Porquê um blog ?
Porque tenho muitas coisas a dizer
Porquê os posts?
Porque são a forma que este “media” admite para comunicar.
É certo que procuro sempre o post dos posts: aquele em que num pequeno parágrafo consiga resumir tudo o que é para mim importante dizer.
Mas sei já, também que isso é impossível e chego, por vezes, a não escrever nada vencido pela montanha de coisas a dizer.
O que eu pretende transmitir são as sensações e/ou emoções que determinadas vivências me provocam, talvez só a mim porque foram vividas num momento e em circunstâncias únicas e me tocaram especialmente por se articularem e despertarem um conjunto de outras vivências pessoais, recordações, sensações e emoções diversas, tornando o resultado indizível num discurso articulado e racional mas antes, apenas atingível numa forma de expressão artística, se possuísse o necessário talento para isso, é claro.
Essa expressão artística teria qualidade se conseguisse despertar em quem a usufrui uma emoção que lhe permitisse antever o que supostamente o artista viveu e quer transmitir.
Por mim, limito-me a ter esperança que alguém que leia este blog, no conjunto dos seus posts, ao ver os vários ângulos deste difícil discurso possa, pelo menos, antever a complexidade que eu gostaria de transmitir num jacto apenas.
2003-10-20
Jornalistas
Na blogosfera falam muito e fala-se muito de jornalistas.
Conheço-os. A última vez que os vi estavam satisfeitíssimos vasculhando o lixo à porta de um tribunal.
Conheço-os. A última vez que os vi estavam satisfeitíssimos vasculhando o lixo à porta de um tribunal.
2003-10-16
Hoje aprendi
Que é fundamental comer cereais ao pequeno almoço.
Mas cereais já não são o trigo, milho, aveia, centeio e cevada, entre outros, como eu tinha aprendido antes, nem são mesmo os alimentos provenientes da sua transformação que o homem foi inventando na sua história civilizacional como a farinha e tudo o que se pode fazer com ela, os cuscuz, e o pão, nada disso, cereais, hoje, são exclusivamente uma espécie de batatas fritas contidas em caixas de diversas marcas entre as quais a Kellogs.
Sendo este um derivado produzido já no século XX, questiono-me como terá sido possível a humanidade sobreviver e prosperar sem consumir os ditos cereais ao pequeno almoço.
Aprendi também que Paulo Pedroso recuperou hoje mais um sapato que tinha deixado na sua cela., visto que ontem já tinha assistido à recuperação de um sapato esquecido nas mesmas circunstâncias.
Reconstituído assim o par, espero que amanhã não tenha que ver de novo Paulo Pedroso tomar o seu pequeno almoço junto a Vera jardim (e ao que me pareceu sem cereais) e a recuperar novo sapato na penitenciária.
Mas cereais já não são o trigo, milho, aveia, centeio e cevada, entre outros, como eu tinha aprendido antes, nem são mesmo os alimentos provenientes da sua transformação que o homem foi inventando na sua história civilizacional como a farinha e tudo o que se pode fazer com ela, os cuscuz, e o pão, nada disso, cereais, hoje, são exclusivamente uma espécie de batatas fritas contidas em caixas de diversas marcas entre as quais a Kellogs.
Sendo este um derivado produzido já no século XX, questiono-me como terá sido possível a humanidade sobreviver e prosperar sem consumir os ditos cereais ao pequeno almoço.
Aprendi também que Paulo Pedroso recuperou hoje mais um sapato que tinha deixado na sua cela., visto que ontem já tinha assistido à recuperação de um sapato esquecido nas mesmas circunstâncias.
Reconstituído assim o par, espero que amanhã não tenha que ver de novo Paulo Pedroso tomar o seu pequeno almoço junto a Vera jardim (e ao que me pareceu sem cereais) e a recuperar novo sapato na penitenciária.
2003-10-14
Uma tentativa de metapost
Nelson Heitor, um reputado enófilo e enógrafo da nossa praça, disse-me um dia que se irritava sumamente quando algum seu convidado de jantar, ao ser-lhe proporcionado um excelente vinho branco, lhe demonstrava o prazer que lhe era proporcionado com este elogio bastante comum:
Está bom, está fresquinho !
De facto, para quem conhece profundamente um vinho e os segredos que ele desvenda, destacar como qualidade determinante o estar fresquinho é extremamente pobre.
Era tão bom que assim fosse, todos poderíamos extrair o profundo prazer de um vinho branco baixando a sua temperatura apenas.
Hoje e a propósito, meditei também num comentário que ouvi a uma lindíssima “top model” que, depois de pensar um pouco, resumiu a qualidade do vestido que envergava como sendo:
Muito feminino !
Ao ver aquela inequívoca mulher lindíssima questionei-me:
Porquê procurar apenas ou determinantemente num traje a confirmação da sua já óbvia feminilidade ?
Será que na riqueza e complexidade de um ser humano o relevante mesmo é esse estado, meramente aleatório que nos impõe um género ?
Mas é assim: uns contentam-se em beber um vinho fresquinho, outras em ser suficientemente femininas.
São estas situações que me recordam permanentemente aqueles 3 versos determinantes de Almada Negreiros que já transcrevi num post abaixo:
Eu invejo-te, ó pedaço de cortiça
A boiar à tona d`água, à mercê dos ventos
Sem nunca saber que fundo que é o Mar
Eu, também como disse Almada, quero mais, eu quero sempre muito mais !
Está bom, está fresquinho !
De facto, para quem conhece profundamente um vinho e os segredos que ele desvenda, destacar como qualidade determinante o estar fresquinho é extremamente pobre.
Era tão bom que assim fosse, todos poderíamos extrair o profundo prazer de um vinho branco baixando a sua temperatura apenas.
Hoje e a propósito, meditei também num comentário que ouvi a uma lindíssima “top model” que, depois de pensar um pouco, resumiu a qualidade do vestido que envergava como sendo:
Muito feminino !
Ao ver aquela inequívoca mulher lindíssima questionei-me:
Porquê procurar apenas ou determinantemente num traje a confirmação da sua já óbvia feminilidade ?
Será que na riqueza e complexidade de um ser humano o relevante mesmo é esse estado, meramente aleatório que nos impõe um género ?
Mas é assim: uns contentam-se em beber um vinho fresquinho, outras em ser suficientemente femininas.
