciocínio simples poderia dizer: sinto-me bem, se não crescer mais ... que se lixe, continuo assim que não é tão mau.
É isso aliás o que sinto quando visito os tais países do pelotão da frente: afinal lá atrás não se está assim tão mal, nalguns casos, muitos, antes pelo contrário.
A realidade é que estamos a correr apenas para sobrevivermos. A ausência de crescimento não significa ficar na mesma, não, aumenta o desemprego, a miséria, de facto, andamos para trás, ficamos pior.
É isto que é a “intrujice da civilização” de que falava, (desculpem-me a insistência, não é, está longe de ser, o único lúcido mas está aqui a jeito) Almada Negreiros.
Vivemos um modelo civilizacional onde progredimos ou morremos, como que mergulhados numa piscina onde procuramos sempre tirar a cabeça de dentro de água, mas onde o nível sobe permanentemente e mesmo que tenhamos a ventura de chegar à tona e respirar, nem aí poderemos descansar e usufruir esse sucesso, se pararmos afundamo-nos de novo.
Ora a grande porra.
Mas afinal, estamos a correr para onde ?
Com tanta corrida já devíamos estar a atingir um nirvana de felicidade.
Um raciocínio simples poderia dizer: sinto-me bem, se não crescer mais ... que se lixe, continuo assim que não é tão mau.
É isso aliás o que sinto quando visito os tais países do pelotão da frente: afinal lá atrás não se está assim tão mal, nalguns casos, muitos, antes pelo contrário.
A realidade é que estamos a correr apenas para sobrevivermos. A ausência de crescimento não significa ficar na mesma, não, aumenta o desemprego, a miséria, de facto, andamos para trás, ficamos pior.
É isto que é a “intrujice da civilização” de que falava, (desculpem-me a insistência, não é, está longe de ser, o único lúcido mas está aqui a jeito) Almada Negreiros.
Vivemos um modelo civilizacional onde progredimos ou morremos, como que mergulhados numa piscina onde procuramos sempre tirar a cabeça de dentro de água, mas onde o nível sobe permanentemente e mesmo que tenhamos a ventura de chegar à tona e respirar, nem aí poderemos descansar e usufruir esse sucesso, se pararmos afundamo-nos de novo.
Ora a grande porra.
2003-10-22
Responsabilidade
Na construção da organização civilizacional, é normal atribuir-se àqueles homens e mulheres que assumem uma posição de direcção, de comando, uma capacidade de orientar o devir num determinado sentido, a uma determinada escala, a designação genérica de “responsáveis”.
É um princípio facilmente aceite e compreendido: Quem tem o privilégio de determinar ou influenciar resultados específicos, deverá igualmente responder pela qualidade dos seus actos e pelo facto de estes servirem mais ou menos a comunidade em geral.
A responsabilidade é assim o reverso da medalha da chefia ou direcção e encarado, pela generalidade das pessoas, como a contrapartida ou o ónus que recai sobre quem exerce e funções de chefia e como contrapartida de eventuais benefícios associados a essa função.
Porém, o que se assiste, cada vez mais, é a procura do melhor dos dois mundos, chegando-se, no nível organizacional moderno, a constatar que os responsáveis muito raramente respondem por coisa alguma.
As tácticas são duas: “sacudir a água do capote” se algo acontece de mal ou, melhor ainda, fazer o menos possível para que nada ou pouco aconteça.
Veio-me esta velha constatação à memória com as recentes notícias sobre o famigerado caso da fuga de informação no processo da Casa Pia e o relatório sobre o acidente da passagem de piões do IC19.
É tão natural esta desresponsabilização que a generalidade das pessoas já equacionou o termo responsável exclusivamente à função de direcção, despindo-a do seu significado real.
Daí aquela frase sábia e desesperada que vi, já há alguns anos, num cartaz em Sines, reclamando umas obras inadiáveis: “Já que os responsáveis se mostram incapazes, apelamos para os irresponsáveis”.
É um princípio facilmente aceite e compreendido: Quem tem o privilégio de determinar ou influenciar resultados específicos, deverá igualmente responder pela qualidade dos seus actos e pelo facto de estes servirem mais ou menos a comunidade em geral.
A responsabilidade é assim o reverso da medalha da chefia ou direcção e encarado, pela generalidade das pessoas, como a contrapartida ou o ónus que recai sobre quem exerce e funções de chefia e como contrapartida de eventuais benefícios associados a essa função.
Porém, o que se assiste, cada vez mais, é a procura do melhor dos dois mundos, chegando-se, no nível organizacional moderno, a constatar que os responsáveis muito raramente respondem por coisa alguma.
As tácticas são duas: “sacudir a água do capote” se algo acontece de mal ou, melhor ainda, fazer o menos possível para que nada ou pouco aconteça.
Veio-me esta velha constatação à memória com as recentes notícias sobre o famigerado caso da fuga de informação no processo da Casa Pia e o relatório sobre o acidente da passagem de piões do IC19.
É tão natural esta desresponsabilização que a generalidade das pessoas já equacionou o termo responsável exclusivamente à função de direcção, despindo-a do seu significado real.
Daí aquela frase sábia e desesperada que vi, já há alguns anos, num cartaz em Sines, reclamando umas obras inadiáveis: “Já que os responsáveis se mostram incapazes, apelamos para os irresponsáveis”.
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