2003-09-21

Réplicas

A réplica é todo aquele que se demite de gente.
A réplica substitui a consciência de si, pela imagem, pelo abstracto.
A réplica è a materialização não-viva do status-quo, ela reflecte e justifica o comportamento da mercadoria.
A réplica tem como fim a manutenção da taxa e do balanço, invenções medievais e meios de dominação.
A réplica produz energia viva que fornece à abstracção, de modo a prolongar esse ciclo de abre e tapa buracos, a que chamam orgulhosamente de trabalho, até o corpo estar gasto, velho ou feio.
A réplica substitui a justiça pelo argumento económico, ela prostituí a liberdade na noção tacanha de "poder de escolha": entre o nada e o nada, entre o morto e o morto, de e para os mortos.

Intelectuais e especialistas, ou melhor, os filhos da puta dos intelectuais e dos especialistas constróem pouco a pouco os episódios da novela de tédio em que consiste a não-vida e a não-opinião da réplica.
Trata-se de um "Role-Play Game", onde o herói enfrenta o mundo virtual com um objectivo bem demarcado (no entanto desconhecido para o próprio), objectivo esse que permite o desenrolar do enredo, onde se encontram personagens que se satisfazem com uma das 3 opções escritas a branco no monitor ou zurradas domingos à noite pelo Sr. Prior esse já visto "educador do povo".

Á medida que toda a comunicação se desvirtua e se torna simplex, (este termo pode ser interpretado em toda a sua extensão) processa-se a transformação do indivíduo em espectador. A linguagem esvazia-se na hegemonia do "senso comum". As soluções vêm por cabo, as emoções vêm por cabo, o prazer vêm por cabo. Para quê a linguagem, se não existe opinião nem associação? A linguagem da réplica fica reduzida ao necessária para cumprir o seu fim produtivo, sendo ela o grande meio. A gíria estabelece-se agora em função da produção e não por condicionantes culturais ou geográficas.

A réplica só possui capacidade de analisar uma situação se esta contribuir para o seu fim produtivo. Se tal for o caso, a réplica, é capaz da mais prodigiosa das inferências. Mas não é por ela que pensa, não é por ela que decide mas por algo que a supera e que no entanto por ela é produzido e consumido.

O processo está longe de ser pacifico e ainda existem muitas dificuldades e incompatibilidades na adaptação do corpo a esta nova "alma colectiva". A doença mental aparece, explorando a fenda, entre o natural e o artificial. Entre o seu corpo e as suas abstracções.

Toda a réplicas tem numero de serie diferente. É nesta diferenças que o termo "réplica" se pode aplicar com mais propriedade, e onde mais facilmente se identifica.

A réplica nada cria tudo produz.

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