São estas situações que me recordam permanentemente aqueles 3 versos determinantes de Almada Negreiros que já transcrevi num post abaixo:
Eu invejo-te, ó pedaço de cortiça
A boiar à tona d`água, à mercê dos ventos
Sem nunca saber que fundo que é o Mar
Eu, também como disse Almada, quero mais, eu quero sempre muito mais !
2003-10-13
O Homem da voz doce
Vindo de fundo dos tempos, cavalgando as ondas da radio, o homem da voz doce e olhar profundo e penetrante abre-nos, diariamente, a janela do mundo revelando-nos sinais.
Sinais de um quotidiano sempre repetido e sempre renovado, brotando sangue ou rindo e gargalhando nos dias claros e escuros sob o sol escaldante do verão ou entre a chuva e o frio árctico de todos os Invernos.
Falo de quem ? De Fernando Alves, obviamente.
Porra, Fernando Alves, creio que já ninguém o suporta diariamente na TSF, alardeando esses textos pseudo-poéticos de um enorme mau gosto, conseguindo a proeza de transformar alguns temas interessantes numa massa homogénea e ridícula de linguagem ultra "Kitsch".
É a medicultura na sua plenitude.
Parece que se confirmam os meus piores receios relativos à substituição de Carlos Andrade na TSF: O fim de alguma objectividade e oportunidade, que colocaram essa estação num lugar único entre todas as rádios, e o nascimento de uma grelha medíocre e homogeneizadora, com muito Fernando Alves, construída, supostamente, para agradar às massas, seja lá o que isso for.
Isto para não falar da música mas sobre isso já se pronunciou, muito bem, o "Muro sem vergonha.
Sinais de um quotidiano sempre repetido e sempre renovado, brotando sangue ou rindo e gargalhando nos dias claros e escuros sob o sol escaldante do verão ou entre a chuva e o frio árctico de todos os Invernos.
Falo de quem ? De Fernando Alves, obviamente.
Porra, Fernando Alves, creio que já ninguém o suporta diariamente na TSF, alardeando esses textos pseudo-poéticos de um enorme mau gosto, conseguindo a proeza de transformar alguns temas interessantes numa massa homogénea e ridícula de linguagem ultra "Kitsch".
É a medicultura na sua plenitude.
Parece que se confirmam os meus piores receios relativos à substituição de Carlos Andrade na TSF: O fim de alguma objectividade e oportunidade, que colocaram essa estação num lugar único entre todas as rádios, e o nascimento de uma grelha medíocre e homogeneizadora, com muito Fernando Alves, construída, supostamente, para agradar às massas, seja lá o que isso for.
Isto para não falar da música mas sobre isso já se pronunciou, muito bem, o "Muro sem vergonha.
2003-10-11
Reciclagem
Se bem que me considere macaco, notem bem que assumo essa qualidade sim mas complementada por uma chama Divina e, não esperava, absolutamente não esperava, ter mais dificuldade em separar ecologicamente o meu lixo do que o chimpanzé da televisão que, dizem, aprendeu essa tarefa em tempo relâmpago.
A realidade é a seguinte:
Tenho 4 contentores, um que diz pilhas, outro embalagens, outro papel/cartão e ainda outro que diz vidro.
Os detritos que eu produzo em maior abundância são garrafas de vinho; claramente de vidro, mas geralmente com rótulos de papel e que são, igualmente para todos os efeitos embalagens.
O instinto diz-me que é o vidro que é determinante mas não me apetecendo retirar o rótulo para colocar no depósito de papel, o depósito de embalagens torna-se mais tentador.
Felizmente que após uma vista a uma fábrica da Barbosa e Almeida aprendi que o processo de reciclagem suporta o papel dos rótulos que são eliminados e as garrafas vão assim para o depósito do vidro, embora, quando não são de vinho e têm tampa metálica, por minha iniciativa, retire a tampa e a enfie no contentor das embalagens, para onde vão todas as latas de cerveja, sardinha, atum etc.
Defini assim a minha rotina embora apenas ao fim de algum tempo.
Hoje a minha mulher perguntou-me onde poria uns cacos de barro produzidos por um acidente caseiro.
Pensei, pensei, pensei mas não arranjei solução, tive que lhe dizer: Tens de perguntar ao chimpanzé.
A realidade é a seguinte:
Tenho 4 contentores, um que diz pilhas, outro embalagens, outro papel/cartão e ainda outro que diz vidro.
Os detritos que eu produzo em maior abundância são garrafas de vinho; claramente de vidro, mas geralmente com rótulos de papel e que são, igualmente para todos os efeitos embalagens.
O instinto diz-me que é o vidro que é determinante mas não me apetecendo retirar o rótulo para colocar no depósito de papel, o depósito de embalagens torna-se mais tentador.
Felizmente que após uma vista a uma fábrica da Barbosa e Almeida aprendi que o processo de reciclagem suporta o papel dos rótulos que são eliminados e as garrafas vão assim para o depósito do vidro, embora, quando não são de vinho e têm tampa metálica, por minha iniciativa, retire a tampa e a enfie no contentor das embalagens, para onde vão todas as latas de cerveja, sardinha, atum etc.
Defini assim a minha rotina embora apenas ao fim de algum tempo.
Hoje a minha mulher perguntou-me onde poria uns cacos de barro produzidos por um acidente caseiro.
Pensei, pensei, pensei mas não arranjei solução, tive que lhe dizer: Tens de perguntar ao chimpanzé.
2003-10-10
Eu estava lá
Não, não fui assistir ao desfile de Eanes, como candidato a PR em Évora.
Estava naquele dia, naquele exacto momento, com a minha filha no parque infantil donde, do alto, se domina a rua por onde passava o desfile.
Ouvi os tiros e vi Eanes, imediatamente, erguer-se bem de pé na sua viatura, oferecendo o seu peito às balas que todavia nunca chegaram para ele.
Lembro-me de pensar no momento, este homem veio completamente cacimbado da Guiné.
O gesto é sem dúvida bonito e, no momento, exultou o povo que assistia, mas, na realidade revelava uma enorme imprudência, direi mesmo inconsciência. Se alguém o quisesse ferir ou matar tinha-o feito ali com a maior das facilidades.
Só hoje, passados 25 anos, soube que morreu um homem com uma bala perdida que o atingiu sobre o muro onde estava sentado, também com a sua filha que teria idade próxima da minha.
Só hoje, passados 25 anos, soube que, muito presumivelmente, as balas terão surgido da própria segurança de Eanes.
O que me passa pela cabeça é demasiado obsceno para o revelar aqui.
Estava naquele dia, naquele exacto momento, com a minha filha no parque infantil donde, do alto, se domina a rua por onde passava o desfile.
Ouvi os tiros e vi Eanes, imediatamente, erguer-se bem de pé na sua viatura, oferecendo o seu peito às balas que todavia nunca chegaram para ele.
Lembro-me de pensar no momento, este homem veio completamente cacimbado da Guiné.
O gesto é sem dúvida bonito e, no momento, exultou o povo que assistia, mas, na realidade revelava uma enorme imprudência, direi mesmo inconsciência. Se alguém o quisesse ferir ou matar tinha-o feito ali com a maior das facilidades.
Só hoje, passados 25 anos, soube que morreu um homem com uma bala perdida que o atingiu sobre o muro onde estava sentado, também com a sua filha que teria idade próxima da minha.
Só hoje, passados 25 anos, soube que, muito presumivelmente, as balas terão surgido da própria segurança de Eanes.
O que me passa pela cabeça é demasiado obsceno para o revelar aqui.
2003-10-08
Enganar a Fome
Os especialistas da fome no mundo (há muitos e trabalham em conjunto com outros especialistas empenhados em fazer-nos acreditar que vivemos num reino de abundantes delícias, embora nenhuma "grande farra" se vislumbre ...) vêm comunicar-nos os seus cálculos: o planeta será capaz de produzir a quantidade suficiente de cereais para que ninguém passe fome, mas o que é perturbante nessa visão idílica é o facto dos "paises ricos" consumirem abusivamente metade dos cereais, só para alimentação do seu gado. Mas quando se conhece o gosto desastroso da carne que nos chega dos matadouros, proveniente da engorda acelarada à base de cereais, poderá falar-se de "paises ricos" ? Certamente que não. Não é para nos fazer viver no sibaritismo que uma parte do planeta tem de morrer à fome: é para nos fazer viver na lama. O eleitor, contudo, adora ser lisonjeado quando lhe lembram que o seu coração pode estar a ficar um pouco insensível - ele a viver tão bem enquanto outros países contribuem, à custa de cadáveres dos filhos, stricto sensu, para que vá engordando. O que agrada ao eleitor, neste discurso, é ouvir dizer que vive como um rico.
Sente-se bem a acreditar nisso.
Parte do texto "Enganar a Fome" por Abat-Faim
(atribuído a Guy Debord)
Sente-se bem a acreditar nisso.
Parte do texto "Enganar a Fome" por Abat-Faim
(atribuído a Guy Debord)
Fiquei atónito
Os factos todos os conhecem, levaram à demissão de 2 Ministros.
O que me deixou atónito, todavia, foi a nota do MNE desta manhã que, segundo as transcrições que pude ler na imprensa, referem que o Secretário de Estado das Comunidades, José Cesário elaborou uma proposta de alteração da lei de acesso ao ensino superior que previa a alteração da excepção em causa de forma a limitar a exigência de frequência do 11º ano no estrangeiro e não do 12º como a actual lei exige e que foi próprio Ministro que não autorizou que essa proposta avançasse.
Ouviram bem ? Foi o próprio Ministro que não autorizou que a proposta seguisse, quer dizer, o Ministro não concordava com a proposta, o Ministro não concordava com a excepção que legalizaria a admissão da sua filha.
Então o que é isto ? Não concorda com a alteração que permite enquadrar a situação e autoriza que a sua filha faça um requerimento no sentido de que seja interpretada a lei no sentido que ele não concorda ?
Curiosamente não vi nenhum jornalista ou comentador a salientar este aspecto, pelo contrário, criticavam a apresentação da proposta por parte do Secretário de Estado, e deixaram passar o deveras espantoso que é a recusa do Ministro.
Entretanto as coisas vão-se superando, só falta perguntar agora: e o Director Geral cuja informação desencadeou todo este imbróglio e meteu os pés pelas mãos nas entrevistas que concedeu e até falou das “leis que não estão na lei”, é um anjinho ? está bem no lugar ?, parece que sim porque dele quase ninguém fala.
O que me deixou atónito, todavia, foi a nota do MNE desta manhã que, segundo as transcrições que pude ler na imprensa, referem que o Secretário de Estado das Comunidades, José Cesário elaborou uma proposta de alteração da lei de acesso ao ensino superior que previa a alteração da excepção em causa de forma a limitar a exigência de frequência do 11º ano no estrangeiro e não do 12º como a actual lei exige e que foi próprio Ministro que não autorizou que essa proposta avançasse.
Ouviram bem ? Foi o próprio Ministro que não autorizou que a proposta seguisse, quer dizer, o Ministro não concordava com a proposta, o Ministro não concordava com a excepção que legalizaria a admissão da sua filha.
Então o que é isto ? Não concorda com a alteração que permite enquadrar a situação e autoriza que a sua filha faça um requerimento no sentido de que seja interpretada a lei no sentido que ele não concorda ?
Curiosamente não vi nenhum jornalista ou comentador a salientar este aspecto, pelo contrário, criticavam a apresentação da proposta por parte do Secretário de Estado, e deixaram passar o deveras espantoso que é a recusa do Ministro.
Entretanto as coisas vão-se superando, só falta perguntar agora: e o Director Geral cuja informação desencadeou todo este imbróglio e meteu os pés pelas mãos nas entrevistas que concedeu e até falou das “leis que não estão na lei”, é um anjinho ? está bem no lugar ?, parece que sim porque dele quase ninguém fala.
2003-10-06
Reflexão sobre o “light”
Sei muito pouco sobre poesia e embora goste imenso dessa forma de expressão, é um puro amor de amante e não de especialista, gosto ou não gosto quase por sentimento, pelas emoções que me desperta ou não e pela consonância dessas emoções com o que penso ser as intenções do autor, mas não sei explicar por quê, julgo aliás que, por definição, a arte nunca se explica ou perderia a dimensão artística e transformar-se-ia num ensaio mais ou menos racional
Dos versos que se seguem gosto muitíssimo. É raro o dia em que eles me não vêem à memória ao ler alguns blogs:
...
Eu queria que a vida fosse tão divinal
Como tu a supões, como tu a vives!
Eu invejo-te, ó pedaço de cortiça
A boiar à tona d`água, à mercê dos ventos
Sem nunca saber que fundo que é o Mar|
...
Pequeníssimo trecho da “Cena do ódio” de José de Almada Negreiros
Dos versos que se seguem gosto muitíssimo. É raro o dia em que eles me não vêem à memória ao ler alguns blogs:
...
Eu queria que a vida fosse tão divinal
Como tu a supões, como tu a vives!
Eu invejo-te, ó pedaço de cortiça
A boiar à tona d`água, à mercê dos ventos
Sem nunca saber que fundo que é o Mar|
...
Pequeníssimo trecho da “Cena do ódio” de José de Almada Negreiros
2003-10-03
Não, não vou falar dos Srs. Ministros
Hoje limito-me a dizer adeus à Formiga de Langton que encontrou a sua auto-estrada e partiu.
Boa viagem
O meu link, porém, vai ainda permanecer alguns dias
Boa viagem
O meu link, porém, vai ainda permanecer alguns dias
2003-10-02
Falando Sério
Foram apreendidos, em Portugal uma série de DVD piratas oriundos, parece, da Malásia.
Em Varsóvia, como alguns conhecem, existe o chamado mercado russo.
Uma espécie de feira de Carcavelos ou semelhante, mas em grande, em muito grande escala, que domina um estádio, quase no centro da cidade, e que consta de todos os guias turísticos, onde grande parte dos turistas vão, e onde os táxis ultrapassam qualquer barreira linguística e nos conduzem prontamente a partir de qualquer expressão, mesmo mal pronunciada de “Russian market”, “marché russe” e, creio, ainda que não tenha experimentado, “mercado russo”, ou “Rynek russky” ou algo semelhante. Não se pode falhar.
Comprei aí, muito em conta, alem de outras coisas, diversos DVD e CD pirata.
Ao longo de vários meses deste ano vivi várias situações relativas à atitude da polícia naquele mercado.
Primeiro, em Fevereiro, comprei abertamente: quando a polícia, sempre presente, passava, os tendeiros cobriam com decoro o escaparate que logo reabriam quando os guardas ultrapassavam os 2 metros de distância.
Meses passados, após o referendo de adesão à UE, voltei a comprar mas já como, suponho, se compra droga ou algo assim: falando ao ouvido, entrando em meandros esconsos, por baixo de balcões.
Um pouco mais tarde, depois de assistir a aparentes prisões públicas, pela minha timidez, já não consegui comprar nada do tipo.
Alguns dizem: é a Polónia a entrar na legalidade, na perspectiva da adesão à UE.
A minha reflexão foi um pouco diferente:
O que vi naquele mercado, a princípio, foi o capitalismo liberal em acção, “laisser faire laisser passer”, com o tempo e a evolução descrita e a intervenção da polícia, do Estado, verifiquei “Isto é o capitalismo global em luta contra o capitalismo local”.
Extrapolando para os DVD apreendidos em Portugal questiono-me: A quem está a proteger de facto a polícia com esta apreensão ?
A mim e ao comum dos cidadãos não é de certeza porque me impede o acesso à livre concorrência e a beneficiar dos mesmos bens a muito melhor preço.
Dizem-me, que não estou a ver bem, que é para salvaguardar os direitos de autor e impedir que outros usufruam do trabalho árduo dos verdadeiros criadores.
Reconheço que a questão é muito complexa mas quando vejo a opulência dos referidos criadores e das distribuidoras globais, penso que todos já foram regiamente pagos pelo seu trabalho e quando imagino os desgraçados malaios que copiaram com engenho e arte aqueles DVD para mo proporcionarem a preços acessíveis, julgo que são mais merecedores do meu dinheiro, embora tenha também consciência que uns e outros são pedras de um mesmo sistema e veja, com clareza, que quem vai beneficiar mais, mesmo da compra dos DVD piratas, não são os pobres malaios mas será sempre o mesmo capital.
Fico a aguardar pela aldeia de macacos onde deveríamos viver e onde esta complexidade se simplifica de modo mais simples, em dimensão humana e onde uma maior equidade poderia reinar.
Em Varsóvia, como alguns conhecem, existe o chamado mercado russo.
Uma espécie de feira de Carcavelos ou semelhante, mas em grande, em muito grande escala, que domina um estádio, quase no centro da cidade, e que consta de todos os guias turísticos, onde grande parte dos turistas vão, e onde os táxis ultrapassam qualquer barreira linguística e nos conduzem prontamente a partir de qualquer expressão, mesmo mal pronunciada de “Russian market”, “marché russe” e, creio, ainda que não tenha experimentado, “mercado russo”, ou “Rynek russky” ou algo semelhante. Não se pode falhar.
Comprei aí, muito em conta, alem de outras coisas, diversos DVD e CD pirata.
Ao longo de vários meses deste ano vivi várias situações relativas à atitude da polícia naquele mercado.
Primeiro, em Fevereiro, comprei abertamente: quando a polícia, sempre presente, passava, os tendeiros cobriam com decoro o escaparate que logo reabriam quando os guardas ultrapassavam os 2 metros de distância.
Meses passados, após o referendo de adesão à UE, voltei a comprar mas já como, suponho, se compra droga ou algo assim: falando ao ouvido, entrando em meandros esconsos, por baixo de balcões.
Um pouco mais tarde, depois de assistir a aparentes prisões públicas, pela minha timidez, já não consegui comprar nada do tipo.
Alguns dizem: é a Polónia a entrar na legalidade, na perspectiva da adesão à UE.
A minha reflexão foi um pouco diferente:
O que vi naquele mercado, a princípio, foi o capitalismo liberal em acção, “laisser faire laisser passer”, com o tempo e a evolução descrita e a intervenção da polícia, do Estado, verifiquei “Isto é o capitalismo global em luta contra o capitalismo local”.
Extrapolando para os DVD apreendidos em Portugal questiono-me: A quem está a proteger de facto a polícia com esta apreensão ?
A mim e ao comum dos cidadãos não é de certeza porque me impede o acesso à livre concorrência e a beneficiar dos mesmos bens a muito melhor preço.
Dizem-me, que não estou a ver bem, que é para salvaguardar os direitos de autor e impedir que outros usufruam do trabalho árduo dos verdadeiros criadores.
Reconheço que a questão é muito complexa mas quando vejo a opulência dos referidos criadores e das distribuidoras globais, penso que todos já foram regiamente pagos pelo seu trabalho e quando imagino os desgraçados malaios que copiaram com engenho e arte aqueles DVD para mo proporcionarem a preços acessíveis, julgo que são mais merecedores do meu dinheiro, embora tenha também consciência que uns e outros são pedras de um mesmo sistema e veja, com clareza, que quem vai beneficiar mais, mesmo da compra dos DVD piratas, não são os pobres malaios mas será sempre o mesmo capital.
Fico a aguardar pela aldeia de macacos onde deveríamos viver e onde esta complexidade se simplifica de modo mais simples, em dimensão humana e onde uma maior equidade poderia reinar.
2003-10-01
Porque chora meu coração ?
Numa recente reunião familiar, onde se tenta resumir os dias não ouvistos, tive a oportunidade de ler um artigo escrito pelo meu Pai, sangue do meu sangue, raiz minha neste mundo, sobre as suas opiniões sobre "desenvolvimento sustentado".
O que é ? esse tal de "desenvolvimento sustentado" ?
O "desenvolvimento sustentado" aparece-nos como um capitalismo saudável ! Algo que apesar do "desenvolvimento", está igualmente distribuído no "deve" e no "haver" da contabilidade da vida.
É o sonho "naif" das quimeras do PREC, é a Suécia !
Acertadamente, e porque tem um coração puro e verdadeiro, apontava ele (meu Pai) para o facto da "diversidade" ser a chave para esse "desenvolvimento sustentado". O problema, e a razão porque chora meu coração, reside no facto em que esta "diversidade" só ser possível na condição que se "sustente o desenvolvimento".
Apesar do correcto instinto, não concebe "diversidade" fora dos padrões do que se entende por "desenvolvimento". Não se trata de um apelo ao verdadeiramente diverso ! A tudo aquilo que não se concebe neste mundo !
A "diversidade" junta ao "desenvolvimento sustentado" não passa de todos os "flavors" que sustentam esse desenvolvimento !
É como nas lendas medievais; munidos de boas intenções todos andam à procura do santo gral: O capitalismo corrigido !
Só a negação da totalidade existente, apela ao verdadeiramente diverso, a tudo aquilo que se aprecia pela poética de se ser INDIVIDUO e INDIVIDUAL.
O que é ? esse tal de "desenvolvimento sustentado" ?
O "desenvolvimento sustentado" aparece-nos como um capitalismo saudável ! Algo que apesar do "desenvolvimento", está igualmente distribuído no "deve" e no "haver" da contabilidade da vida.
É o sonho "naif" das quimeras do PREC, é a Suécia !
Acertadamente, e porque tem um coração puro e verdadeiro, apontava ele (meu Pai) para o facto da "diversidade" ser a chave para esse "desenvolvimento sustentado". O problema, e a razão porque chora meu coração, reside no facto em que esta "diversidade" só ser possível na condição que se "sustente o desenvolvimento".
Apesar do correcto instinto, não concebe "diversidade" fora dos padrões do que se entende por "desenvolvimento". Não se trata de um apelo ao verdadeiramente diverso ! A tudo aquilo que não se concebe neste mundo !
A "diversidade" junta ao "desenvolvimento sustentado" não passa de todos os "flavors" que sustentam esse desenvolvimento !
É como nas lendas medievais; munidos de boas intenções todos andam à procura do santo gral: O capitalismo corrigido !
Só a negação da totalidade existente, apela ao verdadeiramente diverso, a tudo aquilo que se aprecia pela poética de se ser INDIVIDUO e INDIVIDUAL.
2003-09-30
Duas observações
O espectáculo dos media começou, e bem, a levantar problemas de incompatibilidades entre negócios ligados ao combate ao fogo e a actividade de bombeiro.
Mas inevitavelmente, começa o típico processo de homogeneização e passa a ser tudo igual: vender extintores, vender viaturas e mesmo fazer projectos de segurança contra fogos destinados ao público em geral e não aos bombeiros.
Assim não se chega lá.
Entretanto, Pedro Santana Lopes, na SIC, revelou o sentimento positivo da semana:
O concerto dos Rolling Stones: “Coimbra recuperou a importância que nunca perdeu”, disse.
Isto é deveras notável, recuperar o que nunca se perdeu, só mesmo os Rolling Stones eram capazes de tamanho feito.
Mas inevitavelmente, começa o típico processo de homogeneização e passa a ser tudo igual: vender extintores, vender viaturas e mesmo fazer projectos de segurança contra fogos destinados ao público em geral e não aos bombeiros.
Assim não se chega lá.
Entretanto, Pedro Santana Lopes, na SIC, revelou o sentimento positivo da semana:
O concerto dos Rolling Stones: “Coimbra recuperou a importância que nunca perdeu”, disse.
Isto é deveras notável, recuperar o que nunca se perdeu, só mesmo os Rolling Stones eram capazes de tamanho feito.
2003-09-28
Declaração de um contribuinte
Para os devidos efeitos declaro que autorizo, com gosto, que os euros dos meus impostos ajudem a financiar algumas horas de prazer de funcionárias da cantina da Câmara de Lamego e outros concidadãos, em passeios de helicóptero sobre o Douro.
Mais declaro que me oponho absolutamente em contribuir com esses mesmos euros para financiar a deslocação de agentes da GNR para o Iraque, ao serviço das forças de ocupação daquela nação.
Mais declaro que me oponho absolutamente em contribuir com esses mesmos euros para financiar a deslocação de agentes da GNR para o Iraque, ao serviço das forças de ocupação daquela nação.
2003-09-26
O homem médio
Ao ler este artigo de Eduardo Prado Coelho sobre o livro de Gilles Châtelet: "Vivermos e pensarmos como porcos", pressinto que a noção de homem médio aí referida não é mais do que o de “réplicas” de que o Adriano fala em baixo.
Não li ainda o livro nem, de facto, conheço o autor mas não deixarei de o fazer e agradeço ao Eduardo PC o ter-me mostrado um pouco do que pode estar está por trás de um título e de uma capa “kitsch”.
Não li ainda o livro nem, de facto, conheço o autor mas não deixarei de o fazer e agradeço ao Eduardo PC o ter-me mostrado um pouco do que pode estar está por trás de um título e de uma capa “kitsch”.
2003-09-25
Os anti-Midas
O Blog de Esquerda publicou um poema de José Miguel Silva, todo ele interessante e certeiro, sigam o “link” e vejam se não é.
Mas o que mais gostei foi da introdução que aí é feita da noção de anti-Midas: os que transformam em merda tudo em que tocam.
Pelo menos Portugal está cheio de anti-Midas, infelizmente muitos, em posição de influenciar as nossas vidas.
Este termo vai já entrar no meu dicionário.
Mas o que mais gostei foi da introdução que aí é feita da noção de anti-Midas: os que transformam em merda tudo em que tocam.
Pelo menos Portugal está cheio de anti-Midas, infelizmente muitos, em posição de influenciar as nossas vidas.
Este termo vai já entrar no meu dicionário.
Os mortos na estrada
Imaginemos que um estudo “científico”, um desses que diariamente nos chegam pela tv, demonstra que o uso de botões metálicos provoca uma ligeira alteração na concentração de quem os utiliza.
O governo, sempre atento a estas descobertas, proíbe o uso de casacos com mais de 3 botões metálicos na condução.
A vida continua, há acidentes na estrada e suponhamos que se verifica que 10% dos acidentados usavam mais de 3 botões metálicos.
A tese fica provada, independentemente da correcção do estudo de base, agora a experiência comprova os factos: usavam mais de 3 botões e tiveram, na realidade acidentes, o uso de botões metálicos passa a ser uma importante causa de acidentes e a solução é óbvia: baixa-se o limite de 3 para 2 botões metálicos.
Infelizmente esta medida não tem efeito pela irresponsabilidade dos automobilistas que continuam a usar botões metálicos em excesso.
Parece uma anedota esta história mas traduz exactamente o que se passa na realidade com as supostas principais causas de acidentes: a velocidade e o álcool.
Os limites de velocidade são estabelecidos administrativamente, a partir daí, todos os acidentes em que uma viatura circule a mais velocidade do que a legal, passam a ter como causa o excesso de velocidade, a solução tomada é sempre a de baixar esse limite legal e fica-se espantado porque os acidentes persistem.
Com o álcool passa-se o mesmo, não restam quaisquer dúvidas que o álcool retira capacidades de condução, só que os efeitos nocivos não se verificam ao nível dos 0,2 ou mesmo 0,5 ou 0,8 e baixar limites nesta faixa não tem qualquer efeito mas como o termo de comparação é sempre o limite legal, se esse limite for 0, como alguns querem, uma taxa de 0,001 g/l passa imediatamente a ser causa de acidente.
E assim persiste esta calamidade e se distrai a atenção dos verdadeiros problemas: o excesso de velocidade quando ele é aferido em relação às condições objectivas da viatura e da via e não ao limite legal, o excesso de álcool quando ele aferido relativamente às condições de concentração e consciência do condutor e não ao limite legal, mas também e sobretudo as manobras perigosas e aquela que pressinto ser, de facto, a principal causa: o sono ao volante.
Mas como nunca saberemos se o morto estava a dormir ou não, esta nunca será considerada uma importante causa de acidente.
Não está nas estatísticas, não existe.
O governo, sempre atento a estas descobertas, proíbe o uso de casacos com mais de 3 botões metálicos na condução.
A vida continua, há acidentes na estrada e suponhamos que se verifica que 10% dos acidentados usavam mais de 3 botões metálicos.
A tese fica provada, independentemente da correcção do estudo de base, agora a experiência comprova os factos: usavam mais de 3 botões e tiveram, na realidade acidentes, o uso de botões metálicos passa a ser uma importante causa de acidentes e a solução é óbvia: baixa-se o limite de 3 para 2 botões metálicos.
Infelizmente esta medida não tem efeito pela irresponsabilidade dos automobilistas que continuam a usar botões metálicos em excesso.
Parece uma anedota esta história mas traduz exactamente o que se passa na realidade com as supostas principais causas de acidentes: a velocidade e o álcool.
Os limites de velocidade são estabelecidos administrativamente, a partir daí, todos os acidentes em que uma viatura circule a mais velocidade do que a legal, passam a ter como causa o excesso de velocidade, a solução tomada é sempre a de baixar esse limite legal e fica-se espantado porque os acidentes persistem.
Com o álcool passa-se o mesmo, não restam quaisquer dúvidas que o álcool retira capacidades de condução, só que os efeitos nocivos não se verificam ao nível dos 0,2 ou mesmo 0,5 ou 0,8 e baixar limites nesta faixa não tem qualquer efeito mas como o termo de comparação é sempre o limite legal, se esse limite for 0, como alguns querem, uma taxa de 0,001 g/l passa imediatamente a ser causa de acidente.
E assim persiste esta calamidade e se distrai a atenção dos verdadeiros problemas: o excesso de velocidade quando ele é aferido em relação às condições objectivas da viatura e da via e não ao limite legal, o excesso de álcool quando ele aferido relativamente às condições de concentração e consciência do condutor e não ao limite legal, mas também e sobretudo as manobras perigosas e aquela que pressinto ser, de facto, a principal causa: o sono ao volante.
Mas como nunca saberemos se o morto estava a dormir ou não, esta nunca será considerada uma importante causa de acidente.
Não está nas estatísticas, não existe.
O balanço do Euro 2004
Hoje estava sem inspiração, pensei mesmo em não postar neste blog mas o Ministro Arnauld é uma permanente fonte de inspiração.
Disse ele, mais ou menos, que os portugueses querem saber qual o saldo do Euro 2004 e, para satisfazer esses desejos encomendou uma avaliação sobre o impacto económico.
Sabe-se já o custo dos estádios, não disseram os custos desta avaliação mas, comparativamente suponho que é insignificante, resta avaliar os benefícios.
E aqui é que surge a dificuldade, para além dos benefícios directos nas receitas de bilheteira, das transmissões televisivas, do “merchandizing”, do turismo derivado e outros, grande parte dos benefícios caiem nesse domínio nebuloso imaterial para o qual não existe ainda uma metodologia de avaliação fixada, como sejam o aumento do prestígio de Portugal no mundo, traduzível talvez em turismo e contratos futuros ou o aumento do amor próprio dos portugueses que certamente se traduzirá em aumento da produtividade.
De qualquer forma é uma área com grande margem para especulação.
Antevendo todas as dificuldades e polémica que pode rodear este estudo para quem o queira observar em detalhe gostaria de avisar o Sr. Ministro que eu, apesar de ser português, não estou interessado em conhecer este saldo.
Disse ele, mais ou menos, que os portugueses querem saber qual o saldo do Euro 2004 e, para satisfazer esses desejos encomendou uma avaliação sobre o impacto económico.
Sabe-se já o custo dos estádios, não disseram os custos desta avaliação mas, comparativamente suponho que é insignificante, resta avaliar os benefícios.
E aqui é que surge a dificuldade, para além dos benefícios directos nas receitas de bilheteira, das transmissões televisivas, do “merchandizing”, do turismo derivado e outros, grande parte dos benefícios caiem nesse domínio nebuloso imaterial para o qual não existe ainda uma metodologia de avaliação fixada, como sejam o aumento do prestígio de Portugal no mundo, traduzível talvez em turismo e contratos futuros ou o aumento do amor próprio dos portugueses que certamente se traduzirá em aumento da produtividade.
De qualquer forma é uma área com grande margem para especulação.
Antevendo todas as dificuldades e polémica que pode rodear este estudo para quem o queira observar em detalhe gostaria de avisar o Sr. Ministro que eu, apesar de ser português, não estou interessado em conhecer este saldo.
2003-09-23
Lay off na função pública
Funcionário público há uma porrada de anos e vendo a facilidade com que os sucessivos governos declaram serviços inúteis para criar outros ainda mais inúteis, fiquei alarmado com estas notícias do lay off na administração pública.
Logo a seguir, o aumento do horário semanal, ou seja: a tecnologia avança e nós em lugar de trabalhar menos temos de trabalhar ainda mais.
Mas logo o Governo me sossegou: Isto não é para os actuais funcionários é só para os futuros e para os de contrato individual.
Ai que bom, não é para mim, os outros que se amanhem, pois então.
Logo a seguir, o aumento do horário semanal, ou seja: a tecnologia avança e nós em lugar de trabalhar menos temos de trabalhar ainda mais.
Mas logo o Governo me sossegou: Isto não é para os actuais funcionários é só para os futuros e para os de contrato individual.
Ai que bom, não é para mim, os outros que se amanhem, pois então.
2003-09-22
A credibilidade do anónimo
JPP disse ontem na SIC que as cartas anónimas se devem rasgar.
Luís Guilherme, presidente da Comissão de arbitragem da Liga, também disse:
“O doutor Bettencourt vai ter de dizer quais são os cozinhados que eu faço e quem me telefona para me pressionar”
Tudo isto são declarações politicamente correctas, sem dúvida, mas se toda a gente só falar dispondo de provas e assumindo nominalmente o que diz será que, por exemplo, ter-se-ia levantado a questão da pedofilia ?
Não tenho dúvidas que o anonimato e o rumor permitem todas as calúnias e injustiças mas não tenho também dúvidas que o dizer a verdade pode custar a muita gente a carreira a credibilidade e por vezes a vida que leva muitos a calarem-se ou a ter que recorrer a essa “indignidade” .
Afastar liminarmente o anónimo é confundir a mensagem com o mensageiro e pode ser, muitas vezes, pactuar com o status quo podre e mal cheiroso.
Também se só pudéssemos denunciar na posse de todas as provas, não precisaríamos de Tribunais.
Luís Guilherme, presidente da Comissão de arbitragem da Liga, também disse:
“O doutor Bettencourt vai ter de dizer quais são os cozinhados que eu faço e quem me telefona para me pressionar”
Tudo isto são declarações politicamente correctas, sem dúvida, mas se toda a gente só falar dispondo de provas e assumindo nominalmente o que diz será que, por exemplo, ter-se-ia levantado a questão da pedofilia ?
Não tenho dúvidas que o anonimato e o rumor permitem todas as calúnias e injustiças mas não tenho também dúvidas que o dizer a verdade pode custar a muita gente a carreira a credibilidade e por vezes a vida que leva muitos a calarem-se ou a ter que recorrer a essa “indignidade” .
Afastar liminarmente o anónimo é confundir a mensagem com o mensageiro e pode ser, muitas vezes, pactuar com o status quo podre e mal cheiroso.
Também se só pudéssemos denunciar na posse de todas as provas, não precisaríamos de Tribunais.
A contra informação
Ontem, graças ao vídeo, lá vi JPP na SIC, prosseguir a sua campanha contra o Muito Mentiroso: técnicas de contra informação dizia, muito acertadamente.
O que não disse é que essas técnicas são usadas todos os dias, mesmo nos discursos mais politicamente correctos; vivemos, aliás, numa sociedade de contra informação.
Um pequeno exemplo tirado da SIC Notícias há momentos sobre a queda da passagem pedonal do IC 19:
Uma informação interna do Instituto das Estradas (espero que se chame assim) dizia já que o risco existia e isto 41 dias antes do colapso e induz nos ouvintes que apenas por incúria daquele Instituto não se fechou imediatamente o IC 19 para corrigir a fonte do perigo.
Vejo-me na posição do decisor do Instituto: é fácil, fecha-se o IC 19 e corrige-se a deficiência, era, sem dúvida, a decisão racional.
Imagino, no entanto, qual seria o meu futuro e o julgamento dos media se tomasse essa decisão elementar.
O que não disse é que essas técnicas são usadas todos os dias, mesmo nos discursos mais politicamente correctos; vivemos, aliás, numa sociedade de contra informação.
Um pequeno exemplo tirado da SIC Notícias há momentos sobre a queda da passagem pedonal do IC 19:
Uma informação interna do Instituto das Estradas (espero que se chame assim) dizia já que o risco existia e isto 41 dias antes do colapso e induz nos ouvintes que apenas por incúria daquele Instituto não se fechou imediatamente o IC 19 para corrigir a fonte do perigo.
Vejo-me na posição do decisor do Instituto: é fácil, fecha-se o IC 19 e corrige-se a deficiência, era, sem dúvida, a decisão racional.
Imagino, no entanto, qual seria o meu futuro e o julgamento dos media se tomasse essa decisão elementar.
2003-09-21
Partilha
Como se vê e para o tornar mais dinâmico, este blog é agora partilhado com o Adriano.
Teremos posts “soft” e posts “hard”, todavia a linha editorial não irá diferir muito.
Ficará mais rico, creio eu
Teremos posts “soft” e posts “hard”, todavia a linha editorial não irá diferir muito.
Ficará mais rico, creio eu
Réplicas
A réplica é todo aquele que se demite de gente.
A réplica substitui a consciência de si, pela imagem, pelo abstracto.
A réplica è a materialização não-viva do status-quo, ela reflecte e justifica o comportamento da mercadoria.
A réplica tem como fim a manutenção da taxa e do balanço, invenções medievais e meios de dominação.
A réplica produz energia viva que fornece à abstracção, de modo a prolongar esse ciclo de abre e tapa buracos, a que chamam orgulhosamente de trabalho, até o corpo estar gasto, velho ou feio.
A réplica substitui a justiça pelo argumento económico, ela prostituí a liberdade na noção tacanha de "poder de escolha": entre o nada e o nada, entre o morto e o morto, de e para os mortos.
Intelectuais e especialistas, ou melhor, os filhos da puta dos intelectuais e dos especialistas constróem pouco a pouco os episódios da novela de tédio em que consiste a não-vida e a não-opinião da réplica.
Trata-se de um "Role-Play Game", onde o herói enfrenta o mundo virtual com um objectivo bem demarcado (no entanto desconhecido para o próprio), objectivo esse que permite o desenrolar do enredo, onde se encontram personagens que se satisfazem com uma das 3 opções escritas a branco no monitor ou zurradas domingos à noite pelo Sr. Prior esse já visto "educador do povo".
Á medida que toda a comunicação se desvirtua e se torna simplex, (este termo pode ser interpretado em toda a sua extensão) processa-se a transformação do indivíduo em espectador. A linguagem esvazia-se na hegemonia do "senso comum". As soluções vêm por cabo, as emoções vêm por cabo, o prazer vêm por cabo. Para quê a linguagem, se não existe opinião nem associação? A linguagem da réplica fica reduzida ao necessária para cumprir o seu fim produtivo, sendo ela o grande meio. A gíria estabelece-se agora em função da produção e não por condicionantes culturais ou geográficas.
A réplica só possui capacidade de analisar uma situação se esta contribuir para o seu fim produtivo. Se tal for o caso, a réplica, é capaz da mais prodigiosa das inferências. Mas não é por ela que pensa, não é por ela que decide mas por algo que a supera e que no entanto por ela é produzido e consumido.
O processo está longe de ser pacifico e ainda existem muitas dificuldades e incompatibilidades na adaptação do corpo a esta nova "alma colectiva". A doença mental aparece, explorando a fenda, entre o natural e o artificial. Entre o seu corpo e as suas abstracções.
Toda a réplicas tem numero de serie diferente. É nesta diferenças que o termo "réplica" se pode aplicar com mais propriedade, e onde mais facilmente se identifica.
A réplica nada cria tudo produz.
A réplica substitui a consciência de si, pela imagem, pelo abstracto.
A réplica è a materialização não-viva do status-quo, ela reflecte e justifica o comportamento da mercadoria.
A réplica tem como fim a manutenção da taxa e do balanço, invenções medievais e meios de dominação.
A réplica produz energia viva que fornece à abstracção, de modo a prolongar esse ciclo de abre e tapa buracos, a que chamam orgulhosamente de trabalho, até o corpo estar gasto, velho ou feio.
A réplica substitui a justiça pelo argumento económico, ela prostituí a liberdade na noção tacanha de "poder de escolha": entre o nada e o nada, entre o morto e o morto, de e para os mortos.
Intelectuais e especialistas, ou melhor, os filhos da puta dos intelectuais e dos especialistas constróem pouco a pouco os episódios da novela de tédio em que consiste a não-vida e a não-opinião da réplica.
Trata-se de um "Role-Play Game", onde o herói enfrenta o mundo virtual com um objectivo bem demarcado (no entanto desconhecido para o próprio), objectivo esse que permite o desenrolar do enredo, onde se encontram personagens que se satisfazem com uma das 3 opções escritas a branco no monitor ou zurradas domingos à noite pelo Sr. Prior esse já visto "educador do povo".
Á medida que toda a comunicação se desvirtua e se torna simplex, (este termo pode ser interpretado em toda a sua extensão) processa-se a transformação do indivíduo em espectador. A linguagem esvazia-se na hegemonia do "senso comum". As soluções vêm por cabo, as emoções vêm por cabo, o prazer vêm por cabo. Para quê a linguagem, se não existe opinião nem associação? A linguagem da réplica fica reduzida ao necessária para cumprir o seu fim produtivo, sendo ela o grande meio. A gíria estabelece-se agora em função da produção e não por condicionantes culturais ou geográficas.
A réplica só possui capacidade de analisar uma situação se esta contribuir para o seu fim produtivo. Se tal for o caso, a réplica, é capaz da mais prodigiosa das inferências. Mas não é por ela que pensa, não é por ela que decide mas por algo que a supera e que no entanto por ela é produzido e consumido.
O processo está longe de ser pacifico e ainda existem muitas dificuldades e incompatibilidades na adaptação do corpo a esta nova "alma colectiva". A doença mental aparece, explorando a fenda, entre o natural e o artificial. Entre o seu corpo e as suas abstracções.
Toda a réplicas tem numero de serie diferente. É nesta diferenças que o termo "réplica" se pode aplicar com mais propriedade, e onde mais facilmente se identifica.
A réplica nada cria tudo produz.
2003-09-19
O que dizem os mestres
Percorrendo os vários noticiários televisivos ocorreu-me o que Aldous Huxley já tinha dito em 1959, muito melhor do que eu o poderia fazer:
“No que à propaganda diz respeito, os primeiros defensores da instrução obrigatória e de uma Imprensa livre só encaravam duas possibilidades: a propaganda podia ser verdadeira ou podia ser falsa. Não anteviam o que na realidade aconteceu, principalmente nas nossas democracias capitalistas ocidentais – o desenvolvimento de uma vasta indústria de comunicações com as massas, que na sua maior parte se não ocupa nem do verdadeiro nem do falso, mas do irreal, o mais ou menos totalmente irrelevante. Numa palavra, não tiveram em conta o quase infinito apetite humano de distracções.”
Huxley, Aldous: Regresso ao Amirável Mundo Novo.
.
“No que à propaganda diz respeito, os primeiros defensores da instrução obrigatória e de uma Imprensa livre só encaravam duas possibilidades: a propaganda podia ser verdadeira ou podia ser falsa. Não anteviam o que na realidade aconteceu, principalmente nas nossas democracias capitalistas ocidentais – o desenvolvimento de uma vasta indústria de comunicações com as massas, que na sua maior parte se não ocupa nem do verdadeiro nem do falso, mas do irreal, o mais ou menos totalmente irrelevante. Numa palavra, não tiveram em conta o quase infinito apetite humano de distracções.”
Huxley, Aldous: Regresso ao Amirável Mundo Novo.
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